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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

CEF num grupo de leitores

Quando estive em Cuba, com o atelier Ver para Crer, conversei com a professora bibliotecária da EB 2/3, que acompanhou uma das turmas. A propósito dos preconceitos habituais que povoam o comportamento (não)leitor dos adolescentes, fiquei surpreendida com um projecto que a professora desenvolveu com sucesso no ano passado. Criou um Clube de Leitores na Biblioteca Escolar, de participação era voluntária. Divulgou a iniciativa junto de todos os alunos. Recebeu apenas alguns alunos do CEF (curso de educação e formação), com quem trabalhou até ao final do ano. Apesar de não serem leitores, os alunos mostraram interesse em conhecer livros sobre temáticas do seu interesse. Por isso, os encontros centravam-se essencialmente na busca de propostas. Os encontros tinham a duração de 30 minutos, durante o intervalo. Este ano o projecto ainda não arrancou, mas prevê-se que tal aconteça no início do 2º período. O sucesso está, muitas vezes, onde menos se espera.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

4ª sessão da Comunidade em Gaia

O Rapaz que chutava porcos mereceu leitura integral por parte dos 8 elementos presentes na sessão de 4ª feira passada. Até o Nuno, que assume não gostar de ler, leu o livro até ao fim. Quando o elogiei respondeu que também tinha lido A Biblioteca Mágica, pelo que já estamos a ganhar um leitor. Quanto ao livro, houve quem se mostrasse solidário com Robert e até quem achasse que o livro poderia ser ainda mais grotesco.
No entanto, entre este e o livro anterior, A Biblioteca Mágica continua no top das preferências. Não o esperava, especialmente tendo em conta os interesses do grupo. Mas parece que há, neste aspecto um consenso generalizado em todos os grupos.
O resto da sessão correu como sempre: muita conversa, muitas perguntas, muitas opiniões cruzadas, nem sempre sobre livros. Depois, o grupo ficou a ensaiar para um filme que estão a preparar. O mote inicial era a escolha de um livro que pudesse mudar a vida de alguém. Pelos ensaios, cheira-me que a ideia vai sofrer muitas alterações...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Biblioteca mágica em gaia

Como só havia oito exemplares do livro Biblioteca Mágica (Jostein Gaarder, Presença), o grupo organizou-se e três elementos passaram os seus livros, depois de lidos, aos colegas.
Dois dos não leitores do grupo iniciaram a leitura e, apesar de não a terem terminado, não tiveram uma opinião desfavorável. Todos estiveram de acordo quanto à parte mais interessante: a da troca epistolar, contrariando opiniões de outros grupos (nomeadamente o de Torres Vedras). Destacaram ainda a troca de comentários entre os primos como um elemento de humor. Apesar de ser o livro mais infantil dos quatro escolhidos, foi bem recebido por todos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Lendo em Gaia

Foi assim que o grupo da comunidade de leitores recebeu o 3º livro proposto. Depois da leitura voluntária em voz alta da contracapa, foi igualmente espontânea a exploração que cada um fez do seu exemplar de O rapaz que chutava porcos (Tom Baker, Teorema).

Lendo em Gaia from O Bicho dos Livros on Vimeo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sugerir ou não sugerir...

Ontem, na 2ª sessão da Comunidade de Jovens Leitores, em Gaia, o Guilherme confessou que só tinha lido o livro Escrito na Parede (Ana Saldanha, Caminho) até ao fim pela forma entusiástica como eu tinha falado do livro, na 1ª sessão. A Mariana, a Maria e a Inês corroboraram. A Inês até acrescentou que esteve todo o tempo à espera de que algo acontecesse. Por fim o Guilherme perguntou-me o que achava do livro. Disse-lhes que gostava muito.
Percebi entretanto que confundem, nos seus juízos de valor, o que está dentro e fora da narrativa. Comentaram com estranheza e até desagrado a passagem em que a mãe do Daniel se envolve com o perverso namorado na sala, em frente ao jovem que, incomodado, sai. Reli a passagem e perguntei-lhes se o que os incomodava era o texto ou a atitude da personagem. Concordaram que era o comportamento daquela mãe...
Apesar do caos em que o grupo transformou a sessão, entre conversas paralelas e tons de voz elevados, foi interessante confirmar o quanto uma sugestão pode condicionar a motivação para a leitura.
Acerca do próximo livro, Biblioteca Mágica (Jostein Gaarder, Presença) não lhes disse nada. Vamos ver como corre.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nova comunidade de jovens leitores em Gaia

