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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nostalgia pela esperança

«Já não restam anarquistas», suspira o inspector Crespo quase no final do último romance do chileno Luis Sepúlveda, “A Sombra do que Fomos”. E é esse sentimento de fim de uma época que perpassa por todo o livro: já não restam anarquistas, como também já não restam exilados, nem sonhos, nem ideais – já não restam esperanças de que o mundo pode ser melhor, mais democrático, mais solidário… enfim, mais justo.
Finda a opressão da ditadura militar, regressados os que tiveram de procurar abrigo noutras paragens, ficou no entanto perdido para sempre o idealismo dos que queriam mudar o mundo. Regressaram a casa mas continuam expatriados: não são daqui nem de lá, desse Chile que Pinochet marcou profundamente no mais íntimo do povo nem dessa Europa onde tentaram lançar amarras.
Só a mestria inconfundível de Sepúlveda consegue fazer do encontro de três velhos companheiros de armas, revolucionários reformados mas não conformados, perdedores (de si e dos ideais de esquerda) uma autêntica catarse para toda uma geração (ou serão duas?) que acreditou verdadeiramente que os amanhãs cantariam.
Em “A Sombra do que Fomos” Sepúlveda narra-nos a mesma estória a dois tempos e múltiplas vozes. No fundo, quando sorrimos com Salinas, Garmendia, Arencibia, Aravena ou mesmo Crespo sorrimos para nós próprios (e por nós).
O romance, que mereceu ao escritor mais um galardão, desta vez o Prémio Primavera de Romance 2009, lê-se com o mesmo prazer de “O Velho que Lia Romances de Amor” ou “Patagónia Express”, para citar só dois dos seus livros mais conhecidos. E só não nos deixa amargurados porque Sepúlveda fez as pazes com o passado e sabe contá-lo com sensibilidade e ironia – que a inteligência permite dosear nas exactas medidas.

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Luis Sepúlveda
A Sombra do que Fomos
Porto Editora, 14,40€

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

João Pedro Duarte | Uma Espécie de Sentido

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Uma Espécie de Sentido»?
R- Um livro cor-de-rosa. A minha biblioteca estava a precisar de uma corzita. Agora mais a sério: não faço a mínima ideia. Sei que me deu um gozo descomunal e que foi escrito em apenas um mês. Ou numa lua, como diriam os caramelos que gostam de parecer misteriosos. Conclusão: devo ter sido iluminado por uns alienígenas. Ou então alienado por uns iluminadores. Hum... Qual era a pergunta?

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Creio que uma conversa com um amigo sobre a visão redutora da Humanidade no Darwinismo. Atenção que esta visão é culpa de todos, menos do Darwin, uma vez que quando o moço esticou o pernil o Freud ainda andava a pensar o que havia de fazer à vida dele. O que também é normal quando se fazem experiências laboratoriais com cocaína. Mas o Inconsciente, parece que não, tem a sua importância. Assim como o amor, apregoado tanto na literatura de cordel como nas religiões mais ascetas, poderá ter a última palavra no destino da Espécie.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- A lista de compras da mercearia. É um best-seller lá em casa. Vou alternando com ensaios epistemológicos, só para desenjoar. Estou a descansar da ficção, até porque é Natal e cheira-me que o próximo livro mete um serial killer pelo meio. Não sei explicar, mas acho não combina. Podem ser coisas minhas, mas eu cá prefiro manter a ilusão de que vai ser um mascarado simpático a entrar pela chaminé. Bom Natal para todos!
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João Pedro Duarte
Uma Espécie de Sentido
Esfera do Caos, 12,90€

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cristina Carvalho | Nocturno

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Nocturno»?
R- Em 2010 celebra-se o bicentenário do nascimento de Fryderyk Chopin e este livro, - Nocturno, o romance de Chopin - é uma homenagem e uma "declaração de amor" a um homem que foi um pianista e compositor de obras sublimes que foram e deverão ser tocados num extraordinário instrumento musical, o piano. Há já muito tempo que tinha pensado escrever sobre Fryderyk, sobre a sua intensa e apaixonada personalidade, sobre a sua vida, sobre os seus amores, sobre a sua morte. No contexto da minha obra é mais uma experiência ficcional uma vez que nunca tinha escrito um romance biográfico ou uma biografia romanceada...

