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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

História das Lendas, de Jean-Pierre Bayard

TRECHO:
INTRODUÇÃO

A evolução constante da humanidade para
um fim inatingível influi sobre a vida do
indivíduo; as artes, expressão natural do homem ,
constantem ente modificada, seguem um a curva
que pretendem os ser ascendente.
Foi dito que tudo o que era estático, imóvel,
era atrasado; a evolução só deve ser dinâm ica.
Contudo, o estudo da evolução nos confunde
dada a som a de m istérios que surgem a todo
m om ento.
Parece paradoxal que hom ens, em épocas em
que a ciência era m enos adiantada do que a
nossa, tenham descoberto leis que apenas
encontram os. Contudo, as características das
grandes pirâm ides nos provam , de m aneira
irrefutável, que os egípcios conheciam os
segredos de fórm ulas que ainda não descobrim os
inteiram ente. Nossos rigorosos cálculos científicos
eram , sem dúvida, substituídos por outra ciência
tão precisa quanto a nossa.
Esta evolução ascendente torna-se, desta
form a, m enos positiva; crem os apenas que as
questões form uladas o eram de m aneira diferente;
é um a transform ação de energias. O m ar, com
seu fluxo e refluxo, pode, em certos m om entos,
fazer crer que evolui; contudo, perm anece com o é,
não enche sem vazante. Nossa lei de
transform ação torna-se então um a constante e a
contribuição de nossa atividade científica cuja
utilidade não é certa — é anulada pela nossa falta
de raciocínio. Num a civilização m ecanizada o
espírito acha-se cada vez m ais deslocado
Se nossos conhecim entos se m odificaram , a
inteligência continua a ser um bem im utável; não
se pode dizer que Einstein seja m ais inteligente
do que Pascal, m as apenas que Einstein resolveu,
em seu tem po, outros problem as. Einstein — ou
qualquer outro sábio — descobriu apenas o que
outros já haviam vislum brado, e quando diz que o
m undo está fechado, repete apenas o que o
Evangelho de São João Batista já nos ensinou.
A evolução do hom em continua pois a ser
um a m iragem e os grandes iniciados revelam ,
sim bolicam ente, algum as verdades cuja
veracidade controlam os com dificuldade. O
estudo de problem as hum anos, de raças, de
folclore; nos leva a crer que o hom em ,
anteriorm ente, tenha sido um iniciado m as que
seus conhecim entos se perderam . Algum as tribos
da África equatorial conservaram virtudes e
sentidos que já não tem os. Nossas sensações se
evaporaram . É assim que um ensinam ento geral
em ana dos contos e que toda essa poesia
anônim a, feita de graça e frescor, reflete a m esm a
preocupação.
Acontece que essa literatura coletiva, criada
pelo produto inconsciente da im aginação, pela
m assa, pretendia ser um testem unho, um a prova.
Não é absurdo pensar que os contos, antes
divulgados oralm ente e depois, por escrito,
provavam , apoiavam teses, argum entavam em
seu favor. Sob a form a de um divertim ento, a
fábula educava.
A m oral dessas fábulas é agradável,
engraçada; distrai pois não aborrece aquele a
quem se dirige.
O estudo do folclore m undial — que reflete a
atividade, o pensam ento de um a época e de um
povo — é pois o estudo da hum anidade. Essas
obras esclarecem períodos obscuros e suas
deform ações são instrutivas, pois nada m ais são
do que a evocação de m ores locais, de concepções
particulares e hum anas. A lenda, m ais verdadeira
do que a história, é um precioso docum ento: ela
exara a vida do povo, com unica-lhe um ardor de
sentim entos que nos com ove m ais do que a
rigidez cronológica de fatos consignados; desta
form a, o rom ance é a sobrevivência das lendas.
Im aginam os um a literatura científica na qual os
“robots” escrevem poem as; m as esses engenhos
m ecânicos nunca poderão transm itir em oções
iguais às contidas nos poem as de Villon ou de
Baudelaire, pois que as obras desses hom ens
eram feitas com sangue.
Além do m aravilhoso que envolve esses m itos
é preciso descobrir o tem a inicial que se reproduz
em países diferentes e m uito longínquos: essa
concepção nos leva a um a nova interpretação.
Esses contos m isteriosos fazem a Th. Briant
escrever (Le Goéland, n.o III) (A Gaivota): “cada
lenda podia ter um a explicação m ística no plano
de analogias e correspondências”, contudo, “as
identidades nos fogem e chapinham os no
Relativo”.
Alguns contos, assim tratados, m ostraram
aspectos de sua evolução e interpretação; é
evidente que estas sim ples páginas não esgotarão
o assunto.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ritual do pentagrama menor, de Frater Alenitnes

Este ritual foi desenvolvido pela Ordem de S.L. MacGregor Mathers , a Goldem Dawn (aurora dourada), que pôr sua vez , é praticado pelo aspirante para protegê-lo através da cruz cabalística, e promove o seu contato com o eu superior.
Ao mantrar os Nomes Divinos, deve-se sentir vibrar o corpo pôr inteiro, emitindo assim o som pelos confins do universo. Praticando o ritual para banir, ele terá o propósito de eliminar os pensamentos obsedantes e perturbadores que possam interferir nos feitos mágicos do praticante, ao invocar seu objetivo será trazer as forças dos arcanjos para a proteção do invocativo (ao "invocar" estará trazendo as forças para dentro de si, ao contrário de "evocar", pois esta prática é feita para manifestar as forças externamente).
O ritual também pode ser mentalizado, utilizando assim as práticas de concentração, para fazê-lo procure uma posição bastante cômoda ou utilize seu Asana (postura ) preferido, mentalize-se de pé e comece a executar o ritual mentalmente imaginando os pentagramas como estrelas flamejantes, e no final a imagem a ser vislumbrada é de um círculo de fogo e, a sua volta, em cada quadrante os pentagramas flamejando.


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terça-feira, 17 de junho de 2008

O Livro da Sabedoria

IMPORTANTE:

Neste, está contido a tradução do Livro da Sabedoria da Tradição Céltica Wiccana.

É importante deixar claro que ele não deriva do povo celta, e foi criado por uma das tradições da wicca. A wicca é uma religião contemporânea, tem apenas 60 anos, o povo celta, por sua vez, viveu nas antiguidades e tinha como religião, o Druidismo. Dentro da wicca contemporânea se encontram facções, grupos ou tradições, que seguem a religião com seus próprios conceitos e idéias.
Uma dessas tradições é a Tradição Céltica.

Portanto, nesta brochura, está traduzido o Livro das Sombras que contém as verdades e idéias difundidas pela Tradição Céltica. É uma tradução do livro original desta Tradição, em Galês (de Galês próximo à Grã-Betanha).

Não deve ser confundido com O Livro das Sombras que diz-se existir desde a Antigüidade, no qual estariam escritas as grandes verdades da Arte e teria sido escrito por Druidas. Este livro, na realidade, não existe, uma vez que os druidas não escreviam seus ensinamentos e leis, que eram passados oralmente à pessoas.

É importante não confundi-lo também com o Livro das Sombras pessoal, que cada bruxo possui para fazer anotações e registrar feitiços. O texto traduzido aqui se intitula, também, O Livro das Sombras, mas só possui leis aceitas e difundidas pela Tradição Céltica. Não existe, nesta brochura, nenhum feitiço ou rito correspondentes a esta Tradição, ou, qualquer de seus membros. Aqui está traduzida, unicamente, as leis difundidas por ela.


