sábado, 27 de junho de 2009

4.ª Leitura Conjunta

Na próxima segunda-feira terá início mais uma Leitura Conjunta no nosso fórum. Desta vez, a escolha recaiu sobre o livro Drácula, de Bram Stoker, que irá ser lido e comentado durante as próximas 4 semanas. Para o caso de estarem interessados, os detalhes estão aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Demanda do Santo Graal (texto português do século XV)

TRECHO:
Véspera de Pinticoste foi grande gente assuada em Camaalot assi que podera homem i veer mui gram
gente, muitos cavaleiros e muitas donas mui bem guisadas. el-rei, que era ende mui ledo, honrouos
muito e fezeos mui bem servir. E toda rem que entendeu per que aquela corte seeria mais viçosa e mais leda
todo o fez fazer.
Aquel dia que vos eu digo, direitamente quando querriam poer as mesas – esto era hora de noa – aveeo que ua
donzela chegou i mui fremosa e mui bem vestida e entrou no paaço a pee, como mandadeira. Ela começou a
catar de ua parte e da outra polo paaço e preguntavamna que demandava.
– Eu demando, disse ela, por dom Lançarot do Lago. É aqui?
– Si, donzela, disse uu cavaleiro. Veedelo: está a aquela freesta, falando com dom Galvam.
Ela foi logo pera el e salvouo. Ele, tanto que a vio recebeua mui bem e abraçoua, ca aquela era ua das donzelas
que
moravam na ínsoa da Lediça que a filha Amida delrei Peles amava mais que donzela da sua companha.

Uma história de amor em Guernica

Seria apenas uma história de amor – ou várias, se tivermos em conta os casais das várias gerações – não fosse o cenário. E o cenário é de horror, de um horror tão intenso como só Picasso poderia mostrar nessa obra-prima que é Guernica – e até o artista é convocado, seguindo-se-lhe os passos (o raciocínio que comanda a mão) durante a realização desse enorme painel pensado e executado para o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de Paris de 1937.
E é o ataque da aviação alemã a Guernica, essa terra perdida no mapa que por azar das suas gentes fica na confluência de caminhos, que condiciona e é a mola impulsionadora do romance histórico que lhe leva o nome.
“Guernica”, livro de estreia do jornalista norte-americano Dave Boling, é um impressionante fresco da guerra civil espanhola que foi também o ensaio geral para a I Guerra Mundial.
É a alma basca, simples mas orgulhosa da sua história e tradição, que Boling homenageia através de uma escrita vigorosa e uma trama bem construída. Os grandes e pequenos passos da loucura e infâmia que foi o ataque a Guernica estão bem presentes, e o autor denota um verdadeiro conhecimento da História e cultura basca, da perseguição sofrida antes mesmo do bombardeamento, enquanto Franco ia ganhando terreno e esmagando os resistentes.
Ao longo de quase meio milhar de páginas (que bem sabe uma história que não se esgota em meia dúzia de páginas!), Boling convoca o leitor a seguir as ingénuas estórias de amor de várias gerações de bascos, que se vão entrelaçando e apenas perdurariam na memória daquelas famílias não fosse a guerra tê-las interrompido abruptamente.
São famílias simples de agricultores, pescadores, marceneiros, até contrabandistas. Enfim, gentes que prezam valores como a honra, a amizade, a liberdade – e que Franco, com a ajuda dos nazis, quis riscar do mapa. Não conseguiu.

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Dave Boling
Guernica
Millbooks, 19,90€

Goodreads


Depois de tanto prometer, aqui está finalmente um post sobre o Goodreads, uma das redes sociais dedicadas a livros mais utilizadas no mundo. Lançado em Dezembro de 2006, estima-se que actualmente tenha cerca de 2,2 milhões de utilizadores espalhados pelo mundo e para cima de 52 milhões de livros adicionados.

Então mas afinal para que serve o Goodreads? Basicamente, trata-se de uma "estante virtual" que serve para mantermos o registo dos livros que lemos, dos que estamos a ler e dos que queremos/temos para ler no futuro. Serve também para vermos as opiniões dos outros utilizadores em relação a determinado livro. Tal como noutras redes sociais, também no Goodreads podemos adicionar "amigos" e estar assim a par do que eles vão lendo e das suas opiniões.

Como não se trata de um site nacional, nem sempre é possível encontrar listadas as edições portuguesas, mas todos os membros, desde que tenham o estatuto de librarian (de fácil obtenção), podem adicionar as edições portuguesas - digo-vos que isto pode tornar-se um verdadeiro vício!! Já existe uma quantidade considerável de livros em português no sistema e uma boa parte deles tem a indicação do nome do tradutor (uma boa alternativa à já costumeira falta de informação relativa a este aspecto por essa internet fora).

Resta-me dizer que existem outras redes do género, como o português Bookworms (não utilizo porque é obrigatório ter conta Sapo), o Librarything (tem a tal restrição de 200 livros até começar a ser pago), o Shelfari ou o aNobbi. De momento, utilizo o Goodreads e estou muito satisfeita com as possibilidades que oferece; podem ver o meu perfil aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Tratado Berakhot - Mishná

TRECHO:
Introdução
O Tratado Berakhot versa sobre as leis das benções e orações, iniciando com a questão da
recitação do Shemá. A recitação do Shemá é um dos mais importantes preceitos da Torá, e
deve ser realizada duas vezes ao dia (Devarim 6:7). O Shemá (Ouça) é a profissão de fé
judaica na unidade do Criador e constitui-se dos versículos de Devarim 6:4–9 (com a adição
de uma linha do Talmud, Pesachim 56a), Devarim 11:13–21 e Badmidbar 15:37–41. O nome
Shemá Yisrael vem das duas primeiras palavras de Devarim 6:4.
Esta mishná traz as diferentes visões sobre a recitação do Shemá à tarde, conforme o
sentido da interpretação do tempo estipulado em "ao deitar-se" (Devarim 6:7).

