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domingo, 26 de julho de 2009

Guru Rinpoche: Os Sons Vocálicos R+C e o Mantra de Padmasanbhava, de Frater Velado

TRECHO:
O MANTRA DE PADMASANBHAVA, que ao ser entoado produz a
harmonização com as vibrações do Mestre Cósmico Guru Rinpoche,
um dos Supremos Dirigentes da Organização Svmmvm Bonvm
(OS+B), é a base dos principais sons vocálicos usados nos rituais e
experimentos Rosacrucianos ocidentais, principalmente os das Ordens e
Fraternidades ligadas de alguma forma à Grande Fraternidade Branca do
Tibet, conhecida mundialmente pela sigla em Inglês G.'.W.'.B.'.L.'. (Great
White Brotherhood Lodge). Contudo, isso não é oficialmente ensinado aos
estudantes de Rosacrucianismo, provavelmente porque os idealizadores dos
sistemas de ensino esperavam que eles descobrissem essa ligação por si
mesmos,ao evoluírem na Senda. Chegamos ao limiar de uma Era, porém, em
que muita coisa já pode – e deve - ser facilitada a todos os interessados em
Misticismo, para que possam passar a se preocupar com valores mais altos
que os meramente histórico-tradicionais. Ea razão de se fazer aqui um
esclarecimento sobre as ligações dos sons vocálicos com o típico mantra
Tibetano. Esse Mantra se baseia nos sons vocálicos OM (AUM), RAH,
MAH e EH (HEH ou MEH). A Grande diferença entre a forma-som do
Mantra original e as suas variações Rosacruzes específicas a cada vogal,
dirigidas diretamente a uma glândula do corpo humano, é que o Mantra de
Padmasanbhava tem inflexões tonais, como as do Canto Gregoriano,
guardada a distância da comparação, que o tornam muito mais poderoso
misticamente (e muito mais difícil de ser entoado), enquanto os sons
vocálicos R+C não utilizam essas modulações, a não ser muito timidamente,
como no canto místico vocálico AUM-RAH-MAH. Isso acontece porque o
Mantra tibetano original se destina em princípio a monges,que passam por
um longo aprendizado, ao passo que os sons Rosacrucianos deverão ser
entoados neófitos recém saídos de um atrium esotérico e não apenas por
membros dos Graus Superiores, que deveriam ter instrução prática suficiente
para de forma correta a entoação de um mantra completo. Mesmo assim essa
entoação não seria fácil e, os estudantes adiantados de Rosacrucianismo que
quiserem fazer um teste poderão tentar acompanhar, no tom e na modulação
corretas, o mantra que serve de fundo sonoro à página do Sétimo Grau do
Faraó, cuja versão em Português pode ser acessada em:
http://svmmvmbonvm.org/7gf.htm Uma das versões mais conhecidas do
Mantra de Padmasanbhava é a entoada pelo Lama Gyurme, a qual inflexiona
principalmente o som vocálico MEH, relacionado com a glândula pineal,em
modulações partindo da base mântrica RAH-MAH, que enfeixa
separadamente vibrações masculinas e femininas, para em seguida reuni-las
em uma fórmula única, a qual transcende os parâmetros da Dualidade e
propicia conexão com os estratos superiores da Consciência Cósmica.” Essa
versão, em MP3 (5,6MB), pode ser baixada de:
http://svmmvmbonvm.org/downloads/rinpoche.zip

Também já é bastante conhecida de muitos místicos uma versão sonora
tipicamente feminina do Mantra de Padmasanbhava, por Deva Premal
Dakshina, também em MP3 (715K)a qual pode ser baixada de:
http://svmmvmbonvm.org/downloads/rinpoche1.zip

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Pensamento Iluminador De Shantideva, de Prof. Dr. R. D. Pizzinga

TRECHO:
Introdução
ESCRITO no século VIII, o Bodhicharyavatara (Caminho para a
Iluminação) ou Bodhisattvacharyavatara (Guia para o Modo de Vida
do Bodhisattva), de Shantideva (Divina Paz), logo se tornou um
clássico do Buddhismo Mahayana. As duas preocupações fundamentais da
obra de Shantideva são: o cultivo de uma mente altruísta e a geração de uma
profunda percepção sobre a natureza da realidade. Entre todos os textos
religiosos da tradição Buddhista Mahayana, pode-se dizer que o
Bodhicharyavatara de Shantideva (obra em dez capítulos) e o Ratnavali de
Nagarjuna continuam a ser as obras básicas, descrevendo a carreira nobre e
altruísta do Bodhisattva. O impacto do Bodhicharyavatara no Tibet talvez
tenha sido insuperável. Desde a sua tradução para o tibetano, no século XI, a
obra vem exercendo uma profunda influência sobre a vida religiosa do povo.
Sua extensa influência pode ser encontrada nos ensinamentos de todas as
quatro escolas principais do Buddhismo Tibetano: Nyingma, Kagyü, Sakya e
Gelug. Sua Santidade Tenzin Gyatso, 14} (atual) Dalai Lama, diz a respeitor:
E
“O Bodhicharyavatara foi composto pelo erudito indiano Shantideva,
reputado no Tibete como um dos mais fiáveis mestres. Uma vez que esta obra
se concentra sobre o cultivo e o desenvolvimento do Bodhichitta, ela pertence
ao Mahayana. Simultaneamente, a estância filosófica de Shantideva sobre a
Sabedoria, tal como está exposta especialmente no nono capítulo, segue o
ponto de vista Prasangika Madhyamika de Chandrakirti.
O principal foco dos ensinamentos do Mahayana é o cultivar a mente que
deseja o benefício dos outros seres sensíveis. Com o aumentar da nossa
própria paz e felicidade, nós vamos ser naturalmente mais capazes de
contribuir para a paz e felicidade dos outros. Transformar a mente e cultivar
uma atitude positiva, altruísta e responsável é benéfica agora mesmo.
Quaisquer que sejam os problemas e dificuldades que possamos ter,
poderemos, assim, enfrentá-los com coragem, calma e positividade. Assim,
também será raiz da felicidade para muitas vidas vindouras.
Baseado na minha pouca experiência, eu posso dizer confiantemente, que os
ensinamentos e instruções do Buddhadharma, em particular os ensinamentos
do Mahayana, continuam a ser relevantes e úteis hoje. Se nós, sinceramente,
colocarmos o cerne destes ensinamentos em prática, não precisaremos ter
nenhuma hesitação sobre a sua eficiência.
Os benefícios de desenvolver qualidades como o amor, a compaixão, a
generosidade e a paciência não estão apenas confinados a um nível pessoal;
eles estendem-se a todos os seres sensíveis e até à manutenção da harmonia
com o meio ambiente. Não é que estes ensinamentos tenham sido úteis em
algum tempo no passado e que já não sejam pertinentes nos tempos
modernos. Eles continuam pertinentes hoje. É por isto que eu encorajo as
pessoas a tomar atenção a tais práticas; não é apenas para que a tradição não
se perca.
O Bodhicharyavatara foi amplamente aclamado e respeitado por mais de mil
anos. É estudado e elogiado por todas as quatro escolas do Buddhismo
Tibetano. Eu próprio recebi transmissões e explicações sobre este texto do
falecido Kunu Lama, Tenzin Gyaltsen, que, por sua vez, recebeu-as de um
discípulo do grande mestre Dzogchen Dza Patrul Rinpoche. E demonstraram
ser muito úteis e benéficas para a minha mente.”
Shantideva nasceu no século VII (687 – 763 d. C.), na antiga província de
Saurastra, na Índia. Desde sua mais tenra idade, o príncipe manifestou
profundo respeito pelos Mestres Espirituais e uma grande bondade pelos
habitantes do reino, sobretudo pelos pobres e pelos doentes. Um dia,
encontrou um asceta que lhe ensinou a arte de meditar sobre Manjushri, o
Buddha da Sabedoria, e pouco tempo depois Manjushri apareceu-lhe em uma
visão e abençoou-o. Quando o rei morreu, a corte preparou, em grande
pompa, a sagração do príncipe, erigindo um majestoso trono. Mas, na noite
anterior à cerimônia, Manjushri apareceu ao príncipe em sonhos, sentado
nesse trono, e lhe disse: — Meu filho, este trono me pertence. Sou o teu
mestre espiritual; não é conveniente que partilhemos o mesmo assento. O
príncipe acordou e compreendeu que não deveria reinar. Renunciando aos
faustos da corte, fugiu e entrou na ilustre universidade buddhista de Shri
Nalanda para ser ordenado na ordem Mahasanghika. Foi ordenado monge por
Jayadeva, o principal dos quinhentos panditas, e recebeu o nome Shantideva
– Divindade da Paz. A existência extraordinária de Shantideva progrediu
sempre. Percorreu a Índia realizando milagres, salvando milhares de pessoas
da fome multiplicando o alimento, curando doentes e feridos, dando fé aos
incrédulos e vivendo como um perfeito Bodhisattva.
Já na última fase de sua existência terrena, certa vez, tendo que se explicar
com o rei por ter sido injustamente acusado de caçar e matar gazelas e de
comer sua carne assada no espeto, disse: — Eu não mato. Eu curo. E
acrescentou: — Todos os elementos da experiência são apenas sonhos e
ilusões. Compreenda que todas as coisas são apenas produtos insubstanciais
da imaginação – projeções da mente. Entra no caminho da liberação. E então
recitou esse verso:
As gazelas de que me alimentei
nunca existiram nessa Terra;
ainda assim, nunca deixaram de existir.
Se não há o que definimos como substância,
então não pode haver caçador, nem caçado.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Essenciais para Avanço Adicional, de Li Hongzhi

