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segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Fantástica Aventura dos Anões da Luz - Em Busca de Sulti

Autor: Catarina Coelho
Editor: Chiado Editora
Páginas: 139
ISBN: 9789898222015

Sinopse
Esta é a história de uma comunidade de anões, os Anões da Luz, que possui uma magia muito poderosa (a qual eles não sabem utilizar a não ser para fazer o bem), e vive em harmonia, na sua aldeia, longe de todo o mal e sem ter sequer a verdadeira consciência de que, fora da sua comunidade, há seres muito diferentes deles, seres capazes de fazer o mal para atingir os seus fins. O responsável pela poderosa magia deste grupo de anões é Sulti, o feiticeiro da comunidade, sem a presença do qual a magia não funciona. Um dia, a aldeia dos Anões da Luz é invadida por um grupo de homens, que querem raptar o feiticeiro, para assim obter a magia dos anões e o poder que esta confere. Os anões tentam defender-se usando a magia, mas, perante a assustadora visão das armas e do que estas são capazes de fazer (os anões não faziam ideia de que existiam tais objectos), o feiticeiro não consegue pôr em prática a sua magia e acaba por ser raptado pelos homens. É assim que um grupo de anões decide deixar os restantes habitantes da comunidade e partir numa perigosa viagem...

Opinião
A última Feira do Livro de Lisboa foi o palco escolhido para o 1.º encontro do nosso fórum, que serviu de mote à comemoração do seu 1.º aniversário e de pretexto para podermos finalmente encontrar-nos e trocar ideias pessoalmente. Infelizmente, escolhemos o único dia da Feira em que choveu (que pontaria...), mas isso não impediu que tivéssemos passado um bom bocado juntos, no meio dos nossos queridos livros. Um dos membros do fórum que compareceu ao nosso encontro foi a Catarina Coelho, autora do livro de que vos vou falar hoje, e uma pessoa super simpática, que levou um exemplar para cada um de nós, originando uma sessão de autógrafos espontânea e improvisada (mas bastante mais atenciosa que muitas das oficiais que por lá decorreram).

Este livro, que tem um público-alvo juvenil mas que pode ser lido por todos, conta a história de uma comunidade de anões envolta em magia, que se vê subitamente sem o seu líder e mentor, Sulti, que é raptado por homens sedentos do poder que podem alcançar através da sua magia. Depois do rapto, um conjunto desses anões decide partir em busca de Sulti, enfrentando pelo caminho diversos perigos, criaturas mágicas e amigos nos sítios mais inesperados.

O livro está escrito num tom muito cuidado e carinhoso e, apesar de ser notória a inspiração em autores como Tolkien, por exemplo, a Catarina consegue criar o seu próprio mundo e descrevê-lo com a sua própria voz. É daqueles livros que apetece abrir e ler a uma criança todas as noites, antes de dormir. Apesar de ter gostado deste livro, confesso que fiquei muito curiosa por saber como a Catarina se irá sair num livro de fantasia mais adulto (fico à espera!).

Uma nota final: a participação na comunidade literária da blogoesfera (e mesmo fora dela) tem-me permitido tomar conhecimento de vários escritores portugueses que lutam pelo seu lugar ao sol, e muitos deles não chegam sequer a conseguir publicar um livro em seu nome. Tendo isso em atenção, não deixa de ser irónico ver artigos como este e perceber que há editoras que apostam em publicar autores não pela sua qualidade literária, mas pelo potencial sucesso de vendas que o seu mediatismo gera. Nada contra, até porque as editoras são empresas e precisam de sobreviver, mas fica a questão: não existirá espaço para todos? Aqui deixo a minha solidariedade e incentivo para quem sonha publicar um livro e tem talento para tal.

7/10 - Bom

[Livro n.º 42 do meu Desafio de Leitura]

Fantástica Aventura dos Anões da Lua (A) – Catarina Coelho



Uma vez mais confesso que o género fantasia não é, de todo, o meu género predilecto, nem sequer é um género que procure ler. E digo mais, geralmente só pelo facto de o livro ser de fantasia, é o bastante para não lhe tocar.

Este “A Fantástica Aventura dos Anões da Lua” foi-me simpaticamente oferecido pela sua autora, ilustre Membro do Fórum “Estante de Livros”, fórum onde orgulhosamente participo.

Posto isto, por respeito e consideração à autora, empreendi a leitura do livro com toda a boa vontade, tentando, dessa forma, apreciar a leitura, a escrita e, sem simultâneo, efectuar a análise da obra.

Era uma vez uma comunidade de anões que viviam em harmonia. Desconhecendo o mundo que os rodeava, essa comunidade vivia num micro mundo que foi violentamente invadido por alguns homens com o sentido de raptarem o feiticeiro da comunidade a fim de obterem a magia dos anões.

Aterrados por tal ataque e, sobretudo, pela visão de estranhos objectos que tinham o poder de magoar (armas), os anões nem se defendem, deixando assim o seu feiticeiro ser sequestrado.

Decidem então nomear um conjunto de anões a fim de libertar o seu feiticeiro, iniciando-se uma perigosa viagem que os irá colocar frente a curiosos e grotescos seres, assim como, por situações radicais.

Na minha opinião, são claras as semelhanças e influências, ao longo de todo o livro, de alguns autores que conheço: A viagem e até a comunidade fez-me recordar a saga do “Senhor dos Anéis” e, muitos factos, “Harry Potter”. No entanto, à parte dessas influências, este livro é nitidamente uma obra de índole juvenil, pois é mais um género de conto de fadas, cheio de seres fantásticos.

A eterna luta entre o bem e o mal, a suprema certeza ou, diria, a insistência em demonstrar aspectos morais acerca da verdade, da amizade, companheirismo, coragem e amor. Tudo isso é perceptível, penso mesmo que a intenção da autora foi essa, demonstrar ao seu público alvo que, mesmo diante do mal, das dificuldades, há sempre lugar para valores éticos e morais onde, obviamente, o bem acaba por vencer.

Algo de muito positivo que destaco é o mundo criado pela Catarina. Quase de raiz. A maior parte dos seres, a alimentação e até alguma linguagem (expressões). Aí o trabalho criativo é excelente.

Como aspectos negativos, sobressaem os monstros. Corpo de Urso, Cabeça de Crocodilo e Cauda de Escorpião… e ainda por cima com o cérebro de um dos anões… enfim, pode ser que os amantes do género apreciem, mas eu não consigo visualizar semelhantes monstros, não lhes consigo dar credibilidade. Outro aspecto é a escrita por vezes ingénua, um pouco superficial, parecendo preocupada em explicar, á luz das nossas expressões e cultura, o significado de expressões criadas. Compreendo essa escrita face ao publico a quem se destina, no entanto não deixa de ser estranho.

Em suma, este é um livro destinado a um público juvenil, mas que se lê bem, porém admito que os amantes do género fantástico possam apreciá-lo melhor do que eu, pois, uma vez mais, não é sequer um género que leie amiúdas vezes, razão pela qual, também, atribuo uma nota de apenas Razoável.

Classificação: 3