Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Thomas Mann - Mário e o Mágico

Thomas Mann - Mário e o MágicoTítulo: MÁRIO E O MÁGICO
Autor: Thomas Mann
Gênero: Contos
Editora: Ed. Artenova

O personagem retratado em "Mário e o Mágico" é um inquietante hipnotizador de feira. Ele exerce sobre seu peque­no público um poder comparável ao dos ditadores sobre as massas. Esta novela que narra as férias de uma família à Itália de Mussolini, parecia ser uma sátira ao fascismo. Entretanto, ela é sobretudo uma interrogação sobre a natureza da vontade e sobre os limites da liberdade individual.

Livro preparado pela Denize

sábado, 30 de agosto de 2008

Fábula de La Fontaine - Jean de La Fontaine


Jean de La Fontaine nasceu em Château-Thierry, França, em 1621. Estudante de Teologia e Direito, depressa se apercebe que a sua vocação não estava direccionada para nenhum daqueles cursos, pelo que e após ter andado pelos negócios paterno, acabou por se dedicar às artes literárias, estreando-se como autor dramaturgo em 1654 com a comédia “L’Eunuque”.

Amigo pessoal de grande vultos da cultura francesa como Moliére e Racine, La Fontaine acaba por conseguir a protecção de Fouquet, poderoso ministro de Luís XIV (Rei Sol). No entanto, e desconhecem-se as razões, acaba por cair em desgraça alguns anos depois, sendo mesmo preso pelos mosqueteiros que tinham a capitaneá-los um tal de D’Artagnan, pelo menos é o que consta na História.

Mas tirando a sua vida pessoal que muito ainda tem para referir, La Fontaine ganhou notoriedade no seu tempo e fama para a posteridade devido às fábulas que escreveu.

Os primeiro livros de fábulas surgem em 1668 inspiradas nos textos de Esopo e Fedro, pois as fábulas remontam à antiguidade grega e até indiana, e é um tipo de narrativa alegórica em verso – ou quase sempre – que põe em evidência certas características humanas, tais como a vaidade, a arrogância, a ganância, a violência, o egoísmo, hipocrisia, etc. assim, as fábulas “pegando” nessas tais características, dão-nos uma lição moral muito simples mas cheia de significado.

E La Fontaine teve a inteligência e o bom senso de as introduzir na literatura ocidental, adaptando alguns contos populares franceses e situações correntes, ele adaptou de uma forma crítica, não raras vezes irónica mas sempre de uma forma inteligente e irreverente, irreverência essa que, curiosamente, lhe valeu o apreço de todas as classes sociais e que ainda hoje são dignas desses apreço. E é curioso analisar-se o porquê desse apreço.

Independentemente de existirem muitas outras informações, entre as quais, e é importante referir, as primeiras fábulas são escritas propositadamente para o Delfim e para as restantes crianças da côrte, La Fontaine serviu-se sempre dos animais para mostrar aos Homens a imagem da virtude, da tolice e outros “vícios” ridículos, assim como vários aspectos da própria sociedade francesa da altura, pois é facilmente perceptível algumas denúncias às misérias e abissais injustiças que pululavam na época.

Mas La Fontaine escreveu muitas fábulas. Algumas delas são bem conhecidas e ainda hoje ocupam um lugar muito especial no imaginário Humano, não apenas pela mensagem moral, como também porque facilmente as podemos empregar no nosso dia-a-dia.: ”O lobo e a raposa”; “A galinha dos ovos de ouro”; “A cigarra e a formiga”; “O leão e o rato”; “A água e a coruja”; “A rã invejosa”; “A vendedora de leite”, entre tantas outras.

Verdadeiro manancial educativo, as Fábulas de La Fontaine, que inclusivamente chegaram a ser traduzidas por Bocage, representam uma forma de sabedoria e conhecimento principalmente para os mais novos que, através de um universo aparentemente idílico, começam a conhecer o mundo e a pérfida natureza humana.

Em todas as suas fábulas podemos tirar conclusões e descobrir o que cada animal representa e o que significa cada acção e cada lógica.

