Queridos amigos que estão em Brasília. Neste sábado, 10 de outubro, ROGER MELLO estará lançando seu livro mais recente - CARVOEIRINHOS (Cia das Letras) - na LIVRARIA CULTURA (Casapark), 16h. O livro é LINDOOOOOO! Roger é um talento ímpar e transborda simpatia. Vale o passeio. Vale o livro. Vale o encontro. Estaremos lá. Hatuna Matata!!!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Roger Mello em Brasília
Queridos amigos que estão em Brasília. Neste sábado, 10 de outubro, ROGER MELLO estará lançando seu livro mais recente - CARVOEIRINHOS (Cia das Letras) - na LIVRARIA CULTURA (Casapark), 16h. O livro é LINDOOOOOO! Roger é um talento ímpar e transborda simpatia. Vale o passeio. Vale o livro. Vale o encontro. Estaremos lá. Hatuna Matata!!!
domingo, 4 de outubro de 2009
Um crocodilo, um elefante e um tigre encontram o peixe-boi-marinho.
Queridos amigos, é com muit alegria que recbemos notícias da MANATI, informando o lançamento dos livros de Anushka Ravishankar TIGRE EM CIMA DA ÁRVORE e PEGA ESSE CROCODILO (com ilustrações de Pulak Biswas) e ELEFANTES NUNCA ESQUECEM (com ilustrações de Christiane Pieper) publicados originalmente pela TARA BOOKS, editora responsável pelos livros mais bonitos da Índia. Os livros estão saindo do forno e em breve vão colorir nosso olhar com suas belíssimas ilustrações e textos cheios de nonsense. Para ilustrar a paixão da editora Manati (Peixe-Boi-Marinho), copio abaixo texto da Bia Hetzel falando sobre sua paixão pelos livros indianos.
“Em abril, quando vi pela primeira vez esses livros na feira de Blogna, na Itália, em meio a milhares de outros títulos, fui tomada por uma paixão fulminante. Não conseguia pensar em mais nada. Os livros de Anushka se adornaram do meu coração. Só queria trazê-los para junto do meu travesseiro, para a minha casa, para as crianças do meu país. E tinha que ser pela Manati, porque só a Silvia Negreiros conseguiria garantir o capricho fráfico, o requinte do texto e a alegria que a gente sentia acariciando os livros. São jóias, são obras de arte que tivemos o privilégio de trazer para as crianças e os adultos do Brasil.”
O vídeo abaixo é um dos hits do youtube e mostra o processo de criação dos livros da Tara Books. Caso deseje ver mais fotos dos livros traduzidos pela Manati, CLIQUE AQUI.quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Sementes da sabedoria de um povo.
Contar uma boa história não é uma tarefa fácil. Escrever uma boa história também não. Agora, escrever uma boa história como se estivesse contando numa roda de ouvintes é para poucos. No Brasil, alguns autores conseguem essa proeza com maestria. Rosane Pamplona e Ricardo Azevedo, por exemplo, são mestres em repousar nos livros os contos e lendas vivos de há muito na oralidade. Escrevem como se soprassem as maravilhas em nossos ouvidos. Nos últimos anos, um nome tem conquistado a atenção dos Roedores de Livros nessa seara do reconto, que é tão tentadora e tão difícil ao mesmo tempo: Ilan Brenman.
Dia desses nos encontramos em São Paulo. Foi no lançamento de mais um livro seu, cercado de boas histórias nascidas lá no antigo oriente, mas que – assim como o povo judeu – já pertencem aos quatro cantos do mundo: LENDAS JUDAICAS (Salesiana). Ilustrado com muita beleza por Renato Moriconi, cercado de um belo projeto gráfico, o livro guarda em suas páginas belíssimas histórias cheias de sabedoria que encantam olhos e ouvidos de todas as idades. Digo isso porque em recente roda de histórias para adultos promovida pelo grupo Tapetes Contadores de Histórias e numa apresentação para um grupo de 30 crianças tive a atenção, a surpresa e os aplausos de todos ao contar a minha história predileta deste livro, chamada O TALMUD.