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sábado, 26 de abril de 2008

Hino a Pã, de Aleister Crowley / Mestre Therion (tradução: Fernando Pessoa)

Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!

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sábado, 1 de março de 2008

O Retorno Da Deusa, de Neide Miele

Feminino e Masculino são componentes do Ser, sejam eles hormônios ou valores. Este Ser integral, no entanto, vagarosamente, foi sendo dividido pela sociedade patriarcal, reduzindo-o apenas aos valores determinados culturalmente a um e a outro sexo. Desta forma, poder, força, ordem, dever, competitividade, razão, lógica, abstração, valores genuinamente masculinos, ficaram restritos ao homem. Os valores femininos tais como, emoção, sensibilidade, intuição, perdão, cooperação, sensualidade, fertilidade, cuidado em relação ao outro, ficaram restritos à mulher. A partir desta verdadeira “cirurgia cultural”, o feminino passou a ser indistintamente sinônimo de mulher, assim como masculino de homem. Em ambos os casos o Ser ficou restrito apenas a uma parte de seus atributos.
Esta destinação cultural dos atributos humanos só recentemente começou a ser desmistificada. Quem de nós não conhece inúmeros exemplos de mulheres extremamente competitivas, que não hesitam em usar sua força e seu poder para atingir seus objetivos, mesmo que a custa da destruição do outro, ou da outra? Da mesma forma que, quem de nós não poderia citar inúmeros exemplos de homens intuitivos, sensíveis, que pautam suas vidas pelo profundo sentimento de cooperação e pelo cuidado em relação ao outro? Também não é difícil compreender que os valores femininos e masculinos inerentes ao Ser não se referem às opções sexuais de cada um. Para ser sensível, o homem não precisa renunciar à sua masculinidade, tampouco a mulher, para fazer uso da lógica, da razão e da abstração, não precisa deixar de ser feminina. Hoje estamos descobrindo que os valores inerentes ao feminino e ao masculino guardam uma relação muito mais profunda com a postura ética de cada um, com sua visão de mundo e com seu crescimento interior do que com o sexo, preferências sexuais, ou mesmo com os gêneros. Nos mais variados mitos da criação os povos se referenciam ao masculino como sendo Ouranos, o Céu, e ao feminino como sendo Gaia, a Terra, de cuja união tudo se originou. Masculino e feminino, portanto, fazem parte do transcendente.


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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Septem Sermones Ad Mortuos - Sete exortações aos mortos / Sete Sermões aos Mortos, de Carl Gustav Jung / C.G. Jung / Carl G. Jung

O PRIMEIRO SERMÃO
Os mortos retornaram de Jerusalém, onde não encontraram o que buscavam. Eles pediram para serem admitidos à minha presença e exigiram ser por mim instruídos; assim, eu os instruí:

Ouvi: Eu começo com nada. Nada é o mesmo que plenitude. No estado de infinito, plenitude é o mesmo que vazio. O Nada é ao mesmo tempo vazio e pleno. Pode-se também afirmar alguma outra coisa a respeito do Nada, ou seja, que é branco ou negro, existente ou inexistente. Aquilo que é infinito e eterno não possui qualidades porque contém todas as qualidades.

O Nada ou plenitude é por nós chamado de o PLEROMA. Nele, pensamento e existência cessam, porque o eterno é desprovido de qualidades. Nele, não existe ninguém, porque se existisse alguém, este então se diferenciaria do Pleroma e possuiria qualidades que o distinguiriam do Pleroma.

No Pleroma não existe nada e existe tudo: não é bom pensar sobre o Pleroma, pois fazê-lo significaria dissolução.

O MUNDO CRIADO não está no Pleroma, mas em si mesmo. O Pleroma é o princípio e o fim do mundo criado. O Pleroma penetra o mundo criado como a luz solar penetra toda a atmosfera. Embora o Pleroma penetre-o por completo, o mundo criado não participa dele, da mesma forma que um corpo sumamente transparente não se torna escuro ou colorido como resultado da passagem da luz por ele. Nós mesmos, no entanto, somos o Pleroma e assim sendo, o Pleroma está presente em nós. Mesmo no ponto mais minúsculo, o Pleroma está presente sem limite algum, eterna e completamente, porque pequeno e grande são qualidades estranhas ao Pleroma. Ele é o nada onipresente, completo e infinito. Eis porque vos falo do mundo criado como uma porção do Pleroma, mas unicamente em sentido alegórico; pois o Pleroma não se divide em partes, por ser o nada. Somos também o Pleroma como um todo; visto que num aspecto figurativo o Pleroma é um ponto excessivamente pequeno, hipotético, quase inexistente em nós, sendo igualmente o firmamento ilimitado do cosmo à nossa volta. Por que então discorremos sobre o Pleroma, se ele é o todo e também o nada?
Eu vos falo como ponto de partida, e também para eliminar de vós a ilusão de que em algum lugar, dentro ou fora, existe algo absolutamente sólido e definido. Tudo o que chamam de definido e sólido não é mais do que relativo, porque somente o que está sujeito à mudança apresenta-se definido e sólido.
O mundo criado está sujeito a mudar. Trata-se da única coisa sólida e definida, uma vez que possui qualidades. Em verdade, o próprio mundo criado nada mais é que uma qualidade.
Indagamos: como se originou a criação? As criaturas de fato têm origem, mas não o mundo criado, porque este é uma qualidade do Pleroma, da mesma forma que o incriado; a morte eterna também representa uma qualidade do Pleroma. A criação é eterna e onipresente. O Pleroma possui tudo: diferenciação e indiferenciação.

Diferenciação é criação. O mundo criado é de fato diferenciação. A diferenciação é a essência do mundo criado e, por essa razão, o que é criado gera também mais diferenciação. Eis porque o próprio homem é um divisor, porquanto sua essência é também diferenciação. Eis por que ele distingue as qualidades do Pleroma, qualidades essas que não existem. Essas divisões, o homem extrai de seu próprio ser. Eis por que o homem discorre sobre as qualidades do Pleroma, que são inexistentes

Vós me dizeis: Que benefício existe então em falar sobre o assunto, uma vez que se afirmou ser inútil pensar sobre o Pleroma?
Eu vos digo essas coisas para libertar-vos da ilusão de que é possível pensar sobre o Pleroma. Quando falamos de divisões do Pleroma, falamos da posição de nossas próprias divisões, falamos de nosso próprio estado diferenciado; mas embora procedamos desta forma, na realidade nada dissemos sobre o Pleroma. No entanto, é necessário falarmos de nossa própria diferenciação. Eis por que devemos distinguir qualidades individuais.

Dizeis: Que mal não decorre do discriminar, pois nesse caso transcendemos os limites de nosso próprio ser; estendemo-nos além do mundo criado e mergulhamos no estado indiferenciado, outra qualidade do Pleroma. Submergimos no próprio Pleroma e deixamos de ser seres criados. Assim, tornamo-nos sujeitos à dissolução e ao nada.

Essa é a verdadeira morte do ser criado. Morremos na medida em que não somos capazes de discriminar. Por essa razão, o impulso natural do ser criado volta-se para a diferenciação e para a luta contra o antigo e pernicioso estado de igualdade. A tendência natural chama-se Princípio de Individuação. Esse princípio constitui de fato a essência de todo ser criado. A partir de tudo isso, podeis prontamente reconhecer por que o princípio indiferenciado e a falta de discriminação representam um grande perigo para os seres criados. Eis por que devemos ser capazes de distinguir as qualidades do Pleroma. Suas qualidades são os PARES DE OPOSTOS, tais como:

o eficaz e o ineficaz
plenitude e o vazio
o vivo e o morto
diferença e igualdade
luz e treva
quente e frio
energia e matéria
tempo e espaço
bem e mal
beleza e fealdade
o um e os muitos

e assim por diante.
Os pares de opostos são as qualidades do Pleroma: também são na verdade inexistentes, porque se anulam mutuamente.

