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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

I-Steve – Na Mente de Steve Jobs – Leander Kahney


Tradução: Saul Barata
Páginas: 236
Colecção: Novo Milénio, N.º 17
Preço: 16,80 €
ISBN: 978-972-23-4258-2


De certo muitos já ouviram falar de Steve Jobs mas, provavelmente, desconhecem o seu trabalho e da sua importância para o mundo.

Provavelmente muitos conhecem a Apple, o Machintosh, o I-Pod ou o I-Phone, mas se calhar poucos sabem que Steve Jobs foi o homem por detrás destas criações, foi ele o fundador e o motor da gigante Apple.

“Na Mente de Steve Jobs” é simultaneamente uma biografia, não autorizada, e um guia sobre liderança e Gestão. É o descrever do perfil de um homem, dos seus objectivos, anseios e da sua demanda pela excelência que resulta numa forma de agir e pensar muito particular que o levaram ao sucesso.

Extremamente positivo a forma como o autor divide o livro por capítulos, dando-nos uma clara percepção temporal do percurso de Jobs.

Steve Jobs, em parceria com um amigo de liceu (nenhum deles tiraria qualquer curso académico), constitui a Apple em 1976 com sede no quarto de Jobs. Depressa começaram a montar computadores à mão na garagem dos pais de Jobs. 4 anos depois a Apple já estava cotada em bolsa e em 1983, 7 anos após a sua constituição, a empresa já se situava no grupo das 500 maiores empresas da Fortune (411), a mais rápida ascenção de uma empresa até então.

O que levou a esse fulgurante surgimento e ascensão da Apple?

A resposta é dada neste livro. A visão, a intuição e uma atitude muito positiva de Steve Jobs, um autêntico génio em diversas matérias.

Steve Jobs é minuncioso, obcessivo pela excelência, workaholic, narcisista, perfeccionista, frio (os interessas da empresa acima de tudo), fanático por marketing, disciplinado e não tem problemas em arriscar. Junta todos esses traços da sua personalidade, dá-lhe um toque de encanto e carisma e, com a sua liderança nata, tornou a Apple numa empresa distinta e respeitada.

A obra contempla todo o início e os bastidores da Apple. O autor narra todo o processo da criação da empresa, entrevista ex-colaboradores que privaram com Jobs, de modo a poder traçar um perfil do homem enquanto profissional. As suas virtudes e os seus defeitos são aqui examinados de uma forma desapaixonada. Em simultâneo vai traçando todo um percurso de gestão, alguma meramente intuitiva, que deu frutos. No final de cada capítulo temos “as lições de Steve” onde, de acordo com o capítulo acabado de ler, as ideias chave são colocados em tópicos de forma a servir de guia.

Um livro que aconselho para aqueles que gostam de biografias ou que querem perceber o que pode estar por detrás de uma empresa de grande sucesso.

domingo, 5 de julho de 2009

Cinzas de Ângela (As) - Frank McCourt



Tal como escrevi há tempos sobre um determinado livro, há títulos que me chegam às mãos não só por mero acaso, como também como uma espécie de dádiva que qualquer ser celestial resolve oferecer-me.

Este “As Cinzas de Ângela”, de Frank McCourt é um desses títulos.

Um livro que, curiosamente, cada vez que ia à Biblioteca me parecia gritar: “Leva-me!”. No entanto a pequena descrição no verso do livro nunca me despertou especial atenção e, não sei dizer porquê, um dia senti-me como que seduzido e resolvi requisitá-lo.

Que obra extraordinária!

As Cinzas de Ângela” narra a infância miserável e decadente de Frank McCourt, ele próprio, o autor do livro que, diga-se, venceu o Prêmio Pulitzer e o National Book Award com este livro.

Por voz própria, McCourt vai-nos descrevendo a sua deplorável infância na sua Irlanda. Uma vida em condições sub-humanas na companhia dos pais e irmãos. Vamos assim conhecendo uma cidade de Limerick dos anos quarenta que ainda vive sob os espectros da guerra civil e das atrocidades centenárias dos ingleses. Atrocidades que cimentam velhos rancores e profundos complexos nos irlandeses.

Numa época em que a Europa e parte do Mundo estão mergulhados na guerra, McCourt, sempre em tom irónico e sem qualquer tipo de medos, descreve a sua comunidade. Uma comunidade profundamente egoísta, marcada por superstições ancestrais, assente numa mentalidade submissa mas, ao mesmo tempo, guerreira, enérgica e muito, muito religiosa.

Uma história de vida trágica, mas onde a dignidade, a coragem e a força de vontade vão vencendo as duras vicissitudes de uma vida negra, dando a cada uma dessas vidas, não um significado (ali poucas vidas têm algum sentido e significado), mas um contributo para um conjunto de memórias que tornam este livro num hino à vida, à coragem e ao próprio povo irlandês.

