terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Livros que foram e podem voltar a ser prendas

Nesta época não se foge às prendas, às sugestões, às memórias de anos passados.
Por isso recordamos alguns livros que recebemos ou oferecemos no Natal. O convite estende-se a todos os que queiram partilhar uma memória. Podem fazê-lo enviando-nos um mail, que será publicado no blog.

Desde cedo que os livros fazem parte da minha lista de Natal. Em tempos idos, a minha lista era estrategicamente concebida de acordo com a da Mafalda, minha amiga de infância, de forma a que os nossos presentes nunca se repetissem e pelo contrário, se complementassem.
Quando entrámos na fase das colecções, escolhiamos os números dos livros que cada uma pedia. Lembro-me da colecção da Patrícia, acho que era da Verbo, que nós adorávamos. Apesar de serem livros de aventuras de um grupo de adolescentes, as descrições e a intriga era já um pouco mais complexa que a dos Cinco ou de Uma aventura. Depois de receber as prendas, quando me deitava, levava comigo vários livros e tentava explorá-los a todos, deliciava-me a escolher e nessa noite lia sempre muito pouco, de tal maneira era difícil e exigente optar entre a sinopse da contracapa, a ilustração, o início da narrativa, os capítulos...
Depois, logo no dia seguinte, dia de Natal, eu e a Mafalda actualizávamos a informação ao telefone, e o entusiasmo crescia até ao dia do reencontro... Entretanto, adiantávamos serviço, lendo cada uma o primeiro livro que escolhera. Para mais tarde partilhar.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

David Mourão Ferreira na Biblioteca Municipal de Sines


A Biblioteca Municipal de Sines dedica o mês de Dezembro à obra de David Mourão Ferreira. O programa inclui uma exposição biobibliográfica patente ao público desde o passado dia 6, uma conversa com uma especialista na poesia do autor, hoje pelas 21h30, um documentário (nos próximos dias 14 e 21), e uma leitura encenada, no dia 22. Mais informações aqui.
De realçar que as iniciativas acontecem todos os meses sob a mesma designação genérica, o que permite uma progressiva familiaridade por parte do público: Exposição; "Os livros em cima da mesa"; Documentário; "Leituras em voz alta". Assim, cada um (individualmente ou organizado em grupo) poderá atempadamente preparar a sua visita, de acordo com a iniciativa que melhor responde à sua curiosidade ou necessidade.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Visão de contexto, precisa-se

