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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Caio Fernando Abreu & Luiz Arthur Nunes - A Maldição do Vale Negro


Título: A Maldição do Vale Negro
Autores: Caio Fernando Abreu & Luiz Arthur Nunes
Gênero: Teatro
Editora: Igel
Escrito pelos gaúchos Caio Fernando Abreu e Luiz Arthur Nunes nos anos 80, A Maldição do Vale Negro conta a trajetória de Rosalinda, ingênua jovem que vive em um castelo, sob o rígido controle do conde e da governanta, ambos personagens que guardam um segredo que pode mudar a vida da garota. O texto parodia o melodrama, gênero que teve seu auge no século dezenove, após a Revolução Francesa, e que mostra situações que vão do drama ao patético, fazendo a platéia ficar em dúvida se, afinal de contas, aquilo que está em curso é uma tragédia ou uma comédia.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Dias Gomes - A Invasão & A Revolução dos Beatos

ebookTítulo: A Invasão & A Revolução dos Beatos
Autor: Dias Gomes
Gênero: Teatro
Editora: Civilização Brasileira

A Invasão

Dias Gomes neste livro segue uma linha criadora da mais significativa importância social ao focalizar o drama intenso e amargo dos sem-casa. Seu teatro vai a raiz dos problemas que afligem a população brasileira.


A Revolução dos Beatos


A peça A Revolução dos Beatos, de Dias Gomes, fala sobre certo episódio de fanatismo religioso e sua exploração política utilizando-se do ritual do bumba-meu-boi, explorando inclusive a dança e alguns personagens deste folguedo. O cenário onde trancorre o episódio é a cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, onde figuras representantes desse fanatismo exacerbado pela figura do Padre Cícero desfilam seus lamentos e cantorias em busca de milagres.

Livro Inédito

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Distribuindo conhecimento e cultura

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Rei Lear - William Shakespeare

Escrito entre 1603 e 1606, sendo levado pela primeira vez à cena em Dezembro de 1606, o Rei Lear é considerado uma das obras mais importantes de Shakespeare e é aquela que é mais lida e representada na Grã-Bretanha, até a 1ª fase da série “Black Adder” é inspirada nesta obra.
Poder, traição, vingança e amores, são os temas principais desta obra, focada num velho rei que faz doações de todos os seus domínios às suas 3 filhas tendo, contudo, como condição que todas elas no momento de receber essa doação, dissessem palavras bajuladoras ao rei. Porém uma delas recusa-se a ser hipócrita e, num acesso de fúria e loucura, Lear renega essa filha (Cordélia), deserdando-a e dividindo então o reino pelas outras duas.
Os conselheiros de Lear tentam alertá-lo para a terrível injustiça que ele acaba de cometer mas, e à boa maneira medieval, Lear não lhes dá ouvidos e com o orgulho ferido expulsa Cordélia do seu reino.
Uma vez na posse das terras, as duas filhas (Goreil e Regane) logo encetam uma série de contactos a fim de usurpar o reino de Lear e é neste contexto de vilanias e traições, de combinações secretas e de vis acções que se desenvolve toda esta famosa peça de Shakespeare.
Tal como sucedeu em praticamente todas as suas obras, para não dizer mesmo em todas, Shakespeare não foi o criador do trama de Rei Lear. Obras como “Romeu e Julieta”, “Hamlet”, “Mcbeth”, já eram bem conhecidas na época de Shakespeare, no entanto o que Shakespeare fez não se tratou de plágio. Shakespeare teve o génio de “pegar” nessas histórias e de as tirar do circulo do folclore local, empregando a sua pena para escrever ou rescrever obras fenomenais. Ou seja, ele “pegou” em historiazecas e rescreveu-as mantendo, contudo, o fulcro original.
A história do Rei Lear surge pela primeira vez em latim na “História Britonum de Geoffrey os Monmouth” em 1135. daí para a frente, são várias as versões de “Lear”, sempre tendo como trama principal o rei louco e as suas filhas. Assim constata-se que Shakespeare teve acesso a uma enorme bibliografia que o ajudou a elaborar a sua obra, no entanto e pelos textos anteriores, Shakespeare deu-lhe nova forma, e porquê? Simplesmente porque deixou o fulcro da história intocável mas introduziu velhas lendas britânicas, colocou o seu ideal de justiça e inclusive narrou factos astronómicos verificados naquela época (1603-1606).
Este Rei Lear torna-se assim mais de que uma mera peça teatral. Para além de expor muito do pensamento da Renascença, esta, assim como todas as peças de Shakespeare, é um retracto da Inglaterra medieval com todos os tramas que caracterizavam aquelas épocas.
Pessoalmente e tendo já lido praticamente toda a obra de Shakespeare, que considero o primeiro mestre da literatura moderna, aquele que serviu e serve de escola para muitos escritores, esta peça não é das que mais aprecio.
Não tem a força e o carácter de Macbeth, Othello ou Hamlet. Não tem a ternura e o tom trágico de Romeu e Julieta. Os tramas das peças mencionadas empolgam, fazem-nos vibrar, deliciam-nos. Este Rei Lear, embora seja marcado por traições e encontros conspiratórios, não tem a força dos diálogos de outras peças e parece-me também que faltam excertos que interliguem alguns dos actos, pois há acontecimentos que se sucedem um pouco sem nexo e de uma forma precipitada.
Esta não é das melhores obras de Shakespeare, pessoalmente prefiro Mcbeth, Hamlet e Othello.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Mauro Rasi - PÉROLA