Classificação: 5

segunda-feira, 16 de março de 2009

Rapaz Perdido (O) - Dave Pelzer


Neste segundo volume da trilogia que se inicia com o livro “Uma criança chamada coisa”, continuamos a seguir a vida atribulada de Dave Pelzer.

Enquanto no primeiro volume tomamos conhecimento da forma macabra como Dave é maltratado pela mãe, neste “Rapaz perdido” seguimos a libertação de Dave e o seu constante saltitar de família em família de adopção.

Dave tem 12 anos quando o pesadelo dos maus tratos físicos e psicológicos termina. No entanto um duplo problema está prestes a começar: o querer entender e esquecer o seu passado e conseguir integrar uma nova sociedade que se lhe depara.

Através dos olhos de uma criança torturada, assustada e completamente desadaptada socialmente, tomamos parte das tentativas de Dave em receber amor e carinho. Carenciado em vários aspectos, Dave tenta dar nas vistas querendo parecer-se o que não é, iniciando-se assim um caminho tortuoso que, após o tribunal decretar a sua separação da família biológica, o leva numa direcção penosa onde tenta ultrapassar os fantasmas do passado.

Mas não se pense que Dave se livra das garras do seu carrasco. Porque é uma criança deslocada, acaba por se ver constantemente em problemas, sendo que os mesmos são aproveitados de uma forma tétrica pela sua mãe, para voltar a levar o caso a tribunal. Demasiadamente insano e brutal, ela está sempre atrás da sua vítima que é o próprio filho.

Embora a fase das torturas físicas tenha de facto passado, este é um livro que descreve o quanto uma criança vítimas de maus tratos sofre psicologicamente. É dura da sua leitura. Ao longo de todo o livro Dave faz inúmeras vezes a mesma pergunta: “porquê?” e é curioso que essa pergunta fica sem resposta, tornando o caso ainda mais mórbido.

Talvez no 3º volume intitulado “Um homem chamado Dave” ele nos dê explicações para a sua terrível infância, mas e pelo que já li em alguns sites, penso que o próprio Dave Pelzer desconhece as razões.

Não vale a pena escrever muito mais sobre este livro porque este livro simplesmente, e perdoe-se a palavra “simplesmente”, narra a história real de David Pelzer a partir da libertação do seu pesadelo. Os problemas posteriores, as humilhações, mas também a esperança num futuro melhor. Tudo isso faz parte do percurso de uma criança assustada e terrivelmente traumatizada.
Por fim deixem-me dizer-vos que é muito interessante a pequena dissertação que ele efectua no final do livro sobre a adopção, desmestificando totalmente, não só o processo, como também os profissionais a ela ligados; as famílias de adopção, nomeando inclusivamente alguns casos que se tornaram lendários; oficiais de polícia que são, em grande parte, responsáveis pelo desencadear do processo de libertação de crianças maltratadas; as organizações, sobretudo uma que se destaca “Jaycees”, que são voluntários e que realizam um trabalho fantástico em prol de crianças sem lar. Dave defende e louva tudo isso, sendo que é perfeitamente compreensível e louvável fazê-lo depois do seu imenso sofrimento.

Deixo dois excertos que me marcaram. Sobretudo porque ao me envolver tanto com esta tragédia, não deixei de me comover ao ler o seguinte.

Tal como o ‘Jaycees’ e o ‘Arrow Project’, talvez a sociedade possa aliviar algumas das frustrações dos que escolheram esta função. Talvez nós possamos enviar um postal a um professor sem uma razão especial, e dizer-lhe apenas obrigado, ou dar um pequeno ramos de flores a uma assistente social. Talvez na próxima vez que virmos um agente da polícia, nós possamos sorrir e cumprimentá-lo; ou oferecer uma pizza a uma família adoptiva. Se nós podemos tratar figuras do espectáculo e do desporto com se fossem dádivas dos deuses, porque é que nós não podemos mostrar um pouco de gratidão para com aqueles que desempenham um tão inestimável papel na nossa comunidade?”

Em Janeiro de 1994 tive o privilégio de apresentar um programa de orientação em Ottumwa, Iowa, a um grupo de pais adoptivos..., ... durante o curso, dei o exemplo de como eu costumava escapar à dor sonhando como um herói. No exterior, o meu herói não se integrava na sociedade dominante, contudo, no interior, o meu herói sabia quem era, e queria ajudar os necessitados. Eu voava, usava uma capa vermelha, e tinha um “S” no peito. Eu era o Super-Homem. Quando eu disso isto, os pais adoptivos desataram a bater palmas. Enquanto as lágrimas corriam pelo rosto de alguns deles, ergueram um cartaz que dizia: “O SUPER-HOMEM TINHA PAIS ADOPTIVOS

Elucidativo. Leiam esta obra!