Como nós mesmos somos o Pleroma, também possuímos essas qualidades presentes em nós. Visto que a essência do nosso ser é a diferenciação, possuímos essas qualidades em nome e sob o sinal da diferenciação, o que significa:

Primeiro: que em nós as qualidades estão diferenciadas, separadas, umas das outras e, dessa forma, não se anulam mutuamente; ao contrário, encontram-se em atividade. Eis por que somos vítimas dos pares de opostos. Porque em nós o Pleroma divide-se em dois.

Segundo: as qualidades pertencem ao Pleroma, e nós podemos e devemos partilhá-las somente em nome e sob o sinal da diferenciação. Devemos nos separar dessas qualidades. No Pleroma, elas se anulam mutuamente; em nós não. Porém, se soubermos percebermo-nos como seres à parte dos pares de opostos, obteremos a salvação.

Quando lutamos pelo bom e pelo belo, esquecemo-nos de nosso ser essencial, que é a diferenciação, e nos tornamos vítimas das qualidades do Pleroma, os pares de opostos. Lutamos para alcançar o bom e o belo, mas ao mesmo tempo obtemos o mau e o feio, porque no Pleroma estes são idênticos àqueles. Todavia, se permanecermos fiéis à nossa natureza, que é a diferenciação, então nos diferenciaremos do mau e do feio. Só assim não imergimos no Pleroma, ou seja, no nada e na dissolução.

Discordareis, dizendo: Afirmastes que diferenciação e igualdade constituem também qualidades do Pleroma. O que ocorre, quando lutamos pela diferenciação? Não somos no caso fiéis à nossa natureza e, portanto, devemos também ficar eventualmente em estado de igualdade , enquanto lutamos pela diferenciação?
O que não deveis esquecer jamais é que o Pleroma não tem qualidades. Somos nós que criamos essas qualidades através do intelecto. Quando lutamos pela diferenciação ou pela igualdade, ou por outras qualidades, lutamos por pensamentos que fluem para nós a partir do Pleroma, ou seja, pensamentos sobre as qualidades inexistentes do Pleroma. Enquanto perseguis essas idéias, vós vos precipitais novamente no Pleroma, chegando ao mesmo tempo à diferenciação e à igualdade. Não a vossa mente, mas o vosso ser constitui a diferenciação. Eis por que não deveríeis lutar pela diferenciação e pela discriminação como as conheceis, mas sim por VOSSO PRÓPRIO SER. Se de fato assim o fizéssemos, não teríeis necessidade de saber coisa alguma sobre o Pleroma e suas qualidades e, ainda assim, atingiríeis o vosso verdadeiro objetivo, devido à vossa natureza. No entanto, como o raciocínio aliena-vos de vossa real natureza, devo ensinar-vos o conhecimento para que possais manter vosso raciocínio sob controle.


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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Os Druídas: Sacerdotes–Xamãs dos Celtas, de Alan Impelliceri

Muitas das informações que temos sobre os druidas vieram dos gregos e romanos. Estes ficaram profundamente impressionados, de modo favorável e ao mesmo tempo desfavorável, por seu dramático sacerdócio. Seu próprio e original nome, dru–wid–es, quer dizer "os que vêem mais além", denominação que poderia aludir a visões proféticas, a uma qualidade clarividente, ou à mais antiga "visão xamânica durante o vôo".

Conta-se que o Rei Ailill, da Bretanha, enviou o seu druida Mac Roth para averiguar onde estavam se reunindo os exércitos do Ulster (Irlanda) e que Mac Roth voou sobre eles e observou seus movimentos sobre uma grande área do terreno.
Entretanto, para uma comprovação mais convencional de suas missões, devemos nos referir ao irmão de César e às notícias que deu a seus compatriotas: "Os druidas realizam culto aos seus Deuses, regulam os sacrifícios públicos e privados e editam normas sobre todas as questões religiosas. Muitos jovens vão até eles em busca de instrução. São mantidos com grande honra pelo povo e atuam como juízes praticamente em todos os conflitos, seja entre tribos ou entre indivíduos; quando se comete algum crime, ao ocorrer um assassinato ou ao surgir uma disputa por herança ou fronteira, são eles que opinam sobre o assunto e assinalam a compensação."

Crê-se que a doutrina druida surgiu na Bretanha e, a partir desta, foi introduzida na Gália. Ainda hoje, aqueles que querem fazer um estudo profundo sobre o tema geralmente vão até a Bretanha.
Os druidas estavam dispensados do serviço militar e não pagavam impostos como os outros cidadãos. Naturalmente, esses importantes privilégios eram muito atraentes; muitos se apresentavam voluntariamente para estudar esta ciência, e outros eram enviados por seus pais e familiares.

Dizem que os alunos deviam memorizar um grande número de versos, tanto que alguns levavam até vinte anos de estudos. Uma lição que lhes exigia um verdadeiro esforço de assimilação era a noção de que a alma não perece, mas que, depois da morte, passa a um outro corpo; os druidas pensavam que esse era o melhor incentivo para o valor, porque ensina o homem a não temer a morte. Mantinham longas discussões sobre os corpos celestes e seus movimentos, o tamanho do Universo e da Terra, a constituição física do mundo e o poder e as características dos deuses; os jovens eram instruídos em todas essas matérias.
O grego Diodoro Sículo considerava-os grandes filósofos no que se refere a assuntos de religião, e Plínio escreve que eles eram "adivinhos e físicos", parte de um grupo mais amplo a que denominava "magos".

Os druidas eram versados em todos os estudos e tinham o dom da profecia; eram mestres de feitiçaria e de magia e podiam produzir brumas misteriosas, mudar de aparência e fazer outros encantamentos quando fosse necessário. Também podiam impor o geis, uma espécie de tabu mágico que era, ao mesmo tempo, uma ordem e uma proibição, e não podia ser transgredido sem se incorrer em pena de morte ou em desonra.
Ward Rutherford, em seu livro Los Druidas, adverte que eles não eram sacerdotes ordinários e acredita que a pessoa que os romanos tomaram como um sacerdote seria mesmo um chefe local, que às vezes era considerado Deus–Rei–Sacerdote. Se está certo esse autor e os druidas não eram meros sacerdotes, então estamos diante de uma tradição extraordinária, que perdurou durante vários milênios, de xamãs-sacerdotes-magos, um grupo de homens que vagavam livremente sem que fossem impedidos por quaisquer limites tribais.

Possuíam conhecimentos de Ciência, Matemática, Botânica, Medicina e Astronomia; eram encarregados da nomeação dos reis (o rei velho era, com freqüência, morto ritualmente antes que fosse eleito um novo); faziam sacrifícios rituais; ensinavam oralmente uma doutrina secreta, bem como conhecimentos tradicionais, terminantemente proibidos de serem escritos. Possuíam um poder misterioso que o grego Laércio compara com os magos persas, com os caldeus da Babilônia e da Assíria e com as sementes do hinduísmo.
Rutherford assinala também que o termo "mágico", tal como era usado então, designava um possuidor de sabedoria. Os magos eram conhecidos como os "sábios", e esse aspecto do fenômeno druida é o que falta freqüentemente nas considerações modernas.

