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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Jogo da Verdade - Sveva Casati Modignani


Título: O Jogo da Verdade
Autor: Sveva Casati Modignani
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 416
Editor: Porto Editora


Sinopse:
Roberta, uma jovem livreira em plena crise existencial e conjugal - e Oscar, o marido, com quem casou contra a opinião de toda a gente, que se revela incapaz de responder às suas necessidades e de assumir as responsabilidades de uma família.
Uma dolorosa reflexão leva Roberta a percorrer o passado e a descobrir as raízes do seu mal-estar, que remontam à infância, passada no meio dos afectos envolventes da família paterna, onde a mãe, Malvina, brilhava pela ausência. Feminista convicta no período turbulento de 68, Malvina escolhera viver de acordo com os seus princípios e confia a filha ao companheiro. Desta situação vão nascer, ao longo do tempo, dramas, mal-entendidos, conflitos mal resolvidos e também segredos há muito guardados. E é apenas ao dissipar estas sombras que Roberta vai conseguir superar a crise e reconciliar-se consigo mesma.
Uma história de ligações profundas e paixões intensas em que Sveva Casati Modignani, através do confronto entre duas gerações de mulheres, nos conta como éramos antes e como somos agora.

A minha opinião
Em muito semelhante aos seus antecessores, O Jogo da Verdade relata a história de Roberta, uma mulher que, de um momento para o outro, se vê infeliz num casamento monótono, com dois filhos que sentem a falta de um pai, muitas vezes ausente. Desde que se tinha casado, Roberta dedicava-se inteiramente ao seu marido, Oscar, como se o casamento tivesse cortado completamente com o seu passado. O seu refúgio era a livraria, propriedade sua, onde passava grande parte do tempo.
«Onde teriam ido parar os anos da infância, da adolescência, e os seus sonhos de rapariga? Porque os tinha esquecido?»
Mas O Jogo da Verdade não é só Roberta. Existe também a mãe Malvina, uma feminista que viveu o Maio de 68, que lutou por igualdade entre homens e mulheres. No fundo, uma rebelde, mas que sabia muito bem o que queria. No entanto, para alcançar as suas ambições deixou a maternidade um pouco de lado, deixando Roberta aos cuidados da avô paterna e das duas tias solteiras, muito diferentes entre si, mas com muitos segredos de família que foram contando à jovem sobrinha.
Sveva também nos leva a conhecer a vida de Oscar anterior ao seu casamento. Um menino órfão, que foi criado por uma tia e pela sua irmã mais velha. Um homem solitário que se vê, sem que disso se aperceba, subjugado por uma mulher calculista, que tudo faz para viver às suas custas. Até que conhece Roberta, ainda adolescente, e se apaixona por aquela jovem figurinha. Anos mais tarde declara-se e acabam por se casar.
Um livro que gostei muito, à semelhança de todos os outros que já li da autora italiana e que nos leva a reflectir nas várias decisões que tomámos ao longo da nossa vida. Um livro que fala da importância da educação, do fanatismo religioso, da opressão e que, apesar de se passar em Itália, podia muito bem transportar-se para a realidade do nosso país, antes e depois do 25 de Abril.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Jogo da Verdade

Autor: Sveva Casati Modignani
Título Original: Il gioco delle verità (2009)
Editora: Porto Editora
Páginas: 416
ISBN: 9789720042804
Tradutor: Regina Valente

Sinopse
Roberta é uma jovem livreira em plena crise existencial e conjugal - Oscar, o marido, com quem casou contra a opinião de toda a gente, revela-se incapaz de responder às suas necessidades e de assumir as responsabilidades de uma família.

Uma dolorosa reflexão leva Roberta a percorrer o passado e a descobrir as raízes do seu mal-estar, que remontam à infância, passada no meio dos afectos envolventes da família paterna, onde a mãe, Malvina, brilhava pela ausência. Feminista convicta no período turbulento de 68, Malvina escolhera viver de acordo com os seus princípios e confia a filha ao companheiro. Desta situação vão nascer, ao longo do tempo, dramas, mal-entendidos, conflitos mal resolvidos e também segredos há muito guardados. E é apenas ao dissipar estas sombras que Roberta vai conseguir superar a crise e reconciliar-se consigo mesma.

Uma história de ligações profundas e paixões intensas em que Sveva Casati Modignani, através do confronto entre duas gerações de mulheres, nos conta como éramos antes e como somos agora.