Classificação: 5

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Uma Criança Chamada Coisa - Dave Pelzer



Nunca li nada tão brutal como este livro. A história é algo que ultrapassa o limiar do chocante, é algo verdadeiramente insano, animalesco, um autêntico pesadelo que dói ler.
Uma Criança Chamada “Coisa” é o relato de um dos casos mais graves de maus tratos infantis na História dos Estados Unidos. Eu até arriscava a dizer do Mundo, mas depois de ler as considerações finais do autor, fico estarrecido ao perceber que milhões de crianças são tratadas como “coisas”.

Esta é a história de Dave Pelzer, a criança que foi brutalmente maltratada durante toda a sua infância pelos próprios pais, sobretudo pela mãe. É verdade, é o próprio que descreve os seus maus tratos e meus caros e caras amigas, nem imaginam a brutalidade do cenário que estamos prestes a conhecer.
Volto a repetir, é insano todo o relato. É de doidos os castigos que a própria mãe inflige ao filho diante da aquiescência do pai que, estranhamente por medo da mulher, nada fazia para alterar a situação.

Num verdadeiro grito de revolta e alerta Dave Pelzer dá conta de todo o seu sofrimento, descrevendo os castigos que lhe eram aplicados, do ambiente degradado onde vivia, pois e obviamente os seus pais andavam quase sempre alcoolizados e isso é algo que está por detrás dos maus tratos, mas acreditem que não justificam absolutamente nada. Curiosamente e por muito que sofra, Dave tem sempre a vã esperança que as coisas se alterem, que da parte da mãe venha um gesto de carinho, que seja tratado como um ser humano, que tenha uma família, um lar.

À medida que vamos lendo as poucas páginas deste livro (li-o em cerca de 3 horas), acabamos até por colocar em causa a veracidade do relato, não só pela insanidade das situações como também por emergirem algumas questões que, neste livro, não são respondidas, e questões como: “porquê se eram 4 irmãos, apenas Dave era maltratado?”, “Que fez ele de tão grave para a mãe o odiar assim tanto?”, “Embora tratado abaixo de animal, o certo é que ele vai sempre à escola e, embora vestido de uma forma andrajosa, ninguém o comparava com os outros irmãos, não achando isso estranho?”. Embora desconfie do porquê do ódio da mãe, existem de facto algumas questões que não batem certo com a narração, mas o certo é que a história é real, absurdamente real.

Para além de este ser o primeiro livro de uma trilogia, é importante ressalvar o profundo significado que este livro pode ter na sociedade. Já no fim, Dave faz uma pequena dissertação sobre os maus tratos a crianças, abordando a questão da projecção desses maus tratos no futuro da vítima e dos que o rodeiam. Pessoas que crescem atormentadas e que no futuro têm comportamentos assassinos, outros que estendem as suas frustrações nos filhos, na família, nos colegas, etc.

Este é um problema sério e de todos nós, pois uma criança maltratada no presente pode vir a ser um grande problema para a sociedade no futuro, e não é só isso, é um dever enquanto seres humanos alertar as autoridades sobre maus tratos que possamos ter conhecimento, defender aqueles que não têm força para o fazer.

Este é um livro, acreditem, assustador, macabro, violento, sádico, demente. Mas é um livro que deve ser lido, que deve ser divulgado em prol não só das crianças, como também por nós mesmos enquanto seres humanos.

Para quem quiser, procurem no YouTube acerca do assunto. Há vários videos dedicados a esta história e inclusivamente uma entrevista da Oprah ao próprio Dave.
E a próxima opinião será a continuação do pesadelo de Dave Pelzer no 2º volume: “O rapaz perdido”.


ALGUNS EXCERTOS
(e não daqueles muito insanos)

“A mãe então acendeu os bicos de gás do fogão da cozinha. Disse-me que lera um artigo acerca de uma mãe que obrigara o filho a deitar-se sobre um fogão a escaldar. Eu fiquei imediatamente aterrorizado. O meu cérebro ficou paralisado, e as minhas pernas vacilaram, eu queria desaparecer. Fechei os olhos, desejando que ela estivesse longe. O meu cérebro fechou-se, quando senti a mão da mãe agarrar-me o braço como se estivesse drogada...

“...eu sabia que a mãe tinha qualquer coisa terrível na cabeça. Logo que eles partiram (o pai e os irmãos), trouxe uma das fraldas sujas do Russel (irmão mais novo e ainda bebé). Esfregou-me a fralda na cara. Eu tentei manter-me sentado, perfeitamente quieto. Sabia que se me mexesse, seria pior. Não olhei para cima..., ela ajoelhou-se ao meu lado e, numa voz sarcástica, disse: “come-a”.... comecei a chorar...esfregou-me a cara na fralda de um lado para o outro...”

