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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mensagem de Mãe Maria, canalizada por Jane M. Ribeiro

TRECHO:
Amados Filhos,

Que as bênçãos do amor tragam paz aos vossos corpos, mentes e corações.

Os Filhos da Terra vem passando por inúmeras transformações em seus corpos e em suas vidas, e isso tem acarretado um cem número de desconfortos que, muitas vezes, se manifestam como medo, inquietação, insegurança, dores pelo corpo, ritmo acelerado da respiração e tantos mais.

Não vos desespereis, pois eis que esse estado é passageiro, e todas essas transformações chegam ao vosso planeta com a finalidade de preparar-vos para o ingresso em um novo patamar de consciência, patamar imprescindível para vossas evoluções.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Carta De Publius Lentulus / Carta De Pvblivs Lentvlvs

TRECHO:
ENTRE OS DEPOIMENTOS sobre Jesus, os do Ciclo de Pilatos. parecem os mais curiosos e interessantes, objectos de intensa piedade popular ao longo dos tempos. Um dos textos deste Ciclo é a Carta de Públio Lêntulo, que descreve Jesus. Foi produzida por um certo Lentulus, romano, sendo ''oficial de Roma na província da Judeia no tempo de Tiberius Cæsar'', ou, como no preâmbulo original em Latim, "Lentulus habens officium in partibus Iudeae herodis ad senatores romanos hane epistolam deferre iussit" (Goodspeed).
ESTA personagem não pôde ser identificada; o mais perto que podemos chegar é à menção de um ''Volusiano, familiar de Tibério'' (suo familiari nomine Volusiano), pois os Volusiani surgiram do casamento entre Lúcio Volúsio Saturnino (cônsul sufeta em 3 EC, e já bastante idoso) e Cornelia Scipionum Gentis, filha de Lúcio Cornélio Lêntulo (cônsul em 3 AEC). No Ciclo de Pilatos, este Volusiano tem papel de relevo no afastamento e morte de Pilatos, cf. Otero, Los Evangelios Apocrifos pag. 496: ''Muerte de Pilatos, el que condenó a Jesus''. Veja Volusiano.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A outra Maria segundo os evangelhos apócrifos

TRECHO:
Sobre Maria, a mãe de Jesus, é uma viagem fascinante. Quem começa não quer parar. Muitas curiosidades são sanadas ou deixadas em aberto diante das possíveis “fantasias” relatadas. Muitas tradições religiosas em relação à Maria, guardadas na memória popular e em dogmas de fé, têm suas origens nos apócrifos, assim como: a palma e o véu de nossa Senhora; as roupas que ela confeccionou para usar no dia de sua morte; sua assunção ao céu; a consagração à Maria e de Maria; os títulos que Maria recebeu na ladainha dedicada a ela; os nomes de seu pai e de sua mãe; a visita que ela e Jesus receberam dos magos; o parto em uma manjedoura, etc. A nossa devoção mariana é mais apócrifa que canônica.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Pai Nosso em Aramaico

TRECHO:
É desta oração (Pai Nosso em Aramaico) que derivou a versão atual do "Pai-Nosso", prece ecumênica de ISSA (Jesus Cristo).
Ela está escrita em aramaico, numa pedra branca de mármore, em Jerusalém / Palestina, no Monte das Oliveiras, na forma que era invocada pelo Mestre Jesus.
O aramaico era um idioma originário da Alta Mesopotâmia, (séc. VI a.c.), e a língua usada pelos povos da região. Jesus sempre falava ao povo em idioma aramaico.
A tradução direta do aramaico para o português, (sem a interferência da Igreja), nos mostra como esta oração é bela, profunda e verdadeira...

sábado, 18 de julho de 2009

O Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo

TRECHO:
INTRODUÇÃO
1 O Livro de Mórmon é um volume de escrituras sagradas comparável à Bíblia. É um
registro da comunicação de Deus com os antigos habitantes das Américas e contém a
plenitude do evangelho eterno.
2 O livro foi escrito por muitos profetas antigos, pelo espírito de profecia e revelação.
Suas palavras, escritas em placas de ouro, foram citadas e resumidas por um
profeta-historiador chamado Mórmon. O registro contém um relato de duas grandes
civilizações. Uma veio de Jerusalém no ano 600 a.C. e posteriormente se dividiu em duas
nações, conhecidas como nefitas e lamanitas. A outra veio muito antes, quando o Senhor
confundiu as línguas na Torre de Babel. Este grupo é conhecido como jareditas. Milharesde anos depois, foram todos destruídos, exceto os lamanitas, que são os principais
antepassados dos índios americanos.
3 O acontecimento de maior relevância registrado no Livro de Mórmon é o ministério
pessoal do Senhor Jesus Cristo entre os nefitas, logo após sua ressurreição. O livro expõe
as doutrinas do evangelho, delineia o plano de salvação e explica aos homens o que devem
fazer para ganhar paz nesta vida e salvação eterna no mundo vindouro.
4 Depois de terminar seus escritos, Mórmon entregou o relato a seu filho Morôni, que
acrescentou algumas palavras suas e ocultou as placas no Monte Cumora. A 21 de
setembro de 1823, o mesmo Morôni, então um ser ressurreto e glorificado, apareceu ao
Profeta Joseph Smith e instruiu-o a respeito do antigo registro e da tradução que seria feita
para o inglês.
5 No devido tempo as placas foram entregues a Joseph Smith, que as traduziu pelo
dom e poder de Deus. Hoje o registro se acha publicado em diversas línguas, como
testemunho novo e adicional de que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivente e de que todos
os que se achegarem a ele e obedecerem às leis e ordenanças do seu evangelho poderão ser
salvos.
6 Com respeito a este registro o Profeta Joseph Smith declarou: "Eu disse aos irmãos
que o Livro de Mórmon era o mais correto de todos os livros da Terra e a pedra
fundamental de nossa religião; e que seguindo seus preceitos o homem se aproximaria mais
de Deus do que seguindo os de qualquer outro livro."
7 O Senhor providenciou para que, além de Joseph Smith, mais onze pessoas vissem as
placas de ouro e fossem testemunhas especiais da veracidade e divindade do Livro de
Mórmon. Seus testemunhos escritos estão aqui incluídos como "Depoimento de Três
Testemunhas" e "Depoimento de Oito Testemunhas".
8 Convidamos todos os homens de toda parte a lerem o Livro de Mórmon,
ponderarem no coração a mensagem que ele contém e depois perguntarem a Deus, o Pai
Eterno, em nome de Cristo, se o livro é verdadeiro. Os que assim fizerem e perguntarem
com fé obterão, pelo poder do Espírito Santo, um testemunho de sua veracidade e
divindade. (Ver Morôni 10:3–5.)
9 Os que obtiverem do Santo Espírito esse divino testemunho saberão, pelo mesmo
poder, que Jesus Cristo é o Salvador do mundo, que Joseph Smith é o seu revelador e
profeta nestes últimos dias e que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o
reino do Senhor restabelecido na Terra, em preparação para a segunda vinda do Messias

