terça-feira, 3 de abril de 2007

Em jeito de balanço

A importância da continuidade II

A continuidade das acções de promoção da leitura são importantes para a formação e consolidação dos hábitos de leitura, ao nível da motivação por um lado, e do desenvolvimento das competências de leitura.
Assim, no que respeita a motivação, podemos considerar que a continuidade das acções permite:
- a criação e o desenvolvimento de rotinas;
- o reconhecimento das funcionalidades dos espaços de leitura (Biblioteca Pública, Biblioteca Escolar, Livrarias, Associações Culturais);
- a criação de experiências/ memórias afectivas na relação particular do público com os mediadores, cujo papel é distinto daquele que pais ou professores desempenham.
Na perspectiva mais operativa do desenvolvimento de competências, a continuidade permite ao mediador:
- acompanhar a evolução do gosto das crianças e adolescentes;
- seleccionar com maior acuidade as linhas temáticas que melhor cativam cada grupo;
- relacionar os projectos de promoção com a acção de outros mediadores (pais e professores), através de indicações de leitura recreativa ou de treino específico de competências;
- colocar em diálogo os produtos que as crianças produziram no passado com os projectos que realizam no momento.
O caso de Ponta Delgada foi paradigmático.
Todas as crianças que tinham estado connosco no curso Biblioteca em construção, em Julho, lembravam-se de terem andado em busca dos livros escondidos pelos recantos da Biblioteca. Evidentemente, o aspecto lúdico da actividade ganhou relevância para as suas memórias. Se tivesse sido possível realizarmos um projecto de continuidade, testaríamos se ainda se lembravam dos livros que encontraram, se tinham lido algum, e até poderíamos recuperá-los para uma breve apresentação ou leitura.
Curiosamente, houve uma coincidência evolutiva nos ateliers Experiências com Letras, que realizámos em Maio de 2006 e o atelier Contado ninguém duvida, levado a cabo na última semana. À motivação para a leitura de Sam e o Som (Ana Saldanha, Gémeo Luís, Caminho) através do jogo da palavra proibida, no Experiências, seguiu-se a produção de texto a partir de uma lista de palavras que depois se redescobriam no conto «O país dos contrários» (José Eduardo Agualusa, in Estranhões e Bizarrocos, D. Quixote). A partir do léxico, o jovem público imagina contextos para a sua significação, primeiro oralmente, através de descrições de sentido, depois na escrita, organizando a lista numa ficção. O grau de dificuldade aumenta em proporção com a competência de identificar sentidos figurados, metáforas ou parábolas fora do contexto tradicional. O trabalho com a palavra ajuda a leitura, não só ao nível da mobilização de expectativas (porque se quer conhecer o contexto em que as palavras se encontram, confirmar hipóteses, ser surpreendido pela intriga...), como no que concerne o treino da compreensão do texto literário, sem forçar uma exposição oral dos sentidos dos textos.
Também no atelier Palavra Poema se deu continuidade ao trabalho com o léxico, na construção em grupo de um poema a partir de um conjunto de palavras que constituiam a sua rima. O vocabulário proposto serve de suporte para inventar um nexo narrativo, sendo os alunos confrontados com as incoerências de sentido, as dificuldades de estruturação sintáctica, o ritmo. Colocar o leitor perante as dificuldades do processo de escrita ajudá-lo-á a desenvolver as suas competências de leitura de poesia, porque lhe confere uma experiência prática.
A mais valia da continuidade reside precisamente aí, na possibilidade de dotar as crianças e os adolescentes de uma espécie de competência de sensibilidade para a leitura, relativizando o esforço que esta sempre representa.