Embora a mãe nunca mais me tivesse mandado engolir amoníaco (imaginem), fez-me beber colheres de detergente algumas vezes...”

sozinho na garagem, senti que estava a perder o controlo. Ansiava por comida... queria um mínimo de respeito, um pouco de dignidade. Ali sentado sobre as mãos (era outro dos castigos), ouvia os meus irmãos a abrir o frigorífico para tirar a sobremesa, e sentia ódio. Olhei para mim. A minha pele estava amarelada, e os meus músculos enfraquecidos...”


Classificação: 5

Eça de Queiroz A Vida Privada - José Calvet Magalhães



Este é um livro destinado sobretudo aos amantes da obra de Eça de Queiroz, embora para o amante da História e da vida cultural e social portuguesa do séc. XIX, tenha também motivos de extremo interesse.

É um livro que aborda a vida de José Maria d’Eça de Queiroz, o José Maria para os amigos e é assim que o autor o denomina durante todo o livro, principalmente porque José Calvet efectua uma divisão clara entre o homem e o escritor, separa-os, e embora tal separação se revele complicada e quase impossível de ser feita, o certo é que este livro narra-nos a vida do homem, do cidadão, que vai muito para além da sua escrita.

Assim o livro, que não é um romance mas sim uma biografia, inicia-se a meio do séc. XIX com o caso que junta os pais de Eça, caso que irá levar a várias confusões, culminando com o registo de José Maria como filho do dr. José Maria Queiroz (ele tinha o nome do pai) e de mãe incógnita.

A juventude de Eça é superficialmente abordada porque simplesmente existem poucos dados e o próprio Eça raramente falava nela. Mas e com o pouco que tem, o autor consegue fazer um pequeno filme da sua infância, chegando à conclusão que teve uma infância feliz. E é com essas raízes que José Maria, já adolescente, vai para Coimbra cursar direito, período esse que já se encontra bem melhor documentado.

E é precisamente por estar excelentemente documentado por cartas de amigos e do próprio Eça, até pela voz própria de testemunhas que conheceram Eça e que foram deixando escrito vários episódios, que o autor descreve a vida do escritor, os seus vícios, virtudes, defeitos, maleitas, medos, dissabores, amores, amizades e inimizades, conhecemos a vida de Eça de Queiroz, o homem, cônsul de profissão e escritor por vocação.

Pessoalmente este livro encantou-me. Eça é um dos meus ídolos, uma das minhas referências, o meu escritor de eleição. Um homem íntegro, sério, mas um homem que, como qualquer ser humano, tinha defeitos, sentia, sofria e amava, possuía uma inteligência e um sentido de humor formidáveis, transpondo para as suas obras a sua visão da sociedade, a melhor herança que podia ter deixado à sua nação.

Desfilando ao lado de personagens igualmente marcantes (Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Rei D. Carlos, Rainha D. Amélia, Emile Zola e tantos outros), sobressaem episódios caricatos da sua vida, uma vida tão cheia e rica, mas uma vida que findou da mesma forma como viveu.Eu adorei e só não o classifico como Obra-Prima porque gostaria de ter lido mais acerca da inspiração para os seus livros, o que estavam por detrás deles, as suas ideias. Aborda isso levemente.


Classificação: 4

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Khady Koita - Mutilada

Khady Koita - MutiladaTítulo: MUTILADA
Autor: Khady Koita
Gênero: Biografia
Editora: Rocco

Todos os anos cerca de 2 milhões de meninas africanas sofrem graves mutilações em seus órgãos genitais. A chamada circuncisão feminina ou excisão tem respaldo cultural e aquiescência social há milênios em países africanos e árabes, e, apesar de intensas campanhas internacionais contra sua prática, vem se espalhando pela Europa e América, devido aos movimentos migratórios. "Mutilada", de Khady Koita, é o relato de uma mulher senegalesa que passou pelo doloroso processo aos 7 anos de idade e de seu crescimento pessoal, que a levou à presidência da Euronet- FGM, a rede européia de prevenção das mutilações genitais femininas.

Livro preparado pela Suzana.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

John Grogan - Marley & Eu

John Grogan - Marley & EuTítulo: MARLEY E EU
Autor: John Grogan
Gênero: Biografias, Cartas e Memória
Editora: Prestígio

John e Jenny eram jovens, apaixonados e estavam começando a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional.

