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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Da ficção à realidade (IV)

Os funâmbulos

O livro que acabei de ler, "As 3 vidas", de João Tordo, além de me ter proporcionado bons momentos de leitura, fez-me recordar, e talvez redescobrir, o prazer de ver uma arte muito esquecida, mas por mim sempre admirada, os artistas de rua, mas mais concretamente o funambolismo.

No livro, o funambolismo funciona, além de representar uma parte, ou talvez a maior razão de viver duma personagem, como uma metáfora, criada de forma inteligente pelo autor, entre as vidas das 3 personagens principais, ou seja, essas personagens vivem na corda-bamba, tal e qual um funâmbulo.

Chamam-se funâmbulos àqueles artistas, de corpos esguios e leves, que atravessam cordas de aço, de um lado para outro, por vezes com distâncias consideráveis do chão, que, passo a passo, desafiam os seus limites.

O funambolismo é uma arte que se poderá encontrar em todo o lado, e por toda a gente (quantas vezes não fizemos funambolismo, quantas vezes não andamos em cima de bancos ou de outras coisas como se fossemos funâmbulos a actuarem em seus espectáculos?), desde artistas de rua até aos circos, onde a tradição do funambolismo já é longínqua. E na própria Vida, será que não andamos a fazer funambolismo com o Tempo?

O livro retrata também a paixão de Camila pelo, talvez, mais famoso funâmbulo Philippe Petit. Este francês, que é o maior inspirador das façanhas desta personagem do livro, no dia 7 de Agosto de 1974, clandestinamente, conseguiu entrar dentro das Torres Gémeas e conseguiu atravessá-las por oito vezes, com um cabo de aço que pesava mais de 200 KG. Todo o plano foi concebido durante a construção das mesmas e quando a policia deu por isso, já Petit estava a meio da sua façanha, não o conseguindo impedir de realizar este grande desafio. Petit foi dos primeiros artistas de rua em Paris, tendo ido viver para os EUA, onde ainda hoje vive mas já reformado, para realizar o grande desafio da sua vida. Embora ainda tenha conseguído atravessar outros lugares, como por exemplo, andar entre a Torre Eiffel e o Pallais de Chaillot, foi a passagem entre as Torres Gémeas que o catapultaram para a fama. Aqui fica a notícia do telejornal da CBS relativamente a este acontecimento.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Da ficção à realidade (III)

A leitura de "A Catedral do Mar", para além de me ter feito viajar de novo até Barcelona, suscitou em mim a curiosidade de saber mais sobre a igreja de Santa María del Mar, que não tive oportunidade de visitar quando estive na cidade espanhola.


A igreja de Santa María del Mar é um dos expoentes máximos do estilo gótico catalão, tendo-se iniciado a sua construção em 1329, no bairro histórica de La Ribera, durante o reinado de Afonso IV de Aragão. O arquitecto designado foi Berenguer de Montagut (também uma personagem do livro), sendo mais tarde substituído por Ramón Despuig.

Desde a sua construção que esta igreja é chamada a igreja do povo, pela contribuição das gentes mais pobres para levar a cabo este empreendimento. Neste grupo, destacam-se os bastaixos, que para além da função de descarregar os barcos de mercadorias que chegavam à cidade, traziam às costas pedras enormes, desde Montjuïc até perto do local de construção da igreja, ficando a sua figura imortalizada na porta principal da igreja.

Apesar do aspecto exterior, que transmite austeridade e robustez através das suas linhas horizontais, o interior da igreja é um espaço amplo, que dá importância ao espaço e à luz.

(imagem retirada daqui)

Aproveito para sugerir uma visita à cidade de Barcelona, que tem monumentos lindíssimos, que cobrem várias épocas da história. Fiquei especialmente fã dos edifícios da autoria de Antoni Gaudí, mas há muito, muito mais para ver. É imperdível.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Da ficção à realidade (II)

O último livro que li, "O Sétimo Selo", possui enormes focos de interesse e vários temas interessantes para reflexão, desde o aquecimento global até ao funcionamento da indústria do petróleo. Mas o início do livro decorre no longíquo continente da Antárctida e é sobre ele que vos queria falar hoje.


A Antárctida é o continente mais meridional do nosso planeta, com cerca de 14 milhões de quilómetros quadrados (98% dos quais cobertos de gelo, que inclui 70% de toda a água doce do planeta). Este continente não possui população permanente, devido às condições climatéricas agrestes, mas tem uma população residente de cientistas e pessoal de apoio que ronda as 1000 pessoas no Inverno e as 4000 no Verão.

É comummente aceite que o primeiro avistamento do enorme continente branco ocorreu em 1820, pela expedição russa dos exploradores Mikhail Lazarev e Fabian Gottlieb von Bellingshausen.


Em termos jurídicos, a Antárctida não tem governo nem pertence a nenhum país. Em 1959, o Tratado da Antárctida, assinado por doze países, entre os quais a União Soviética (mais tarde Rússia), o Reino Unido, a Argentina, o Chile e os Estados Unidos, determinou a neutralidade do continente, estabelecendo a liberdade de investigação, a protecção ambiental e a proibição de actividades militares.

A Antárctida é o continente mais frio e seco da Terra. As temperaturas médias da região central variam entre -30°C e -65°C. Devido à influência das correntes marítimas, as zonas costeiras apresentam temperaturas mais amenas, entre os -10°C e -20°C. Um dos eventos climáticos mais famosos é a aurora astral, um fenómeno óptico que consiste num brilho observado no céu nocturno, resultante do impacto de partículas de vento solar no campo magnético terrestre.


Fonte: Wikipedia (adaptado)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Da ficção à realidade (I)

Inauguramos hoje uma nova rubrica que tem como principal objectivo falar sobre factos reais/curiosidades que vamos encontrando nos livros. Quantas e quantas vezes não ficámos curiosos relativamente a determinado tema/acontecimento com o qual deparamos num livro? A ideia é explorar um bocadinho essa vertente e ficarmos todos um pouco mais cultos :)

No último livro que li, "A Vida Secreta das Abelhas", a história decorre num dos períodos mais conturbados da história dos Estados Unidos da América. Um dos acontecimentos centrais do livro (a prisão da negra Rosaleen) é despoletado quando esta tenta ir inscrever-se como eleitora, direito que tinha acabado de adquirir pela assinatura da Lei dos Direitos Civis, em 1964.

No dia 2 de Julho de 1964, o presidente norte-americano Lyndon Johnson assinou a Lei dos Direitos Civis, que "proíbe a discriminação nas eleições, no uso de instalações e alojamentos públicos, e escolas públicas, e proporciona os meios legais para a eliminação da segregação." Em Junho do ano anterior, o então presidente John F. Kennedy tinha apresentado a sua proposta de lei ao país, no famoso discurso sobre os direitos civis, submetendo-a a aprovação da Câmara dos Representantes. Durante o impasse que se vivia em relação a essa proposta, o presidente John F. Kennedy foi assassinado a 22 de Novembro de 1963. Chegou a temer-se pela viabilidade da nova lei, mas, nessa altura, o recém-empossado Lyndon Johnson utilizou a sua experiência e influência para que a proposta passasse pela Câmara dos Representantes e seguisse para o Senado, onde, passados alguns meses, foi finalmente aprovada.

Assinatura da Lei dos Direitos Civis, a 2 de Julho de 1964