Ler em Espinho

Aqui está um local interessante para visitar. Criado em Fevereiro de 2007 pela equipa de bibliotecários, o blogue Ler em Espinho apresenta-se como um espaço alternativo de divulgação das actividades da Biblioteca Municipal do Concelho. Em conversa com Isabel de Sousa, bibliotecária de Espinho (que conhecemos em Ponta Delgada, à margem do 9.º Congresso da BAD), ficámos a par de muitas ideias que por lá fervilham e dos vários projectos que têm em mãos. Aqui fica o nosso contributo para uma maior participação nessas actividades e o link para o blogue que nos mantém informados.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Comemorações do Dia Internacional do Livro Infantil

«DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL
2 DE ABRIL 2007 BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ESPINHO
Projecto O MEU BRINQUEDO É UM LIVRO

No âmbito do Dia Internacional do Livro Infantil, a Câmara Municipal de Espinho continua a oferecer um Kit com o "Guia para os Pais", o Livro "O SONHO DA MARIANA" e a "Almofada", como incentivo e apoio à criação de hábitos de leitura na população e, em especial, nas famílias.
Nesta fase serão contempladas cerca de 107 crianças nascidas no concelho de Espinho. Serão assim, 107 novos leitores da BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ESPINHO.
Para tal vai realizar-se uma cerimónia de entrega do referido Kit na sede das Juntas de Freguesia do Concelho nos seguintes horários:
Junta de Freguesia Anta 2 Abril pelas 11.30 horas
Junta de Freguesia Paramos 2 Abril pelas 17.30 horas
Junta de Freguesia Silvalde 3 Abril pelas 11.30 horas
Junta de Freguesia Guetim 3 Abril pelas 17.30 horas
Junta de Freguesia Espinho 4 Abril pelas 17.30 horas

Aproveitem para comemorar o DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL oferecendo UM LIVRO UMA CRIANÇA.»

(Esta mensagem foi enviada via email pela Bibliotecária de Espinho, Isabel Sousa.)

2 de Abril - Dia Internacional do Livro Infantil

Comemora-se hoje o Dia Internacional do Livro Infantil. O Bicho dos Livros associa-se à data e deixa aqui a mensagem do IBBY (International Board on Books for Young People), escrita por Margaret Mahy, escritora nascida na Nova Zelândia.


«Nunca me hei-de esquecer de como aprendi a ler. Quando era menina, as palavras escapuliam-se diante dos meus olhos como pequenos escaravelhos negros cheios de pressa. Mas eu era mais inteligente do que elas. Aprendi a reconhecê-las apesar de tentarem escapar-me velozmente. Até que, por fim, consegui abrir os livros e entender o que lá estava escrito. Sozinha, tornei-me capaz de ler contos, histórias engraçadas e poemas.No entanto tive surpresas. A leitura deu-me poder sobre os contos e de alguma forma também deu aos contos um certo poder sobre mim. Nunca lhes pude escapar. Isso faz parte do mistério da leitura.Uma pessoa abre um livro, acolhe e compreende as palavras e, se a história for boa, ela explode dentro de nós. Aqueles escaravelhos que correm em linha recta de um lado para o outro da página em branco convertem-se primeiro em palavras e, logo a seguir, em imagens e acontecimentos mágicos. Ainda que certas histórias pareçam nada ter que ver com a vida real, ainda que nos conduzam a surpresas de toda a espécie e se distendam em múltiplas possibilidades, para um lado e para o outro, como pastilhas elásticas, no final as histórias que são boas devolvem-nos a nós mesmos. São feitas de palavras, e todos os seres humanos sonham ter aventuras com as palavras.Quase todos começamos como ouvintes. Ainda bebés, as nossas mães e os nossos pais brincam connosco, dizem-nos rimas, tocam-nos as mãos («Pico pico maçarico quem te deu tamanho bico…») ou põem-nos a bater palmas («Palminhas, palminhas…»). Os jogos com palavras são ditos em voz alta e, quando somos crianças, escutamo-los e rimos com eles. Logo a seguir aprendemos a ler os caracteres impressos na página branca e, mesmo quando lemos em silêncio, há uma certa voz que está presente. A quem pertence esta voz? Pode ser a tua própria voz, a voz do leitor. Mas é mais do que isso. É a voz da história que vem do interior do próprio leitor.É claro que há hoje muitas maneiras de contar uma história. Os filmes e a televisão têm histórias para contar, embora não usem a linguagem da maneira como o fazem os livros. Os escritores que trabalham em guiões de televisão ou de cinema são obrigados a utilizar poucas palavras. «Deixem as imagens contar a história», dizem os especialistas. Muitas vezes vemos televisão na companhia de outras pessoas, mas quando lemos quase sempre estamos sós.Vivemos numa época em que o mundo está cheio de livros. Mergulhar nos livros à procura de alguma coisa, lendo-os e relendo-os, faz parte da viagem de cada leitor. A aventura do leitor consiste em descobrir, nessa selva de caracteres impressos, uma história tão vibrante que o transforme como que por magia. Uma história tão apaixonante e misteriosa que mude a sua vida. Creio que cada leitor vive para esse momento em que de súbito o mundo de todos os dias se altera um pouco, abre espaço a uma nova piada, a uma ideia nova, àquela nova possibilidade que é dada a uma determinada verdade de se exprimir pelo poder das palavras. «Sim, isto é mesmo verdade!», exclama aquela voz dentro de nós. «Estou a reconhecer-te!» A leitura é verdadeiramente apaixonante, não acham?»


