Feira do Livro de Lisboa tem início amanhã e prolonga-se até 17 de Maio
Em tempos de crise as feiras do livro são excelentes oportunidades para os leitores adquirirem os seus livros favoritos a um preço mais acessível. Por isso mesmo, as Publicações Europa-América apresentam, na 79.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, as suas novidades editoriais na área da ficção e não ficção, bem como aqueles títulos intemporais que fazem falta em qualquer biblioteca doméstica.
Este ano os principais destaques da Europa-América são:
Sonhar as Estrelas, de Linda Gillard (nova autora em Portugal) - Marianne Fraser, cega à nascença e viúva, encontra consolo e expressão na música, um amor que partilha com Keir, um homem com quem se cruza numa noite de Inverno. Embora vários homens tenham surgido na vida de Marianne, Keir parece ser a sua alma gémea. Mas pode Marianne confiar nos seus sentimentos por este desconhecido solitário que quer levá-la para a sua casa na ilha de Skye e mostrar-lhe as estrelas?
Uma Desgraça de Muralha e O Túmulo do Tesouro, de Terry Deary Dois títulos de «Histórias Horríveis Histórias Sangrentas» uma nova série d’ Os Horríveis. Em Uma Desgraça de Muralha acompanha as aventuras de duas tribos terríveis: os Pictos e os Bretões. Dois soldados romanos têm agora a tarefa bué difícil de guardar a muralhas isto se querem continuar a ter a cabeça agarrada ao pescoço! Em O Túmulo do Tesouro podes acompanhar o funeral do malvado faraó Tutankhamon. Chegou o momento pelo qual o maior ladrão do Egipto tanto esperava! Será que ele e a sua quadrilha vão conseguir assaltar o túmulo do faraó e conseguir safar-se com o maior roubo de todos os tempos?
A Guerra das Salamandras, de Karel Capek - O Homem descobre uma espécie de salamandra altamente inteligente e aprende a explorá-la, escravizando-a, mas algo corre mal. Na sua ânsia para desenvolver ainda mais as capacidades das salamandras (a fim de as poder usar), o Homem vai dar-lhes todas as armas necessárias para que elas estejam em posição de desafiar o lugar do ser humano no topo da cadeia animal. A guerra está iminente e a destruição do ser humano é uma realidade.
Entre os Canibais - Aventuras e Desventuras no Rasto de um Ritual Apetitoso!?, de Paul Raffaele - Das ruas da cidade do México às terras altas da Nova Guiné, Paul Raffaele brinda-nos com um relato sobre a milenar história do canibalismo que funde o jornalismo gonzo com aventuras de Indiana Jones. Em 2008, o New York Post elegeu Entre os Canibais No Rasto de Um Ritual Negro uma das dez melhores leituras de Verão.
Para Além de O Segredo 2, de Brenda Barnaby - No seu novo livro, Brenda Barnaby apresenta-nos o resultado das suas investigações em duas áreas fundamentais. O primeiro diz respeito às leis que regem o Universo. O segundo é a importância do bem-estar e da segurança económica para desfrutar plenamente da vida sentimental e afectiva, dos sucessos profissionais e laborais, da vida em família, do enriquecimento intelectual, da solidariedade, da prática de exercícios criativos e de actividades de lazer ou viagens que ampliam horizontes.
A Chave Para Viver a Lei da Atracção, de Jack Canfiel (autor do best-seller Canja de Galinha para a Alma) e D. D Watkins - Este guia detalhado auxilia-o a atingir sonhos, metas e ambições, e a sua viagem começa neste preciso momento. Você pode mudar a sua vida e criar um futuro fantástico cheio de amor, alegria e abundância.
O Legado 731, de Lynn Sholes e Joe Moore - Quando um homem vitimado por uma terrível doença entra nas instalações da Satellite News Network e, pouco antes de morrer, murmura duas palavras ao ouvido de Cotten Stone ‹ «Agulhas Negras» ‹ ninguém podia prever que poucos dias depois mais mortes se seguiriam em todo o mundo. Mais um incrível mistério para Cotton Stone resolver.
A Paciente Misteriosa, de P.D. James - Quando Rhoda Gradwin, uma famosa jornalista de investigação, é internada na clínica privada do Sr. Chandler-Powell, em Dorset, para uma operação de rotina, nada fazia prever a sua morte súbita.
A vida em Cheverell Manor, a pitoresca casa de campo que alberga a clínica, é perturbada quando uma segunda vítima é encontrada. Que mistérios encerra Cheverell Manor? Quem matou os dois pacientes?
As Crónicas dos Elfos Lliane, de Jean-Louis Fetjaine - Sob o comando de um monge, uma colónia humana decide instalar-se na floresta de Éliande, a fim de aí serem construídas igrejas e aldeias. Os Elfos punem radicalmente esta intrusão e só o jovem Maheolas consegue escapar a esta investida. Contudo, este incidente revela-se o menor dos males, pois a partir desse momento os lobos negros, sedentos de sangue, semearão o terror por toda a parte. Mas no horizonte desponta ainda uma outra ameaça: a princesa Liane, uma jovem elfo que se entrega às aventuras e às provas que farão dela a rainha guerreira.
A Filha do Partisan, de Louis de Berniéres - Quando Chris se cruza com Roza numa paragem de autocarro em Londres, nos anos 70, e a confunde com uma prostituta, não podia prever que a sua vida ia mudar para sempre. Após o embaraço inicial, Roza convida-o para tomar café em sua casa, no cinzento bairro de Archway. Uma lindíssima história de amor improvável entre Roza, uma terna e tagarela Sherazade, e o peculiar Chris encantado pelas suas histórias.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Porto Editora lança colecção Gestão e Negócios - Aprenda com os Clássicos
A Ideias de Ler publica, a 7 de Maio, e em simultâneo, quatro títulos que formam a colecção Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos. Estes livros constituem a reinterpretação e súmula de clássicos de gestão, auto-ajuda empresarial, estratégia militar… adaptando-os ao actual contexto dos negócios e das finanças pessoais. Cada título pretende ser um manual simples e conciso sobre os principais contributos que as ideias centrais de cada uma das obras de referência.
