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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Perfeição da Yoga, de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

TRECHO:
1. A Yoga Que Arjuna Rejeitou

Muitos sistemas de têm se tornado populares no mundo ocidental, especialmente neste século, só que nenhum yoga
deles ensina realmente a perfeição da No ®r… K Ša, a Suprema Personalidade de Deus, ensina yoga. Bhagavad-g…t€
diretamente a Arjuna a perfeição da Se quisermos realmente participar na perfeição do sistema de vamos yoga. yoga,
encontrar no as declarações autorizadas da Pessoa Suprema. Bhagavad-g…t€
Certamente, é notável que a perfeição da tenha sido ensinada em meio a um campo de batalha. Arjuna, o yoga
guerreiro, aprendeu-a momentos antes de tomar parte numa batalha fratricida. Por sentimentalismo, Arjuna pensava:
“Por que haveria eu de lutar contra meus próprios parentes?’’ Esta relutância em lutar devia-se à ilusão de Arjuna, de
modo que ®r… K Ša falou-lhe o só para erradicar esta ilusão. Podemos fazer idéia do pouco tempo que Bhagavad-g…t€
deve ter decorrido enquanto o foi falado. Todos os guerreiros em ambos os lados estavam enfileirados Bhagavad-g…t€
para o combate, e, desse modo, restava pouquíssimo tempo, no máximo uma hora. Neste espaço de tempo, discutiu-se
todo o e ®r… K Ša expôs a perfeição de todos os sistemas de a Seu amigo Arjuna. Ao final deste Bhagavad-g…t€ yoga
grande discurso,Arjuna pôs de lado todos os seus receios e lutou.
Contudo, durante o discurso, no qual Arjuna ouviu a explicação do sistema de da meditação - como se yoga
sentar, como manter o corpo ereto, como manter os olhos semicerrados e como olhar fixamente para a ponta do
nariz sem desviar a atenção, tudo isso requerendo prática solitária num lugar afastado - ele respondeu:

yo ‘yaˆ yogas tvay€ proktaƒ
s€myena madhus™dana
etasy€haˆ na pa y€mi
cañcalatv€t sthitiˆ sthir€m

“Ó Madhus™dhana, o sistema de yoga que acabas de resumir parece-me impraticável e insuportável, pois a mente é
inquieta e instável.’’ (Bg. 6.33) Isto é importante. Devemos sempre nos lembrar de que nos encontramos numa
situação material em que, a cada momento, nossa mente está sujeita à agitação. Na realidade, a situação em que
estamos não é muito confortável. Sempre pensamos que, mudando nossa situação, superaremos nossa agitação
mental, e sempre pensamos que, quando chegarmos a um determinado ponto, todas as agitações mentais
desaparecerão. Mas o mundo material é, por natureza, um lugar onde não se pode viver sem ansiedades. Nosso dilema
é que estamos sempre tentando solucionar nossos problemas, mas este Universo foi projetado de tal modo que essas
soluções nunca se apresentam.
Sem querer enganar, de uma forma muito franca e aberta, Arjuna diz a K Ša que não lhe é possível executar o
sistema de descrito por K Ša. É significativo que, ao dirigir-se a K Ša, Arjuna O chame de Madhus™dana, yoga
indicando que o Senhor é o matador do demônio Madhu. Note-se que Deus tem nomes inumeráveis, porque Ele é
freqüentemente designado de acordo com Suas atividades. De fato, Deus tem nomes inumeráveis porque tem
atividades inumeráveis. Somos meras partes de Deus, e nem ao menos conseguimos nos lembrar de todas as atividades
que executamos desde a infância até agora. O Deus eterno é ilimitado; e, como Suas atividades também são ilimitadas,
Ele tem nomes ilimitados, dos quais K Ša é o principal. Por que, então, Arjuna O chama de Madhus™dana, se, como
amigo de K Ša, poderia chamá-lO diretamente de K Ša? A resposta é que Arjuna considera sua mente um grande
demônio, tal como o demônio Madhu. Se fosse possível que K Ša matasse o demônio chamado mente, então Arjuna
seria capaz de atingir a perfeição da “Minha mente é bem mais forte que o demônio Madhu’’, diz Arjuna. “Por yoga.
favor, se pudesses matá-la, eu poderia executar esse sistema de .’’ Até a mente de um homem grandioso como yoga
Arjuna está sempre agitada. Como diz o próprioArjuna:

cañcalaˆ hi manaƒ k Ša
pram€thi balavad d ham
tasy€haˆ nigrahaˆ manye
v€yor iva sudu karam