MARGARET MAHY nasceu em Whakatane, Nova Zelândia, em 1936. Bibliotecária, decidiu dedicar-se a tempo inteiro à escrita, em 1980. Escreveu obras dirigidas a diferentes idades, cultivando géneros que vão do álbum para crianças pequenas ao romance juvenil, passando pela poesia e pelo texto dramático. É uma das mais premiadas escritoras da Nova Zelândia, tendo sido distinguida, em 2006, com o Prémio Hans Christian Andersen do International Board on Books for Young People (IBBY), o mais importante galardão mundial atribuído a um autor de literatura para crianças e jovens. Marcada pela riqueza poética da linguagem, a escrita de Mahy tem logrado exprimir, por vezes de modo metafórico mas sempre com extraordinária autenticidade, a experiência da infância e da adolescência. Encontra-se traduzida em numerosos idiomas, incluindo o português (O Rapaz dos Hipopótamos, Livros Horizonte). Outros títulos que publicou: Catálogo do Universo, Lembrança, Um Leão no Prado, O Homem cuja Mãe Era Pirata.


Versão portuguesa: José António Gomes
Autor do cartaz: Zak Waipara

domingo, 1 de abril de 2007

Tempo de regresso e balanços

Chegámos há pouco mais de três horas. É tempo de reflectir sobre os ateliers, divulgar os produtos escritos dos alunos, e ter saudades, muitas saudades. Chegámos aos Açores pela mão da equipa de animação da Biblioteca Pública de Ponta Delgada, e hoje, decorridas três experiências distintas, reconhecemos lugares e cheiros que nos são já familiares e sinónimo de afecto. Reencontrar aquela equipa que nos trata carinhosamente por 'amigos', bem como algumas das crianças e professores, faz-nos sentir uma melancolia doce quando o avião ganha altitude e as nuvens se confundem com os contornos das lagoas e da costa...
Por isso, o balanço far-se-á a partir de amanhã.

