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sábado, 23 de agosto de 2008

Planícies de Passagem - Jean M. Auel


Em "Planícies de Passagem" chega ao fim toda a saga de Ayla, a menina Cro-Magnon que em o "Clã do Urso das Cavernas" se viu aos 5 anos sem família e só num mundo inóspito e cruel, sendo então adoptada e carinhosamente criada por um clã Neanderthal, seres muito diferentes dos seus.

Neste 4º volume, Ayla já é uma mulher responsável mas que busca o seu espaço no mundo e sobretudo junto daqueles da sua espécie.

Acompanhada de um homem que escolheu para parceiro, partem os dois em busca de uma terra a que possam chamar de lar e aí constituir família.

É extremamente complicado abordar a história deste livro porque fazê-lo significa desvendar obrigatoriamente vários factos que põem em causa outros factos que se descobrem no primeiro, segundo ou terceiro volume. A vida de Ayla é uma autêntica aventura no período Paleolítico, logo, um período em que muito há a descobrir, sobretudo ao nível da antropologia e geologia. Uma aventura que coloca em evidência a relação do Homem primitivo com o mundo que o rodeia e a percepção que o mesmo tem desse mundo e do lugar que ele começa a ocupar.

Ao nível geológico e antropológico, todos esses volumes são um manancial Histórico surpreendente e assaz rico. Desde o modo de vivência e relacionamento entre os membros das próprias tribos, até ao relacionamento entre os mesmos e interacção desses com o ambiente. Toda a viagem de Ayla dá-nos a conhecer vastos locais que hoje são perfeitamente identificáveis e, sabe-se, que Jean Auel foi bastante minuciosa e atenta às descrições que efectua, assim como bastante rigorosa na descrição do clima e das condições de vida daqueles primitivos povos.

Fazendo uma retrospectiva deste 4 volumes - "Clã do Urso das Cavernas", "Vale dos Cavalos", "Caçador de Mamutes" e "Planícies de Passagem" -, vendo todos estes livros apenas como sendo uma obra com o título "Saga dos Filhos da Terra", posso garantir-vos que se trata de um conjunto de livros muito interessantes, que se lêem com gosto e de uma forma compulsiva, tal a forma e o ritmo agradável e ávido que Auel utiliza na sua escrita. No entanto e enquanto eu aconselho principalmente os dois primeiros livros, já deixo algumas reservas no terceiro e já não recomendo o quatro.

Sobretudo porque o quarto título (também ele divido em dois volume), deveria ser um título que finalmente desvendasse algumas das muitas questões que Auel vai levantando nos seus antecessores. Questões essas que nos deixam na ânsia de ler para saber, porém é imensamente frustante muitas dessas questões ficarem sem resposta.

Por outro lado é nítida a saturação da escritora. A aventura parece não ter fim, é aborrecida. As zangas e as pazes entre Ayla e Jondalar são quase sempre iguais, as cenas de sexo repetem-se numa clara tentativa, frustada, de dar algum erotismo ao livro, no entanto e embora Auel use uma linguagem muito explicita, geralmente essas cenas não nos comovem rigorosamente nada.

Porém e embora me tenha desagradado bastante este livro, pois admito que também eu já estivesse saturado da obra - 6 volume são 2463 págs. -, sei que este título não fechou a saga, pois e posteriormente Auel ainda editou um outro livro com o nome "The Shelters of Stone" (2003) que nunca foi editado em Portugal e em muitos países, visto que o flop foi tão grande com os últimos títulos que, acharam as editoras, um novo título não seria vendável.

Tenho pena, pois e provavelmente teríamos a resposta a várias questões que ficaram no ar, logo, parte da minha crítica que me leva a classificar este volume como um mau livro, poderia sofrer uma grande atenuante, pois parece-me ser este "Planícies de Passagem" mais um volume intermediário e não um volume final.

sábado, 19 de julho de 2008

Caçadores de Mamutes (Os) - Jean M. Auel


Em os "Caçadores de Mamutes", divido em dois volumes, voltamos a encontrar Ayla, agora já uma jovem e bela mulher com a capacidade de discernir o seu mundo e as diferenças que a separam daqueles que a criaram.

Neste terceiro volume, e não querendo entrar em detalhes, pois poderia estragar o prazer da descoberta e da surpresa, Ayla parte para a terra dos Mamutes, animais imponentes que eram a base da alimentação da altura.

Atravessando planícies sem fim, Ayla acaba por encontrar uma terra habitada pelos da sua espécie, no entanto ela própria sabe que também cada vez está mais longe da tribo que a criou e onde ela ainda tem motivos para amar...

Este terceiro volume, pese embora Auel continue o estilo e a forma narrativa assente, como já referi, em factos Geológicos e Históricos reais, perde imenso para os dois antecedentes.

Não vou aqui mencionar as principais razões porque considero essa perda, sobretudo porque iria cair em considerações sobre acontecimentos da própria história, mas há algo que está subjacente à própria extensão da obra, que é algum cansaço e saturação que se nota na escritora, assim como uma natural saturação do próprio leitor, pois repare-se: quando chegamos a este "Caçador de Mamutes", já levamos dois volumes lidos num total de cerca de 1.000 páginas. Sobre a época descrita, sobretudo sobre a coexistência entre o Homem de Neanderthal e o de Cro-Magnon já tudo foi praticamente dito em o "Clã do Urso das Cavernas" e o "Vale dos Cavalos" assim, este presente livro torna-se algo repetitivo nessas descrições, caindo assim também na repetição ao nível das situações, sobretudo quando Auel parece ter considerado o sexo como um escape ao argumento.