Os quatro livros agora editados – Pense e Fique Rico de Napoleon Hill; A Arte da Guerra de Sun Tzu; O Príncipe de Maquiavel; Como Fazer Fortuna de Benjamin Franklin – baseiam-se em referências incontornáveis de várias gerações de gestores.
Assim, utilizando uma linguagem directa e cheia de exemplos práticos, esta colecção pretende ilustrar a contemporaneidade das ideias presentes em alguns dos mais famosos, inspiradores e úteis livros. Salvaguarda-se que estas reinterpretações não pretendem, de forma alguma, substituir a leitura dos textos originais.
Título: A Arte da Guerra de Sun Tzu
Colecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Karen McCreadie
N.º de Págs: 120
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Título: Como Fazer Fortuna de Benjamin Franklin
Colecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Steve Shipside
N.º de Págs: 120
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Título: Pense e Fique Rico de Napoleon Hill
Colecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Karen McCreadie
N.º de Págs: 136
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Título: O Príncipe de Nicolau Maquiavel
Colecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Tim Phillips
N.º de Págs: 120
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Os quatro livros agora editados – Pense e Fique Rico de Napoleon Hill; A Arte da Guerra de Sun Tzu; O Príncipe de Maquiavel; Como Fazer Fortuna de Benjamin Franklin – baseiam-se em referências incontornáveis de várias gerações de gestores.
Assim, utilizando uma linguagem directa e cheia de exemplos práticos, esta colecção pretende ilustrar a contemporaneidade das ideias presentes em alguns dos mais famosos, inspiradores e úteis livros. Salvaguarda-se que estas reinterpretações não pretendem, de forma alguma, substituir a leitura dos textos originais.
Título: A Arte da Guerra de Sun TzuColecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Karen McCreadie
N.º de Págs: 120
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Título: Como Fazer Fortuna de Benjamin Franklin Colecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Steve Shipside
N.º de Págs: 120
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Título: Pense e Fique Rico de Napoleon HillColecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Karen McCreadie
N.º de Págs: 136
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Título: O Príncipe de Nicolau MaquiavelColecção: Gestão e Negócios – Aprenda com os Clássicos
Autor: Tim Phillips
N.º de Págs: 120
Encadernação: Capa mole
PVP: 14,90 €
Eu e as Mulheres da Minha Vida
Autor: Tiago RebeloEditor: Editorial Presença
Páginas: 212
ISBN: 978-972-23-3106-7
Sinopse:
Quem é que, tendo uma vida banal, não sonha com outra mais extraordinária? Que circunstâncias na vida de uma pessoa fazem com que esta se altere de um momento para o outro, quando já nada o faria prever? É destas e doutras perplexidades metafísicas que trata esta obra, através da história de Zé, um homem sem ambição que entra na inevitável crise dos 40, cinco anos antes de os completar. Zé é um bancário desinteressado que trabalha pela necessidade de pagar as contas e adormece a praticar zapping no sofá. Porém, um dia, tudo se altera. Uma promoção inesperada no banco e o súbito interesse por ele de Cátia, uma autêntica Mónica Bellucci, vêm revolucionar a rotina entediante em que se transformara a sua vida. Depois disto nada será como antes. Mas conseguirá Zé ultrapassar esta fase vertiginosa e recuperar o equilíbrio sem consequências dramáticas para o seu casamento? Editado inicialmente em 2003 sob pseudónimo, Eu e as Mulheres da Minha Vida é uma obra à parte na prodigiosa carreira de Tiago Rebelo, autor aplaudido por milhares de leitores e publicado em diversos países.
Depois da decepção que foi Cold Mountain, voltei a ler um autor português de que gosto muito e que não me desiludiu. Tiago Rebelo escreve “Eu e as mulheres da minha vida”, cujo registo leve, realista e divertido surpreende. A obra foca muitos dos problemas conjugais e pessoais com que as pessoas se debatem e leva-nos a pensar.
O protagonista Zé é o típico chefe de família: sedentário, pouco preocupado em ajudar nas tarefas domésticas, cumpridor do seu horário de trabalho das 9h às 18h, sem ambição e fã das jantaradas com os amigos. No seu entender, o seu mundo é quase perfeito. Até que um dia, face a uma atitude violenta do seu filho Quico e por rebeldia própria, decide repensar a sua vida. E, de repente, tudo o que antes Zé encarava apenas como miragem, como realidade num futuro noutro planeta, começa a realizar-se sem que, para tal, ele se esforce. Os seus alicerces são abalados e o pacato bancário vê-se confrontado com a famosa crise dos 40.
São os problemas amorosos, familiares e sociais de Zé que acompanhamos durante todo o livro. De forma divertida, mas sempre crítica, o autor mostra-nos como o protagonista descobre novos horizontes. De certa forma, o objectivo essencial do livro passa por mostrar que nem sempre aquilo que se sonha/quer traz felicidade, mas permite-nos redescobrirmo-nos, começando uma vida diferente. As mudanças em si podem trazer um fundo que beneficia todos e dão uma nova oportunidade às pessoas, sem que se guardem ressentimentos e com consequências favoráveis para a vida futura de cada um.