”Pois a mente, ó K Ša, é inquieta, turbulenta, obstinada e muito forte, e a mim me parece que subjugá-la é mais
difícilque dominar o vento.’’(Bg. 6.34)
É realmente um fato que a mente está sempre nos sugerindo que vamos de um lugar para outro, que façamos isso,
ou aquilo - ela está sempre nos dizendo o que devemos fazer. Assim, a essência do sistema de consiste em yoga
controlar a mente inquieta. No sistema de da meditação controla-se a mente, focando-a na Superalma - nisto se yoga
resume o objetivo da . Porém, Arjuna diz que é mais difícil controlar a mente do que fazer com que o vento pare de yoga
soprar. Imagine só alguém esticando os braços, tentando parar um furacão. Devemos supor, então, que Arjuna
simplesmente não tem as qualificações necessárias de modo a poder controlar sua mente? A verdade é que não
podemos sequer começar a entender as imensas qualificações de Arjuna. Afinal de contas, ele era amigo pessoal da
Suprema Personalidade de Deus. Esta é uma posição muito elevada que não pode ser alcançada por quem não tenha
grandes qualificações. Além disso, Arjuna era conhecido como grande guerreiro e administrador. Ele era um homem
tão inteligente que, no espaço de uma hora, conseguiu compreender o ao passo que atualmente grandes Bhagavad-g…t€
intelectuais não conseguem compreendê-lo nem mesmo no transcurso de uma vida. Contudo, Arjuna estava pensando
que, para ele, controlar a mente era simplesmente impossível. Estaríamos nós na posição de supor que o que foi
impossível para Arjuna numa era mais avançada ser-nos-ia possível nesta era degradada? Não devemos pensar nem
sequer por um momento que estamos na mesma categoria de Arjuna. Somos milhares de vezes inferiores.
Além do mais, não se encontra registro de que Arjuna tenha alguma vez realizado o sistema de . Todavia, yoga
K Ša louvou Arjuna, considerando-o o único homem digno de compreender o Qual era a grande Bhagavad-g…t€.
qualificação de Arjuna? ®r… K Ša diz: “Tu és Meu devoto. És Meu amigo muito querido’’. Apesar desta qualificação,
Arjuna recusou-se a realizar o sistema de da meditação descrito por ®r… K Ša. A que conclusão, então, devemos yoga
chegar? Devemos perder a esperança de que um dia possamos controlar a mente? Não, ela pode ser controlada, sendo
que o processo para tal é a consciência de K Ša. A mente deve estar sempre fixa em K Ša. A mente que está absorta
em K Ša alcança a perfeição da yoga.
Quando consultamos o Décimo Segundo Canto do ®r…mad-Bh€gavatam, encontramos ®ukadeva Gosv€m… dizendo
a Mah€r€ja Par…k it que na Era de Ouro, a Satya-yuga , as pessoas viviam cem mil anos, e que naquela época, em que
( 1 ) ( 2 )
as entidades vivas avançadas tinham uma vida tão longa, este sistema de meditativa era possível de ser yoga
executado. Mas o que na Satya-yuga se alcançava por intermédio deste processo de meditação, e na seguinte, a yuga
Tret€-yuga, por intermédio do oferecimento de grandes sacrifícios, e na próxima a Dv€para-yuga, por yuga,
intermédio da adoração no templo, é alcançado na época atual, nesta Kali-yuga, pelo simples cantar dos nomes de
Deus, Hare K Ša. Assim, aprendemos das fontes autorizadas que este cantar de Hare K Ša, Hare K Ša, hari-k…rtana,
K Ša K Ša, Hare Hare/Hare R€ma, Hare R€ma, R€ma R€ma, Hare Hare é a corporificação da perfeição da para yoga
esta era.
Hoje em dia é muito difícil vivermos cinqüenta ou sessenta anos. Um homem pode viver no máximo oitenta ou cem
anos. Além disso, esses poucos anos são sempre cheios de ansiedade, de dificuldades devido a ocorrências de guerra,
pestilência, fome e tantos outros distúrbios. Também não somos muito inteligentes, e, ao mesmo tempo, somos
desventurados. São estas as características do homem de Kali-yuga, uma era degradada. Assim, propriamente falando,
não podemos de modo algum obter êxito neste sistema de meditativa que K Ša descreveu. Podemos no máximo yoga
satisfazer nossos caprichos pessoais mediante uma pseudo-adaptação desse sistema. Desse modo, há pessoas pagando
dinheiro para assistir a algumas aulas de exercícios de ginástica e de respiração profunda, as quais ficam felizes de
pensar que podem prolongar suas vidas por uns poucos anos ou gozar de uma vida sexual melhor. Temos que entender,
porém, que este não é o verdadeiro sistema de Nesta era não se pode realizar este sistema de meditação yoga.
convenientemente. Por outro lado, todas as perfeições desse sistema podem ser entendidas através da o bhakti-yoga,
processo sublime da consciência de K Ša, a em particular, a glorificação de ®r… K Ša por intermédio do mantra-yoga
cantar de Hare K Ša. Tal processo é recomendado nas escrituras védicas e foi apresentado por autoridades da
grandeza de Caitanya Mah€prabhu . De fato, o declara que os as grandes almas, estão Bhagavad-g…t€ mah€tm€s,
( 1 )
sempre cantando as glórias do Senhor. Quem quer ser um nos termos da literatura védica, nos termos do mah€tm€
e nos termos das grandes autoridades, deve adotar este processo da consciência de K Ša e do cantar de Bhagavad-g…t€
Hare K Ša. Mas se nos contentamos em dar um espetáculo de meditação, sentando-nos bem eretosna posição de lótus
e entrando em transe, como algum tipo de ator, então isso é outra história. Mas devemos entender que tais exibições
baratas nada têm a ver com a verdadeira perfeição da Não se pode curar a doença material com remédios yoga.
artificiais. Temos que aceitar a verdadeira cura diretamente de K Ša.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fácil Viagem a Outros Planetas, de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

TRECHO:
Pode ser que um dia a ciência materialista descubra finalmente o mundo antimaterial eterno que por tanto
tempo tem sido desconhecido para os polemistas do materialismo grosseiro. Quanto à atual concepção que os
cientistas têm de antimatéria, o Times of India (27 de outubro de 1959) publicou a seguinte notícia:

— Dois cientistas nucleares americanos receberam hoje o Prêmio Estocolmo, 26 de outubro de 1959
Nobel de Física de 1959 pela descoberta do antipróton, provando que a matéria existe emduas formas —
na forma de partículas e de antipartículas. São eles o Dr. Emillo Segre, 69 anos, italiano de nascimento, e o
Dr. Owen Chamberlain, nascido em São Francisco. Segundo uma das hipóteses fundamentais da nova
teoria, pode ser que exista um outro mundo, ou um antimundo, composto de antimatéria. Este mundo
antimaterial consistiria de partículas atômicas e subatômicas que girariam em órbitas opostas àquelas do
mundo que conhecemos. Se estes dois mundos se chocassem alguma vez, ambos seriam aniquilados
num só clarão ofuscante.

Nesta declaração, apresentam-se as seguintes proposições:
1. Existe um átomo, ou partícula, antimaterial que se compõe das antiqualidades dos átomos materiais.
2. Há um outro mundo alémdeste mundo material do qual temos apenas experiência limitada.
3. Pode ser que num determinado período os mundos antimaterial e material se choquem e um aniquile o
outro.
Destes três itens, nós, os estudantes da ciência teísta, podemos concordar plenamente com os itens números
1 e 2, mas só podemos concordar com o terceiro item dentro dos limites da limitada definição científica de
antimatéria. A dificuldade está no fato de que a idéia que os cientistas fazem de antimatéria estende-se apenas a
uma outra variedade de energia material, ao passo que a antimatéria verdadeira tem que ser antimaterial, ou
espiritual. Da forma como é constituída, a matéria está sujeita à aniquilação, porém, por sua própria natureza
(no caso de ser desprovida de todos os sintomas materiais), a antimatéria também tem que ser desprovida da
aniquilação. Se a matéria é destrutível ou separável, a antimatéria tem que ser indestrutível e inseparável.
Tentaremos discutir estas proposições segundo o ponto de vista de escrituras autênticas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vida Simples, Pensamento Elevado, de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

TRECHO:
Após alguns séculos, a Revolução Industrial deixou um legado de insatisfação, conflitos e poluição. ®r…la
Prabhup€da aqui aconselha-nos a deixarmos as fábricas, vivermos em harmonia com a Terra e tornarmos
nossas metas espirituais, e não materiais.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Civilização & Transcendência, de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

TRECHO:
Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhup€da responde a um questionário do Bhavan’s Journal,
em 28 de junho de 1976

