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quinta-feira, 5 de março de 2009

A Arte de Matar Dragões

Sinopse: A Arte de Matar Dragões não é apenas um romance de mistério sobre traficantes de arte e ajustes de contas na Espanha do pós-guerra. É também a história de um amor impossível, e um relato iniciático onde o quadro de um anónimo pintor italiano parece ocultar um segredo que se sobrepõe à razão e à história, preservando o espírito da cavalaria medieval através dos séculos num país dominado pela crueldade e pelo ódio. Pouco depois do fim da guerra civil, os serviços secretos do Alto Estado-Maior franquista recebem a missão de localizar A Arte de Matar Dragões, um quadro desaparecido durante a transferência do espólio do Museu do Prado para o estrangeiro ordenada pelos republicanos. A ordem vem do próprio Serrano Suñer, cunhado do ditador, e caberá a Arturo - um agente de passado obscuro e duvidosas convicções políticas - investigar o desconcertante périplo da obra.

Mais uma vez se prova a teoria de que ir para a leitura de um livro com demasiadas expectativas não é bom, mas desta vez no sentido contrário: é óptimo ir para um livro sem grandes expectativas e depois ser agradavelmente surpreendido. Desta vez, foi o que me aconteceu. A Cristina não tinha gostado por aí além do livro anterior deste escritor espanhol e por isso confesso que não esperava apreciar tanto esta leitura como apreciei.

"A Arte de Matar Dragões" é, essencialmente, um policial com alguns elementos de romance histórico e dilemas existenciais, a que se junta o fascínio por um quadro que é a constante e o mistério de toda a história. Arturo é um agente da ditadura espanhola, após o final da Guerra Civil de Espanha, e é destacado para descobrir o misterioso desaparecimento do quadro A Arte de Matar Dragões, decorrido aquando da sua transferência para o estrangeiro, a fim de ser protegido das consequências da guerra.

Todo o mistério à volta do quadro, entrelaçado com sua influência hipnotizante no desenrolar da história, é conseguido de uma forma excelente. O leitor consegue, de facto, sentir-se intrigado e curioso acerca da obra. Enquanto a personagem principal, Arturo, tenta descobrir o destino da obra, os acontecimentos desenrolam-se de tal forma que o mistério se adensa cada vez mais.

Gostei do retrato que o autor faz da Espanha da época e acho que, para além do interesse da história, a forma como ela está escrita é cativante e veracidade que emprega a todas as suas personagens a torna palpável. O final traz-nos um twist completamente inesperado e supreendente, que só contribuiu para ter gostado ainda mais do livro.

Uma leitura recomendada!

8/10 - Muito Bom

[Livro n.º 16 do meu Desafio de Leitura]

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Tempo dos Imperadores Estranhos

"Mira que te mira Dios..." - Foi essencialmente esta expressão que me cativou, mas a sinopse comprovava que O Tempo dos Imperadores Estranhos tinha tudo para ser um excelente livro. Lá está, tinha, porque, na verdade, as expectativas ficaram muito, muito aquém. Acabar esta obra foi mais penoso do que satisfatório e nunca é bom quando isso acontece. Ainda assim, orgulho-me por ter resistido, por ter superado todas as adversidades que o autor me colocou, por conseguir saber o final sem ter ido espreitar... Nunca a palavra "FIM" me pareceu tão bonita.
A acção deste livro tem como pano de fundo a II Guerra Mundial, um dos temas históricos mais interessantes. No centro de uma Divisão espanhola, aquartelada na fria Rússia, acontece um brutal assassinato. O morto está enterrado no meio de um lago e tem inscrita no seu corpo a expressão "Mira que te mira Dios...". Este é o ponto de partida da nossa história e é o motor para todos os outros acontecimentos. O desvendar do crime cabe a um dos soldados espanhóis que, enquanto trata das várias diligências, se debate com os entraves colocados pelas chefias hierárquicas e pelos seus próprios medos e auto-conhecimento.
A base da história até é interessante, mas o facto é que o autor, na tentativa de dar um enquadramento histórico lato, se perde em pormenores que nos dispersam a atenção. A relação Espanha-Alemanha na II Guerra Mundial é misturada com a situação nacional espanhola (maçonaria versus apoiantes de Franco) e, a certa altura, acabamos por nos perder. Para além disso, as constantes notas de rodapé - com mais explicações - faz com que percamos o fio à meada. Pessoalmente, e, apesar de ter aprendido novos dados, creio que muitas das notas poderiam ter sido evitadas. Um livro também serve para instigar o leitor a descobrir coisas novas, por si.
O Tempo dos Imperadores Estranhos não é só um livro sobre uma investigação. É, igualmente, um desvendar da história pessoal do investigador - o que o fez alistar-se, o porquê das suas reacções impensadas, a razão de ter sido escolhido para descobrir os criminosos. E, mais uma vez, neste aspecto, o autor não tem um caminho delineado que favoreça a leitura/compreensão.
Como pontos positivos, saliento as descrições de Ignacio del Valle, que muito apreciei. A exploração do ambiente bélico, das paisagens inóspitas da fria Rússia, a actuação fria das SS. No geral, contudo, soube-me a pouco...

3/10