Quando Roma conquistou as Gálias, no último século antes de Cristo, o que César temeu foram os druidas e suas influências. Acreditava na possibilidade de fracasso caso esses sábios se unissem contra ele. Em conseqüência, introduziu medidas repressivas, e os druidas foram forçados a fugir para regiões remotas, como Inglaterra, Irlanda e Gales, onde não seriam incomodados.
O modo de vida celta continuou na Irlanda até o século XVI (mesclado com o cristianismo), e existem indícios de que alguns druidas conservaram sua influência ao menos até o século XVII; acredita-se ter São Patrício falado com um deles. Entretanto, por volta do século X, desapareceram para sempre.


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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A Tradição da Grande Mãe

Origem
Durante os últimos três milênios as principais religiões do mundo enfatizaram o Princípio Divino
Masculino. Apesar das diferenças conceituais e das práticas religiosas entre judaísmo, islamismo, hinduismo
e cristianismo, a Divindade Suprema e personificada por arquétipos masculinos com mitos e preceitos
patriarcais. Mesmo que existam figuras femininas que sejam honradas e celebradas elas não são
consideradas forças primordiais e criadoras, sendo relegadas a papéis e atribuições secundárias.
Apesar de, no momento, essas religiões predominarem no cenário mundial, a origem delas é
relativamente recente, enquanto que a veneração a uma Criadora chamada genericamente de “A Grande
Mãe”, remonta ao início do período paleolítica, há trinta mil anos atrás. Provas irrefutáveis deste
antiquíssimo culto são as inúmeras estatuetas em pedras, osso ou argila representando figuras femininas ou
partes do corpo da mulher relacionadas com a função geradora ou nutridora, encontradas em todo o mundo.
Consideradas pelos historiadores homens do século passado com simples “Vênus” paleo ou neolíticas,
atualmente esses objetos de culto são vistos como representações da deusa mãe, conforme demonstram os
estudos, livros e pesquisas de antropólogas, historiadoras, sociólogas e arqueólogas.
Significado
A Grande Mãe representa a totalidade da criação e a unidade da vida, pois ela existe e reside em
todos os seres e em todo o Universo. Seus múltiplos aspectos e manifestações recriam o eterno ciclo de
nascimento, crescimento, florescimento, decadência, morte e renascimento, na perpétua dança espiral das
energias da vida.
A Deusa Mãe foi a suprema divindade do planeta durante trinta milênios, reverenciada pelo seu
poder de gerar, criar, nutrir e sustentar todos os seres. Os seus atributos de fertilidade, abundância e
nutrição são vistos nas estatuetas com características zoomórficas ou antropomórficas, como deusas
pássaros ou senhora dos animais ou simplesmente mulheres grávidas, dando à luz ou amamentando.
Reverenciada e conhecida sob inúmeras manifestações e nomes, de acordo com a cultura e a época, a
Deusa era a própria Mãe Terra, a energia da vida do planeta. Por ser imanente e permanente em toda a
natureza, a Grande Mãe era venerada nas fontes, nos rios, lagos e mares, nas grutas, florestas e montanhas,
nos fenômenos da natureza, na riqueza e beleza da Terra. Os templos que lhe foram dedicados reproduziam
formas femininas ou concentravam e direcionavam as energias cósmicas e telúricas por meio dos círculos
de pedras ou nas câmaras subterrâneas.

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domingo, 21 de outubro de 2007

O Círculo Mágico

Precisamos do círculo mágico para garantir nossa proteção durante nossos rituais, pois, quando ele é aberto corretamente, nada pode nos atacar, além de que, depois de aberto, nada sai e nada entra.
Seu formato, círculo, nos mostra que nele não há começo nem fim. Ele deve ser visto, no momento de sua abertura, como uma espécie de bolha que penetra no solo e acima de sua cabeça.
A energia gerada ficará contida dentro dele e você poderá facilmente constatar a presença desta energia por causa da temperatura dentro dele.
Dentro do círculo, que é um lugar sagrado, deve ser feito as celebrações, os rituais e o trabalho mágico.


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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Guia Essencial da Bruxa Solitária, de Scott Cunningham

Eis aqui uma introdução positiva e prática à religião da Wicca. Scott Cunningham apresenta a Wicca como ela é hoje - uma religião suave e voltada à Terra, dedicada à Deusa e ao Deus. Este livro preenche a necessidade de um guia para a Wicca Solitária - uma necessidade jamais antes preenchida por outro livro.

Wicca é um livro sobre a vida e como viver mágica, espiritual e completamente em sintonia com a Natureza. É um livro sobre senso e bom senso, não apenas voltado à Magia, mas sobre religião e um dos mais delicados tópicos da atualidade: como atingir a tão necessária e integral relação com nossa Terra.

Wicca é uma introdução prática e positiva à religião da Wicca, elaborado de modo que qualquer pessoa interessada possa aprender a praticar a religião "só, em qualquer ponto do Mundo". Apresenta a Wicca de modo honesto e claro. Mostra a Wicca como uma parte vital e satisfatória da vida no século XX.

A grande maioria dos livros sobre Wicca são voltados à prática em grupo. Estórias sobre encontros de covens e dinâmicas de grupo.mágicas são encontradas em profusão em tais livros. O problema é que a maioria das pessoas que desejam aprender esta religião não compartilham tais interesses com outros. Pode ser que não conheçam outros Wiccanos num raio de trezentas milhas. Assim, ao ler outros livros, ou eles são levados a crer que não é possível ser Wiccano sozinho - ou são forçados a adaptar os rituais publicados para uso individual. Além disso, muitos livros Wiccanos foram escritos com base em pontos de vista limitados, cada autor clamando ser a sua forma particular de Wicca a única certa. Guia Essencial para a Bruxa Solitária rompe com esses padrões.

Apresenta os aspectos teóricos e práticos da Wicca de uma perspectiva individual. O capítulo sobre o Livro das Sombras das Pedras Erguidas (aqui impresso na íntegra) contém rituais solitários para os Esbats e para os Sabbats. Este livro, baseado nas quase duas décadas de prática Wiccana por parte do autor, apresenta um quadro eclético de vários aspectos desta religião. Exercícios criados para desenvolver a proficiência em magia, um ritual de autodedicação, magia de ervas, rúnica e de cristais, e receitas para os festivais dos Sabbats foram incluídos neste livro excelente.

Sobre a Série I.Lewellyn de Magia Prática
Para algumas pessoas, a idéia de que a "magia" seja uma coisa prática é surpreendente. Não deveria ser. A Magia se baseia inteiramente na capacidade de exercer influência sobre nosso meio. Enquanto a magia é, altamente, voltada ao crescimento espiritual e à transformação psicológica, até mesmo a vida espiritual deve estar firmemente baseada em alicerces materiais..Os mundos material e psíquico estão entrelaçados, e é exatamente este fato que estabelece o Elo Mágico: o psíquico pode tão facilmente influenciar o material quanto vice-versa.

A magia pode, e deveria, ser utilizada em nossa rotina para obtermos uma vida melhor! Cada um de nós recebeu Mente e Corpo, e certamente temos uma obrigação Espiritual de usar completamente esses maravilhosos dons. Mente e Corpo atuam em conjunto, e a Magia é apenas a extensão dessa interação em dimensões que ultrapassam os limites normalmente concebidos. Eis o porquê de associarmos o "sobrenatural" aos domínios da Magia.