É uma obra que recomendo a todos, principalmente que tiver filhos(as), sobrinhos(as), irmãos, irmãs, netos ou netas, pois assim e de uma forma simples e fácil, as crianças poderão ganhar consciência do mundo e da civilização.”

CITAÇÕES DE LA FONTAINE

”a avareza perde tudo ao pretender tudo ganhar”. “Arriscamo-nos a perder tudo quando queremos ganhar demais”.

“Quem julga caçar é caçado”.

“É um prazer dobrado enganar quem engana”.

“Paciência e tempo dão mais resultado do que força e raiva”.

“Correr não adianta. É preciso partir a tempo”.

“Todo o adulador vive à custa de quem o escuta”.

“Não julguem ninguém apenas pelas aparências”.

Umas das grandes obras literárias de sempre.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll


Considerado como uma obra prima da literatura universal, esta obra, escrita por Lweis Carroll, pseudónimo do diácono da igreja angelicana, Charles Lutwidge Dodgson, é um aglomerado imenso de jogos de palavras e linguagem inventiva que recriam um mundo fantasioso e absurdo, situações e aspectos da época vitoriana difíceis hoje em dia de entender e analisar em toda a sua plenitude, pois os significados, as metáforas e analogias são aparentemente tantas que tornam esta obra complicada de ser analisada.

Sabe-se que Carroll quando escreveu “Alice no País das Maravilhas”, o fez com a intenção de ser uma obra de facto dirigida às crianças e em homenagem a Alice Liddell, filha de um amigo. Curioso constatar ser Carroll um muito provável pedófilo, pois sabe-se que adorava fotografar crianças, além de as desenhar nuas cm o consentimento dos pais. É um comportamento bizarro, assim como bizarro é o mundo criado por ele em homenagens a Alice Liddell.

Alice vê passar por si um coelho branco a falar. Segue-o, acabando por entrar numa toca onde cai no vazio, surgindo então numa sala. Começa aí a aventura de Alice no País das Maravilhas onde, para além de várias situações absurdas, conhece personagens bizarras e estranhas.

É claro que Lewis pretendeu criar uma gigantesca metáfora ao mundo dos adultos. Ao mesmo tempo são várias as analogias à infância e sobretudo à fase da adolescência. Por outro lado é claro também a similaridade que existe em algumas personagens com figuras públicas da época vitoriana.

É uma obra com uma forte simbologia. Grande parte dessa simbologia escapou-me claramente, pois é perceptível que o absurdo das situações e das personagens tem algum significado mas, honestamente, desconheço.

Era uma obra que tinha curiosidade em ler, mas que admito, não gostei dada a pouca coerência e irracionalidade que a invadem. Não lhe retiro minimamente o mérito e a importância que teve e tem na literatura, mas enfim, não retirei prazer na leitura nem me ensinou nada de especial.

domingo, 29 de junho de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Robert Louis Stevenson - Onde Passar a Noite? (conto)


Título: ONDE PASSAR A NOITE? (Conto)
Autor: Robert Louis Stevenson
Gênero: Conto

Foi há muito tempo, em Novembro de 1456. A neve caía sobre Paris com uma rigorosa e implacável persistência; de onde em onde o vento fazia uma sortida e derramava-a em vertiginosos remoinhos; depois voltava uma trégua e os flocos punham-se a cair uns atrás dos outros no negrume da noite, silenciosos, tortuosos, intermináveis. Os pobres que contemplavam a neve, olhando-a por debaixo das sobrancelhas humedecidas, pareciam perguntar-se a si mesmos de onde é que tudo aquilo viria...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A menina de lá


ROSA, Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.



A menina de lá


Sua
casa ficava para trás da serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.

Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – "Ninguém entende muita coisa que ela fala..." dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: – "Ele xurugou?" – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: – "Tatu não vê a lua..." – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida.

Em geral, porém Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – "Nhinhinha, que é que você está fazendo?" – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: – "Eu... to-u... fa-a-zendo". Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha?

Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: – "Menino pidão... Menino pidão..." Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: – "Menina grande... Menina grande..." Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: – "Deixa... Deixa..." – suasibilíssinia, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, bater-lhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraçada espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim.