Título: PÉROLA
Autor: Mauro Rasi
Gênero: Teatro
Editora: Record

Trata-se de um grande clássico de caráter universal primordial para a educação. Possui texto de fácil entendimento que estimula o leitor a pensar e refletir sobre o tema proposto. "Pérola", um de seus maiores sucessos, foi assistida por 300 mil espectadores.

Livro Inédito

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Almeida Garret - O Alfageme de Santarém

Título: O Alfageme de Santarém
Autor: Almeida Garret
Gênero: Teatro

Retirado do livro:

Quis-se pintar este quadro a face da sociedade em um dos grandes cataclismos por que ela tem passado em Portugal. O pintor isolou-se de todo o sentimento e simpatia – paixões políticas, não as tem – para ver e representar, como eles foram, são e hão-de sempre ser os dois grandes elementos sociais, o popular e o aristocrático.

Tomou para primeira luz do quadro as principais figuras da interessante anedota da espada de Nun\'Álvares Pereira e da profecia do alfageme de Santarém, tão sinceramente contada naquele ingénuo estilo patriarcal da primeira Crónica do Condestabre, donde passou depois para os historiadores e poetas que a repetiram.

domingo, 29 de julho de 2007

Macbeth - William Shakespeare

Macbeth apenas foi editado pela primeira vez em 1623, 7 anos após a morte de Shakespeare. Desconhece-se a data em que foi escrita (pensa-se que tenha sido numa data posterior a 1606 devido à narração, na obra, de alguns factos ocorridos nessa altura) e do porquê de ele não a ter tornado conhecida, mas sabe-se que esta foi uma peça que não teve revisões por parte do autor, dadas as anomalias que o texto incerra.
A história que Shakespeare narra é parcialmente real. O poeta imaginou os diálogos e as situações, mas os acontecimentos descritos sucederam-se na realidade. Macbeth era o senhor de Glamis e primo do rei Duncan por altura de 1030. Cronistas da época descrevem o contraste entre Duncan e Macbeth. Enquanto Duncan era um homem pacífico e calmo, Macbeth era violento e cruel. Macbeth era um dos generais do exército de Duncan e a sua fama era tão grande que as forças inimigas tremiam só de ouvir o seu nome. No entanto, Macbeth era muito ambicioso e sabia que se o rei morresse, ele seria o seu natural sucessor e, numa ida de Duncan ao Castelo de Macbeth (era normal na época o rei efectuar uma visita anual aos seus condados, ficando hospedado nos palácios dos seus nobres), Macbeth, protegido pela neblina da noite, assassina o seu primo, apoderando-se assim da coroa escocesa. Esse assassinato, que relembro aconteceu na realidade, pensa-se ter ocorrido no Castelo de Glamis, situado a cinco milhas de Farfair. Curioso verificar que, hoje em dia, este castelo é extremamente famoso por outros factos que apaixonam os amantes do sobrenatural. É que o castelo de Glamis é um dos castelos assombrados mais famosos do mundo... No entanto, não existe a certeza de realmente foi nesse castelo que ocorreu o homicídio, pois uma outra história afirma ter o local, onde Duncan foi morto, sido devastado pelo seu filho Malcolm, sendo actualmente uma das muitas ruínas que abundam na Escócia. Mas estes foram os factos reais. Shakespeare pegou nesta história e deu-lhe magia e imortalidade. Nesta peça, Shakespeare apresenta-nos um personagem que é, na minha opinião, o