quinta-feira, 26 de março de 2009

Rebecca

Sinopse: Publicado em 1938, Rebecca é talvez o romance por que Daphne du Maurier é hoje mais lembrada. Ao lê-lo entramos numa atmosfera onírica, sombria, alimentada por segredos que os códigos sociais obrigam a permanecer ocultos e que se concentram na misteriosa mansão Manderley. É para esta mansão que a narradora, uma jovem humilde, vai viver com o viúvo Maxim de Winter, ao aceitar o seu pedido de casamento. Mas então descobre que a memória da falecida esposa, Rebecca, se encontra ainda viva e que esta era tudo o que ela nunca será. À medida que o enredo se desenvolve, ela terá de redefinir a sua identidade num cenário em que os sonhos ameaçam tornar-se pesadelos…

Antes da publicação deste livro pela Editorial Presença, não fazia a mais pálida ideia de quem era a Daphne du Maurier ou da história e fama de Rebecca. Aliás, comecei o livro sem ler a sinopse como deve ser e julguei que Rebecca seria o nome da personagem principal do livro. Bem, o facto é que não estive muito longe da verdade: apesar de não ser o nome da narradora deste livro (acerca da qual, curiosamente ou não, nunca sabemos o nome próprio), Rebecca é a personagem que povoa cada acontecimento ou sentimento presentes neste livro.

A narradora é uma jovem tímida e humilde que, no início da história, se encontra em Monte Carlo como assistente de Mrs. Van Hopper, uma senhora de idade muito sui generis que tenta travar conhecimento com todas as figuras importantes que se cruzam no seu caminho. É assim que a jovem conhece Maxim de Winter, um homem mais velho que ficou viúvo recentemente, e que rumou a Monte Carlo para apanhar novos ares. Os dois rapidamente se entendem, chegando ao ponto em que Maxim pede a mão da jovem em casamento e, depois do enlace, rumam à casa de Maxim, em Inglaterra, a famosa Manderley.

Aí chegados, o fantasma da falecida mulher de Maxim - Rebecca - irá revelar-se em todos os recantos da casa e a recente Mrs. de Winter vê-se obrigada a lutar contra esta presença constante, ao ponto de se tornar uma verdadeira obsessão. A jovem vê a perfeita Rebecca em cada palavra ou gesto dos empregados, especialmente na assustadora Mrs. Danvers, em cada objecto da casa e flor do maravilhoso jardim, e começa a semear uma mórbida curiosidade em relação ao que verdadeiramente aconteceu a Rebecca. O próprio Maxim parece alheado de tudo e Mrs. de Winter começa a achar que o casamento dos dois foi um erro.

Não vou desenvolver mais o enredo, porque iria entrar em spoilers, mas posso afirmar que a história se torna tudo menos previsível. Rapidamente nos vemos enredados de tal forma no livro que é muito complicado colocá-lo de lado e ir fazer outras coisas.

Apesar da história muito interessante e bem urdida, o maior trunfo deste livro é a forma como está escrito. É simplesmente sublime, a todos os níveis, seja na construção das personagens (mais difícil ainda porque, recordo, a história é contada na primeira pessoa), seja na criação do ambiente obscuro e, por vezes, assustador, de Manderley - ela própria uma personagem da história -, seja pela forma genial como a evolução psicológica de Mrs. de Winter nos é relatada pela sua própria voz. A narrativa é ainda povoada de pequenos momentos, pequenos alheamentos da realidade, que tanto aprecio.

Por vezes, estamos muito bem no nosso cantinho e as coisas aparecem e mexem connosco de uma forma pouco previsível. Para mim, este livro foi um desses casos: sem eu perceber muito bem como, o livro enredou-me na sua teia, fez-me viajar até Manderley, fez-me percorrer as divisões daquela casa e passear naqueles jardins, fez-me sentir que estava dentro da história desde o primeiro momento até ao final. Fez-me ansiar pelo que ia acontecer e também temer pelas personagens como se de amigos se tratassem. É por isso que o considero um dos melhores livros, não só que li nos últimos tempos, mas que alguma vez tive o prazer de ler.