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Exactamente isto: prestar homenagem a um dos compositores da minha vida, personagem com quem "convivo" diariamente ouvindo-o e sentindo-o perto de mim com a sua música.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Tenho um romance pronto. É uma história de mulheres e para mulheres. Claro que, se os homens a quiserem ler...
Estou a escrever mais duas histórias que, por serem totalmente diferentes, podem ser escritas ao mesmo tempo. Ora uma, ora outra. Um dia uma, outro dia, a outra. É bom!
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Cristina Carvalho
Nocturno
Sextante, 15€

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Caim levantado do chão

Há quatro ou cinco décadas, ainda em Portugal se catequizava as gentes com princípios e noções abandonadas a custo, por força da actualização do país, embora dificultada por todos os meios – políticos e religiosos, também, que nisto a igreja romana não esteve pelos ajustes. A Concordata dava-lhe corda larga, mas foi sempre uma situação excepcional de conúbio mais ou menos declarado que deu ao Vaticano a margem de influência que se sabe. Em Portugal como noutros países da mesma moldura religiosa.
O Inferno era até há poucas décadas aquela ideia que torturava os iletrados – sobretudo os pobres –, mas não só, porque a crença fanática nas chamas da punição reduzia muitos cidadãos alfabetizados ao nível do primário. E sobretudo as crianças.
Quem da terceira idade actual não se recorda das imagens de almas de rosto humano que se retorciam nas vascas do Inferno ou nas agonias do Purgatório? Devidamente patrulhadas por anjos fantasiados com asas, em ilustrações que davam o lustro dos melhores cetins pelos guardas celestiais que faziam umas horas a cuidar dos condenados em espera de melhor sorte. Os querubins, e outros das milícias, de que fala Saramago em outras e diversas circunstâncias.
A imagem, sim, esse instrumento poderoso que a Igreja usou até à usura, mesmo se foi alvo de polémica dentro do próprio sistema, com Constantino a dar-lhe força no embate definitivo da implantação e crescimento do catolicismo. E, na imagem, lá estavam adereços como os santinhos que os meninos aprendiam a venerar, a beijar, a desveladamente encadernar no máximo dos cuidados.
Foi crónico o conflito do povo com o clero, pleiteação típica do exercício do poder – muitas vezes pela palavra (e mão pesada!) do vigário, em claro excesso dos limites do seu ministério, chocando-se por isso na regulação civil ou tão-somente nos direitos intuídos pelos menos cordatos – e menos (ou nada) tocados pela fé ilimitada. Mas não era o padre representante do Criador à face do mundo? Não será então natural a pesada mão divina, em textos bíblicos, de modo a justificar o muita vezes livre arbítrio da decisão paroquial – quando não da própria hierarquia eclesial?
Vale a pena pôr mais na carta? Não, nem José Saramago precisou de levar a discussão para aspectos tão terrenos. Ele, nascido na segunda década do século passado, muito arrastou certamente, como incréu, desse enfrentamento com a Igreja da aldeia ribatejana onde nasceu e cresceu – a não muitos quilómetros dos acontecimentos de Fátima – e em que se muitos acreditavam, alguns contestavam.
Não terá sido abençoado pela fé, supõe-se, logo desde que o nascituro carecia dos sacramentos que o afastassem das chamas, as tais, do Inferno que pairava sobre a vida diária – e culminava nas tão glosadas confissões, com os seus absurdos. Imagine-se, a criança nascia em pecado… mais se a sua era família pouco tocada pela bênção do Deus bíblico.
Para ele, Saramago, que nasceu curioso de saber a vida, desbravá-la e moldá-la, o conflito com os princípios bíblicos seria inevitável, pois apesar dos presumíveis princípios ímpios dele e dos familiares certamente não deixaram as forças vivas de tentar impor-lhes as regras vigentes e apadrinhadas politicamente num país pio, sacristão, venerador e obrigado. Naqueles tempos, havia coisas que eram uma cruzada incontornável – e a igreja estava à frente.
