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terça-feira, 24 de março de 2009

As Esquinas do Tempo

(para ler a sinopse. aqui)


Antes de deixar a minha opinião, aqui deixo os dois excertos que achei lindos, a maneira como estão escritos, como as palavras fluem sem haver muitos pontos finais, a simplicidade cheio de doçura, a poesia escondida na prosa:

“Mariana teve a noção exacta daquele momento mágico. Mesmo que quisesse não conseguia falar. Ele continuava a esculpi-la com as suas mãos de artista, machadas do seu ofício, tão doces, tão suaves, tão carregadas da imensa energia de ternura. Ela deixava-o fazer. Primeiro tinha os olhos abertos, depois fechou-os para o sentir melhor. Gemia de vez em quando, pequenos gemidos de entrega absoluta, mas era muito cedo, Inácio pensava demorar-se infinitamente naquele reconhecimento do seu território: o rosto, o pescoço, os ombros, os braços, o peito. O maravilhoso peito, sentido com a ponta dos dedos, os mamilos que se crispavam, ai, as dulcíssimas linhas do ventre. Que dizer daquele umbigo, tão fechadinho como uma rosa em botão. E logo a seguir a mancha escura do seu corpo, tapando a entrada das delícias pelas coxas unidas, era assim que ele queria, apalpou-lhe as pernas, fortes por montar a cavalo, os músculos desenvolvidos, e os pés, quentes, lindos, perfeitos, que não se conteve e beijou e começou a sua peregrinação de beijos em sentido contrário, agora as pernas, agora as coxas, o sexo, a barriga, o umbigo, a pele macia e fresca que se seguia até ao peito, ah, agora sim, a sua boca sentia a doçura daquele peito de virgem e logo o pescoço, as orelhas e, lentamente o rosto e a boca. Eram beijos serenos, naquele boca dos seus mais íntimos desejos, fê-la virar, e começo a descida pelas costas musculadas, abençoado cavalo, que assim esculpira a sua amada, o rabinho duro, pequeno, torneado, e de novo a virou e a sua boca estava no lugar certo, e agora não havia como não a beijar, ai, ai, dizia ela e, devagar, foi-se erguendo sobre aquele corpo de maravilha, só seu, e a sua Mariana que todos diziam arrapazada, recebeu-o na sua feminilidade total, gritou de alegria, procurou-lhe a boca, e abraçada a ele como uma náufraga, desfaleceu de prazer. "– pág 175

"É o vento que perpassa nas copas das laranjeiras, que vem do mar e traz as gaivotas. É o vento que faz oscilar as minhas cortinas, que se insinua como um segredo por entre os arbustos do jardim. É o vento que me conta histórias antigas, antigas como se fosse uma criança que não quisesse dormir. Não o ouves? Não. É o vento que sopra só para mim. É o vento manso, doce, da loucura, que me invade lentamente e me deixa à mercê dos seus dedos de nuvem, tão suaves e meigos. " – pag. 199


Foi o primeiro livro que li da Rosa Lobato de Faria. Dantes, estava com o pé atrás, desconfiada, incerta, mas lá peguei o livro para matar a dúvida e passar a ter certeza de uma vez por todas. Para ver se gosto ou não. Há que experimentar, aliás esta escritora é bastante falada e estimada entre as leitoras femininas (E os masculinos? Não sei.)

E surpreendeu-me! Deixei-me levar pela corrente da escrita e cheguei ao fim, podendo finalmente respirar-me.

É uma história diferente, com um toque de fantasia, em que uma mulher – a personagem principal – do sec. XXI recua ao passado, no inicio do sec XX, em 1908. Não é através da máquina do tempo ou algo assim. É outra coisa, "as esquinas do tempo". E aí podemos ver as diferenças daquele tempo e do agora. É fácil adivinhar, claro, toda a gente está informada, mas a história fala de famílias, de dramas, de amor. Contada com uma escrita muito própria da Rosa Lobato de Faria. Palavras flutuantes mas pesadas que as podemos sentir, palavras musicais que nos fazem embalar ou sorrir, palavras que até chegam a sangrar no papel como o caso da violência doméstica.