O Corpo é vivo, e toda Vida é uma expressão do Divino. Há Poder Divino no Corpo e na Terra, assim como na Mente e no Espírito. Com Amor e Desejo, utilizamos a Mente para conectar esses aspectos do Divino e assim trazer mudanças. Com a Magia aumentamos o fluxo do Divino em nossas vidas e no mundo à nossa volta. Nós somamos à beleza de tudo – pois para trabalhar a Magia precisamos estar em harmonia com as Leis da Natureza e da Psique. A Magia é o Florescer do Potencial Humano. A Magia prática está relacionada à Arte de Viver bem e em harmonia com a Natureza, com a Magia da Terra, com as coisas da Terra, as estações e os ciclos, e aquilo que fazemos com as mãos e com a Mente.

* Nota do tradutor. Esta obra contém repetidas vezes o termo
"Wicca", designando a antiga religião celta. Tal termo, de origem
obscura, como o próprio autor atesta em sua Nota lingüística, não
possui equivalente exato na língua portuguesa. Uma vez que
"paganismo" possui um sentido muito amplo, assim como "bruxaria"
(sem contar a possível conotação negativa a eles imputada), optei
por manter a terminologia original, a exemplo da língua inglesa
(segundo alguns estudos lingüísticos, a palavra "Wicca" tem origem
no idioma galês), fazendo uma concessão apenas ao derivado
"wiccan", indicando um praticante da Wicca ou assuntos a ela
correlatos, aqui adaptado como "wiccano". Não se trata, no entanto,
de um excesso de liberdade deste tradutor, já que essa expressão
é amplamente utilizada pelos praticantes e estudiosos de tal
religião no Brasil - entre os quais orgulhosamente me incluo.
· Nota lingüística: Existe atualmente muita controvérsia acerca do
significado exato (e original) da palavra "Wicca". Não é meu desejo
ingressar ou acrescentar novas questões a tais discussões, mas não
creio que possa utilizar o termo sem defini-lo. Assim, "Wicca" será
utilizada neste livro para descrever tanto a religião em si (uma
ampla religião Pagã baseada na reverência às forças criativas da
Natureza, normalmente simbolizadas por uma deusa e por um deus),
como também seus praticantes de ambos os sexos. O termo
"warlock" feiticeiro, Bruxo, Mago, apesar de eventualmente
utilizado para descrever os praticantes do sexo masculino, é
virtualmente evitado pelos próprios Wiccanos; portanto, não o
utilizo aqui. Apesar de alguns usarem "Wicca" e "Witch" (Bruxa,
feiticeira, ídem - 1969, n. do T.) quase como sinônimos, prefiro a
mais antiga e menos embaraçosa palavra Wicca, e deste modo uso-a
quase com exclusividade.

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terça-feira, 11 de setembro de 2007