O primeiro desafio de criar uma comunidade de jovens leitores é conseguir motivá-los para participar. A leitura não é um tópico que esteja no cerne das conversas e interesses dos adolescentes. Será que não?
Na Biblioteca Municipal de Gaia iniciámos hoje uma Comunidade com nove adolescentes do 8º ano. A divulgação foi feita, e bem, pelas professoras de Português, cuja (boa) influência sobre os seus alunos é clara. No entanto, uma razão oculta motivou também aquele grupo: o desejo de estarem juntos porque, apesar de se conhecerem desde o pré-escolar, não frequentam a mesma turma. Talvez por isso haja quatro elementos que assumem não gostar de ler. Os outros cinco, por seu turno, não só gostam, como são interessados pelo mundo que os rodeia e tecem comentários a propósito de tudo, como se deseja.
Em modo de apresentação discutimos o fenómeno Stephanie Meyer, A Viagem do Elefante de José Saramago, o filmes O estranho caso de Benjamim Button ou Gran Torino. Lancei-lhes então um tema para debate: é ou não possível um livro mudar a vida de alguém?
Como a Mariana fez notar, os leitores acreditavam que sim, os não leitores que não. Os argumentos expostos pelos leitores, especialmente pela Maria, pelo Guilherme e pelas duas Marianas, assentavam nas mensagens éticas e nas experiências que os livros reproduziam, podendo sensibilizar o leitor. Tópicos como os do racismo, a doença ou a morte foram nomeados. Mas também se apresentaram exemplos menos avassaladores como o de uma escolha profissional que pode mudar depois de se conhecer melhor um assunto através de um livro. E situações? Um livro que cai e duas pessoas apanham, uma conversa entre desconhecidos sobre um livro que um deles transporta…
O resultado do debate, na perspectiva de cada um, esperamos vê-lo mais lá para a frente, em vídeo. Eis o desafio: cada um deve escolher um livro, uma situação ou uma mensagem que será registada em vídeo numa das sessões próximas da comunidade. Acordámos igualmente em criar um blogue, tarefa que terá lugar na próxima reunião, dia 4 de Novembro. Finalmente, lançámos a leitura de Escrito na Parede (Ana Saldanha, Caminho), que deverá estar completa na próxima sessão. Aceitam-se críticas!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Inês Tavares, nas palavras da Marta

A Marta é a mais calma do grupo de Montemor, provavelmente até a mais madura.
Já tinha ido à primeira sessão e adorou As palavras na vida de Inês Tavares (Alice Vieira, Caminho). De tal forma que me entregou um resumo que fez sem que tal lhe fosse pedido. Cá fica ele.
«Este livro é sobre uma rapariga chamada Inês Pereira Tavares, que acaba de fazer 13 anos.
Tudo começa quando ela pede à sua avó chamada Avó Gi(Edviges) um IPod, e ela acaba por lhe dar um diário. Então que pensa Inês? Pensa "o que vou eu escrever no diário?" mas lembra-se do que a sua avó Gi lhe disse, "Escreve aí todos os teus segredos". Mas ela não tinha segredos e começou por falar do colegas, da escola e dos professores, da sua família que tinha até muitas histórias, e amigos da família como o Sr. Josué, também fala das suas férias e da sua grande paixão: o Brad Pitt.
Observações: Gostei muito do livro e achei interessante a sua história. E também achei algumas partes engraçadas.»
Talvez devido aos comentários da amiga, a Tatiana escolheu o livro esta semana. Vamos ver se também gosta. A Marta optou pelo Romance de Rita R (Ana Saldanha, Caminho). Já estou curiosa para saber se vai gostar, e qual dos dois vai preferir.

Inventam-se Leitores III, 2ª sessão

Os dois participantes iniciais da 3ª Comunidade de Jovens Leitores, em Montemor, corresponderam ao meu repto e trouxeram três novos membros que se juntaram hoje ao clube. São agora cinco, mas fazem barulho por dez. Depois de ter convivido com alunos do 10º ano, estes pré-adolescentes de 12 anos parecem-me muito infantis, ainda. Desta feita são os rapazes quem está em força na idade do armário: muitos risos, muitas vergonhas e segredos... A Primavera está no ar, em força.
Percebi que vou ter de os pôr a trabalhar: escrever, imaginar situações, produzir qualquer coisa para que não se dispersem. Por outro lado, esse estado enérgico mas inocente dá-me algum alento. Não me julgam de modo ostensivo, nem tão pouco ficam enfastiados. Por isso creio que as actividades surtirão efeito. Estou até a pensar em alargá-las aos outros grupos, para que não se percam pelo caminho. É possível que o diálogo, por si só, não cative os mais novos. Estou cada vez mais convencida de que se sentem obrigados se lhes propuser directamente que falem dos livros. Com algumas estratégias de associação, talvez o façam espontaneamente, como resposta ao desafio, sem se sentirem inibidos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Preconceitos de adolescentes?