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Raja-vidya: O Rei do Conhecimento, de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

TRECHO:
“O Senhor Supremo disse: Meu querido Arjuna, como jamais tiveste inveja de Mim, transmitir-te-ei esta
secretíssima sabedoria, conhecendo a qual aliviar-te-ás das misérias da existência material” (
9.1).
Bhagavad-g…t€
As palavras iniciais do Nono Capítulo do indicam que é a Divindade Suprema quem está
Bhagavad-g…t€
falando. Neste verso, ®r… K Ša é chamado de Bhagav€n. significa opulências e aquele que possui.
Nós imaginamos o que seja Deus, porém, recorrendo à literatura védica, encontraremos descrições e
definições categóricas do que Deus possa ser, e tudo isso pode ser resumido com uma só palavra — Bhagav€n.
Bhagav€n possui todas as opulências, a totalidade do conhecimento, da riqueza, do poder, da beleza, da fama e
da renúncia. Ao encontrarmos alguém que possui essas opulências na sua plenitude, com certeza teremos
encontrado Deus. Muitos homens são ricos, sábios, famosos, belos e poderosos, mas ninguém pode afirmar
possuir todas essas opulências. Apenas K Ša pode afirmar tal coisa.
Bhaga
v€n,
“Sabendo que Eu sou o objetivo último de todos os sacrifícios e austeridades, o Senhor Supremo de todos os
planetas e semideuses e o benfeitor e benquerente de todas as entidades vivas, os sábios libertam-se das dores
das misérias materiais” ( 5.29).
Bhagavad-g…t€
Neste verso, K Ša proclama ser o desfrutador de todas as atividadeseoproprietário de todos os planetas
Pode ser que determinado indivíduo possua uma grande extensãode terra, e talvez
(sarva-loka-mahe varam).
ele se orgulhe disso, mas K Ša afirma ser proprietário de todos os sistemas planetários. K Ša também diz ser o
amigo de todas as entidades vivas (
Quem compreende que Deus é proprietário
suh daˆ sarva-bh™t€n€m).
de tudo, o amigo de todos e o desfrutador de tudo torna-se muito pacífico. Esta é a verdadeira fórmula da paz.
Ninguém poderá ter paz enquanto pensar: “Eu sou o proprietário”. Quem pode afirmar possuir alguma coisa?
Há apenas cem anos, os índios eram considerados os proprietários dos Estados Unidos. Hoje em dia, são os
brancos que estão reivindicando tal propriedade, porém, dentro de quatrocentos ou mil anos, talvez outra raça
reivindique a mesma coisa. A terra está aí, mas nós a ocupamos e alegamos falsamente que ela nos pertence.
Esta filosofia do falso proprietário não é compatível com os preceitos védicos. O declara que
“todas as coisas animadas ou inanimadas existentes no universo estão sob o controle do Senhor e Lhe
pertencem (
®r… Ÿ opani ad
)”. Esta declaração apresenta uma verdade insofismável, porém, iludidos,
… €v€syam idaˆ sarvam
nós achamos que possuímos algo. Na realidade, tudo pertence a Deus, e por isso Ele é conhecido como o mais
rico.
É claro que muitos homens afirmam ser Deus. Na Índia, por exemplo, em qualquer época, não é difícil
encontrar pelo menos uma dúzia de pessoas afirmando ser Deus. Contudo, se lhes perguntamos se tudo lhes
pertence, elas têm dificuldade em responder-nos. Este critério nos ajuda a entender quem é Deus. Deus é o
proprietário de tudo, e, sendo assim, Ele é necessariamente mais poderoso do que qualquer outra pessoa ou
qualquer outra coisa. Quando o próprio K Ša esteve presente na Terra, ninguém conseguia vencê-lO. A
história não tem registro de alguma batalha que Ele tenha perdido. Ele pertencia a uma família de
(guerreiros), cuja função é proteger os mais fracos. Quanto à Sua opulência, Ele casou-Se com 16.108 rainhas e
cada uma delas teve seu próprio palácio. E, comose isso não bastasse, K Ša expandiu-Se 16.108 vezes a fim de
divertir-Se com todas elas. Talvez seja difícil acreditarmos nisso, mas isso encontra-se registrado no
k atriyas
®r…mad-
uma escritura reconhecida por todos os grandes sábios da Índia, os quais também reconhecem
Bh€gavatam,
que K Ša é Deus.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Caminho de Krishna, de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

