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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Corte dos Traidores

Autor: Robin Hobb
Título Original: Royal Assassin (2.ª metade)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 368
ISBN: 9789896371555
Tradutor: Jorge Candeias

Sinopse
Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca. Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.
Mais uma vez, Fitz é chamado para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.
Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável.

Opinião
"A Corte dos Traidores" é o 3.º volume da Saga do Assassino e corresponde à segunda metade de Royal Assassin, o 2.º volume da trilogia original. O livro anterior tinha deixado muitas coisas pendentes, por isso foi com elevada expectativa que parti para esta leitura (podem ver as minhas opiniões sobre os primeiros dois volumes desta Saga aqui e aqui).

Tal como o título indica, este livro foca-se essencialmente em intrigas decorridas na corte do Rei Sagaz, após a partida do príncipe e Rei Expectante Veracidade numa demanda pela ajuda dos Antigos, de modo a colocar um ponto final nas ameaças constantes dos Navios Vermelhos. Com a saúde do Rei cada vez mais débil e aproveitando o facto de o irmão mais velho se encontrar longe da corte, o príncipe Majestoso tudo tenta para conseguir o poder para si próprio. No entanto, o jovem Fitz, bastardo do falecido Príncipe Cavalaria, está a par das intenções de Majestoso e, com a ajuda de Breu, da rainha Kettricken, de Castro e do Bobo, irão tentar salvar a vida do seu Rei e guardar o trono até que o príncipe Veracidade regresse.

Mais uma vez, foi um prazer continuar a acompanhar esta história, não só pelo interesse cada vez maior que o enredo proporciona, mas também pela ligação que criamos com as personagens e os seus dilemas e pela escrita maravilhosa desta autora. O facto de termos uma história contada na primeira pessoa pode ou não funcionar bem, dependendo da habilidade do autor, mas aqui funciona na perfeição. Não só é extremamente bem conseguida a forma como a autora "veste a pele" da sua personagem, como contribui bastante para aumentar o interesse do leitor pelas personagens secundárias, pois como apenas as vemos pelos olhos de Fitz, fica sempre aquela sensação de mistério e curiosidade no ar.

As intenções dos Ilhéus, que continuam a atacar os povoados costeiros, "forjando" os seus habitantes, permanecem uma incógnita. A dada altura, refere-se a probabilidade de a maldade não ter propriamente um motivo, mas existir apenas por existir. Não estou convencida dessa possibilidade e, por isso, aguardo com expectativa o desenlace desta situação.

O livro tem um final poderoso e emocionante. Daqueles que nos fazem acreditar em determinada coisa para na página seguinte percebermos que, afinal, não era assim. E o que realmente aconteceu abre excelentes perspectivas para o próximo volume, "A Vingança do Assassino", que deverá sair em Janeiro de 2010. Mal posso esperar!

9/10 - Excelente

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Punhal do Soberano

Autor: Robin Hobb
Título Original: Royal Assassin (1.ª metade)
Editor: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896371302
Tradutor: Jorge Candeias

Sinopse
Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?

Opinião
Neste segundo volume da Saga do Assassino (podem ver a opinião sobre o primeiro aqui), continuamos a acompanhar o crescimento de Fitz e a sua vida como bastardo na corte do Rei Sagaz. Fitz continua a tentar adaptar-se ao seu papel de assassino e espião do Rei e a sofrer com as imposições que estas tarefas acarretam. Já muitos conhecem as habilidades de Fitz com o Talento, mas quase todos ignoram que ele também possui uma habilidade chamada Manha, que lhe permite comunicar com os animais. Neste livro, Fitz arranja um novo amigo, Lobito, e confesso que gostei muito das partes entre os dois. No meio disto tudo, Fitz tem ainda de lutar pelos seus sentimentos em relação a Moli, uma amiga de infância que se tornou em algo mais.