A propósito do debate que a denominada sociedade civil tem vindo a alimentar entre si e com o governo sobre as alterações no Ensino Superior, recomenda-se uma visita ao blog manchas, de Luís Mourão. Desde a véspera do 'Prós e Contras', e em confronto de ideias com Eduardo Pitta, Luís Mourão continua a bater-se por uma reflexão séria sobre a matéria, expondo argumentos, dando exemplos, evidenciando os paradoxos que resultam de propostas impensadas que não se sabe a quem servem, se é que servem alguém.
A minha sugestão pode parecer estranha aos princípios orientadores do bicho dos livros, mas 'isto anda tudo ligado', e estas ligações são mais sérias e profundas do que parecem. Grande parte dos problemas do ensino em Portugal, para além de derivarem de medidas políticas muitas vezes irreflectidas e até pouco sérias, são da responsabilidade dos professores. Não é a mesma responsabilidade que se lhes imputa quando o aluno tem más notas. É uma responsabilidade cívica, até corporativa, se assim alguns quiserem chamar. Como não concordo com o corporativismo, entendo-a como um princípio de integração no mundo.
Acontece-me com alguma frequência ouvir os professores de um determinado ciclo queixarem-se que os alunos que recebem vêm cada vez mais mal preparados. A culpa é do professor do ciclo anterior - é um argumento imediato que resolve em absoluto todas as questões. E não pensemos que isto acontece apenas por parte do secundário relativamente ao básico, ou do 2º ciclo para com o 1º. Enquanto aluna, também o ouvi na Faculdade. Pois bem; o que sabe um professor universitário acerca do programa do professor de 1º ciclo? Ou de 2º? Ou até do 3º? E inversamente, o que sabe um professor do 2º ciclo acerca do programa do professor universitário? Nada, porque cada professor universitário tem um programa próprio (reporto-me à área das ciências sociais e humanas). Não seria útil que todos soubessem genericamente o que os outros andam a fazer, para além das directrizes dos programas que supostamente o prevêem? Não seria útil que no secundário os alunos aprendessem noções de ritmo, prosódia e retórica nas aulas de português para que quando chegassem a uma qualquer faculdade de letras e fossem confrontados com um professor que dá este conhecimento como adquirido, não ficassem para sempre coxos na análise de um texto literário? Ou, inversamente, se um professor universitário de literatura ou estudos literários o soubesse, poderia partir de um grau zero nesta matéria.
Outro caso: o inglês, como promessa eleitoral, está a ser inserido no curriculum do 1º ciclo, embora com carácter facultativo, já que nem todas as escolas têm condições para disponibilizar esta disciplina. O que pode fazer um professor do 5º ano, quando na mesma turma tem alunos que dominam a língua no seu nível mais básico e outros para quem a mesma é uma completa novidade?
Há uma tradição hierárquica no ensino que tem vindo a ser ameaçada com o progressivo aumento da escolaridade obrigatória e a diversidade de opções que se apresentam no ensino superior (nomeadamente com os Institutos Politécnicos): a escala de importância do docente.
O educador de infância estava na base da pirâmide, onde não tinha sequer estatuto de professor. Seguia-se o professor primário (que todos consideram basilar na formação para o futuro da criança!), depois os professores de 2º ciclo, 3º, secundário, e então os do ensino superior. Quando as escolas secundárias estavam separadas do ciclo, os professores mais antigos, que tinham o poder de fazer horários e turmas, escolhiam para si as turmas do antigo complementar, porque os alunos eram mais maduros. Nem todos o faziam, é certo. Hoje, que o 2º e 3º ciclo estão na maioria dos casos no mesmo espaço, há professores do mesmo grupo (português, por exemplo) que não trabalham juntos, mantendo a divisão entre 2º e 3º ciclos.
E os professores das antigas universidades vêem agora chegada a sua hora, depois de terem asistido placidamente ao descontentamento dos colegas dos outros níveis de ensino. É o efeito da democracia, felizmente. Infelizmente, neste caso, o dever democrático de participação e solidariedade não se fez sentir, e todos sofrem os efeitos da sua própria indiferença e desinformação.
Os textos de Luís Mourão são, por isso, uma pedrada no charco. São fruto não só de um interesse próprio em defesa da profissão de docente universitário, como de um sentido de responsabilidade. Não está sozinho. No dia-a-dia, encontramos professores empenhados, dedicados, atentos. Anónimos. Que lutam contra os poderes e as ideias instituídas. Honra lhes seja feita, sempre. Mas são poucos, ainda.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Livros 24 Horas por dia

Começou hoje a funcionar na Batalha um sistema inovador de empréstimo de livros que permite o acesso à leitura a qualquer hora do dia. Trata-se do Biblio Clube, uma máquina localizada junto ao posto de turismo da vila que "fornece" livros aos utilizadores que possuam um cartão anteriormente solicitado na Biblioteca Municipal. O utilizador dispõe então de dez dias para ler o livro e voltar a devolvê-lo à máquina.
O catálogo disponível apresenta 170 títulos de diversas áreas temáticas e pode ser consultada uma pequena sinopse de cada obra.
O design da máquina resultou de uma parceria com o Centro Português de Design.
Esta experiência permite colmatar as dificuldades de horários que alguns utentes da Biblioteca encontram e torna mais visível a oferta de leitura no espaço urbano.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Nuvem alta - II

