sexta-feira, 6 de novembro de 2009
O Clube do Senhor B ou de como transformar uma acção ocasional num projecto de continuidade
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Biblioteca em construção em Mafra
As Bibliotecas imaginadas pelos grupos variaram: houve quem criasse uma biblioteca de arte, outros alargavam o horário de funcionamento, outros teriam todos os livros do mundo à disposição dos leitores e um grupo ainda oferecia gomas e chupa-chupas a par dos livros.segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Ver para Crer com três turmas de curso profissional
Frequentavam o 10º, 11º e 12º anos do curso de formação profissional de animação socio-cultural, na Escola Secundária do Pinhal Novo.O principal desafio esteve na escolha dos livros, mais do que no diálogo com as alunas (no grupo só constavam três rapazes), que foi descontraído e sem incidentes.
O público é maioritariamente não leitor, destacando-se aquelas que lêem a saga de Stephanie Meyer ou livros como Queimada Viva (um sucesso entre
raparigas com poucos interesses e muito centradas em si e nos seus pares). No entanto, preparam-se para dinamizar actividades juntos de públicos totalmente desconhecidos por si, sem qualquer experiência de exposição própria. Por isso a professora pediu à colega da Biblioteca Escolar que fosse este o grupo escolhido, o que me pareceu muito adequado.
e dois álbuns transversais, alertando para este facto e chamando a atenção para a sua qualidade.
De assinalar que a votação mínima em Onde está o bolo? me surpreendeu, visto que é um álbum muito bem recebido pelos adultos e que creio que a parca votação no Manual de Glamour para Raparigas se ficou a dever a algum pudor. É nos jovens com menos hábitos de leitura e menos interesses que os preconceitos acerca dos livros se acentuam.
Todavia, Ted Nancy foi uma surpresa boa. O grande desafio quando escolhemos livros para não leitores está em não ceder às suas perspectivas mais óbvias e tentar, dentro de um padrão de qualidade razoável, surpreendê-los, para que se questionem acerca das suas opiniões. Creio que o atelier foi bem sucedido, e a professora prometeu escalpelizar com as turmas o meu desempenho, o que me pareceu muito bem, para o seu futuro profissional.quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Diz-me quem és na Azambuja
Se na sessão da manhã, em Alcoentre, os alunos do 9º ano aderiram muito bem a alguns livros (em especial a O rapaz que chutava porcos (Tom Baker, Teorema), na sessão da tarde a turma das redondezas de Aveiras não conhecia, na sua maioria, a Biblioteca. Ficaram entusiasmados ao ponto de levarem a ficha de inscrição passarem a ter cartão e poderem requisitar livros.
A bibliotecária teve o cuidado de disponibilizar um exemplar de cada uma das obras a promover, o que garantiu imediatamente a possibilidade destas estarem ao alcance dos alunos.
Apesar do aparente sentido de indiferença, típico da casta dos adolescentes, os grupos comunicaram, interagiram e mostraram o seu agrado com espontaneidade. Há que tempos não encontrávamos dois grupos assim, logo no mesmo dia!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Os mesmos livros, reacções diferentes
e hoje estive em Montemor-o-Novo, de regresso às duas escolas que albergam turmas do 3º ciclo. Levei o atelier Ver para Crer a três turmas do 7º ano. O objectivo é acompanhar estes alunos (todas as turmas) durante este e o próximo ano lectivo, em que regressarei, desta vez com o atelier Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês. Para além de divulgar livros, pretende-se motivar alguns dos alunos a participarem numa nova comunidade de leitores, que terá início no dia 4 de Março, na Biblioteca Muni
cipal. Os livros apresentados no atelier estão disponíveis na Biblioteca e creio que para a semana já estará visível um escaparate com os livros da Comunidade. Este projecto é apoiado pelo serviço de Bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian a tem como principal objectivo ligar os adolescentes à leitura.