www.falungongbrasil.net:
Conhecido como "Essenciais", são uma coleção de textos escritos pelo Sr. Li Hongzhi. Esses textos são vistos como uma exposição complentar do livro Zhuan Falun, na forma de artigos, cartas e poemas. São textos curtos e cheios de sabedoria que expressam as observações do Sr. Li Hongzhi sobre o processo de desenvolvimento dos praticantes e que oferecem ensinamentos sobre como corrigir condutas. Antes da leitura deste livro, é preciso que você esteja bastante familiarizado com o livro Zhuan Falun.

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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Zhuan Falun - Girando o Falun, de Li Hongzhi

www.falungongbrasil.net:
Zhuan Falun, de autoria do Sr. Li Hongzhi, abrange diversos tópicos. É um guia completo para cultivadores. Possui infinitas camadas de significados e de níveis de compreensão. Sua linguagem é acessível e direta. Seu conteúdo foi compilado a partir das palestras feitas pelo Sr. Li Hongzhi, na China, entre 1992 e 1994. É de inestimável valor para todos que verdadeiramente buscam compreender o homem, a vida e o universo.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Falun Gong, de Li Hongzhi

www.falungongbrasil.net:
Falun Gong, de autoria do Sr. Li Hongzhi, é um livro introdutório.

Nele são explicados sistematicamente vários aspectos da prática e dos princípios de Falun Gong, em linguagem simples e acessível a todos. Recomendamos que se inicie a leitura por este livro, sempre lembrando de não grifá-lo e de lê-lo do começo ao fim.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Semelhanças entre o Budismo e o Cristianismo – contribuições ecumênicas do Oriente para o Ocidente, de Francisco Adalberto Alves Sobreira

INTRODUÇÃO
Este trabalho é o reflexo de quase cinco anos de estudos e reflexões acerca do enigma
da inexistência de diferenças entre as religiões, realizado através de pesquisa bibliográfica
comparada.
A principal diferença, e talvez única que exista entre as religiões, é que cada religião
guarda uma determinada “tecnologia espiritual” que poderia complementar e ajudar suas
irmãs a se desenvolverem espiritualmente, quando vistas com olhos ecumênicos.
Traçamos as principais semelhanças entre o Budismo e o Cristianismo, atendo-se mais
à corrente Cristã do Catolicismo Romano, e à corrente Budista Tibetana.
A bibliografia selecionada teve como fundamentos principais a Bíblia Sagrada, em
especial o Livro de Mateus; o livro “O Evangelho de Buda”, do monge Swami Kharishnanda
(1998); a obra “Religiões da Humanidade”, do Padre Waldomiro Piazza (1991); e “O
Despertar do Buda Interior” do Lama ocidental Surya Das (2001). Os termos sublinhados
constam no glossário ao final da obra.
Este trabalho pretende quebrar muitas barreiras e dogmas, mostrando visões de certa
forma polêmicas, quando destroça o mito do ateísmo Budista. Ateísmo seria a negação ou a
omissão em falar sobre Deus? Como o Budismo é então uma religião? Existem Divindades no
Budismo?
O trabalho foi dividido em três capítulos, mostrando no Capítulo I a Origem de cada
religião separadamente e suas linhas de atuação na atualidade;
O Capítulo II dá um esboço nas semelhanças de fatos históricos entre as duas
religiões, penetrando ainda no campo da Devoção a Maria e ao Buda Feminino, nas
Mortificações e no Proselitismo. Uma análise sobre o sincretismo é explanada especialmente
sobre o ponto de vista oriental, com suas vantagens e conseqüências co-relacionadas.
No Capítulo III apresentamos as semelhanças doutrinárias, procurando intermediar o
“fosso” entre o esforço para Iluminação Oriental e Graça Divina do Ocidente. O Budismo
centra todos os esforços espirituais no esforço humano, enquanto no Cristianismo é enfatizada
a fé como suficiente para a graça Divina. Como conciliar e encontrar semelhanças entre estes
dois pontos opostos? Este é mais um quesito a ser analisado e debatido. Debatemos ainda
sobre a complexa Doutrina do Vazio, sua relação com a vida cotidiana, prática religiosa e a
Negação de Si mesmo; a Fé e as Divindades Budistas .
Esta monografia tem ainda como objetivo esclarecer o Catecismo budista a partir do
ponto de vista de um ocidental que tem tradição familiar no Cristianismo, mas que tem
estudado o Budismo Tibetano, Budismo Zen, o Hinduísmo reformado de Sri Ramakrishna e
os Movimentos Gnósticos contemporâneos, como forma de lançar bases educativas para o
corpo docente e discente da área de Ciências da Religião, que precisam romper as amarras
que os prendem aos conceitos dogmáticos do Ocidente e do Cristianismo em especial, a ponto
de considerar as Escrituras Sagradas e Deus unicamente em sua tradição religiosa, excluindo
as restantes como outrora no período medieval. Nosso tempo não é mais um tempo de
dominação, mas um tempo de ênfase no resgate da paz entre os povos. E enquanto houver os
preconceitos, inclusive religiosos, jamais o mundo poderá viver em paz.
A grande tentativa desse trabalho foi explorar de forma filosófica e antropológica os
fundamentos, semelhanças e contribuições das duas culturas. Acima das diferenças de
linguagem, épocas, costumes, história, influências sociais e econômicas, procurou-se penetrar
na essência das religiões, no real sentido e resultado que servem a cada ser humano que
pratica e se aprofunda sinceramente em sua tradição.
Ao final do estudo, cada um poderá tirar suas próprias conclusões: são o Budismo e o
Cristianismo irmãs gêmeas? É possível o Ocidente aprender com a espiritualidade Oriental? É
possível aprendermos espiritualidade em outras religiões sem abalar a fé?
Não há intenção alguma em se pôr ponto final a estas questões, mas de gerar idéias
novas, palpitantes e férteis, que aproximem não simplesmente as culturas, mas principalmente
os povos.