Saramago, sabe-se, é um homem que se fez a si próprio – no sentido autodidacta, mas no que de mais construção temos nós. Certamente essa elipse de crescimento não poderá ter deixado de voltar ao ponto zero da catequese, mesmo que rejeitada. Esse debate que, afinal, o Homem, todo e qualquer, mesmo na recusa de Deus (de deus) não deixará de colocar-se – na proporção, é certo, da sua racionalidade, da sua consciência de ser, da sua dimensão humana, que ou foi criada por deus ou ele a criou. Exacto: na justa proporção em que não encontra(va) explicação para as suas origens, a vida, o universo. E a morte, ah, a morte, esse mistério que aterroriza e poderia culminar na ressurreição – a bênção concedida aos que tinham cumprido as linhas. Lembram-se? Ainda se catequiza essa ideia de um dia os mortos se levantarem das campas alavancados por um toque de clarins, que em algumas estampas eram soprados por rechonchudos e rosados anjos?
O que admira e assusta neste debate que o escritor mais uma vez suscitou? A canelada na Bíblia? As declarações subjacentes, ainda que as tomem por sementeira publicitária? A negação da lógica que subjaz ou preside a parábolas, alegorias e imagética que a prática religiosa dos católicos há muito renegou na prática e até na teoria? A própria, e mais funda, negação/contestação de Deus?
Caim foi o modelo escolhido pelo escritor, como poderiam ter sido outras figuras bíblicas. O que aqui está em causa é a dimensão moral do Deus, já nem exactamente o seu reconhecimento, que a Bíblia propõe e a Igreja fez executar durante séculos. Tem a história, as sucessivas negações da rectidão do criador, algo de extraordinário em termos de escrita? Não parece. Está lá o estilo de Saramago, a ironia, a escrita segura, directa, a alegoria quando se adequa, a afirmação directa quando tem de ser. Isto é, tudo o que dele fez o reconhecido autor.
Como quando resume a figura de Josué como “a crudelíssima pessoa que foi” e recorda que “naquela época as maldições eram autênticas obras-primas literárias, tanto pela força da intenção como pela expressão formal em que se condensavam”, pelo que “poderíamos tomá-lo como modelo estilístico, pelo menos no importante capítulo retórico das pragas e maldições tão pouco frequentado pela modernidade”.
Exemplos que poderão ferir susceptibilidades não escasseiam, se quem lê está na fila dos que crêem piamente nas palavras bíblicas e na moral imanente. A rematar o “maior prodígio de todos os tempos”, quando Josué conquistava cidades atrás de cidades e se aprestava a desbaratar os cinco reis amorreus, o autor reflecte: “durante quase um dia inteiro, o sol esteve imóvel, ali no meio do céu, sem nenhuma pressa de desaparecer no horizonte, nunca, nem antes nem depois, houve um dia como aquele, em que o senhor, porque combatia por Israel, deu ouvidos à voz de um homem”.
Injustiça divina, conclui Saramago, essa em que o Senhor apoia homens, os seus, contra homens, que a crer nas páginas bíblicas, foram igualmente sua criação, mas que deixaram o seu rebanho. Injustiças várias, que perpassam, como o arraso de sodoma e gomorra, em que os inocentes pagam pela medida dos perversos.
Essa dualidade não podia ser indiferente ao autor. A terra, a realidade, as gentes que ele conheceu, com quem viveu, testemunham que os textos bíblicos justificaram, apoiaram, consolidaram frequentemente a iniquidade social ao longo da História. Bem pode vir alguém lembrar na televisão que esses mesmos textos tantas revoltas e reparação de injustiças justificaram. Certo. Mas os teólogos da libertação, por exemplo, não passaram no buraco da agulha do Vaticano.
E os levantados do chão de Saramago não são gente que tenha levitado por obra e magias e crenças religiosas. Bem pelo contrário, a sua condição de “amorreus” terminou pela mão do homem, ser racional, político. Os “josués” que então não lograram o milagre do sol tinham merecido o geral apoio da Igreja, do clero, ao longo dos séculos.
Saramago lembra isso. E ele é um escritor comprometido, mais não está do que no seu caminho. Este Caim é que resolveu acompanhá-lo na viagem.
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José Saramago
Caim
Editorial Caminho, 16,91€