Este livro, quase numa toada de confissão, é uma leitura extremamente cativante. Abre-nos portas para o universo masculino, permitindo aos leitores conhecer a perspectiva destes face a este tipo de crises emocionais – algo a que, muitas vezes, é dada pouca relevância. Tiago Rebelo criou uma personagem extremamente verídica que, embora seja merecedora de críticas, mostra um lado sensível e quase infantil a que não se fica indiferente. Para além do mais, em contraposição ao tom sério da temática, estão garantidas belas gargalhadas que tornam a leitura fluida e muito aprazível.
8/10 - Muito Bom
terça-feira, 28 de abril de 2009
Download Diario do Chaves - Roberto Gómez Bolaños
O livro Diário do Chaves foi escrito pelo próprio "Chaves", ou seja, pelo ator Roberto Gómez Bolaños, e traz uma coleção de pensamentos e situações envolvendo os personagens dessa famosa série, como Kiko, Seu Madruga, Chiquinha e todos os outros da Turma do Chaves. O Diário do Chaves é o primeiro livro distribuido no Brasil sobre o famoso personagem Chaves, e conta várias histórias nunca reveladas na série de TV!
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Das Palavras às Imagens (II)
Os filmes do “Planeta dos Macacos“ foram dos filmes de ficção científica com maior sucesso, marcando a história do cinema durante as décadas de 60/70. Ajudados por um mundo politicamente activo e em efervescência, em plena mudança, os filmes foram um dos grandes sucessos cinematográficos daquelas décadas. A forma como os actores foram caracterizados e os efeitos especiais avançados para a altura, além dos argumentos com imensas críticas sociais, levaram a que um imenso público, de todas as gerações, idolatrassem esta saga.
Curiosamente, e ao contrário do que se podia prever, os filmes apenas vão buscar alguns pontos essenciais do livro, existindo algumas diferenças substanciais, como por exemplo, o filme ser passado na Terra, e não num planeta distante como no livro, o que, para mim, valorizou, e muito, os filmes; aquela última cena do primeiro filme (ver imagem ao lado) é tocante, sendo considerado um dos melhores finais de sempre.A história deu origem a 6 filmes: “O Homem que veio do Futuro” é o primeiro, donde o homem embarca numa viagem intergaláctica, que depois vimos ser uma viagem no tempo, aterrando num planeta onde os macacos escravizam humanos. É o filme onde mais absorve a história do livro embora deixando algumas pontas soltas.
“O segredo do Planeta dos Macacos” é a sequela, embora com alguns momentos mais fracos, do que o primeiro filme, tendo um final apocalíptico.
“Fuga do Planeta do Macacos” é o 3.º capítulo da saga, sendo o filme mais divertido de todos. Desta vez a história gira ao contrário: 3 macacos inteligentes do futuro voltam ao passado, surpreendendo os humanos; o filme vai-se tornando numa grande sátira social, tendo um final verdadeiramente dramático e inteligente.“A conquista do Planeta dos Macacos“ e “A Batalha pelo Planeta dos Macacos” completam esta saga. Os dois filmes são os mais violentos, e onde a crítica social é mais dura, não perdendo a inteligências dos anteriores.
Por fim, o realizador Tim Burton, na década de 90, pegou nessa história e fez um remake inteligente da trama, embora com ligeiras diferenças.
“O Planeta dos Macacos“ ainda teve direito a uma série televisiva e de desenhos animados, as quais ainda não vi, além de ser um dos filmes onde o imenso merchandising leva a que as sucessivas gerações não esqueçam uma saga que merece ser sempre recordada.
Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos - Primeiro Ano – 1858
TRECHO:
Introdução
Revista Espírita, janeiro de 1858
A rapidez com a qual se propagaram, em todas as partes do mundo, os fenômenos estranhos
das manifestações espíritas, é uma prova do interesse que causam. Simples objeto de
curiosidade, a princípio, não tardaram em despertar a atenção dos homens sérios que
entreviram, desde o início, a influência inevitável que devem ter sobre o estado moral da
sociedade. As idéias novas que deles surgem, se popularizam cada dia mais, e nada poderia
deter-lhes o progresso, pela razão muito simples de que esses fenômenos estão ao alcance
de todo mundo, ou quase todo, e que nenhuma força humana pode impedi-los de se
produzirem. Se os abafam em algum ponto, eles reaparecem em cem outros. Aqueles, pois,
que poderiam, nele, ver um inconveniente qualquer, serão constrangidos, pela força das
coisas, a sofrer-lhes as conseqüências, como ocorreu com as indústrias novas que, na sua
origem, feriram interesses privados, e com as quais todo o mundo acabou por se ajeitar,
porque não se poderia fazer de outro modo. O que não se fez e disse contra o magnetismo!
E, todavia, todos os raios que se lançaram contra ele, todas as armas com as quais o
atingiram, mesmo o ridículo, se enfraqueceram diante da realidade, e não serviram senão
para colocá-lo mais e mais em evidência. É que o magnetismo é uma força natural, e que,
diante das forças da Natureza, o homem é um pigmeu semelhante a esses cãezinhos que
ladram, inutilmente, contra o que os assusta. Há manifestações espíritas como a do
sonambulismo; se elas não se produzem à luz do dia, publicamente, ninguém pode se opor a
que tenham lugar na intimidade, uma vez que, cada família, pode achar um médium entre
seus membros, desde a criança até o velho, como pode achar um sonâmbulo. Quem, pois,
poderia impedir, a qualquer pessoa, de ser médium ou sonâmbula? Aqueles que combatem a
coisa, sem dúvida, não refletiram nela. Ainda uma vez, quando uma força é da Natureza,
pode-se detê-la um instante: aniquilá-la, jamais! Não se faz mais do que desviar-lhe o curso.
