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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sangue Asteca

Autor: Gary Jennings
Título Original: Aztec (2.ª metade)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 544
ISBN: 9789728839949
Tradutor: Carlos Romão

Opinião
Sangue Asteca é a segunda metade do original "Aztec" (já comentei a primeira parte aqui), um romance histórico que se debruça sobre o auge e o fim da civilização asteca, contadas pela voz de um nativo que assistiu a este período da história do seu país.

Não me canso de elogiar a pesquisa subjacente a esta obra, que é a todos os títulos notável. O retrato dos astecas é muito completo: os usos e costumes, a variedade de povos dentro do chamado Mundo Único, a hierarquia política, as cidades, etc. etc. É como entrar numa máquina do tempo e estar ali, todo o tempo, a assistir à capitulação final. E esta, para além dos massacres levados a cabo pelos espanhóis, foi também originada pelas rivalidades internas entre vários chefes astecas e pelas doenças trazidas pelos "brancos", a que muitos nativos não sobreviveram.

A única coisa que tenho a apontar, e não é um defeito em si mas uma questão de gosto pessoal, é que nesta segunda metade do livro senti que o destaque dado à parte de ficção foi mais curto (o que não deixa de ser compreensível devido à importância dos factos históricos relatados). É um livro extenso, com um grande manancial de informação, e por isso senti algumas vezes necessidade de "respirar", o que foi melhor conseguido na primeira metade. No entanto, isto é apenas um detalhe e para quem gosta de romances históricos este é um livro altamente recomendado. Para além de nos permitir aprender mais sobre a história do nosso mundo, ensina-nos também a importância de tentar, sempre que possível, olhar para as coisas sob várias perspectivas. Tal como eu, muitos de vós devem ter aprendido na escola o quão valentes e empreendedores foram os conquistadores na época dos Descobrimentos, mas o que nunca ou quase nunca me disseram é que muitas destas conquistas foram obtidas a custo da aniquilação de civilizações e povos que tinham tanto direito de existir como nós.

Duas notas finais: a primeira é que podem comprar um pack com os dois livros pela módica quantida de 25€ no site da editora; a segunda diz respeito à revisão deste livro, porque existem demasiadas gralhas que um livro desta qualidade não merece. Fica o pedido da sua correcção em reedições futuras.

9/10 - Excelente

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Orgulho Asteca

Autor: Gary Jennings
Título Original: Aztec (1.ª metade)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 448
ISBN: 9789728839932
Tradutor: Carlos Romão

Sinopse
Este é considerado pela crítica mundial como o melhor romance histórico sobre a desaparecida civilização Asteca e um dos melhores romances históricos do Séc.XX. Gary Jennings, mudou-se para o México e durante 12 anos investigou e viveu apenas para a sua criação: o Asteca, deixando-nos uma obra inesquecível. Gary era famoso por ser um dos escritores mais rigoros e com mais trabalho de pesquisa por trás dos seus romances.
Em 1530, depois de quase extinguir o povo Asteca pelas mãos de Hernán Cortés, o Imperador Carlos, Rei de Espanha, pede ao bispo do México que lhe faculte informação acerca da vida e dos costumes do povo Asteca. O bispo, frei Juan de Zumárraga, decide redigir um documento, baseado no testemunho de um ancião. Um homem humilde e submisso que vai chocar a moralidade e os preconceitos do mundo civilizado. O seu nome é Mixtli - Nuvem Obscura.
Mixtli, um dos mais robustos e memoráveis astecas, relata com detalhe toda uma vida: a sua infância, a mentalidade e os costumes do seu povo, o sexo e a religião, a sua formação e os seus amores, sempre tormentosos e trágicos. Esta é a sua empolgante e maravilhosa história, que representa o choque entre civilizações com formas inconciliáveis de ver o Mundo.
A História de Mixtli é, em grande parte, a história do próprio povo Asteca: épica e de uma dignidade heróica. Este é o princípio e o fim de uma colossal civilização.

Opinião
Há livros que nunca teria lido se não fossem as opiniões positivas que leio de colegas bloggers e no nosso fórum, e este é um bom exemplo. Depois do entusiasmo do Iceman e do Rui Bastos, a que se seguiram várias opiniões muito positivas lá pelo fórum, decidi finalmente pegar em "Orgulho Asteca", que é a primera metade do original "Aztec", a obra mais conhecida do escritor americano e que é fruto de 12 anos de pesquisa.

"Aztec" é um romance histórico que se inicia alguns anos depois da chegada dos espanhóis e que é composto dos relatos de um velho asteca, de seu nome Mixtli, que são enviados para o rei Carlos I de Espanha, para satisfazer o seu interesse e curiosidade relativamente aos costumes e história da civilização Asteca. Deste modo, Mixtli começa a narrativa da história da sua vida, que se entrelaça com a do povo a que pertence.