Mas, confesso, ao princípio achei um pouco confuso, em relação a duas Margaridas que se encontravam no mesmo ano temporal, mas em dois sítios diferentes: a Casa de Azenha e o Convento. Só comecei a perceber já a meio do livro…

Irei ler mais livros desta escritora, está garantido.

Classificação: 4/5

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Flor do Sal - Rosa Lobato de Faria

Entre a História e a actualidade, os mistérios do amor e da morte.
"A Flor do Sal" fala-nos da construção de um livro sobre um marinheiro do século XV e sobre o episódio de que ele foi protagonista.
Esse pescador de Cascais, Afonso Sanches (que efectivamente existiu), mais tarde baleeiro e por fim piloto de uma expedição que buscava a Índia a Ocidente, chegou casualmente às costas da América em 1481 (onze anos antes de Colombo) e disso deu notícia ao rei D. João II. Porém, o rei pediu-lhe silêncio sobre o seu achamento, por estar em vias de elaboração o Tratado de Tordesilhas.
Mais de quinhentos anos depois, Rosa Lobato de Faria aproveita este facto histórico para elaborar a sua própria ficção – e a sua história cruza-se com a de Afonso Sanches, num romance sobre os mistérios da criatividade, do amor e da morte.

Este nono romance de Rosa Lobato de Faria retrata sobretudo a vida do marinheiro Afonso Sanches, que chega à América doze anos antes de Colombo, mas a quem D. João II terá ordenado que se calasse devido a estar em curso o Tratado de Tordesilhas, que viria a separar o mundo “em duas partes iguais”.
Perante tal ordem, não resta mais nada ao marinheiro português que acatar a ordem do rei, retornando a Cascais para reencontrar a mulher que sempre trouxera no coração, apesar das aventuras que teve ao longo das suas viagens.

domingo, 5 de outubro de 2008

As Esquinas do Tempo, Rosa Lobato de Faria

“Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali.” Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão. Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família. Sem perder consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. Quando ele morre num acidente, Margarida regressa ao presente.
Esta é a história de Margarida e do seu eterno amor. Apaixonou-se por ele no presente, esteve com ele no passado, em 1908, e como não conseguiu casar-se com Miguel nessa época porque entretanto Miguel morreu, Margarida consegue realizar o sonho de se casar com o seu grande amor no presente. Mas a vivência que teve no passado iria mudar completamente a sua vida.
No presente Margarida namorava com Pedro, mas amava Miguel que era casado e tinha dois filhos. No entanto, quando regressa do passado decide terminar a relação estranha que mantinha com Pedro e, entretanto, Miguel assume que a ama e divorcia-se da mulher para casar com ela.


Rosa Lobato de Faria é uma actriz, escritora e autora portuguesa. O percurso de Rosa Lobato de Faria divide-se entre a Literatura, Televisão, Teatro e Cinema. Escreveu mais de uma dezena de romances: O Pranto de Lúcifer, Os Pássaros de Seda, Os três Casamentos de Camilla S., Romance de Cordélia, O Prenúncio das Águas (que lhe valeu o prémio Máxima de literatura em 2000), A Trança de Inês, O Sétimo Véu, Os Linhos da Avó e A Flor do Sal, A alma Trocada e a Estrela de Gonçalo Enes. Mais recentemente participou nas obras Os Novos Mistérios de Sintra e O Código D'Avintes conjuntamente com seis escritores. Escreveu também alguns contos infantis, entre os quais A Erva milagrosa, As quatro Portas do Céu e Histórias de Muitas cores.
Para o teatro escreveu as peças A Hora do Gato, Sete Anos – Esquemas de um Casamento e A Severa (adaptação da peça de Júlio Dantas.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Sétimo Véu - Rosa Lobato de Faria

Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger dos degraus, um sussurrar de cortinas.Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos. Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura desconhecida. Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias. Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.Lar é onde nos amam.