Ora, a força que se revela no fenômeno das manifestações, qualquer que seja a sua causa,
está na Natureza, como a do magnetismo; não será aniquilada, pois, como não se pode
aniquilar a força elétrica. O que é preciso fazer, é observá-la, estudar-lhe todas as fases para,
delas, deduzir as leis que a regem. Se for um erro, uma ilusão, o tempo lhe fará justiça; se
for a verdade, a verdade é como o vapor: quanto mais se comprime, maior é a sua força de
expansão.
Espanta-se, com razão, que, enquanto na América só os Estados Unidos possuem dezessete
jornais consagrados a essas matérias, sem contar uma multidão de escritos não periódicos, a
França, o país da Europa, onde essas idéias foram mais prontamente aclimatadas, não
possua um único[1] (1). Não se poderia, pois, contestar a utilidade de um órgão especial,
que mantenha o público ao corrente dos progressos desta ciência nova, e o premuna dos
exageros da credulidade, tão bem quanto contra o ceticismo. É essa lacuna que nos
propomos preencher com a publicação desta revista, com o fim de oferecer um meio de
comunicação a todos aqueles que se interessam por estas questões, e de ligar, por um laço
comum, aqueles que compreendem a Doutrina Espírita sob o seu verdadeiro ponto de vista
moral: a prática do bem e da caridade evangélica com relação a todo o mundo.
Se não se tratasse senão de uma coleta de fatos, a tarefa seria fácil; eles se multiplicam,
sobre todos os pontos, com uma tal rapidez, que a matéria não faltaria; mas, os fatos
unicamente tornar-se-iam monótonos, pela seqüência mesma do seu número e, sobretudo,
pela sua semelhança. O que é preciso, ao homem que reflete, é alguma coisa que fale à sua
inteligência. Poucos anos decorreram desde a aparição dos primeiros fenômenos, e já
Introdução
estamos longe das mesas girantes e falantes que não foram senão a infância. Hoje, é uma
ciência que descobre todo um mundo de mistérios, que torna patente verdades eternas, que
não foram dadas senão ao nosso espírito de pressentir; é uma doutrina sublime que mostra
ao homem o caminho do dever, e que abre o campo, o mais vasto, que ainda fora dado à
observação do filósofo. Nossa obra seria, pois, incompleta e estéril se permanecesse nos
estreitos limites de uma revista anedótica, cujo interesse seria bem rapidamente esgotado.
Talvez nos contestem a qualificação de ciência que damos ao Espiritismo. Ele não poderia,
sem dúvida, em alguns casos, ter os caracteres de uma ciência exata, e está precisamente aí
o erro daqueles que pretendem julgá-lo e experimentá-lo como uma análise química, como
um problema matemático: já é muito que tenha o de uma ciência filosófica. Toda ciência
deve estar baseada sobre fatos; mas só os fatos não constituem a ciência; a ciência nasce da
coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. O Espiritismo
chegou ao estado de ciência? Se se trata de uma ciência perfeita, sem dúvida, seria
prematuro responder afirmativamente; mas as observações são, desde hoje, bastante
numerosas para se poder, pelo menos, deduzir os princípios gerais, e é aí que começa a
ciência.
A apreciação razoável dos fatos, e das conseqüências que deles decorrem, é, pois, um
complemento sem o qual a nossa publicação seria de uma medíocre utilidade, e não
ofereceria senão um interesse muito secundário para quem reflita, e quer se inteirar daquilo
que vê. Todavia, como o nosso objetivo é chegar à verdade, acolheremos todas as
observações que nos forem endereçadas, e tentaremos, quanto no-lo permita o estado dos
conhecimentos adquiridos, seja levantar as dúvidas, seja esclarecer os pontos ainda
obscuros. Nossa revista será, assim, uma tribuna aberta, mas, onde a discussão não deverá
jamais desviar-se das leis, as mais estritas, das conveniências. Em uma palavra,
discutiremos, mas não disputaremos. As inconveniências de linguagem jamais tiveram boas
razões aos olhos de pessoas sensatas; é a arma daqueles que não a têm melhor, e essa arma
reverte contra quem dela se serve.
Se bem que os fenômenos, dos quais iremos nos ocupar, se tenham produzido, nestes
últimos tempos, de modo mais geral, tudo prova que ocorreram desde os tempos mais
recuados. Não se trata de fenômenos naturais nas invenções que seguem o progresso do
espírito humano; desde que estão na ordem das coisas, sua causa é tão velha quanto o
mundo e os efeitos devem ter-se produzido em todas as épocas. O que, pois, testemunhamos
hoje não é uma descoberta moderna: é o despertar da antigüidade, mas, da antigüidade
liberta da companhia mística que engendrou as superstições, da antigüidade esclarecida pela
civilização e o progresso nas coisas positivas.
A conseqüência capital, que ressalta desses fenômenos, é a comunicação, que os homens
podem estabelecer, com os seres do mundo incorpóreo, e os conhecimentos que podem, em
certos limites, adquirir sobre seu estado futuro. O fato das comunicações com o mundo
invisível se encontra em termos inequívocos nos relatos bíblicos; mas, de um lado, para
certos céticos, a Bíblia não tem uma autoridade suficiente; por outro lado, para os crentes,
são fatos sobrenaturais, suscitados por um favor especial da Divindade. Não haveria aí, pois,
para todo o mundo, uma prova da generalidade dessas manifestações, se não as
encontrássemos em milhares de outras fontes diferentes. A existência dos Espíritos, e a sua
intervenção no mundo corporal, está atestada e demonstrada, não mais como um fato
excepcional, mas como princípio geral, em Santo Agostinho, São Jerônimo, São Crisóstomo,
São Gregório de Na-zianzeno e muitos outros Pais da Igreja Essa crença forma, por outro
lado, a base de todos os sistemas religiosos. Os mais sábios filósofos da antigüidade a
admitiram: Platão, Zoroastro, Confúcio, Apuleio, Pitágoras, Apolônio de Tiana e tantos outros.
