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sábado, 12 de dezembro de 2009

A Sombra do que Fomos - Luis Sepúlveda

Título: A Sombra do que Fomos

Autor: Luis Sepúlveda

N.º Págs.: 160

P.V.P.: 14.40€



Sinopse:

Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal.



A minha opinião:

Conheci Luís Sepúlveda há alguns anos quando me ofereceram “Histórias de uma gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar mas, confesso, quando o li não fiquei grande fã da escrita do autor chileno. No entanto, com A sombra do que fomos, fiquei bastante agradada com a temática abordada, assim como a forma como o escritor fala dos problemas políticos do Chile, na década de 1970. Apesar de relatado no presente, A sombra do que fomos remonta ao passado, um passado ditatorial da era de Pinochet, que fez com que muitos chilenos tivessem saído do país, em busca de uma vida melhor e de mais liberdade, sobretudo na Europa. Porém, o tão esperado regresso ao seu país natal não lhes trouxe a felicidade esperada. Após 35 anos, quatro ex-militantes de esquerda encontram-se, recordam os tempos idos, e lutam por um objectivo que poderá mudar para sempre as suas vidas. Um pequeno livro, mas que reúne uma enorme mensagem. Recomendo.



Excerto:

“…do exílio não se regressa, que qualquer intenção de o fazer é um engano, uma tentativa absurda de habitar um país guardado na memória.”


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A sombra do que fomos

Autor: Luis Sepúlveda
Título Original: La Sombra de lo que Fuimos (2009)
Editora: Porto Editora
Páginas: 160
ISBN: 9789720040763
Tradutor: Helena Pitta

Sinopse
Luis Sepúlveda regressa ao romance com uma grande homenagem ao idealismo dos perdedores. Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal. Prémio Primavera de Romance 2009, A Sombra do que Fomos é um virtuoso exercício literário posto ao serviço de uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos desfeitos e de ideais destruídos. Um romance escrito com o coração e o estômago, que comove o leitor, lhe arranca sorrisos e até gargalhadas, levando-o no fim a uma reflexão profunda sobre a vida.

Falar da escrita de Luis Sepúlveda é falar de uma escrita simples, poética, belíssima. Já li alguns livros deste autor, com destaque para "As rosas de Atacama" e "O velho que lia romances de amor", que foram livros marcantes para o meu desenvolvimento como leitor, aos quais até já regressei para uma releitura, por isso todos os livros do chileno são motivos de curiosidade.

"A sombra do que fomos" é um romance disfarçado de policial, mas, como em quase todas as obras de Sepúlveda, a política também anda lá metida no meio, juntamente com uma visão bem humorística da situação. E também temos direito a várias reflexões sobre a vida.

O livro gira à volta de três histórias. Primeiro, uma discussão familiar, na qual a mulher atira do prédio abaixo um gira-discos, dando origem a um crime acidental que funciona como a base do livro.

Depois, velhos companheiros, que já não se viam há algum tempo, juntam-se para planear um grande golpe, mas uma das peças chave do golpe era mesmo a pessoa assassinada pelo "gira-discos" voador. São estas personagens que conseguem proporcionar os momentos mais divertidos.

Por último, dois detectives tentam decifrar como decorreu o assassinato, de forma pitoresca e com bastante humor, como se fosse um episódio do CSI mas com os detectives de uma série humorística.

É um bom livro, mas não tão marcante, nem com a densidade bela dos anteriormente publicados pelo chileno. Contudo, trata-se de um muito bom antídoto para as tardes aborrecidas de Outono/Inverno que já se estão a aproximar.

7/10 - Bom

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A sombra do que fomos

Autor: Luis Sepúlveda
Título Original: La Sombra de lo que Fuimos (2009) 
Editora: Porto Editora
Páginas: 160
ISBN: 9789720040763
Tradutor: Helena Pitta

Sinopse
Luis Sepúlveda regressa ao romance com uma grande homenagem ao idealismo dos perdedores. Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal. Prémio Primavera de Romance 2009, A Sombra do que Fomos é um virtuoso exercício literário posto ao serviço de uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos desfeitos e de ideais destruídos. Um romance escrito com o coração e o estômago, que comove o leitor, lhe arranca sorrisos e até gargalhadas, levando-o no fim a uma reflexão profunda sobre a vida.

Opinião
Do autor chileno Luis Sepúlveda ainda só tinha tido oportunidade de ler O velho que lia romances de amor e na altura gostei bastante. A partir de hoje, podem adquirir este A sombra do que fomos, o último livro do escritor, que já foi galardoado com este ano com o Prémio Primavera de Romance.

Este livro fala de um grupo de chilenos desencantados com o rumo do seu país e que, após as convulsões políticas e sociais dos anos 70, se volta a encontrar 35 anos com o objectivo de devolver ao Chile a identidade que, segundo eles, se foi consecutivamente degradando desde o golpe de Estado de Pinochet em 1973.

A escrita de Luis Sepúlveda é deliciosa, especialmente pela forma como ele entrelaça momentos humorísticos com situações mais sérias e também pela credibilidade e representatividade das suas personagens. Na sua maioria, são ex-emigrantes que voltaram para o seu país depois de terem partido em busca de uma vida melhor, mas cujo regresso não lhes trouxe aquilo que esperariam.

Posso dizer-vos que, apesar de estarmos perante o retrato de um país fisicamente longe do nosso, revi-me no desencanto pela evolução dos valores predominantes na sociedade e na incerteza do lugar para onde caminhamos. Por isso, mais que o retrato de um país, este pequeno grande livro leva-nos a reflectir sobre o rumo que, como pessoa colectiva composta por indivíduos tão diferentes, estamos a tomar. Recomendado.

8/10 - Muito Bom