Conversávamos, agora. Ela apreciava o casacão da noite – "Cheiinhas!" – olhava as estrelas, deléveis, sobre-humanas. Chamava-as de "estrelinhas pia-pia". Repetia: – "Tudo nascendo!" – essa sua exclamação dileta, em muitas ocasiões, com o deferir de um sorriso. E o ar. Dizia que o ar estava com cheiro de lembrança – "A gente não vê quando o vento se acaba..." Estava no quintal, vestidinha de amarelo. O que falava, às vezes era comum, a gente é que ouvia exagerado: – "Alturas de urubuir..." Não, dissera só: – "... altura de urubu não ir". O dedinho chegava quase no céu. Lembrou-se de: – "Jabuticaba de vem-me-ver..." Suspirava depois: – "Eu quero ir para lá". Aonde? – "Não sei." Aí, observou: – "O passarinho desapareceu de cantar..." De fato, o passarinho tinha estado cantando, e, no escorregar do tempo, eu pensava que não estivesse ouvindo; agora, ele se interrompera. Eu disse: – "A Avezinha". De por diante, Nhinhinha passou a chamar o sabiá de "Senhora Vizinha..." E tinha respostas mais longas: – "Eeu? Tou fazendo saudade." Outra hora, falava-se de parentes já mortos, ela riu: – "Vou visitar eles..." Ralhei, dei conselhos, disse que ela estava com a lua. Olhou-me, zombaz, seus olhos muito perspectivos: – "Ele te xurugou?" Nunca mais vi Nhinhinha.

Sei, porém, que foi por aí que ela começou a fazer milagres.

Nem Mãe nem Pai acharam logo a maravilha, repentina. Mas Tiantônia. Parece que foi de manhã. Nhinhinha, só, sentada olhando o nada diante das pessoas: - "Eu queria o sapo vir aqui." Se bem a ouviram, pensaram fosse um patranhar, o de seus disparates, de sempre. Tiantônia, por vezo, acenou-lhe com o dedo. Mas, aí, reto, aos pulinhos, o ser entrava na sala, para aos pés de Nhinhinha – e não o sapo de papo, mas bela rã brejeira, vinda do verduroso, a rã verdíssima. Visita dessas jamais acontecera. E ela riu: – "Está trabalhando um feitiço..." Os outros se pasmaram; silenciaram demais.

Dias depois, com o mesmo sossego: – "Eu queria uma pamonhinha de goiabada..." – sussurrou; e, nem bem meia hora, chegou uma dona, de longe, que trazia os pãezinhos da goiabada enrolada na palha. Aquilo, quem entendia? Nem os outros prodígios, que vieram se seguindo. O que ela queria, que falava, súbito acontecia. Só que queria muito pouco, e sempre as coisas levianas e descuidosas, o que não põe nem quita. Assim, quando a Mãe adoeceu de dores, que eram de nenhum remédio, não houve fazer com que Nhinhinha lhe falasse a cura. Sorria apenas, segredando seu – "Deixa... Deixa..." – não a podiam despersuadir. Mas veio, vagarosa, abraçou a mãe e a beijou, quentinha. A Mãe, que a olhava com estarrecida fé, sarou-se então, num minuto. Souberam que ela tinha também outros modos.

Decidiram de guardar segredo. Não viessem ali os curiosos, gente maldosa e interesseira, com escândalos. Ou os padres, o bispo, quisessem tomar conta da menina, levá-la para sério convento. Ninguém, nem os parentes de mais perto, devia saber. Também, o Pai, Tiantônia e a Mãe, nem queriam versar conversas, sentiam um medo extraordinário da coisa. Achavam ilusão.

O que ao Pai, aos poucos, pegava a aborrecer, era que de tudo não se tirasse o sensato proveito. Veio a seca, maior, até o brejo ameaçava de se estorricar. Experimentaram pedir a Nhinhinha: que quisesse a chuva. - "Mas, não pode, ué..." – ela sacudiu a cabecinha. Instaram-se: que, se não, se acabava tudo, o leite, o arroz, a carne, os doces, frutas, o melado. – "Deixa... Deixa..." – se sorria, repousada, chegou a fechar os olhos, ao insistirem, no súbito adormecer das andorinhas.