10/10 - Obra-prima

[Livro n.º 23 do meu Desafio de Leitura]

A Revolução da Dialética, de Samael Aun Weor

TRECHO:
APRESENTAÇÃO, POR FERNANDO SALAZAR BAÑOL
O V. M. Samael Aun Weor, de acordo com suas investigações, chegou à conclusão de que nos antigos
tempos o que hoje conhecemos como Psicologia se ocultava inteligentemente nas formas graciosas das
dançarinas sagradas, no enigma dos belos hieróglifos, nas maravilhosas esculturas, na poesia, na tragédia
e até na deliciosa música dos templos.
Samael Aun Weor se caracterizou por estabelecer as bases da Psicologia da Nova Era, a qual é realmente
diferente de tudo quanto antes se conheceu com esse nome...
Desde os antigos tempos, nos distintos cenários do teatro da vida, a verdadeira psicologia – chamada
também como Psicologia Revolucionária – sempre representou seu papel, disfarçada inteligentemente
com a roupagem da filosofia.
Nas margens do Ganges, na Índia sagrada dos Vedas, na noite aterradora dos séculos, existiram formas de
yoga que no fundo vêm a ser pura psicologia experimental de altos vôos. Os sete yogas sempre foram
descritos como procedimentos psicológicos.
No mundo árabe, os sagrados ensinamentos dos sufis, em parte metafísicos, em parte religiosos, são
realmente de rodem psicológica.
Na velha Europa, ainda nos finais do século XIX, a psicologia se disfarçou com o traje da filosofia, para
poder passar despercebida.
O erro de muitas escolas filosóficas consiste em haver considerado a psicologia como algo inferior à
filosofia, como algo relacionado unicamente com os aspectos baixos e até triviais da natureza humana.
Ademais, em um estudo comparativo das religiões, Samael Aun Weor chegou à conclusão de que a
psicologia esteve sempre associada, de forma muito íntima, aos princípios religiosos.
Por isso, qualquer estudo comparativo das religiões vem nos demonstrar que na literatura sagrada mais
ortodoxa, de diversos países e de diferentes épocas, existem maravilhosos tesouros da ciência psicológica.
Investigações de fundo realizadas por Samael Aun Weor no terreno do gnosticismo universal permitiramlhe
achar uma maravilhosa compilação de diversos autores gnósticos, que vêm dos primeiros tempos do
cristianismo e que se conhece como “philokália”. Por outro lado, Samael afirma que a philokália é
essencialmente pura psicologia experimental; e também conclui: “Antes de que a Ciência, a Filosofia, a
Arte e a Religião se separassem para viver independentemente, a psicologia reinou soberana em todas as
antiquíssimas Escolas de Mistérios”.
Quando os Colégios Iniciáticos foram fechados devido ao Kaly-Yuga, ou Idade Negra na qual todavia
estamos, a psicologia sobreviveu no simbolismo das diversas escolas esotéricas e pseudo-esotéricas do
mundo moderno, e, muito especialmente no esoterismo gnóstico, proposto por Samael.
Quando todos tenhamos compreendido de forma integral e em todos os níveis da mente, o quão
importante é o estudo da Psicologia da Nova Era, entenderemos então que a Psicologia é o estudo dos
princípios, leis e fatos intimamente relacionados com a transformação radical do indivíduo e da revolução
de sua dialética.
Assim, então, o trabalho que a Psicologia da Nova Era delineia, começa por ensinar em que forma
devemos nos auto-observar e por que devemos fazê-lo. Em realidade, o trabalho esotérico é como um
livro de instruções, melhor ainda, como um mapa, que devemos que devemos seguir, se é que queremos
mudar radicalmente. Esse mapa está exposto nesta obra que estamos editando.
Seqüencialmente, mudar a vida implica pôr ordem na desordenada casa interior, porque o mundo de
pensamentos e sentimentos é o ímã que atrai as circunstâncias exteriores.
Dado que o objeto de estudo desta obra intitulada A Revolução da Dialética é o conhecimento de si
mesmo e do mundo que nos rodeia, devemos abarcar os diferentes aspectos que tal objetivo leva, partindo
desde aqueles de ordem físico-natural, até os de caráter transcendental, para o qual se faz imprescindível