Na apresentação da Comunidade de hoje, o grupo de treze alunos foi unânime em afirmar que gostava mais ou menos de ler, dependendo dos livros. Todos o diziam com hesitação, como se as suas opções pusessem em causa a sua condição de leitores.
Quando lhes explicava o objectivo principal da comunidade - falarmos dos livros que lemos - o Miguel sussurrou que «nós não falamos disso». Tentei perceber melhor: «Não falam de livros uns com os outros?»; «Não.», confirmou a Luciana. «E se gostarem muito de um livro, não o recomendam aos outros?»; «Aí sim, às vezes.»
À medida que se iam apresentando, alguns faziam comentários a um ou outro livro. Lua de Joana (Maria Teresa Maia Gonzalez, Verbo) foi um dos visados. O Luís achava que era um livro de raparigas. O António não percebia como era possível que a Joana se enredasse na teia que tinha provocado a morte da amiga, conhecendo as consequências. Já o Gonçalo, que estava sentado do outro lado da mesa, assumia que tinha gostado do livro. As raparigas explicavam a situação, justificavam o comportamento da Joana. Por um momento, debateram a lógica narrativa, e produziram juízos de valor. Quase sem darem por isso.
Voltamos então ao ponto de partida: porque acham os adolescentes que não gostam de ler, porque acham que não gostam de falar de livros?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nova Comunidade de Jovens Leitores

Mais logo começará uma nova Comunidade de Jovens Leitores. Será na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, no âmbito da carteira de Itinerâncias da DGLB. As propostas são semelhantes às do Sobral de Monte Agraço: o grupo lerá os mesmos quatro livros durante as sete sessões da Comunidade, havendo um exemplar para cada participante. O que distingue as duas Comunidades é a composição dos grupos. No Sobral, os participantes inscreveram-se voluntariamente, depois da divulgação que fizemos na EB 2/3 e na Biblioteca Municipal; em Torres Vedras o grupo que se mostrou interessado em participar integra uma turma do 8º ano. A mediação foi conduzida por uma professora, que tem motivado os alunos para iniciativas deste género. As sessões vão por isso decorrer no período das aulas de Estudo Acompanhado, de 15 em 15 dias. Em consequência, não haverá o risco de desistência, como acontece nas Comunidades que se realizam em horário pós-lectivo. O barómetro de satisfação ou insatisfação dos alunos será outro, certamente.
Amanhã será dia de apresentação. Veremos qual o grau de entusiasmo dos presentes e de que forma o vamos alimentar. Será que falar de livros lhes basta? E, se assim for, será este o modelo mais próximo do sucesso absoluto?

quinta-feira, 12 de março de 2009

só para pessoas cultas, sessão tecnológica

Ontem fiquei a saber como se passam músicas de um telemóvel para outro, através do Bluetooth. Mas não só. Também fui informada de que TODA A GENTE ouve os Buraka Som Sistema! A Mariana, a Inês, o Leonardo e o Diogo contaram-me ainda, de modo entusiástico, que usam o telemóvel para provocar sons estranhos, como apitos ou ruídos de moscas, que conversam em grupos de cinco em video-conferência através do telemóvel, que conseguem enviar centenas de mensagens de borla através de um tarifário qualquer que desconheço... Mas também que há dois quadros virtuais na escola, que são projectados na parede e onde se escreve e desenha... Embora virtualmente.
Então percebi que o meu convívio com adolescentes garantirá que permaneça minimamente actualizada, correndo menos riscos de me tornar uma info-excluída!
Fiquei um bocadito macambúzia porque falámos pouco de livros. Mesmo assim, ainda houve tempo para a Inês expressar o seu amor profundo pela tetralogia de Stephanie Meyer, partilhando connosco a sua condição de fã. O Leonardo pediu-lhe para nos contar um pouco da história e a partir daí a Inês começou a relatar apaixonadamente o enredo amoroso e fantástico entre Bela e Edward, o vampiro. O Ivo estava a ficar desesperado, e lá conseguimos, a custo, interromper o relato. Finalmente, puderam levar para casa O rapaz que chutava porcos. Giro foi o brainstorming de previsão, que funciona sempre muito bem com este grupo. Sugeriram que o rapaz vivesse no campo, perto de currais ou de um matadouro. Ou não, talvez não fosse isso, porque os porcos não seriam animais, seriam pessoas más, que ele desprezava por causa dos seus defeitos. Não, não era isso! O rapaz era afinal uma ratazana e os porcos eram verdadeiros...
As ideias iam mudando à medida que folheavam o livro e observavam as ilustrações.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Só para pessoas cultas - comunidade de jovens leitores no Sobral de Monte Agraço