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Regra do Carmo, de Alberto de Jerusalém

TRECHO:
1 Alberto, chamado pela graça de Deus a ser Patriarca da Igreja de Jerusalém, aos amados
filhos em Cristo B. e demais eremitas que vivem sob a sua obediência perto da Fonte, no
Monte Carmelo, saudações no Senhor e a benção do Espírito Santo.
2 Muitas vezes e de diversas maneiras os Santos Padres estabeleceram como cada um -
qualquer que seja o estado de vida a que pertença ou a forma de vida que tenha escolhido -
deve viver no obséquio de Jesus Cristo e servi-lo fielmente com coração puro e reta
consciência .
3 Mas, uma vez que nos pedis que vos demos uma fórmula de vida de acordo com o vosso
projeto comum e à qual deveis permanecer fiéis no futuro:
4 Estabelecemos, primeiramente, que tenhais um de vós como Prior, que seja eleito para
esta tarefa com o consenso unânime de todos ou, ao menos, da parte mais numerosa e
madura. A ele prometerão obediência todos os demais e se preocuparão em manter esta
promessa com suas obras, juntamente como a castidade e a renúncia à propriedade.
5 Podeis fixar vossos lugares de morada nos ermos ou onde vos oferecerem lugares
adequados e convenientes ao vosso modo de vida religiosa, conforme parecer oportuno ao
Prior e aos Irmãos.
6 Além disso, levada em conta a situação do lugar em que tenhais decidido
estabe¬lecer-vos, cada um de vós tenha sua própria cela separada, conforme a designação
do Prior, com a anuência dos outros Irmãos ou da parte mais madura.
7 Cumpra-se isto, porém, de modo que possais alimentar-vos em um refeitório comum, com
aquilo que vos for repartido, escutando juntos alguma passagem da Sagrada Escritura,
desde que isto se possa realizar sem dificuldade.
8 E a nenhum dos Irmãos será permitido, a não ser com licença do Prior em exercício,
mudar do lugar que lhe for assinalado ou trocá-lo com um outro.
9 A cela do Prior se situe perto da entrada do lugar de moradia, para que ele seja o
primeiro a recepcionar os que aí chegarem; e depois, em tudo que for mister fazer-se,
proceda-se consoante seu julgamento e sua decisão.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A Igreja, de Eduardo Carlos Pereira

TRECHO:
Publicado em O Púlpito Evangélico, 1ª parte em julho de 1891 e 2ª parte no mês seguinte do mesmo ano.
"E se tardar para que saibas como deves portar-te na Casa de Deus que é a Igreja
do Deus vivo, coluna e firmamento da verdade" I Timóteo 3:15
Pondo de parte qualquer outra asserção do Apóstolo no texto, é meu intento, prezados
irmãos, indagar nesta hora alguma coisa sobre a natureza do Deus vivo, que afirma S. Paulo
ser a Casa de Deus, coluna e firmamento da verdade. Em face das idéias errôneas que
sobre este ponto reinam em nossa sociedade e das tremendas conseqüências que delas se
tiram, a importância do assunto se recomenda por si mesma. Cristo prometeu estar com a
sua Igreja até a consumação dos séculos, e edificá-la sobre a rocha inabalável, de modo que
as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Diante dessas promessas importantes,
ensina-se a nosso povo que a Igreja de Cristo é uma congregação visível a palpável de
pessoas contidas dentro de uma organização determinada, e que essas pessoas pelo simples
fato de estarem dentro dessa organização, são herdeiros das promessas, e por
conseqüência, não podem errar, são coletivamente infalíveis. E quando a história mostra
que em nome dessa Igreja infalível e com sua autoridade se tem praticado horrendas
carnificinas e acendido milhares de fogueiras homicidas; e quando com as Santas
Escrituras se provam que, sob essa autoridade que não podem errar, espalham hoje mesmo
as doutrinas mais anticristãs, respondem: “Cale-se a ímpia história fementida, cale-se a
orgulhosa razão ante a Santa Madre infalível!” Com tais preconceitos, a voz da Igreja, como
o disse alguém, torna-se uma espécie de cabeça de Medusa, que tem petrificado o bom
senso de muitos.

domingo, 12 de julho de 2009

Credo Niceno

TRECHO:
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas
visíveis e invisíveis.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Credo dos Apóstolos

TRECHO:
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso,
Criador dos céus e da terra;
E em Jesus Cristo seu único Filho nosso Senhor,
Que foi concebido por obra do Espírito Santo,
Nasceu da Virgem Maria,
Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu ao Céu
e está assentado à destra de Deus Pai Todo-Poderoso,
De onde há de vir para julgar os vivos e os mortos;

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Credo de Atanásio

TRECHO:
1. Todo aquele que quiser ser salvo, é necessário acima de tudo, que sustente a fé
universal.
2. A qual, a menos que cada um preserve perfeita e inviolável, certamente perecerá para
sempre.
3. Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em
unidade.
4. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância.
5. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra.
6. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e
co-eterna majestade.
7. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo.
8. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não criado.
9. O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado.

domingo, 5 de julho de 2009

Capítulo perdido de Atos

TRECHO:
O Capítulo perdido de Atos dos Apóstolos é o que supõe ser o fim do livro de Atos. Hoje em dia se reconhece que
é uma fraude, feita para apoiar o Anglo-israelismo, doutrina que prega que as tribos inglesas eram descendentes
diretas de hebreus, das tribos perdidas de Israel. Essa doutrina é considerada heresia pela grande maioria das
denominações cristãs.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vidas de Santos de um Manuscrito Alcobacense (textos portugueses do século XIII/XIV)

TRECHO:
Muytas e grandes graças devemos dar ao Senhor, que nom quer a morte dos pecadores mas quer e cobiiça que
sse (con)vertã e façam penitençia. E por ende ouvide huu millagre que foy fecto em nossos dias. Nobr(e) e
honesta cousa pareçeo [a] my Jacobo pecador y sc(re)pver a vos sanctos hyrmaaos, p(er) que leendo ouvindo
c(re)ades e ajades ajuda e conssollaçõ a vossas almas, porque Deos he muito mis(er)icordioso e nom q(ue)r
que nehuu home em esta vida mortal p(er)eça. Estatuyo e quis e mandou, que e este mundo satisffaça o home
de seus pecados,
porque no out(ro) mundo, o juizo ha-de seer justo e cada huu ha-de rreçeber e aver gallardom, segundo
suas obras.