Livro preparado por Arlene.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ayaan Hirsi Ali - INFIEL - A História de uma Mulher que Desafiou o Islã


Título: Infiel - A História de uma Mulher que Desafiou o Islã
Autor: Ayaan Hirsi Ali
Gênero: Biografia
Editora: Cia. das Letras

Em novembro de 2004, o cineasta Theo van Gogh foi morto a tiros em Amsterdã por um marroquino, que em seguida o degolou e lhe cravou no peito uma carta em que anunciava sua próxima vítima: Ayaan Hirsi Ali, que fizera ao lado de Theo o filme Submissão, sobre a situação da mulher muçulmana. E assim essa jovem exilada somali, eleita deputada do Parlamento holandês e conhecida na Holanda por sua luta pelos direitos da mulher muçulmana e suas críticas ao fundamentalismo islâmico, tornou-se famosa mundialmente. No ano seguinte, a revista Time a incluiu entre as cem pessoas mais influentes do mundo. Como foi possível para uma mulher nascida em um dos países mais miseráveis e dilacerados da África chegar a essa notoriedade no Ocidente? Em Infiel, sua autobiografia precoce, Ayaan, aos 37 anos, narra a impressionante trajetória de sua vida, desde a infância tradicional muçulmana na Somália até o despertar intelectual na Holanda e a existência cercada de guarda-costas no Ocidente. É uma vida de horrores, marcada pela circuncisão feminina aos cinco anos de idade, surras freqüentes e brutais da mãe, e um espancamento por um pregador do Alcorão que lhe causou uma fratura no crânio. É também uma vida de exílios, pois seu pai, quase sempre ausente, era um importante opositor da ditadura de Siad Barré: a família fugiu para a Arábia Saudita, depois para a Etiópia, e finalmente se fixou no Quênia. Obrigada a freqüentar escolas em muitas línguas diferentes e conviver com costumes que iam do rigor muçulmano da Arábia (onde as mulheres não saíam à rua sem a companhia de um homem) à mistura cultural do Quênia, a adolescente Ayaan chegou a aderir ao fundamentalismo islâmico como forma de manter sua identidade. Mas a guerra fratricida entre os clãs da Somália e a perspectiva de ser obrigada a se casar com um desconhecido escolhido por seu pai, conforme uma tradição que ela questionava, mudaram sua vida, e ela acabou fugindo e se exilando na Holanda. Ela descobre então os valores ocidentais iluministas de liberdade, igualdade e democracia liberal, e passa a adotar uma visão cada vez mais crítica do islamismo ortodoxo, concentrando-se especialmente na situação de opressão e violência contra a mulher na sociedade muçulmana.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Adriane Galisteu - Caminho das Borboletas


Título: Caminho das Borboletas

Autor: Adriana Galisteu
Gênero: Biografia
Editora: Caras
Este livro é resultado de trinta horas de depoimentos, gravados em Sintra, Portugal. E de um mergulho num baú repleto de cartas, bilhetes, papéis rascunhados, agendas profusamente anotadas - sim, Adriane Galisteu ainda conserva aquela doce mania de transformar suas agendas em diários teen, engordados com recortes e fotografias e recheados de divagações.

Como editor, tentei ser absolutamente fiel a sua narrativa. As mesmas palavras. O mesmo tom de voz - dolorido e emocionado, como vocês irão ver. Conservar o olhar diante do mundo que se abriu para aquela menina que saiu de uma tarde de trabalho num autódromo - a propósito, ela não gostava de automobilismo - para uma vida de princesa ao lado do príncipe das pistas.

Duas ou três coisas me emocionam particularmente neste livro. Primeiro, a candura juvenil de quem, nos melhores e nos piores momentos desta love story, sempre se perguntava, perplexa: por que eu? Creio que até hoje Adriane Galisteu não sabe responder a essa pergunta.

Há, depois, um detalhezinho que pode parecer superficial, mas que me deu a verdadeira dimensão do que ela viveu nesses últimos meses vertiginosos de sua vida. Repassando as fitas das entrevistas, percebi que muitas vezes Adriane Galisteu se refere a seu namorado no presente. Ayrton é, Ayrton faz, Ayrton quer. Inconscientemente, ela continua a se debater contra a realidade injusta, cruel e dramática da morte do amado.

Essa resistência se manifestou de outra forma, mais explícita. Adriane Galisteu foi deixando o final para o final - quero dizer, a morte, o desfecho inesperado, a tragédia, o funeral, a perda definitiva, a incerteza sobre o futuro. Quando, enfim, se decidiu a falar, pediu para gravar sozinha, sem a presença do entrevistador. Com certeza, por pudor - o pudor de ter um espectador para as suas lágrimas.