A bíblia das bruxas, de Janet e Stewart Farrar

Iniciação do Primeiro Grau
Formalmente a iniciação de primeiro grau torna-a uma bruxa(o) comum. Mas é claro que é
um pouco mais complicado que isso.
Como todos os bruxos experientes, existem algumas pessoas que são bruxas (ou bruxos) de
nascimento muitas vezes podem tê-lo sido desde uma encarnação passada. Uma boa Sumo-
Sacerdotisa ou Sumo-Sacerdote costuma detectá-las. Iniciar um destes bruxos não é "fazer
uma bruxa"; é muito mais um gesto bidirecional de identificação e reconhecimento e claro,
um Ritual de boas-vindas de uma mais-valia de peso ao Coventículo.
No outro extremo, existem os que são mais lentos ou menos aptos muitas vezes boas
pessoas, sinceras e trabalhadoras que o iniciador sabe que têm um longo caminho a
percorrer, e provavelmente muitos obstáculos e condições adversas a ultrapassar, antes de
se poderem chamar verdadeiros bruxos. Mas mesmo para estes, a Iniciação não é um mero
formalismo, se o iniciador conhecer a sua Arte. Pode dar-lhes uma sensação de integração,
um sentimento que um importante marco foi ultrapassado; e apenas por lhes atribuir a
qualidade de candidato, (apesar de não parecer terem qualquer dom), o direito de se autodenominarem
bruxos, encoraja-os a trabalhar arduamente para merecerem esta qualidade.
E alguns menos aptos podem tomá-lo de surpresa com uma aceleração súbita no seu
desenvolvimento após a iniciação; então saberão que a iniciação resultou.
No meio, encontra-se a maioria; os candidatos de potencial médio e forte capacidade de
evolução que, se apercebem de uma forma mais ou menos clara que a Wicca é o caminho
que têm procurado e porquê, mas que ainda estão no início da exploração das suas
capacidades. Para estes, uma Iniciação bem conduzida pode ser uma experiência poderosa
e incentivante, um genuíno salto dialéctico no seu desenvolvimento psíquico e emocional.
Um bom iniciador tudo fará para que isso aconteça.
Na verdade, o iniciador não está sozinho na sua tarefa (e não nos estamos apenas a referir
ao apoio de algum companheiro ou dos outros membros do Coventículo). Uma Iniciação é
um Ritual Mágico, que evoca poderes e deve ser conduzido com a confiança plena que
esses poderes invocados se irão manifestar.
Toda a iniciação, em qualquer religião genuína, é uma morte e renascimento simbólicos,
suportados de forma consciente. No Ritual Wicca este processo é simbolizado pela venda e
amarração, o desafio, a provação aceite, a remoção final da venda e das amarras é a
consagração de uma nova vida. O iniciador deve manter este objectivo claro na sua mente
e concentrar-se nele, e o Ritual em si deve provocar a mesma sensação na mente do
candidato.
Em séculos mais remotos a imagem de morte e ressurreição era sem dúvida ainda mais
notória e explícita e provavelmente desenrolava-se ainda com muito menos palavras. A
famosa bruxa de Sheffield, Patricia Crowther, refere até que ponto ela teve esta experiência
durante a sua Iniciação por Gerald Gardner. O Ritual era Gardneriano normal, basicamente
da mesma forma que o descrevemos nesta secção, mas antes do Juramento, Gardner
ajoelhou-se ao seu lado e meditou durante um bocado. Patricia enquanto esperava entrou
subitamente em transe (que veio a descobrir mais tarde ter durado 40 minutos) ao que
parece recordou uma reencarnação passada. Ela viu-se a ser transportada por um grupo de
mulheres nuas numa procissão de archotes que se dirigia para uma caverna. Elas saíram,
deixando-a aterrorizada no meio da escuridão absoluta. Gradualmente conquistou o seu
medo, acalmou e no devido tempo as mulheres voltaram. Ficaram em linha com as pernas
abertas e ordenaram-lhe que passasse, amarrada como estava, através de um túnel de
pernas que se assemelhavam a uma vagina, enquanto que as mulheres uivavam e gritavam
como se tivessem a ter um filho. Enquanto ela passava, foi puxada pelos pés e as amarras
foram cortadas. A líder encarando-a "ofereceu-me os seus seios, simbolizando que me iria
proteger como ela o faria aos seus próprios filhos. O corte das amarras simbolizava o corte
do cordão umbilical". Ela teve que beijar os seios que lhe foram oferecidos, tendo sido
depois salpicada com água ao mesmo tempo que lhe diziam que tinha renascido no
sacerdócio dos Mistérios da Lua.
Gardner comentou, quando ela voltou à consciência: "durante muito tempo eu tive a idéia
que se costumava fazer algo como aquilo que tinhas descrito e agora sei que não estava
longe da verdade. Deve ter acontecido há séculos atrás, muito antes dos rituais verbais
terem sido adaptados pela Arte."
A morte e o renascimento com todos os seus terrores e promessas, dificilmente poderia ser
muito dramatizado; e temos a sensação que a recordação de Patricia era genuína. Ela
obviamente é uma bruxa nata de há muito tempo atrás.
Mas vamos retornar ao Ritual Gardneriano. Para este efeito não tínhamos apenas três
textos mas quatro; somados aos textos A, B e C (ver pág. 3?) existe a obra de Gardner
denominada High Magic's Aid. Esta obra foi publicada em 1941, antes da cessação da lei
Witchcraft Acts na Inglaterra e, antes dos seus livros Witchcraft Today (1954) e The
Meaning of Witchcraft (1959). Neste, Gardner revelou pela primeira vez em ficção algum
do material que tinha aprendido com o seu Coventículo. No Capítulo XVII a bruxa Morven
faz o herói Jan atravessar a sua iniciação do 1º Grau e o Ritual é descrito em detalhe.
Pensamos que essa descrição foi muito útil para a clarificação de um ou dois pontos
obscuros, por exemplo, a ordem de "os pés nem estarem amarrados nem livres", que
conhecíamos da nossa própria Iniciação Alexandrina, mas suspeitávamos estar deslocada.
(5).
O Ritual de 1º Grau, provavelmente foi alterado pelo menos à data em que o Livro das
Sombras, atingiu a fase do texto C. Isto acontece porque de entre o material incompleto na
posse do Coventículo de New Forest teria sido naturalmente a parte que sobreviveu mais
completa na sua forma original. Gerald Gardner não teria necessidade de preencher as
falhas com material Crowleiano ou outro material não wiccano e desta forma Doreen
Valiente não teve que sugerir o tipo de transcrição que era necessário "por exemplo para o
da energia exortação".
Na prática wiccana, um homem é sempre iniciado por uma mulher e uma mulher por um
homem. E apenas uma bruxa de 2º ou 3º Grau pode conduzir uma Iniciação. Existe uma
exceção especial a cada destas regras.
A primeira exceção, uma mulher pode iniciar a sua filha ou um homem o seu filho,
"porque são parte deles". Alex Sanders ensinou-nos que isto poderia ser feito numa
emergência, mas o Livro das Sombras de Gardner não apresenta esta restrição.
A outra exceção, refere-se a única situação em que uma bruxa(o) de 1º Grau (e uma
totalmente nova), pode iniciar outra. A Wicca põe grande ênfase na parceria de trabalho
homem/mulher e muitos Coventículos ficam deliciados quando um casal avança para a
Iniciação juntos. Um método muito agradável de levar a cabo uma dupla Iniciação como
esta, é exemplificado pelo caso de Patrícia e Arnold Crowther (que na altura ainda eram
casados) por Gerald Gardner.
Gardner, começou por Iniciar Patrícia enquanto Arnold esperava fora do quarto, então ele
pôs o Livro das Sombras nas mãos dela incitando-a enquanto ela própria iniciava Arnold.
"Esta é a forma que sempre foi feita", disse-lhe Gardner mas temos que admitir que esta
forma era desconhecida para nós até lermos o livro de Patrícia.
Gostamos desta fórmula; cria uma ligação especial, no sentido wiccano da palavra, entre os
dois Iniciados desde o princípio no trabalho do Coventículo. Doreen Valiente confirmounos
que esta era a prática freqüente de Gardner, e acrescenta: "De outra forma, no entanto,
mantínhamos a regra que apenas um bruxo de 2º ou 3º Grau poderia fazer uma Iniciação".
Gostávamos de mencionar aqui duas diferenças "para além dos pequenos pontos que se
notam no texto", entre o Ritual de Iniciação Alexandrino e o Gardneriano, este último
temos tomado como modelo. Não mencionamos estas diferenças com algum espírito
sectário todos os Coventículos vão e devem fazer o que sentem melhor para eles mas
apenas para registrar qual é qual e expressar as nossas próprias preferências, aquelas que
nos servem de modelo.
Primeiro, o método de trazer o Postulante para o Círculo. Na tradição Gardneriana ele é
empurrado para o Círculo, por trás; depois da declaração do Iniciador, "Eu dou-te uma
terceira para passares através desta Porta do Mistério", ele apenas acrescenta de forma
misteriosa "dá-lhe".
O livro High Magic's Aid é mais específico: "Abraçando-o por trás com o seu braço
esquerdo à volta da cintura e põe o braço direito dele à volta do seu pescoço e vira-se para