Daí a duas manhãs, quis: queria o arco-íris. Choveu. E logo aparecia o arco-da-velha, sobressaído em verde e o vermelho – que era mais um vivo cor-de-rosa. Nhinhinha se alegrou, fora do sério, à tarde do dia, com a refrescação. Fez o que nunca se lhe vira, pular e correr por casa e quintal. – "Adivinhou passarinho verde?" - Pai e Mãe se perguntavam. Esses, os passarinhos, cantavam, deputados de um reino. Mas houve que, a certo momento, Tiantônia repreendesse a menina, muito brava, muito forte, sem usos, até a Mãe e o Pai não entenderam aquilo, não gostaram. E Nhinhinha, branda, tornou a ficar sentadinha, inalterada que nem se sonhasse, ainda mais imóvel, com seu passarinho-verde pensamento. Pai e Mãe cochichavam, contentes: que, quando ela crescesse e tomasse juízo, ia poder ajudar muito a eles, conforme à Providência decerto prazia que fosse.

E, vai, Nhinhinha adoeceu e morreu. Diz-se que da má água desses ares. Todos os vivos atos se passam longe demais.

Desabado aquele feito, houve muitas diversas dores, de todos, dos de casa: um de-repente enorme. A Mãe, o Pai, e Tiantônia davam conta de que era a mesma coisa que se cada um deles tivesse morrido por metade. E mais para repassar o coração de se ver quando a Mãe desfiava o terço, mas em vez das ave-marias podendo só gemer aquilo de – "Menina grande... Menina grande..." – com toda ferocidade. E o Pai alisava com as mãos o tamboretinho em que Nhinhinha se sentava tanto, e em que ele mesmo se sentar não podia, que com o peso de seu corpo de homem o tamboretinho se quebrava.

Agora, precisavam de mandar recado, ao arraial, para fazerem o caixão e aprontarem o enterro, com acompanhamento de virgens e anjos. Aí, Tiantônia tomou coragem, carecia de contar: que, naquele dia, do arco-íris da chuva, do passarinho, Nhinhinha tinha falado despropositado desatino, por isso com ela ralhara. O que fora: que queria um caixãozinho cor-de-rosa, com enfeites verdes brilhantes... A agouraria! Agora, era para se encomendar o caixãozinho assim, sua vontade?

O pai, em bruscas lágrimas, esbravejou: que não! Ah, que, se consentisse nisso, era como tomar culpa, estar ajudando ainda a Nhinhinha a morrer...

A Mãe queria, ela começou a discutir com o Pai. Mas, no mais choro, se serenou – o sorriso tão bom, tão grande – suspensão num pensamento: que não era preciso encomendar, nem explicar, pois havia de sair bem assim, do jeito, cor-de-rosa com verdes funebrilhos, porque era, tinha de ser! – pelo milagre, o de sua filhinha em glória, Santa Nhinhinha.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Cintia Moscovich - O Reino das Cebolas


Título: O REINO DAS CEBOLAS
Autor: Cintia Moscovich
Gênero: Contos & Narrativas
Editora: L & PM Pocket

Estréia da jornalista Cíntia Moscovich na literatura. O livro traz uma coletânea de contos, escritos de forma enxuta e original. Destaque para o conto do título, \"Guri\" e \"Volver al Sur\".

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sir Arthur Conan Doyle - O Tiro Final & Outros Contos Sensacionais


Título: O TIRO FINAL & OUTROS CONTOS SENSACIONAIS
Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Gênero: Contos de Mistério
Editora: Ediouro

Antes da invenção de Sherlock Holmes, Sir Arthur Conan Doyle escreveu histórias de mistério, suspense e aventura. Aqui percebe-se o compromisso de refinar o método adotado por ele para detectar, definir, determinar e solucionar o mistério da vida e da morte.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Meus Problemas (Os) - Miguel Esteves Cardoso



Miguel Esteves Cardoso foi um jornalista que durante os anos 80 e início dos anos 90, teve uma voz activa na vida social portuguesa, quer enquanto simples cronista do “Expresso” e “Público”, quer mesmo, enquanto membro permanente na “Noite da Má Lingua”, onde ele e uns tantos batiam e evidenciam vários “podres” da nossa sociedade.