Conhecia Adriane Galisteu tanto quanto vocês a conhecem antes de ingressar nestas páginas. De fotos, das imagens de seu sentido luto no velório e no enterro do herói de todos nós. Agora, posso dizer que a conheço. Por isso, eu a respeito. Por isso, admiro seu caráter e sua força e respeito sua dor.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Saulo Ramos - Código da Vida


Título: CÓDIGO DA VIDA
Autor: Saulo Ramos
Gênero: Biografia
Editora: Planeta

Em Código da Vida, a pretexto de contar, com todos os detalhes, um caso curiosíssimo que viveu como advogado, Saulo Ramos entermeia essa história de suspense absolutamente verídica com sua história de vida, desde a infância nas cidades paulistas de Brodowski e Cravinhos, até os dias de hoje. Desobedecendo todas as obviedades da estrutura tradicional das biografias, Saulo Ramos constrói uma obra de qualidade espantosa, seja pela riqueza vocabular de sua linguagem, seja pela maestria com que utiliza os recursos literários de uma narrativa. Mas, como se isso não bastasse, a vida de Saulo Ramos tem ingredientes dignos das mais importantes biografias já publicadas no Brasil. Como o menino do interior chegou a Consultor Geral da República?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Mukhtar Mai - Desonrada

ebookTítulo: DESONRADA
Autor: Mukhtar Mai
Gênero: Biografia
Editora: Ed. Best Seller
Mais do que o desfecho de uma querela tribal, o livro narra como Mukhtar transformou sua tragédia pessoal em uma causa: a defesa dos direitos das mulheres em seu país. E, com isso, tornou-se um símbolo da luta das mulheres no mundo islâmico.

sábado, 19 de abril de 2008

Zélia Gattai - A Casa do Rio Vermelho


Título: A Casa do Rio Vermelho
Autor: Zélia Gattai
Gênero: Biografia
Editora: Record

Pelo portão do endereço mais famoso de Salvador, com motivos de pássaros e frutas, criado pelo amigo Carybé, passou meio mundo: o moleque da quitanda, intelectuais europeus, cantores de sucesso, quituteiras, cineastas, mães-de-santo, políticos... Se a casa não pode falar de tudo que já testemunhou, ganhou a mais adequada porta-voz em A CASA DO RIO VERMELHO, livro de Zélia Gattai. Reminiscências, encontros, conversas, saudades. Pelo relato saborosamente nostálgico do livro passa um rol de figuras singulares, fascinantes e, não raro, surpreendentes. Antônio Carlos Magalhães, Pablo Neruda, Sônia Braga, Moacir Werneck de Castro, Antonio Olinto, Dorival Caymmi, João Ubaldo Ribeiro e muitos outros hóspedes ilustres -- alguns nem tão famosos, mas ilustres, sim, senhor. Para Zélia e Jorge Amado, A CASA DO RIO VERMELHO é o porto seguro depois das grandes jornadas. A própria aquisição do imóvel rende uma boa história: Jorge Amado \"vendera à Metro Goldwin Mayer os direitos autorais de seu romance Gabriela, cravo e canela. Não recebera o dinheirão que se poderia imaginar, mas lhe pagaram o suficiente para adquirir uma casa na Bahia. 'Comprarei essa casa com o dinheiro do imperialismo americano', dizia, rindo.\" Para aqueles que já passaram pelo portão de Carybé, a leitura de A CASA DO RIO VERMELHO trará boas recordações. Para os novos convidados, momentos extremamente agradáveis e muita história pra guardar.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Toninho Vaz - PAULO LEMINSKI, O Bandido que Sabia Latim


Título: PAULO LEMINSKI, O Bandido que Sabia Latim
Autor: Toninho Vaz
Gênero: Biografia
Editora: Ed. Record

Biografia do poeta curitibano Paulo Leminski. Segundo o autor, o livro pretende fornecer elementos para a compreensão do poeta e de sua personalidade singular.

domingo, 6 de abril de 2008

James Joyce - Retrato do Artista Quando Jovem

Título: RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM
Autor: James Joyce
Gênero: Autobiografia
Editora: Ediouro

Um Retrato do Artista Quando Jovem" é o despertar intelectual de um dos mais célebres personagens literários. Semi-autobiográfico, o livro conta o processo de transição do jovem Stephen Dedalus para a maturidade e o autoconhecimento. Ele deseja profundamente ser um artista, mas, primeiro, precisa vencer as forças que reprimem sua imaginação: as convenções da Igreja Católica, da escola, da sociedade.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Lançamento Digital Source - Jean P. Sasson - As Filhas da Princesa Sultana