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Laurentino Gomes | 1808

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «1808»?
R- Este livro é a investigação jornalística mais longa, profunda e exaustiva que fiz nos meus trinta anos de carreira profissional. Foram dez anos de trabalho, nos quais li ou consultei mais de 150 outros livros e fontes diversas sobre o tema. O objetivo é atingir um público mais amplo e levá-lo a refletir sobre as raizes do Brasil, profundamente plantadas em Portugal. Todas as virtudes e defeitos brasileiros já estavam presentes duzentos anos atrás, quando a corte de D João chegou ao Rio de Janeiro. Já havia naquele tempo muito corrupção, muito nepotismo, muita ineficiência nos negócios públicos e muita desigualdade social, em virtude da escravidão. Mas também estava nascendo ali o Brasil que temos hoje, grande, integrado, de dimensões continentais, com uma uma língua e uma cultura bem definidas e relativamente tolerante do ponto de vista racial, político e religioso. Somos a grande invenção de Portugal no mundo. Portanto, para o bem e para o mal, somos herdeiros diretos desse período. É como se fosse o nosso DNA, nosso código genético.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- O livro nasceu de uma pauta de reportagem que nunca foi publicada na revista Veja. Em 1997, eu era editor-executivo da revista. Tales Alvarenga, o então Diretor de Redação, já falecido, pretendia publicar uma série de especiais históricos, que seriam distribuídos com a edição regular como brinde para seus leitores. O projeto incluiria o Descobrimento, a Inconfidência Mineria, a fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil e a Independência. Desses três, apenas o primeiro foi publicado, no ano 2000. Quanto ao especial sobre D João VI, que estava sob minha responsabilidade, a revista decidiu cancelá-lo. O plano mudou, mas eu segui em frente, movido pela paixão que o tema e os personagens me despertaram.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Meu próximo livro será sobre a Independência do Brasil. O título, por razões óbvias, será “1822”, a ano em que nos separamos de Portugal. Já estou bem avançado nas pesquisa e espero lançá-lo em setembro de 2010. Pretendo mostrar que país era este que a corte de D. João deixava para trás ao retornar a Lisboa, em 1821. Em seguida, vou tratar do Grito do Ipiranga propriamente, em 7 de setembro de 182, das enormes dificuldades do Primeiro Reinado, da abdicação de D. Pedro, em 1831, sua volta a Portugal para enfrentar o irmão, D. Miguel, que havia usurpado o trono, e a morte em 1834, no mesmo quarto em que nasceu, no Palácio de Queluz. O planejamento inicial da obra prevê cerca de 25 capítulos que, provavelmente, se desdobrarão em outros seis ou sete até chegar a uma estrutura parecida com a do "1808". O estilo será o mesmo do "1808": capítulos curtos, pequenos perfis dos personagens e linguagem acessível.
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Laurentino Gomes
1808
Livros d´Hoje, 18,85€
Laurentino Gomes na Internet

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Gótica

Especialista em grafopsicologia e escritora, Clara Tahoces é também investigadora dos temas insólitos que lhe fornecem a matéria para romances como o que aqui se apresenta, Gótica.
Esta sua obra, onde encontramos uma visão original dos vampiros, sem no entanto deixarmos de perceber uma série de características que se aproximam da ideia tradicional do vampiro, foi galardoada em 2007 com o Prémio Internacional de Ficção Científica e Literatura Fantástica – Minotauro.
É uma história em que viajamos para a frente e para trás no tempo, acompanhando sempre a personagem principal, Analisa, na sua luta interior contra a sua própria natureza. Uma boa leitura, sem dúvida, para apreciadores do género.
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Clara Tahoces
Gótica
Editora Bico de Pena

Chichen Itza: A Fonte da Juventude


São 454 páginas de aventura e emoção, levados pelo fervilhar da história de vida de 4 amigos que, originários de um bairro pobre da Sevilha do séc. XVI, e obrigados a fugir pelos seus actos marginais, vão viajar até à península do Iucatão, passando pela costa africana e Caraíbas. Sempre em busca da fonte da vida eterna… lá, em Chichen Itza, recentemente eleita uma das sete maravilhas do mundo… Vida eterna para um romancista que estudou auditoria e assim se revela neste seu primeiro romance?
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Renato Fontinha
Chichen Itza. A Fonte da Juventude
Planeta Editora

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

José Rodrigues dos Santos | Fúria Divina

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Fúria Divina»?
R-É uma nova aventura do Tomás Noronha, que desta vez nos leva numa viagem ao fundamentalismo islâmico e ao terrorismo nuclear.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Há duas ideias. A primeira é: e se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? E a segunda é: e se o islão dos fundamentalistas for o verdadeiro islão? A resposta a estas duas perguntas é, como calcula, aterradora.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Estou a escrever outras coisas.
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José Rodrigues dos Santos
Fúria Divina
Gradiva-23€
José Rodrigues dos Santos na Internet