A pesquisa histórica presente neste livro é simplesmente notável; é uma autêntica viagem no tempo. Gosto muito de romances históricos e não sabia muito sobre a cultura azteca, por isso sem dúvida que este livro é uma grande mais-valia. Confesso que não tinha ideia do grau de desenvolvimento da sociedade azteca e não deixa de ser triste perceber que muito foi destruído pela ganância de conquista de terras e da intolerância religiosa dos espanhóis (e dos portugueses e outros povos também, noutros locais), mas a essa parte da história ainda não cheguei. Para além do aspecto cultural, o livro possui também uma grande dose de violência e sensualidade, que nunca se tornam gratuitas, mas que ajudam a compôr um retrato mais fiel dos costumes deste povo.

Para além do factor histórico, a parte ficcionada deste livro prende o leitor e só nos dá vontade de virar página atrás de página. Apesar de longo, este livro tem raros momentos mortos e mantém-se sempre interessante. Para já estou a adorar, mas vou guardar a minha pontuação final para quando terminar a 2.º metade.

sábado, 6 de setembro de 2008

Asteca - Gary Jennings

Gary Jennings, autor reconhecido em todo o mundo como um dos melhores autores do género romance histórico, era um homem muito erudito que levava a cabo intensas e rigorosas pesquisas antes de escrever os seus livros.

Falecido em 1999, Jennings deixou ao mundo um conjunto de obras aclamadas pela crítica, entre as quais “Asteca” que comporta as obras, em Portugal, “Orgulho Asteca” e “Sangue Asteca”, dois volumes.

Fascinado pelos Astecas, Gary viveu durante 12 anos no México. Aprendeu espanhol antigo e passou todos esses anos a viajar pelas selvas mexicanas e a ler textos antigos, tanto dos Mexica (Astecas) como dos espanhóis. Assim começou a criar todo o exótico mundo asteca, dando a esta obra uma autenticidade única, pois toda ela é baseada em factos verídicos.

Publicado pela editora “Saída de Emergência”, estes dois volumes, conforme referi acima, compõem a obra “Aztec” e é uma das melhores obras que já li, sem dúvida a mais realista e brutal.

Em 1519 Herman Cortez chega à costa do império Mexica. Confundido com o Deus Quetzalcoatl que, diziam as tradições Mexica, regressaria vindo do mar precisamente nessa altura, faz com que os senhores dos impérios não levantem armas contra os homens barbudos. Após várias intrigas com os povos subjugados pelos poderosos Mexica, equipado por apenas alguns cavalos, poucas centenas de soldados e meia dúzia de peças de artilharia, consegue chegar à cidade estado do império, devastando-a.

Pouco tempo depois o rei de Espanha ordena ao bispo da Nueva España que lhe faculte toda a informação sobre a vida, costumes e tradições daquele exótico e estranho povo agora vassalo de Espanha. O bispo, contra sua vontade, decide convocar um ancião asteca, iniciando assim a narração das suas memórias e, claro, do modo de vida e das tradições astecas.

No primeiro livro, “Orgulho Asteca”, seguimos o jovem Mixtli na sua vida familiar e no início da sua vida activa na sociedade Mexica. Nas suas memórias, relatadas com detalhe, ficamos a conhecer como funcionava aquela sociedade. No segundo livro, “Sangue Asteca”, continuamos a seguir a vida de Mixtli, já adulto com uma posição, e uma sociedade que se debate então com a chegada dos deuses prometidos ou de estranhos estrangeiros. Esse capítulo marca o fim desta civilização, dando-nos então a conhecer a verdadeira história da subjugação espanhola em simultâneo que nos fornece outras histórias que nos permitem entender alguns dos mitos acerca de cidades de ouro, etc. Curioso saber, entre muitas outras curiosidades, que foram os próprios espanhóis a fazer com que o fabuloso tesouro asteca se tivesse perdido.

Bom, mas o que ele vai narrar vai chocar não só o austero bispo, como toda a sociedade ocidental.

Uma obra poderosa, portentosa e brutal que descreve os alicerces onde assentava essa civilização, o modo como viviam, como desfrutavam os prazeres da vida, da religião que lhe dava permissão para todo o tipo de prazeres…, a forma como viam os brancos e a estranheza de os mesmos serem tão arcaicos…

Guerras, incesto, assassinatos, canibalismo e rituais religiosos sangrentos marcam uma civilização cheia de preconceitos, medos e fascínio pelo sobrenatural.

Uma obra violentíssima, exótica e muito sensual. A descrição dos actos de canibalismo, assassinatos, envolvimentos sexuais e dos rituais são arrepiantes. O à vontade e a naturalidade com que Mixtli narra a sua história vai contra tudo o que é considerado convencional pelos europeus.

Um épico notável que aconselho vivamente aqueles que gostam do género histórico, diria até para quem gosta de História pura, pois este é mais que um romance, é um documento histórico sobre os Mexia, os Astecas.

Com esta obra entramos no mais íntimo daquele povo, somos transportados ao seu coração, à sua alma e vivemos o auge de uma colossal civilização.