terça-feira, 28 de abril de 2009

João Mendes Ferreira

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Nasceu em Coimbra, cidade onde estudou, se licenciou em Direito e onde exerceu advocacia.
Como tantos jovens da sua geração, cumpriu serviço militar em Moçambique, nos «anos sessenta».
Foi membro da Associação Portuguesa de Escritores Juristas (APEJ) e da Associação Portuguesa de Escritores (APE).
Faleceu em 2006, na cidade onde nasceu, estudou e viveu.
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Da sua obra destacam-se títulos como:
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REGISTOS DE MIM - Poesia - 1966
A CULPA E A HONRA - Registos de uma Toga - Contos - 1999
UMA LENDA DE COIMBRA - Romance - 2002
CALEIDOSCÓPIO - Poesia - 2002
O CHÃO DAS MACIEIRAS - Contos - 2004

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sangue Fresco

Autor: Charlaine Harris
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 272
ISBN: 9789896371180
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse
Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade.
Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o novo direito de cidadania traz muitas outras mudanças... Sookie Stackhouse é uma empregada de mesa numa pequena vila de Louisiana. É tímida, e não sai muito. Não porque não seja bonita - porque é - mas acontece que Sookie tem um certo "problema": consegue ler os pensamentos dos outros. Isso não a torna uma pessoa muito sociável. Então surge Bill: alto, moreno, bonito, a quem Sookie não consegue ouvir os pensamentos. Com bons ou maus pensamentos ele é exactamente o tipo de homem com quem ela sonha. Mas Bill tem o seu próprio problema: é um vampiro.
Para além da má reputação, ele relaciona-se com os mais temidos e difamados vampiros e, tal como eles, é suspeito de todos os males que acontecem nas redondezas. Quando a sua colega é morta, Sookie percebe que a maldade veio para ficar nesta pequena terra de Louisiana. Aos poucos, uma nova subcultura dispersa-se um pouco por todos os lados e descobre-se que o próprio sangue dos vampiros funciona nos humanos como uma das drogas mais poderosas e desejadas. Será que ao aceitar os vampiros a humanidade acabou de aceitar a sua própria extinção?

Opinião
A curiosidade em redor deste livro surgiu devido ao sucesso obtido pela série que nele se baseia (True Blood) e também pela expectativa de remendar um pouco o desencanto com as leituras "vampíricas" que me assolou depois da experiência com a Stephenie Meyer. Por falar nela, duas coisas... primeiro, se identificarem quaisquer semelhanças entre a sinopse acima e a saga desta autora, devo dizer-vos que este livro foi publicado em 2001, dois antes antes da primeira edição de "Twilight"; segundo, gostei mais deste. Para já (e ainda só li o primeiro da série), nada de lamechice excessiva e enche-chouriços.

O livro propriamente dito: deparamo-nos com uma sociedade onde os vampiros são aceites e onde possuem o seu próprio espaço. Não nos é dito muito acerca das suas origens ou da sua luta para serem aceites - suponho que isso seja desenvolvido mais à frente na série. A personagem principal - Sookie Stackhouse - é uma jovem empregada de um bar que se vai envolver com o vampiro Bill, uma personagem misteriosa e enigmática. No entanto, nem toda a gente gosta ou quer socializar com vampiros e uma série de mortes em circunstâncias semelhantes levam a supôr que estas estão relacionadas de alguma forma com os vampiros.

É esta história com elementos policiais e de terror que nos é apresentada, neste livro, através da escrita simples e acessível de Charlaine Harris, que nem por isso o torna menos interessante. Achei a parte final do livro especialmente dinâmica e cativante e achei a intenção de "assustar" o leitor bastante bem conseguida. Gostei e irei continuar a seguir esta série.

7/10 - Bom

[Livro n.º 33 do meu Desafio de Leitura]