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terça-feira, 30 de junho de 2009

A Tragedia De Guanabara Ou Historia Dos Protomartyres Do Christianismo No Brasil, de Jean Crespin

TRECHO:
Prefácio
Traduzindo do francez o capitulo em que Jean Crespin, na sua obra, Histoire des Martyres,
tomo II, pags. 448-465 e 506-519, se occupa da perseguição dos Calvinistas no Brasil,
fazemol-o por desejarmos concorrer, de algum modo, á commemoração que, aos 31 de
outubro do corrente anno, o Catholicismo Evangelico fará do 4° centenario da Reforma,
bem assim por ser geralmente desconhecida a historia dos primeiros fieis que, a 9 de
fevereiro de 1558, soffreram o baptismo de sangue em Coligny, hoje fortaleza de
Villegaignon, na bahia de Guanabara - Rio de Janeiro.
Das annotações feitas a esse capitulo por Matthieu Lelièvre, na edição de 1887, vertêmos
as que nos pareceram de real valor e addicionámos outras sobre pontos que cumpria
elucidar.
O dr. Erasmo Braga, membro da Academia de Letras de S. Paulo e deão do Seminário
Theologico Presbyteriano em Campinas, havendo, em 1907, traduzido a Confissão de Fé
que determinou a execução dos martyres Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil e Pierre
Bourdon, para que constasse do Relatório da Egreja Presbyteriana, desta Capital,
apresentado pelo dr. Alvaro Reis, seu pastor collado, e relativo ao mesmo anno, precedeu-a
de alguns conceitos que, com a devida vênia, passamos a transcrever, por constituírem
excellente Prefacio ao nosso trabalho:
"Vae-se alargando o martyrologio da Egreja de Christo no Brasil:
Ainda rubra corre a torrente, quando o céo chora sobre o sangue do ultimo martyr, e a
memória dos primeiros não tem um monumento, no coração siquer de seus confrades.
E' tempo de se levantarem as campas. Tirem-se as relíquias, e alcemol-as! São os
nossos trophéos.
Não ha no mundo quem tenha mais vivo monumento dos seus martyres que nós. Nem
o Colyseu com as suas arcarias soturnas: o rugido das feras ha muito que emmudeceu.
Ali, porém, naquella bellissima bahia de Guanabara, está a ilha, onde primeiro, em
terras da America, os fíeis commemoraram a morte do Salvador.
Ao cimo da collina, uma fortaleza, como então.
Seu nome perpetúa a memória execranda do carrasco.
Lá, a rebentar dos arrecifes, as mesmas ondas que sorveram os corpos dos martyres,
vêm cobrir de branca espuma a rocha que servio de cadafalso.
E o mar ainda ruge como no dia do martyrio.
Templo, cadafalso e jazigo.
Jean de Lery, o historiador da expedição de Villegaignon, por que no dia das
retribuições não se lhe leve em conta o olvido, emprehendeu narrar os martyrios de
seus irmãos na terra do Brasil.
Quebraram-se uma por uma as promessas do ambicioso almirante; Richier é injuriado
em plena congregação; os sermões são criticados com vehemencia pelo intimo do
chefe da expedição; por fim, violenta, estoura a apostasia.
Disputava-se sobre a doutrina dos Sacramentos, e Chartier, o outro pastor que Calvino
enviára, voltou á Europa, levando appello ás egrejas-mães.
Sósinho, a luctar contra a violencia, Richier e os fieis foram obrigados a deixar o forte
e ir para o continente.
Depois de muito soffrer, puderam, um dia, ver-se à bordo de um navio que os devia
repatriar. No alto mar, porém, o velho barco fazia água, e tão desgraçadamente , que o
deposito de viveres inundara. Era necessário diminuir os de bordo; e tocou a cinco
delles voltarem numa . chalupa para a terra, onde tanto soffreram.
Villegaignon os recebeu com toda a bondade. Os remorsos, porém, que lhe torturavam
a alma, levantavam a cada canto um phantasma, e como Caim, o apostata e assassino,
temia que um braço vingador viesse, de um golpe, cercear-lhe a ambição. E os pobres
homens, tornaram-se suspeitos de traição e espionagem.
Resolvido a eliminal-os, buscava ainda o vil perseguidor um véo para encobrir o crime.
Sabia bem o mesquinho que a mesma fé ardente no coração dos confessores reduzidos
a cinzas lá na pátria, mais ardente que as brazas das fogueiras, também inflammava o
coração das suas victimas: lembrou-se que era ali o representante de Henrique II.
Era direito dos governadores, em nome do rei, exigir dos subditos uma confissão de
sua fé. O almirante ordenou, portanto, que em doze horas respondessem aos artigos de
fé que lhes enviára.
O mais velho, distinto entre elles, porque velava pela piedade de seus irmãos e porque
em letras possuía conhecimentos da língua latina, foi eleito para redigir a resposta.
Sem livros, só possuíam a Bíblia, simples crentes que talvez não tivessem aos pés de
Calvino um , curso de divindades, afflictos, cansados, em um dia, foram obrigados a
responder a difficeis questões.
Jean du Bourdel escreveu; os outros assignaram a sua Confissão de Fé.