Título: AS FILHAS DA PRINCESA SULTANA
Autor: Jean P. Sasson
Gênero: Biografia

"Sultana" fala-nos das suas duas filhas: uma que se atreveu a ter uma relação proibida, com outra mulher; a segunda que se tornou uma religiosa fanática, disposta a destruir tudo aquilo por que a mãe lutou. Como pano de fundo, a terrível realidade das mulheres que a cercam - sujeitas à circuncisão feminina, vendidas como concubinas, forçadas a casamentos forçados ainda na puberdade, e legalmente violadas ou mesmo assassinadas pelos maridos. As Filhas da Princesa Sultana constitui assim um documento fascinante sobre um mundo que lamentavelmente ainda existe, não muito longe de nós, neste final do século XX.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Peter Mayle - Memórias de Um Cão

Título: MEMÓRIAS DE UM CÃO (Ilustrado)
Autor: Peter Mayle
Gênero: Biografia
Editora: Rocco

Para os donos de cachorros e simpatizantes, Memorias de um Cão é uma diversão certa. Eles poderão identificar na narrativa de Boy todos os jeitos, as manias e as chantagens emocionais comuns aos nossos amigos caninos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Nelson Motta - Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia

Título: VALE TUDO: O SOM E A FÚRIA DE TIM MAIA
Autor: Nelson Motta
Gênero: Biografia
Editora: Objetiva

Preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares. Era assim que Tim Maia , o cantor que integrou o soul e o funk aos ritmos brasileiros se definia. A partir de uma pesquisa assombrosa e de uma intensa convivência com Tim Maia, o jornalista e produtor musical Nelson Motta conta, no ritmo irresistível do rei do samba-soul, a sua história de som, fúria e gargalhadas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Viver para Contá-la - Gabriel Garcia Marquez