Introdução Ao Estudo Do Arqueômetro, de Rodolfo Domenico Pizzinga

TRECHO:
INTRODUÇÃO
O vocábulo Arqueômetro é originário do védico e do sânscrito: ARKA-
METRA. A palavra ARKA (que significa Sol) pode ser subdividida em AR e KA.
AR representa a Roda Radiante da Palavra Divina (a Temura principal de AR é
RA); e KA recorda a mathesis primordial. Este saber universal (Characteristica
Universalis para Leibniz), que se constitui no fundamento de todas as artes,
religiões e ciências, une o Espírito, a Alma e o Corpo da Verdade, demonstrando,
assim, na observação pela experiência, a Unidade de sua Universalidade no
duplo Universo e em seu triplo estado social (ordem econômica, ordem jurídica e
ordem universitária). ARK, em outra dimensão, significa a potência da
manifestação e seu festejo pela PALAVRA (VERBUM DIMISSUM). A inversão de
ARK produz KRA, KAR e KRI, que, basicamente, significam cumprir uma obra,
conservando e continuando uma criação. MATRA é a medida-mãe por
excelência, expressando a unidade em todas as coisas. MAeTRA é, também, o
sinal métrico do Dom Divino, o da Substância em todos os graus proporcionais de
suas equivalências. No grau psíquico universal œ AMaTh do AThMa e AThMa do
AMaTh e sua MaThA œ simbolizam a bondade maternal e o amor feminino de
Deus para com toda a criação. Criar é amar. Desposar. Toda a sabedoria
arqueométrica está inscrita em um círculo de 360o, dividido em triângulos de 12
seções de 30o cada. Para a mais criteriosa compreensão deste ensaio, deve ser
observado que as reflexões que se seguirão, estão relacionadas com alguns dos
seguintes aspectos ou planos: realista, idealista ou puramente divino ou espiritual.
E, também, o discernimento da Arqueometria Esotérica (ou Oculta) está baseado
em Sete Ciências, e, conseqüentemente, existem Sete Chaves que abrem o
tabernáculo do seu simbolismo. Há, ainda, um a exigência adicional, pois os textos
arcaicos nos quais está alicerçado o Arqueômetro, podem configurar-se como:
simbólicos, emblemáticos, parabólicos ou alegóricos e, inclusive, hieroglíficos
(SENZAR) ou logográficos. Uma palavra pode estar representada por uma
simples letra e até por um único número, como, por exemplo, é o caso do
Primeiro Nome AHIH (SOU) ç AHIH (1 + 5 + 10 + 5) ASheR (1 + 300 + 200)
AHIH (1 + 5 + 10 + 5) ô SOU O QUE SOU (21) (501) (21) ã que, algumas
vezes, é simbolizado apenas pela letra Iod, cujo valor externo é 10 (dez), e que
recorda a Década Sagrada dual de Pitágoras (Tetractys: o um e o círculo ou
zero), que pretende simbolizar o TODO ABSOLUTO, manifestando-se
ininterruptamente pelo VERBUM. O Ser é o contínuo Ser, como disse
Parmênides. Observe-se, ainda, que 21 + 501 + 21 = 543, cuja face é 345 e cuja
soma representa o valor cabalístico do Cristo ( 888 ). É interessante como a
Tradição se oculta e se revela: o baralho comum, o jogo de damas e o dado (que
desenvolvido se converte em uma cruz em forma de † ,isto é, 3, 4, 7) encerram
enigmas e mistérios que se perdem na noite do tempo. Por isso dizem os
alquimistas: Quando o Três e o Quatro se abraçam, transformam-se em um
Cubo, que vem a ser, quando desenvolvido, o veículo e o número da Vida œ o
Pai–Mãe SETE. Esta Lei está oculta em IHOH. Enfim, os braços da cruz sétupla
representam, respectivamente, a luz, o calor, a eletricidade, o magnetismo
terrestre, a radiação astral, o movimento e a inteligência (ou consciência). Como
disse Vergílio: Numero Deus impare gaudet. E os contos populares, as músicas
de roda e as historinhas infantis œ As Mil e Uma Noites, por exem plo œ contêm
ensinam entos iniciáticos imperdíveis. Os símbolos e signos numéricos, cósmicos
e siderais encontram-se espalhados por toda a literatura, dos cânticos de Homero
às obras de Francis Bacon. Também , como ensinou Bulwer-Lytton, The Power of
the Coming Race está oculto no VRIL, que só poderá ser conhecido se e quando
a justiça se manifestar perfeitamente no Mundo da Concretização, pois esta
perfeita justiça, conforme entendeu o autor supracitado, emana forçosamente da
perfeição de conhecimento para a conceber, da perfeição de amor para a querer
e da perfeição de poder para a concretizar.