Pessoalmente gostei, mas não escondo que me decepcionou imenso. Vinha embalado com os outros dois e foi deveras frustante ver e sentir que a própria escritora estava mortinha para acabar com a história.

Obviamente que o livro tem a sua Qualidade. Lê-se bem e é curioso constatar a evolução de Ayla, mesmo a sua evolução no contacto com os da sua espécie, porém este fica muito aquém do esperado e exigível.

Mas existem algumas análises que se podem fazer, sobretudo no contexto social, nomeadamente ao nível do comportamento em grupo, podendo mesmo afirmar que este livro efectua uma curiosa análise aos primórdios dos comportamentos entre indivíduos.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Vale dos Cavalos (O) - Jean M. Auel


Este "Vale dos Cavalos" é o segundo da tetralogia "Os Filhos da Terra", iniciada como o fabuloso "Clã do Urso das Cavernas".

Tal como no primeiro volume, e outra coisa não seria de esperar, somos novamente transportados até ás planícies asiáticas de há 25.000 anos em pleno período Paleolítico.

A história segue exactamente a linha iniciada em "O clã do urso das Cavernas". Ayla é agora uma adolescente em constante conflito com os membros do clã que a adoptaram. Ela é diferente deles e começa-se a aperceber não só dessas diferenças como e principalmente das capacidades que os outros não têm. Obviamente que isso, e ainda por mais sendo fêmea, provoca nos outros um sentimento de frustação, ira e inveja, o que irá levar a naturais conflitos e uma expulsão do clã, partindo assim Ayla em busca dos da sua espécie.

Jean M. Auel é novamente brilhante na forma como descreve não só a época em si, como na abordagem das práticas e costumes do Homem de Neanderthal e Cro-Magnon.

A história é profundamente terna, conseguindo também ponto de viragem absolutamente fantásticos, pois vão sendo lançados factos violentos que marcavam, de uma forma natural, aquela época tão longínqua como igualmente desconhecida.

Obviamente que muito da obra é puramente ficcional, sobretudo no aspecto do relacionamento e coexistência entre esses dois grupos de hominídeos, no entanto a escrita de Auel é tão viva e interessante que facilmente nos deixamos engolir pela narrativa, sendo então arrebatados para aquela época.

Um volume muito bom, mas que já não tem aquela áurea que nos surpreende em "O clã do urso das cavernas", sobretudo porque após o brilhantismo do primeiro volume, é lícito esperar-se uma continuação melhor ou igual.

Claro que existem muitos pormenores Históricos, mas deixo que descubram isso por vocês próprios.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Clã do Urso das Cavernas (O) - Jean M. Auel


Este é um dos melhores livros que li até à data. Para além da história cheia de pormenores e excelentemente bem narrada por Jean Auel, a mesma é enriquecida por toda uma arquitectura fortemente alicerçada em factos Históricos e Geológicos reais.

Jean M. Auel aquando da preparação deste notável romance histórico, efectuou vários e apurados estudos da época retractada - chegando mesmo a acampar durante uma noite num abrigo construído "à moda" pré-histórica e em condições extremamente duras - assim como acerca dos homínideos caracterizados: Homem de Cro-Magnon e Homem de Neanderthal.

Há 25.000 anos o planeta Terra era um "local" ainda em construção, habitado aqui e ali por estranhos animais que viviam sobretudo da caça. Uma época algo perdida na História, mas uma época onde se sabe que o Homem começa a ter alguma "atitude" artística e religiosa.

Algures no continente asiático, um violento abalo sísmico devasta todo um acampamento de uma tribo de Cro-Magnon, no entanto e por se encontrar fora do espaço da aldeia, acaba por sobreviver a esse forte abalo uma menina de uns 5 anos (Ayla), que se vê, de um momento para o outro, sozinha num mundo assustador e inóspito.

Obrigada a vaguear pelas frias estepes asiáticas, acaba por ser vencida pelo cansaço, soçobrando, destinada, quiça, a servir de alimento para terríveis felinos.

É encontrada então por um grupo de viajantes Neanderthalenses que, com pena daquele frágil ser, a acabam por adoptar, nascendo aí toda uma história que irá pôr em foco as diferenças entre essas duas raças e sobretudo uma curiosa comparação e estudo entre as mesmas.

É um texto imponente onde é evidente o porquê do fim do Homem de Neanderthal. Extremamente atractivo ao nível das peripécias narradas, é também ele constantemente salpicado por factos sórdidos de cariz sexual, revelando, como é compreensível, uma bestialidade insana, mesmo grotesca.

Brilhantemente adaptado ao cinema em 1986 por Michael Chapman e tendo como principal actriz a bela Daryl Hannah, este é um livro riquíssimo ao nível Histórico e deveras aliciante e excitante na forma como o enredo é construído.

Altamente recomendado.