Nessa lenda, um homem procura um rabino para que este lhe ensine todo o conteúdo do Talmud (conjunto de livros que guardam a sabedoria do povo Judeu). O rabino, por sua vez, diz ao homem que a tarefa nao é tão simples assim. É preciso de muita sabedoria e dedicação para compreender todo o Talmud. O homem insiste com o sábio, dizendo possuir as qualidades necessárias para tanto. Nesse momento, o rabino conta uma pequena história para mostrar ao homem que sabedoria não se encontra em toda esquina. Ficou curioso? Procure no livro. Garanto que você vai gostar.
Assim como O TALMUD, outras histórias como O TZADIK e O REI DAVI, O PRÍNCIPE SALOMÃO E O OVO COZIDO encantam desde aquele que se propõe a uma leitura solitária (que eu adoro) até os que gostam de uma leitura compartilhada (que eu adoro, também). As ilustrações de Moriconi ora ocupam as páginas duplas por completo, prendendo a atenção do leitor com cores ocres e texturas; ora dividem espaço com o texto num uso perfeito dos espaços em branco que, muitas vezes, surgem a partir dos desenhos. Ilan Brenman escreve com o talento de um grande contador de histórias. Somados ao de um grande escritor. Talento que esbanja em outro livros como O TURBANTE DA SABEDORIA (ilusrações de Samuel Casal, Edições SM) e AS 14 PÉROLAS DA ÍNDIA (ilustrações de Ionit Zilberman, Brinquebook). Seu LENDAS JUDAICAS é um livro especial. Feito com esmero. Bonito. Universal. Sem fronteiras. Merecedor do selo LIPTI dos Roedores de Livros (Livro Ilustrado Para Crianças de Todas as Idades). Rosane Pamplona e Ricardo Azevedo estão em boa companhia. Hatuna Matata.
P.S. Acima, num click do simpático Ivson, Eu, Ilan, Renato e Ana Paula, no lançamento do LENDAS JUDAICAS na Livraria da Vila (Shopping Cidade Jardim, Sampa).sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Uma passagem para sampa e outra para o mundo da fantasia.
Tem dias em que o acaso nos premia com surpresas saborosas. Agora, imagine você, o quão saboroso foi para um roedor de livros ir comprar uma passagem para a Terra da Garoa e dar de cara com uma viagem ao mundo da fantasia? Pois é, foi o que se deu comigo, ao ter que resolver uns râmites burocráticos no aeroporto. Uma longa espera me fez dar uma volta na livraria do lugar e, que delícia, lá havia uma seção de livros infantis. Confesso que tive que garimpar - mas adoro fazer isso - para descobrir algo instigante. Mas valeu MUITO à pena.
No meio da estante amarrotada de poucas boas ideias literárias, um título me chamou a atenção: CHAPEUZINHO VERMELHO. Um livro grandão, esverdeado, com um MENINO na capa dura, acompanhado do subtítulo UMA AVENTURA BORBULHANTE. Nada tradicional. Do jeito que eu gosto. Estacionei a curiosidade ali mesmo e fui descobrir as delícias daquela descoberta, enquanto dois vendedores olhavam para mim com aquele jeito de quem diz: - Vai levar ou vai ler aqui mesmo? Li ali mesmo e depois levei para casa, pois era certo que o livro seria um presente e tanto para Ana Paula.
O livro, CHAPEUZINHO VERMELHO: Uma Aventura Borbulhante, dos irmão Lynn e David Roberts (Zastrás) é uma deliciosa paródia da hostória original. Desta vez, a personagem é o menino Tomaz. A autora (Lynn) ambientou o enredo no século XVIII e a família de chapeuzinho era formada por pioneiros ingleses vivendo na América do Norte. O ilustrador (David) caprichou nos detalhes de época (perucas, roupas, mobília) mostrando cuidado em sua produção. A construção é a mesma: uma criança leva uma encomenda para a avó e encontra com o lobo. Mas são irresistíveis as soluções escolhidas para recontar. Há toda uma nova decoração e o ambiente familiar apresenta-se com o frescor de uma casa nova para o leitor de qualquer idade. Simplesmente fantástico. Resolvido o problema com a passagem, retornei para casa duplamente feliz: passagem para Sampa e, no meio do caminho, uma parada de surpresa no mundo da fantasia.