Recebi hoje um email da prof. Manuela Caeiro. Em resposta à minha curiosidade acerca do funcionamento do blog que criou com o seu 5º7ª, a Manuela apresentou-me o projecto, com aquela infinita disponibilidade. Agardeço a partilha e espero que possa ser mais uma proposta para outros professores.
Aqui fica o texto.
«Reflexões de uma professora.... de Português

Ensinar é uma missão complicada... Porque não basta ensinar: é preciso que cada aluno queira aprender!...
Ora, em Português, esse objectivo pode tornar-se particularmente difícil de alcançar!... Porque temos de levar cada aluno a empenhar-se em ler e escrever, sobretudo se ele revela grandes dificuldades, sabendo nós que, portanto, o seu esforço terá de ser muito maior... e a sua vontade será, à partida, mais difícil de mobilizar...
Há que encontrar soluções para motivar estes alunos... E, do mesmo modo, há que encontrar formas de não deixar desmotivar todos os outros que têm essas competências já mais desenvolvidas e que devem ir mais além...
Percebe-se, pois, que gerir o trabalho numa sala de aula - onde estão mais de duas dezenas de crianças, onde cada um é tão diferente de todos os outros, onde as necessidades e interesses são muito variados, onde as atitudes face à aprendizagem são tão diversas... - é mesmo uma missão complicada...
Mas também não pode ser considerada “missão impossível”... e muito menos fazer-nos desistir!
É assim que, ao longo dos anos, tenho procurado traçar projectos, com os meus alunos, que os mobilizem para trabalhar: fundamentalmente, ler e escrever, tentando dar visibilidade às suas produções...
Fazer jornais impressos tem sido uma constante... Eles pesquisam e divulgam notícias, fazem entrevistas, reportagens, seleccionam ou criam passatempos, falam de filmes ou livros... A qualidade do trabalho varia de acordo com os “jornalistas” de cada turma, em cada ano... Mas o objectivo cumpre-se, a cada edição...
Há dificuldades... e insucessos...
(Haveria sempre!...)
Este ano resolvi fugir às dificuldades da impressão, da venda do jornal, da contabilidade... Perdemos assim uma boa oportunidade de doar a verba conseguida a uma instituição de solidariedade social ou de a destinar a uma visita de estudo... Em compensação, preservamos o Ambiente, poupando papel...
Mas, sobretudo, procurei criar um novo projecto...
Estamos na era da blogosfera. Sei de crianças de dez anos que já têm os seus próprios blogues...
Assim me surgiu a ideia de criar um blogue para a turma. Um sonho..., uma “Nuvem-alta”...
Eu sirvo-me regularmente dos computadores, mas... não sou particularmente hábil no seu uso. Nunca me tinha aventurado nesta área... Quis experimentar. Socorri-me da boa vontade e apoio de uma colega jovem, de passagem pela escola... numa substituição... a Elsa Neves.
Esta iniciativa foi acarinhada pelo meu 5º7ª...
...uma turma complicada... com meninos dos 9 aos 15 anos... alguns que ainda soletram... outros que dão, à vontade, três erros por palavra...
Os trabalhos publicados são (e serão sempre) todos da turma.
Até agora, uns foram feitos em casa. (Cada aluno, em Língua Portuguesa, tem de respeitar um Contrato de Trabalho Individual e deve apresentar, regularmente, um portfolio, o que facilita a selecção de trabalhos, quer pelo professor quer pelos colegas. Mas isto ainda não foi bem assimilado... e os portfolios começam a aparecer, paulatinamente...)
A maioria dos trabalhos foi feita em Oficina da Palavra: uma área não curricular, que é oferta de escola, leccionada pelo professor de Língua Portuguesa de cada turma. (Apenas 45m por semana...)
Um dos trabalhos editados foi escrito em Estudo Acompanhado... que eu também lecciono.
No futuro, poderemos divulgar trabalhos feitos em outras disciplinas ou áreas disciplinares. Porque agora o nosso blogue já tomou forma e foi divulgado ao Conselho de Turma.
À sexta-feira, a seguir a Oficina da Palavra, aí vamos nós para a biblioteca escolar, publicar os trabalhos escolhidos... Geralmente, vão os autores, todos orgulhosos, e um pequeno grupo de colaboradores que se está a tornar habitual. A minha presença é garantida: serve para coordenar e dar apoio.
Fazendo um balanço desta curta experiência, é inegável que tem sido grande o entusiasmo... de quem vê um trabalho seu escolhido para ser publicado... na Internet! E também é grande o entusiasmo de quem vai à biblioteca colaborar na sua edição, na escolha de uma imagem para esse texto... e que vê, em primeiro lugar, o blogue a crescer... com “novo visual”...
Incluindo eu...
Não é o “ovo de Colombo”...
Não resolverá todos os problemas desta turma... nem todos os meus problemas com esta mesma turma... Mas tenho gostado muito desta nossa experiência!