Introdução
Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos, entre os Gregos, os Egípcios, os Hindus, os
Caldeus, os Romanos, os Persas, os Chineses. Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos
povos, a todas as perseguições, desafiar todas as revoluções físicas e morais da Humanidade.
Mais tarde, encontramo-la nos adivinhos e feiticeiros da Idade Média, nos Willis e nas
Walkirias dos Escandinavos, nos Elfos dos Teutões, nos Leschios e nos Domeschnios Doughi
dos Eslavos, nos Ourisks e nos Brownies da Escócia, nos Poulpicans e nos Ten-sarpoulicts dos
Bretões, nos Cemis dos Caraíbas, em uma palavra, em toda a falange de ninfas, de gênios
bons e maus, de silfos, de gnomos, de fadas, de duendes, com os quais todas as nações
povoaram o espaço. Encontramos a prática das evocações entre os povos da Sibéria, no
Kamtchatka, na Islândia, entre os índios da América do Norte, entre os aborígenes do México
e do Peru, na Polinésia e mesmo entre os estúpidos selvagens da Oceania. De alguns
absurdos que essa crença esteja cercada e disfarçada segundo os tempos e os lugares, não
se pode deixar de convir que ela parte de um mesmo princípio, mais ou menos desfigurado;
ora, uma doutrina não se torna universal, e nem sobrevive a milhares de gerações, nem se
implanta, de um pólo ao outro, entre os povos mais dessemelhantes, e em todos os graus da
escala social, sem estar fundada em alguma coisa de positiva. O que é essa alguma coisa? É
o que nos demonstram as recentes manifestações. Procurar as relações que podem e devem
ter entre essas manifestações e todas essas crenças, é procurar a verdade. A história da
Doutrina Espírita, de alguma forma, é a do espírito humano; iremos estudar todas essas
fontes que nos fornecerão uma mina inesgotável de observações, tão instrutivas quanto
interessantes, sobre os fatos gerais pouco conhecidos. Essa parte nos dará a oportunidade de
explicar a origem de uma multidão de lendas e de crenças populares, interpretando a parte
da verdade, da alegoria e da superstição.
No que concerne às manifestações atuais, daremos conta de todos os fenômenos patentes,
dos quais formos testemunhas ou que vierem ao nosso conhecimento, quando parecerem
merecer a atenção dos nossos leitores. Faremos o mesmo com os efeitos espontâneos que se
produzem, freqüentemente, entre as pessoas, mesmo as mais estranhas às práticas das
manifestações espíritas, e que revelem seja a ação oculta, seja a independência da alma; tais
são os fatos de visões, aparições, dupla vista, pressentimentos, advertências íntimas, vozes
secretas, etc. À relação dos fatos acrescentaremos a explicação, tal como ela ressalta do
conjunto dos princípios. Faremos anotar, a esse respeito, que esses princípios são aqueles
que decorrem do próprio ensinamento dado pelos Espíritos, e que faremos, sempre,
abstração das nossas próprias idéias. Não será, pois, uma teoria pessoal que exporemos, mas
a que nos tiver sido comunicada, e da qual não seremos senão o intérprete.
Uma larga parte será, igualmente, reservada às comunicações, escritas ou verbais, dos
Espíritos, todas as vezes que tiverem um fim útil, assim como as evocações de personagens
antigas ou modernas, conhecidas ou obscuras, sem negligenciar as evocações íntimas que,
freqüentemente, não são menos instrutivas; abarcaremos, em uma palavra, todas as fases
das manifestações materiais e inteligentes do mundo incorpóreo.
A Doutrina Espírita nos oferece, enfim, a única solução possível e racional de uma multidão
de fenômenos morais e antropológicos, dos quais, diariamente, somos testemunhas, e para
os quais se procuraria, inutilmente, a explicação em todas as doutrinas conhecidas.
Classificaremos nessa categoria, por exemplo, a simultaneidade dos pensamentos, a
anomalia de certos caracteres, as simpatias e as antipatias, os conhecimentos intuitivos, as
aptidões, as propensões, os destinos que parecem marcados de fatalidade, e, num quadro
mais geral, o caráter distintivo dos povos, seu progresso ou sua degeneração, etc. À citação
dos fatos acrescentaremos a busca das causas que puderam produzi-los. Da apreciação
desses atos, ressaltarão, naturalmente, úteis ensinamentos sobre a linha de conduta mais
conforme com a sã moral. Em suas instruções, os Espíritos superiores têm, sempre, por
objetivo excitar, nos homens, o amor ao bem pela prática dos preceitos evangélicos; nos
Introdução
traçam, por isso mesmo, o pensamento que deve presidir à redação dessa coletânea.
Nosso quadro, como se vê, compreende tudo o que se liga ao conhecimento da parte
metafísica do homem; estudá-la-emos em seu estado presente e em seu estado futuro,
porque estudar a natureza dos Espíritos, é estudar o homem, uma vez que deverá fazer
parte, um dia, do mundo dos Espíritos; por isso acrescentamos, ao nosso título principal, o de
jornal de estudos psicológicos, a fim de fazer compreender toda a sua importância.
Nota. Por multiplicadas que sejam nossas observações pessoais, e as fontes em que as
haurimos, não dissimulamos nem as dificuldades da tarefa, nem a nossa insuficiência.