Opinião
Da autora italiana Sveva Casati Modignani já tinha lido, há alguns anos, "Baunilha e Chocolate", "6 de Abril de 96" e "Desesperadamente Giulia". Entretanto, o tempo foi passando e não tive oportunidade de voltar a pegar num livro dela até este "O Jogo da Verdade".

Este livro conta a história de duas gerações de mulheres, Malvina e Roberta, mãe e filha, respectivamente. Roberta chega a um impasse no seu casamento e começa a duvidar se o marido é realmente a pessoa certa para si, tendo em conta as suas atitudes perante ela e os filhos. É neste contexto que Roberta procura a mãe, de quem sempre sentiu um certo distanciamento, e esta lhe conta a história da sua vida, relatando muitos factos que Roberta desconhecia e que a ajudam a perceber as opções tomadas pela sua mãe e que influenciaram a sua própria forma de olhar para a vida.

Portanto, o livro acaba por nos fazer viajar para o passado, conhecendo não só a história de Malvina, como a de Roberta e do homem que escolheu para marido. É dado um grande destaque à emancipação feminina e aos muitos sonhos gorados que o aparecimento dessas ideias trouxeram, apesar do muito que se conseguiu  na nossa sociedade ao longo das últimas décadas.

Numa escrita simples e cativante, Sveva Casati Modignani fala sobre a vida, a influência que a educação que recebemos tem nas nossas opções e atitudes em adultos, a inevitabilidade (ou não) das escolhas que fazemos e a forma como lidamos com as consequências. Foi uma leitura rápida e agradável, que é sempre bem-vinda.

7/10 - Bom

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Baunilha e Chocolate

Autor: Sveva Casati Modignani
Título Original: Vaniglia e Cioccolato (2000)
Editora: Porto Editora
Páginas: 464
ISBN: 978-972-0-04279-8
Tradutora: Regina Valente

Sinopse: "Inesperadamente, Andrea revela-se protagonista de inúmeras escapadelas mal escondidas e o seu comportamento, por vezes, é tão infantil e egoísta que Penelope decide oferecer-lhe um presente: deixá-lo sozinho a lidar com os três filhos e com as inúmeras tarefas domésticas, que até agora pesavam única e exclusivamente sobre os seus ombros. Quanto a ela, refugia-se na casa da família em Cesenatico. A separação revela-se, para ambos, um desafio cansativo e, por vezes, angustiante, mas a verdade acabará por vir ao de cima: o amor que os uniu continua vivo..."

Opinião:
Esta obra foi um verdadeiro dois em um: uma preparação para as novidades que se avizinham e, finalmente, li algo de Sveva Casati Modignani – uma autora que me parece(u) marcadamente feminista, como eu gosto. Baunilha e Chocolate é um retrato fiel dos problemas que afectam muitos casais – durante a leitura, somos assaltados por uma montanha russa de sentimentos, mas, por muito que possamos criticar determinadas acções, é-nos impossível não simpatizar com todos os personagens.

Depois da paixão avassaladora que os conduziu ao casamento, Penélope e Andrea enfrentam uma grave crise conjugal. Dezoito anos de convivência permitiram-lhes passar por várias experiências, a dois ou solitariamente, que deixaram marcas no casamento e na família que criaram. A história de vida de ambos é o motor que anima toda a trama da história, não se concentrando, contudo, apenas nestas personagens. Muitas outras giram à sua volta, rodeando-as com os seus problemas, as suas dúvidas, as suas felicidades ou os seus receios. Por isso, ao longo da leitura, as nossas emoções vão sendo despertadas e, por vezes, é impossível reprimir a lágrima.

Talvez não consiga transmitir quanto a história me fez pensar. Agora que me preparo para uma vida a dois, revejo-me em alguns momentos descritos e, inevitavelmente, dei por mim a pensar que não podia deixar que a minha relação chegasse “àquele ponto” (e são vários os pontos retratados). Gostei da forma simples como a autora escreve, tornando a leitura agradável, mesmo quando as personagens enfrentavam rudes golpes no seu amor-próprio, nas suas crenças, no seu crescimento pessoal.

Poder-se-à reconhecer, de facto, um toque feminista, mas a autora fá-lo de forma discreta e, acima de tudo, põe em pé de igualdade homem e mulher no que diz respeito às falhas do casamento retratado. No entanto, é por vontade de Penelope (e pela sua determinação) que a vida das personagens principais dá uma volta de 180º. Baunilha e Chocolate é uma combinação perfeita de força, pelos sentimentos e temas que retrata, e leveza, pela descontracção e alegria que encerra. Um verdadeiro doce literário!

8/10 - Muito Bom