Já tinha relatado aqui o início da Comunidade de Jovens Leitores na Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço. Já realizámos três sessões e estou bastante satisfeita com o grupo, apesar da maioria não ter marcado presença na última 4ª feira.
Pela primeira vez, falamos efectivamente de livros, com espontaneidade e entusiasmo. Os participantes opinam, questionam passagens que não percebem, proferem juízos de valor.
O primeiro livro, Escrito na parede (Ana Saldanha, Caminho), provocou muita confusão, devido à liberdade diegética, com analepses frequentes e o recurso ao discurso indirecto livre. Só dois participantes tinham lido o livro integralmente, e apenas um tinha gostado. Os outros tinham-se rendido às dificuldades. Como as partilharam, pude ajudar a esclarecer dúvidas e a aclarar a acção principal. Então, quem não tinha terminado a leitura decidiu voltar a levar o livro para casa. Anteontem, a Ana e a Mariana já tinham concluido a leitura e a Ana afirmou ter gostado. Entretanto, já tinham entre mãos outro livro, Biblioteca Mágica (Jostein Gaarder, Klaus Hagerhup, Presença), mais acessível, apesar do número de páginas e do diminuto tamanho da letra. O Leonardo, que cumpriu sempre os prazos de leitura, disse ter preferido esta narrativa, mais entusiasmante e misteriosa. Não a debatemos em profundidade, porque só ele a tinha lido, por isso aguardo uma sessão mais concorrida no próximo dia 11 de Março. Criámos um blogue, Só para Pessoas Cultas, a partir da sugestão da Inês Varela (tagarela), para o qual a Ana tem contribuído bastante. A Mariana também já se estreou, pelo que estou muito contente. Vamos ver a continuação...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Comunidade Inventam-se Leitores chega ao fim

Amanhã termina a segunda comunidade de jovens leitores em Montemor-o-Novo. O balanço não é pacífico. Dos participantes da 1ª comunidade, no ano lectivo passado, apenas três permaneceram e um novo elemento se juntou, de forma intermitente. Falámos de livros, mas menos do que gostaria. Nem o facto de lerem o mesmo livro os motivou, e facilmente a discussão resvalava para a escola, as aulas, os amigos, a família, ou a música. Percebi que a minha orientação tem de ser mais firme, desde o início, e que algumas actividades têm de ser realizadas, sobre pena de cairmos numa espécie de letargia. O que é curioso é que entre si os jovens leitores trocam opiniões acerca do que lêem, inclusivamente emprestam livros entre si. O aspecto mais positivo foi a possibilidade de lhes levar outros livros, outras abordagens, outros autores.
Confirmei igualmente que a leitura em voz alta cria expectativas e é uma boa técnica para recentrar os participantes. Li o início de um dos contos de Biblioteca (Zoran Zivkovic, Cavalo de Ferro) para exemplificar o carácter fantástico das explorações bibliófilas que tematizam o livro, e despertei a curiosidade da Joana, que o levou. Na última sessão, o Bruno mostrou interesse em lê-lo também. Amanhã faremos o balanço definitivo. Quais os livros preferidos, os mais surpreendentes, os mais estranhos... Depois, espero que consigam subir ao 1º andar e comecem a escolher livros nas estantes dos adultos.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Como se convencem adolescentes a participar numa Comunidade de Leitores? - III