Dono de uma forma de se expressar extremamente mordaz mas bem objectiva, Esteves Cardoso era bastante corrosivo na forma como elaborava as suas análises, quer aquelas proferidas no programa de tv, quer as outras que foi escrevendo para os jornais.

E são precisamente algumas dessas crónicas, nomeadamente algumas publicadas no “Expresso” entre 1986 e 1987, numa coluna chamada “Os meus problemas”, que compõe este livro que tem tanto de brilhante como de hilariante.

Assim, este livro é simplesmente um conjunto de crónicas onde Esteves Cardoso opina sobre a forma de estar, ver e agir do povo português, evidenciando as suas mais carismáticas manias e fobias, sempre num tom irónico e mordaz.

Começando por “Cartas portuguesas”, as “classes automóveis”, “libertação dos maridos”, “a fogueira do ciúme”, “adeus, ó tchau, vai-te embora”, enfim, acreditem é dos livros mais hilariantes que já li e ao mesmo tempo, um livro que toca em vários defeitos do povo português. Pese embora as distâncias, um género de Woody Allen.

E é curioso constatar que não é necessário escrever-se livros sérios, estudos filosóficos do “ser português”, pois qualquer um em a capacidade de análise e de formar opinião, no entanto, Miguel Esteves Cardoso demonstra uma capacidade de análise que vai além dessa simplicidade, ele, para além de evidenciar alguns dos “nossos” defeitos, demonstra o quão ridículo e caricata são muitas das situações que se sucedem dia após dia e, mais importante, a gravidade e importância que se dão a essas situações.

Não sei se me fiz entender…

Demonstrando que não é necessário ser um génio despótico para se imitir qualquer tipo de análises, Esteves Cardoso lega-nos um conjunto de crónicas extremamente bem elaboradas e com alvos bem definidos.

Grandes gargalhadas que se soltam daquelas páginas.

sábado, 12 de abril de 2008

Contos - Hans Christian Andersen



Hans Christian Andersen nasceu em Copenhague, Dinamarca, no dia 4 de Agosto de 1805. filho de um sapateiro e de uma lavadeira, Hans teve uma infância muito dura, tendo passado inclusivamente fome, no entanto e em sua casa, o amor nunca faltou.

Desde muito cedo sentiu que o seu destino estava ligado às artes, pois a sua paixão pela música e pela dança levaram-no a pensar que o seu futuro estaria numa dessas duas actividades, mas foram precisamente as dificuldades sentidas na infância, combinada com a humilde profissões dos pais, que lhe moldam o carácter e o levam ao mundo da literatura, poesia e teatro.

Christian Andersen era humilde, honesto e de índole boa, dotado de uma enorme capacidade de observação, apaixonou-se pelos contos tradicionais dinamarqueses, sendo daí que lhe veio a inspiração para criar os seus contos, contos esses que desde essa altura, alimentaram os sonhos de adultos e crianças por todo o mundo.

São muitos os registos que chegaram aos nossos dias sobre a vida deste poeta, principalmente devido ao facto de ele ter sido reconhecido e acarinhado ainda em vida, sendo mesmo visto como um herói nacional.

Sabe-se, por exemplo, que o seu aniversário era festejado em toda a Dinamarca e que até o rei se deslocava a casa de Andersen para o cumprimentar pessoalmente.

Não quero aqui entrar em considerações sobre a vida deste ilustre escritor, simplesmente porque existe muitos textos detalhados sobre a sua vida, uma vida rica que se estendeu por vários países (entre os quais Portugal), para quem esteja interessado, sugiro uma visita a este site: http://purl.pt/768/1/, site que faz uma justa homenagem a Hans Christian Andersen.

Esta obra, ”Contos”, traz a grande maioria dos seus contos. Uns conhecidos e levados à cena de várias formas, outros desconhecidos, mas que nada ficam a dever aos outros.

Quero contudo deixar uma ressalva que raramente vejo comentada.