seu personagem mais violento e controverso. Macbeth revela-se um homem violento, falso, cruel, extremamente supersticioso, vaidoso e narcisista, ou seja, Shakespeare parece aqui tentar efectuar a sua mais intrincada, elaborada e minuciosa análise psicológica de sempre. Macbeth representa quase todas as facetas que um Homem poderá possuir. Em cenários negros e lúgubres, Macbeth surge-nos como um grande senhor feudal, importante chefe do clã, com uma impressionante força e coragem, mas e ao mesmo tempo, com dúvidas que lhe dilaceram a alma, deixando antever um homem cobarde e medroso, inundado por terrores que raiam o limiar da loucura. Ou seja, um claro contra-senso que nos obriga a questionar? Aonde Shakespeare quis chegar, ou o que ele pretendia? Os remorsos de Macbeth são algo que flutuam durante a peça. Todas as cenas em que este sentimento se revela, são extremamente intensas e dramáticas. Shakespeare no entanto surpreende, porque debaixo desse homem vil, consegue criar um outro que demonstra sentimentos humanos muito fraternais. Um homem que na loucura da sua ambição, ganha características que são opostas ao seu verdadeiro (aparente) ser. Embora não seja a minha peça favorita, dada a sua violência e intensidade psicológica, Macbeth é notável pela forma como o trama é construído, pelos cenários recriados e pelos sublimes jogos de palavras entre os personagens. Uma obra grandiosa em que a psique humana é analisas sob diversos aspectos e é devido a essas múltiplas análises que, na minha opinião, mora o busílis da questão anteriormente colocada: Que pretendia Shakespeare com esta peça? Na minha opinião, esta foi a peça que Shakespeare sonhou tornar como a sua obra prima, a obra que pretendeu tornar única, atingir a perfeição. No entanto, penso que o Mestre ou não teve tempo ou não conseguiu fazê-lo. A obra está muito bem conseguida mas nota-se falhas, principalmente na história, na acção. A forma como constrói o personagem é quase perfeito, digo quase porque existem facetas que não fazem sentido, a forma oposta como ele cria dois personagens em apenas um, os jogos que ele cria, acaba por construir uma teia que fica por destruir. Por isso é que, e atenção que é apenas a minha opinião, Shakespeare nunca tornou conhecida esta peça, ele buscava a perfeição e, com Macbeth esteva a um passo de a conseguir. Estarei errado? É possível. Não sou nenhum entendido em Shakespeare, apenas gosto de efectuar análises do que leio, quando vale a pena claro! Na peça, saliento também as inúmeras alusões a factos históricos, alguns deles de grande importância para a monarquia inglesa e escocesa. Shakespeare demonstra que estava atento à sua época e que era um investigador minucioso que nada deixava ao acaso, abrilhantando o seu texto com lendas, superstições e folclore popular. Goste-se ou não, quando mais leio Shakespeare, mais me convenço que o homem era um génio. Ele não se limitou a escrever peças de teatro baseadas em lendas ou Histórias reais, ele foi mais longe. Assente numa escrita melodiosa e numa estrutura textual harmoniosa, Shakespeare efectuou profundas análises à sua sociedade e principalmente aos comportamentos, perfis psicológicos e morais das gentes, deixando-nos um legado valorosíssimo e de uma riqueza tal, que poucos têm sabido dar o seu real valor.