Recebido o documento, o tyranno o fez vir à sua presença.
Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil e André la Fon vieram; Pierre Bourdon, afflicto por
moléstia, ficara no continente.
Estavam promptos, disseram, a sustentar a Confissão. Enraivecido, ordenou
Villegaignon que os mettessem no carcere a ferros.
Durante a noite, todas as horas ia revistar as algemas, a porta do cárcere, rondar as
sentinellas.
Os servos de Deus, entretanto, oravam, cantavam psalmos e se consolavam
mutuamente.
Na manhã de sexta-feira 9 de fevereiro de 1558, desceu Villegaignon, bem armado,
com um pagem, a uma sala. Mandou apresentar du Bourdel, e mandou-lhe explicar o
5.° artigo da sua confissão. Ao responder du Bourdel, uma bofetada, do apostata
fez-lhe jorrar sangue da face, e Villegaignon mofára das suas lagrimas de dôr.
Conduzido ao supplicio, ao passar pela prisão, bradava aos seus cornpanheiros que
tivessem bom animo, pois breve seriam livres desta triste vida.
Cantando psalmos, subiu á rocha; orou, e, atado de pés e mãos, o algoz o arrojou ás
ondas.
Seguiu-o Matthieu Verneuil.
A's suas supplicas que o poupasse, tivesse-o como escravo, respondia o verdugo,
menos valor tinha qui o lixo do caminho: Tendo orado, exclamando: - 'Senhor Jesus,
tem piedade de 'mim' - desappareceu no mar.
Pierre Bourdon, fraco, debilitado pela molestia foi obrigado a levantar-se, e levado
para a ilha.
Lá percebeu o que o esperava, Ao presentir o logar onde soffreram seus irmãos não se
entristeceu, pois tinham ali obtido a victoria. Cruzou os braços, elevou os olhos ao céo;
orou.
Antes de morrer, quiz saber a causa de sua morte. Respondeu-se-lhe que era a sua
assignatura de uma Confissão heretica e escandalosa.
O rugido do mar não permittiu mais ouvir a sua voz clamar pelo soccorro e favor de
Deus, e o seu corpo desappareceu no abysmo das aguas.
E foi assim naquelles tempos que os nossos irmãos pagaram com a vida a audacia de
confessar a sua fé ; e, hoje, muita gente balbucia, hesita, ante o sorriso mofador, de
qualquer insolente."
Mas o Protestantismo no Brasil, em especial, grande e relevantissimo serviço deve ao dr.
Pedro Souto Maior: referimo-nos á traducção pelo mesmo feita das Actas dos Synodos e
Classes do Brasil, no século XVII, durante o dominio hollandez, as quaes, em Appendice,
juntamos a este trabalho, autorizados pelo conspicuo traductor e insigne mestre, a quem
hypothecamos eviterna gratidão.
E, por certo, injusto fôra que deixassemos tambem de render, aqui, homenagem á maior
autoridade, no Catholicismo Protestante Brasileiro, em materia de historia geral e
ecclesiastica - o notavel tribuno e emérito publicista dr. Alvaro Reis, autor de obras de
reconhecido valor, das quaes, dada a sua intima relação com o "martyrio dos huguenotes",
recommendamos aos estudiosos a que tem por titulo - O Martyr le Balleur.
Não encerraremos, todavia, este Proemio sem assignalar a alta conveniencia, ou antes, á
imperiosa necessidade da creação de uma Biblioteca do Protestantismo Brasileiro, como as
que existem em outros paizes. As vantagens de um tal Departamento seriam incalculáveis.
Attente-se, por exemplo, ao enorme auxilio que a Bibliotheca do Protestantismo Francez
prestou a Matthieu Leliévre, annotador da obra de Crespin, como se vê destas suas
palavras : L'accès aux grandes Bibliothèques de Paris nous a permis de remonter aux
sources de plusieurs chapitres du Martyrologe. Nous avons notamment trouvé à la
Bibliothèque Nationale les ouvrages qui ont foumi à Crespin et à ses continuateurs les
notices sur Ange Le Merle, l'lnquisition d'Espagne et la grande persécution de l'Eglise de
Paris, et à la Bibliothéque. De l'Arsenal, le livre sur l'expédition de Villegaignon, qui a passé
tout entier dans l'Histoire des Martyres. Nous ne devons pas oublier de mentionner la
Biblíothèque dii Protestantisme Français, qui occupe une place déjà distinguée parmi les
grands dépòts des richesses liitéraires de la France. Son bibliothécaire, M. N. Weiss, nous a
foumi, à diversej reprises, des indications utiles, et nous n'avons jamais fait appel en vain à
son obligeante érudition. Quem, pois, se disporá a estudar este magno assumpto? Quem
tomará a iniciativa de tão utilitario emprehendimento? Endereçamos, em particular, taes
questões aos ministros e professores de maior prestigio do Catholicismo Protestante no
Brasil.
Oxalá que as presentes traduções, a par de outros benefícios, produzam, em nosso meio
religioso, um maior interesse pelos assumptos históricos, notadamente pelos que se
prendem á Egreja Evangélica - esse ramo orthodoxo do Christianismo, embora assim não
seja reconhecido pelos Papistas obcecados!
Rio, Agosto - 1917, Domingos Ribeiro