Começou hoje a comunidade de jovens leitores na Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço. Apareceram sete participantes, entre os 11 e os 13 anos. Todos, excepto um, são frequentadores e leitores da biblioteca, tendo recebido em casa a informação. Dos sete, quatro receberam a nossa visita na sala de aula. A motivação principal dos mais velhos é o seu gosto pela leitura. Os dois mais jovens gostam de ler, e gostam muito da biblioteca. Isto significa, a meu ver, que uma comunidade de jovens leitores só se realiza com leitores, só esses aparecem, só esses se interessam. Eventualmente, podem levar consigo um amigo que não goste tanto de ler, mas essa participação será residual. Outro aspecto essencial é a relação que têm com a biblioteca e a equipa que os recebe e acompanha. Se a biblioteca não lhes for querida, não irão.
Em suma, o segredo para ter público numa conunidade de jovens leitores reside mais na relação previamente construída entre os adolescentes (muitas vezes ainda crianças, quando começam a frequentar a biblioteca), o espaço físico e as relações humanas que se estabelecem.
Quem ganhou aquele grupo não foi a divulgação na escola (embora continue a acreditar que não é contraproducente). Foi o contacto diário, o conhecimento que a Alexandra tem de cada um, e o facto de todos se sentirem em casa.
Se estarão os mesmos sete, no dia 11, só então saberemos. A partir de agora, a responsabilidade é minha, da minha capacidade de os entusiasmar, do seu interesse pelos livros escolhidos, da possibilidade de desenvolvermos projectos em conjunto. Sabemos que há entusiasmos que parecem inabaláveis e de repente se esfumam, como sabemos que há outros mais discretos que persistem. Mas já se prefigura uma resposta à questão inicial...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Como se convencem adolescentes a participar numa Comunidade de Leitores?-II

Hoje tive a triste notícia de que a nossa ida à EB 2/3 no Sobral de Monte Agraço, para convidar os alunos das turmas do 3º ciclo a participarem na comunidade não tinha surtido efeito. Contamos com mais uma inscrição apenas, e todos os que se inscreveram fizeram-no devido à informação recebida em casa. De acrescentar que são mais novos, têm onze anos, quase doze. Regressámos à escola, para concluir as visitas. Há sempre uns semblantes mais entusiasmados, mas ainda não se materializaram. A primeira sessão é já na 4ª feira, vamos ver se entretanto alguém mais se junta aos mais novos.
O que complica a situação é que neste momento esgotaram-se as estratégias. Se a ida à escola tivesse sucesso, poderia repetir o processo noutras ocasiões e locais, com algumas garantias. Questiono-me se devemos continuar a apostar nestes projectos, desbravando terreno, insistindo até que se consolidem. No íntimo, acho que sim, que devemos continuar, mais não seja para que os adolescentes saibam que existe uma iniciativa chamada comunidade de leitores, que há quem a possa frequentar. Disse às várias turmas que quem gostasse de conversar e de ler, gostaria da comunidade. Não acredito que não haja adolescentes que não gostassem desta partilha. Consigo enumerar as razões para não quererem participar, mas não sei como alterá-las, nem percebo porque não há uma minoria que pense de outra forma.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Como se convencem adolescentes a participar numa comunidade de leitores?

Ontem eu e a Alexandra, da Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço, fomos à EB 2/3 fazer a divulgação da comunidade de jovens leitores que terá início (se tudo correr pelo melhor) no próximo dia 28 de Janeiro. Já o tinha feito em Montemor, em dois anos consecutivos, com resultados bem diferentes. Por isso, questionei-me acerca das estratégias: o que dizer, como dizer... Tinha lido algumas linhas sobre o assunto e retive uma informação que me pareceu central. Quando mediamos uma comunidade temos de saber porque razão o fazemos. A razão, para mim, é simples: o desafio que mais me estimula é encontrar livros que possam interessar aos adolescentes, descobrir pequenas pérolas, procurar o livro certo para cada um, de acordo com o meu gosto e o meu conhecimento.
Então, decidi explicar o funcionamento da comunidade sem minimizar a leitura dos quatro livros propostos, deixando em aberto outras actividades. Houve alunos de duas turmas que fizeram perguntas sobre os livros, mostraram curiosidade em conhecer os títulos e os autores. Tentei não ter um discurso demasiado leve, demasiado bem disposto.
Quando faço este tipo de divulgação enfrento sempre o mesmo conflito: não esconder a essência da iniciativa e não afugentar o público. Ontem acho que a fidelidade ao projecto falou mais alto, e esse era o meu desejo. Aguardemos os resultados...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

em visita a ...enCompassCulture

É um site sobre livros e leitura que visa reunir leitores de todo o mundo. Lá podemos encontrar listas de livros recomendadas para crianças, adolescentes e adultos, com sinopses e links para bibliografia; chats, fóruns de discussão; listas de autores; clubes de leitura e o acompanhamento virtual da leitura individual.
O que me levou ao site foi uma pesquisa sobre comunidades de leitura com adolescentes. Acabei por descobrir que O Rapaz que chutava Porcos, que tanto sucesso tem feito junto dos adolescentes com quem tenho trabalhado, é um dos livros que consta na lista destinada a este público.
Também pude aceder a alguns conselhos sobre a orientação das comunidades, inclusivamente ler algumas sugestões de actividades que se podem desenvolver em sessões com os mais novos (entre os 12 e os 14 anos).
O convite fica feito. É só entrar.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Regresso do Inventam-se Leitores?