Escolhi sete títulos:Crónicas de Spiderwick, o livro fantástico, Tony Di Terlizzi, Holly Black (Presença)
A família que não cabia dentro de casa, Alexandre Honrado (Ambar)
Deciclopédia, Gideon Haigh (Tinta-da-China)
A vida nas palavras de Inês Tavares, Alice Vieira (Caminho)
Sam e a mal
dição de sangue, Thomas Bloor (Europa-América)O Dicionário do Diabo, Ambrose Bierce (Tinta-da-China)
Nem tudo começa com um beijo, Jorge Araújo (Oficina do Livro)
Os alunos da escola Secundária têm um comportamento mais maduro, mais seguro nas opiniões que dão. Os alunos da EB 2/3 são mais infantis, menos críticos. Sempre, desde que vou às duas escolas (desde há 3 anos) que noto isso. Apesar das diferenças, o livro mais cobiçado foi comum: Sam e a maldição de sangue. Já a Deciclop
édia, que encontrou rapazes interessados na Secundária, foi um rotundo fracasso na EB 2/3. Os interesses continuam a ser os mesmos: aventura, fantástico, acção... O quotidiano dos adolescentes ainda faz brilhar os olhos das raparigas que prolongam o sucesso de Lua de Joana (Maria Teresa Maia Gonzalez, Verbo) desde há alguns anos. Há também algumas que já devoram os volumes da quadrologia de
Stephenie Meyer. É curioso como é difícil adequar livros a adolescentes entre os 12 e os 15 anos. Como todos crescem ao seu ritmo, alguns já lerão sem dificuldades extremas livros mais irónicos, enquanto outros ainda mal sairam da colecção Uma aventura ou da saga Capitão Cuecas. À imagem do que tem acontecido com as comunidades que tenho vindo a orientar, estes adolescentes oscilam muito na qualidade das suas leituras, e por isso decidi apres
entar-lhes vários graus de desafios. Das três turmas que visitei, quatro alunos manifestaram desejo de se inscreverem na comunidade. Como conheço bem a efemeridade dos seus entusiasmos, temo que sejam de menos. Quinta-feira regresso para mais três ateliers, desta vez sempre na EB 2/3. Vamos ver como são os resultados.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
O melhor livro para o meu filho em Loulé
Genericamente, o grupo estava desperto para os principais critérios que pautam a qualidade de um álbum, apresentou de forma esclarecida os livros infantis da sua preferência e desenvolveu actividades diversificadas a partir dos livros distribuídos. Falámos de editoras, ilustradores, temáticas... Explorámos livros como As preocupações de Billy (Anthony Browne, Kalandraka), Onde está o bolo? (Thé Tjong-Khing, Caminho), O mundo num segundo (Isabel Minhós, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina), A árvore generosa (Shel Silverstein, Bruaá), Pó de estrelas (Jorge Sousa Braga, Cristina Valadas, Assírio e Alvim), O quê, que, quem (Eugénio Roda, Gémeo Luís, Edições Eterogémeas)... A principal motivação das participantes era a possibilidade de conhecerem novos livros. Creio que esse objectivo foi alcançado. Mas senti, desde a primeira semana, que faltava algo à acção... E, apesar de cumprir as principais orientações do programa, depois de concluidas as quatro sessões, creio que sei o que foi: organização na comunicação. Houve um desequilíbrio entre a organização programática e a forma mais caótica como decorreram as sessões. Provavelmente, teria sido necessário sistematizar a informação relativa a cada tópico. O diálogo leva-me muitas vezes a relacionar aspectos e poderá dificultar a sua estruturação. Acredito, no entanto, que a súmula que entreguei no final, com a bibliografia, alguns conselhos de actividades com o livro e de leitura a par, e as principais ideias que apresentei e desenvolvi, terão ajudado a colmatar a falha que senti.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Biblioteca em construção: e se mudássemos qualquer coisa?
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Arte da Leitura em Vila Velha de Ródão II

No dia seguinte, para além das mães que já conheciamos da véspera, apareceu mais uma mãe, com o seu filhote, cujo contributo foi bastante positivo para o bom ambiente e participação espontânea das outras crianças. Começámos, como sempre, por convidar as crianças a escolher um de dois livros para ser lido em voz alta. A escolha foi inédita: venceu Donde vem a Pimenta? As mães riram-se perante a nossa surpresa. Tinhamos-lhes confidenciado que certamente seria É tão injusto! o primeiro livro a ser lido, como sempre acontecera. Mais, praticamente lhes assegurei que as crianças mais velhas escolheriam Donde vem a Pimenta?, e sairiam vencidas. Mas João, de dez anos, votou vencido no É tão injusto!
A leitura dos livros por ordem oposta não influenciou negativamente a sessão, mas serviu para voltarmos a tomar consciência de que, quando trabalhamos com pessoas, não há certezas absolutas e as estratégias não funcionam sempre da mesma forma.