TRECHO:
1. Em busca da felicidade
Todos nós estamos à procura da felicidade, mas não sabemos o que é a verdadeira felicidade. Vemos tanta
propaganda sobre a felicidade mas, na prática, vemos tão poucas pessoas felizes. Isto porque poucos sabem
que a verdadeira felicidade está além das coisas temporárias. E é esta verdadeira felicidade que o Senhor K Ša
explica para Arjuna no
Bhagavad-g…t€
De modo geral, podemos perceber a felicidade através de nossos sentidos. Uma pedra, por exemplo, não
tem sentidos e, portanto, não consegue compreender o que é felicidade ou miséria. Uma consciência
desenvolvida pode perceber a felicidade e a miséria com mais intensidade do que uma consciência que ainda
não está desenvolvida. Por exemplo, as árvores têm consciência, mas esta ainda não está desenvolvida. Elas
vivem por muito tempo, sob todos os tipos de clima, mas lhes é impossível entender o que é a miséria. Se um ser
humano tivesse que ficar como uma árvore por apenas três dias, ou até menos, ele não seria capaz de tolerar. A
conclusão é que cada ser vivo sente felicidade ou miséria de acordo com o grau de desenvolvimento de sua
consciência.
A felicidade que experimentamos neste mundo material não é verdadeira felicidade. Se pudéssemos
perguntar a uma árvore se ela está se sentindo feliz, ela talvez respondesse: “Sim, sou muito feliz,
permanecendo aqui o tempo inteiro. Gosto muito do vento, da neve, etc”. Talvez a árvore goste disto, mas
considera-se um padrão muito baixo de prazer para umser humano. Existem diferentes classes e graus de seres
vivos, e seus conceitos e percepções sobre felicidade também são de diferentes classes e graus. Talvez um
animal veja outro animal sendo abatido, ainda assim ele continuará pastando, pois ele não tem inteligência
para compreender que ele pode ser o próximo. Ele continua achando que é feliz, apesar dele poder ser morto
nomomento seguinte.
Existem diferentes graus de felicidade. E de todos, qual é o mais elevado? ®r… K Ša diz a Arjuna:
sukham €tyantikaˆ yat tad / buddhi-gr€hyam at…ndriyam
vetti yatra na caiv€yaˆ / sthita calati tattvataƒ
“Nesse estado de bem-aventurança ( ), a pessoa se situa em ilimitada felicidade espiritual e desfruta
sam€dhi
através de seus sentidos transcendentais. Nesse estado, ele nunca se afasta da verdade” ( 6.21).
Bhagavad-g…t€
quer dizer inteligência. Temos de ser inteligentes se queremos desfrutar. Os animais não têm
Buddhi
inteligência desenvolvida o bastante para poderem desfrutar a vida como os seres humanos. Todas os
membros do corpo e órgãos dos sentidos, tais como as mãos, o nariz e os olhos, podem estar presentes num
defunto, porém, ele não pode desfrutar. E por que não? A energia de desfrute, a centelha espiritual, partiu e,
portanto, o corpo não tem mais poder. Se pesquisamos melhor o assunto com um pouco de inteligência,
podemos compreender que não era o corpo que desfrutava mas sim a diminuta centelha espiritual que estava
dentro dele. Embora alguém pense que está desfrutando através de seus órgãos sensoriais, o verdadeiro
desfrutador é esta centelha espiritual. Essa centelha possui sempre a potência do prazer, mas isto não se
manifesta sempre por ela estar coberta pelo tabernáculo material. Talvez não estejamos cientes deste fato, mas
não é possível fazer o corpo experimentar o prazer sem a presença dessa centelha espiritual. Se oferecessem a
um homem o cadáver de uma bela mulher, será que ele iria aceitá-lo? Não, porque a centelha espiritual deixou
aquele corpo. Não só essa centelha desfrutava dentro do corpo, como também o mantinha. Quando tal
centelha vai-se embora, o corpo simplesmente começa a se deteriorar.
Podemos entender, então, que, se o espírito desfruta, ele deve ter seus próprios sentidos, caso contrário
como poderia desfrutar? Os confirmam que a alma espiritual, embora atômica em tamanho, é o
verdadeiro agente desfrutador. Não é possível medir a alma, mas isto não quer dizer que ela não tenha
tamanho. Pode nos parecer que certo objeto não seja maior que um simples ponto, que talvez não tenha
comprimento nem largura, mas quando o observamos em um microscópio, podemos ver o seu tamanho. Da
mesma forma, a alma tem suas dimensões, mas não conseguimos percebê-las. Um terno ou vestido são feitos
especialmente para se ajustarem ao corpo. A centelha espiritual tem de possuir forma, caso contrário, como é
que o corpo material cresce para acomodá-la? A conclusão é que a centelha espiritual não é impessoal. Ela é de
fato uma pessoa. Deus é realmente uma pessoa, e a centelha espiritual, sendo parte fragmentária dEle, também
é uma pessoa. Se o pai tem personalidade e individualidade, o filho também as tem. Assim, se o filho as tem,
Vedas
podemos concluir que o pai também deve tê-las. Portanto, como podemos nós, filhos de Deus, afirmar
nossas personalidade e individualidade e ao mesmo tempo negá-las em nosso Pai, o Senhor Supremo?
quer dizer que temos de transcender esses sentidos materiais antes que possamos apreciar a
At…ndriyam
verdadeira felicidade.
Os que aspiram pela vida
Ramante yogino ‘nante saty€nanda-cid-€tmani: yog…s
espiritual também desfrutam, concentrando-se na Superalma interior. Se não existisse prazer, se não
existisse desfrute, por que, então, eles se submeteriam a tantos problemas para controlar os sentidos? Que
espécie de prazer os saboreiam se eles têm de se submeter a tantos problemas? Esse prazer é
— ilimitado. Como é isto? A alma espiritual é eterna, e o Senhor Supremo também é eterno. Portanto, a
reciprocidade de seus intercâmbios amorosos também deve ser eterna. Quem for deveras inteligente vai se
restringir do oscilante desfrute dos sentidos deste corpo material e fixar seu objeto de prazer na vida
espiritual. Sua participação com o Senhor Supremo na vida espiritual chama-se .
yog…s
ananta
r€sa-l…l€
Sempre ouvimos falar da de K Ša com as vaqueirinhas em V nd€vana. Não é como os casos
r€sa-l…l€
amorosos comuns que acontecem entre esses corpos materiais. Ao contrário, é uma troca de sentimentos
através dos corpos espirituais. Devemos ser inteligentes o bastante para compreender isto, pois um tolo,
que não consegue compreender o que é verdadeira felicidade, vai buscá-la neste mundo material. Na Índia,
conta-se a história de um homem que não conhecia cana-de-açúcar e disseram-lhe que ela era muito doce
quando mascada. “Oh! como ela é?” perguntou ele, então. “Parece com um bambu”, respondeu alguém. O
tolo começou a mascar todos os tipos de bambu. Como poderia ele experimentar assim a doçura da cana-