Contamos, para isso suprir, com o concurso benevolente de todos aqueles que se interessam
por essas questões; seremos, pois, muito reconhecidos pelas comunicações que queiram bem
nos transmitir sobre os diversos objetos de nossos estudos; apelamos, a esse respeito, a sua
atenção sobre os pontos seguintes, sobre os quais poderão fornecer documentos:
1. Manifestações materiais ou inteligentes, obtidas em reuniões às quais assistiram;
2. Fatos de lucidez sonambúlica e de êxtase;
3. Fatos de segunda vista, previsões, pressentimentos, etc.
4. Fatos relativos ao poder oculto atribuído, com ou sem razão, a certos indivíduos;
5. Lendas e crenças populares;
6. Fatos de visões e aparições;
7. Fenômenos psicológicos particulares que ocorrem, algumas vezes, no instante da
morte;
8. Problemas morais e psicológicos para resolver;
9. Fatos morais, atos notáveis de devotamento e abnegação, dos quais possa ser útil
propagar o exemplo;
10. Indicação de obras, antigas ou modernas, francesas ou estrangeiras, onde se
encontrem fatos relativos à manifestação de inteligências ocultas, com a designação e,
se possível, a citação das passagens. Do mesmo modo, no que concerne à opinião
emitida sobre a existência dos Espíritos e suas relações com os homens, pelos autores
antigos ou modernos, cujo nome e saber podem dar autoridade.
Não daremos conhecimento dos nomes das pessoas que queiram nos dirigir as comunicações,
senão quando, para isso, formos formalmente autorizados.
[1](1) Não existe, até o presente momento, na Europa, senão um jornal consagrado à
Doutrina Espírita, é o Jornal da Alma, publicado em Genebra pelo doutor Boessinger. Na
América, o único jornal francês é o Spiritualiste de La Nouve/le-Orléans, publicado pelo
senhor Barthè s.
[2] 1S vol. in-89 em 2°- col., 3 fr.; Dentu, Palais-Royal, e no escritório do jornal, rua dos
Mártires, n9 8.
Introdução
Revista Espírita, janeiro de 1858
A rapidez com a qual se propagaram, em todas as partes do mundo, os fenômenos estranhos
das manifestações espíritas, é uma prova do interesse que causam. Simples objeto de
curiosidade, a princípio, não tardaram em despertar a atenção dos homens sérios que
entreviram, desde o início, a influência inevitável que devem ter sobre o estado moral da
sociedade. As idéias novas que deles surgem, se popularizam cada dia mais, e nada poderia
deter-lhes o progresso, pela razão muito simples de que esses fenômenos estão ao alcance
de todo mundo, ou quase todo, e que nenhuma força humana pode impedi-los de se
produzirem. Se os abafam em algum ponto, eles reaparecem em cem outros. Aqueles, pois,
que poderiam, nele, ver um inconveniente qualquer, serão constrangidos, pela força das
coisas, a sofrer-lhes as conseqüências, como ocorreu com as indústrias novas que, na sua
origem, feriram interesses privados, e com as quais todo o mundo acabou por se ajeitar,
porque não se poderia fazer de outro modo. O que não se fez e disse contra o magnetismo!
E, todavia, todos os raios que se lançaram contra ele, todas as armas com as quais o
atingiram, mesmo o ridículo, se enfraqueceram diante da realidade, e não serviram senão
para colocá-lo mais e mais em evidência. É que o magnetismo é uma força natural, e que,
diante das forças da Natureza, o homem é um pigmeu semelhante a esses cãezinhos que
ladram, inutilmente, contra o que os assusta. Há manifestações espíritas como a do
sonambulismo; se elas não se produzem à luz do dia, publicamente, ninguém pode se opor a
que tenham lugar na intimidade, uma vez que, cada família, pode achar um médium entre
seus membros, desde a criança até o velho, como pode achar um sonâmbulo. Quem, pois,
poderia impedir, a qualquer pessoa, de ser médium ou sonâmbula? Aqueles que combatem a
coisa, sem dúvida, não refletiram nela. Ainda uma vez, quando uma força é da Natureza,
pode-se detê-la um instante: aniquilá-la, jamais! Não se faz mais do que desviar-lhe o curso.
Ora, a força que se revela no fenômeno das manifestações, qualquer que seja a sua causa,
está na Natureza, como a do magnetismo; não será aniquilada, pois, como não se pode
aniquilar a força elétrica. O que é preciso fazer, é observá-la, estudar-lhe todas as fases para,
delas, deduzir as leis que a regem. Se for um erro, uma ilusão, o tempo lhe fará justiça; se
for a verdade, a verdade é como o vapor: quanto mais se comprime, maior é a sua força de
expansão.
Espanta-se, com razão, que, enquanto na América só os Estados Unidos possuem dezessete
jornais consagrados a essas matérias, sem contar uma multidão de escritos não periódicos, a
França, o país da Europa, onde essas idéias foram mais prontamente aclimatadas, não
possua um único[1] (1). Não se poderia, pois, contestar a utilidade de um órgão especial,
que mantenha o público ao corrente dos progressos desta ciência nova, e o premuna dos
exageros da credulidade, tão bem quanto contra o ceticismo. É essa lacuna que nos
propomos preencher com a publicação desta revista, com o fim de oferecer um meio de
comunicação a todos aqueles que se interessam por estas questões, e de ligar, por um laço
comum, aqueles que compreendem a Doutrina Espírita sob o seu verdadeiro ponto de vista
moral: a prática do bem e da caridade evangélica com relação a todo o mundo.