domingo, 28 de junho de 2009

História do Futuro, de Padre Antônio Vieira

TRECHO:
Plano da História do Futuro
História do Futuro (Volume I, Capítulo I: Declara-se a primeira parte do titulo desta História, e quão própria é
da curiosidade humana a sua matéria.)
por Padre Antônio Vieira
Nenhuma cousa se pode prometer à natureza humana mais conforme ao seu maior apetite,
nem mais superior a toda a sua capacidade, que a notícia dos tempos e sucessos futuros; e
isto é o que oferece a Portugal, à Europa e ao Mundo esta nova e nunca vista história. As
outras histórias contam as cousas passadas, esta promete dizer as que estão por vir; as
outras trazem à memória aqueles sucessos públicos que viu o Mundo; esta intenta
manifestar ao Mundo aqueles segredos ocultos e escuríssimos que não chega a penetrar o
entendimento. Levanta-se este assunto sobre toda a esfera da capacidade humana, porque
Deus, que é a fonte de toda a sabedoria, posto que repartiu os tesouros dela tão
liberalmente com os homens, e muito mais com o primeiro, sempre reservou para si a
ciência dos futuros, como regalia própria da divindade. Como Deus por natureza seja
eterno, é excelência gloriosa, não tanto de sua sabedoria, quanto de sua eternidade, que
todos os futuros lhe sejam presentes; o homem, filho do tempo, reparte com o mesmo a sua
ciência ou a sua ignorância; do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada.
A ciência dos futuros — disse Platão — é a que distingue os deuses dos homens, e daqui
lhes veio sem dúvida aquele antiquíssimo apetite de serem como deuses. Aos primeiros
homens, a quem Deus tinha infundido todas as ciências, nenhuma lhes faltava senão a dos
futuros, e esta lhes prometeu o Demônio com a divindade, quando lhes disse: Eritis sicut
Dii, scientes bonum et malum. Mas ainda que experimentaram o engano, não perderam o
apetite. Esta foi a herança que nos ficou do Paraíso, este o fruto daquela árvore fatal, bem
vedado e mal apetecido, mas por isso mais apetecido, porque vedado.
Como é inclinação natural no homem apetecer o proibido e anelar ao negado, sempre o
apetite e curiosidade humana está batendo às portas deste segredo, ignorando sem
moléstia muitas cousas das que são, e afetando impaciente a ciência das que hão de ser.
Por este meio veio o Demônio a conseguir que o homem lhe desse falsamente a divindade,
que o mesmo demônio com igual falsidade lhe tinha prometido. E senão, pergunto: Quem
foi o que introduziu no Mundo, sem algum medo, mas antes com aplauso, a adoração do
Demônio? Quem fez que fosse tão freqüentado e consultado o ídolo de Apolo em Delfos? O
de Júpiter em Babilônia? O de Juno em Cartago? O de Vênus no Egito? O de Dafne em
Antioquia? O de Orfeu em Lesbo? O de Fauno em Itália? O de Hércules em Espanha, e
infinitos outros em muitas partes? Não há dúvida que o desejo insaciável que os homens
sempre tiveram de saber os futuros, e a falsa opinião dos oráculos com que o Demônio
respondia naquelas estátuas, foram os que todo este culto lhe granjearam, sendo certo que,
se Deus, vindo ao Mundo, não emudecera (como emudeceu) os oráculos da Gentilidade,
grande parte do que hoje é fé, fora ainda idolatria. Tão mal sofreram os homens que Deus
reservasse para si a ciência dos futuros, que chegaram a dar às pedras a divindade própria
de Deus, só porque Deus fizera própria da divindade esta ciência: antes queriam uma
estátua que lhes dissesse os futuros, que um Deus que lhos encobria.
Mas que direi das ciências ou ignorâncias das artes ou superstições que os homens
inventaram desde a terra até o céu, levados deste apetite? Sobre os quatro elementos
assentaram quatro artes de adivinhar os futuros, que tomaram os nomes dos seus próprios
sujeitos: agromancia, que ensina a adivinhar pelas cousas da terra; a hidromancia, pelas da
água; a aeromancia, pelas do ar, e a piromancia, pelas do fogo. Tão cegos seus autores no
apetite vão daquela curiosidade, que, tendo-se perdido na terra os vestígios de tantas
cousas passadas, cuidaram que na água, no ar e no fogo os podiam achar das futuras.
No mesmo homem descobriram os homens dois livros sempre abertos e patentes, em que
lessem ou soletrassem esta ciência. A fisionomia, nas feições do rosto; a quiromancia, nas
raias da mão. Em um mapa tão pequeno, tão plano e tão liso como a palma da mão de um
homem, inventaram os quiromantes não só linhas e caracteres distintos, senão montes
levantados e divididos, e ali descrita a ordem e sucessão da vida e casos dela, os anos, as
doenças e os perigos, os casamentos, as guerras, as dignidades, e todos os outros futuros
prósperos ou adversos; arte certamente merecedora de ser verdadeira pois punha a nossa
fortuna nas nossas mãos.
Deixo a astrologia judiciária, tão celebrada no nascimento dos príncipes, em que os
genetlíacos, sobre o fundamento de uma só hora ou instante da vida, levantam ou figura ou
testemunhos a todos os Sucessos dela. Nem quero falar na triste e funesta nicromancia,
que, freqüentando os cemitérios e sepulturas no mais escuro e secreto da noite, invoca com
deprecações e conjuros as almas dos mortos para saber os futuros dos vivos.
A este fim excogitaram tantos gêneros de sortilégios, como se na contingência da sorte se
houvesse de achar a certeza; a este fim observaram os sonhos como se soubesse mais um
homem dormindo do que sabia acordado; a este sentido consultavam as entranhas
palpitantes dos animais, como se um bruto morto pudesse ensinar a tantos homens vivos.
Com o mesmo apetite pediam respostas às fontes, aos rios, aos bosques e às penhas; com o
mesmo inquiriam os cantos e vôos das aves, os mugidos dos animais, as folhas e
movimentos das árvores, com o mesmo interpretavam os números, os nomes e as letras, os
dias e os fumos, as sombras e as cores e não havia cousa tão baixa e tão miúda por onde os
homens não imaginassem que podiam alcançar aquele segredo que Deus não quis que eles
soubessem. O ranger da porta, o estalar do vidro, o cintilar da candeia, o topar do pé, o
sacudir dos sapatos, tudo notavam como avisos da Providencia e temiam como presságios
do futuro. Falo da cegueira e desatino dos tempos passados, por não envergonhar a
nobreza da nossa Fé com a superstição dos presentes.
Finalmente, a investigação deste tão apetecido segredo foi o estudo e disputa dos maiores e
mais sinalados filósofos, de Sócrates, de Pitágoras, de Platão, de Aristóteles e do eloqüente
Túlio, nos livros mais sublimes e doutos de todas suas obras. Esta era a teologia famosa dos
Caldeus; este o grande mistério dos Egípcios; esta em Roma a religião dos áugures; esta em
Judéia a seita dos Pitões e Aríolos; esta em Pérsia a ciência e profissão dos Magos; esta
enfim do Céu até o Inferno, o maior desvelo dos sábios e maior ânsia e tropeço dos
ignorantes; uns injuriando o Céu, e dando trato às estrelas para que digam o que não
podem; outros inquietando o Inferno (como dizia Samuel), e tentando os mesmos demônios,
para que revelem o que não sabem. Tanto foi em todas as idades do Mundo, e tanto é hoje,
na curiosidade humana, o apetite de conhecer o futuro!
Mas o que mais que tudo encarece a tenacidade deste desejo, é considerar que, enganados
tão profundamente os homens pela falsidade e mentira de todas estas artes e seus