estruturar e sistematizar os aspectos mais relevantes da Psicologia da Nova Era – que gera uma revolução
da dialética – a fim de facilitar a compreensão gradual das diferentes etapas ou fases deste trabalho, para
se alcançar o desenvolvimento total de todas a nossas possibilidades.
Pelo anteriormente exposto, foi necessário sistematizar a sabedoria gnóstica, em sua parte psicológica,
entregue pelo V.M. Samael Aun Weor, de maneira a oferecer acessibilidade aos aspectos mais
transcendentes da mesma, a qual de outro modo, passaram despercebidos pelas gentes comuns, talvez
devido à extensa e prolífica obra do Mestre Samael ou à falta de disciplina ao consulta-las.
A Psicologia da Nova Era, exposta agora, neste último livro que sobre o tema o Mestre Samael escrevera,
pretende mostrar, através da análise dos mitos e dos símbolos de várias culturas, como o ego é um
conjunto de elementos negativos que deve ser aniquilado para que surja no homem o verdadeiro Ser.
A luta interior deve desencadear-se necessariamente naquele que aspirar à conquista do seu próprio Ser.
Quando o Ego for derrotado e aniquilado, a Consciência resplandecerá e obterá a sabedoria profunda e a
máxima felicidade. A Salvação, diriam as religiões cristãs; a Liberação, para os orientais.
Este é precisamente o esquema geral que subjaz na psique do homem e se plasma através dos emblemas e
narrativas que reaparecem, de um ou de outra forma, em distintos lugares e épocas.
Desta maneira, Samael, nesta obra e em outros escritos de psicologia revolucionária, estuda várias lendas
e as analisa como se fossem pequenas obras de teatro, e os personagens que intervêm foram atores que
representam um papel determinado. Um deus, um rei ou um herói, podem personificar o Ser, a
Consciência, a Consciência. Enquanto que monstros, criaturas animalescas, guerreiros do mal ou enxames
de demônios podem alegorizar o Ego e seus múltiplos defeitos.
O que aconteceria se “acendêssemos” uma vela, como alguns mitos nos ensinam?... Perguntamo-nos se
existe a possibilidades de se obter uma visão total, talvez supra-racional, do Eu, do si mesmo?
Puderam, os antigos – e alguns modernos – vislumbrar a totalidade de nossa própria verdade?
Sintetizaram seu conhecimento em narrações e sinais codificados que chamamos de “mitos”?
Este e muitos outros casos mais sugerem que o homem tem acesso a estados superiores de Consciência
que lhe permitem uma captação da realidade desde um ângulo diferente, mais amplo e profundo que o do
limitado intelecto. E na Revolução da Dialética encontramos orientações e métodos que nos permitem
modificar nossa vida.
O leitor observará que Samael Aun Weor utiliza repetidas vezes a palavra “desintegrar”, “eliminar”,
“aniquilar”, “decapitar”, e outras que de forma similar implicam destruição e morte de algo – em nosso
caso, o Ego. Samael, em todas as suas obras de Psicologia, evita recorrer a vocábulos que possam indicar
mudanças superficiais e com aparentes “melhoras” ou “alterações” no homem; é que a Revolução da
Dialética, que o autor propõe, é terrível e exigente: a transformação deve ser íntegra E ISSO NÃO SERIA
POSSÍVEL SEM A ENERGIA DA MORTE.
Existe uma filosofia na morte. Astecas, egípcios e tibetanos reverenciaram profundamente a Mãe Vida e a
Mãe Morte, e os primeiros inclusive as representavam estreitamente unidas uma à outra. Os hindus
adoraram Shiva como uma Força Cósmica de duplo aspecto: o Criador e o Destruidor.
Aniquilação, terrível palavra. A mitologia apresenta nosso interior sob a figura de repugnantes monstros
ou de agrupamentos demoníacos, e nos ensina a enfrentá-los e a destruí-los, NÃO A “MODIFICÁ-LOS”
OU “MELHORÁ-LOS.
O herói Perseu não disfarça a Medusa, a mulher com cabelos de serpentes: decapita-a, e de seu sangue
nasce Pégaso, o branco cavalo alado que lhe serve de veículo para remontar-se às regiões celestes.
Temos querido maquiar a Medusa. Quisemos obter Pégaso sem enfrentar antes a morte do monstro.
Temos nos equivocado no Caminho. A verdade está na morte psicológica e na Revolução da Dialética!