A Dama Negra da Ilha dos Escravos - Ana Cristina Silva

A Dama Negra da Ilha dos Escravos

Memórias de Dona Simoa Godinha

Colecção: Grandes Narrativas

Nº na Colecção: 428

P.V.P.: 13,00 €

Data 1ª Edição: 07/04/2009

Nº de Edição:

Nº de Páginas: 176

Dimensões: 150x230mm

Peso: 277g



Sinopse: A personagem central deste romance, D. Simoa Godinho, é uma das figuras históricas mais intrigantes e misteriosas da Lisboa do século XVI. Tendo nascido em S. Tomé, no seio de uma família rica de fazendeiros, acabaria mais tarde, já casada com o fidalgo Luís de Almeida, por vir viver para a capital do reino, onde viria a expressar o seu carácter profundamente humano através de inúmeras obras de solidariedade, nomeadamente junto da Misericórdia. Ficamos a conhecer toda a sua vida – a infância e juventude no exotismo de S. Tomé, a paixão por Luís de Almeida, a sua influência na sociedade lisboeta da época - neste romance soberbo que tão bem soube captar as múltiplas nuances desta personalidade que tem apaixonado sucessivas gerações de historiadores.



A minha opinião

Já o disse aqui mais do que uma vez que adoro biografias, sobretudo biografias bem contadas, que relatem factos históricos, mas que não se tornem maçudas. A história de Dona Simoa Godinho é uma dessas biografias que me encantaram logo. Primeiro porque nunca tinha ouvido falar de tal personagem, depois porque a história contada por Ana Cristina Silva está tão bem alinhavada que nos prende à história daquela que foi apelidada de A Dama Negra da Ilha dos Escravos.

A vida de Simoa Godinho é-nos relatada pela própria, numa espécie de confissão a uma sua sobrinha, Lourença, mas que poderia muito bem ser dirigida ao leitor. Filha bastarda, vive rodeada de mulheres, avó, mãe, e tia, que dominaram o seu crescimento. No entanto, desde muito nova, que Simoa começou a ver as diferenças entre brancos e pretos. Porém, tanto a sua família, como mais tarde aquele que viria a ser seu marido, trataram sempre bem os escravos, na medida do possível para aquela época. Luís de Almeida, futuro marido de Simoa, era um nobre vindo de Portugal, que ao perder todas as posses que tinha no seu país, decidiu partir para S. Tomé para amealhar fortuna. O português era uma pessoa bastante empreendedora tendo desbastado florestas e edificado fazendas, tendo chamado, inclusive, um especialista da ilha da Madeira para aperfeiçoar o fabrico do açúcar. Luís de Almeida traria ainda ideias mais humanitárias para os escravos, introduzindo mudanças profundas nos métodos de trabalho das suas fazendas.

Após anos de prosperidade em S. Tomé, Luís de Almeida e Simoa Godinho decidem estabelecer-se em Portugal. A mudança criou alguns comentários menos favoráveis ao casal na capital portuguesa, sobretudo por Simoa ser negra. Uma visão muito alargada dos costumes da época, do preconceito, da falta de higiene, e da forma como eram tratados os pobres e os doentes. Pena foi que a parte de Portugal não tivesse mais desenvolvimento. Fiquei de tal forma embrenhada nas vivências do reinado de D. Catarina e posteriormente de D. Sebastião, que queria que tivesse sido desenvolvido um pouco mais a permanência de Simoa em Portugal. No entanto, um livro a recomendar.



Excertos

“Crescem as incoerências da memória e as personagens misturam-se, mas lembro-me bem daquela tarde, teria eu quatro anos, em que vi um dos escravos cair desfalecido, arquejando de barriga para baixo sem forças. O feitor aproximou-se de chicote em riste, arremetendo contra ele, como se cada vergastada fosse uma vingança pela sua própria condição de desterrado naquela maldita ilha”.



“Abrir as palavras por dentro é fazer delas janelas para o espírito fecundar o pensamento”.



“Construir uma roça é deixar uma marca na terra que a modificará para sempre”.



“Sendo eu a selvagem que tinha a ousadia de me exibir entre os poderosos do reino, parecia ser ao mesmo tempo a única pessoa suficientemente educada para apreciar os requintes da civilização”.



Resultado do Passatempo "As Ruínas"

Obrigado a todos pela vossa participação em mais este passatempo. Antes do nome dos vencedores, as respostas certas às perguntas colocadas.
1 - 6 de Junho de 2007 (podem conferir aqui)
2 - O nome do realizador é Carter Smith.

Os vencedores são:

34 - Hugo Alexandre Ribeiro (Mem-Martins)
131 - Alberto Nunes (Ovar)
90 - Luís Lourenço Matias (Forte da Casa)
2 - Carla Costa (Amora)
102 - Catarina Reis (Lisboa)

Parabéns a todos!