O post poderia ter terminado no parágrafo acima, mas nem eu nem Ana Paula descansamos ao saber que Chapeuzinho Vermelho fazia parte de uma trilogia escrita pelos irmãos Roberts que ainda incluía Cinderela e Rapunzel. Fucei na internet e encontrei um comentário sobre o primeiro no blog da Cristiane Rogério (LER PRA CRESCER). Nada mais. Silêncio em torne de uma produção tão criativa e bem acabada. No dia seguinte encontrei RAPUNZEL: Um Conto de Fadas Fabuloso na livraria perto de casa. E ainda estava em promoção. E descobri que era tão bom quanto o primeiro. Eu e Ana Paula nos divertimos descobrindo as sutilezas do texto e das ilustrações.
A história se passa nos anos 70. Rapunzel é uma jovem que vive isolada do mundo, num apartamento no alto de um prédio velho. Órfã, vive com sua tia que a mantém trancada em casa, cercada de discos e revistas. O elevador vive enguiçado e do seu apartamento até o térreo são centenas de degraus. Para descer e subir do apartamento para a rua a malvada tia de papunzel, que trabalha como merendeira numa escola da cidade, usa as tranças da sobrinha. Um dia um jovem roqueiro apaixona-se por Rapunzel e a história segue o fio tradicional porém, com novas cores e sabores.
Como na releitura de Chapeuzinho Vermelho, a história de Rapunzel ganha ares históricos. São cabelos os mais variados, referências a discos de rock, homens usando sapatos de salto, roupas como coletes e calças boca de sino, o incrível mobiliário, tudo referência cultural dos anos 1970. Uma viagem ao túnel do tempo. Mas, antes de tudo, uma história muito bem contada. Para todas as gerações.
Ainda não vimos a Cinderela dos irmãos Roberts, desta vez ambientado nos anos 1920. Enquanto isso não acontece, seguimos relendo os dois primeiros, e descobrindo novos detalhes como, uma referência - em ambos, ao clássico que, em breve, deve compartilhar um espaço na estante de casa. Irresistivelmente obrigatório na estante dos apaixonados por boas histórias. E aí, pronto para a viagem? Agora, de volta do século XVIII e dos anos 1970, deixo este texto para fazer as malas para a São Paulo de hoje. Hatuna Matata.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Gente inteliGente...
Tem gente que diz que não daria para o seu filho ler os livros infantis de Wander Piroli (foto acima). Mas o menino passa a manhã na frente da TV assistindo a socos, bombas e pontapés superpoderosos. E essa gente inteligente acha normal tudo aquilo. Afinal de contas, todo mundo vê.
Tem gente que não adotaria para a biblioteca escolar das crianças os livros infantis de Wander Piroli. Mas a turma de pequenos inocentes (eu juro que vi) faz aulas de educação física ao som de “tô ficando atoladinha”. E essa gente inteligente acha normal tudo aquilo. Afinal de contas, todo mundo ouve.
Tem gente que não leria de jeito nenhum os livros infantis de Wander Piroli para as crianças pois é preciso proteger suas mentes inocentes das agruras da vida. Mas em casa todo mundo diz palavrão, ou sabe dizer ou finge que não sabe. E essa gente inteligente acha normal tudo aquilo. Afinal de contas, todo mundo diz.
Anormal mesmo é o Wander Piroli – diz essa gente inteligente. Um gênio da literatura – eu digo. Mas acho legal quando mostro algum livro do autor mineiro e alguém diz: “Não gostei do que li!” É legítimo não gostar. E tem gente inteligente que não gosta dos textos infantis do Wander Piroli simplesmente por que não gostaram. Questão de gosto. Eu respeito.
Agora, euzinho sou fã. Acho o texto dele uma obra de arte. Meu filho leu O Matador e nem doeu assim, nele. Acho que doeu mais em mim. E por falar em “O Matador”, para mim, foi o melhor livro do ano passado – de tudo o que eu li, infantil ou não. Texto, ilustração, projeto gráfico… tudo lindo, feito para emocionar.
No 11º salão FNLIJ do livro para crianças e jovens tive o prazer de reencontrar o ilustrador Odilon Moraes (última foto, abaixo). Estávamos no mesmo hotel. Conversamos sobre muitas coisas mas foi a obra do Wander Piroli que tomou conta das horas. É que, além de fã recente – como eu -, Odilon acabara de ilustrar a nova edição de Os Dois Irmãos – mais um texto do polêmico autor (publicado originalmente em 1980 com ilustrações de Ângela Lago).
