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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Professor

Autor: Frank McCourt
Título Original: Teacher Man (2005)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 288
ISBN: 9789722342186
Tradutor: Maria do Carmo Figueira

Sinopse
Neste seu terceiro livro de memórias, Frank McCourt, autor de As Cinzas de Ângela e Esta É a Minha Terra, escreve uma crónica irreverente e vigorosa sobre os trinta anos durante os quais deu aulas em diversos liceus de Nova Iorque. Com o seu característico humor, ressonâncias líricas e honestidade desarmante, McCourt relembra os desafios e as recompensas com que se deparou no ensino público nova-iorquino, criando assim um relato inspirador e comovente sobre as relações humanas e sobre como aquilo que temos para dar e receber pode fazer a diferença na vida de cada um.

Opinião
Já conheço o nome de Frank McCourt há algum tempo (tenho "As Cinzas de Ângela" por ler), mas até agora ainda não tinha lido nenhum livro dele, pelo que este "O Professor" foi a minha estreia neste autor. Frank McCourt publicou 3 livros autobiográficos durante a sua vida (mais um livro de Natal), tendo vindo a falecer em Julho deste ano.

"O Professor" aborda a vida de professor de Frank McCourt e todas as dificuldades que passou até finalmente conseguir perceber que era mesmo aquilo que gostava de fazer, ao longo dos 30 anos durante os quais leccionou. Frank vai muito jovem da sua terra natal, a Irlanda, para os Estados Unidos e depois de algum tempo a trabalhar numas docas enquanto estudava consegue finalmente uma colocação como professor.

Nos primeiros tempos, Frank sente muitas dificuldades em captar a atenção dos alunos e apenas consegue fazê-lo quando conta histórias da sua infância na Irlanda. O passar dos anos foi-lhe trazendo alguma segurança, e permitiu ao mesmo tempo que aplicasse os seus peculiares métodos pedagógicos nas aulas de Escrita Criativa que leccionou. Não só a escrita é despretensiosa, como é também despretensiosa  e humilde a forma como Frank McCourt fala do sucesso que os seus métodos de ensino tiveram. Isto porque estamos perante um homem que tentou sempre fazer aquilo que lhe parecia melhor, na vida como no emprego, apesar de todas as suas inseguranças e defeitos e de ter cometido alguns erros que o ensinaram o que precisava de aprender. Pessoalmente, achei a história deste homem interessantíssima (pelo menos no período que nos é relatada), também porque muitas vezes consegui identificar-me com os sentimentos de insegurança e procura de vocação que descreve. Quanto aos métodos de ensino, para além das suas peculiaridades, estes tinham sempre por base a ideia de que é possível fazer alguma coisa de todos os alunos, por mais desesperado que pareça o caso... basta tentar compreendê-lo e descobrir como pode ser motivado. E essa é uma ideia que me agrada bastante.

Isto para dizer que foi uma leitura que me agradou imenso e que recomendo vivamente.


8/10 - Muito Bom

domingo, 5 de julho de 2009

Cinzas de Ângela (As) - Frank McCourt



Tal como escrevi há tempos sobre um determinado livro, há títulos que me chegam às mãos não só por mero acaso, como também como uma espécie de dádiva que qualquer ser celestial resolve oferecer-me.

Este “As Cinzas de Ângela”, de Frank McCourt é um desses títulos.

Um livro que, curiosamente, cada vez que ia à Biblioteca me parecia gritar: “Leva-me!”. No entanto a pequena descrição no verso do livro nunca me despertou especial atenção e, não sei dizer porquê, um dia senti-me como que seduzido e resolvi requisitá-lo.

Que obra extraordinária!

“As Cinzas de Ângela” narra a infância miserável e decadente de Frank McCourt, ele próprio, o autor do livro que, diga-se, venceu o Prêmio Pulitzer e o National Book Award com este livro.

Por voz própria, McCourt vai-nos descrevendo a sua deplorável infância na sua Irlanda. Uma vida em condições sub-humanas na companhia dos pais e irmãos. Vamos assim conhecendo uma cidade de Limerick dos anos quarenta que ainda vive sob os espectros da guerra civil e das atrocidades centenárias dos ingleses. Atrocidades que cimentam velhos rancores e profundos complexos nos irlandeses.

Numa época em que a Europa e parte do Mundo estão mergulhados na guerra, McCourt, sempre em tom irónico e sem qualquer tipo de medos, descreve a sua comunidade. Uma comunidade profundamente egoísta, marcada por superstições ancestrais, assente numa mentalidade submissa mas, ao mesmo tempo, guerreira, enérgica e muito, muito religiosa.

Uma história de vida trágica, mas onde a dignidade, a coragem e a força de vontade vão vencendo as duras vicissitudes de uma vida negra, dando a cada uma dessas vidas, não um significado (ali poucas vidas têm algum sentido e significado), mas um contributo para um conjunto de memórias que tornam este livro num hino à vida, à coragem e ao próprio povo irlandês.

Classificação: 5