Hans Christian Andersen escreveu estes contos, mas raramente os fez a pensar nas crianças, aliás, ele quando os escreveu tinha como certo que eles se destinavam mais para as crianças, no entanto, ele achava que as crianças tinham que saber que o mundo não era “cor-de-rosa” e a linguagem utilizada e sobretudo a forma do conto, era nua a crua. Os contos de Andersen são essencialmente morais, todos eles têm uma mensagem subjacente e raros são aqueles que acabam bem, inclusivamente a maior parte deles tem um fim violento.

A edição que possuo é a do “Público”, lançada no ano da comemoração dos 200 anos do nascimento do escritor por ocasião do Natal, edição essa que contém os contos na sua forma original e, para medirem o grau dos contos, apenas dois ou três desses contos posso contá-los à minha filha sem estar a medir as palavras.

Pois bem, quem não conhece curiosidades como o ”O Patinho Feio”, “A Princesa e a Ervilha”, “A sereiazinha”, “A vestimenta do Imperador”, “A polegarzinha”, “A rapariguinha dos fósforos”, “O soldadinho de chumbo”. Ao que junto contos fantásticos como ”A gota de água”, “O Elfo da rosa”, “É absolutamente certo” (este conto é fantástico e o preferido da minha filha), ”Os sapatos vermelhos”, entre outros. Contos simples, entre os fantástico e o realista, escrito em tom poético e sempre tendo como motivo principal a pobreza, a humildade, e os necessitados. E é aqui que os seus contos ganham estatura, pois eles levam os pobres a sonhar e a acreditar que não são menos que ninguém, que a humanidade é igual em qualquer extracto social, e que, se calhar, os pobres e os humildes têm mais do que os ricos: Amor, esperança e compaixão.

Pessoalmente gosto muitos dos contos deste fabuloso poeta, que chegou a passar algum tempo em Portugal, nomeadamente em Sintra, numa pequena casa onde actualmente se encontra uma placa a celebrar o facto. Andersen gostava tanto do nosso país e de Sintra que chegou a escrever um livro com o título: “Viagem a Portugal”.

A escrita é simples e fluída. Os contos são todos muito curtos e é fácil descortinar qual a moralidade do conto.

Aconselho os contos deste grande poeta, sobretudo pela forma como nos faz sonhar e nos liga a outros mundos absolutamente mágicos.

sexta-feira, 21 de março de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Jorge Luis Borges - Ficções


Título: FICÇÕES
Autor: Jorge Luis Borges
Gênero: Contos
Editora: Globo


Neste livro singular e extraordinário, o leitor encontrará reunidos os 18 contos que deram fama internacional da Jorge Luis Borges. Primeiro, a estranha marca de originalidade desses escritos inovadores, que renovaram o conto moderno. Depois, o caráter fora do comum de seus temas, abertos para o fantástico e a inesperada dimensão filosófica do tratamento. Por fim, a qualidade ímpar de sua prosa. Pode-se imaginar a felicidade daquele que pela primeira vez se deparará com o universo fantástico de Tlön, a memória de Funes ou com o duelo de arrabalde em que de novo joga a vida de Martín Fierro.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Mia Couto - O Fio das Missangas

Título: O Fio das Missangas
Autor: Mia Couto
Gênero: Contos
Editora: Editorial Caminho

Uma vez mais Mia Couto regressa ao conto, género literário que parece ser o da sua maior realização. Estórias breves mas contendo, cada uma delas, as infinitas vidas que se condensam em cada ser humano. Uma vez mais, a linguagem é trabalhada como se fosse delicada filigrana, confirmando o que o autor disse de si mesmo: «conto estórias por via da poesia». São vinte e nove contos unidos como missangas em redor de um fio, que é a escrita encantada de um consagrado fabricador de ilusões.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Rubem Fonseca - O Buraco na Parede


Título: O Buraco na Parede
Autor: Rubem Fonseca
Gênero: Contos
Editora: Cia. das Letras

Oito contos que renovam o universo narrativo do autor de \"Agosto\". Além dos episódios escabrosos e policialescos, ele propõe uma viagem sentimental pelo universo dos baloeiros e uma comédia cruel sobre uma relação a três.