A minha opinião
“Uma mulher procura a razão do seu inexplicável sentimento de culpa na história da sua família. Que memórias terá herdado, que circunstâncias poderão tê-la condicionado? Uma saga familiar, ao longo do último século, no discurso directo de várias narradoras. Um romance que atravessa o século XX português.”
Uma empregada que era os olhos e os ouvidos daquela casa, sabendo de tudo que se lá passava.”’A Mila sabe’, devia ser a frase mais ouvida naquelas salas e naqueles quartos.” Uma mulher pertencente à aristocracia, que já não o era, porque vivia numa pobreza escondida. “Nasci numa daquelas famílias da pequena aristocracia decadente cuja condição económica era costume designar por pobreza envergonhada.” Histórias de pessoas de diferentes níveis que me cativou bastante, como já é normal nos romances de Rosa Lobato de Faria. Lembro-me de ter comprado este livro, um dos que faltava na minha colecção da autora, até à data o último, e qual não foi a minha surpresa e alegria quando vi a autora na Feira do Livro do Porto. Pensei: “aqui está uma oportunidade para conhecer melhor a pessoa que me deixa sonhar quando estou a ler um livro seu e aproveitar para ter um livro autografado. Ao contrário do prazer que tenho em ler os seus livros, a escritora, talvez por já estar cansada em estar ali todo o dia, não mostrou qualquer simpatia por esta leitora tão assídua. Foi pena. Gostaria de ter trocado algumas impressões sobre a sua obra. Mas ficará para uma próxima vez, talvez.

A Alma Trocada - Rosa Lobato de Faria

É um lugar comum dizer-se que determinada orientação sexual não é uma escolha, porque, se fosse, ninguém escolheria o caminho mais difícil.

Foi esse caminho mais difícil que Teófilo teve de percorrer, desde a incompatibilidade com os pais, aos desencontros dentro de si próprio, chegando mesmo a acreditar que alguém lhe tinha trocado a alma...

Rosa Lobato de Faria aborda neste livro um tema diferente daqueles que tem habituado os leitores mais assíduos, (como é o meu caso): a homossexualidade. Poder-se-ía dizer que o romance teria algo de arriscado, mas o tema está tão bem descrito e de uma forma tão bonita e simples que é difícil o resistir.

Teófilo de Deus é o nome do protagonista que está noivo de uma jovem rapariga nova rica, noivado esse que faz as delícias da sua mãe, ‘dondoca’. No entanto, o professor de francês esconde uma paixão secreta.

“Hoje em dia todos sabem que se nasce homossexual como se nasce canhoto. Não é uma escolha… o Hugo pode ajudar-me. Com a sua paciência, o seu sentido de humor. Ao pé dele parece fácil, natural. Gostava de me sentar com ele à mesa dos meus pais e dizerf, o Hugo é o meu namorado… e os meus pais haviam de dizer, olá Hugo, seja bem-vindo.”

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Os Pássaros de Seda - Cecelia Ahern

Título: Os Pássaros de Seda
Autor: Rosa Lobato de Faria
Edição/reimpressão: 1996
Páginas: 208
Editor: Edições Asa
Colecção: Finisterra

P.V.P.: 10€

Sinopse:
Graças à qualidade eterna do carácter de minha mãe e ao consequente travão que ela pôs à entrada do "progresso" naquela casa, a Pedra Moura guardou para sempre a sua transcedência de lugar mágico.O reino dos contos de fadas e dos autos de Natal, o mundo dos antigos aromas e sabores, o sítio da infância, o refúgio ideal para nascer e para morrer.Assim terminam as memórias de Mário, um dos protagonistas de Os Pássaros de Seda, um livro sobre a condição humana, que opõe os valores perenes da infância, do maravilhoso e do amor à precariedade das paixões e dos transes da fortuna.

A minha opinião:
Este foi o primeiro que li sobre a autora Rosa Lobato de Faria e que me prendeu desde a primeira página à escrita da escritora. Gostei tanto da trama e da forma de escrita que, desde logo, parti à descoberta dos restantes livros de Rosa Lobato de Faria. Presentemente, já os devorei todos e recomendo vivamente a leitura de qualquer um deles.