Quando elaboraram a lista final (cada par escolheu cinco livros) dos livros que mais gostariam de ler, os pares optaram por obras diferentes, havendo apenas dois livros que se repetiram: Os miúdos do piolho/Os piolhos do miúdo e O sonhador. Também não é normal, mas quando as mães e tias (havia três com as sobrinhas) desabafaram que as negociações foram árduas, constatámos que a mensagem de 6ª feira tinha passado: as adultas não deram descanso aos mais pequenos.
A terminar lemos o É tão injusto!...
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Palavra Poema na Moita - Balanço
Construímos uma casa com palavras, e li-lhes o álbum A minha mãe (Anthony Browne, Caminho), com ajuda de uma intérprete em língua gestual. A escolha deveu-se à dificuldade que os surdos manifestam em apreender sentidos simbólicos ou conceitos abstractos. Graças à expressividade e complementaridade das ilustrações, os meninos poderiam mais facilmente relacionar o discurso figurado do discurso denotativo. Gostaram muito do álbum, principalmente das imagens, o que me deixou a pensar se a exploração individual ou em pares de álbuns ilustrados não poderia ajudá-los a construir lógicas narrativas e até a aperfeiçoar os seus juízos críticos e afectivos.
Se puder, ainda voltarei à escola da Fonte da Prata, para visitar a professora e a turma. A alegria que se vive naquela sala já é rara nas outras que visitei. Estas crianças são mais inocentes e espalham sorrisos e felicidade. A professora igualmente. A sua permanente boa disposição, a sua entrega e dedicação fizeram daqueles 90 minutos um deslumbramento para mim.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Experiência no Palavra Poema
No sábado, na Biblioteca Municipal da Moita, o grupo que me esperava para o atelier Palavra Poema era muito heterogéneo, com idades entre os oito e os treze anos. Por isso, não poderia manter-me fiel à estrutura que tinha vindo a seguir até então. Precisava de uma actividade que anulasse, ou pelo menos diminuisse, as diferenças etárias.segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Biblioteca em construção na Conceição e Silva
O que pode tornar uma biblioteca apelativa? Desafiei os alunos a imaginarem uma biblioteca. O que poderia oferecer essa biblioteca para ser mais visitada que todas as outras?1. É um local sossegado;
2. Podem encontrar-se diversos livros
1. Poder dramatizar o livro mais requisitado durante a semana;
2. Tem divisões para cada secção de livros;
domingo, 16 de novembro de 2008
Pequenos poetas: balanço das alterações
Com este exercício as crianças já estão a relacionar sentidos, criando sínteses, explorando definições e metáforas. Então, a construção da casa de palavras tem mais ritmo e alberga palavras mais variadas.
Finalmente enveredamos pela exploração da rima. Aqui ainda não tenho uma estratégia única. Posso ler-lhes o poema «Os meninos educados» (Luísa Ducla Soares) e em seguida registar as rimas do poema, para que o grupo lhes dê continuidade. Posso pedir-lhes apenas que digam rimas. Posso ainda dar-lhes um exercício de correspondência entre o poema e as rimas, no caso de estar a trabalhar com um 3º ou 4º ano. Quando listamos rimas, em seguida partimos para a criação de um poema, ou de frases, de acordo com o nível dos alunos.
Com esta estrutura, sinto que os alunos produzem mais e melhor. Continuo a constatar que a leitura em voz alta os motiva e silencia, mesmo os alunos mais novos, de 1º ano, cuja concentração é muito diminuta. As crianças adoram ouvir ler, e deveriam poder fazê-lo com muita frequência.
domingo, 2 de novembro de 2008
Diz-me quem és, sucesso e insucesso
A turma da tarde estava ensombrada por um daqueles alunos perturbadores. Desde muito cedo começou a lamentar-se por estar ali, dizia que preferia ter ido à aula de matemática. Era mal educado, o que se notava logo pela entoação. Pediu para ir à casa de banho e não deixei. Quando se procedeu à primeira votação (dos seis grupos de objectos, imagens e excertos), não votou. O mesmo aconteceu com outro colega que estava sentado na mesma mesa e olhava para mim com um ar profundamente entediado e indiferente. Quando os livros começaram a rodar, nem se dignaram a abri-los. Deixei de lhos levar. E aqui começa o dilema. É ou não suposto motivarmos, ou pelo menos esforçarmo-nos, para motivarmos aqueles que vêem no livro um inimigo? É ou não suposto sermos condescendentes e não aumentarmos o fosso das desigualdades sociais? É. Mas então expliquem-me porque razão uma turma de CEF composta exclusivamente por rapazes aderiu ao atelier, comportando-se segundo as regras básicas da convivência, e este aluno esteve durante 90 minutos a afrontar-me a mim, aos colegas e à professora?