Hoje fui à Escola Secundária de Montemor-o-Novo para convidar os alunos dos 9ºs e 10ºs anos para participarem na 2ª edição da nossa comunidade de jovens leitores. A ideia é voltar a reunir os participantes do ano transacto e outros que se lhes queiram juntar.
As reacções foram bastante indiferentes, o que me desiludiu. No entanto, reconheci e fui reconhecida pela maioria dos alunos das seis turmas, que neste momento já me associam à Biblioteca Municipal e à promoção da leitura. Alguns lembravam-se, inclusivamente, da minha visita do ano passado, o que poderá ser relevante para a sua imagem acerca da Biblioteca. Este ano os alunos constatam que a Comunidade de Leitores do ano passado aconteceu e vai continuar. Acredito que para a maioria desinteressada a percepção de outros aderem ao clube e gostam de ler constitui um passo contra o preconceito. Por aí, algum sucesso teremos.
Quanto à comunidade, só o saberemos na próxima 2ª feira, mas não acalento muitas esperanças. Conto à partida com dois elementos fiéis do ano passado. Há um terceiro, cujo horário não é compatível. Na 2ª feira vamos tentar conjugar tudo... e principalmente unir esforços para que outros jovens se juntem a nós.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Para ir pensando... na rentrée

A Culturgest já têm definida a sua programação para o último quadrimestre do ano 2008. Helena Vasconcelas regressa com uma nova Comunidade de Leitores, «Linguagem Literária e Linguagem Pictórica». Será lá para o fim de Setembro. Para quem gosta de ler e de pensar sobre o que lê, mas não se consegue disciplinar, será uma boa oportunidade. O rol das escolhas é de primeira linha. O tema, desta vez, aborda a relação entre a literatura e a pintura ou o desenho na sua condição narrativa.
A sinopse da Comunidade pode ser consultada aqui.
Para ir pensando...

domingo, 29 de junho de 2008

Comunidades de Jovens Leitores: estratégias

Está prevista para 3ª feira a 1ª sessão de uma Comunidade de Jovens Leitores, a decorrer na Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço. A escolha do período para a sua realização foi ponderada por mim e pela Alexandra (responsável da Biblioteca). A escolha das férias grandes pareceu-nos um desafio, mas simultaneamente pensámos no tempo livre de muitos adolescentes, durante estes três meses, e no interesse dos pais em verem os seus filhos ocupados. A iniciativa foi divulgada através da rádio local e de informações para as escolas, antes do término do ano lectivo.
Ainda não sabemos se contaremos com o número suficiente de participantes para que possamos levar a cabo a Comunidade.
Voltamos à eterna questão:
Como motivar adolescentes a participarem numa Comunidade de Leitores? Se nos tentarmos imaginar com 13 ou 14 anos, talvez consigamos perceber que uma Comunidade de Leitores não será o programa de eleição dos jovens, independentemente do seu gosto pela leitura. O que os poderá levar, então, à Biblioteca?
um amigo que vá;
o moderador;
a participação de algum funcionário da Biblioteca com quem o adolescente mantém uma relação próxima;
a imposição dos pais.
Vale a pena continuar a tentar? O que pode trazer uma Comunidade de Leitores aos seus participantes?
A minha experiência diz-me que o convívio entre pares é muito importante para alterar a relação social com o livro. A partilha de momentos lúdicos com os livros e a biblioteca como pano de fundo podem criar laços entre participantes bem como entre participantes e moderador. O mais difícil nas Comunidades é conseguir concretizá-las. A margem de sucesso é sempre baixa, já que de 10 adolescentes, o normal é que dois ou três se tornem fiéis. De qualquer forma, se pensarmos na Comunidade como um projecto de continuidade, esses três serão elementos seguros na angariação de novos participantes. Depois da comunidade Inventam-se Leitores, em Montemor-o-Novo, o nosso blog vai-se mantendo como plataforma de diálogo, e continuamos a contar com três jovens que vão dando notícias, não deixando morrer o contacto e o entusiasmo.
Mas sem começo, nada feito. E, para isso, não temos soluções nem estratégias infalíveis.