ministros, não tenha bastado nenhuma experiência, nem haja de bastar já para mais os
desenganar e apartar dele: Genus hominum potentibus infidum, sperantibus fallax, quod in
civitate nostra, et vetabitur semper et retinebitur, disse Tácito. O mesmo Saul, que
desterrou a Pitonisa, a foi buscar e se serviu de sua má arte; e os mesmos que mais
severamente negam o crédito às cousas prognosticadas, folgam de ouvir e saber que se
prognosticam, sinal certo que não buscam os homens os futuros, porque os achem, senão
que vão sempre após eles, porque os amam.
Para satisfazer, pois, à maior ânsia deste apetite e para correr a cortina aos maiores e mais
ocultos segredos deste mistério, pomos hoje no teatro do Mundo esta nossa História, por
isso chamada do Futuro. Não escrevemos com Beroso as antiguidades dos Assírios, nem
com Xenofonte a dos Persas, nem com Heródoto as dos Egípcios, nem com Josofo a dos
Hebreus, nem com Cúrcio a dos Macedônios, nem com Tucídides a dos Gregos, nem com
Lívio a dos Romanos, nem com os escritores portugueses as nossas; mas escrevemos sem
autor o que nenhum deles escreveu nem pôde escrever. Eles escreveram histórias do
passado para os futuros, nós escrevamos a do futuro para os presentes. Impossível pintura
parece antes dos originais retratar as cópias, mas isto é o que fará o pincel da nossa
História.
Assim foram retratos de Cristo Abel, Isaac, José, David, antes do Verbo ser homem. O que
ignorou o mundo antigo, o que não conheceu o moderno e o que não alcança o presente, é o
que se verá com admiração neste prodigioso mapa descrito: cousas e casos que ainda lhes
falta muito para terem ser quanto mais Antigüidade.
A história mais antiga começa no princípio do Mundo; a mais estendida e continuada acaba
nos tempos em que foi escrita. Esta nossa começa no tempo em que se escreve, continua
por toda a duração do Mundo e acaba com o fim dele. Mede os tempos vindouros antes de
virem, conta os sucessos futuros antes de sucederem, e descreve feitos heróicos e famosos,
antes de a fama os publicar e de serem feitos.
O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado,
outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os
horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado
se termina e o futuro começa. Desde este ponto toma seu princípio a nossa História, a qual
nos irá descobrindo as novas regiões e os novos habitadores deste segundo hemisfério do
tempo, que são os antípodas do passado. Oh que de cousas grandes e raras haverá que ver
neste novo descobrimento!
Aqueles historiadores que nomeamos e foram os mais célebres do Mundo, escreveram os
impérios, as repúblicas, as leis, os conselhos, as resoluções, as conquistas, as batalhas, as
vitórias, a grandeza, a opulência e felicidade, a mudança, a declinação, a ruína ou daquelas
mesmas nações, ou de outras igualmente poderosas, que com elas contendiam. Nós
também havemos de falar de reinos e de impérios, de exércitos e de vitórias, de ruínas de
umas nações e exaltações de outras; mas de impérios não já fundados, senão que se hão-de
fundar; de vitórias não já vencidas, mas que se hão-de vencer; de nações não já domadas e
rendidas, senão que se hão-de render e domar.
Hão-se de ler nesta História, para exaltação da Fé, para triunfo da Igreja, para glória de
Cristo, para felicidade e paz universal do Mundo, altos conselhos, animosas resoluções,
religiosas empresas, heróicas façanhas, maravilhosas vitórias, portentosas conquistas,
estranhas e espantosas mudanças de estados, de tempos, de gentes, de costumes, de
governos, de leis; mas leis novas, governos novos, costumes novos, gentes novas, tempos
novos, estados novos, conselhos e resoluções novas, empresas e façanhas novas,
conquistas, vitórias, paz, triunfos e felicidades novas; e não só novas, porque são futuras,
mas porque não terão semelhança com elas nenhumas das passadas. Ouvirá o Mundo o que
nunca viu, lerá o que nunca ouviu, admirará o que nunca leu, e pasmará assombrado do que
nunca imaginou. E se as histórias daqueles escritores, sendo de cousas menores antigas e
passadas, se leram sempre com gosto, e depois de sabidas se tornaram a ler sem fastio,
confiança nos fica para esperar que não será ingrato aos leitores este nosso trabalho, e que
será tão deleitosa ao gosto e ao juízo a História do Futuro, quanto é estranho ao papel o
assunto e nome dela.
Mas porque não cuide alguma curiosidade crítica que o nome do futuro não concorda nem
se ajusta nem com o título de história, saiba que nos pareceu chamar assim à esta nossa
escritura, porque, sendo novo e inaudito o argumento dela, também lhe era devido nome
novo e não ouvido.
Escreveu Moisés a história do princípio e criação do Mundo, ignorada até aquele tempo de
quase todos os homens. E com que espírito a escreveu? Respondem todos os Padres e
Doutores que com espírito de profecia. Se já no Mundo houve um profeta do passado,
porque não haverá um historiador do futuro? Os profetas não chamaram história às suas
profecias, porque não guardam nelas estilo nem leis de histórias: não distinguem os
tempos, não assinalam os lugares, não individuam as pessoas, não seguem a ordem dos
casos e dos sucessos, e quando tudo isto viram e tudo disseram, é envolto em metáforas,
disfarçado em figuras, escurecido com enigmas e contado ou cantado em frases próprias do
espírito e estilo profético, mais acomodadas à majestade e admiração dos mistérios, que à
notícia e inteligência deles.
Do profeta Isaías, que falou com maior ordem e maior clareza, disseram S. Jerônimo e
Santo Agostinho que mais escrevera história que profecia. A sua profecia é o Evangelho
fechado; o Evangelho é a sua profecia aberta. E porque nós, em tudo o que escrevemos,
determinamos observar religiosa e pontualmente todas as leis da história, seguindo em
estilo claro e que todos possam perceber, a ordem e sucessão das cousas, não nua e
secamente, senão vestidas e acompanhadas das suas circunstancias; e porque havemos de
distinguir tempos e anos, sinalar províncias e cidades, nomear nações e ainda pessoas,
(quando o sofrer a matéria), por isso, sem ambição nem injúria de ambos os nomes,
chamamos a esta narração História e História do Futuro.
Sós e solitariamente entramos nela (mais ainda que Noé no meio do dilúvio) sem
companheiro nem guia, sem estrela nem farol, sem exemplar nem exemplo. O mar é
imenso, as ondas confusas, as nuvens espessas, a noite escuríssima; mas esperamos no Pai
dos lumes (a cuja glória e de seu Filho servimos), tirará a salvamento a frágil barquinha: ela
com maior ventura que Argos, e nós com maior ousadia que Tífis.
Antes de abrir as velas ao vento (oh faça Deus que não seja tempestade!), em lugar da
benevolência que se costuma pedir aos leitores, só lhes quero pedir justiça. É de direito
natural que ninguém seja condenado sem ser ouvido; isto só deseja e pede a todos a nova
História do Futuro, com palavras não suas, mas de S. Jerônimo: Legant prius et postea
Anexo:Imprimir/ História do Futuro 6
despiciant: «Leiam primeiro, e depois condenem» — assim dizia aquele grande mestre da
Igreja, defendendo a sua versão dos sagrados Livros, então perseguida e impugnada, hoje
adorada e de fé.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Demanda do Santo Graal (texto português do século XV)

