segunda-feira, 5 de maio de 2008

Os Símbolos do Reiki e Seus Ensinamentos Morais, de Adilson Marques

Introdução
Entre as diferentes técnicas de fluidoterapia (passe espírita, cura prânica, cromoterapia mental etc.), o REIKI é uma das mais fáceis de ser praticada e, ao mesmo tempo, uma das que mais mistificações possui em seu ensinamento e difusão. Provavelmente, tais mistificações decorrem da mercantilização da técnica pela indústria espiritual “Nova Era”, ávida por novidades “esotéricas” que podem se transformar em dinheiro fácil.
O REIKI é o método que menos esforço mental exige do terapeuta. Basta um comando mental e o desenho de um símbolo gráfico para que a energia do terapeuta seja encaminhada para o organismo energético de um enfermo, apesar de muitos acreditarem que estão “canalizando a energia cósmica”.
Na cura prânica, por exemplo, o terapeuta deve mentalizar a energia sendo produzida em um de seus chakras, de acordo com a variação eletromagnética que o terapeuta pretende enviar. Durante o trabalho ele deve se manter concentrado e com o pensamento elevado nesse processo. Por sua vez, na Cromoterapia Mental, o praticante deve se concentrar e mentalizar a cor da energia que ele pretende enviar ao enfermo.
No REIKI o processo é muito mais inconsciente, intermediado pelo símbolo. Talvez, por isso, acredita-se que a energia enviada ao enfermo apenas atravessa o terapeuta. Em outras palavras, que sua própria energia não seja disponibilizada no tratamento. Daí acreditar-se que o terapeuta pode fumar, abusar do álcool, etc. Por não se concentrar, existe a falsa impressão de que o terapeuta não se cansa, uma vez que, uma pessoa concentrada por vinte minutos emite uma quantidade e qualidade fluídica similar a de uma pessoa que fica por duas horas “enviando” energia sem se concentrar no que está fazendo, assistindo TV ou conversando. Obviamente, a primeira sentirá algum cansaço enquanto a segunda estará “disposta” após a sessão.
Podemos perceber, portanto, que do ponto de vista da exigência de uma qualidade mental do terapeuta, o REIKI é a terapia menos exigente. Nas demais terapias citadas acima, o terapeuta precisa ter um aprimoramento e um controle mental mais rigoroso. Talvez, por isso mesmo, alguns mestres de REIKI exageram e chegam a difundir que é
possível enviar energia vendo TV, fumando, na mesa de um bar etc. Porém, caro leitor, NUNCA leve em consideração tais informações banalizadas por revistas e livros comerciais.
O REIKI é, sem dúvida, um caminho democrático para quem deseja servir de forma desinteressada e tem boa vontade. Seria como o Espiritismo que, no século XIX, democratizou o acesso de qualquer um aos ensinamentos antes restritos as confrarias iniciáticas e que exigiam um aprimoramento mental e moral já elevado de seus discípulos.
Porém, o verdadeiro reikiniano1 não deve parar por aí. Deve, no início, usar os símbolos como uma “muleta” enquanto busca se aprimorar mental e moralmente, sobretudo através de sua própria reforma íntima. Aumentando seu padrão vibratório através da mudança de atitudes, abandonando pensamentos e sentimentos negativos o reikiniano conseguirá abandonar a dependência dos símbolos e passará a utilizar apenas sua mente para manipular sua energia eletromagnética, projetando cores (como na cromoterapia mental) ou de forma mais abstrata, como na cura prânica.
É importante sempre lembrar que a energia que enviamos ao enfermo não é a energia cósmica. Mas uma energia derivada dela, a nossa energia vital ou “energia zôo”. Portanto, para que seja uma energia de qualidade é preciso tomar certos cuidados que não é demais repetir: mudar nossos padrões de pensamento, atitudes e sentimentos; abandonar os vícios como o fumo e o álcool e, gradativamente, substituir a alimentação carnívora pela vegetariana, além de abandonar práticas promíscuas e manter uma vida sexual regrada.
Assim, o REIKI pode ser considerado um caminho seguro ou uma etapa inicial para todos que desejam se aprimorar espiritualmente, nosso verdadeiro objetivo aqui na Terra. Pois, para praticá-lo, basta, inicialmente, ter boa vontade. Aqueles que o encaram como Fim ou como profissão, infelizmente perdem uma chance importante de saldar compromissos do passado, além de manter a mente limitada às “muletas” que são os símbolos, deixando de lado o que é mais importante: os ensinamentos morais que acompanham cada um deles.
1 Utilizamos alternadamente o termo reikiano e reikiniano para distinguir aquele que usa o Reiki como profissão e aquele que o utiliza como missão espiritual, respectivamente.