Se não se tratasse senão de uma coleta de fatos, a tarefa seria fácil; eles se multiplicam,
sobre todos os pontos, com uma tal rapidez, que a matéria não faltaria; mas, os fatos
unicamente tornar-se-iam monótonos, pela seqüência mesma do seu número e, sobretudo,
pela sua semelhança. O que é preciso, ao homem que reflete, é alguma coisa que fale à sua
inteligência. Poucos anos decorreram desde a aparição dos primeiros fenômenos, e já
Introdução
estamos longe das mesas girantes e falantes que não foram senão a infância. Hoje, é uma
ciência que descobre todo um mundo de mistérios, que torna patente verdades eternas, que
não foram dadas senão ao nosso espírito de pressentir; é uma doutrina sublime que mostra
ao homem o caminho do dever, e que abre o campo, o mais vasto, que ainda fora dado à
observação do filósofo. Nossa obra seria, pois, incompleta e estéril se permanecesse nos
estreitos limites de uma revista anedótica, cujo interesse seria bem rapidamente esgotado.
Talvez nos contestem a qualificação de ciência que damos ao Espiritismo. Ele não poderia,
sem dúvida, em alguns casos, ter os caracteres de uma ciência exata, e está precisamente aí
o erro daqueles que pretendem julgá-lo e experimentá-lo como uma análise química, como
um problema matemático: já é muito que tenha o de uma ciência filosófica. Toda ciência
deve estar baseada sobre fatos; mas só os fatos não constituem a ciência; a ciência nasce da
coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. O Espiritismo
chegou ao estado de ciência? Se se trata de uma ciência perfeita, sem dúvida, seria
prematuro responder afirmativamente; mas as observações são, desde hoje, bastante
numerosas para se poder, pelo menos, deduzir os princípios gerais, e é aí que começa a
ciência.
A apreciação razoável dos fatos, e das conseqüências que deles decorrem, é, pois, um
complemento sem o qual a nossa publicação seria de uma medíocre utilidade, e não
ofereceria senão um interesse muito secundário para quem reflita, e quer se inteirar daquilo
que vê. Todavia, como o nosso objetivo é chegar à verdade, acolheremos todas as
observações que nos forem endereçadas, e tentaremos, quanto no-lo permita o estado dos
conhecimentos adquiridos, seja levantar as dúvidas, seja esclarecer os pontos ainda
obscuros. Nossa revista será, assim, uma tribuna aberta, mas, onde a discussão não deverá
jamais desviar-se das leis, as mais estritas, das conveniências. Em uma palavra,
discutiremos, mas não disputaremos. As inconveniências de linguagem jamais tiveram boas
razões aos olhos de pessoas sensatas; é a arma daqueles que não a têm melhor, e essa arma
reverte contra quem dela se serve.
Se bem que os fenômenos, dos quais iremos nos ocupar, se tenham produzido, nestes
últimos tempos, de modo mais geral, tudo prova que ocorreram desde os tempos mais
recuados. Não se trata de fenômenos naturais nas invenções que seguem o progresso do
espírito humano; desde que estão na ordem das coisas, sua causa é tão velha quanto o
mundo e os efeitos devem ter-se produzido em todas as épocas. O que, pois, testemunhamos
hoje não é uma descoberta moderna: é o despertar da antigüidade, mas, da antigüidade
liberta da companhia mística que engendrou as superstições, da antigüidade esclarecida pela
civilização e o progresso nas coisas positivas.
A conseqüência capital, que ressalta desses fenômenos, é a comunicação, que os homens
podem estabelecer, com os seres do mundo incorpóreo, e os conhecimentos que podem, em
certos limites, adquirir sobre seu estado futuro. O fato das comunicações com o mundo
invisível se encontra em termos inequívocos nos relatos bíblicos; mas, de um lado, para
certos céticos, a Bíblia não tem uma autoridade suficiente; por outro lado, para os crentes,
são fatos sobrenaturais, suscitados por um favor especial da Divindade. Não haveria aí, pois,
para todo o mundo, uma prova da generalidade dessas manifestações, se não as
encontrássemos em milhares de outras fontes diferentes. A existência dos Espíritos, e a sua
intervenção no mundo corporal, está atestada e demonstrada, não mais como um fato
excepcional, mas como princípio geral, em Santo Agostinho, São Jerônimo, São Crisóstomo,
São Gregório de Na-zianzeno e muitos outros Pais da Igreja Essa crença forma, por outro
lado, a base de todos os sistemas religiosos. Os mais sábios filósofos da antigüidade a
admitiram: Platão, Zoroastro, Confúcio, Apuleio, Pitágoras, Apolônio de Tiana e tantos outros.
Introdução
Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos, entre os Gregos, os Egípcios, os Hindus, os
Caldeus, os Romanos, os Persas, os Chineses. Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos
povos, a todas as perseguições, desafiar todas as revoluções físicas e morais da Humanidade.
Mais tarde, encontramo-la nos adivinhos e feiticeiros da Idade Média, nos Willis e nas
Walkirias dos Escandinavos, nos Elfos dos Teutões, nos Leschios e nos Domeschnios Doughi
dos Eslavos, nos Ourisks e nos Brownies da Escócia, nos Poulpicans e nos Ten-sarpoulicts dos
Bretões, nos Cemis dos Caraíbas, em uma palavra, em toda a falange de ninfas, de gênios
bons e maus, de silfos, de gnomos, de fadas, de duendes, com os quais todas as nações
povoaram o espaço. Encontramos a prática das evocações entre os povos da Sibéria, no
Kamtchatka, na Islândia, entre os índios da América do Norte, entre os aborígenes do México
e do Peru, na Polinésia e mesmo entre os estúpidos selvagens da Oceania. De alguns
absurdos que essa crença esteja cercada e disfarçada segundo os tempos e os lugares, não
se pode deixar de convir que ela parte de um mesmo princípio, mais ou menos desfigurado;
ora, uma doutrina não se torna universal, e nem sobrevive a milhares de gerações, nem se
implanta, de um pólo ao outro, entre os povos mais dessemelhantes, e em todos os graus da
escala social, sem estar fundada em alguma coisa de positiva. O que é essa alguma coisa? É
o que nos demonstram as recentes manifestações. Procurar as relações que podem e devem
ter entre essas manifestações e todas essas crenças, é procurar a verdade. A história da
Doutrina Espírita, de alguma forma, é a do espírito humano; iremos estudar todas essas
fontes que nos fornecerão uma mina inesgotável de observações, tão instrutivas quanto
interessantes, sobre os fatos gerais pouco conhecidos. Essa parte nos dará a oportunidade de
explicar a origem de uma multidão de lendas e de crenças populares, interpretando a parte
da verdade, da alegoria e da superstição.