ela e diz: "Eu dou-te a terceira senha; "Um beijo". Ao dizer isso, ela empurra-o com o seu
corpo através da porta para dentro do Círculo. Uma vez lá dentro ela liberta-o, segredando:
"Esta é a forma que todos são trazidos pela primeira vez para o Círculo" (High Magic's
Aid, pág. 292).
É claro que, o pacto de pôr o braço direito do Iniciador à volta do pescoço não é possível se
os pulsos destes estiverem amarrados; e rodar a sua cabeça com a sua mão para o beijar
sobre o ombro, é quase impossível se ele for muito mais alto que ela. Esta é a razão por
que sugerimos que ela o beije antes de passar por detrás dele. É o pacto de empurrar por
trás que é a tradição essencial; por certo que o Coventículo de Gardner sempre o fez.
"Penso que a intenção original era ser uma espécie de teste", diz-nos Patrícia, "porque
alguém podia perguntar, como no High Magic's Aid, quem te trouxe para um Círculo?" a
resposta era "Eles trouxeram-me por trás".
A prática Alexandrina era segurar os ombros do iniciado à sua frente, beijá-lo e então
puxá-lo para dentro do Círculo, rodando-o em sentido dócil. Esta foi a forma como fomos
os dois Iniciados e não nos sentimos pior por isso.
Mas não vemos nenhuma razão, agora, para partir da tradição original especialmente
porque ela tem um interesse histórico inerente; por isso, viramo-nos para o método
Gardneriano.
Quando Stewart visitou o Museu das Bruxas na Ilha de Man em 1972 (à data aos cuidados
de Monique Wilson, a quem Gardner deixou a sua colecção insubstituível que ela mais
tarde de forma imperdoável vendeu à América), Monique disse-lhe que como não tinha
sido empurrado por trás para dentro do Círculo na sua Iniciação, "nenhuma verdadeira
bruxa se associaria a ele". Então ela ofereceu-se para o iniciar "da forma devida". O
Stewart agradeceu-lhe educadamente mas declinou o convite. As precauções e os
formalismos poderiam ter um fundamento válido nos tempos das perseguições; insistir no
assunto agora é mero sectarismo.
O segundo maior afastamento Alexandrino da Tradição reside no pacto de tirar as medidas.
Os Coventículos Gardnerianos retém a medida; os Alexandrinos da Tradição devolvem-nas
ao Postulante.
No Ritual Alexandrino, a medida é tirada com um fio vermelho de linho, não composto,
apenas da coroa aos calcanhares, omitindo as medidas da cabeça, peito e ancas. O Iniciador
diz: "Agora vamos tirar-te as medidas e medimos-te da coroa da tua cabeça até às solas dos
teus pés. Nos tempos antigos, quando ao tirarem a tua medida também retiravam amostras
do cabelo e unhas do teu corpo. O Coventículo guardaria então a medida e as amostras e se
tentasses sair do Coventículo trabalhariam com eles para te trazer de volta e nunca mais de
lá sairias. Mas como vieste para o nosso Círculo com duas expressões perfeitas, Amor
Perfeito e Confiança Perfeita, devolvemos-te a medida, e ordenamos-te que a uses no teu
braço esquerdo".
A medida é atada à volta do braço esquerdo do Postulante até ao fim do Ritual, depois do
qual, poderá fazer aquilo que entender com ela. A maior parte dos Iniciados destroem-nos,
outros guardam-nos como recordação, outros põe-nos em medalhões e dão-nos de
presentes aos seus companheiros de trabalho.
O simbolismo do "Amor e Confiança" no costume Alexandrino é claro, e alguns
Coventículos podem preferi-lo. Mas sentimos que há ainda mais a dizer acerca do
Coventículo guardar a medida, não como chantagem, mas como uma lembrança simbólica
da nova responsabilidade do Iniciado perante o Coventículo. De outra forma não parece
fazer sentido algum tirá-la.
Doreen diz-nos: "A idéia de devolver a medida é, na minha opinião, uma inovação de
Sanders. Na tradição de Gerald, era sempre retida pelo Iniciador. Nunca, no entanto, existia
alguma intenção que a medida fosse utilizada na forma chantagista descrita no Ritual
Alexandrino. Ao invés, se alguém quisesse sair do Coventículo, eram livres de o fazer,
desde que respeitassem da confiança dos outros membros e mantivessem os Segredos.
Afinal de contas, qual é a lógica de manter alguém no Coventículo contra a sua vontade?
As suas más vibrações só estragariam tudo. Mas nos tempos antigos a medida era usada
contra qualquer pessoa que deliberada e maliciosamente traísse os Segredos. Gerald disseme
que "a medida era então enterrada num local lamacento, com a maldição de que
apodrecesse, assim como o traidor". Lembrem-se, traição naqueles tempos era uma questão
de vida ou de morte literalmente!"
Sublinhamos de novo perspectivas das diferenças em detalhe, podem ser fortemente
mantidas, mas no final é a decisão do Coventículo que interessa quanto a uma forma
particular, ou até em encontrar uma forma própria. A validade de uma Iniciação não
depende nunca dos pormenores. Depende apenas, da sinceridade e efetividade psíquica,
espiritual do Coventículo, e da sinceridade e potencial psíquico do Iniciado. É como diz a
Deusa na Exortação: "E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter
compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e
não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado
contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo".
Dar importância demasiado aos pormenores tem sido, infelizmente, a doença de muitas
doutrinas cristãs, incluindo aquelas que tinham as suas origens na beleza; os bruxos não
devem cair na mesma armadilha. Somos tentados a dizer que as doutrinas deviam ser
escritas por poetas e não por teólogos.
Uma palavra para os nomes Cernunnos e Aradia, os nomes de Deuses usados no Livro das
Sombras de Gardner. Aradia, foi adaptada dos bruxos da Toscânia (ver o livro de Charles
G. Leland, Aradia, O Evangelho do Bruxos); sobre as suas possíveis ligações celtas, ver o
nosso livro Oito Sabbats para Bruxas, p. 84. Cernunnos (ou como lhe chama Jean Markale
no seu Mulheres Celtas, Cerunnos) é o nome dado pelos arqueólogos ao Deus Cornudo
celta, porque não obstante terem sido encontradas muitas representações deste, em todo o
lado desde o Caldeirão Gundestrop até ao monte Tara (ver fotografia 10), apenas uma
destas tem um nome inscrito um baixo relevo encontrado em 1710 na Igreja de Notre
Dame em Paris, que se encontra agora no Museu de Cluny na mesma cidade. O sufixo "-
os"sugere ter sido uma helenização de um nome celta; os druidas são conhecidos por serem
familiares com o grego e terem usado este alfabeto para as suas transacções em assuntos
vulgares, apesar neste caso as letras actuais serem romanas. Note-se também que o grego
para "corno" é (Keras). Doreen Valiente sugere (e concordamos com ela) era na verdade
Herne (como em Herne o Caçador, do Windsor Great Park). "Alguma vez ouviram o choro
de um Veado (Fallow deer) no cio?" pergunta ela. "Ouvirão sempre durante o cio outonal
do Veado na New Forest, e soa exactamente como "HERR-NN... Herr-rr-nn..." repetido
vezes sem conta. É um som emocionante e nunca o esqueceremos. Agora, das pinturas
rupestres em grutas e estátuas que encontramos dele, Cernunnos era eminentemente um
Deus-Veado. Então como é que os mortais o denominaram melhor? Certamente pelo som
que da forma mais intensa lembra um dos grandes Veados da Floresta".
Para cada um deles podemos acrescentar que o intercâmbio dos sons "h" e "k" é sugerido
pelos nomes de lugares como Abbas em Donset, local do famoso Gigante de Hillside.
Existe um número razoável de lugares denominados Herne Hill em Inglaterra, bem como
duas Herne Villages, uma Herne Bay, uma Herne Drove, uma Hernebridge, uma Herne
Armour, uma Herne Pound, e por aí fora. Herne Hill é algumas vezes explicado como
significando "Monte da Garça" mas, como Doreen explica, as garças procriam junto aos
rios e lagos e não em montes; "parece mais provável para mim que Herne Hill era sagrado
para o Velho Deus".
No Livro Alexandrino das Sombras, o nome é "Karnayna" mas esta forma não surge em
mais nenhum local, que quer eu quer a Doreen tenhamos visto. Ela pensa que "é
provavelmente não concerteza uma confusão auditiva com Cernunnos. O nome actual pode
ter sido omitido no livro de onde Alex copiou, e ele teve que se apoiar numa recordação
verbal de alguém". (conhecendo o Alex, diriamos "quase de certeza"!)
No texto que se segue, o Iniciador pode ser a Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote,
dependendo se o Iniciado for homem ou mulher; assim, referimo-nos ao Iniciador como
"ela" por uma questão de simplicidade, e ao "Postulante" (mais tarde "Iniciado") como
"ele" apesar de poder ser ao contrário, obviamente. O companheiro de trabalho do
Iniciador, quer seja Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote, tem certamente também
deveres a desempenhar, e é referido como o "Companheiro".