A história segue as várias pontas soltas deixadas do livro anterior: para além do regresso de Fitz a Torre do Cervo e da sua evolução como homem do Rei, assistimos às consequências dos ataques dos Navios Vermelhos, com o aparecimento de vários "Forjados" (pessoas completamente desprovidas da sua essência, que agem como animais). Este ataque a pessoas inocentes continua a ser um dilema para o Rei e a sua corte, uma vez que tanto o processo como o objectivo continuam a ser uma incógnita, para além de trazer um grande sofrimento aos sobreviventes que vêm os seus entes queridos serem sujeitos à terrível tranformação.

Em termos de história, estamos perante um volume de transição, por assim dizer, em que fica a sensação de que estamos a ser preparados para acontecimentos e desenvolvimentos posteriores. Apesar de gostar imenso do enredo e da grande maioria das personagens que Robin Hobb criou para este livro (Veracidade, o Bobo, a Dama Paciência...), para mim o ponto alto (já o tinha sido no volume anterior) é mesmo a sua escrita e a forma como nos envolve no que estamos a ler. Há livros em que somos meros espectadores e em que simplesmente vamos testemunhando acontecimentos; há outros em que parece fazermos parte da história, em que as personagens acabam por se tornar amigos: este livro inclui-se, sem dúvida, nesta segunda categoria. Aguardo ansiosamente a publicação do próximo volume, "A Corte dos Traidores", que constitui a 2.ª metade do original Royal Assassin e está previsto para Outubro deste ano.

8/10 - Muito Bom

[Livro n.º 71 do meu Desafio de Leitura]

domingo, 22 de março de 2009

Aprendiz de Assassino

Sinopse: O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino. Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino. Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia um das séries mais bem-amadas da fantasia épica.

Aprendiz de Assassino é o primeiro volume d"A Saga do Assassino. O segundo volume, cujo lançamento está previsto para Maio deste ano, terá o título O Punhal do Soberano.

Nesta primeira parte da história, acompanhamos Fitz desde que, em criança, é deixado na corte para ser criado como bastardo de um dos príncipes. A partir daí, o jovem rapaz tem de lidar com a solidão a que é votado e com o Talento que possui. Ao mesmo tempo, surge o misterioso Breu que irá ensiná-lo todos os truques para se tornar num assassino. A verdade é que os conhecimentos recém-aprendidos por Fitz serão necessários mais cedo do que ele julgava, quando o território dos Seis Ducados começa a ser atacado por habitantes das Ilhas, que sequestram habitantes de várias aldeias, devolvendo-os vazios de sentimentos humanos. Para além da ameaça externa, haverão ainda lutas interiores pelo lugar de herdeiro do Rei Sagaz, nas quais Fitz também estará envolvido.

Apesar de alguns momentos mais parados, que servem essencialmente para a construção de personagens, este livro foi uma leitura muito agradável e emocionante. Gostei imenso da história de uma maneira geral e de alguns detalhes em particular, como o facto de a grande maioria das personagens ter nomes de alguma forma relacionados com as suas personalidades (por exemplo, Rei Sagaz, Príncipe Veracidade ou Dama Paciência), ou a presença de um pouco da história dos Seis Ducados no início de cada capítulo. Também gostei imenso da ligação profunda de Fitz com vários animais.

Apreciei muito a forma como a Robin Hobb escreve o seu livro, utilizando a voz de Fitz na primeira pessoa. A forma como a história é contada acompanha, por assim dizer, as várias fases do seu crescimento, no sentido em que cada passo reflecte o estado de maturidade da personagem principal. É uma escrita envolvente e que vai crescendo no leitor ao longo do livro. Criamos laços fortes não só com Fitz, mas com muitas outras personagem que o rodeiam... Gostei especialmente do Príncipe Veracidade e de Breu. No final, o epílogo deixa a sede pela leitura do próximo volume, cujas páginas estou ansiosa por folhear.

8/10 - Muito Bom

[Livro n.º 21 do meu Desafio de Leitura]