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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Frankenstein

Autor: Mary Shelley
Título Original: Frankenstein; or, the Modern Prometheus
Editor: Colecção BIS/Leya
Páginas: 238
ISBN: 9789896530198
Tradutor: João Costa

Sinopse
Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante, que a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais consegue dar vida a um monstro que se revolta contra a sua triste condição e persegue o seu criador até à morte.

Frankenstein foi adaptado inúmeras vezes ao cinema, mas a mais memorável imagem do monstro foi encarnada pelo actor Boris Karloff, em 1931, fazendo ainda hoje parte da cultura popular.

Opinião
Há livros que fazem parte do imaginário colectivo e cujo nome, mais ou menos vezes, já toda a gente ouviu falar: Frankenstein é um deles, não só por força das várias adaptações ao grande ecrã, mas também devido à qualidade literária que o livro apresenta e às questões que levanta. Mary Shelley terminou de escrever este livro quando tinha apenas 19 anos, tendo sido publicado pela primeira vez em 1818.

A história começa com cartas escritas pelo explorador Robert Walton à sua irmã, nas quais relata as suas viagens e o empreendimento que irá levar a cabo no Pólo Norte, querendo chegar onde nenhum homem tinha chegado antes. Em determinada altura dessa viagem, Walton encontra no meio do gelo um homem fragilizado, que recolhe para o seu navio, oferecendo-lhe a sua ajuda para que este recupere. Após uma fase mais complicada, o tal homem, de seu nome Victor Frankenstein, começa a contar a história da sua vida e todos os acontecimentos que o levaram até ao local em que foi encontrado.

Frankenstein fala-nos da sede de saber na sua juventude, da vontade que tinha de mudar o mundo e do desejo de deixar o seu nome na galeria dos grandes da ciência. A dada altura da sua vida, com 17 anos, muda-se de Genebra para Ingolstadt (Alemanha), a fim de prosseguir os seus estudos. É nesta cidade que descobre a forma de dar vida a coisas inanimadas e, a partir de pedaços de corpos de mortos, constrói e dá vida a um homem, que faz maior que o homem normal por causa da dificuldade em recriar todos os pequenos detalhes do corpo humano. No entanto, após fazer este ser acordar, Victor apercebe-se da sua monstruosidade e foge com medo dele. Os acontecimentos subsequentes da vida de Victor, e da vida dos que lhe são queridos, estarão sempre, de uma ou outra forma, ligados à sua "hedionda" criação, que por força da sua solidão e exclusão da sociedade começa a perseguir o seu criador.

É um livro que encerra uma série de questões extremamente interessantes, que vão desde a vontade que o Homem sempre teve em interferir com a Natureza e o seu normal curso até ao problema da solidão e exclusão da sociedade por via da diferença, e da necessidade de qualquer ser humano tem em sentir-se integrado. É uma história marcante, pela inovação que representou na época e pelos temas que trata, e que continuam bem actuais. Recomendo vivamente!

PS: Podem ver aqui a crítica do Menphis a este livro.

9/10 - Excelente

[Livro n.º 62 do meu Desafio de Leitura]

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Frankenstein

Quando dantes ouvia falar de Frankenstein, o meu pensamento iria logo para um monstro grande, cruel, assassino, horroroso e os meus sentimentos assemelhavam-se logo aos elementos comuns a um filme de terror. Mas o clássico escrito por Mary Shelley é muito mais do que isso. O primeiro erro comum a todas as pessoas é pensarem que Frankenstein é o nome do monstro, quando ele revela sim o nome do seu criador. E é a vida dele que acompanhamos neste pequeno livro que se tornou, e muito justamente, num grande clássico da literatura, sendo até criador de um género literário.

Victor Frankenstein é um cientista solitário que consegue realizar um sonho de toda a sua vida: dar vida a uma criatura. Criatura essa que ele depois rejeita, qual pai de um filho bastardo, mesmo quando ele mostra um bom coração e sentimentos nobres, a partir daí a sua criação irá tornar-se num monstro, perdendo toda a sua doçura, devido ao preconceito e ao desprezo de uma sociedade que não o compreende, transformando-se num monstro assassino e vingando-se da pessoa que lhe é mais cruel: o seu próprio criador.

Mary Shelley, cuja idade quando escreveu este livro era de apenas 19 anos e cujos livros fiquei com imensa vontade de ler, não necessita de evocar elementos de horror, nem de escrever aquelas frases feitas que tanto lemos dentro do género, a sua escrita fluída, simples, e directa leva-nos a entrar num mundo onde a solidão, a vontade de amar alguém e ser compreendido, leva a uma obsessão de se vingar de todos, incluindo inocentes E quantas vezes vemos que rejeitados pela sociedade, muitas das vezes apenas pelo seu aspecto como Frankenstein, se tornam maus exemplos?

Se dantes a imagem que Frankenstein me transmitia era de horror, hoje não posso deixar de sentir pena e compaixão de uma criatura assim, apesar de todo o mal que ele acaba por fazer. Um livro intemporal e um clássico de, e para, sempre.

10/10

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Livro do Mês (Sugestão)

Para o mês de Outubro, sugiro este livro:

Frankenstein
Autor(es): Mary Shelley
Tradutor(es): Fernanda Pinto Rodrigues
Tipo de livro: Romance
Editora: Publicações Europa-América
Colecção Livros de Bolso Europa-América
Data da edição: 1995
Data da edição original (Editora da 1ª edição): 1818
Nº de páginas: 152
Género: ficção científica/Horror



Li este livro em Fevereiro de 1995 mas ainda me recordo bem da história e do modo como me marcou profundamente!

Se pensam que é um livro de terror, então estão redondamente enganados! Na verdade, o monstro que aparece na maior parte dos filmes é visto como o mau ou um assassínio cruel que assusta toda a gente. Pois, nada disto se passa no livro!

A história é extremamente sentimental. Entramos para o interior do monstro e assim "vemos" os seus sentimentos mais profundos: o horror e o medo que a criatura sentiu em relação ao seu próprio corpo; a confusão perante a vida, o espaço, tudo estranho e desconhecido; o choque com a rejeição e os gritos das pessoas sem saber porquê... Depois acompanhamos a sua descoberta da comunicação e a auto-aprendizagem às escondidas, a descoberta do amor e o desejo de ser amado; o surgimento da terrivel dor de solidão e de abandono... Este monstro foi amigo de uma familia pobre, fazia-lhe surpresas, trazia comida à porta, e o que aconteceu depois, não conto. O monstro tinha um lado bom, uma alma sensivel e humana aprisionada num corpo horrendo. Então, porque é que se tornou mau? Basta imaginar, se fossemos nós como este monstro, como iríamos sentir ou reagir?

De facto, apresenta uma forte carga emocional. Fez-me chorar e sentir pena do monstro, revoltar e ter ódio ao criador por o ter feito e depois o ter abandonado!

É um dos meus livros predilectos e preferidos! Recomendo altamente!


Cinematográfica:

Em 1994 foi lançada uma adaptação cinematográfica dirigida por Kenneth Branagh de nome Mary Shelley's Frankenstein (com o próprio Branagh no papel de Victor Frankenstein), Robert De Niro como a criatura e Helena Bonham Carter como Elizabeth. Apesar do título sugerir uma adaptação fiel, o filme toma uma série de liberdades com a história original.