de-açúcar? Da mesma forma, estamos tentando obter felicidade e prazer, mas estamos à busca disto
mascando este corpo material.
Por isso, não conseguimos nem felicidade nem prazer. No presente pode ser que possamos sentir um
pouco de prazer, mas este não é o verdadeiro prazer, pois é temporário. É como se fosse o clarão de
relâmpagos no céu que pode parecer como raio, mas o verdadeiro raio está além disto. Porque não conhece
o que é felicidade, a pessoa se afasta da verdadeira felicidade.
O processo pelo qual podemos nos estabelecer em verdadeira felicidade chama-se consciência de
K Ša. Através da consciência de K Ša podemos desenvolver pouco a pouco nossa verdadeira inteligência
e saborear a felicidade espiritual à medida que progredimos espiritualmente. À medida que começamos a
desfrutar esta felicidade espiritual, abandonamos a felicidade material. Quando avançamos na
compreensão da Verdade Absoluta, naturalmente nos desapegamos desta felicidade falsa. Qual será o
resultadoquando somos promovidos a este estado de consciência de K Ša?
yaˆ labdhv€ c€paraˆ l€bhaˆ / manyate n€dhikaˆ tataƒ
yasmin sthito na duƒkhena / guruŠ€pi vic€lyate
“Quando alcança semelhante etapa, ele pensa que não há ganho maior. Situando-se nessa posição, ele
não oscila, mesmo em meio a maior dificuldade” ( 6.22).
Bhagavad-g…t€
Todas as outras conquistas parecerão insignificantes quando se alcança essa etapa. Tentamos obter
tantas coisas neste mundo material — riquezas, mulheres, fama, beleza, conhecimento, etc. — mas assim
que nos situarmos em consciência de K Ša, concluiremos que não há nada melhor. A consciência de K Ša
é tão potente que o pouco que provarmos dela poderá nos salvar do maior dos perigos. Quando
começamos a saborear o gosto da consciência de K Ša, passamos a ver os outros supostos desfrutes e
conquistas como insípidos e monótonos. E o maior dos perigos não poderá nos assolar se nos situarmos em
firme consciência de K Ša. Existem muitos perigos na vida, pois este mundo material é um local perigoso.
Temos a tendência de fechar os olhos para isto e, porque somos tão tolos, tentamos nos acomodar a estes
perigos. Podemos ter muitos momentos perigosos na vida, mas não nos importaremos com isto, se
treinarmos nossa consciência de K Ša e prepararmo-nos para voltar ao lar, voltar ao Supremo. Nossa
atitude será então: “Perigos surgem e desaparecem — deixe que aconteçam”. Será muito difícil pensarmos
assim se estivermos na plataforma materialista e nos identificarmos com o corpo grosseiro, que é
constituído de elementos perecíveis. Porém, quanto mais avançamos em consciência de K Ša, mais nos
livramos das designações corpóreas e deste enredamento material.
O
compara este mundo material a um grande oceano. Dentro deste universo
®r…mad-Bh€gavatam
material existem milhões e bilhões de planetas flutuando no espaço, e podemos imaginar quantos oceanos
Pacíficos e Atlânticos existem. De fato, todo o universo material é comparado a um grande oceano de
miséria, um oceano de nascimentos e mortes. Para cruzarmos este grande oceano de ignorância,
precisamos de um forte barco. Este barco forte é os pés de lótus de K Ša, no qual devemos embarcar
imediatamente. Não devemos hesitar, pensando que os pés de K Ša são muito pequenos. O Universo
inteiro simplesmente repousa em Suas pernas. Diz-se que, para aquele que se refugia aos pés de K Ša, o
universo material se torna mais insignificante que a poça dágua contida na impressão da pegada de um
bezerro. Por certo que não há dificuldade em atravessar poça tão pequena.
taˆ vidy€d duƒkha-saˆyoga-viyogaˆ yoga-saˆjñitam
“De fato esta é a verdadeira liberdade de todas as misérias que surgem do contato material” (
Bhagavad-
6.23). Estamos enredados neste mundo material devido a nossos sentidos descontrolados. O processo
g…t€
da destina-se a controlar esses sentidos. Se conseguirmos controlar os sentidos, poderemos nos voltar
para a verdadeira felicidade espiritual e fazer de nossas vidas um sucesso.
yoga
“A pessoa deve praticar com determinação e fé inabaláveis. Ela deve abandonar, sem exceção,
yoga
todos os desejos materiais que surgem do falso ego e controlar assim, através da mente, todos os sentidos,
sob todos os aspectos. Com plena convicção, a pessoa deve situar-se pouco a pouco em transe por meio da
inteligência, e assim a mente deve se fixar apenas no Eu e não deve pensar em nada mais. Por onde quer que
a mente divague, devido à sua natureza oscilante, a pessoa deve retraí-la e trazê-la de volta ao controle do
Eu” ( 6.24-26).
Bhagavad-g…t€
A mente está sempre perturbada. Ora vai por este caminho, ora por aquele. Através da prática da
yoga
podemos, literalmente, trazer a mente à consciência de K Ša. A mente se diverge da consciência de K Ša
para tantos objetos materiais por ser essa a nossa prática desde tempos imemoriais, vida após vida. É devido
a este fato que talvez haja muita dificuldade no começo, quando se tenta fixar a mente em consciência de
K Ša. Porém, podemos superar todas essas dificuldades.
A mente corre de um pensamento a outro porque está agitada e não se fixa em K Ša. Por exemplo,
podemos estar fazendo qualquer coisa, porém, lembranças de eventos que aconteceram há dez, vinte, trinta
ou quarenta anos podem surgir repentinamente sem qualquer razão aparente. Estes pensamentos surgem
de nosso subconsciente, e a mente se agita pois eles estão sempre aparecendo. Se agitarmos um lago ou
poça dágua, toda a lama depositada no fundo virá à tona. De forma semelhante, ao agitarmos a mente,
inúmeros pensamentos surgirão do subconsciente, pensamentos estes que estiveram guardados lá por
muitos anos. Se não agitarmos a água de um lago, a lama ficará no fundo. Este processo de é o meio de
acalmar a mente e fazer com que todos esses pensamentos repousem. Por esta razão existem tantas regras e
regulações que devemos seguir para evitar que a mente se perturbe. Se seguirmos todas essas regras, com o
passar do tempo a mente estará sob controle. Há tantos faças e não-faças, e teremos de segui-los se formos
realmente sérios em treinar a mente. Qual será a possibilidade de controlarmos a mente se agirmos por
capricho? Por fim, quando estiver adestrada a ponto de não pensar em nada mais além de K Ša, a mente
alcançará a paz e ficará tranqüila.
yoga
pra €nta-manasaˆ hy enaˆ / yoginaˆ sukham uttamam
upaiti €nta-rajasaˆ / brahma-bh™tam akalma am
“O yog cuja mente se fixou em Mim com certeza alcança a felicidade mais elevada. Em virtude de sua