Nova colecção de livros com a revista Sábado

Pois é! Vem aí mais uma colecção de livros com a revista, em moldes semelhantes às colecções anteriores (1€). A lista é a que se segue:

16 Abril - Plano Infinito, de Isabel Allende
23 Abril - As Noites das Mil e Uma Noites, de Naguib Mahfouz
30 Abril - Sem Sangue, de Alessandro Baricco
7 Maio - Herzog, de Saul Bellow
14 Maio - Terra de Neve, de Yasunari Kawabata
21 Maio - O Talentoso Mr. Ripley, de Patricia Highsmith
28 Maio - A Luz, de Stephen King

Um grande obrigado à sini, que participa no nosso fórum, e que nos traz sempre estas novidades em primeira mão :)

Nómada

"O nosso Mundo foi invadido por um inimigo invisível. Os Humanos estão a ser transformados em hospedeiros destes invasores, com as suas mentes expurgadas, enquanto o corpo permanece igual e a vida prossegue sem qualquer mudança aparente. A maior parte da Humanidade não consegue resistir."
Uau...!! Acabei agora mesmo de ler o novo livro de Stephenie Meyer e a única coisa que me vem à cabeça é mesmo UAUUU...!!!
Sei que este livro é marcado por um estilo algo distinto daquele que define as anteriores obras da autora mas ainda assim penso que qualquer fã irá adorar esta nova história e ficar rendido aos novos personagens. Pessoalmente, adorei.
A escrita é muito simples, tal é característica da autora, tornando a leitura muito fácil e rápida (apesar do tamanho do livro). Devo ainda frisar que desta feita a tradução não está tão horrível como a da primeira edição do Crepúsculo, apesar de se poderem identificar alguns erros - mesmo assim, nada que atrapalhe muito a leitura. As personagens não são muito complexas, embora mesmo as personagens mais "boazinhas" sejam capazes de algumas acções menos boas e a autora tenha sido capaz de as humanizar muito. Aliás, é mesmo essa a intenção, acho eu, conseguir através destes personagens mostrar o quão complexo é o ser humano. Neste aspecto só há um ponto negativo a apontar, os humanos que encontramos no livro - os 100% humanos - são todos muito normais, muito bonzinhos não havendo um personagem que consiga transmitir por si só a maldade da nossa espécie (apesar de haver algumas cenas de violência).
A ideia de os humanos serem possuídos por extraterrestres e a sua personalidade ser totalmente aniquilada por estes não me parecia grande coisa mas a verdade é que me rendi à personagem principal e ao conflito interior por esta travado. Ao ser colocada no corpo de Melanie, Nómada espera que esta desapareça e ter total poder e controlo sobre o corpo da hospedeira, contudo o amor de Melanie impede-a de desaparecer o que leva a que as duas tenham que aprender a viver uma com a outra dentro do mesmo corpo, a tomar decisões embora as suas opiniões sejam muito diferentes, a amar, a amar não só as mesmas pessoas mas a amar homens diferentes e sobretudo a amar-se uma à outra... São estes conflitos, esta aprendizagem da personagem principal, assim como as emoções dos humanos que com ela têm que conviver, que nos prendem a cada página - são as emoções mais do que a acção em si. Este é o trunfo de Stephenie Meyer e aquilo que faz com que os fãs não dispensem um livro seu, a sua capacidade de descrever sentimentos, a capacidade que tem de nos fazer sentir na pele aquilo que os personagens supostamente sentem durante a narrativa. Apesar de todos defeitos que lhe possam apontar (e toda a gente os tem) nisso acho que ela é mesmo muito boa.
Enfim, neste momento podia estar aqui tempos infinitos a escrever sobre isto mas não quero alongar muito o post (que já vai grande) nem abrir muito as portas no que respeita à história em si, apenas posso dizer que há muitas surpresas nesta verdadeira história de amor que nos leva a pensar nas atitudes que por vezes tomamos, na verdadeira essência da Humanidade e do amor. Leiam...
8/10

Handbook of Plant and Crop Physiology

Handbook of Plant and Crop Physiology
Número de páginas: 1000
Ano de publicação 2001

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Algumas notícias

O site do JN de hoje traz uns quantos artigos dedicados ao mundo dos livros. Temos uma entrevista ao José Rodrigues dos Santos, da qual destaco a seguinte resposta (com a qual concordo em absoluto):

A separação entre literatura popular e literatura de qualidade é uma invenção dos académicos?

Quem decide o que é qualidade? Quem são as pessoas que fazem parte do comité que toma essas decisões? Existe esse comité? Quem o elegeu? O conceito de qualidade é subjectivo e está a ser usado para defender preconceitos e até interesses estabelecidos. Se uma pessoa gosta de um livro e outra pessoa não, como posso saber que uma tem razão e a outra não? Ninguém pode determinar que um é melhor do que o outro. São apenas diferentes. É por isso que eu dou um conselho aos leitores: não leiam uma coisa só porque alguém diz que é de grande qualidade. A leitura não deve ser sacrifício; tem de ser um prazer.

