quarta-feira, 28 de outubro de 2009

North and South

Autor: Elizabeth Gaskell
Ano de Publicação: 1854
Editora: Penguin
Páginas: 528
ISBN: 9780140620191

Sinopse
When her father leaves the Church in a crisis of conscience, Margaret Hale is uprooted from her comfortable home in Hampshire to move with her family to the north of England. Initially repulsed by the ugliness of her new surroundings in the industrial town of Milton, Margaret becomes aware of the poverty and suffering of the local mill workers and develops a passionate sense of social justice. This is intensified by her tempestuous relationship with the mill-owner and self-made man, John Thornton, as their fierce opposition over his treatment of his employees masks a deeper attraction. In "North and South", Elizabeth Gaskell skillfully fused individual feeling with social concern, and in Margaret Hale created one of the most original heroines of Victorian literature.

Opinião
Já anteriormente vos tinha falado deste livro, a propósito de ter visto a adaptação televisiva da BBC, no início do ano, que adorei. Na altura, comprei o livro mas só agora decidi lê-lo, uma vez que a White Lady já o tinha começado e decidimos fazer uma espécie de mini leitura conjunta no fórum (podem também ler a opinião dela sobre este livro aqui).

North and South foi publicado originalmente em 22 partes na revista semanal Household Worlds, editada por Charles Dickens, entre Setembro de 1854 e Janeiro de 1855, tendo sido publicado em forma de livro ainda durante 1855. A história decorre em meados do século XIX, sendo o título do livro indicativo do tema principal que trata: as diferenças entre o norte e o sul de Inglaterra nessa época, com o norte altamente industrializado, por contraste com o pacífico e solarengo sul.

O livro acompanha a história da jovem Margaret Hale, que se vê deslocada da sua casa no sul, em Helstone, para Milton, no norte, uma vez que o seu pai, um homem da Igreja, se vê perante problemas de consciência quanto ao conteúdo da doutrina que advoga, decide abandonar o seu ofício e deixar para trás a vida que tinham conhecido até então. A família de Margaret instala-se então em Milton, uma cidade do norte  bastante industrializada e completamente diferente do local de onde tinha vindo, com grande abundância de fábricas de algodão e com problemas sociais muito graves. O dono de uma dessas fábricas, John Thornton, torna-se aluno do pai de Margaret e apaixona-se por ela, apesar de todas as suas diferenças.

Apesar do destaque dado às personagens e aos seus sentimentos, este é um livro que aborda de forma bastante detalhada as questões sociais que advieram da luta de classes que nessa época começaram a fazer-se sentir mais vigorosamente, por força da evolução das relações entre a classe trabalhadora e a classe empregadora, e que muitas vezes se concretizavam em greves. Margaret torna-se amiga de algumas pessoas de origem mais humilde e toma contacto com as suas dificuldades. Esta característica da personagem foi muito provavelmente influenciada pela experiência pessoal da autora, pois colaborava com várias instituições de caridade.

Acho que, por mais que tente, não vou conseguir exprimir como deve ser o quanto este livro me marcou... mas não custa tentar! As personagens são muito  bem construídas e podemos facilmente relacionar-nos com elas, com os seus dilemas e alegrias. Gostei muito das duas personagens principais, mas a minha preferida acabou por ser a mãe de John, Mrs. Thornton, pela personalidade vincada e sinceridade que sempre demonstrou. O enredo é muito bom: a história de amor que a autora nos conta é daquelas que quebram o coração mais duro e que deixam a suspirar a menos romântica das pessoas, mas é, ao mesmo tempo, genialmente entrelaçada com as questões sociais  que aborda e com o retrato deste período da história de Inglaterra. Ao longo de todo o livro, assistirmos a diálogos extremamente interessantes (muitas vezes entre John e Margaret) que nos permitem perceber todas estas questões e pensar no quanto as coisas evoluíram (ou não) depois de um século e meio. Isto leva a outro aspecto que me fez adorar este livro: Elizabeth Gaskell escreve maravilhosamente. É incrível a forma como ela entrelaça as palavras, como sabe colocá-las no sítio exacto e como, muitas vezes, diz as coisas sem as dizer. É daquele tipo de livros que nos traz a vontade de transcrever inúmeras passagens, mas fico-me por uma que aparece na primeira vez em que Margaret visita a casa dos Thorntons (não contém spoilers). Eis como transformar a descrição da divisão de uma casa na caracterização das pessoas que a habitam:

Everything reflected light, nothing absorbed it. The whole room had a painfully spotted, spangled, speckled look about it, which impressed Margaret so unpleasantly that she was hardly conscious of the peculiar cleanliness required to keep everything so white and pure in such an atmosphere, or of the trouble that must be willingly expended to secure that effect of icy, snowy discomfort. Wherever she looked there was evidence of care and labour, but not care and labour to procure ease, to help on habits of tranquil home employment; solely to ornament, and then to preserve ornament from dirt or destruction.
Para resumir, este livro apresenta, na minha opinião, um equilíbrio perfeito entre enredo, personagens, contexto e escrita. O único defeito que lhe aponto é um final um pouco apressado, mas a própria autora explica que o facto de esta história ter sido originalmente publicada em formato de revista lhe trouxe algumas limitações que nem sempre lhe permitiram desenvolvê-la como gostaria. Mas nada que belisque a minha opinião geral. Dá que pensar o dom que algumas pessoas têm de, apenas com palavras, emocionarem uma pessoa ao ponto de vivermos estas histórias como se fossem reais, tornando a viragem da última página como a despedida de um amigo querido. E encontrar livros que proporcionem este nível de ligação emocional é o objectivo último que me guia nesta busca incessante. Peço desculpa pela extensão desta opinião, mas o  entusiasmo é tanto que a minha vontade é ficar aqui o resto do dia a falar deste livro :)

Termino esta opinião pedindo encarecidamente que alguma editora se disponha a publicar a tradução desta obra-prima. Não compreendo como é possível que, até hoje, ninguém o tenha feito. O livro é imperdível! Até lá, podem, caso entendam, comprá-lo pela módica quantia de 3€, no Book Depository. Também está disponível online, uma vez que a obra já faz parte do domínio público. E, agora que o li, posso dizer-vos, com toda a sinceridade: a adaptação desta história maravilhosa na mini-série da BBC é muito fiel e consegue transmitir todo o sentimento presente no livro. Escusado será dizer que recomendo vivamente tanto o livro como a sua adaptação.

10/10 - Obra-Prima

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Cônsul Desobediente (O) – Sónia Louro


Editora: Saida de Emergência
Edição: 1ª Edição, Setembro 2009


Embora tendo como formação a biologia marinha, Sónia Louro sempre teve a Literatura como a sua grande paixão, ao qual veio a aliar outro interesse: a História.

Dessas paixões nasce a intenção de escrita de romances Históricos que se materializa, até à data, em três livros: “Viritato”, “A Vida Secreta de Dom Sebastião” e este “Cônsul Desobediente” que narra a História de Aristides de Sousa Mendes.

Aristides de Sousa Mendes nasceu no dia 19 de Julho de 1885 na localidade de Cabanas de Viriato. Oriundo de uma família com laços à aristocracia, Aristides tem as oportunidades que só a classe alta, na altura, podia oferecer aos filhos e é assim que se licencia em direito na Faculdade de Direito de Coimbra.

Monárquico assumido, depressa se incompatibiliza com os vários governos pós implementação da República, no entanto esse facto, o de ser persona non grata, serve-lhe para ser tido como um homem pró-estado novo, pois era um homem muito religioso, prezava os bons costumes e os valores apregoados por esse novo sistema. E é dessa forma que Aristides se vê promovido ao ser nomeado Cônsul para embaixadas importantes e estratégicas.

E é nessas funções que em 1938 é nomeado Cônsul de 1ª Classe para Bordéus, posto ocupado quando tem início a Segunda Guerra Mundial.

Ao aperceber-se da capitulação da França e sabendo do avanço das tropas nazis, Aristides depara-se com milhares de refugiados que procuram a embaixada portuguesa no sentido de ali conseguirem um visto. Porém, adivinhando essa enchente, Salazar ordena aos cônsules portugueses espalhados pelo mundo que recusem conferir vistos a pessoas com certas nacionalidades e especificações. Era pura descriminação racial, facto que desobedecia à Constituição Portuguesa. Ou seja, a ordem do governo português ia contra a Constituição da República.

Aristides sabe disso e após alguns dias de dilemas morais, resolve tomar acções que o levará à sua desgraça ao mesmo tempo que o elevará, muitos anos depois, à galeria dos maiores homens da Humanidade: ali, na sua embaixada e fazendo ouvidos moucos às ordens de Salazar, ele começa a passar vistos em catadupa, salvando assim, de uma morte certa e segundo números oficiais, 30.000 pessoas (o número de vistos oficialmente passados), porém, sabe-se que o número real é superior dada a forma, diria surrealista, como centenas de vistos foram passados.

Aristides foi um homem bom. Juntou a lema: “Deus”, “Pátria” e “Família”, a palavra “Consciência”, utilizando o seu poder para salvar milhares de pessoas.

O regime nunca lhe perdoou as ordens desobedecidas. Coloca-o na “prateleira”, abandonando-o e fechando-lhe todas as portas, não só a si como também a todos os seus filhos que, sem perspectiva de vida em Portugal, são obrigados, aos poucos, a emigrar para fora do país.