sábado, 6 de outubro de 2007

Natal do sr. Scrooge (O) - Charles Dickens

Scrooge. – Disparate! Feliz Natal? Que razões tens para te sentires feliz? És pobre!..."
Há muitos anos que esta passagem me acompanha assim como a obra de Charles Dickens. Não que tenha alguma beleza literária, mas apenas porque, para mim, significa a beleza do Natal e o imenso significado que ele tem. Independentemente do consumismo e da hipocrisia que reina nessa época, o Natal, na sua génese, antecede a era cristã em cerca de 2.000 anos. Claro que não se festejava como actualmente, mas na época em causa, na antiga Mesopotâmia, realizavam-se festejos populares onde se comemorava o solísticio de inverno e, nessas festas pagãs, já existia o ritual das árvores iluminadas por muitas velas e ofereciam-se objectos uns aos outros como sinal de amizade e paz.
Claro que o cristianismo usurpou toda esta tradição, sendo, hoje em dia o Natal uma festa cristã onde se celebra o nascimento de Cristo e as prendas um ritual que celebra os reis magos.
Assim o Natal, originalmente, representava a época onde se festejava a natureza e a paz com a família e os amigos, e é assim que fui educado e é assim que educo e que gosto de ver e sentir o Natal, talvez a época do ano mais importante para mim. Desde criança que a minha família cultivou esse amor e não é por acaso que grande parte das minhas recordações de infância têm em comum o Natal.
Mas tudo isto porque pretendo exprimir o fascínio que para mim representa essa época: os sons, as cores, os cheiros, tudo característico e que me transporta à minha infância e que me traz doces recordações familiares.
Em 1843, o Natal era visto, em todo o mundo cristão, como uma festa religiosa com muito pouca festividade, pelo menos sem a festividade que hoje se conhece. Até que nesse ano, um senhor chamado Charles Dickens, publica um conto, pago inteiramente do seu bolso, intitulado O Natal do sr. Scrooge, publicado na semana anterior ao Natal de 1843. E não é que é devido a esse conto que surge o conceito de Natal que o mundo ocidental tem hoje?
Sabe-se que Charles Dickens gostava muito da época de Natal e que se entristecia por ver os seus conterrâneos darem pouco ou nenhum valor à época. Pai de cinco filhos e profundamente dedicado à família, Dickens escreve um conto de Natal que resolve publicar estrategicamente na semana anterior e é precisamente devido a essa publicação que o Natal se começou a impor.
O Natal do sr. Scrooge narra a história de um velho sovina que acha que o Natal é um monte de disparates. Homem solitário, tem uma firma onde emprega o seu jovem sobrinho, pobre de recursos mas rico em sentimentos, a quem trata e julga como um miserável. Na véspera de Natal e estando sozinho em sua casa, recebe a visita do fantasma do seu antigo sócio Marley, que lhe comunica que nessa mesma noite irá receber a visita de três espíritos: O do Natal Passado, O do Natal Presente e o do Natal Futuro. Mesmo falando com o fantasma de Marley, Scrooge escarnece do assunto e, após a partida do fantasma, decide voltar a adormecer. Até que quando bate a uma hora da manhã, Scrooge é acordado por terríveis pancadas que anunciam o espírito do Natal Passado. Sucessivamente e nessa noite, surgem-lhe os três fantasmas anunciados que o levam a visitar algo ou alguém, provocando assim uma completa transformação da personalidade de Scrooge, transformando-o num homem bom, generoso e honesto.
A mensagem é simples mas bonita: Bondade, amizade, união familiar e generosidade. São estes, talvez, os quatro pilares do Natal e, não deixa de ser tocante e marcante a transformação que é operada em Scrooge, fazendo-o ver o quanto é errado o seu comportamento e que ainda há pessoas que o amam.

