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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Morte no Nilo

Autor: Agatha Christie
Título Original: Death on the Nile (1937)
Editora: RBA Coleccionables
Páginas: 298
ISBN: 9785447359028
Tradutor: Isabel Alves

Sinopse
Linnet Ridgeway é uma jovem que tem tudo: beleza, riqueza, amor... e um cruzeiro pelo Nilo para gozar a sua lua-de-mel. Mas aparece misteriosamente assassinada no seu camarote.

Opinião
"Morte no Nilo" foi o livro escolhido para a 5.ª Leitura Conjunta que realizámos no nosso fórum e, curiosamente, é também o 5.º livro que leio desta autora.

Este livro é mais um policial do género que tornou Agatha Christie famosa: um crime, uma série de suspeitos com motivos para o ter cometido, a perspicácia de Hercule Poirot e uma resolução inesperada para a qual a grande maioria das pistas tinha sido lançadas ao longo da narrativa. Mas, ao contrário de livros anteriores, este não começa com o crime, apresentando antes um vasto rol de personagens que se irão juntar a bordo de um barco no Nilo, juntamente com a vítima, recém-casada e em lua-de-mel.

Depois do assassinato, o leitor acompanha avidamente as pistas lançadas e os estranhos acontecimentos que têm lugar, construindo cenários na sua cabeça que, na maioria das vezes, acabam por não se confirmar por força dos constantes volte-faces que a história apresenta. Foi muito curioso ler este livro em conjunto com mais pessoas, ver as suas conjecturas e chamadas de atenção para pequenos detalhes que me passariam despercebidos de outra forma. E a verdade é que temos detectives! :)

Adorei mais este livro da Rainha do Crime e estou completamente fã da forma como nos enreda nos seus mistérios, sendo praticamente impossível largar o livro até sabermos quem é, afinal, o culpado.

8/10 - Muito Bom

Outras opiniões de membros que participaram na Leitura Conjunta:
- Muito para Ler (Angelina Violante)
- O Prazer das Coisas (Tita)
- ...Viajar pela Leiura... (Paula)
- Chá da Meia-Noite (Laelany)
- Cozinha das Letras (Jacqueline')
- Que a Estante nos Caia em Cima (Rui Bastos)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Casa Torta

Autor: Agatha Christie
Título Original: Crooked House (1949)
Editora: ASA
Páginas: 192
ISBN: 9724127818
Tradutor: Maria Georgina Segurado

Sinopse
A numerosa família Leonides vive numa estranha mansão nos subúrbios de Londres, sob o olhar protector, e um tanto controlador, do patriarca Aristide Leonides.
Quando o velho milionário é assassinado, deixa para trás uma longa lista de suspeitos, encabeçada pela própria viúva, cinquenta anos mais nova do que ele.
"Detective" e narrador em A Casa Torta, Charles Hayward não voltaria a figurar em mais nenhum livro de Agatha Christie. Esta participação única é todavia bastante marcante, pois A Casa Torta permaneceria sempre como um dos títulos preferidos da autora e tem, a par de O Assassinato de Roger Ackroyd, um dos mais surpreendentes finais de toda a sua obra.

Opinião
"A Casa Torta" é o quarto livro que leio desta autora e cada vez fico mais fã. Neste livro, não temos a participação dos famosos detectives criados por Agatha Christie (como Poirot ou Miss Marple), sendo a história contada na primeira pessoa por Charles Hayward, filho de um comissário da Scotland Yard e ao mesmo tempo noivo de Sophie Leonides, neta de um velho e rico empresário, que é envenenado aos 85 anos. A principal suspeita é a sua jovem esposa Brenda, mas até prova em contrário todos os moradores da Casa Torta são suspeitos.

A história vai-se desenrolando nos moldes habituais: um conjunto de suspeitos, a investigação vai avançando e recuando, até que se chega ao final e descobrimos quem é o assassino. Não há dúvidas que isto é uma fórmula; contudo, é a pessoa que a utiliza como base que faz toda a diferença. Agatha Christie, na sua escrita simples e concisa, pinta as personagens de uma forma muito vívida e sabe exactamente por que caminhos está a levar o leitor. Como nos livros que já li dela anteriormente, as pistas estão lá: apesar disso, é inevitável a surpresa final.

Sem dúvida que é uma escritora para continuar a explorar.

8/10 - Muito Bom

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O Assassinato de Roger Ackroyd

Sinopse: Roger Ackroyd sabia de mais. Sabia que a mulher que amava envenenera o primeiro marido, um homem extremamente violento, e suspeitava que ela era vítima de chantagem. Agora, que as trágicas notícias sobre a sua morte apontavam para um suícidio por overdose, eram muitas as perguntas que pareciam não ter resposta. Mas quando pensava estar perante as primeiras pistas sobre o caso, Ackroyd ver-se-ía envolvido num homicídio brutal: o seu! O Dr. Sheppard, médico da aldeia, fala então com o vizinho, um detective reformado que escolhera o campo para passar tranquilamente os seus últimos anos de vida. A escolha não podia ser mais acertada pois o pacato vizinho era nem mais nem menos que o belga Hercule Poirot...

