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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Como um Romance

Autor: Daniel Pennac
Editor: Edições ASA
Páginas: 166
ISBN: 9789724112008
Tradutor: Francisco Paiva Boléo

Sinopse
É sobejamente conhecido o desgosto com que os pais preocupados com a formação dos filhos costumam registar a inapetência destes para a leitura. Daniel Pennac, romancista, professor e pai de família, descreve neste ensaio cheio de humor, todas as perplexidades que usualmente assaltam os diversos intervenientes neste processo de conflitos surdos, temores, bloqueios e teimosias.
Acima de tudo, conforme se sublinha no presente livro, a leitura tem de ser um prazer e os leitores de hoje devem usufruir de alguns direitos inalienáveis.
Como Um Romance é assim uma obra profundamente original, onde, de uma forma ao mesmo tempo divertida e muito séria, se aborda aquela que é porventura a questão central de que dependem o destino do livro e da cultura tal como a temos entendido tradicionalmente.

Opinião
Numa das minhas incursões à Feira do Livro de Lisboa deste ano, aproveitei para trazer este livrinho, que me tinha despertado o interesse não só por ter gostado imenso do "Mágoas da Escola", mas também porque se trata de um livro que fala de livros e da paixão pela leitura. A curiosidade era tanta que acabei por lê-lo no dia que o comprei :)

É um livro pequeno, que se lê depressa, mas recheado de conteúdo. Nesta pequena dissertação, Daniel Pennac fala-nos da tarefa de incutir o gosto pela leitura nos mais jovens, tanto a nível de pais como de professores. Faz várias considerações a nível das leituras obrigatórias na escola: em como, mais do que escolher obras adequadas, se deve pensar muito bem na forma e nos objectivos com que elas são lidas. Se a ideia é incentivar os jovens a ler, porque não tentar fazer com que os jovens se interessem realmente pelo que estão a ler? Claro que falar é fácil e a análise da obra é fundamental, mas pode transformar-se num prazer em vez de ser uma tortura. Daniel Pennac fala-nos de algumas das suas experiências, em que, após a reticência inicial dos seus alunos face a leituras obrigatórias, a leitura do próprio livro em voz alta na aula (um dos exemplos é do Perfume, de Patrick Süskind), fez com que a maioria deles se interessasse de tal forma que se sentiam impelidos a arranjar o livro para saber como terminava a história., antes de a leitura em aula terminar. Decerto não é uma fórmula mágica que funciona com todos, nem será a única solução, mas é de facto uma boa ideia.

O papel dos pais é igualmente importante: mais do que querer que os filhos leiam à força, devem, acima de tudo, disponibilizar-lhes os livros para que, se a necessidade surgir dentro deles, os tenham ali à mão.

Para além disso, Daniel Pennac enumera e explica os seus famosos Direitos Inalienáveis do Leitor. Deixo aqui também algumas citações que recolhi ao longo do livro. Gostei imenso!

O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo «amar»... o verbo «sonhar»...

Reler não é repetir, é renovar constantemente um infatigável amor.

A leitura não resulta da organização do tempo social, ela é como um amor, uma maneira de ser. A questão que se coloca não é saber se tenho ou não tempo para ler (tempo esse que, aliás, ninguém me dará), mas sim se tenho ou não prazer em ser leitor.

Poucos objectos suscitam, como o livro, um sentimento de propriedade absoluta. Quando nos caem nas mãos, tornam-se nossos escravos - escravos, sim, porque são feitos de matéria viva, mas escravos que ninguém pensaria sequer libertar, pois são folhas mortas. [...] Fazemos passar os livros pelas piores provações. Mas é o modo como os outros o maltratam que nos magoa.


8/10 - Muito Bom

[Livro n.º 36 do meu Desafio de Leitura]

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mágoas da Escola - Daniel Pennac

Sinopse

Em Mágoas da Escola, Daniel Pennac aborda os problemas da escola e da educação desde um ponto de vista insólito - o ponto de vista do mau aluno. Pennac, que foi ele próprio um péssimo estudante, analisa a figura do cábula outorgando-lhe a nobreza que merece e restituindo-lhe a carga de angústia e dor que inevitavelmente o acompanha.

Misturando recordações autobiográficas e reflexões acerca da pedagogia e das disfunções da instituição escolar, sobre a dor de ser um mau estudante e a sede de aprendizagem, sobre o sentimento de exclusão e o amor ao ensino, Daniel Pennac oferece-nos, com humor e ternura, uma brilhante e saborosa lição de inteligência.Mágoas da Escola é um livro único e irrepetível, que todos os pais e todos os professores não podem deixar de ler - e dar a ler.



Excertos

"Não há nada que impeça mais a assimilação do saber do que o desgosto. O riso, podemos extingui-lo com um olhar, mas as lágrimas…”

“É a sua velocidade de encarnação que distingue os bons alunos dos alunos problemáticos”

“As questões de simpatia ou antipatia por alguns deles (questões bem reais, contudo!) não entram em linha de conta. Seria muito esperto aquele que soubesse classificar o grau dos nossos sentimentos em relação a eles. Não é deste amor que se trata. Uma andorinha aturdida é uma andorinha a reanimar, ponto final!”