No que concerne às manifestações atuais, daremos conta de todos os fenômenos patentes,
dos quais formos testemunhas ou que vierem ao nosso conhecimento, quando parecerem
merecer a atenção dos nossos leitores. Faremos o mesmo com os efeitos espontâneos que se
produzem, freqüentemente, entre as pessoas, mesmo as mais estranhas às práticas das
manifestações espíritas, e que revelem seja a ação oculta, seja a independência da alma; tais
são os fatos de visões, aparições, dupla vista, pressentimentos, advertências íntimas, vozes
secretas, etc. À relação dos fatos acrescentaremos a explicação, tal como ela ressalta do
conjunto dos princípios. Faremos anotar, a esse respeito, que esses princípios são aqueles
que decorrem do próprio ensinamento dado pelos Espíritos, e que faremos, sempre,
abstração das nossas próprias idéias. Não será, pois, uma teoria pessoal que exporemos, mas
a que nos tiver sido comunicada, e da qual não seremos senão o intérprete.
Uma larga parte será, igualmente, reservada às comunicações, escritas ou verbais, dos
Espíritos, todas as vezes que tiverem um fim útil, assim como as evocações de personagens
antigas ou modernas, conhecidas ou obscuras, sem negligenciar as evocações íntimas que,
freqüentemente, não são menos instrutivas; abarcaremos, em uma palavra, todas as fases
das manifestações materiais e inteligentes do mundo incorpóreo.
A Doutrina Espírita nos oferece, enfim, a única solução possível e racional de uma multidão
de fenômenos morais e antropológicos, dos quais, diariamente, somos testemunhas, e para
os quais se procuraria, inutilmente, a explicação em todas as doutrinas conhecidas.
Classificaremos nessa categoria, por exemplo, a simultaneidade dos pensamentos, a
anomalia de certos caracteres, as simpatias e as antipatias, os conhecimentos intuitivos, as
aptidões, as propensões, os destinos que parecem marcados de fatalidade, e, num quadro
mais geral, o caráter distintivo dos povos, seu progresso ou sua degeneração, etc. À citação
dos fatos acrescentaremos a busca das causas que puderam produzi-los. Da apreciação
desses atos, ressaltarão, naturalmente, úteis ensinamentos sobre a linha de conduta mais
conforme com a sã moral. Em suas instruções, os Espíritos superiores têm, sempre, por
objetivo excitar, nos homens, o amor ao bem pela prática dos preceitos evangélicos; nos
Introdução
traçam, por isso mesmo, o pensamento que deve presidir à redação dessa coletânea.
Nosso quadro, como se vê, compreende tudo o que se liga ao conhecimento da parte
metafísica do homem; estudá-la-emos em seu estado presente e em seu estado futuro,
porque estudar a natureza dos Espíritos, é estudar o homem, uma vez que deverá fazer
parte, um dia, do mundo dos Espíritos; por isso acrescentamos, ao nosso título principal, o de
jornal de estudos psicológicos, a fim de fazer compreender toda a sua importância.
Nota. Por multiplicadas que sejam nossas observações pessoais, e as fontes em que as
haurimos, não dissimulamos nem as dificuldades da tarefa, nem a nossa insuficiência.
Contamos, para isso suprir, com o concurso benevolente de todos aqueles que se interessam
por essas questões; seremos, pois, muito reconhecidos pelas comunicações que queiram bem
nos transmitir sobre os diversos objetos de nossos estudos; apelamos, a esse respeito, a sua
atenção sobre os pontos seguintes, sobre os quais poderão fornecer documentos:
1. Manifestações materiais ou inteligentes, obtidas em reuniões às quais assistiram;
2. Fatos de lucidez sonambúlica e de êxtase;
3. Fatos de segunda vista, previsões, pressentimentos, etc.
4. Fatos relativos ao poder oculto atribuído, com ou sem razão, a certos indivíduos;
5. Lendas e crenças populares;
6. Fatos de visões e aparições;
7. Fenômenos psicológicos particulares que ocorrem, algumas vezes, no instante da
morte;
8. Problemas morais e psicológicos para resolver;
9. Fatos morais, atos notáveis de devotamento e abnegação, dos quais possa ser útil
propagar o exemplo;
10. Indicação de obras, antigas ou modernas, francesas ou estrangeiras, onde se
encontrem fatos relativos à manifestação de inteligências ocultas, com a designação e,
se possível, a citação das passagens. Do mesmo modo, no que concerne à opinião
emitida sobre a existência dos Espíritos e suas relações com os homens, pelos autores
antigos ou modernos, cujo nome e saber podem dar autoridade.
Não daremos conhecimento dos nomes das pessoas que queiram nos dirigir as comunicações,
senão quando, para isso, formos formalmente autorizados.
[1](1) Não existe, até o presente momento, na Europa, senão um jornal consagrado à
Doutrina Espírita, é o Jornal da Alma, publicado em Genebra pelo doutor Boessinger. Na
América, o único jornal francês é o Spiritualiste de La Nouve/le-Orléans, publicado pelo
senhor Barthè s.
[2] 1S vol. in-89 em 2°- col., 3 fr.; Dentu, Palais-Royal, e no escritório do jornal, rua dos
Mártires, n9 8.
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