O livro ficou muito bonito. Mais uma vez, o texto encontrou um projeto gráfico à sua altura e Odilon deixou algumas surpresas para os olhares mais atentos. Mas não é preciso ser um expert para se emocionar com a história de dois frangos, irmãos “iguais em tudo. Dos pés à cabeça”. Sempre juntos, compartilhando a vidinha simples ali no meio da oficina mecânica. Vez em quando um passeio na rua. Vez em quando o quintal e o poleiro improvisado no pé de manga.
Porém Wander Piroli não poderia deixar a história assim tão açucarada. Apesar de escrever sobre dois frangos, a sua literatura não tem muito de fábula – fantasia cheia de moral e bichos. Nem de contos de fadas, repleto de finais felizes. Afinal, a vida real está repleta de histórias em que há felicidade. Mas, nem sempre eterna. Então, o inesperado acontece. Parece óbvio, mas o fato não aparece no texto. Parece óbvio, mas não está explícito na ilustração. E, ao final, o autor convida o leitor – criança, jovem ou adulto – para terminar a história ao seu modo.
Toda essa gente inteligente que vê, que ouve e que diz, pode também ler textos inteligentes. Os Dois Irmãos é boa literatura para todas as idades. Odilon Moraes ilustra com a mesma precisão literária de Wander Piroli. O leitor não termina sua leitura e fica indiferente. Incomoda. Por isso, não espere que este livro, ou O Matador, ou Nem Filho Educa Pai (que está a caminho) façam parte das listas de livros premiados que pululam por aí. Mas, assim como aconteceu comigo ao ler A Pequena Vendedora de Fósforos, de Andersen, é possível que uma criança tenha os livros de Wander Piroli como ítens preciosos da lista de bons livros da sua vida. Hatuna Matata.
P.S. Para os mais velhos, a Leitura também reeditou dois livros de Wander Piroli com contos adultos, reunidos numa só edição. VEJA AQUI.
P.S.2. Escrevi este texto inspirado no que Cristiane Rogério do Blog Ler para Crescer publicou ontem (29/07) – citando Ilan Brenman. Vale para todos os amantes dos seus filhos queridos e da boa literatura.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Bons e velhos amigos...
Há muitos anos encontrei Janaína numa tarde quente em Brasília. O papo foi rápido, mas lembro como se fosse hoje. Falamos da vida. Impressões divergentes, convergentes. Sintonia de velhos e bons amigos. Lembro ainda que brincamos com seu sobrenome diferentão (Michalski) e o meu nome não menos incomum (Florentino). Depois disso… pluft: Janaína sumiu. Ou eu sumi. Sei lá...Passou o tempo.
De repente, no meio dos coredores do 11º Salão FNLIJ encontro a moleca saindo do lançamento do seu primeiro livro. Na verdade, ela me encontrou: - TINO? É VOCÊ? Êita mundinho pequeno esse. Não é que Janaína resolveu escrever para crianças e jovens? Bem, trouxe seu livro para casa e só aqui, depois que a tempestade repousou, deitei os olhos sobre a história e gostei muito do que li.
ONDE O SOL NÃO ALCANÇA (ilustrações de Alê Abreu, Nova Fronteira) é um livro sobre amigos. Mais que isso: conta sobre como nasceu a amizade entre Nana e Ana Paula. Uma história que começa no quintal, sobe o muro, se avizinha e ganha a rua até ficar no coração da gente. Apesar de ser o seu primeiro livro, Janaína Michalski mostra muita intimidade com a arte de pescar palavras. E ela pesca as mais bonitas para a sua história.
“ – Bala de quê?- De hortelã.
Foi tudo o que elas disseram. Sentadas lado a lado, passaram a tarde olhando a rua. Nenhuma palavra. Só o barulho dos papéis das balas de hortelã. Às vezes Nana olhava para ela. Às vezes ela olhava para Nana. Nana achou o olhar da menina igual à água cintilante da piscina quando estava coberta de sol. De vez em quando, a menina dava um sorriso para Nana.
Na mesma hora em que a tarde foi embora, o saco de balas acabou. As meninas se olharam e concordaram que tinham de ir”.