LANÇAMENTOS DIGITAL SOURCE - 2 LIVROS INÉDITOS - 01/04/2007


Shah Muhammad Rais - Eu Sou o Livreiro de Cabul


Quem leu O Livreiro de Cabul, de Åsne Seierstad, precisa conhecer Eu Sou o Livreiro de Cabul, ajuste de contas escrito pelo próprio Livreiro, Shah Muhammad Rais. O primeiro, best-seller mundial, narra o dia-a-dia de uma família afegã num país submetido à guerra e à violência dos costumes. Eu Sou o Livreiro de Cabul é o tão esperado depoimento do protagonista que a jornalista norueguesa descreveu de forma polêmica em seu livro-êxito. Rais se mostra insultado, traído, e lamenta uma interpretação que se equivoca na essência, culpando-o com gravidade, quando, segundo ele, cada ato seu é ditado pela realidade que o circunda e à qual não pode escapar.
Adotando a narrativa como um diálogo permanente com figuras mitológicas da Noruega, os trolls (entidades mágicas onde a verdade é buscada para que a justiça se restabeleça), de alguma forma Shah Muhammad Rais chega à ironia máxima: o que foi denúncia deve ser denunciado; a acusadora virou acusada. O autêntico Livreiro sugere aqui que, se Seierstad não soube enxergar as profundas diferenças entre uma pátria rica e confortável, a Noruega, e um Afeganistão torturado por pressões sociais e religiosas, cometeu, mais que um livro, mais que um escândalo, um crime - um crime sem punição possível, que somente poderá ser abrandado com a mesma arma que ela usou: um livro.
"A que museu eu deveria mandar meu filho de doze anos para elevar seu orgulho e sua auto-estima se o Museu Nacional foi saqueado por contrabandistas que roubaram artefatos ancestrais e antiguidades de até seis mil anos de existência?", escreve o Livreiro. "A que biblioteca eu deveria mandar meu filho de doze anos se todas as bibliotecas foram danificadas e o Talibã queimou todos os livros infantis, muitos deles maravilhosamente ilustrados?"
Eu Sou o Livreiro de Cabul, de Shah Muhammad Rais, faz refletir, causando um profundo impacto acerca da abismal diferença entre os modos de vida ocidental e oriental.

Frank Schatzing - O Cardume



Durante séculos, os homens exploraram a natureza. Sem o menor cuidado, esgotaram seus recursos, dilapidando um sistema absolutamente equilibrado. Mas o contra-ataque chegou. Vírus desconhecidos ameaçam a vida de milhões. Furacões inesperados causam destruição. Mas, no thriller de Frank Schätzing, é o mar o instrumento de vingança. O CARDUME revela uma ameaça inimaginável vinda dos oceanos, pronta para atormentar a humanidade. Schätzing encena a insurreição mundial da natureza contra o homem num cenário catastrófico global entre a Noruega, o Canadá, o Japão e a Alemanha. Um romance repleto de dramas psicológicos e políticos com um final de tirar o fôlego.


Danielle Steell - Entrega Especial

O quadragésimo livro de Danielle Steel oferece uma versão contemporânea do romance. Fala da redescoberta do amor para uma recém-viúva que não esperava mais viver esse sentimento.


LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - INFANTIL (01/04/2007)




Eric Ponty - Menino Retirante Vai ao Circo de Brodowski (Ilustrado com pinturas de Candido Portinari)

LINK

Menino Retirante vai ao circo de Brodowski. Interrogações da poesia de Eric Ponty ante a pintura de Candido Portinari, criando-se um enredo ao mesmo tempo percurso do olhar de um menino imaginário cujo ponto de partida é a própria tela "Menino retirante segurando bauzinho", em quem cada criança se transforma e página a página do livro vai se deparando com os outros quadros da infância pintados por Portinari, até chegar ao mundo mágico do circo.

"O menino de São João del-Rei encontra o menino de Brodowski e ambos lançam olhares perplexos para o mundo que os cerca. Nesse mundo, cheio de céus azuis, que lembra também a pintura de Chagall, surgem os palhaços, os músicos, os espantalhos, a banda de música, as brincadeiras da infância. Toda aquela mitologia do menino Portinari, nascido em uma fazenda de café, ganha aqui as palavras emocionadas do poeta mineiro Eric Ponty." (Donizete Galvão, do prefácio a esta obra comemorativa do Centenário do pintor, que ultrapassa a efeméride, homenagem original, nascida clássica).