Aristides morre na miséria, sem amigos, esquecido por todos (menos os seus filhos) no dia 03 de Abril de 1954 no Hospital dos Fransciscanos em Lisboa.

Curioso constatar que apenas em 1988 o país, pelo menos ao nível do Estado e após aprovado pelos deputados na Assembleia da República, reentregou o cônsul na carreira diplomática com a promoção a embaixador e só a partir desse ano, aos poucos e devido também à insistência dos filhos que sempre lutaram para restabelecer a imagem do pai, o nome de Aristides de Sousa Mendes começou a ser falado. 34 anos depois da sua morte, os portugueses começaram a perceber que a 2ª Grande Guerra produziu um herói português, um homem venerado por milhares de famílias e quem tem até espaço em alguns museus que lembram o Holocausto.

Ao contrário do que sucede em “Viriato”, único livro que havia lido de Sónia Louro, neste a autora soube documentar-se convenientemente, diria mesmo que se documentou tanto que construiu não um romance Histórico mas sim uma biografia romanceada.

Sónia Louro traça o percurso da vida de Aristides de uma forma muito biográfica, demonstrando preocupação em citar as fontes que podem ser cartas, documentos oficiais, relatórios ou entrevistas que originam a maioria das cenas. Ficção tem apenas os diálogos e muitos deles construídos segundo registos históricos.

Não quero com isso dizer que a obra é fraca ou está mal conseguida. Nada disso! Sónia Louro está de parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa e por ter sabido explanar toda a grandeza humana de Aristides de Sousa Mendes, dando um grande contributo à sua memória e ao reconhecimento que o povo português lhe deve.

Contudo o romance tem alguns pontos fracos. Por exemplo, embora saibamos que os pais de Aristides eram gente de posses, no entanto há uma completa ausência de factos da sua infância e adolescência, assim como ficamos sem saber quem foram os pais de Aristides. Pode-se relativizar dizendo que o romance não tem esse propósito. Aceito, mas para se entender o homem, talvez a sua infância e os valores familiares tenham sido vitais.

Embora seja uma obra densa, cheia de notas e com a curiosidade de, no fim, conter as cópias da Defesa de Aristides e do relatório de Acusação. A linguagem e a estrutura literária são simples, de fácil percepção.

Uma obra que merece ser lida devagar de modo a podermos deixar Aristides de Sousa Mendes entrar na nossa vida.

Um grande português!


Classificação: 5

João Tordo: "As Três Vidas" depois do Prémio Saramago

Após a atribuição a As Três Vidas do Prémio José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores (http://circulo1.claranet.pt/gca/index.php?id=283), que distingue o melhor romance do passado biénio escrito por um autor de língua portuguesa com menos de 35 anos, João Tordo vê crescer a atenção dada ao seu último livro, tanto dentro de portas como no estrangeiro.
Por cá, está a ser preparada para muito breve a edição do Círculo de Leitores de As Três Vidas, bem como a quarta edição da QuidNovi, que deverá sair para as livrarias nos próximos dias, agora em edição paperback.
No estrangeiro, a Actes Sud – uma das mais prestigiadas editoras francesas e a que tem o melhor catálogo de literatura estrangeira traduzida para francês – irá lançar já em Fevereiro próximo Les Trois Vies, em tradução de Dominique Nédellec (http://www.actes-sud.fr/pro/presse/brochures/201001_201002.pdf ).
O director editorial Bertrand Py, após a leitura atenta e entusiasmada do romance de João Tordo feita pela conselheira literária Alzira Martins, havia adquirido há cerca de um ano os direitos de publicação de As Três Vidas, do autor que a Actes Sud considerava já então “o cabecilha da jovem guarda das letras portuguesas”.
O interesse por As Três Vidas começa a agitar editoras espanholas, italianas, holandesas, brasileiras, mas a pioneira Actes Sud merece também os parabéns e uma especial referência por ter apostado, em plena época de crise e muito antes da atribuição do prémio, no romance de João Tordo como um dos seus pratos fortes para o ano de 2010. E como as coincidências felizes resultam normalmente do trabalho persistente, também por estes dias a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas http://www.iplb.pt/sites/DGLB/Portugu%C3%AAs/Paginas/home.aspx , cujo persistência na divulgação e promoção da literatura e dos autores portugueses no estrangeiro é, de há muito, discreta mas preciosa, anunciou João Tordo como o escritor português residente na famosa Ledig House http://www.artomi.org/ledig.htm#Overview em Abril de 2010. Um regresso aos EUA alguns anos, alguns prémios e três romances depois será seguramente um bom impulso para o quinto romance do autor, uma vez que o quarto está já a ser escrito a bom ritmo.