Há, para mim, um limite entre desinteresse e falta de educação. Há limites para a condescendência e para a psicologia. Tentar chegar àquele aluno boicotaria a sessão para o resto da turma e poderia não ter qualquer sucesso. Por isso, o atelier prosseguiu para desgosto do adolescente que continuava a provocação. Houve uns pequenos apitos sonoros (presumivelmente vindos de um telemóvel), houve frases como 'estas folhas nem dão para aquecer os pés...' Os restantes alunos entusiasmaram-se qb, elegeram O rapaz que chutava porcos como o seu preferido, alguns votaram em mais do que um livro e houve até dois alunos (um rapaz e uma rapariga) que ficaram à beira do perfil de viciados em ler.
O que é perturbador é a influência que um único aluno tem sobre um grupo. A mesa onde ele estava inibiu-se de participar, havendo um colega que estava efectivamente curioso, e que no final acabou por preencher o questionário. Na mesa de trás, um colega mais pequeno estava a ser importunado, até à minha intervenção, quando o mudei de lugar, o que me pareceu agradar-lhe. As raparigas oscilavam entre a conivência e o desagrado. Certo é que todos, excepto o líder e outro aluno, participaram. Houve até quem, no final, viesse partilhar comigo as suas preferências de leitura. Fica todavia um amargo de boca, não apenas por não ter conseguido motivar aquele aluno, mas por verificar o poder que este tipo de alunos tem sobre o grupo. Acima de tudo, a educação passa pelo respeito pelos outros e pelo espaço colectivo. Só assim podemos ser respeitados.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês em Oliveira de Azeméis
Amanhã rumo a Oliveira de Azeméis para mais um Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês. Será mais uma experiência junto de duas turmas de adolescentes. Ouvir as suas preferências, confirmar as suas expectativas. É um atelier que me dá sempre muito prazer fazer. Porque normalmente o público não sai defraudado e o atelier está longe do rigor da sala de aula, sem que seja preciso recorrer a outros instrumentos de motivação que não apenas os livros. Este é um atelier que aproxima o comportamento dos adolescentes do dos adultos, que também sentem curiosidade por conhecer um ou outro livro, ou descobrir qual o seu perfil de leitor. Esta aproximação dos mais novos aos mais velhos agrada-me, porque de alguma forma questiona as fronteiras da adolescência.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês no sul...
Os ateliers foram muito divertido, com piadas a gosto, a falsa má vontade que sempre move as palavras iniciais dos adolescentes, e algumas preferências recorrentes.
Mais uma vez, O rapaz que chutava porcos (Tom Baker, Teorema) recolheu muita curiosidade. O apelo do terror funciona como jogo de negação e acaba por motivar leitores reticentes ou insatisfeitos. Já o Diário Secreto de Adrian Mole aos 13 anos e 3/4 (Sue Townsend, Difel) voltou a ganhar adeptos e começa a candidatar-se a leitura clássica, já não falta muito.
Certo é que este atelier, a par do atelier Ver para Crer, prova que muitos adolescentes recusam a leitura porque não têm acesso a livros que lhes despertem interesse. E, muitas vezes, os livros que lhes podem interessar não são os mais óbvios, ou seja, não são necessariamente livros feitos segundos modelos, a pensar no adolescente de forma simplista, sem lhe dedicar o respeito que merece. Acima de tudo, o mais importante é mostrar livros sem preconceitos, respeitando a condição de leitor, mesmo que apenas potencial, do adolescente. Mesmo que os alunos não venham a ler nenhum dos livros que lhes apresentámos, provavelmente não recordarão este momento como um mau momento associado aos livros. E esse é o primeiro passo para os aproximar da leitura.