Gabriel Garcia Marquez é para mim um escritor esquisito, não só ao nível da composição dos seus textos, como sobretudo devido à estranheza das suas histórias.
Prémio Nobel em 1982, Garcia Marquez assentou toda a sua carreira, enquanto escritor, num género que podemos classificar, ou pelo menos eu classifico-o, do realismo-fantástico, género esse povoado de fantasmas, demónios e situações surrealistas que vão sendo misturadas com o mundo real, dando então origem a um universo onírico, algo confuso, que deve ser lido, pensado e analisado com muito cuidado.
Pessoalmente não sou apreciador desse estilo, nem do simples e puro género do fantástico. Amante do Histórico e do realismo puro (Eça de Queirós, Maugham, Dostoiévski, Tolstoi, Vítor Hugo, Zola, Dickens, Jorge Amado e tantos outros), gosto essencialmente de ler sobre temas sociais e humanos e, após a leitura ou durante a mesma, efectuar vastas análises ao que leio e enquadrar aquela realidade na nossa actual sociedade.
No entanto e em relação a Marquez, algo me incomoda. Incomoda-me não entender a sua escrita e incomoda-me haver toda uma legião de fãs em todo o mundo que fazem dele o escritor mais consagrado do nosso tempo, sem que eu entenda esse sucesso. E vai daí, há algum tempo propus-me a entender a sua obra e o contexto da suas histórias.
Lendo por duas (2) vezes “Cem anos de solidão”, lendo também “Relato de um náufrago” e tentando ler o “Outono do Patriarca”, em todas estas situações fiquei sempre desiludido e como uma clara sensação de tempo perdido.
Até que, numa ida à biblioteca, me deparo com este “Viver para contá-la” livro que, alegadamente e segundo o que já havia lido, tratar-se-ia de uma autobiografia. Nada melhor então para ficar a conhecer em definitivo a s suas raízes, filosofias, paixões, gostos e inspirações que lhe moldaram o carácter e directamente o seu estilo de escrita.
”Viver para contá-la” trata-se então de uma autobiografia de Marquez que, sem preconceitos e tabús, narra de uma forma quente, apaixonada e ao mesmo tempo crua, toda a sua vida.
Antes de aprofundar a análise ao livro, há que referir que este trata-se do primeiro volume da sua biografia.
O livro inicia-se já enquanto Marquez estudante de direito em Barranquilla, recebendo a visita da mãe que lhe solicita que a acompanhe no sentido de venderem a casa dos avós em Aracataca, local onde ele nasceu e onde foi criado. É esse encontro o mote para este livro fabuloso, pois não se trata de umas simples memórias de Garcia Marquez.
Desde logo e com as descrições de Aracataca, ficamos com a ideia de onde Marquez foi beber a inspiração para criar “Cem anos de Solidão” e mais fascinados ficamos quando nos apercebemos que a história do livro é, simplesmente, a História da sua própria família. E continua.
Marquez vai desfilando as suas memórias. Memórias povoadas de histórias fantásticas mas reais, o surrealismo é algo que está entranhado nos povos caribenhos e da América do Sul, continente onde há muito circulam histórias e mistérios fantásticos. Quem nunca ouviu falar de Tiahuanaco, Cuzco, Nazca, Macchu Picchu, a perdida cidade do ouro dos Incas, os fantasmas da Jamaica, a misteriosa Ilha da Páscoa e tantos mais?
Pois bem, Marquez dá-nos o retracto daquele povo supersticioso, mas muito apaixonado e respeitoso da sua História e dos seu passado. Um mundo onde e segundo Marquez, “o estranho é não acontecer nada de estranho”
E vai por aí fora.
A sua infância e o modo como era visto e tido pelas pessoas que o rodeavam. As histórias que ia ouvindo pela bocas dos mais velhos, as suas observações e considerações pelo meio que o rodeava. O seu extemporâneo amor à leitura que o leva a ler, muito novo, obras como “As mil e uma noites”, a “Odisseia” de Homero, ”Orlando Furioso”, ”D. Quixote” e o ”Conde de Monte Cristo”, obras que lhe abriram as portas desses vasto e fascinante mundo da literatura e que o acompanharam desde sempre.
Mas Marquez vais mais longe.
Para além de narrar o passado dos seus pais e avós, ele situa, a nível geopolítico e social, a Colômbia no mundo, sobretudo ao nível das turbulências que desde sempre abalaram aquele país do Caribe. Amigo pessoal de figuras públicas, sobretudo figuras colombianas, destacando-se contudo a enorme amizade com Fidel Castro. Mas é curioso as personagens estranhas que marcam a sua vida e que lhe inspiraram a construção de personagens para os seus romances. Desde o coronel que fazia peixinhos de ouro numa velha oficina depois de uma vida de combatente (lembram-se do coronel Aureliano Buendía em “Cem anos de solidão”? Pois foi baseado no próprio avô de Marquez que fazia peixinhos de ouro depois de uma vida de combatente), até à sua tia que comia terra, passando pela tia que um dia lhes surgiu em casa e disse “venho me despedir, pois vou morrer!”, e à sua própria mãe, que com o seu forte carácter, o inspirou a criar a matriarca Úrsula, talvez a figura mais forte de “Cem anos de solidão”.
Em todas estas 579 páginas, Marquez narra tudo isso e muito mais. O seu percurso enquanto ser humano, o seu percurso estudantil e profissional. As obras e escritores que o inspiraram, a forma como estudou a aprendeu a técnica do romance, os mestres que lhe deram força para continuar quando as decepções o invadiam, os seus primeiros contos, enfim, todo um percurso rico em pormenores que finda em 1957 (fim deste volume).
Fico imensamente curioso em relação ao segundo volume, pois será nesse que Marquez narrará como construiu os seus romances, as suas estadias em Paris e no México (local onde escreveu “Cem anos de solidão”, a atribuição do Prémio Nobel e as suas amizades com escritores consagrados, entre os quais o “nosso” José Saramago.
Neste primeiro volume fica assim claro que as obras de Marquez espelham uma realidade que efectivamente é a do seu povo, uma realidade fantástica e sensual, inserida numa cultura secular com tantas tradições.
Quanto a mim, fiquei maravilhado com este livro e com o génio deste homem que, com os seus textos, procurou sempre honrar e homenagear um país e um povo que é o seu.
Talvez este livro tenha sido o mote para mais um fã de Marquez, ainda mais porque achei curioso algumas manias que ele tem que eu também tenho (por exemplo ele adora cheirar os livros novos e eu também). De certeza que vou ler mais uns romances dele, pelo menos agora que entendo o porquê desse estranho universo, Marquez tem agora outra lógica e outro sabor.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Louis Fischer - GANDHI

Título: GANDHI
Autor: Louis Fischer
Gênero: Biografia
Editora: Círculo do Livro

Biografia de Gandhi.

Livro Inédito

Digital Source
Distribuindo conhecimento e cultura

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Paulo Leminski - Jesus a. C.


Título: JESUS A.C.
Autor: Paulo Leminski
Gênero: Biografia
Editora: Brasiliense
Mal-aventurados os que se rendem às verdades absolutas sobre Jesus. Se foi reformador ou revolucionário, fariseu dissidente ou profeta iluminado, nada disso nos contam os Evangelhos. Jesus sabia se esconder bem entre as muralhas e as palavras. Indiscutível apenas é que sua doutrina tomou o poder no Império Romano sem levantar uma espada. Entender suas parábolas é mergulhar num emaranhado de significados que se multiplicam como os peixes do milagre evangélico. Peixes-símbolo de subversão da ordem vigente. Ler Jesus é caminhar sobre as águas incertas que vêm com força e quebram em ondas de interpretações. Nas praias porém, só existe a certeza de que ele era um superpoeta.