TRECHO:
Véspera de Pinticoste foi grande gente assuada em Camaalot assi que podera homem i veer mui gram
gente, muitos cavaleiros e muitas donas mui bem guisadas. el-rei, que era ende mui ledo, honrouos
muito e fezeos mui bem servir. E toda rem que entendeu per que aquela corte seeria mais viçosa e mais leda
todo o fez fazer.
Aquel dia que vos eu digo, direitamente quando querriam poer as mesas – esto era hora de noa – aveeo que ua
donzela chegou i mui fremosa e mui bem vestida e entrou no paaço a pee, como mandadeira. Ela começou a
catar de ua parte e da outra polo paaço e preguntavamna que demandava.
– Eu demando, disse ela, por dom Lançarot do Lago. É aqui?
– Si, donzela, disse uu cavaleiro. Veedelo: está a aquela freesta, falando com dom Galvam.
Ela foi logo pera el e salvouo. Ele, tanto que a vio recebeua mui bem e abraçoua, ca aquela era ua das donzelas
que
moravam na ínsoa da Lediça que a filha Amida delrei Peles amava mais que donzela da sua companha.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Peregrino, de John Bunyan

TRECHO:
Um dos autores mais influentes do Século 17,
John Bunyan (1628 - 1688) foi um fenômeno
cultural singular cuja aparição na historia das
idéias cristãs possui um caráter surpreendente
se levarmos em conta quem Bunyan era e sua
historia de vida, o contexto histórico em que
vivia e o ambiente cultural e teológico ao qual
pertencia. Apesar de todas estas forças
adversas e contra qualquer expectativa,
Bunyan produziu uma obra literária, não só de
grande repercussão e influęncia no mundo
protestante como também de reconhecido valor
literário.
Sua obra - prima, O Peregrino, só perde para
a Bíblia em numero de exemplares vendidos e
influęncia nos círculos cristãos mais conservadores.
Todas as obras alegóricas de Bunyan, incluindo esta, já foram livros muitos populares nos
países de língua inglesa, notadamente na Escócia e nos Estados Unidos. Os tempos
mudaram, os gostos mudaram, as idéias mudaram, e os livros de Bunyan caíram no
esquecimento. Vale a pena, entretanto, ler estas antigas alegorias não só pela sua beleza
literária, reconhecida pelos críticos desde o movimento romântico, mas também pela
natureza edificante das idéias aqui presentes. Bunyan emociona e motiva, provoca a
reflexão e eleva o espírito humano é contemplação dos mistérios da fé cristã.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Castelo Perigoso

TRECHO:
(Capítulo primeiro – Com quem deve a haver paz quem quiser edificar um castelo)
Quem quer fazer um castelo deve-o edificar em terra de paz, porque quanto homem fizesse
em comarca de guerra em um dia, em outro seria derrubado. E por em antes que
comecemos de edificar nosso castelo, cumpre resguardar e aprender com quem devemos
de haver paz e como devemos a viver para nossa saúde.
Eu digo que homem deve de haver paz primeiro com Deus; desde aí com seus maiores.
Terceira com seus próximos. Quarta consigo mesmo. E se alguma destas pazes falece, mal
se pode edificar castelo que dure.
Digo primeiro que homem deve fazer paz com Deus em três maneiras: primeira que homem
deixe e renuncie os pecados de feito e de vontade. Desde aí, que se meta esforçadamente à
pendência e a fazer boas obras. A terceira que persevere em bem até o fim. E destas três
coisas uma sem outra não vale nada.
A esta paz não pode algum vir se não há verdadeira contrição e dor no coração, com
repreendimento dos pecados com que anojou o seu senhor Deus. E muito há grande razão
de profundamente gemer e de se fundir toda em lágrimas a pessoa que assanha seu
criador, pecando mortalmente, onde perde Deus e o paraíso e ganha os tormentos do
inferno, e perde os bens que dantes havia feitos, se o Deus não chama por sua graça, e é
tornado servo do diabo; e a alma, que era filha e esposa do rei da glória, é feita serva e
barreguã do inimigo. E depois do repreendimento deve vir à confissão. Esta é a boa
camareira que limpa a casa e lança fora toda a sujidade com a vassoura da língua, assim
como diz Davi.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Orações Mágicas dos Essênios

TRECHO:
A descoberta dos chamados Manuscritos do Mar Morto, no século 20, aumentou o interesse dos pesquisadores do Antigo e do Novo testamento sobre as comunidades da seita judaica dos Essênios, consideradas responsáveis pela elaboração desses manuscritos. Admite-se hoje que as doutrinas dos Essênios, seu afastamento das coisas mundanas e seu estilo de vida comunitário influenciaram a aurora do cristianismo, e muitos acreditam que João Batista e o próprio Jesus estiveram em estreito contato com as comunidades essênias que pontilhavam os desertos da Palestina.
Nesses focos de devoção e busca foram elaborados esse exercícios espirituais, que chegaram até nós por meio da tradição oral e da Biblioteca de Qumran, na qual se encontraram alguns dos manuscritos do Mar Morto. Tais doutrinas também são divulgadas pela Ordem do santuário (um ramo independente da Igreja Católica que trabalha com cura espiritual). O centro desse ensinamento era a árvore da Vida, associada à cabala judaica. Essa árvore, um pouco distinta da Cabala tradicional dos ocultistas judeus, possuía sete galhos que chegavam até o céu e sete raízes que se fundiam com a terra. Isto se relaciona com as sete noites da semana, correspondendo aos sete arcanjos da Hierarquia Angélica. Nessa concepção, o homem está situado no meio da Árvore – suspenso entre o Céu e a Terra, e portanto dividido entre o Pai Celestial e a Mãe terrenal. A intenção dessas orações é fazer com que o homem se afine com estas forças, para poder sentir seu poderoso efeito transformador.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O Cristo Reinterpretado: Espíritas, Teósofos E Ocultistas Do Século XIX, de Profa. Dra. Eliane Moura Silva