Estou cada vez mais fã dos clássicos policiais da Agatha Christie. O Assassinato de Roger Ackroyd tem todos os elementos característicos das suas histórias (pelo que já me foi dado a ver), mas o que se destaca é a forma como ela escolhe contar a história ao leitor. À medida que a história avança, parece embrulhar-se cada vez mais e a impressão é que estamos a entrar num beco sem saída, mas no fim tudo se resolve. Como já afirmei anteriormente, as pistas estão todas lá para que as desvendemos, se utilizarmos as nossas célulazinhas cinzentas :)

Hercule Poirot é uma personagem fantástica, completamente cativante. Todo e qualquer pequeno detalhe lhe chama a atenção e normalmente são coisas decisivas para desvendar o autor do crime em causa. Neste livro em particular, parece mais enigmático que nunca, mas no final descobrimos porquê.

Já que falo no final, deixem-me dizer-vos que é verdadeiramente surpreendente. O culpado é a última pessoa de quem nos lembraríamos. Tive a infelicidade de, há uns tempos, tropeçar num comentário que me fez começar a suspeitar do autor do crime antes da revelação final, mas ainda assim é uma história extremamente bem urdida e emocionante. Recomendo!

8/10 - Muito Bom

[Livro n.º 2 do meu Desafio de Leitura]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

As Dez Figuras Negras

Sinopse: Dez desconhecidos, que aparentemente nada têm em comum, são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo terrível, e nessa mesma noite um deles é assassinado.
A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino está entre eles como se prepara para ir atacando uma e outra vez…
O que se segue é uma obra-prima de terror. À medida que cada um dos hóspedes é brutalmente assassinado, as suas mortes vão sendo “celebradas” através do desaparecimento de uma de dez estátuas, as “dez figuras negras”.
Restará alguém para um dia contar o que de facto se passou naquela ilha?

Está lido o segundo livro da rainha do policial e a minha satisfação continua em alta. Desta vez, temos um caso em que não está presente nenhum dos famosos detectives a que a Agatha Christie deu vida, mas ainda assim é uma história super intensa e cheia de suspense e terror. É o seu livro mais vendido, com cerca de 100 milhões de cópias por todo o mundo.

Tal como as dez personagens no início do livro, o leitor embarca numa viagem aterrorizadora, rumo a uma ilha que se vai revelar o local propício a uma espiral de crimes que são subtilmente baseados numa canção de embalar. O suspense em relação ao autor dos crimes transpira do livro de uma forma tão perfeita que as suposições do leitor são constantemente levadas na mesma direcção das das personagens, em direcções sinuosas e imprevisíveis. As mortes sucedem-se a um ritmo imparável e revelam um planeamento detalhado, mais admirável ainda pela impossibilidade de prever o comportamento das vítimas.

O final é excelente. Durante todo o livro, somos levados a pensar que estamos na posse de toda a informação e que poderemos adivinhar o desfecho e o autor dos crimes, mas...

9/10

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um Crime no Expresso do Oriente

Sinopse: Pouco depois da meia-noite um nevão imobiliza o Expresso do Oriente que, para aquela época do ano, estava surpreendentemente cheio de passageiros. De manhã, encontram um homem de negócios americano que havia sido apunhalado até à morte no seu compartimento. Existem muitas pistas e muitos suspeitos: os passageiros da carruagem. Para ajudar às investigações, o morto é reconhecido como sendo o autor de um dos crimes mais hediondos do século. Com a tensão a aumentar perigosamente, Poirot resolve o caso... de uma maneira surpreendente!

Provavelmente já referi aqui que o género policial é o meu calcanhar de Aquiles. Também tenho de confessar que ainda não insisti verdadeiramente neste tipo de livros, mas a verdade é que, por norma, prefiro ler outras coisas. Apesar disso, a colecção de livros da Agatha Christie que a RBA começou a comercializar recentemente, pelos preços muito convidativos e pelo renome da autora, levaram-me a adquirir os primeiros quatro volumes e neste fim-de-semana tive o meu primeiro contacto com a escritora, com a leitura de "Um Crime no Expresso do Oriente". Antes da opinião propriamente dita, queria dizer que Hercule Poirot é uma personagem que marcou a minha juventude, uma vez que era fiel seguidora da série televisiva e, portanto, a personagem e os seus métodos não me eram completamente estranhos. Foi engraçado revê-la e "lê-la" pela primeira vez.

O veredicto final é que adorei o livro. É, do início ao fim, um desafio à inteligência do leitor. Sem grandes floreados a nível linguístico, a história e os detalhes são a grande força deste livro. As pistas vão sendo lançadas ao longo dos depoimentos e a sensação de realismo dá-se pelo facto de o leitor, quando confrontado com a resolução dos vários mistérios, ficar com a impressão que ele próprio poderia ter chegado àquelas conclusões (não porque as deduções fossem fáceis, mas porque todos os dados foram lançados e não houve nenhum elemento extra-história revelado à última da hora). A leitura é tão, mas tão viciante que a vontade é de abrir o livro onde quer que estejamos para conseguirmos saber quem é, afinal, o assassino. Resumindo, fiquei com muita vontade de ler mais da Agatha Christie e a pensar se não farei bem em continuar a fazer a colecção. Terá sido desta que o género policial me convenceu?

9/10