Os Corvos

Confesso que já sentia falta de ler um bom policial por isso quando vi na fnac a mais recente aventura de Pendergast não resisti. Li o livro e tempo recorde e digo-vos que foi uma compra que valeu bem a pena.
Para quem não conhece o personagem principal, posso adiantar que, a par da Miss Marple de Agatha Christie, é o meu "detective" predilecto. É um muito pouco convencional agente especial do FBI que possui uma inteligência e uma intuição fora do normal e cuja imagem de marca é o seu imaculado e super engomado fato preto que contrasta com a sua pele alva e o seu cabelo quase branco.
Nesta aventura encontramos Pendergast em Medicine Creck, uma pequena cidade do Kansas onde, de um momento para o outro, têm lugar hediondos assassinatos. Com a ajuda de Corrie Swanson, uma jovem gótica e completamente desajustada da sociedade conservadora em que vive, o agente especial vai fazer tudo o que está ao seu alcance para pôr fim a esta vaga de crime.
Os pontos fortes deste livro são o bom humor que os autores conseguem imprimir à narrativa; a personagem feminina, Corrie, que é, na minha opinião, a melhor e mais improvável companhia que os autores alguma vez poderiam ter encontrado para Pendergast; e a descrição não apenas da cidade e dos seu habitantes (que nos dá uma ideia muito real do que é a vida numa pequena comunidade em que todos se conhecem e sabem a vida uns dos outros) mas também a descrição da acção final (a perseguição do culpado - não posso adiantar muito mais...) que nos deixa ver como num filme todos os passos dados pelos intervenientes na cena.
É um livro que além de nos proporcionar bons momentos de leitura e distracção também nos deixa a pensar e nos coloca algumas questões ligadas ao "Gabinete de Curiosidades" mas sobretudo ligadas à própria vida e ao processo de socialização do ser humano, às motivações de cada pessoa e ao modo como as experiências passadas influem no nosso presente/futuro. Para tal contribui o suspense que não nos larga até à última página onde, quando já pensamos ter o crime resolvido, encontramos as verdadeiras respostas (que nos levantam ainda mais questões...).
Recomendo vivamente a todos os fãs de Pendergast pois este é o seu caso mais difícil, ou a todos aqueles que gostam de um bom policial. Ah, apesar de a imagem ser da edição original, o livro está disponivel em versão portuguesa (na net é que não há imagens da capa da Ulisseia....).
8/10

domingo, 26 de abril de 2009

O Planeta dos Macacos

Autor: Pierre Boulle
Editor: Livros Unibolso da Editora Ulisseia
Páginas:182
Tradutor: Calado Trindade

Quando, há algum tempo atrás, vi o primeiro filme da série “O Planeta dos Macacos”, fiquei curioso em saber a origem da história que tanto me tinha fascinado. Depois duma pesquisa, consegui saber que o autor foi o francês Pierre Boulle, escritor do sucesso que também deu origem a um outro filme, “A ponte do Rio Kwai”.

Depois duma intensa procura por quase todo o lado, lá encontrei, através dum alfarrabista, uma edição de bolso do livro, já muito velha, lançando-me, com curiosidade, na sua leitura como se fosse uma viagem.

E é mesmo numa viagem onde somos levados, mas ao ano 2500, onde os macacos tomam conta do universo, subjugando, e escravizando, os homens, tratando-os como animais selvagens. Até ao dia onde aparece Ulysses, um viajante do Planeta Terra que saiu numa missão para descobrir outros planetas, que mostra ser um homem completamente diferente dos outros, ele fala, pensa, escreve, o que escandaliza toda a sociedade símia.

Durante o livro, vamos assistindo a alguns episódios onde podemos questionar a própria condição humana, mas desta vez subvertida já que é aos macacos que cabe o papel de “líderes” da sociedade. Depois de ter sido ajudado por um casal de macacos, Ulysses faz uma própria reflexão sobre a sua vida e sobre a raça humana, levando-o a questionar sobre tudo.

O livro é uma alegoria, principalmente política; coisas como o racismo, as experiências científicas, as diferenças das classes sociais e a crítica social são temas que vimos serem retratados.

Escrito de forma fantástica, é um livro intemporal; não compreendo o porquê de não haver uma edição mais recente. Aconselhável a quem aprecia livros de ficção cientifica, com uma componente política.

9/10 - Excelente