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domingo, 2 de agosto de 2009

Das Palavras às Imagens (V)


"Rebecca" estreou em 1940, realizado por Alfred Hitchcock, e trata-se da adaptação cinematográfica do livro homónimo de Daphne du Maurier (que li e adorei - podem ver a minha opinião aqui), tendo ganho o Óscar para Melhor Filme na cerimónia do ano seguinte.

Não tenho por hábito ver filmes antigos, mas sendo esta uma adaptação tão aclamada de um dos livros que mais me marcou recentemente, a curiosidade foi maior. Posso dizer que a transposição do livro para o grande ecrã foi muito bem conseguida e captou muito bem o tom e a essência do livro, sendo que todos os acontecimentos principais estão presentes, com um nível de detalhe muito bom. O impacto não terá sido tão grande uma vez que já conhecia o desenlace da história, mas ainda assim foi com grande prazer que assisti a excelente interpretações, especialmente de Joan Fontaine (a 2.ª Mrs. de Winter) e Judith Anderson (a arrepiante Mrs. Danvers), ambas nomeadas para Óscares de interpretação.


A adaptação é tão boa como poderia ser, mas a envolvência das palavras e o desafio à nossa imaginação tornam a história escrita praticamente insubstituível. Se ainda não leram, do que é que estão à espera?

sábado, 18 de julho de 2009

Das Palavras às Imagens (IV)


Estreou na passada quinta-feira mais um filme baseado na famosa série de livros "Harry Potter", da autoria da inglesa J.K. Rowling. Não sendo fã acérrima dos livros, gostei bastante na altura em que os li e vi todos os filmes até agora, pelo que já fui ver também Harry Potter e o Príncipe Misterioso. Não consigo apontar todas as diferenças entre livro e filme, até porque o li quando saiu, em 2005, e só me lembro das linhas gerais da história.

São quase 2h30 de filme: achei um pouco longo e parado demais, e o que impede que se torne mais aborrecido são os comic-reliefs. Apenas na parte final o filme se torna dinâmico e realmente emocionante, e confesso que fez com que me viessem as lágrimas aos olhos.

Em termos de performance dos actores, continuo a achar o Daniel Radcliffe demasiado inexpressivo, e é pena porque a personagem merecia mais. De resto, gostei muito dos desempenhos do Michael Gambon (Dumbledore) e em especial do Alan Rickman (Snape).

Este filme irá ser especialmente apreciado pelos fãs da série, mas se olharmos para ele como obra de cinema, acho que deixa um bocadinho a desejar. O meu preferido da série continua a ser, sem sombra de dúvidas, "O Prisioneiro de Azkaban", realizado por Alfonso Cuarón, realizador que arriscou bastante, mas que na minha opinião foi o que conseguiu captar melhor a essência daquele mundo mágico.

O último livro desta série, Harry Potter and the Deathy Hollows (Harry Potter e os Talismãs da Morte) irá levado ao grande ecrã em dois filmes, com estreia marcada para 2010 e 2011.

sábado, 4 de julho de 2009

Das Palavras às Imagens (III)


Revolutionary Road, realizado por Sam Mendes e com Kate Winslet e Leonardo DiCaprio nos papéis principais, é a adaptação cinematográfica do livro homónimo de Richard Yates, originalmente lançado em 1961 (e que já comentei aqui).

Para quem não conhece a história, estamos perante um casal em meados dos anos 50, Frank e April Wheeler, que corresponde aos modelos socialmente aceites da época: um belo casal com 2 filhos, uma bonita casa nos subúrbios mantida pelo emprego estável do marido. No entanto, para conseguir esta vida aparentemente perfeita, ambos têm de sacrificar o que gostam e o que sentem pela imagem que querem transmitir.

Tal como o livro, o filme é bastante pesado e dramático. Ambos os protagonistas fazem um trabalho soberbo, mas a Kate Winslet está simplesmente fantástica. Captou o espírito da personagem na perfeição, em cada palavra, gesto e olhar. De resto, posso dizer que a adaptação é extremamente fiel aos acontecimentos e tom do livro, e também à época em que este decorre, por isso tenho de dar os meus parabéns ao realizador e ao resto da equipa.

É daqueles filmes que não deixam ninguém indiferente, que mexem connosco e que nos deixam a pensar. Arrisco-me a dizer que o filme é tão bom como o livro. A não perder.