O desatino dos anjos

É uma ficção, meio científica meio espírita, se é que há metades nesta área. E se é que há esta área. Daí a dificuldade de encarar cientificamente uma incursão em território tão especulativo, em que o mais concreto são as referências a um capacete e a um arsenal de meios pouco esclarecedores sobre a natureza da inventiva: meios computacionais e programas.
O objectivo dos dois cientistas (ele, psicofísico) que trabalham no projecto só lá para a frente a narrativa esclarece: transmitir a outrem as memórias de alguém, transformando o receptor numa espécie de médium, por meios tão materiais como o tal capacete e o código estabelecido informaticamente. Estes são os bons da fita, mais três protagonistas que acabam por se encontrar movidos por um sonho comum centrado numa capela escocesa.
Os maus aparecem da forma mais tradicional, com o assassínio dos dois investigadores, devidamente laureados com um Nobel, por via dos seus trabalhos “no domínio das neurociências”. Os maus pertencem, neste caso, naturalmente, ao mundo de uma agência americana que, vamos ver lá para o fim, já estava em roda livre e os defeitos dos seus procedimentos não podem ser atribuídos ao sistema.
O arrependido de entre os maus fica pelo caminho, ele que já estava a entrar no mundo dos que lograriam deixar a sua herança espiritual, uma espécie de sementeira da memória legada aos vindouros. E era isso, com toda a capacidade de influência e manobra que os da agência transviada tanto ambicionavam – que eles, “leigos”, lograssem materialmente, cientificamente, os êxitos de previsão e comunicação que até aí estavam reservados aos médiuns.
A história será fraca, com êxito reservado aos entusiastas desta temática. A aposta do autor parece residir na escrita, no ritmo, e tal terá sido conseguido, atendendo ao anúncio de que está a caminho uma adaptação cinematográfica. O ritmo, sim, pela rapidez, o capítulo curto, à Dan Brown – diga-se. Como se uma boa história vivesse exclusivamente disto. Não parece o caso, a história está mal apoiada “cientificamente”, admitindo que seria possível estar bem suportada, e por vezes estilística e estruturalmente parece uma aventura do “grupo dos cinco”.
E, no entanto, o autor, que começou no cinema como pirotécnico, é um homem empenhado na “comunicação das emoções”. E terá ficado contente com a obra, a avaliar pelo rol final de agradecimentos, a quantos estimularam o seu trabalho. Que seja por bem.
Mal, mesmo mal, as gralhas e erros ortográficos que caem no texto ao longo de todo o livro. Se as gralhas são lamentáveis, a ortografia é matéria que não devemos deixar introduzir-se nas cabecinhas, tanto mais se há o risco de os lapsos serem propagados a terceiros por uma qualquer via extra-sensorial (ou tão prosaica quanto este exílio angelical).
Médium, vá lá, analfabeto é que não – e aqui “serro” os punhos.
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Gilles Legardinier
O Exílio dos Anjos
Publicações Europa-América, 21,90€

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mário Zambujal | Uma Noite Não São Dias

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Uma Noite Não São Dias»?
R- Na sequência dos meus livros anteriores, "Uma Noite não são Dias" pretende, antes do mais, divertir um pouco e proporcionar prazer da leitura. Isto já não é ambição pequena. Desta vez procurei parodiar as evoluções da sociedade a partir de tendências que podemos já hoje observar.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Imaginar alguém que, repimpado no "esquisito ano de 2044", olha em volta , para a surpreendente vida desse seu tempo, mas observa também, com risonha crítica, os "atrasados" costumes da época que vivemos agora.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- De momento apenas vou escrevendo contos que talvez venham a ser reunidos em livro.Quanto a outros objectivos, um romance ou uma novela nascem e vão crecendo antes de se passar à escrita. Nesse sentido, comecei a magicar num tema que, por enquanto, se resume a algumas ideias ainda vagas.
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Mário Zambujal
Uma Noite Não São Dias
Planeta, 13,85€