TRECHO:
Durante o século XIX, no Ocidente, o conhecimento científico tornou-se o crivo obrigatório da sociedade. A este conhecimento aliou-se a razão, o progresso e o materialismo. Juntos refletiam o lado luminoso da sociedade. As certezas racionais afirmaram a instrução, o darwinismo social, a modernização e foram as bandeiras sob as quais abrigaram-se diferentes segmentos sociais. Este avanço do evangelho racional e científico teve, como contrapartida, um recuo das religiões tradicionais, pelo menos nos centros mais urbanizados e intelectualizados.
Para cientistas e intelectuais da segunda metade do século XIX, o materialismo apresentava para a Humanidade um futuro sem sobressaltos, num progresso contínuo e sem dramas. A razão humana tornava-se todo-poderosa, progressivamente “perfeita” e o conhecimento material ampliado conduzia a uma confiança absoluta na educação científica, numa espécie de otimismo messiânico, com o império da Liberdade, da Felicidade e da Riqueza.(1). O otimismo combinava com o positivismo e a crença numa evolução ilimitada. Aliava-se ao desenvolvimento do conhecimento científico, a redescoberta das culturas antigas, mitológicas e extra-ocidentais. A expansão colonial trouxe contatos com povos, épocas e culturas diferentes.
Da segunda metade do século XIX em diante, duas vozes dissonantes alimentaram uma polêmica recíproca: a causa da ciência e da natureza em nome de uma religiosidade exclusivamente secular. Contra esta extrema secularização levantaram-se os direitos irrevogáveis da consciência, da deficiência insanável da Razão e do poder sobre-humano do Sagrado e do Mistério.
A crise religiosa revelada desta época manifestou-se, freqüentemente, contra a oficialidade de todas as formas de tradição, de todas as figuras históricas e espiritualmente gastas, vazias, sem criatividade ou inventividade. Esta crise apontou a necessidade de uma religiosidade espiritualmente mais adequada, de novas utopias de salvação.
As novas criações religiosas desde o século XVIII e, sobretudo no XIX, são marcadas por uma concepção espiritualista de inspiração e interpretação das Escrituras, da recuperação de uma vida interior diretamente em contato com a divindade. Temos, inclusive, um campo propício para o estabelecimento de vínculos entre a mística espiritualista, o esoterismo e o racionalismo, num desejo de articular um tipo de exegese religiosa em bases contemporâneas com as aparências do método científico, apresentando novas mensagens cristãs. (2).
O pensamento naturalista seguiu o caminho das novas conquistas da Ciência e da Epistemologia, com o alargamento da doutrina do conhecimento sobre qualquer aspecto ou problema do Universo. Mas a forte recuperação da consciência religiosa, cristã ou não, instituiu uma polêmica sem paralelos.
Um novo e abundante discurso espiritual procurou integrar Ciência e Fé, Ocidente e Oriente, o Novo e o Antigo. De um lado, um neo-evangelismo que pregava um Cristianismo Universal nas bases da tolerância, fraternidade e paz. De outro lado, o retomar de um ideal humanista buscando reforço nas antigas doutrinas de uma Verdade Universal, na sabedoria de religiões extra-cristãs. Profetas modernos, esoteristas, espiritualistas científicos espalharam o gérmen de uma nova e ampla espiritualidade.(3).
O esoterismo tornou-se uma definição obrigatória para alguns movimentos religiosos do período. O termo “esoterismo” define uma doutrina segundo a qual uma ciência, um sistema de crenças filosófico-religiosas, reflexões epistemológicas e ontológicas da realidade última não devem ser vulgarizadas e nem divulgadas senão entre adeptos, conhecidos e eleitos. No século XIX a palavra “esoterismo” converteu-se frequentemente, em sinônimo de oculto, de ocultismo, sendo aplicado a campos de estudo e conhecimento como a magia, a mântica e a cabala. Estas definições abrangentes abarcam uma realidade histórica complexa e difusa. Crenças, teorias, técnicas místicas e iniciáticas que poderíamos classificar como esotéricas já eram populares na Antiguidade Tardia, não desaparecendo na Idade Média, tornando-se importantes na Renascença, atravessando os séculos XVII e XVIII para ganharem fôrça e expressão no século XIX. Uma definição ampla, sugere a existência de um campo específico e abrangente, com fronteiras comuns, debates e metodologias particulares. Porém, o termo aplica-se, de várias formas, a diferentes concepções religiosas. O “esoterista” é o pensador -cristão ou não- que desenvolve suas crenças, estudos e religiosidade sobre três pontos: analogia, teosofia e igreja interior. A analogia é a crença (ou como será percebido à partir do século do XVIII, uma lei) segundo a qual existem, entre seres e coisas, relações necessárias, intencionais que não são necessariamente, temporais ou espaciais: o análogo atua sôbre o análogo e desta forma explica-se a magia e o conhecimento que conduz ao “espírito das coisas”. Desta forma, no pensamento analógico, conhecer o Mundo é conhecer Deus, porque a Natureza representa uma revelação gradual. A Ciência adquire uma significação religiosa. A teosofia, que não tem o mesmo significado da Sociedade Teosófica fundada no século XIX, dá sentido a analogia e compreende tanto uma interpretação profunda de textos sagrados como a experiência mística pura. O pensamento teosófico insiste em determinados pontos dos dogmas sôbre os quais a religião constituida e institucionalizada tende a ignorar para, através desta exploração e indagação metódica chegar a iluminação interior. A mística especulativa confere a teosofia o poder de proporcionar o conhecimento e inspiração. A igreja interior, espiritual e individual, independente de religiões organizadas, coloca-se como a experiência mística por excelência. A Alma Humana tem origem divina e, portanto, pode acercar-se de Deus, onde reside esta mesma Alma. A União divina é imanente a natureza humana e graças a iniciações, conhecimentos sagrados e secretos, pode-se chegar a este reencontro divino. A iniciação implica em regeneração que depende de gnose. Esta igreja interior é a única verdadeira e eterna, ao contrário das Igrejas materiais, que serão sempre destruídas, sobrevivendo, exclusivamente, a igreja invisível e interior. Este sentido permanece entre as correntes esotéricas do século XIX surgindo formas de esoterismo cristão s sofrendo as influências pagãs e místicas do esoteristas dos séculos anteriores e que incluiam magia, alquimia, meditação, êxtases místicos, necromancia, cabala, numerologia, ordens secretas, etc. No começo deste século o orientalismo invadiu a Europa que descobriu os livros do Egito, da India e do remoto Oriente fornecendo um novo campo de construções e representações para os movimentos espirituais desta época. Foi o Oreinte romantizado que alimentou o orientalismo espiritualizado do período.(4).

domingo, 12 de abril de 2009

O Pastor, de Hermas

TRECHO:
Esta obra foi escrita em meados do segundo século por Hermas, entre 142 e 155 d.C.

Foi um dos escritos mais considerados da antiguidade cristã; por muito tempo, tida como inspirada, inclusive alguns a colocavam no Cânon do NT. As freqüentes referências que se encontram dela em várias obras do período patrístico, demonstram a alta estima em que era tida. A obra era muito usada no cristianismo primitivo para instruir aqueles que acabavam de entrar na Igreja e queria ser instruídos na piedade, como podemos comprovar no início do século IV no testemunho de Eusébio (HE, III,3:6).

Após larga difusão, especialmente, no Oriente, nas Igrejas gregas, inspirado para uns, apenas útil para todos e até mesmo recusado por outros, o Pastor foi, definitivamente, colocado entre os apócrifos após o Concílio Ecumênico de Hipona em 393, onde a Igreja definiu o catálogo bíblico.

Trata-se de uma obra longa, com 114 capítulos dispostos em 3 partes: 5 visões, 12 mandamentos e 10 Parábolas.

A preocupação central de Hermas não é doutrinário-dogmática, mas moral. Seu argumento principal é a necessidade de penitência indo ao encontro da misericórdia divina. O leitor notará que o conceito de penitência, isto é, meios de santificação do homem, corresponde aos Sacramentos da Igreja. A Eclesiologia em Hermas domina a idéia de que a Igreja é uma instituição necessária para a salvação. Quanto a Cristo, Hermas não emprega nenhuma vez, ao longo de sua obra, os termos Jesus Cristo, ou Logos. Chama-o de Salvador, Filho de Deus e Senhor. A Cristologia de Hermas suscitou dificuldades, pois segundo sua obra, há duas pessoas em Deus: Deus Pai e Deus-Espírito-Filho.