A Frase: Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Das Palavras às Imagens (II)

Os filmes do “Planeta dos Macacos“ foram dos filmes de ficção científica com maior sucesso, marcando a história do cinema durante as décadas de 60/70. Ajudados por um mundo politicamente activo e em efervescência, em plena mudança, os filmes foram um dos grandes sucessos cinematográficos daquelas décadas. A forma como os actores foram caracterizados e os efeitos especiais avançados para a altura, além dos argumentos com imensas críticas sociais, levaram a que um imenso público, de todas as gerações, idolatrassem esta saga.

Curiosamente, e ao contrário do que se podia prever, os filmes apenas vão buscar alguns pontos essenciais do livro, existindo algumas diferenças substanciais, como por exemplo, o filme ser passado na Terra, e não num planeta distante como no livro, o que, para mim, valorizou, e muito, os filmes; aquela última cena do primeiro filme (ver imagem ao lado) é tocante, sendo considerado um dos melhores finais de sempre.

A história deu origem a 6 filmes: “O Homem que veio do Futuro” é o primeiro, donde o homem embarca numa viagem intergaláctica, que depois vimos ser uma viagem no tempo, aterrando num planeta onde os macacos escravizam humanos. É o filme onde mais absorve a história do livro embora deixando algumas pontas soltas.

“O segredo do Planeta dos Macacos” é a sequela, embora com alguns momentos mais fracos, do que o primeiro filme, tendo um final apocalíptico.

“Fuga do Planeta do Macacos” é o 3.º capítulo da saga, sendo o filme mais divertido de todos. Desta vez a história gira ao contrário: 3 macacos inteligentes do futuro voltam ao passado, surpreendendo os humanos; o filme vai-se tornando numa grande sátira social, tendo um final verdadeiramente dramático e inteligente.

A conquista do Planeta dos Macacos“ e “A Batalha pelo Planeta dos Macacos” completam esta saga. Os dois filmes são os mais violentos, e onde a crítica social é mais dura, não perdendo a inteligências dos anteriores.

Por fim, o realizador Tim Burton, na década de 90, pegou nessa história e fez um remake inteligente da trama, embora com ligeiras diferenças.

“O Planeta dos Macacos“ ainda teve direito a uma série televisiva e de desenhos animados, as quais ainda não vi, além de ser um dos filmes onde o imenso merchandising leva a que as sucessivas gerações não esqueçam uma saga que merece ser sempre recordada.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Das palavras às imagens (I)

Cada vez mais, os livros têm vindo a tornar-se num dos suportes principais para argumentos de filmes ou séries. Independentemente do sucesso da adaptação, é certo que o facto de determinado livro ser adaptado chama a atenção para o mesmo: os exemplos são vários, e acredito que a maioria de vocês conseguem enumerar alguns. Por outro lado, também acontece que o grande sucesso de uma obra literária contribua para o interesse que um determinado filme suscita - estou a lembrar-me, por exemplo, d"O Código Da Vinci ou, mais recentemente, do Crepúsculo.

Devido a esta ligação tão forte entre palavras e imagens, decidimos iniciar hoje uma nova rubrica que pretende fazer a ponte entre filmes (ou séries) e os livros que lhes serviram de suporte.

Esta semana, por sugestão da White_Lady, tive oportunidade de ver "North and South", uma mini-série de 4 episódios, produzida pela BBC em 2004, e baseada na obra homónima da escritora inglesa Elizabeth Gaskell. Ainda não li o livro (apesar de já o ter encomendado na versão inglesa, porque não existe tradução para a nossa língua), mas tendo em conta a qualidade demonstrada pela cadeia inglesa na adaptação de outras obras famosas - lembro-me, por exemplo, do excelente Orgulho e Preconceito - presumo que o livro seja, pelo menos, tão bom como esta mini-série se revelou.


Publicado pela primeira vez em 1855, North and South conta a história da jovem Margaret Hale, nascida no Sul de Inglaterra, que se muda com a sua família para o Norte do país. Margaret e os seus pais lutam para se ambientarem ao local, que contrasta completamente com o sítio de onde vêm, no sentido em que é muito mais industrializado, dinâmico e onde a pobreza é uma realidade do dia-a-dia. Ao mesmo tempo, a família Hale entra no círculo social dos Thorntons, que detêm uma fábrica de produção de algodão. John, o dono da fábrica, apaixona-se por Margaret e terá de lutar para que as diferenças sejam ultrapassadas, a fim de ganhar o seu afecto. Esta história retrata também o início das organizações sindicais e da reivindicação dos trabalhadores pelos seus direitos.

A série da BBC conta com Daniela Denby-Ashe (Margaret) e Richard Armitage (John) nos principais papéis. Ambos os desempenhos são excelentes, mas o carisma e talento de Richard Armitage são imperdíveis. Altamente recomendado!