António Alves Seara | Um Rio Chamado Ilusão


1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Um Rio Chamado Ilusão»?
R– Fora da minha principal actividade profissional (professor do 1ºciclo do Ensino Básico), fui director do quinzenário “A Voz do Mar” de Peniche durante mais de quatro décadas. Ao longo da vida fazia poemas de longe em longe quase sempre a propósito de qualquer coisa que tocava a sensibilidade. De vez em quando, publicava um no jornal que dirigia assinado sempre com pseudónimo. Jamais pensava vir a publicar um livro de poesia. Mas, um dia, vendo a minha neta, ainda só com oito anos, a tentar fazer um poema dedicado ao pai, achei piada e disse-lhe: -Olha o avô tem p’raí coisas dessas, vai procurá-las para, quando fores maiorzinha, tu leres. Verificando que tinha um conjunto razoável, por simples curiosidade, mostrei esses poemas a um grande amigo meu professor do Ensino Superior, historiador e poeta e a outros amigos professores do ensino secundário. Todos me “ordenaram” a publicação desses poemas. Assim nasceu o livro “Fragmentos de Silêncio”. Anos mais tarde quando, a pedido, procedia n’A Voz do Mar” a vários textos relativos a eventos do clube rotário de Peniche de que sou um dos fundadores fui encontrando algum desse material poético que outrora ia publicando assinado com pseudónimo. Fotocopiei-o e com outros poemas que fiz a seguir assim nasceu “Um Rio chamado Ilusão”. Esse “rio” mais não é do que a minha própria imaginação na qual, naturalmente, também nasceram os poemas que compõem o livro.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R– Pensei fazer apenas uma edição de autor para deixar como herança a familiares meus e alguns amigos. Todavia, a “Caminho das Águas Editora” de Caldas da Rainha mostrando-se interessada em conhecer esses meus poemas, aceitou assumir a edição dos mesmos em determinadas condições

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R– Ainda vou fazendo alguns poemas na perspectiva de fazer mais um livro o que já será muito difícil. É que já entrei na casa dos 80! De qualquer modo, continuo bastante ocupado: jornalismo, movimento rotário, fotografia (exposições), etc.
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António Alves Seara
Um Rio Chamado Ilusão
Caminho das Águas, 15,20€

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Deana Barroqueiro | O Espião de D. João II

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «O Espião de D. João II – Na Demanda dos Segredos do Oriente e do Misterioso Reino do Preste João»?
R- Este romance fecha um ciclo narrativo sobre o reinado de D. João II (e começos do de D. Manuel), com as grandes viagens dos Descobrimentos, concretizadas por Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Pêro da Covilhã. N’O Navegador da Passagem, como pano de fundo das recordações de Bartolomeu Dias, está o reinado do Príncipe Perfeito e a luta contra todos os que representam um obstáculo ao seu grande projecto político para Portugal. N’O Espião de D. João II, com as missões de Pêro da Covilhã e a sua extraordinária peregrinação de seis anos, por três continentes, procurei mostrar o imenso sonho desse mesmo rei.
Este romance foi também fruto do desejo de fazer algo diferente dos dois livros anteriores, criando uma narrativa à semelhança de um romance de cavalaria, dado que a personalidade de Pêro da Covilhã – um herói solar, misto de Indiana Jones e James Bond quatrocentista – se prestava às mil maravilhas para essa construção.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Há em mim o síndrome de Joana d’Arc, que me leva a defender causas perdidas ou esquecidas, neste caso dar a conhecer figuras da nossa História e Cultura que são de há muito ignoradas, apesar da sua grandeza e do enorme contributo que deram, no seu tempo, para o avanço do nosso país e mesmo da civilização a um nível global.
Assim, em 2008, quando finalizava O Navegador da Passagem, sobre o injustamente ignorado Bartolomeu Dias (um grande Homem espoliado do seu sonho), já não consegui afastar do pensamento essa outra espantosa personagem que aí aparecia, embora fugazmente. Pêro da Covilhã era enviado, em 1487, com o albicastrense Afonso de Paiva, a descobrir por terra aquilo que o navegador Bartolomeu Dias iria demandar pelo mar: uma derrota para as especiarias da Índia e notícias do encoberto Preste João, o mítico imperador cristão do Oriente, cujo paradeiro a Europa buscava, em vão, há mais de duzentos anos. Apesar de tão espantoso feito, Pêro da Covilhã, o espião preferido de D. João II para as missões mais perigosas e secretas, não teve sequer o direito de ser conhecido pelo nome de família, mas apenas pelo do lugar que o viu nascer, sendo igualmente ignorado pela maioria dos portugueses.
Quis torná-los vivos, reais e próximos aos meus leitores, para que não os esqueçam.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Mudei de período histórico para dar continuidade ao projecto de D. Sebastião e o Vidente (2006), pois gosto de ter obras a conversarem ou a discutirem umas com as outras. Terminei esse livro com os prenúncios da anexação de Portugal pela Espanha, assim, no novo romance – que já vai adiantado, embora não esteja segura de o poder terminar em 2010 por ter um tema e também um estilo mais complexos – o poeta guerreiro, seu protagonista, dá a conhecer as consequências dos desastrosos reinados dos dois últimos Filipes para o reino de Portugal e os seus senhorios do Brasil, África e Oriente – sujeitos à cobiça e depredação das nações estrangeiras – que levam, por fim, à Restauração e subida ao trono de D. João IV.
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Deana Barroqueiro
O Espião de D. João II – Na Demanda dos Segredos do Oriente e do Misterioso Reino do Preste João
Ésquilo Editora