Foi muito bom, regressar a Loulé.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
O melhor livro para o meu filho: algumas experiências
Uma das mães escolheu um álbum (Bolinha Estranha, Minutos de Leitura) sobre a diferença, em que um gato, filho de uma rata, constata que não é parecido nem com a mãe, nem com os irmãos. Assim, decide perguntar aos outros animais da quinta com quem acham que se parece. A mensagem conclusiva é transmitida pela mãe pata, remetendo para a história do patinho feio.

A sua filha, no entanto, não gostou do livro porque não compreendia a razão das perguntas do gato, quando ela percebia imediatamente que era um gato, já que o podia constatar em todas as ilustrações do álbum. Tentámos então pensar noutras abordagens, tendo em conta a relação texto-imagem. A questão que orienta a narrativa é precisamente aquela que a criança descobriu: ele é um gato, logo é diferente de todos os outros animais. Se é um gato, porque quer ser ele outra coisa?
Partamos desta evidência e questionemo-nos: a quem é que o gato não pergunta com quem se parece? A outro gato. Então, se não houver, num grupo, ninguém igual a nós, tentamos ser parecidos com quem integra o grupo. Com que animais pode o gato ser parecido? Tem bigodes? Tem. Que outros animais têm bigodes? Os coelhos. E quatro patas, quem tem? A vaca. Ou ainda: se os outros animais não conhecem mais nenhum gato, com quem acharão o gato parecido?
Outra mãe mostrou à sua filhota um álbum cuja ilustração não é convencional. A menina, ao olhar para a menina com a enorme cabeleira encaracolada e espetada, considerou ser aquela uma bruxa. Porque a menina era feia. Mas, ao ver a imagem da menina no colo da mãe, identificou de imediato a relação de parentesco.
Chegámos também à conclusão que as crianças gostam de ver livros antigos, tais como aqueles que foram os nossos livros quando tínhamos a sua idade. Para elas, a nossa infância é praticamente inimaginável, por isso sentem muita curiosidade.Uma das mais valias de acções prolongadas é a partilha de experiências propostas nas sessões e realizadas entre elas. No sábado ficámos com a sensação de que poderíamos continuar sempre a sugerir novas actividades e a ouvir novas experiências.
domingo, 19 de outubro de 2008
Casas poéticas...
Pequenos Poetas na EB1 nº 2 da Moita
Fiquei surpreendida com o comportamento dos alunos de duas turmas do 1º ano do 1º ciclo, crianças de seis anos que não conseguem estar sentadas no seu lugar, não respeitam a sua vez de falar, e não ouvem o que os colegas ou a professora dizem. Não são todos, é certo. Mas são muitos, demais.
A turma do 2º ano destacou-se como a mais atenta, concentrada, empenhada e participativa. Percebi que já tinham desenvolvido bastante vocabulário, que facilmente sugeriam, de acordo com os desafios propostos por mim. É evidente que a idade e a maior adaptação às regras e ritmo de trabalho terá bastante influência na prestação deste grupo.
As turmas do 1º ano tiveram muita dificuldade em encontrar palavras que rimassem entre si (a partir de rimas tão simples como ar, ão ou el). No entanto, continuam a gostar muito de ouvir histórias. Li-lhes dois álbuns que remetem para o discurso poético, A minha mãe (Anthony Brown, Caminho) e Avós (Chema Heras, texto; Rosa Osuna, ilust., Kalandraka). Apesar de estranharem a estrutura repetitiva do último álbum, consegui nesse momento que as turmas fizessem silêncio, tendo alguns alunos evidenciado entusiasmo, pelas expressões faciais que ia observando.
No que respeita ao desenvolvimento de vocabulário, à criação de um imaginário e de uma relação afectiva com o discurso poético, não me parece que seja impossível motivar estas crianças. O que me parece grave é o seu comportamento , a ausência de respeito pelas regras, o seu egocentrismo extremo. Esta tendência dificulta imenso a aprendizagem e as práticas didácticas diversificadas. O interesse e a boa vontade dos professores são, nesta matéria cruciais, mas mesmo os melhores não fazem milagres...
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Primeiros ateliers na Moita
Desenharemos uma casa com palavras que as crianças vão escolher para descrever a sua casa e preencheremos carruagens de um comboio com metáforas e comparações. Se tudo correr pelo melhor.
Também lhes lerei poemas e álbuns. Se ainda tiverem concentração e entusiasmo para isso.
É uma estreia, mais uma. Vamos ver se as crianças gostam...
domingo, 12 de outubro de 2008
O melhor livro para o meu filho - 2ª sessão