Acrescento que outros blogues estão a ser criados na minha escola. Indo à nossa página, ao
www.eb23-cmdt-conceicao-silva.rcts.pt, encontra-se uma secção, “A Palavra aos Alunos”, onde é dada voz aos jovens... Daí, há uma ligação para o blogue do 5º7ª... e para outras iniciativas. Nesta tarefa da construção da página WEB, e da nossa Sala de Estudo Virtual, há que destacar a colaboração da colega Isabel Ferreira.
Alunos... e professores... não param...
E, como dizia António Gedeão, “o sonho comanda a vida”...»

Maria Manuela Martins Caeiro
Professora de Língua Portuguesa
do 2º Ciclo
na E.B 2.3 Comandante Conceição e Silva,
Cova da Piedade,
Almada

domingo, 3 de dezembro de 2006

Feira do Livro de Autor

A Biblioteca Municipal da Amadora acolhe, desde ontem, uma Feira do Livro de Autor, onde todos aqueles que alguma vez escreveram e publicaram um livro podem participar. Aqui, à margem do mercado editorial, podem ser folheados outros livros, outras capas, outras propostas de leitura e composição gráfica, de acordo com as possibilidades e os desejos de cada um. A Feira não tem como principal propósito a venda mas a exposição. Está aberta das 9h às 19h, até dia 16.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Experiências em Albufeira


Mais livros imaginários...

O meu livro chama-se ATA.
Quando o leio, o sabor entra pela boca dentro. Tira-me a constipação ou gripe e faz-me cheirar o cheiro do meu livro. O meu livro conta-me a história quando não quero ler, faz-me sentir feliz quando estou em baixo. O meu livro deita um holograma, com o texto e imagens, em forma de planta e da família. Muda de tema de acordo com o que eu quero.
Alexandre Dias, 6º A
O meu livro chama-se Os cinco sentidos
O meu livro parece um gato com uma flor. Ao tocar nele sinto o pêlo dum gato e as penas de uma ave. Eu oiço o meu livro a contar histórias e anedotas. O livro sabe a morango e cerejas. O livro também cheira a gelado de morango e a bolo de bolacha.
Michaela Uscata, 6º A
O meu livro chama-se "Uma aventura em Viagem"
O meu livro come todos os dias uvas e ameixas para ficar com a capa roxa, depois põe perfume e toma banho na água salgada da Escócia. Ele gosta de cantar e rir, quando toco nele sinto tremer, e que está quente. Às vezes parece um monstro simpático e quando o levo numa viagem ele toma a forma de um castelo.
Rui Gonçalves, 6º A
O meu livro chama-se Saltibrinca
Ele sabe a amora no Inverno e na Primavera e a laranja no Verão e no Outono. Oiço o meu livro a cantar e a rir. Ele canta de dia e ri-se de noite. O meu livro parece risonho e brincalhão. Ele é risonho quando eu conto anedotas e brinca comigo quando estou triste. E cheira a gasolina e a frango. Quando anda em algum transporte cheira a gasolina e quando estamos a almoçar ou a jantar cheira a frango.
Vitor Almeida, 6º A