As ilustrações de Alê Abreu dão mais calor ao texto. Caprichos de grafite e lápis de cor. As páginas do livro estão repletas de tardes quentes. E as tardes de Alê têm cores fortes e muita imaginação para conquistar a amizade do texto de Janaína. Parecem saber os segredos um do outro, como bons e velhos amigos.Não lembro se naquela longínqua tarde quente em Brasília, Janaína e eu dividimos balas de hortelã. Mas depois daquele encontro, certamente posso usar das palavras da personagem Ana Paula para dizer a minha amiga de longa data:
“- Desce daí, vem brincar”.
Convido a todos para brincar com as palavras de Janaína. Hatuna Matata.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Destelhado, descoberto, deslumbrante.
- Alô!
- Alô... Tino?
- Sim, quem é?
- Oi, Tino. Sou eu, nonononono. Estou ligando porque chegou um livro novo ilustrado pelo André Neves – só chegou um, viu?! – e estamos todos aqui curiosos para dar uma olhadinha, mas tem um selo, um lacre, que não dá pra tirar... só se comprar o livro... você vai querer?
- Hã... livro novo do André?
- É... a ilustração. O texto não é dele. Deixa eu ler aqui... o texto é da Ninfa Parreiras. O livro é da DCL, o título é UM TETO DE CÉU, tem umas estrelas na capa e o formato é tipo um envelope. Bem bacana. Mas tem um selo, um lacre, que não dá pra tirar... Você vai reservar?
- Vou, vou. Obrigado por ligar.
- Ah, Tino, quando você vier pegar o livro, passa aqui na seção que a gente quer ver o livro, tá? Você vem hoje?
- Hoje não dá. Mas passo aí amanhã à tarde.
- Combinado então. Tá reservado. Não esquece de passar por aqui. Tchau!
- Tchau!
Fiquei curioso, mas naquele dia não deu para ir à livraria. Fui no dia seguinte, conforme havia prometido. Na seção de reservas fui surpreendido com um livro num formato diferente, novidade para mim. Um selo com as inicias de Ninfa e André tornava a obra inviolável para os curiosos. Não dava para tomar um café com o livro antes. Era preciso comprar o livro para depois descobrí-lo. Se não, a gente danifica o livro para um outro cliente. Não tive dúvidas. Um livro da dupla era certeza de uma ótima aquisição. Os dois são artistas do mundo da boa literatura infantil.
Fui ao caixa, investi algumas realidades e – com cuidado – retirei o lacre da fantasia. Ao abrir a capa preta cheia de estrelas, fui presenteado com o mundo de cores de André e com a bela história de Ninfa sobre uma menina, Luana; sua vila, onde só havia uma estação: a seca; onde as casas não têm teto, pois nunca chove por lá – aliás, o teto era o céu; o sol e as estrelas -; um encontro com uma moça da terra das águas e uma troca de presentes. Tudo absurdamente lindo. Emocionante.
Mas, antes de me derreter de paixão pelo texto de Ninfa, entrei no jogo do livro objeto em formato de envelope preto que ao se abrir derrama cores e pede ao leitor que mude a posição do livro para entrar na história. Algumas páginas se desdobram oferecendo surpresas aos olhos do leitor. Algumas palavras crescem, outras dançam nas páginas. O projeto gráfico, assinado por André Neves e Thiago Nieri é FANTÁSTICO. Torna a leitura diferente sem interferir na linearidade do texto. Agiganta o livro. Gostei. Muito.
André – como sempre – faz da sua arte um instrumento para brincar com o leitor. Um olho recortado cabe numa janela; um pássaro entrega o livro para a personagem – o livro que estamos lendo; estrelas pingam do céu como gotas de chuva ou como frutos maduros; há um chafariz de areia colorida; objetos de casas do interior brasileiro; texturas, colagens e talento.
Ninfa - como sempre – faz da sua arte um instrumento para brincar com o leitor. Imprime no papel as frases mais bonitas, como um ourives lapidando o cristal. “O teto era o céu. Sem nuvens, sem chuva. A chuva não conhecia aquelas casas sem teto. A chuva sempre demorava, atrasava, nunca chegava. A chuva perdeu o calendário das estações... perdeu o relógio. A chuva foi chover por outras bandas”. Beleza pura. Rara por estes dias.
Um teto de céu é o resultado de um encontro entre amigos. E a gente sempre oferece o melhor para quem amamos. O melhor tempo, o melhor texto, o melhor traço, o melhor tudo. Assim é o novo livro de Ninfa e André. Fotografia para o meu álbum dos melhores momentos da literatura brasileira para a infância deste começo de século.