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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Por que meditar? (Bokar Rinpoche. "Morte e Arte de Morrer no Budismo Tibetano")

Os homens são afligidos por sofrimentos, angústias e medos inumeráveis que são incapazes de evitar. A meditação tem por função eliminar esses sofrimentos e essas angústias.

Pensamos, geralmente, que felicidade e sofrimento surgem de circunstâncias exteriores.

Sempre atarefados, de uma ou de outra maneira, a reorganizar o mundo, tentamos afastar um pouco de sofrimento aqui, acrescentar um pouco de felicidade ali, sem jamais alcançar o resultado desejado. O ponto de vistabudista, que também é o ponto de vista da meditação, considera, ao contrário, que felicidades e sofrimentos não dependem fundamentalmente das circunstâncias exteriores, mas da própria mente.

Uma atitude de mente positiva engendra a felicidade, uma atitude negativa produz o sofrimento. Como compreender esse engano que nos faz procurar fora aquilo que podemos encontrar dentro? Uma pessoa de rosto limpo e nítido ao se olhar em um espelho vê um rosto limpo e nítido. Aquele cujo rosto é sujo e maculado de lama vê no espelho um rosto sujo e maculado. Em verdade, o reflexo não tem existência; só o rosto existe. Esquecendo o rosto, tomamos seu reflexo por real. A natureza positiva ou negativa de nossa mente se reflete nas aparências exteriores que nossa própria mente nos envia. A manifestação exterior é uma resposta à qualidade de nosso mundo interior.

A felicidade que desejamos não virá da restruturação do mundo que nos cerca, mas da reforma de nosso mundo interior. O indesejável sofrimento só cessará na medida em que não embotarmos nossa mente com todos os tipos de negatividades. Enquanto não reconhecermos que felicidades e sofrimentos têm sua origem em nossa própria mente, enquanto não soubermos distinguir o que, por nossa mente, é proveitoso ou nocivo, e que a deixamos à sua insalubridade ordinária, permanecemos impotentes para estabelecer um estado de felicidade autêntica, impotentes para evitar as contínuas ressurgências do sofrimento. Qualquer que seja nossa esperança, ela é sempre decepcionada.

Se, ao descobrirmos no espelho a sujidade de nosso rosto, decidíssemos lavar o espelho, mesmo que esfregássemos fortemente durante anos com sabão e água em abundância, nada aconteceria, nem a mínima sujeira, nem a mínima mancha desapareceria do reflexo. Por falta de orientarmos nossos esforços para o objeto justo, eles permanecem perfeitamente vãos. Eis por que o buddhismo e a meditação têm por primordial compreender que felicidades e sofrimentos não dependem fundamentalmente do mundo exterior, mas de nossa própria mente. Na falta dessa compreensão, nunca nos voltaríamos para o interior e continuaríamos a investir nossa energia e nossas esperanças numa vã busca exterior. Uma vez adquirida essa compreensão, podemos lavar nosso rosto: o reflexo surgirá limpo no espelho.


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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Koans e Contos Zen Buddhistas

Há uma estória indiana de um homem que era um ateu e agnóstico, um raríssimo tipo de postura na Índia. Ele era uma pessoa que desejava livrar-se de todas as formas de ritos religiosos, deixando apenas a essência da direta experiência da Verdade. Ele atraiu discípulos que costumavam se reunir a seu redor toda semana, quando ele falava a todos sobre seus princípios. Após algum tempo eles começaram a se juntar antes do mestre aparecer, porque eles gostavam de estar em grupo e cantar juntos.
Eventualmente foi construída uma casa para as reuniões, com uma sala especial para o mestre agnóstico. Após sua morte, tornou-se uma prática entre seus seguidores fazer uma reverência respeitosa para a agora sala vazia, antes de se entrar no salão. Em uma mesa especial a imagem do mestre era mostrada em uma moldura de ouro, e as pessoas deixavam flores e incenso lá, em respeito ao mestre.
Em poucos anos uma religião tinha crescido em torno daquele homem, que em vida não praticava nada disso, e que, ao contrário, sempre disse aos seus seguidores que ficar preso a estas práticas levava freqüentemente a pessoa a se iludir no caminho da Verdade.

"Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.
Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.
Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.
Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.
Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida."

Gautama Buddha - Kalama Sutra


Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é Aquilo,
Não deves afirmar ou negar nada.
Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade,
E o que quer que seja negado não é verdadeiro.
Como alguém poderá dizer com certeza o que Aquilo possa ser
Enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que É?
E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma Região
Onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir?
Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio,
Silêncio - e um dedo apontando o Caminho.
Verso Zen

Antes de entendermos o Zen, as montanhas são montanhas e os rios são rios;
Ao nos esforçarmos para entender o Zen, as montanhas deixam de ser montanhas e os rios deixam de ser rios;
Quando finalmente entendemos o Zen, as montanhas voltam a ser montanhas e os rios voltam a ser rios.


1. Uma xícara de Chá
Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.
Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
"Está muito cheio. Não cabe mais chá!"
"Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"

2.Uma Parábola
Certa vez, disse o Buddha uma parábola:
Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.
Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.
"Que delícia!", ele disse.

3. Nas Mãos do Destino
Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo assim, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha ele parou em um templo Shintó e disse aos seus homens:
"Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a Cara sair, iremos vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos."
Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.
Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso:
"Ninguém pode mudar a mão do Destino!"
"Realmente não..." disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.

4. Garotas
Tanzan e Ekido certa vez viajavam juntos por uma estrada lamacenta. Uma pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada. Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela garota vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão.
"Venha, menina," disse Tanzan de imediato. Erguendo-a em seus braços, ele a carregou atravessando o lamaçal.
Ekido não falou nada até aquela noite quando eles atingiram o alojamento do Templo. Então ele não mais se conteve e disse:
"Nós monges não nos aproximamos de mulheres," ele disse a Tanzan, "especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo?"
"Eu deixei a garota lá," disse Tanzan. "Você ainda a está carregando?"


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domingo, 11 de maio de 2008

Discursos de Sathya Sai Baba - 15/05/97 - PUREZA - O CAMINHO PARA A LIBERAÇÃO

Manifestações do Amor Divino!
Sabedoria não significa mera familiaridade com livros. Também não é conhecimento das coisas do
mundo. Somente quem reconheceu a unidade entre o espírito individual e o Espírito Universal é um
verdadeiro possuidor da sabedoria suprema. A verdadeira sabedoria consiste na consciência da unidade
do indivíduo com o todo.
Boa Visão
Como pode um homem que não está consciente de sua natureza humana, reconhecer a Divindade
dentro de si? Por isso, o primeiro requisito é o reconhecimento de sua própria essência humana. Com
base nessa verdade, Buddha declarou que todos deviam cultivar, inicialmente, uma visão pura. Somente
quando o homem tem visão pura, pode se livrar das impurezas do corpo, da fala e da mente. É esta
pureza que pode proteger o homem da invasão de impurezas através dos olhos e dos ouvidos. Então, o
primeiro requisito para todo homem é a visão pura.