“Pessoalmente, concluí que mesmo o cão lá de casa compreendia mais depressa do que eu”.

“Todo o mal que se diz da escola esquece o número de crianças que salvou das taras, dos preconceitos, do desprezo, da ignorância, da estupidez, da cupidez, do imobilismo ou fatalismo das famílias”.



A minha opinião

Antes de começar a ler este livro pensei que poderia conter uma história à semelhança das de Daniel Sampaio, autor que aprecio bastante. No entanto, após começar a ler as primeiras páginas vi que o livro, além de nos dar uma história do ponto de vista do mau aluno, dava-nos essencialmente uma história de um mau aluno que se tornou professor, também ele professor de bons e maus alunos. Dá-nos assim uma lição de vida. O que à partida pode parecer uma criança condenada ao fracasso, por ter problemas de aprendizagem na escola, causados por vários aspectos da vida, essa criança pode vir a ser um adulto de sucesso e conseguir atingir um nível de aprendizagem igual ou superior aos seus colegas de estudo. Penso que o que autor mostra aqui é que, se um aluno, apesar de ter algumas dificuldades, for bem acompanhado por um bom professor, um professor interessado em saber os motivos pelos quais ele não dá rendimento, um professor interessado em dar a volta por cima e contornar os obstáculos, mostrando que se pode aprender de outras formas, esse aluno pode chegar longe. Porque antes de ser professor, aquela pessoa que está à frente das aulas, que nos ensina a saber cada vez mais, é um ser humano, uma pessoa que nos pode ajudar a enfrentar os problemas, uma pessoa que está lá quando precisamos, uma espécie de substituição dos pais, na escola.

Uma história vista do ponto de vista do professor, mas também do ponto de vista de aluno. Um aluno excluído da turma, um aluno incompreendido pelos colegas e pela maioria dos professores, que apenas precisa de um empurrãozinho para se tornar um aluno mais interessado e optimista. Um livro para reflectir sobre os problemas de insucesso de muitas crianças que muitas vezes surgem devido a anomalias de métodos de ensino.



Título: Mágoas da Escola | Autor: Daniel Pennac

N.º Págs.: 256 | PVP: 15,50 € Preço | WOOK.pt: 13,95 €

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mágoas da Escola

Autor: Daniel Pennac
Editor: Porto Editora
Páginas: 256
ISBN: 9789720045010
Tradutor: Isabel St. Aubyn

Sinopse
Em Mágoas da Escola, Daniel Pennac aborda os problemas da escola e da educação desde um ponto de vista insólito - o ponto de vista do mau aluno. Pennac, que foi ele próprio um péssimo estudante, analisa a figura do cábula outorgando-lhe a nobreza que merece e restituindo-lhe a carga de angústia e dor que inevitavelmente o acompanha.

Misturando recordações autobiográficas e reflexões acerca da pedagogia e das disfunções da instituição escolar, sobre a dor de ser um mau estudante e a sede de aprendizagem, sobre o sentimento de exclusão e o amor ao ensino, Daniel Pennac oferece-nos, com humor e ternura, uma brilhante e saborosa lição de inteligência.

Mágoas da Escola é um livro único e irrepetível, que todos os pais e todos os professores não podem deixar de ler - e dar a ler.

Opinião
Como já devem ter reparado, a grande maioria dos livros que leio são de ficção, por isso de vez em quando sabe mesmo muito bem variar um pouco e ler algo no campo da não-ficção.

Neste "Mágoas da Escola", Daniel Pennac fala-nos do seu início penoso na vida escolar e como passou de aluno cábula a professor. O autor parte da sua experiência pessoal para nos dar um retrato daqueles alunos que nunca se destacam, que ficam na sombra e em quem ninguém acredita, mas que têm uma vontade imensa de aprender, por vezes escondida e a precisar de um empurrão para desabrochar. Mas fala-nos também da sua experiência do outro lado da barricada, o de professor. Conta-nos várias histórias sobre os seus alunos, sobre os seus métodos de ensino e dá-nos uma visão sobre o que está mal no sistema educacional francês (mas que se aplica perfeitamente ao nosso) e nas mentalidades dos jovens, e o que poderemos fazer para o mudar.

Daniel Pennac tem uma forma muito peculiar de escrever que, sinceramente, me agradou imenso. Gostei do tom sincero e transparente que as suas palavras evocam e também do amor que demonstra pela sua profissão. Quem nunca apanhou professores que aparentam estar na sala de aula a fazer um frete? Felizmente, ainda existem alguns com verdadeira vocação para o que fazem. Resumindo, este livro é uma delícia, convida à reflexão e deveria ser lido especialmente por pais e professores... Recomendo!

8/10 - Muito Bom

[Livro n.º 29 do meu Desafio de Leitura]