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Oxford, cenário de Intriga

Veronica Stallwood prossegue a sua saga policial que tem Oxford como pano de fundo. Depois de “Mistério em Oxford”, “Morte em Oxford”, “Luto em Oxford” e “Fraude em Oxford” chegou recentemente às livrarias portuguesas o quinto romance da autora, “Intriga em Oxford”.
Stallwood insiste na receita que lhe tem granjeado sucesso: a mesma personagem principal – a escritora de romances históricos Kate Ivory –, o ambiente familiar, a cidade de Oxford como pano de fundo e, claro, suspense do princípio ao fim, mantendo os leitores na expectativa até à última página.
Em “Intriga em Oxford”, Kate Ivory parte em digressão por livrarias do interior do país para promover o seu novo livro, juntamente com um outro escritor, Devlin Hayle. E se o companheiro de viagem parece atrair todo o género de problemas dado o género de indivíduos que o persegue, Kate acaba por ter muito mais com que se preocupar do que zelar pela vida do seu exasperante colega.
E é precisamente durante a digressão que um terrível acontecimento vai ensombrar a sua vida e pôr em causa o ténue equilíbrio que une o invulgar trio que gira à sua volta: um polícia, um bibliotecário e um adolescente problemático.
Mais uma vez Veronica Stallwood leva o leitor a entrar num jogo complicado de histórias cruzadas que só no final se encontram.
Apenas uma certeza: o leitor fica ansiosamente à espera do próximo livro.
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Veronica Stallwood
Intriga em Oxford
Publicações Europa-América, 20,51€

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Confissões


Arlyn uma jovem de dezassete anos, romântica que acreditava que o seu príncipe encantado ia surgir na curva do caminho. Aconteceu, só que se era o oposto do que havia sonhado. Desse casamento nasceu um rapaz (Sam) a quem o pai nunca ligou e que criou com a mãe uma fortíssima ligação que era de todos a única a compreendê-lo.
Perdeu a mãe muito cedo, o que o tornou mais revoltado para o que ajudou o consumo de drogas. Era um artista espectacular mas os seus desenhos eram estranhos compatíveis com a sua estranha personalidade que para muitos não passava de um louco. Só a sua meia irmã Blanca o compreendia e amava sem condições. Uma família que se foi destruindo pouco a pouco sobrando poucos que seguiram o seu caminho. Um livro que nos prende da primeira à ultima página.
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Alice Hoffman
Confissões ao Luar
Asa, 13,50€

sábado, 15 de agosto de 2009

Numa festa de anos


Este livro relata-nos a vida de um jovem nascido numa aldeia da Grécia .
Pobre mas com sonhos megalómanos sempre se convenceu que havia de conseguir possuir um Império, emigrando para Buenos Aires na esperança de o conseguir com a sua tenacidade, inteligência e não olhando a meios para o conseguir usando de muitos ardis. Conseguiu infiltrar-se nos meios onde só alguns entram. Contudo, havia um sonho que ele ainda não tinha alcançado: a arístocracia, casando duas vezes no intuito de o conseguir.
A Festa de Anos foi uma das muitas que realizou, mas a vida foi cruel com ele. Um livro que se lê com muito interesse da primeira à última página.
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Pano Karnezis
Festa de Anos
Bizâncio, 12,50€

Mistério em Lisboa


Uma jornalista encontra-se por acaso em Londres para cobrir um julgamento sobre um dentista Canadiano acusado de ser um assassino em série. Estava sentada num banco de jardim, fazendo dois artigos que seriam enviados para o jornal conforme o veredicto que nesse dia os jurados iriam decidir. Um senhor idoso sentou-se no banco a seu lado e meteu conversa. Ela queria acabar o trabalho pelo que não lhe dava jeito a intromissão. No entanto, o senhor foi dizendo que se ela estivesse interessada lhe contaria uma história sobre um homicídio ocorrido há anos mas que ainda merecia que fosse feita justiça. Ela levantou-se e ele pôs-se logo de pé para estender a mão para a cumprimentar. Depois, como forma de despedida, mandou cumprimentos para a avó e comentou que ela tinha os olhos iguais aos dela. Ficou intrigada mas não teve tempo para mais nada, uma vez que ele atravessou a rua e um carro a alta velocidade o atropelou tendo morte instantânea. A partir daí começou a interessar-se pelo caso. Isso levou-a a Lisboa e ao tempo da Segunda Guerra Mundial. Lisboa era naquele tempo um viveiro da espionagem. Começou pelo fio condutor das informações que ia colhendo. Mas quando estava perto das pessoas que lhe poderiam dar qualquer ajuda por uma razão ou outra apareciam mortas. Mas não desistiu, colocando em risco a sua própia vida. Um livro que se lê com muito interesse pela aventura que nos proporciona.
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Emma Cole
Tudo o que é Secreto-Um Mistério Em Lisboa
Bertrand Editora, 19,95€