Hamlet - William Shakespeare

Hamlet é, porventura, a melhor obra de William Shakespeare. Pelo menos é aquela onde o autor elabora as suas mais minuciosas análises aos sentimentos humanos, medindo sensações e jogando com sentimentos de uma forma arrepiante. Sentimentos como o amor, a traição, o ódio, o ciúme, a ambição, o medo e a avareza, são transportados e lançados para dentro dos personagens, dando-lhes vida e personalidade.
Mas quando é que esta peça surge?
A primeira edição de Hamlet surge em 1604, no entanto existem muitas dúvidas sobre a real data em que Shakespeare criou esta peça. E porquê? Porque e embora a obra tenha sido editada em 1604, sabe-se que em 1596 era representada nos teatros de Londres uma peça com o nome de Hamlet. Antes, em 1594, encontra-se um Hamlet representado em Newington-Butts. E antes, em 1589, numa epístola que serve de prefácio ao “Menaphon” de Greene, existe uma alusão a Hamlet. Será que Shakespeare escreveu a peça antes de 1589? Muitos investigadores pensam que sim e por duas fortes razões: a primeira razão está presente no próprio texto onde Shakespeare faz alusão a factos que sucederam em 1584 e também porque nesse ano o escritor deu o nome de Hamlet a um dos seus filhos.
Embora pareça que nada tem a ver com a obra, penso que é importante saber a data da concepção da obra, ou, pelo menos, a data aproximada e simplesmente porque é fundamental para conseguirmos efectuar uma correcta análise do texto e entendermos a vastidão da obra.
Posto isto.
Como em praticamente todas as suas obras, Shakespeare não inventou a história. A mesma tem bases históricas muito antigas, confundindo-se factos reais com lendários.
Pensa-se que Hamlet (ou Ameth) tenha vivido dois séculos antes de Cristo. Era filho de Horwendilo, rei da Jutlândia. No entanto não existe consenso em relação ao seu nascimento, pois há quem defenda que ele viveu 500 anos antes de Cristo, na Selândia, onde ainda hoje se mostra o seu túmulo, no parque do Castelo de Marienlust, perto de Elsenor. Mas o certo é que a lenda de Hamlet, amplificada pelos imaginativos e sombrios bardos do norte da Europa, é vista como mais uma fábula do que propriamente um facto verídico, embora muitos historiadores aceitem que existe realmente um fundo de verdade na lenda. Mas o certo é que Shakespeare tomou, de alguma maneira, conhecimento desta lenda e retirou dela todos os materiais para escrever o seu drama.
O enredo de Hamlet respeita os factos da lenda e, como em praticamente todas as obras do Mestre, é muito simples. Um rei que é assassinado pelo irmão que, depois de se apoderar do trono, desposa a cunhada. O filho do rei assassinado, sabe de todo o trama pelo fantasma do próprio pai que lhe pede que cumpra uma missão e é aí que o drama se inicia.
É notável a forma como Shakespeare dirige o drama, a forma como ele expõe os afectos, as sensações e os sentimentos. A construção da obra está genial, Shakespeare consegue humanizar as personagens, dar-lhe a alma e uma forma comovente (leiam a obra ao som de Mozart ou Beethoven, é de arrepiar).
Cheia de superstições, medos, lendas e história lúgubres. A intensidade é espantosa, todo o cenário que o dramaturgo nos apresenta é sombrio, fantasmagórico, arrepiante. A descrição do cemitério é feita de uma forma decadente... “um terreno argiloso, perto da igreja e das habitações humanas, onde nem os fetos conseguem vegetar...”, Shakespeare injecta-nos medo.
O personagem de Hamlet é virtuoso, esplendidamente assombroso. É cativante, genialmente louco e loucamente genial. Um verdadeiro prodígio que nos arremessa pensamentos, dúvidas, certezas e inquietações de uma forma ora dramática, ora cómica e alegre, causando-nos admiração e respeito pela sua mestria oratória. Um personagem cheio de carisma que nos aparta da realidade e nos convoca para um mundo onde as palavras dançam. Pensamentos profundos inquietam Hamlet, perturbando-o, ora dando, ora retirando fundamentos que deseja possuir mas que vão contra o seu espírito. Um homem em luta consigo próprio, sistematicamente pesando nos pratos da balança os prós e contras, num combate lúcido de como e quando executar (a vingança). Arrebatador, assombroso.
A encantadora Ofélia... Oh Ofélia!
Que sensível, virtuosa e poetisa sóis! Ternos são os teus olhos, doce a tua pele, belo o teu ser. Doces cantos vos dediquei e acabastes por me deixar. Oh Ofélia, quais suspiros arrancam minha alma às garras de possessas águias que desmantelam o meu corpo... Oh Ofélia! Que companhia, dama, desejou aquele Rei que habita nas negras águas...
De todas as peças que li de Shakespeare, esta é aquela que mais me toca, a mais melancólica, aquela que mais me enriqueceu. Em Hamlet descobri um ser virtuoso, incapaz de fingir sentimentos, um ser que, atormentado por dúvidas, transpõe-nas com um carácter grandiloquente. Para mim, uma obra que é um símbolo da arte literária e teatral.
Historicamente existem algumas inverdades no texto, ex: na Dinamarca do tempo de Hamlet a religião era pagã, enquanto que na obra de Shakespeare todos estão convertidos ao catolicismo, mas que importa? Perante tal mimo literário tudo se perdoa em face do portento artístico que Shakespeare nos legou, do prazer que sentimos quando penetramos na obra, ao contemplarmos a genial falsa loucura deste príncipe encantador.
Ser ou não ser – eis a questão. Deve uma alma nobre sofrer os golpes da adversidade, ou lutar contra eles? Morrer... dormir... – mais nada. Este sono faz cessar os sofrimentos do coração, as mil amarguras que a natureza legou à nossa carne. Eis o que devemos ambicionar com ardor. Morrer... dormir... dormir. Sonhos talvez... eis o dilema. Que sonhos teremos no sono da morte, depois duma existência tumultuosa?... é isto que nos obriga a meditar, que torna prolongada a vida do infeliz...”