identidade com o Brahman, ele se libera. Sua mente se tranqüiliza, suas paixões se acalmam e ele se livra do
pecado” ( 6.27).
Bhagavad-g…t€
Amente está sempre inventando objetos para obter a felicidade. Estou sempre pensando que isto me fará
feliz ou que aquilo me fará feliz, que a felicidade está aqui ou que a felicidade está ali. É deste modo que a
mente nos leva para toda parte: como se estivéssemos andando de charrete puxada por um cavalo sem
rédeas. Não temos o poder de dizer aonde queremos ir e somente podemos ficar horrorizados sem obter
ajuda alguma. Porém, tão logo a mente se ocupa no processo da consciência de K Ša — especificamente
através do cantar de Hare K Ša, Hare K Ša, K Ša K Ša, Hare Hare / Hare R€ma, Hare R€ma, R€ma R€ma,
Hare Hare — os cavalos selvagens da mente pouco a pouco se submeterão ao nosso controle. Para
evitarmos que a mente, turbulenta e inquieta, nos jogue de um objeto a outro em uma busca inútil pela
felicidade neste mundo material temporário, devemos nos ocupar no serviço a K Ša a cada momento de
nossas vidas.
yuñjann evaˆ sad€tm€naˆ / yog… vigata-kalma aƒ
sukhena brahma-saˆspar am / atyantaˆ sukham a nute
“Fixando-se no Eu e livrando-se de toda a contaminação material, o alcança o nível perfectivo
yog…
supremoda felicidade, em contato com a consciência suprema” ( 6.28).
Bhagavad-g…t€
K Ša age como um protetor para quem se devota a Ele. O protetor o salva sempre que ele estiver em
dificuldades. Como se afirma no K Ša é o verdadeiro amigo de todos os seres vivos, e
temos de reviver nossa amizade com Ele. O método para revivermos essa amizadeéoprocesso da
consciência de K Ša. Acabaremos com os anseios, apaixonados e mundanos, através da prática da
consciência de K Ša. Esses anseios apaixonados nos mantêm separados de K Ša. K Ša está dentro de nós
e espera o momento de nos voltarmos a Ele. Porém, estamos tão atarefados, apaixonadamente comendo os
frutos da árvore do desejo material. Temos de parar com esta coerção apaixonada, que nos impele a
gozarmos esses frutos e devemos nos situar em nossa verdadeira identidade como Brahman — espírito
puro.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Além do Nascimento e da Morte, de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