Numa época de medo


É um romance que nos envolve de forma apaixonante do primeiro ao último capitulo. Retrata-nos na perfeição o clima que se vivia na corte. Era uma época de medo e insegurança que sagrava em tudo e em todos que de alguma forma estavam ligados a ela. Tudo começa com a viagem que o Monarca e toda a sua vasta comitiva realizam ao norte de Inglaterra depois de uma tentativa falhada de uma conspiração em York. O Rei tenta mostrar todo o seu poderio para acalmar e tornar submissos todos os revoltosos.
A trama desenvolve-se muito à volta de um personagem, o advogado Matthew Shardlake que parte a mando do Arcebispo Cranmer acompanhado do seu assistente Jack Barak
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C. J. Sansom
O Soberano-Intriga na Corte
Edições Asa, 18€

Duas histórias de amor


"A Terra Será Tua" é um romance histórico de leitura aliciante que nos narra os dramas, amores, traições, vinganças, tramas, invejas e toda uma série de sentimentos.
Tudo o que no silêncio das cortes se tecia para se ser considerado cidadão de Barcelona, um alto cargo que abria muitas portas. São-nos contadas duas lindas histórias de amor de duas jovens com finais diferentes.
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Chufo Lloréns
A Terra Será Tua
Bertrand Editora, 21,95€

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Romance em Paris

O seu nome não é desconhecido, mesmo para quem nunca leu um livro da sua autoria. Afinal, Danielle Steel já vendeu qualquer coisa como 550 milhões de livros em todo o mundo.
Os livros da “rainha do romance”, como é considerada por muitos, são normalmente best-sellers – e não é difícil perceber porquê. As suas personagens correspondem ao estereótipo socialmente correcto: os homens são fortes, ricos, bem vestidos; as mulheres são frágeis mas com enorme força interior, elegantes, bonitas, bem vestidas… e seja qual for o enredo, com mais ou menos drama, uma certeza há: um final feliz.
“Cinco Dias em Paris” não foge à regra. Ele é um sensual e bem sucedido homem de negócios que dirige a empresa do sogro, com uma carreira brilhante e uma família feliz (ou pelo menos assim pensa); ela é a bonita, delicada e discreta mulher de um senador norte-americano, com a alma destroçada por uma tragédia. E Paris é a cidade do amor…
Recomendado a quem gosta de histórias cor-de-rosa.
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Danielle Steel
Cinco Dias em Paris
Bertrand Editora, 16,91€

Thriller com sabor a policial

Seguindo um filão que parece ter vindo para ficar, “O Perito”, estreia literária de Robert Finn, é apresentado como sendo «melhor do que “O Código da Vinci” e que “A Regra de Quatro”», nas palavras de Andrew Taylor (autor de “The American Boy”) que a editora imprimiu na capa do livro.
Afirmá-lo é, no mínimo, um exagero. Dentro do género, o livro tem uma trama bem urdida, intensa, com algumas boas soluções, e é capaz de prender o leitor ao longo das suas quase 400 páginas. Mas não mais do que isso.
A história de um perito de uma seguradora chamado a investigar o roubo de uma misteriosa caixa de um misterioso (e assustador) cliente – cuja indemnização poderá levar a empresa à falência – que para resolver o imbróglio recorre à ajuda de uma historiadora não é, convenhamos, de uma criatividade sem limites. E o facto de a caixa ser um objecto de culto para uma violenta seita com poderes sobre-humanos também tem um certo sabor a “déjà vu”.
“O Perito” é um “thriller” bem escrito e divertido, com laivos de policial – o que nos tempos que correm é já uma boa recomendação.
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Robert Finn
O Perito
Publicações Europa-América, 23,91€