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domingo, 27 de abril de 2008

Sempre Zen, de Charlotte Joko Beck

Iniciando a prática zen
Minha cadela não se preocupa com o significado da vida. Ela pode se preocupar
em receber ou não a refeição pela manhã, mas não se senta preocupada em
conseguir ou não a realização, a libertação, a iluminação. Desde que receba um pouco
de comida e afeto, a vida lhe corre bem. Porém nós, seres humanos, não somos como
os cães. Temos mentes centradas em si mesmas que nos remetem a muitos
problemas. Se não entendermos o equívoco em nossa forma de pensar, nossa
autopercepção, que é nossa maior bênção, torna-se também nossa perdição.
Todos nós acreditamos que, em certa medida, a vida é difícil, intrigante e opressiva.
Mesmo quando tudo corre bem, como acontece por certo tempo, preocupamo-nos que
ela não se mantenha assim. Dependendo de nossa história pessoal, chegamos à
idade adulta tendo muitos sentimentos desencontrados a respeito da vida. Se eu lhes
dissesse que sua vida já é perfeita, completa e inteira exatamente do jeito que está,
vocês pensariam que estou maluca. Ninguém acredita que sua vida é perfeita. No
entanto, existe no íntimo de cada um uma dimensão que sabe que somos ilimitados,
infinitos. Vemo-nos presos à contradição de encontrar a vida em meio a um quebracabeça
muito desconcertante, capaz de nos causar muitos sofrimentos; ao mesmo
tempo, temos uma vaga consciência da natureza ilimitada, infinita da vida. Desta
maneira, começamos a procurar uma resposta a esse enigma.
A primeira forma de procurar é buscar soluções fora de nós mesmos. No começo,
pode acontecer num nível bastante comum. Existem muitas pessoas no mundo que
acreditam que se tivessem um carro maior, uma casa mais bonita, férias melhores, um
patrão mais compreensivo, ou um parceiro mais interessante, suas vidas seriam muito
melhores. Não há quem não pense assim. Lentamente, vamos descartando os "se ao
menos", essas coisas que nos fariam viver melhor. "Se ao menos eu tivesse isto, isso
ou aquilo, então minha vida seria outra." Na prática, todos estão com alguns desses
"se ao menos", na cabeça em algum momento, contudo aos poucos essas idéias vão
se desgastando. Primeiro, as mais grosseiras. Depois nossa busca dirige-se a níveis
mais sutis. Por fim, na procura pelo elemento externo a nós mesmos que, em nossa
expectativa, irá nos completar, voltamo-nos para uma disciplina espiritual.
Infelizmente, nossa tendência é considerar com a perspectiva anterior essa nova
possibilidade. Muitas das pessoas que buscam o Zen Center não crêem que a
resposta esteja num Cadillac mais novo, mas em alcançar a iluminação. Conseguiram
um novo recurso, um novo "se ao menos". "Se ao menos eu tivesse condição de
entender do que se trata a compreensão, seria feliz." "Se ao menos eu tivesse uma
pequena experiência de iluminação, seria feliz." Ao iniciarmos uma prática como o zen,
trazemos nossas noções habituais de estar chegando em algum lugar, de alcançar
alguma coisa -no caso, a iluminação - podendo a partir de então comer todos os
docinhos que antes nos tinham sido proibidos.
Toda a nossa vida consiste neste pequeno indivíduo, olhando à sua volta em busca
de objetos. No entanto, se você olha algo que é limitado -como o são o corpo e a
mente -e procura alguma coisa fora de si, esta coisa torna-se um objeto e também
deve ser limitado. Assim, existe alguma coisa limitada procurando algo limitado e, no
final, só fica maior aquela velha loucura que o vem tornando uma- pessoa tão infeliz.
Todos passam anos a fio consolidando uma visão condicionada da vida. Existe o
"eu" e existe essa "coisa" aí adiante que ou me fere ou me agrada. Nossa tendência é
levar a vida de modo a tentar evitar tudo o que nos magoe ou nos desagrade,
reparando nos objetos, nas pessoas ou situações que, a nosso ver, parecem nos
proporcionar dor ou prazer; evitaremos uns e perseguiremos outros. Sem exceção,
todos nós fazemos isso. Mantemo-nos distantes de nossa vida, olhando-a, analisandoa,
julgando-a, buscando respostas para perguntas como "O que ganho com isso? Vou
ter prazer ou conforto, ou será preciso que eu fuja?". Fazemos esse questionamento
de manhã à noite. Por trás de nossas fachadas agradáveis e amistosas ferve um
constrangimento considerável. Se eu pudesse raspar o verniz e ir um pouco mais
fundo do que a superfície de qualquer pessoa, encontraria medo, dor e uma ansiedade
desvairada. Todos temos métodos para encobrir tais sentimentos. Comemos demais,
bebemos demais, trabalhamos demais; assistimos à televisão demais. Estamos
sempre fazendo algo para encobrir nossa ansiedade existencial básica. Algumas
pessoas vivem dessa forma até o final de seus dias. Essa situação piora conforme o
tempo vai passando. 0 que talvez não seja tão ruim quando você tem 25 anos
parecerá terrível quando chegar aos cinqüenta. Todos conhecemos aquelas pessoas
que já morreram e se esqueceram de deitar-se; elas têm uma mentalidade tão
contraída em seus pontos de vista limitados, que a convivência é muito penosa tanto
para quem está à sua volta como para elas mesmas. A flexibilidade, a alegria e o fluir
da vida já se foram. Essa possibilidade tão sombria ameaça a todos nós a menos que
acordemos para o fato de ser necessário trabalhar nossa própria vida, praticar. É
preciso que enxerguemos a miragem de que existe um "eu" destacado de um "aquilo".
Nossa prática consiste em anular essa distância. Apenas no momento em que nós e
os objetos nos tornarmos um, é que poderemos enxergar o que é nossa vida.
A iluminação não é algo que se atinge. É a ausência de alguma coisa. A vida
inteira, a pessoa vai atrás de algo, perseguindo suas metas. A iluminação está em
deixar tudo isso de lado. Entretanto, falar sobre ela não adianta muito. A prática
precisa ser executada por cada um. Não há o que a substitua. Podemos ler a seu
respeito durante mil anos e não adiantará de nada para nós. É preciso que todos nós
pratiquemos, e temos de fazer com todo nosso empenho pelo resto da vida.
O que de fato queremos é uma vida natural. Nossas vidas são tão artificiais que
realizar uma prática como a do zen, no começo, é bastante difícil. Porém, assim que
começarmos a vislumbrar que o problema da vida não é algo externo a nós, teremos
começado a percorrer o caminho. Quando o despertar se inicia, quando começamos a
perceber que a vida pode ser mais aberta e alegre do que até então pensáramos ser
possível, queremos praticar.
Entramos numa disciplina como a prática zen para podermos aprender a viver de
modo lúcido. O zen tem quase mil anos e seus defeitos já foram corrigidos; embora
não seja fácil, não é insano. É sensato e muito prático. Diz respeito à vida cotidiana.
Refere-se a trabalhar melhor no escritório, a criar melhor as crianças, e estabelecer
relacionamentos melhores. Levar uma vida mais lúcida e satisfatória deve decorrer de
uma prática equilibrada e lúcida. O que desejamos fazer é encontrar uma maneira de
trabalhar com a insanidade elementar que existe em função de nossa cegueira.
É preciso coragem para se sentar bem. O zen não é uma disciplina para todos.
Precisamos estar dispostos afazer algo que não é fácil. Se o fizermos com paciência e
perseverança, com a orientação de um bom instrutor, então, aos poucos, nossa vida
irá se aquietar, ficar mais equilibrada. Nossas emoções não serão mais tão
dominadoras. Enquanto sentamos, descobrimos que a primeira coisa, a mais
elementar, para trabalhar, é nossa mente caótica, ocupada. Estamos todos enredados
num pensar frenético e o problema da prática está em começar a trazer esse
pensamento para a claridade e o equilíbrio. Quando a mente fica limpa, clara,
equilibrada, e não mais prisioneira dos objetos, então poderá haver uma abertura e,
por um instante, nos , daremos conta de quem somos, na verdade.
Contudo, sentar não é algo que praticamos durante um ou dois anos com a idéia de
dominar a questão. Sentar é algo que praticamos a vida inteira. Não há limites para a
abertura possível ao ser humano. Eventualmente percebemos que somos a base
ilimitada e incontida do universo. Para o resto da vida, nossa incumbência será
abrirmo-nos cada vez mais a essa imensidão e expressá-la. Quanto maior for nosso
contato com essa realidade, mais aumentará nossa compaixão pelos outros, maiores
serão as alterações em nossa vida cotidiana. Viveremos, trabalharemos e nos
relacionaremos de modo diferente com as pessoas. O zen é um estudo para a vida
toda. Não é só sentar-se numa almofada durante trinta ou quarenta minutos diários.
Toda nossa vida torna-se uma prática, vinte e quatro horas por dia.
Gostaria agora de responder a algumas perguntas sobre a prática do zen e sua
relação com a vida pessoal.
ALUNO: Você poderia falar mais a respeito de nos desapegarmos dos pensamentos
que nos ocorrem durante a meditação?
JOKO: Não acho que nos desapeguemos das coisas; creio que o que mais fazemos é
desgastá-las. Se começamos a forçar nossas mentes para fazerem as coisas,
estaremos exatamente de volta ao dualismo do qual tentamos nos livrar. O melhor
meio de nos desapegar é notar os pensamentos quando aparecerem e reconhecê-los.
"Ah, é, estou de novo pensando", sem julgá-los, e então retornar à nítida experiência
do momento presente. Sejam apenas pacientes. Teríamos de fazer isso dez mil vezes,
mas o valor de nossa prática é o retorno constante da mente para o presente,
inúmeras vezes seguidas. Não procurem aqueles lugares maravilhosos, onde os
pensamentos não ocorrerão. Uma vez que os pensamentos basicamente não são
reais, em algum momento começarão a ficar obscuros e menos imperativos, e
acabaremos percebendo que existem momentos em que desaparecem, porque vemos
que não são reais. Já irão sumir com o tempo, sem que saibamos de maneira exata
como aconteceu. Aqueles pensamentos são nossas tentativas de nos proteger.
Ninguém quer, de fato, deixá-los de lado; são aquilo a que estamos apegados. Com o
tempo, o meio de acabarmos enxergando sua irrealidade está em apenas deixar correr
o filme. Depois de o assistirmos umas quinhentas vezes, sem dúvida, ele acaba se
tornando monótono!
Há duas espécies de pensamento. Não há nada de errado em pensar no sentido que
denomino "pensamento técnico". Precisamos pensar afim de andar daqui até o canto,
para assar um bolo ou resolver um problema de Física. Esse uso da mente é correto.
Não é nem real, tampouco irreal; é só o que é. Porém, opiniões, julgamentos,
lembranças, devaneios a respeito do futuro, 90% dos pensamentos que giram em
nossa mente não têm qualquer realidade essencial. Do nascimento até a morte, a
menos que despertemos, desperdiçamos quase toda a nossa vida em função deles. A
parte horrível do sentar (e, acreditem, é horrível) está em começarmos a ver o que de
fato se passa em nossa mente. É chocante para todo mundo. Vemos que somos
violentos, preconceituosos e egoístas. Somos tudo isso porque uma vida
condicionada, com base em falsos pensamentos, levou-nos a esse estado. Os seres
humanos são essencialmente bons, gentis e compadecidos, mas é preciso um grande
esforço de escavação para extrair essa jóia das entranhas de nosso ser.
ALUNO: Você disse que conforme o tempo passa, os reveses, os transtornos
começam a se reduzir, até que por fim se esgotam?
JOKO: Não estou querendo dizer que não haverá transtornos. O que desejo falar é
que, quando ficamos aborrecidos, não permanecemos apegados a esse estado. Se
sentimos raiva, só ficamos com raiva por um instante. Pode ser que os outros nem se
dêem conta disso. É tudo. Não há o apego à raiva, à sedução mental de manter-se
nesse estado. Não estou também afirmando que os anos de prática terminarão
fazendo de nós zumbis. Pelo contrário, teremos emoções realmente mais genuínas,
sentiremos mais as pessoas. Só não ficaremos mais tão enredados nas malhas de
nossos estados interiores.
ALUNO: Você poderia comentar a respeito de nosso trabalho cotidiano como parte da
prática?
JOKO: O trabalho é a melhor parte da prática e do treino zen. Independente de qual
seja o trabalho, deverá ser feito com esforço e total atenção àquilo que tivermos bem à
nossa frente. Se estamos limpando o fogão, deveríamos estar totalmente envolvidos
nesse mister, e ao mesmo tempo ter consciência de pensamentos que o interrompem.
"Odeio limpar fogões. Amoníaco fede! Aliás, quem gosta de limpar fogão? Depois de
tudo que estudei, não deveria estar fazendo isso!" Todos esses são pensamentos
extras que nada têm que ver com a limpeza do fogão. Se a mente divaga para algum
lugar, traga-a de volta ao trabalho. Existe a tarefa concreta que estamos executando e
ainda há todas as considerações que tecemos a esse respeito. Trabalho é só cuidar
daquilo que precisa ser feito já; porém, são muito poucos os que trabalham desse
jeito. Quando temos paciência com nossa prática, o trabalho, um dia, começará afluir
Fazemos aquilo que precisa ser feito, só isso.
Seja qual for sua vida, sugiro que faça dela sua prática.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Notas Sobre O Budismo Tibetano + Mantras Poderosos E Reflexôes Sobre A Mente, de Kalú Rimpochê