sábado, 18 de agosto de 2007

Mil e Uma Noites (As) - Vários

As Mil e Uma Noite era daquelas obra que há muito constavam na minha lista de clássicos. No entanto e aproveitando a recente edição do Jornal de Notícias, só agora é que me lancei neste aventura de a ler, porque acreditem que é mesmo uma grande aventura ler este conjunto de contos.
As Mil e Uma Noite é pois um conjunto de contos que estão elaborados de forma a contemplarem-se entre si, no entanto estes mesmos contos podem ser lidos de uma forma independente, pois cada um é uma metáfora, uma alegoria a algo.
Estes contos não têm autor ou autores conhecidos, desconhecendo-se mesmo as suas origens e em que altura surgiram reunidos em volume, embora se saiba que estes contos derivam das tradições populares que foram sendo transmitidos de forma oral de geração em geração. Porém existem registos que já mencionam a existência deste volume no séc. VII, pelo menos grande parte dos textos. Mas o que se sabe com certeza, é que esta obra é um retracto magnífico das antigas culturas orientais, grande parte das tradições árabes são aqui mencionadas, sendo muito usual nome como Bagdad, Cairo, Pérsia, Constantinopla, Damasco, etc.
Esta obra chega á Europa no séc. XVIII, através de Antoine Galland, arqueólogo e diplomata francês que, apaixonado por uma cultura em que esteve inserido durante grande parte da sua vida, acabou por efectuar a primeira tradução desta obra para o francês, oferecendo assim ao Ocidente uma descrição do pensamento, modo de vida e cultura popular de um povo tão desconhecido.
Quanto à obra:
Há muito, muito, mas mesmo muito tempo, em terras do Oriente, existia um poderoso sultão que era muito amado pelo seu povo devido à sua generosidade e justiça que demonstrava. Esse sultão tinha uma esposa, tão jovem e casta, que amava muito e que cuja presença davam aos seus dias uma luz só comparável à luz do divino. Porém, a sua doce e bela sultana era-lhe infiel e quando o poderoso sultão descobriu a traição de que era constantemente alvo (e logo em flagrante), uma onda de violência varreu o palácio, acabando o sultão por assassinar a sua esposa e decretando que a partir daquele dia, todos os dias desposaria uma jovem de entre as jovens do povo, assassinando-a quando o Sol nasce-se, impedindo assim qualquer traição. Surge então Xerazade, filha do vizir (espécie de primeiro-ministro) que, mesmo indo contra a vontade do pai, disponibiliza-se a contrair matrimónio com o sultão. Assim, graças à sua inteligência, beleza e cultura, ela consegue adiar a sua morte noite após noite, devido às histórias que vai contando, deixando sempre as mesmas em situação de suspense quando o Sol nasce. O sultão, ansioso por saber o fim dessas histórias, acaba sempre por adiar a execução.
É desta forma que, através de Xerazade, vamos tomando conhecimento de dezenas de fábulas que nos narram as tradições culturais do povo oriental, de personagens que actualmente pululam no nosso imaginário: Aladino, Ali Bábá, Sindbad, Zobeida e a própria Xerazade. Todas estas histórias das quais destaco aquelas que mais apreciei: ”O Mercador e o Génio”; ”História do jovem Rei das ilhas negras”; ”História do Invejoso e do Invejado”; ”História de Zobeida”; ”Sindbad o Marinheiro”; ”Nuredine”; ”Aladino”; ”O Princípe Ahmed”, acabam por ser metáforas didácticas, sendo também e na minha opinião, pelo menos gosto de pensar assim, histórias que caricaturam situações reais.
De notar que e segundo a tradição oriental em relação a estes contos, os mesmos, na sua génese, tinham um forte cariz erótico, alguns eram mesmo ostensivamente sexuais, no entanto, Galland retirou ou omitiu todas essas alusões, o que na minha opinião é uma pena, pois para além de podermos perceber o aforismo dessa cultura nesse aspecto, o ambiente e as situações descritas são, sem dúvida, propícias ao erotismo.
Em suma: embora contenha alguns contos pouco interessantes e repetitivos (existem sempre mercadores, sultões e vizires), esta obra, no seu todo, dá-nos realmente uma visão da cultura oriental e do seu modo de vida. As paisagens descritas são exóticas e a componente mágica está quase sempre presente (muitos génios e outras situações irreais).
Assim e para os curiosos desta cultura, será uma obra para ser lida e analisada com calma. Para os outros (onde me insiro), é uma obra curiosa, cheia de contos sobre a moral, com muitas princesas, sultanas, sultões, vizires, mercadores e génios, que entretém e que nos transporta a um mundo e uma cultura muito diferente da nossa.