Outro artigo fala sobre a aproximação entre os escritores portugueses e os leitores, pelo facto de ontem se ter comemorado o Dia do Livro Português. Este texto termina com uma afirmação "polémica" de Miguel Real, a propósito da chamada literatura light:

Ler Margarida Rebelo Pinto é o primeiro passo para não lermos mais nada.

Bons temas para discussão!

Destaque ainda para um artigo sobre uma nova aposta da Porto Editora num blog dedicado à escrita criativa e para um texto dedicado à comemoração dos 10 anos da Oficina do Livro.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Questionário (XII)


O questionário desta semana foi respondido pela Isabel Maia do blog Na Companhia dos Livros. Escusado será dizer que estamos muito agradecidos pelas respostas tão interessantes :)

1 - Como surgiu a ideia de criares um blog sobre livros?
Criei o "Na Companhia dos Livros" por três razões: a primeira, para mostrar que sou mais uma a remar contra a maré da iliteracia em Portugal; a segunda, para manter um registo mais ou menos actualizado dos livros que ia lendo; a terceira, para partilhar com outras pessoas com o mesmo vício que eu as obras que ia lendo.

2 - És uma leitora rápida? Quantos livros lês, em média, por mês?
Por norma sou rápida. Se não estiver demasiado cansada leio 1 livro por semana, o que dá cerca de 4 por mês.

3 - Qual é o teu livro preferido de sempre e porquê?
Talvez "O Principezinho". Li-o pela primeira vez no ensino básico com os meus 11, 12 anos e na altura a história fascinou-me. Já mais "crescida" tornei a ler e aquilo que me tinha fascinado em criança, voltou a fascinar-me. A história entre o principezinho e a raposa são de uma beleza, de uma simplicidade e de uma ingenuidade fantásticas.

4 - O que te leva a identificares-te com uma personagem/história?
Eu gosto de textos cuja descrição me leve a um mundo sensorial. Aconteceu-me isso com "O Sétimo Selo", uma parte da história estava de tal maneira viva dentro da minha mente que no momento em que se dá a execução de uma personagem eu dei um salto porque ouvi o tiro dentro da minha mente.

5 - Género literário preferido e que livro recomendarias dentro do mesmo?
Gosto um pouco de tudo, romance, policial, mistério, poesia... Recomendar um livro também é uma tarefa complicada, até porque já li livros bastantes muito bons. Mas assim de repente aponto "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" de Jorge Amado, "O Principezinho" de Saint-Exupéry e "As Viagens de Gulliver" de Jonathan Swift.

6 - O que achas das adaptações cinematográficas de livros?
Não sou muito fã de adaptações cinematográficas. Além de se perderem muito pormenores da história na transposição do papel para a película, perde-se também um pouco a capacidade da imaginação. Quando estás a ler um livro, tu mesmo podes imaginar a teu bel-prazer como será determinado personagem. Ao passar para filme, cria-se uma imagem fixa daquela personagem e perde-se o imaginário.

7 - Qual é a tua opinião sobre os e-books?
Os e-books são um meio mais rápido e mais barato de se ter acesso a muitas e variadas obras literárias e que deve ser utilizado como uma alternativa viável ao formato papel. Já tentei aderir aos e-books, sou franca, mas não me conquistaram. Primeiro porque muito tempo "colada" ao monitor cansa os olhos e depois porque aprecio a sensação do toque do papel na ponta dos dedos.

8 - Tens alguma ideia sobre o que deveria ser feito para aumentar os índices de leitura em Portugal?
Quando recebeu o prémio do Clube Literário do Porto, António Lobo Antunes disse que o preço dos livros em Portugal era "indecentemente caro". Concordo plenamente com ele. Num período de crise económica como o que se está a atravessar, as pessoas pensam duas vezes se querem gastar 20€ ou mais num livro, optando por usar esse mesmo valor no abastecimento da despensa. Se o preço estivesse mais convidativo, talvez as pessoas aderissem mais à leitura. Outra das coisas que acho que deve ser feita é adequar o mais possível as obras que fazem parte do "Plano Nacional de Leitura" aos escalões etários e promover o mais possível eventos relacionados com os livros com as crianças desde tenra idade.

9 - A leitura é uma paixão que nasce connosco ou está mais dependente de factores externos (muitos livros em casa desde a infância, etc.)?
A paixão pela leitura é um gosto que se incute. Ninguém nasce com o fascínio pelas páginas dos livros. Se as crianças ganharem o gosto pelas histórias desde pequeninas, é meio caminho andado para que sejam adolescentes e adultos com hábitos regulares de leitura.