O budismo tibetano possui muitas técnicas meditaçionais poderosas. Entretanto, todo este conhecimento antigo da India e do Tibet, vem sendo muitas vezes desvirtuado sobremaneira. Este conhecimento é tido como secreto desde aantiguidade, e se elaboramos estas anotações tiradas aqui e ali da sabedoria dos grandes mestres tibetanos, foi para que as pessoas em geral saibam de alguma forma do que se trata e adquiram interesse em pesquisar mais estes conhecimentos muito profundos, que em verdade, em 2600 anos não serviram nunca de pretexto para guerras e outras coisas do gênero, mas apenas para pacificar os seres humanos e demais seres, conduzindo-os ao final à iluminaçâo e a viver paulatinamente uma vida plena de paz.

Nesta era degenerada, e na atual circusntância do país, faz-se importante a presença de textos simples em português que ajudem as pessoas a empreender um estudo mais detalhado sobre estes conhecimentos, que são também um estudo so bre o nosso estado de paz mais fundamental e profundo e de que sempre fomos capazes, seja por livros, internet, meditação ou diretamente através dos Mestres.


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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Respeito aos Mais Velhos

Há muito tempo, existiam três amigos – um elefante, um macaco e um pássaro –
que viviam perto de uma árvore de ficus de Bengala (Ni-kiu-lu). Eles comentavam entre si:
“Devido ao fato nos abrigarmos perto desta árvore, é necessário que nos respeitemos
mutuamente”.