TRECHO:
1. Nós não somos estes corpos
deh… nityam avadhyo ‘yaˆ / dehe sarvasya bh€rata
tasm€t sarv€Ši bh™t€ni / na tvaˆ ocitum arhasi
“Ó descendente de Bharata, aquele que mora no corpo é eterno e nunca é possível matá-lo. Por isso, não
precisas te lamentar por nenhuma criatura” (Bhagavad-g…t€, 2.30).
O primeiro passo na auto-realização é compreendermos que nossa identidade é algo à parte do corpo. “Eu
não sou este corpo, mas sim uma alma espiritual” é uma realização essencial para qualquer pessoa que deseje
transcender a morte e entrar no mundo espiritual que está mais além. Não é simplesmente uma questão de
dizer: “Eu não sou este corpo”, mas de realmente compreender isto. Mas, isto não é tão simples como pode
parecer à primeira vista. Embora não sejamos estes corpos, e sim consciência pura, de alguma forma ficamos
cobertos pela vestimenta corpórea. Se realmente desejamos a felicidade e a independência que transcendem à
morte, temos de nos estabelecer e permanecer em nossa posição constitucional como consciência pura.
Vivendo sob a concepção corpórea, nossa idéia de felicidade é similar à de um delirante. Alguns filósofos
afirmam que esta condição delirante da identificação com o corpo deve ser curada abstendo-se de toda a ação.
Por estas atividades materiais serem uma fonte de sofrimento para nós, eles alegam que devemos suspender
tais atividades. O auge de perfeição deles é um tipo de budista, no qual não se executa nenhuma
atividade. Buddha afirmava que este corpo existe devido a uma combinação de elementos materiais, e que se,
de alguma forma, tais elementos se separam ou se desagregam, a causa do sofrimento é eliminada. Se o
cobrador de impostos nos causa muita dificuldade porque possuímos uma casa grande, uma solução simples
para o problema é destruir a casa. No entanto, o indica que este corpo material não é tudo. Além
desta combinaçãode elementos materiais, existe o espírito, e o sintoma deste espírito é a consciência.
nirv€Ša
Bhagavad-g…t€
A consciência é algo inegável. Um corpo sem consciência é um corpo morto. Assim que a consciência é
removida do corpo, a boca não fala mais, o olho não vê mais, nem os ouvidos podem escutar. Até uma criança
pode entender isto. É um fato que a consciência é absolutamente necessária para a animação do corpo. Que é
esta consciência? Assim como o calor ou a fumaça são sintomas do fogo, da mesma forma, a consciência é o
sintoma da alma. A energia da alma, ou do eu, é produzida sob a forma de consciência. De fato, a consciência
prova que a alma está presente. Esta não é unicamente a filosofia do mas sim a conclusão de
toda a literatura védica.
Bhagavad-g…t€,
A escola impersonalista de ®a‰kar€c€rya, como também os vai Šavas que seguem a linha de sucessão
discipular que começa com o Senhor K Ša, reconhecem a existência concreta da alma, mas os filósofos
budistas não. Os budistas afirmam que em um determinado estágio a combinação de matéria produz a
consciência, mas este argumento é refutado pelo fato de que, embora possamos ter à nossa disposição todos os
elementos que constituem a matéria, não podemos produzir consciência a partir deles. É possível que todos os
elementos materiais estejam presentes nocorpo de um morto, mas não podemos recuperar a consciência desse
homem. Este corpo não é como uma máquina. Quando uma parte de uma máquina se quebra, é possível
substituí-la, e a máquina funcionará novamente; mas, quando o corpo sofre uma avaria e a consciência o
abandona, não há possibilidade de repor a parte afetada e renovar a consciência. A alma é diferente do corpo,
e, enquanto a alma se encontra dentro dele, o corpo é animado. Mas não é possível animar o corpo se a alma
está ausente.
Negamos a alma porque nossos sentidos grosseiros nos impedem de percebê-la. Na realidade, há muitas
coisas que nãopodemos ver. Não podemos ver o ar, as ondas radiofônicas ou o som, nem, com nossos sentidos
embotados, perceber as bactérias diminutas, mas isto não significa que estas coisas não existam. Com a ajuda
do microscópio e outros instrumentos, é possível perceber muitas coisas que anteriormente eram negadas
pelos sentidos imperfeitos. Não devemos concluir que a alma, cujo tamanho é atômico, não existe
simplesmente porque ela ainda não foi percebida por sentidos ou instrumentos. Entretanto, a alma pode ser
percebida através de seus sintomas e efeitos.
Bhagavad-g…t€,
No ®r… K Ša indica que todas as nossas misérias devem-se à identificação falsa com o corpo.
“Ó filho de Kunt…, o aparecimento temporário do calor e do frio, da felicidade e da aflição, e seu
desaparecimento no devido tempo, são como o aparecimento e o desaparecimento das estações de inverno e
verão: surgem da percepção sensorial, ó descendente de Bharata, e deve-se aprender a tolerá-los sem se
perturbar” (
Bhagavad-g…t€, 2.14).
No verão, podemos sentir prazer no contato com a água, mas, no inverno, evitamos tanto quanto possível
essa mesma água porque ela fica muito fria. Em ambos os casos, a água é a mesma, mas nós a percebemos como
agradável ou dolorosa devido a seu contato com o corpo. Todos os sentimentos de felicidade e aflição devem-
se ao corpo. Sob determinadas condições, o corpo e a mente sentem felicidade ou aflição. Na verdade,
ansiamos pela felicidade, pois a posição constitucional da almaéadefelicidade. A alma é parte integrante do
Ser Supremo, que é
- a personificação do conhecimento, da bem-aventurança e da
sac-cid-€nanda-vigrahaƒ
eternidade. Na verdade, o próprio nome K Ša, que não é um nome sectário, significa “o prazer maior”.
significa “o maior”, e significa “prazer”. K Ša é a essência do prazer, e nós, sendo partes integrantes dEle,
ansiamos pelo prazer. Uma gota d’água do mar tem todas as propriedades do oceano em si, e nós, embora
sejamos partículas diminutas do Todo Supremo, temos as mesmas propriedades energéticas do Supremo.
K
Ša
A alma atômica, embora tão pequena, faz com que todo o corpo aja de muitas formas maravilhosas. No
mundo, vemos muitas cidades, estradas, pontes, grandes edifícios, monumentos e grandes civilizações, mas
quem fez tudo isto? Tudo isto foi feito pela centelha espiritual diminuta que está dentro do corpo. Se coisas tão
maravilhosas assim podem ser realizadas pela centelha espiritual diminuta, não podemos sequer imaginar o
que o Supremo Espírito Total pode fazer. A centelha espiritual diminuta anseia naturalmente pelas qualidades
do Todo - conhecimento, bem-aventurança e eternidade - mas estas ânsias são frustradas devido ao corpo
material. No é dada a informaçãosobre como satisfazer o desejo da alma.
Bhagavad-g…t€
Atualmente, estamos tentando alcançar a eternidade, a bem-aventurança e o conhecimento mediante um
instrumento imperfeito. Na realidade, nosso avanço em direção a estes objetivos está sendo obstruído pelo
corpo material, e, portanto, é preciso que cheguemos à realização de nossa existência além do corpo. O
conhecimento teórico de que não somos estes corpos não é suficiente. Temos que nos manter sempre
separados do corpo como senhores dele, e não como servos. Se soubermos dirigir bem um automóvel, este nos
prestará bons serviços; do contrário, correremos perigo.
O corpo é composto de sentidos, e os sentidos estão sempre ansiosos por seus objetos. Os olhos vêem uma
pessoa bonita e nos dizem: “Olha que moça bonita, que rapaz bonito. Vamos vê-los”. Os ouvidos nos dizem:
“Olha que música incrível! Ouçamo-la”. A língua diz: “Olha! Aquele restaurante é muito bom e tem pratos
deliciosos. Vamos lá”. Dessa maneira, os sentidos estão nos arrastando de um lugar a outro, e por isso estamos
confusos.
“Assim como um barco sobre as águas é arrastado por um vento forte, mesmo um só dos sentidos que a
mente focalize pode arrastar a inteligência de um homem” (
Bhagavad-g…t€ 2.67).
É imprescindível que aprendamos a controlar os sentidos. O nome é dado a quem aprendeu a
gosv€m…
dominar os sentidos. significa “sentidos”, e significa “controlador”. Assim, aquele que controla os
sentidos é considerado um K Ša indica que aquele que se identifica com o corpo material ilusório
não pode se estabelecer em sua verdadeira identidade como alma espiritual. O prazer corpóreo é oscilante e
embriagante, e não podemos desfrutá-lo realmente devido à sua natureza momentânea. O verdadeiro prazer é
o prazer da alma, e não o do corpo. Devemos moldar nossas vidas de tal maneira que não sejamos desviados
pelo prazer corpóreo. Se nos desviamos de alguma forma, não é possível estabelecer nossa consciência em sua
verdadeira identidade além do corpo: “Nas mentes daqueles que estão excessivamente apegados ao gozo dos
sentidos e à opulência material, e que são confundidos por tais coisas, a determinação resoluta para o serviço
devocional ao Senhor Supremo não ocorre. Os tratam principalmente dos três modos da natureza