E a turma da livraria? Ah, passei uma boa hora tomando café enquanto eles enchiam os olhos de estrelas. Que bom que ainda hajam vendedores de livros interessados em livros. Liguem sempre. Hatuna Matata!!!
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Coleção de livros do Projeto Bem-Me-Quer
No dia 28 de maio foi lançado na sede do Itaú Cultural, em São Paulo, uma coleção de livros do Projeto Bem-Me-Quer, do INDICA (Instituto dos Direitos da Criança e do Adolescente). No final de 2008 recebemos uma ligação da equipe do Indica nos convidando (o grupo FIRIMFIMFOCA) para gravar seis das nove histórias de uma coleção de livros paradidáticos que seriam lançados e distribuídos a 2.600 entidades sociais apoiadas pelo Itaú Cultural. É claro que topamos.
Por acaso estava em Sampa na ocasião do lançamento da coleção e pude reencontrar o escritor Jonas Ribeiro (na foto acima) e a editora Denyse Cantuária e Iago Sartini, além de conhecer pessoalmente a até então amiga virtual Lígia Pin (também na foto acima). Mas a vitrine da noite eram os livros. De fato. Não é cômoda para nós, Roedores de Livros, a idéia de que o livro serve para alguma coisa. E esta coleção trata da boa convivência entre as diferenças: sociais, sexuais, religiosas, raciais, etc. Mas o cuidado que o INDICA dispensou a obra fez com que eu pensasse melhor a respeito.
Um time de autores experientes como Adriana Falcão, Anna Claudia Ramos, Jonas Ribeiro, Gilles Eduar, Flávia Lins e Silva, entre outros, ao lado de ilustradores tarimbados como Ana Raquel, Jô Oliveira, Leicia Gotlibowski (ilustradora argentina que não conhecia e fiquei fã) e José Carlos Lollo, para citar alguns, deram uma pincelada de arte no produto final, muito bem acabado no belíssimo projeto gráfico de Alex Chacon. Dois livros foram ilustrados por Maurenilson, ilustrador veterano, amigo dos Roedores (mora em Brasília), e que agora estreia na literatura para crianças e jovens. Que venham outros tantos.
Diante de tantos livros, há os que saltam aos olhos. O texto de Jonas Ribeiro, As Meninas Descalças, é muito bom. Roda-Gigante de Adriana Falcão fica mais encantador em combinação com as ilustrações+recortes+colagens de Lollo. Pena não poder levá-los juntos para o áudio. Marina e Makolelê, de Gilles Eduar - como sempre - alcança o ouvido das crianças com seu texto curto e ilustrações coloridas. Como Somos de Flávia Lins e Silva mostra o quanto um escritor precisa estar atento ao seu cotidiano para pescar boas ideias na boca das crianças.
As histórias são para várias faixas de idade. Textos curtos. Textos longos. Temas clássicos - como A Cor do Ovo, de Chico Salles, sobre preconceito racial. Outros nem tanto presentes na literatura para jovens como Porque eu não consigo gostar dela?, de Anna Claudia Ramos, que trata da homossexualidade com cuidado e talento. Enfim, uma coleção e tanto. Estou certa de que a coleção faria sucesso em todas as escolas - se tratadas com a devida atenção por um professor-mediador. Como já disse antes, o Itaú Cultural, comprou a ideia, o Indica criou o produto e 2.600 instituições receberão o kit com 9 livros e um audio-livro para que - principalmente - os deficientes visuais possam desfrutar das histórias.
Por falar eu áudio-livro, Aldanei Andrade, Míriam Rocha, Simone Carneiro e Tino Freitas participaram da gravação de seis das nove histórias. É particularmente emocionante poder desfrutar delas em livro (nós recebemos só os textos) e descobrir a força que um bom ilustrador aliado a um projeto gráfico criativo podem dar a um livro. Esperamos que ao ouvir as histórias gravadas, as crianças possam viajar nas palavras e colorir sua imaginação com os personagens, com os cenários, com o que de melhor cada história pode passar.
Parabéns ao INDICA pela competência com que trataram o projeto. Roemos e indicamos. Que, no futuro, estes livros possam alcançar outros tantos leitores. Hatuna Matata.