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O Bodhisattva e a Tigresa

Certa vez, o Bodhisattva era um asceta desapegado das coisas deste mundo; ele
vivia constantemente pelas regiões desertas da montanha. Dedicava-se unicamente a
meditar sobre a sabedoria e não cometia nenhum dos atos nocivos. Comia frutas, bebia
água e não guardava absolutamente nada. Pensava com altruísmo sobre todos os seres
vivos que, por sua ignorância e sua loucura, se perdem; a cada vez que via um deles em
perigo, sacrificava sua vida para salvá-lo.
Um dia em que havia ido buscar frutas, encontrou em seu caminho uma tigresa
que amamentava seus filhotes. Depois de amamentar, a tigresa ficou esgotada e não tinha
nada para comer. Transtornada pela fome, quis voltar e devorar seus próprios filhotes. Ao
ver aquilo, o Bodhisattva ficou tomado pela piedade; ele pensou com compaixão sobre
todos os seres vivos que padecem ao logo de seus dias no mundo dos sofrimentos
infinitos; que uma mãe e seus filhotes se entredevorassem fê-lo sentir uma dor
inexprimível; soluçando e suando, virou-se e olhou por todos os lados, em busca de algo
que pudesse alimentar a tigresa e salvar, assim, a vida de seus filhotes; mas não viu
absolutamente nada.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Prática Curta de Tchenrezig (com os comentários explicativos de Kalu Rinpoche) - O BEM DOS SERES PREENCHE O ESPAÇO

Instruções necessárias à Prática
Devemos, inicialmente, imaginar que no meio do céu diante de nós se encontram os
diferentes aspectos do Refúgio: as três jóias, o Buddha, o Dharma e o Sangha, e as três
raízes, o lama, os Yidams (divindades) e os protetores.
Pensamos que diante desses aspectos nós e todos os demais seres tomamos refúgio até
atingirmos o estado de Buddha e nos remetemos às três jóias.
Em seguida, desenvolvemos a motivação do espírito do despertar com o objetivo de
liberar todos os seres do Samsâra e estabelecê-los no estado de Buddha.
Pensando assim, receberemos as instruções sobre Tchenrezig e praticaremos esta
meditação:
Inicialmente, repetimos três vezes a parte do texto que corresponde ao refúgio: “SANG
GYE TCH'Ö DANG....”
Depois, imaginamos que sobre nossa cabeça e a de todos os seres há um lótus branco,
em cima do qual se encontra um disco luminoso e sobre este a letra branca “HRI”. Essa
letra “HRI” irradia luz por todas as direções, atingindo a todos os Buddhas e se
apresentando a eles como uma oferenda que os cobre. Em seguida, essa luz irradia para
as seis classes de seres, purifica os véus (karma, emoções conflituosas, apego ao eu e
ignorância) que cobrem suas mentes e todas as ações nocivas. Finalmente, a luz é
reabsorvida na letra “HRI”.
A letra “HRI” instantaneamente se transforma no aspecto do muito nobre Tchenrezig,
de cor branca. Ele possui uma face, quatro braços e duas pernas cruzadas na posição de
vajra.
- A posição vajra das pernas simboliza o fato de Tchenrezig não residir
nem no Samsâra, nem na paz do Nirvana.
- Os quatro braços simbolizam as quatro virtudes incomensuráveis: a
compaixão incomensurável, a alegria incomensurável, o amor
incomensurável, a equanimidade incomensurável.
- A cor branca simboliza a pureza de Tchenrezig e o fato de que suas
manifestações não são atingidas pelos véus da mente, pelos aspectos
impuros, pelo karma impuro, etc.
- Os dois olhos de Tchenrezig simbolizam a conjunção entre os métodos e
meios (t'ab) e o conhecimento transcendente (sherab).
- Tchenrezig também está ornamentado com cinco adereços de seda e de
oito jóias. As cinco sedas são: as fitas que pendem de seu diadema, a
longa fita que contorna seus ombros e braços, o xale que recobre o
tronco, seu cinto e sua veste.
- As oito jóias são: o ornamento sobre sua cabeça que simboliza os
Buddhas das cinco famílias, o brinco de pedra preciosa, o colar que ele
usa no pescoço, o longo pingente, o cinturão de jóias, o pequeno
ornamento sobre seu corpo, os braceletes em torno do braço e punho e os
braceletes no tornozelo.
- As cinco sedas simbolizam que em Tchenrezig culminam as cinco
sabedorias supremas da mente dos Buddhas.
- As oito jóias simbolizam que Tchenrezig possui perfeitamente os oito
ramos do Caminho Óctuplo.
Tchenrezig está sentado sobre um disco que simboliza o fato de ele manifestar sua
grande compaixão e transmitir sua influência espiritual a todos, sem ser maculado pelas
seis classes de seres.
Às costas de Tchenrezig, há, como espaldar, uma lua branca imaculada, que simboliza
as oferendas e louvações que todos os Buddhas e Bodhisattvas fazem continuamente a
Tchenrezig, bem como seu aspecto puro.
No alto de sua cabeça, encontra-se o Buddha Amitabha, que é tanto seu preceptor,
mestre espiritual e lama, como o princípio do qual Tchenrezig emana.
Há um animal mitológico chamado Trinasara, uma espécie de gazela mansa e gentil,
que jamais faz o mal aos outros, cujos pés são como feltro e só se alimenta de ervas.
Uma pele de Trinasara cobre o ombro de Tchenrezig simbolizando que em nenhuma
circunstância ele faz o mal a alguém.
Tchenrezig trabalha contínua e perpetuamente para o bem dos seres por meio dos cinco
corpos de Buddha, das cinco sabedorias, que constituem sua essência. Esta é
simbolizada pela luz que irradia de seu corpo. A luz é principalmente branca, mas
composta de raios brancos, azuis, verdes, amarelos e vermelhos, que correspondem às
cores das cinco sabedorias.
Para simbolizar sua atitude de constante prece e desejo para que o bem chegue a todos
os seres, as duas primeiras mãos estão juntas no mudrâ de prece.
Por sua atividade, ele salva primeiro os seres nos três mundos inferiores e os leva à
liberação. Para simbolizar essa ação de retirar os seres do sofrimento do Samsâra,
Tchenrezig leva em sua mão direita um mala de 108 contas de cristal imaculado.
Para simbolizar que Tchenrezig é puro e livre das emoções perturbadoras (todas as
84000) e que, em última instância, leva todos os seres ao estado perfeitamente puro de
Buddha, ele segura com sua mão esquerda um lótus branco.
Para simbolizar que pelos meios (upaya – t'ab), pela compaixão, e por intermédio do
conhecimento transcendente (prajña – sherab) trabalha com grande amor pelo bem dos
seres, ele repousa seu olhar sobre todos os seres.
Nós imaginamos Tchenrezig dotado de todas essas qualidades e atributos situado sobre
nossa cabeça. Nós pensamos que ele está realmente presente.
DA SO K'A K'YAB ...
Esse aspecto de Tchenrezig é essencialmente nosso lama-raiz, quem quer que ele seja,
isto é, o lama que nos transmite a iniciação, os lungs, as instruções. É o lama-raiz sob o
aspecto de Tchenrezig, o aspecto de todos os refúgios, Buddha, Dharma, Sangha, Lama,
Yidam e Protetor.
Pensamos que Tchenrezig possui todas as qualidades desses diferentes aspectos, dos
quais ele é a essência. Pensamos que é a base e o fundamento do qual emanam todos os
demais Yidams.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