material. Eleva-te acima desses modos, ó Arjuna, e transcende-os. Liberta-te de todas as dualidades e de todas
as ansiedades por ganhos e segurança, e estabelece-te no Eu” (
Bhagavad-g…t€ 2.44-45).
Go
sv€m…
gosv€m….
Vedas
A palavra significa “livro de conhecimento”. Existem muitos livros de conhecimento que variam de
veda
acordo com o país, a população, o ambiente, etc. Na Índia, os livros de conhecimento são chamados No
Ocidente, são chamados de o Antigo e o Novo Testamentos. Os muçulmanos aceitam o Alcorão. Qual o
objetivo de todos estes livros de conhecimento? Eles são feitos para nos capacitar a entender nossa posição
como almas puras. Seu objetivo é limitar as atividades corpóreas a determinadas regras e regulações,
conhecidos como códigos morais. A Bíblia, por exemplo, tem dez mandamentos destinados a regular nossas
vidas. O corpo deve ser controlado para que possamos alcançar a perfeição mais elevada, e, sem princípios
reguladores, não podemos aperfeiçoar nossas vidas. Os princípios reguladores podem diferir de país para país,
ou de uma escritura para outra. Mas isto não importa, pois eles são feitos de acordo com tempo e circunstâncias
e de acordo com a mentalidade do povo. Mas, o princípio do controle regulador é o mesmo. Analogamente, o
governo determina certos regulamentos que devem ser obedecidos por seus cidadãos. Não há possibilidade
do governo ou civilização evoluir sem determinados regulamentos. No verso acima, ®r… K Ša diz a Arjuna que
os princípios reguladores dos destinam-se a controlar os três modos da natureza material - bondade,
paixão e ignorância (
Vedas.
Vedas
). Contudo, K Ša aconselha a Arjuna que se estabeleça em sua
traiguŠya-vi ay€ ved€ƒ
posiçãoconstitucional pura como alma espiritual, além das dualidades da natureza material.
Como já indicamos, estas dualidades - tais como calor e frio, prazer e dor - surgem devido ao contato dos
sentidos com os seus objetos. Em outras palavras, nascem da identificação com o corpo. K Ša indica que
aqueles que se dedicam ao prazer e ao poder deixam- se levar pelas palavras dos que prometem prazer
celestial por intermédio do sacrifício e da atividade regulada. Temos o direito natural de desfrutar, pois esta é a
característica da alma espiritual. Mas, a alma espiritual tenta gozar materialmente, e aí está o erro.
Vedas,
Todos estão voltados para assuntos materiais relativos ao prazer, e compilam tanto conhecimento quanto
possível. Uns se tornam químicos, físicos, políticos, artistas ou o que seja. Todos sabem um pouco de tudo e
tudo de alguma coisa, e é isto o que eles chamam geralmente de conhecimento. Mas, assim que abandonamos
o corpo, todo este conhecimento se vai. Numa vida anterior, podemos ter sido grandes sábios, mas nesta vida
temos de começar tudo de novo, indo à escola para aprender a ler e escrever desde o início. Todo o
conhecimento material adquirido numa vida anterior é esquecido. O que acontece, na realidade, é que
estamos procurando conhecimento eterno, mas este conhecimento não pode ser adquirido por intermédio
desse corpo material. Todos nós estamos buscando o prazer através desses corpos, mas o prazer corpóreo não
é o nosso prazer verdadeiro, pois é um prazer artificial. Temos de entender que, se quisermos continuar com
este prazer artificial, não seremos capazes de atingir nossa posição de prazer eterno.
O corpo deve ser considerado como uma condição doente. Um homem doente não pode se satisfazer
adequadamente. Para um homem doente de icterícia, por exemplo, o açúcar-cande tem um gosto amargo, ao
passo que um homem saudável pode saborear-lhe a doçura. O açúcar-cande é o mesmo em ambos os casos,
mas, dependendo de nossa condição, ele tem um gosto diferente. A menos que nos curemos desta concepção
doente da vida corpórea, não poderemos saborear a doçura da vida espiritual. Na verdade, ela vai parecer
amarga para nós. Ao mesmo tempo, por aumentarmos o nosso desfrute da vida material, agravamos ainda mais
a nossa doença. Um paciente de tifo não pode comer alimentos sólidos, e, se alguém lhe dá alimentos sólidos
para comer e ele os aceita, complica mais sua enfermidade e põe sua vida em perigo. Se queremos realmente
nos libertar das misérias da existência material, devemos reduzir ao mínimo os prazeres e demandas de nossos
corpos.
Na verdade, o prazer material não é prazer em absoluto. O prazer verdadeiro não tem fim. Há um verso no
-
- significando que os ( ), que estão se esforçando para se
Mah€bh€rata ramante yogino ‘nante
yog…s yogino
elevar à plataforma espiritual, estão gozando realmente ( ), mas o seu gozo é — sem fim. Isto
porque o prazer que eles sentem está relacionado com ®r… K Ša, o Supremo Desfrutador (R€ma). Bhagav€n ®r…
K Ša é o verdadeiro desfrutador, e isto está confirmado no Os sábios, conhecendo-Me como
o desfrutador último de todos os sacrifícios e austeridades, o Senhor Supremo de todos os planetas e
semideuses, o benfeitor e benquerente de todas as entidades vivas, ficam livres da aflição das misérias
materiais” (
Bhagavad-g…t€ 5.29).
ramante anante
Bhagavad-g…t€: “
significa “prazer”, e o nosso prazer vem do entendimento de nossa posição como desfrutados. O
Bhoga
Senhor Supremo é o verdadeiro desfrutador, e nós somos desfrutados por Ele. Podemos encontrar um exemplo
desta relação no mundo material entre o esposo e a esposa: o esposo é o desfrutador ( ), e a esposa é a
desfrutada ( ). A palavra significa “mulher”. ou espírito, é o sujeito, e ou natureza, é o
objeto. Contudo, tanto o esposo quanto a esposa desfrutam do prazer. No momento do prazer não há a
distinção de que o esposo desfruta mais ou de que a esposa desfruta menos. Embora o macho seja o
predominador, e a fêmea, a predominada, não há divisões no momento do prazer. Numa escala maior,
nenhuma entidade viva é o desfrutador.
puru a
prak ti pri Puru a,
prak ti,
Deus Se expande em muitas formas, e nós constituímos essas expansões. Deus é único e inigualável, mas
Ele desejou tornar-Se em muitos para desfrutar. Sabemos por experiência que praticamente não há prazer em
se sentar sozinho em um quarto e conversar com as paredes. Entretanto, se há cinco pessoas presentes, nosso
prazer aumenta, e se podemos conversar sobre K Ša diante de muitas pessoas, o prazer é maior ainda. Prazer
significa variedade. Deus multiplicou-Se para Seu prazer, e desse modo nossa posiçãoéadedesfrutados. Esta é
a nossa posição constitucional e o objetivo para o qual fomos criados. Tanto o desfrutador quanto o desfrutado
têm consciência, mas a consciência do desfrutado é subordinada à consciência do desfrutador. Apesar de K Ša
ser o desfrutador e nós, os desfrutados, todos podemos participar igualmente do prazer. Nosso prazer pode ser
aperfeiçoado quando participamos do prazer de Deus. Não é possível que desfrutemos separadamente na
plataforma corpórea. Em todo o o gozo material na plataforma corpórea grosseira é
desencorajado: “Ó filho de Kunt…, o aparecimento temporário do calor e do frio, da felicidade e da aflição, e seu
desaparecimento no devido tempo, são como o aparecimento e o desaparecimento das estações de inverno e
verão: surgem da percepção sensorial, ó descendente de Bharata, e deve-se aprender a tolerá-los sem se
perturbar” ( 2.14).
Bhagavad-g…t€,
Bhagavad-g…t€
O corpo material grosseiro é um resultado da interação dos modos da natureza material, estando fadado à
destruição.
antavanta ime deh€ / nityasyokt€ƒ ar…riŠaƒ
an€ ino ‘prameyasya / tasm€d yudhyasva bh€rata
“Só o corpo material da entidade viva indestrutível, incomensurável e eterna está sujeito à destruição; por
isso, luta, ó descendente de Bharata” (
Bhagavad-g…t€ 2.18).
Portanto, ®r… K Ša nos anima a transcender a concepção de existência corpórea e chegar à nossa verdadeira
vida espiritual.
guŠ€n et€n at…tya tr…n / deh… deha-samudbhav€n
janma-m tyu-jar€-duƒkhair / vimukto ‘m tam a nute
“Quando o ser corporificado é capaz de transcender estes três modos (bondade, paixão e ignorância), ele
pode libertar-se do nascimento, da morte, da velhice e de suas aflições, podendo desfrutar o néctar, mesmo
nesta vida” (
Bhagavad-g…t€ 14.20).
Para nos estabelecermos na plataforma espiritual brahma-bh™ta pura, acima dos três modos, devemos
adotar o método da consciência de K Ša. A dádiva do Senhor Caitanya Mah€prabhu, o cantar dos nomes de
K Ša - Hare K Ša, Hare K Ša, K Ša K Ša, Hare Hare/ Hare R€ma, Hare R€ma, R€ma R€ma, Hare Hare -,
facilita este processo. Este método é chamado ou e é empregado pelos mais
elevados transcendentalistas. A forma como os transcendentalistas compreendem sua identidade além do
nascimento e da morte, além do corpo material, e a forma como eles se transferem do Universo material para os
universos espirituais, são os temas dos capítulos seguintes.