Tanta roupa e nada para vestir publicado dia 5 de Novembro

Livro de Maria Guedes resolve dilema diário das mulheres

A Ideias de Ler publica, a 5 de Novembro, Tanta roupa e nada para vestir, de Maria Guedes, um livro indispensável, que ajuda a resolver um dilema diário das mulheres e a conseguir um look sem falhas.
A apresentação
acontece nesse mesmo dia, no Espaço MK2, em Lisboa (ao Chiado), às 19 horas.

Título: Tanta roupa e nada para vestir
Autor: Maria Guedes
N.º de Págs.: 144
Capa: mole
PVP: 14,90 €

Tanta roupa e nada para vestir é «um desabafo» que Maria Guedes, fashionista, ouve «com regularidade». Na génese do livro está a vontade de ajudar as pessoas a eliminarem um comportamento de «consumo impulsivo» absolutamente indesejável para o guarda-roupa e para a carteira.

Neste guia indispensável, a autora ajuda a encontrar, no meio de tanta oferta, peças práticas, confortáveis e elegantes. Roupa que deixe as mulheres preparadas para um dia que se divide em cenários de trabalho, de família, de amigas, de lazer, de crianças e de tarefas domésticas. Aliás, Maria Guedes considera que «peças essenciais, pensadas para um estilo e lifestyle específicos, fazem maravilhas» pela economia pessoal das mulheres, «diminuem o tempo de indecisão matinal e melhoram consideravelmente» a imagem e estado de espírito.
Tanta roupa e nada para vestir é, portanto, uma «excelente prenda de Natal», que permite «começar o ano de forma refrescante». Ao longo de 144 páginas, pensadas para dar um cariz prático ao livro, Maria Guedes conduz as leitoras, que podem ter qualquer idade e fisionomia, através de todos os passos necessários para uma reorganização total de imagem, estilo e guarda-roupa.
A apresentação, no Espaço MK2, um local irreverente e inovador, inclui música ambiente com um DJ convidado, um cocktail e decoração com peças criadas por Maria Guedes.

Excertos do livro

Índice: http://recursos.portoeditora.pt/recurso?&id=1439190
Ilustrações: http://recursos.portoeditora.pt/recurso?&id=1439191
Texto: http://recursos.portoeditora.pt/recurso?&id=1439212

Sobre a autora:

Maria Guedes nasceu em Lisboa em 1978 e desde cedo revelou um enorme fascínio pelo mundo da moda.

Licencia-se em Marketing e Publicidade em 2000 e, três anos mais tarde, conclui uma pós-graduação em Comunicação e Imagem.
Em 2006, viaja para Nova Iorque onde frequenta o Associates Fashion Studies Program da Parsons – the New School for Design.
Estagia com os reconhecidos designers americanos Zac Posen e Jill Stuart e colabora na organização da New York Fashion Week.
De regresso a Portugal dedica-se ao Personal Styling, Shopping Assistido e Design de roupa por medida. Continua a desenvolver projectos de design de acessórios (para outras marcas), ilustração e pintura.
No início de 2009 lança o seu blogue www.mariaguedeslisboa.blogspot.com com considerações diárias sobre moda, estilo, ilustração e compras.

Contos de Vampiros apresentado esta quinta-feira

É já esta quinta-feira, 29 de Outubro, às 19:30, que a Porto Editora apresenta o livro Contos de Vampiros.
O evento decorre na Cantina da LX Factory, em Lisboa (Alcântara).
Na mesa, para uma tertúlia em torno da colectânea e respectiva temática, estão confirmadas as presenças dos autores Ana Paula Tavares, Hélia Correia, João Tordo, Jorge Reis-Sá, Rui Zink, Susana Caldeira Cabaço e do coordenador Pedro Sena-Lino.
No final, é servido um cocktail ao gosto de sanguinários seres da noite…


Augusta, A Mulher Que Complementou Max Heindel: Pensamentos E Reflexões De Uma Rosacruz, de Prof. Dr. R. D. Pizzinga

TRECHO:
“Os segredos da verdadeira Iniciação não podem ser revelados porque ela
não é uma cerimônia externa, mas uma experiência interna. Realmente, não
existem palavras humanas que possam explicar, adequadamente, o que seja
uma experiência espiritual desta natureza e desta magnitude. Enfim, a
verdadeira Iniciação é uma experiência interna pela qual os poderes latentes
que foram amadurecidos pelo aspirante são transformados em energia
dinâmica, que ele depois aprende a usar.”
Augusta Foss-Heindel

Mini Biblioteca Essencial

Um guia de livros para a infância e juventude será lançado em Novembro pela FNAC em colaboração com a Casa da Leitura, que promete mais informações em breve.