Questionário (XXIII)


O questionário de hoje foi respondido pela Livros2amao, que tem um blog de venda de livros em segunda mão (óptima oportunidade para comprar livros a um preço mais acessível), para além de ser uma ávida leitora e participante frequente no nosso fórum. Obrigado!

1 - Como surgiu a ideia de criares o teu blog?
Comecei a sentir falta de espaço para tantos livros e ao mesmo tempo queria adquirir novos, portanto surgiu a ideia de criar um blog e colocá-los à disposição de outras pessoas e ao mesmo tempo receber uns trocos para novas aquisições. Como não sou muito de reler livros, era um desperdício ter as prateleiras cheias, mas sem nenhuma utilidade. Agora guardo apenas aqueles que mais me marcaram ou que pretendo realmente vir a reler.

2 - És uma leitora rápida? Quantos livros lês, em média, por mês?
Não! O número de livros varia muito consoante a disposição e o tempo, mas, normalmente, anda à volta dos 2/3 livros por mês.

3 - Qual é o teu livro preferido de sempre e porquê?
“Sem-Abrigo”, de Manuel Rebelo. Além de ser um tema que me interessa particularmente, cheguei a utilizá-lo em 2 trabalhos e de tempos a tempos, volto a relê-lo. Não se trata de um livro académico, apenas relata a experiência do autor enquanto sem-abrigo numa fase da sua vida, mas que me toca de maneira especial.

4 - O que te leva a identificares-te com uma personagem/história?
Antes de mais tem de me parecer credível (mesmo que seja ficcionado, tem de ter uma boa estrutura) e depois quanto mais pormenores/detalhes forem similares à minha maneira de ser, maior se torna a identificação. Os temas abordados se forem do meu interesse também ajudam na identificação, mas ao mesmo tempo tornam-me mais exigente e as expectativas nem sempre são correspondidas.

5 - Género literário preferido e que livro recomendarias dentro do mesmo?
Romance, sem dúvida! É tão vasto este género, que dá para muitos tipos de enredos, temas abordados, etc. Gostei do “Ensaio Sobre a Cegueira”, Saramago e “A Estrada”, Cormac McCarthy.

6 - O que achas das adaptações cinematográficas de livros?
São raros os livros que tenha lido e tenha visto a sua adaptação ao cinema, portanto não tenho opinião formada.

7 - Qual é a tua opinião sobre os e-books?
Confesso que sou ignorante neste assunto.

8 - Tens alguma ideia sobre o que deveria ser feito para aumentar os índices de leitura em Portugal?
Com a quantidade de campanhas que tenho visto em relação aos livros (pelas diversas livrarias, editoras e hipermercados), aposto que o número de leitores esteja a aumentar. :)
Agora mais a sério, penso que passa um pouco pela desmistificação de que ler é só para alguns e que é algo muito erudito, pois há livros de todos os géneros para todo o tipo de pessoas. Neste aspecto a escola tem um papel crucial, dado que muitas vezes os pais não serão o melhor exemplo nesta matéria. No meu caso, além de ter estado sempre rodeada de livros em casa e ver, sobretudo a minha mãe, a ler com frequência, o facto de um professor no secundário ter proposto uma Biblioteca de Turma durante 2/3 anos lectivos e essas aulas a falar de livros tornarem-se mais descontraídas, cativou-me bastante e fomentou o meu gosto pela leitura.

9 - A leitura é uma paixão que nasce connosco ou está mais dependente de factores externos (muitos livros em casa desde a infância, etc.)?
Se nasce connosco, penso que não. Eventualmente haverá uma predisposição, pois 2 irmãos criados na mesma casa, não têm necessariamente de se tornarem em 2 leitores ávidos. Penso que as experiências que vamos tendo também nos vão moldando e os incentivos (ambiente, pessoas motivadoras, etc.) que vamos encontrando são determinantes.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Peregrino, de John Bunyan

TRECHO:
Um dos autores mais influentes do Século 17,
John Bunyan (1628 - 1688) foi um fenômeno
cultural singular cuja aparição na historia das
idéias cristãs possui um caráter surpreendente
se levarmos em conta quem Bunyan era e sua
historia de vida, o contexto histórico em que
vivia e o ambiente cultural e teológico ao qual
pertencia. Apesar de todas estas forças
adversas e contra qualquer expectativa,
Bunyan produziu uma obra literária, não só de
grande repercussão e influęncia no mundo
protestante como também de reconhecido valor
literário.
Sua obra - prima, O Peregrino, só perde para
a Bíblia em numero de exemplares vendidos e
influęncia nos círculos cristãos mais conservadores.
Todas as obras alegóricas de Bunyan, incluindo esta, já foram livros muitos populares nos
países de língua inglesa, notadamente na Escócia e nos Estados Unidos. Os tempos
mudaram, os gostos mudaram, as idéias mudaram, e os livros de Bunyan caíram no
esquecimento. Vale a pena, entretanto, ler estas antigas alegorias não só pela sua beleza
literária, reconhecida pelos críticos desde o movimento romântico, mas também pela
natureza edificante das idéias aqui presentes. Bunyan emociona e motiva, provoca a
reflexão e eleva o espírito humano é contemplação dos mistérios da fé cristã.