Muitos neófitos e espíritos nos degraus mais baixos da cadeia evolutiva possuem, naturalmente, uma dificuldade para mentalizar o “abstrato”. Assim, no REIKI, como em tantas outras práticas orientais, utiliza-se símbolos como catalisadores. Eles servem para facilitar e orientar a emissão de pensamento e, portanto, de energia. Em suma, eles são como os objetos ritualísticos ou os pontos riscados2 utilizados em outras práticas espiritualistas. Porém, para que um tratamento com REIKI seja eficiente e sem contra-indicações, exige-se do praticante 10 % de conhecimento (símbolos e posições) e 90% de Amor e Vontade de servir.
Para um leitor desavisado e envolvido pelas publicações mercadológicas sobre o REIKI, a impressão que se tem é que estamos diante do supra-sumo da espiritualidade, da “terapia do novo milênio” etc. Na verdade, o REIKI é, tão somente, o primeiro passo rumo a Deus de mais um Ser resgatado das trevas...
É importante aprender a manipular a energia através dos símbolos, mas, é muito mais necessário colocar em prática os ensinamentos morais que os acompanham. Quando tais conhecimentos forem vividos diariamente ou estiverem interiorizados em nós, os símbolos não serão mais necessários.
Na Antigüidade oriental, os livros eram escritos em folhas de palma. Os antigos yogues e outros mestres orientais utilizavam-se, então, de um recurso mnemotécnico para transmitir os seus ensinamentos. Daí o surgimento dos símbolos ou yantras, em sânscrito. Estes, juntamente com alguns rituais, ajudavam a fomentar a devoção e a infundir a sabedoria espiritual nos discípulos. Estes desenhos eram simples instrumentos para que os discípulos tivessem condições de recordar e recapitular toda a psicosofia (sabedoria espiritual) apreendida. Eles funcionavam como notas de aula.
Assim, cada um dos símbolos do REIKI está relacionado a um aprendizado espiritual que se sustenta sobre um tripé: Amor, Pensamento e Ação. Cada um dos símbolos nos apresenta um ensinamento moral que, ao ser praticado, expande o respectivo chakra ao qual está associado.
2 Roger Feraudy, em seu estudo profundo sobre a Umbanda (Umbanda, essa desconhecida...), afirma que os pontos riscados devem ser acompanhados pela vontade e pelo comando mental que orienta a energia (a quem é dirigida, sua qualidade e intensidade). Sem estas “chaves” (vontade, sabedoria e ação) “estas figuras geométricas não produzirão resultado algum”. O mesmo acontece com os símbolos do REIKI.
Qualquer ritual, independente dos objetos utilizados ou formas, é sempre acompanhado pela ação mental, seja através de preces ou de mentalizações do praticante, pois é ela que aglutinará o prâna, a energia necessária para que se alcance o objetivo desejado. Lembrando sempre que, para se ter proteção da espiritualidade superior, tais pedidos devem ser sempre de ordem espiritual ou para fins que não visem a interesses materiais. Quem afirma que para se enviar REIKI não é necessário preces, mentalizações, Fé etc. e, além disso, cobra pelo atendimento, corre sérios riscos de estar se envolvendo com consciências desencarnadas perversas. Mas cada um decide o que quer colher, de acordo com o que semeia.
O REIKI, originalmente, seria um “programa” de Animagogia (Educação Espiritual) e não necessariamente uma Terapia. Mas, como a verdadeira cura é espiritual, quando modificamos nossa essência, estamos também nos autocurando e, quem sabe, deixando de necessitar de outras encarnações sobre a Terra.
No decorrer deste livro, apresentaremos o significado moral de cada um dos símbolos, o chakra relacionado e também os dois símbolos pouco difundidos no Ocidente, relacionados aos chakras frontal e coronário.
Mas é preciso ter em mente que não é preciso saber os símbolos ou ser sintonizado por um mestre para você enviar bons fluidos, basta ser uma pessoa de puros pensamentos e desejar beneficiar, desinteressadamente, o próximo. A vontade é o que produz a emissão de fluidos e não os símbolos. Estes favorecem a imaginação do terapeuta/magnetizador, aumentando sua crença e capacidade de concentração. Não podemos nos esquecer que o dínamo, ou o gerador de toda energia curativa é o nosso corpo mental. Mas é muito fácil descambar para práticas “negativas”, pois o uso indevido dessa energia adormecida na maioria das pessoas é extremamente perigosa. Podemos dizer que usar o REIKI é como caminhar sobre o fio de uma navalha. Daí, todo cuidado é pouco.
No capítulo seguinte discorreremos sobre a importância da mente e do pensamento elevado, necessários para salvaguardar nosso aprimoramento espiritual, evitando os atalhos que podem nos levar ao precipício.

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