À procura das Pérolas: No. 215

Ananda disse ao Buda: “O senhor, ó Buda, nasceu em uma família real, permaneceu sentado
sob uma árvore e meditou sobre a sabedoria durante seis anos. Obter assim (a dignidade) de Buda é
lográ-la facilmente”.
O Buda respondeu a Ananda: “Certa vez, Ananda, havia um senhor proprietário extremamente
rico que possuía toda sorte de jóias, mas como não possuía as verdadeiras pérolas vermelhas, não se
sentia satisfeito. Levando consigo outros homens, ele foi ao mar para recolher algumas pérolas; após
superar vários perigos e obstáculos, conseguiu chegar ao local onde se encontravam as jóias. Ele cortou
seu corpo para fazer correr o sangue, o qual colocou em um saco untado com óleo, suspenso no fundo
do mar. As ostras, ao sentirem o odor do sangue, vieram sugá-lo. Então ele pôde retirar as ostras e,
abrindo-as, fez saírem as pérolas; recolhendo-as dessa maneira durante três anos, ele chegou a formar
um colar inteiro.
Quando retornava, ao chegar à margem de um rio, seus companheiros, vendo que trazia jóias
preciosas, armaram-lhe uma cilada. Enquanto o seguiam para pegar água, reuniram-se e o atiraram em
um poço, que depois cobriram, e partiram. Passado um longo tempo desde que caíra no fundo do poço,
o homem percebeu um leão que se aproximava por um orifício lateral para beber água. Ele novamente
teve muito medo. Mas, quando o leão partiu, o homem procurou a passagem por onde o animal havia
vindo, pôde sair (do poço) e voltar a seu país. Quando seus companheiros retornavam à sua casa, o
homem os chamou e disse: “Vocês me roubaram um colar. Ninguém o sabe, nem que vocês também
tentaram-me fazer perecer. Devolvam-no em segredo e eu não os denunciarei”. Temerosos, os homens
devolveram as pérolas. De posse das jóias, o proprietário levou-as para casa.

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domingo, 9 de dezembro de 2007

Predição do Buddha Dîpankara - O Sutra de Mânava - No. 83

Certa vez, o Bodhisattva havia nascido no reino de Dipavati e era um
Brahmacârin chamado Mânava. Ele recebera ensinamentos de seu mestre e costumava
olhar as constelações no céu. Vendo-as ou ouvindo-as, ele havia compreendido todos os
livros que tratavam de diagramas e de adivinhação. Ele se comportava de maneira sincera
e honrava a devoção filial. Todas as pessoas instruídas do reino o louvavam. Seu mestre
lhe disse: “Sua sabedoria está completa e seus conhecimentos são suficientes. Por que
você não toma a resolução de viajar para que o ensinamento e a conversão tenham
início?”. Ele respondeu: “Estou em uma situação de muita pobreza e desprovido de toda
riqueza. Como não tenho meios de pagar as bondades do senhor, não ousava retirar-me.
(Contudo) minha mãe adoeceu gravemente e não posso tratá-la com remédios. Irei
mendigar e me colocarei sob as ordens de alguém a fim de poder arcar com os custos dos
remédios”. Havendo seu mestre aprovado integralmente, ele se prosternou e se retirou.
Ao percorrer todos os reinos vizinhos, ele viu quinhentos brahmanes que,
reunidos em uma sala de conferência, ali haviam colocado um trono elevado, bem como
uma bela mulher e cento e cinqüenta peças de prata. Eles haviam acordado que, àquele
que se sentasse no trono elevado, todas as pessoas instruídas viriam reunidas para
colocar-lhe perguntas constrangedoras. Se ele expressasse pontos de vista hábeis e uma
sabedoria profunda, a mulher e o dinheiro lhe seriam dados em recompensa. O
Bodhisattva se aproximou para observar e percebeu que a ciência deles era pouco sólida
e, quando se lhes colocava alguma objeção, sua dialética chegava ao fim. Assim, ele disse
àqueles instruídos: “Também eu sou filho de brahmane. Poderia tomar parte na
discussão?”. Todos assentiram, e ele subiu ao trono elevado. As objeções que lhe
colocaram as pessoas instruídas eram superficiais, mas suas respostas foram de uma
sabedoria profunda. As questões eram mesquinhas, mas suas explicações, muito
adequadas. As pessoas instruídas disseram: “Está aí um homem cuja sabedoria é elevada
e a inteligência, penetrante. Ele é digno de ser considerado como um mestre”. Todos
desceram e se prosternaram pondo a face contra o chão. Mas, quando o Bodhisattva se
retirou, eles disseram: “Ainda que esse homem seja um sábio, é somente um estrangeiro.
Não se deve conceder-lhe uma moça de nosso país. Que lhe seja dada uma maior
quantidade de dinheiro!”. Quando eles fizeram essa proposta, o Bodhisattva respondeu:
“Aquele cuja sabedoria é elevada possui a virtude profunda. Eu desejo a doutrina do não
desejo. Esse é o único desejo que tem valor. Quando pela sabedoria se transmite a
inteligência de um homem ao outro, a conversão, que acompanha cada pessoa como a
própria sombra, não cessa jamais. Não é isso que poderíamos chamar de uma excelente
posteridade? Vocês, no entanto, querem obstruir a fonte da sabedoria e cortar o caule da
virtude. Não é isso que podemos chamar de supressão da progenitura?”1. Quando
terminou de falar, ele se retirou. Os brahmanes ficaram vermelhos de vergonha e
cobertos de confusão.
A mulher disse: “Este homem superior é meu senhor”. Ela arregaçou sua roupa e
começou a seguir os passos dele. Percorreu diversos reinos – suas forças se esgotaram,
seus pés adquiriam úlceras – e parou, cansada, à beira do caminho. Ela havia então
chegado ao reino de Dipavati. O rei desse país se chamava Tche-cheng. Enquanto
percorria o reino para inspecionar o território, percebeu aquela mulher que chegava ao
fim de suas forças. Ele perguntou-lhe quem era ela e o que fazia à margem do caminho. A
mulher contou tudo o que lhe havia acontecido. O rei louvou a resolução dela, teve
grande piedade e lhe deu a seguinte ordem: “Venha comigo a meu palácio. Eu a tratarei
como minha filha”. A mulher respondeu: “Poderia eu comer, sem merecer, o alimento
que me seria dado por um homem pertencente a outra família que não a minha? Desejo
que o senhor me ordene algum trabalho e então eu o seguiria, ó grande rei!”. O rei lhe
disse: “Você colherá flores belas que servirão para a decoração que determinei seja
preparada”. A mulher, solícita, consentiu e voltou com o rei ao palácio. Todos os dias, ela
colhia belas flores para suprir as necessidades do rei.

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Os oito versos do treinamento da mente, de Langri Tangpa

1
Ao pensar em todos os seres sencientes,
Como sendo ainda melhores do que a jóia que satisfaz todos os desejos,
Para realizar o mais alto propósito,
Possa eu sempre considerá-los preciosos.
2 Onde e com quem eu estiver,
Possa eu me ver como inferior a todos.
E, do fundo do meu coração,
Possa eu considerá-los supremamente preciosos.
3 Examinando minha mente em todas as ações,
No instante em que ocorrer um estado negativo,
Por ele destruir-me e aos outros,
Possa eu enfrentá-lo firmemente e afastá-lo.

