Mostrando postagens com marcador Mark Twain. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mark Twain. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O diário de Adão e Eva

Adão

"Segunda-feira. Esta nova criatura de cabelo longo é um valente empecilho. Anda sempre à minha volta e segue-me para todo o lado. Não gosto disto; não estou habituado a ter companhia."

"Terça-feira. Não posso nunca dar nome a nada. O novo ser dá nome a tudo o que aparece antes de eu poder esboçar um protesto. E o pretexto é sempre o mesmo: parece ser aquilo."

"Segunda-feira. O novo ser diz que se chama Eva. Tudo bem.(...)diz que não é um ser, mas uma Ela. Duvido, mas tanto me faz. O que Ela seja não me faria diferença se Ela se metesse na sua vida e não falasse."

Eva

"Domingo. Durante toda a semana segui-o e tentei travar conhecimento. Tive de ser eu a falar porque ele é tímido, mas isso não me chateia. Ele parecia contente por me ter por ali e eu fartei-me de usar o socializante "nós" porque isso parecia deixá-lo orgulhoso por estar incluído em alguma coisa."


de Mark Twain, "Excertos dos diários de Adão e Eva"


Na história da literatura norte-americana, existe um nome onde a sua importância é enorme: Mark Twain.
Ele não foi só o criador de Tom Sawyer e de Huckleberry Finn, foi também um dos primeiros escritores humorísticos, sendo até um dos primeiros escritores a usar o humor nos seus romances e contos. Um dos mais famosos contos, que mais vale a pena ler, saídos da pena de Mark Twain foi "Excertos dos diários de Adão e Eva" que fala sobre o primeiro round da guerra mais longa de todos os tempos, que dura até os nossos dias, a famosa " guerra dos sexos" , neste caso, Adão contra Eva.

É um livro curto, que se lê de uma penada, sempre de sorriso aberto, e por vezes até deixámos soltar uma gargalhada forte, quando nos revemos nalgumas atitudes de Adão, no caso dos homens, ou de Eva, no caso das mulheres, o que só demonstra a genialidade deste grande escritor que apenas queria ser piloto de barcos a vapor.

Existem várias edições deste conto, seja em edição própria, a mais conhecida é da Cavalo de Ferro, assim como inserida em colecções de vários contos do autor. Quer num caso, quer noutro, acho que passa por ser indispensável a sua leitura.

É de relações humanas, tal como as conhecemos, que se fala neste livro, que foi muito polémico na altura em que foi publicado, assistimos às reacções de Adão, sempre despreocupado com a vida, e da Eva, mais poética e filosófica mas sempre ingénua como, por exemplo, ter pena de ver a lua cair.
Desde ver o Adão a estudar Caim, seu filho, e pensar que ele era um peixe, ou um animal esquisito," talvez um peixe ou um urso que faz sons esquisitos ", mas que até era parecido com eles, até à mania de Eva pôr nomes em tudo o que era objecto, o conto, é fabuloso e muito hilariante.

E depois termina desta maneira tão simples, mas tão apaixonadamente bonito.

"... Depois de tantos anos, vejo que me enganei a respeito de Eva. Reconheço hoje que é melhor viver fora do Parque com ela do que no Parque sem a sua companhia. No começo achava que ela falava muito, mas agora ficaria triste se essa voz não soasse perto de mim, pois sem ela não haveria aprendido o sentido da vida."

Ou seja, onde Eva estava, era o Éden.

9/10 pelos momentos divertidos que cria quando o lemos. E ler deverá ser sempre um prazer.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

As Aventuras de Tom Sawyer


Todos vós terão desenhos animados que marcaram a vossa infância. Quanto a mim, para além do Dartacão e do Bocas, adorava ver o Tom Sawyer. Pensar nestes desenhos animados traz consigo a nostalgia da infância, das tardes passadas em frente à TV, com as aulas da manhã deixadas para trás e um belo lanche a acompanhar. Da altura em que as preocupações equivaliam mais ou menos a zero. Bons tempos, esses!

Ler "As Aventuras de Tom Sawyer", de Mark Twain, fez-me recuar no tempo. Não só por causa dos desenhos animados, mas também porque me fez lembrar dos tempos em que íamos para a rua brincar com os amigos, e o principal motor das brincadeiras não era o computador ou uma PlayStation, mas pura e simplesmente a imaginação. Este aspecto é também o principal foco do livro, que acompanha as aventuras de uma das personagens mais conhecidas da literatura infantil/juvenil, Tom Sawyer. Talvez seja um pouco redutor catalogar este livro, porque pode ser imensamente apreciado por todas as idades.

Tom é o modelo perfeito daquilo a que chamamos "criança reguila". Raramente obedece à sua tia Polly e anda sempre a meter-se em confusões. Há partes do livro que são simplesmente hilariantes, como a da pintura da vedação (várias vezes retratada em capas deste livro), outras um tanto assustadoras (como a parte do cemitério ou da gruta), mas o leitor vai acompanhando todas estas peripécias com a certeza que o nosso querido Tom se vai safar. Ao longo de tudo isto, a leitura é leve, reconfortante e divertida. Um clássico!

Gostei particularmente da forma como o livro termina:
SO endeth this chronicle. It being strictly a history of a BOY, it must stop here; the story could not go much further without becoming the history of a MAN. When one writes a novel about grown people, he knows exactly where to stop--that is, with a marriage; but when he writes of juveniles, he must stop where he best can.

9/10