Romeu e Julieta - William Shakespeare

Pensa-se que William Shakespeare escreveu, ou pelo menos iniciou a escrita desta obra em 1591, no entanto a 1ª edição do drama apenas surgiu em 1597, o que denota um extremo cuidado do Mestre com a composição da mesma.
Porém, a história dos amores entre Romeu e Julieta era já muito popular no tempo de Shakespeare. Mesmo antes de o dramaturgo a ter escrito, já ela era conhecida pelo público, logo e ao contrário do que muitos pensam, não foi Shakespeare o verdadeiro autor do trama, este apenas a agarrou para lhe dar uma dimensão fantástica e levá-la à galeria das obras imortais.
Oficialmente a história, ou pelo menos a sua base, teve início em 1535, quando um fidalgo veneziano cria uma pequena narração intitulada: “Julieta, história novamente encontrada de dois amantes nobres...”, no entanto já em 1476 havia surgido uma outra história de um contista italiano, Masucio de Salerno, em que narra acontecimentos muito semelhantes aos de Romeu e Julieta.
Mas o que interessa nesta opinião não é afirmar que não foi Shakespeare o criador deste drama, o que interessa e o que é importante sublinhar e ressalvar, é que foi William Shakespeare, com o seu génio, que lhe deu a alma, a emoção, a paixão, o carácter e o poder dos personagens, criando uma história, um romance intemporal que coloca Romeu e Julieta na base da mais linda história de amor de todos os tempos.
Nesta tragédia, dominada por duas família que se odeiam mortalmente e em que os filhos únicos dos chefes dessas famílias estão destinadas a odiar-se um ao outro, no entanto acabam por se apaixonar um pelo outro e dessa paixão nasce um sentimento tão forte, tão violento, que para sempre ficará nos anais da História.
É difícil afirmar o que mais me maravilhou. Se o perfeito jogo de diálogos poéticos, se o simples mas perfeito trama, se a maravilhosa personalidade dos personagens (a Ama está sublime) ou se o modo rebuscado, romanceado e exagerado como os diálogos estão construídos.
É impossível não nos sentirmos comovidos com as situações, com o imenso e platónico amor que sentem dois seres separados pelo muro do ódio familiar, destinados por isso, a viverem fugidos ou a unirem-se pela morte, pois este é talvez o único caso onde a morte tem o condão de unir e não separar.
Um Romeu sonhador, sensível, de pensamentos nobres. Em contrapartida, uma Julieta apaixonada. Impulsiva, ousada que, dadas as condicionantes da época, fazem deste drama algo de genial, pois a forma como ele se desenvolve, a forma como as personagens que com ele interagem está, simplesmente genial.
Queria também deixar aqui uma nota sobre a edição que li, edição do Jornal de Notícias e traduzida pelo Dr. Domingos Ramos. Segundo o tradutor, esta é a primeira tradução para o português da 1ª edição, da edição original de 1597. As diversas traduções têm seguido a edição de Steevens e Malone do Séc. XIX a qual não prima pela exactidão, ou seguem a de 1599 de Thomas Creede e que serviu de modelo às edições de 1609 e 1623. Portanto é importante realçar o valor desta edição.
Por fim pretendia abordar a questão da veracidade da real existência de Romeu e Julieta e das suas famílias.
Sempre ouvi dizer que Romeu e Julieta haviam existido na realidade, apontando-se a sua existência durante o séc. XIV. No entanto e nesta edição tudo isto é desmentido com base em estudos históricos.
Realmente existe em Verona um túmulo que é atribuído a Julieta, porém este túmulo compõe-se duma simples pedra mármore, sem inscrições, sem data, ornatos nem emblemas. As famílias Montecchio e Capuleto parecem de facto ter existido, mas e enquanto dos Montecchio sabe-se que eram de Veronaa, dos Capuletos nem se tem a certeza da sua existência, pensando-se sem que este era o nome dado aos chapéus que usavam os membros do partido gibelino e, mesmo assim, apenas existem registos do nome Capuleto em Cremona, nunca em Verona. Assim, a história de Romeu e Julieta foi elevada a lenda pelos próprios veroneses, podendo ser considerada, com toda a certeza como muito duvidosa.