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sábado, 1 de dezembro de 2007

As trinta e sete práticas, compostas por T'ogme, filho dos Vitoriosos / 37 práticas dos bodhisattvas

Homenagem:
Apesar de verdes com vossa sabedoria todos os fenômenos como não tendo ida ou vinda,
Vós vos esforçais unicamente no bem de todos os seres.
Diante de vós, supremo lama e protetor Tchenrezig,
Respeitosamente, com minhas três portas [o corpo, a palavra e a mente], prosterno-me ininterruptamente.

Justificativa do autor:
Os Buddhas, fonte de todo benefício e felicidade,
Surgem da realização do Dharma autêntico.
Como isso depende do conhecimento da prática,
Vou explicar a dos filhos dos Vitoriosos.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Satipatthâna Sutra - Os Fundamentos da Atenção Plena

ASSIM EU OUVI CONTAR1: Em certa ocasião o Abençoado estava vivendo na
região dos Kurus, onde havia uma cidade chamada Kammasadhamma2. Ali ele se dirigiu
aos monges assim: “Monges” – “Venerável Senhor”, responderam eles. O Abençoado
disse:
2. “Monges, este é o caminho direto para a purificação dos seres, para a superação
do sofrimento e da lamentação, para o desaparecimento da dor e da tristeza, para
aquisição do verdadeiro método, para a realização do Nirvana – os quatro fundamentos
da atenção plena.
3. “E quais são os quatro? Aqui, monges, um monge permanece contemplando o
corpo como corpo, ardente, plenamente atento e consciente, havendo deixado de lado a
cobiça e a tristeza em relação ao mundo. Ele permanece contemplando as sensações
como sensações, ardente, plenamente atento e consciente, havendo deixado de lado a
cobiça e a tristeza em relação ao mundo. Ele permancede contemplando a mente como
mente, ardente, plenamente atento e consciente, havendo deixado de lado a cobiça e a
tristeza em relação ao mundo. Ele permanece contemplando os fenômenos como
fenômenos, ardente, plenamente atento e consciente, havendo deixado de lado a cobiça e
a tristeza em relação mundo3.
1 Parte do Majjhima Nikaya (coleção de Discursos Médios do Senhor Buddha). Este é um dos sutras mais
importantes do Cânone Pali e contém o ensinamento mais abrangente sobre a meditação budista. Há um
sutra virtualmente idêntico, porém mais longo no Digha Nikaya (coleção de Discursos Longos). Uma boa
tradução para o inglês com comentários muito claros pode ser encontrado em Nyanaponika Thera, The
Heart of Buddhist Meditation.
2 Segundo historiadores, trata-se de uma cidade próxima de onde hoje se situa Delhi.
3 A estrutura do Sutra é relativamente simples. Em seguida ao preâmbulo, o discurso se divide em quatro
partes de acordo com os quatro domínios da aplicação da atenção plena. I. A contemplação do corpo
compreende quatorze exercícios: a contemplação da respiração; a contemplação das quatro posturas; plena
consciência [de todo o corpo]; das as impurezas do corpo; dos elementos; e nove contemplações do
cemitério, em que se medita sobre o corpo em diferentes fases de decomposição. II. A contemplação das
sensações, considerada como um exercício; III. A contemplação da mente, ou estados mentais, também um
exercício. IV A contemplação dos fenômenos em geral, também referida como contemplação dos dharmas

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terça-feira, 27 de novembro de 2007

A Mente – Clara Luz / Mente Luminosa, de Kalu Rimpochê / Kalu Rinpoche

A Mente

Temos uma certa noção superficial do que é a mente. Para nós, é o que experimenta o sentimento de existir, o que pensa "sou eu", "eu existo". É ainda o que é consciente dos pensamentos e sente os movimentos emotivos, aquilo que, segundo as circunstâncias, tem o sentimento de estar feliz ou infeliz.

Fora disso, não sabemos o que é, verdadeiramente a mente. Talvez seja mesmo provável que nunca nos tenhamos feito essa pergunta.

A mente sente, não os órgãos

É evidente, em primeiro lugar, que a mente não tem existência material. Não é um objeto que se possa definir a cor, o tamanho, o volume ou a forma. Nenhuma dessas características é aplicável à mente. Não podemos apontar a mente com o dedo, dizendo: "É isso". Nesse sentido, a mente é vazia. Entretanto, que a mente seja desprovida de forma, de cor, etc, não é suficiente para concluir sobre sua não-existência, pois os pensamentos, os sentimentos, as emoções conflituosas que ela sente e que produz provam que alguma coisa funciona e existe, que a mente não é, portanto, somente vazia.

Logo, o que é esse sentimento de existir? Onde ele se situa? No exterior, ou mesmo no interior do corpo? Se ele se situa no interior do corpo, quem o sente? A carne, o sangue, os ossos, os nervos, as veias, os pulmões, o coração?

Se vocês refletirem atentamente, irão admitir que nenhum membro, nem nenhum órgão reivindica sua própria existência, dizendo "eu". Assim, a mente não pode ser assimilada a uma parte do organismo. Tomemos o exemplo do olho. O olho não proclama sua própria existência. Ele não diz para si mesmo: "Eu existo", ou ainda: "É preciso que eu olhe uma determinada forma exterior; esta é bonita, aquela não o é; eu me apego a primeira e rejeito a segunda". O próprio olho não tem nenhuma vontade, não experimenta nenhum sentimento, nem apego, nem aversão.


É a mente que tem o sentimento de existir, que percebe, julga, se apega ou rejeita. O mesmo vale para o ouvido e os sons, o nariz e os odores, a língua e os sabores, a pele e os contatos, o órgão mental e os fenômenos. Não são os órgãos que percebem, mas a mente.

O carro tem necessidade de um condutor

Os órgãos, inconscientes por natureza, não são a mente, são como uma casa na qual se mora. Os moradores são o que se chama de consciências:

consciência visual;
consciência auditiva;
consciência olfativa;
consciência gustativa;
consciência tátil;
consciência mental.

Essas consciências não existem de maneira autônoma. Elas nada mais são do que a mente.


Pode-se dizer ainda que o corpo é como um carro e a mente o seu condutor Quando o carro está desocupado, apesar de possuir todos os equipamentos para rodar - o motor, as rodas, o combustível, etc, - e de encontrar-se em perfeito estado de funcionamento, ele não pode ir a nenhum lugar. Do mesmo modo, um corpo desprovido de mente, mesmo que possua a totalidade dos órgãos, não passa de um cadáver. Apesar de ter olhos, ouvidos, um nariz, ele não pode ver, nem ouvir, nem cheirar.

Alguns pensarão que a morte não atinge apenas o corpo, mas também a mente: o primeiro torna-se cadáver, a segunda deixa simplesmente de existir. Mas não é o que ocorre. A mente não nasce, não morre, e não é atingida pela doença. É eterna. O que percebe as formas vistas pelo olho, os sons ouvidos pelo ouvido e os outros objetos através dos outros órgãos dos sentidos, o que é consciente, o que não é interrompido pela morte do corpo é, portanto, a mente.



Como vimos, considerando-se que ela é destituída de qualquer característica material, não é possível designa-la como uma coisa visível e facilmente reconhecida, caso contrário alguém poderia mostrá-la para nós. De fato, possuindo uma mente, todos devemos consultar a nós mesmos e, guiados por um mestre, proceder a uma investigação que nos leve até a descoberta de que ela é verdadeiramente. Qual é sua forma, sua cor, seu volume? Ela está situada no exterior ou no interior do corpo? São questões que necessitam de uma resposta verificada pela experiência, mesmo se tivermos recebido previamente explicações teóricas como estas dadas aqui.


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