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terça-feira, 4 de setembro de 2007

A Tríplice Muralha Druídica (em “Símbolos da Ciência Sagrada”), de René Guénon

O Sr. Paul Le Cour assinalou na revista Atlantis, de julho-agosto de 1928, um curioso símbolo
traçado sobre uma pedra druídica descoberta por volta de 1800, em Suèvres (Loir-et-Cher), e que havia sido
anteriormente estudada pelo Sr. E.-C. Florance, presidente da Sociedade de História Natural. e Antropologia
de Loir-et-Cher. Este último pensa que a localidade em que foi encontrada essa pedra poderia ter sido o lugar
da reunião anual dos druidas, situado, segundo César, nos confins do país dos Carnutos2. Sua atenção foi
atraída pelo fato de que o mesmo signo encontra-se num sinete de oculista galo-romano, encontrado por volta
de 1870, em Villefranche-sur-Cher (Loir-et-Cher), e lança a idéia de que poderia representar uma tríplice
muralha sagrada. Esse símbolo, de fato, é formado por três quadrados concêntricos, ligados entre si por quatro
linhas em ângulo reto

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sábado, 1 de setembro de 2007

O Conto Do Graal, de Chrétien De Troyes

NOTA PRELIMINAR

Escassos são os dados que possuímos sobre a personalidade de Chrétien de Troyes, cuja obra literária se conservam cinco extensas novelas de atribuição segura: Erec, Cligés, Le chevaliers au lion (intitulada também Yvain), Le chevaliers de la charrete (a qual, às vezes, se dá o título de seu protagonista, Láncelot) e Le Conté du Graal. Com certa verossimilhança lhe atribui também outra novela de caráter cavalheiresco e piedoso, Guillaume d'Angleterre (da qual existe uma tradução em prosa castelhana do século XIV), uma adaptação de uma fábula ovidiana sobre o mito de Filomela. Das seis poesias líricas que os cancioneiros atribuem à Chrétien de Troyes, duas são com segurança obra de nosso escritor. Este, por outra parte, confessa, nos versos iniciais de “Cligés”, ter traduzido os “Remedia Amoris” e o “Ars Amatoria” de Ovídio; composto uma narração sobre o mito de Tántalo e Pélope (sem dúvida baseado nas Metamorfoses ovidianas); e um relato sobre "o rei Marc e Iseut la rubia", ou seja, a lenda de Tristão, todo o qual se perdeu. Tendo em conta as pessoas às quais dedica suas obras, chegamos à conclusão de que a produção de Chrétien de Troyes desenvolveu-se entre os anos 1159 e 1190.
Trata-se, pois, de um escritor da segunda metade do século XII que, como os homens de cultura de seu tempo, possui uma sólida preparação clássica, posta de manifesto não tão somente em suas versões dos tratados eróticos do Ovídio e em suas adaptações de fábulas mitológicas, mas também em bom número de detalhes retóricos e estilísticos que aparecem em sua obra. Todas as novelas de Chrétien de Troyes conservadas, estão escritas em verso: emparelhados de oito sílabas (nove, contando à castelhana) de rima consoante, forma que desde a metade daquele século tinha adotado a narrativa francesa culta, tão distinta da narrativa tradicional das gestas. Antes de Chrétien de Troyes os narradores franceses cultos, precursores e criadores do román, ou seja, da novela, empregavam os emparelhados octosilábicos em suas versões de obras clássicas (a “Tebaida” de Estado, “Eneida”, algumas fábulas tiradas de “Metamorfose” de Ovídio, etc.) e na famosa tradução da “História regum Brittanniae”, de Godofredo de Mon mouth, feita por Wace e intitulada “Román de Brut”. Esta tradução, que Chrétien de Troyes revela conhecer bem, contribuiu para colocar a moda nos ambientes cultos e aristocráticos o mundo fantástico do fabuloso “rei Artur da Bretanha e dos cavaleiros da Távola Redonda”, recolhendo velhas lendas bretãs, mas estruturando-as em uma narração que pretendia ser histórica. São de tema artúrico algumas das narrações breves que, antes ou contemporaneamente à Chrétien, tinha escrito, também em verso octosílabo, María da França e que revistam intitular-se “Lais”. Artúricas são as cinco novelas conservadas de nosso escritor, embora o “Cligés” só parcialmente, pois sua trama principal tem caráter bizantino.
“Le chevaliers de charrete”, ou “Lancelot”, é dedicado por Chrétien à sua senhora, a condessa María de Champagne, filha de Luis VII da França e de Leonor de Aquitania, esposa do conde Enrique de Champagne, que estava acostumado a residir em seu palácio de Troyes, capital do condado, e, sem dúvida, cidade em que nasceu nosso escritor. Tanto María de Champagne como sua mãe Leonor de Aquitania desempenharam um papel muito importante no florescimento da literatura chamada cortesã. Contribuíram para instaurar na França os achados e as novidades da poesia dos trovadores, de sorte, que a aventura cavalheiresca uniu-se ao sentimentalismo amoroso, união que constitui uma das características da novela do século XII. Entretanto, Chrétien de Troyes não se limitou, em suas novelas, a direta narração de uma peripécia cavalheiresca, com seus lances heróicos; seus episódios "maravilhosos e a exaltação das virtudes militares de seres extraordinários; nem adotou a aventura de um conteúdo amoroso; esboça uma hábil e acertada caracterização psicológica dos personagens principais da ação. Além de tudo isto, pretendeu dar à suas novelas o transcendente valor de uma lição moral e espiritual destinada ao aperfeiçoamento da sociedade na qual vivia, de modo principal, da aristocracia que lia suas obras. Tal propósito é decisivo e deliberado em nosso escritor, pois nos versos iniciais de “Le chevaliers de charrete” distingue, em sua obra literária, a matéria (matière), que é o assunto, ou argumento da narração, o simples relato de feitos novelescos, do sentido (sans), que deve ser a interpretação doutrinal da obra, o que chamaríamos sua tese. De uma afirmação feita no “Erec” desprende-se que a ordenação e articulação da matéria com o sentido, ou seja, a acomodação da intriga do relato à uma tese, constitui a junta (conjointure) da novela. O criar novelas de Chrétien de Troyes é, pois, algo que ambiciona ser muito mais que o simples narrar, colocando uma rica trama de aventuras a serviço de uma tendência à exaltação dos valores morais do cavaleiro.
Esta intenção superior não deve ser esquecida quando se lê “O conto do Graal” (Le Conté du Graal), pois se nos ativermos, exclusivamente, a sua matéria, em alguns trechos poderia parecer um ingênuo conto, ou uma insignificante novela de aventuras. Correríamos o perigo de valorizá-lo só em atenção a seus inegáveis méritos literários. A obra vai precedida de uma dedicatória ao conde Felipe de Flandes, ou seja, Felipe de Alsacia, quem, desde 1168, foi conde de Flandes; partiu para Ultramar como cruzado em setembro de 1190 e morreu em Acre em junho seguinte. Entre 1168 e 1191, pois, iniciou Chrétien de Troyes a redação do conto do Graal, e os intentos feitos para precisar mais a data se revelaram pouco firmes. Esta dedicatória surpreende, por seu caráter religioso; glosa nela vários versículos neo-testamentários e disserta sobre a caridade; o que dá à estas páginas introdutórias, um acusado matiz cristão que por força tem que corresponder com o profundo sentido que o autor pensa dar em sua obra.
Chrétien escolheu como protagonista de sua narração um moço em plena adolescência, forte, hábil caçador e ingênuo; vivendo em uma "erma floresta solitária" isolado do resto do mundo. Unicamente entregue à caça e sem outra relação humana a não ser sua mãe e os lavradores que cultivam suas terras, situadas em Gales. Este moço pertence à uma ilustre linhagem de cavaleiros; tanto seu pai, como seus dois irmãos maiores, foram vítimas das guerras e dos combates; devido a isso, sua mãe o criou em completa ignorância de tudo quanto acontece no mundo, principalmente da cavalaria. Todavia, a força do sangue se impõe aos planos maternos; assim que o moço, no início da novela, encontra-se com alguns cavaleiros, decide irrevogavelmente ser um deles encaminhando-se à corte do rei Artur para que lhe arme; o qual produz tal desgosto a sua mãe que cai morta ao vê-lo partir de seu lado. Desta sorte, Chrétien pode expor a seus leitores as etapas da formação cavalheiresca, que seu jovem herói percorre numa velocidade vertiginosa. Ao sair da solitária morada materna, o herói está na plenitude de suas forças físicas; é robusto e valente, condições naturais, indispensáveis, para tudo o que tenha que exercer na cavalaria. Sua chegada à corte do rei Artur provoca dois maravilhosos vaticínios, pois, tanto a donzela que jamais sorriu, quanto o bufão, prognosticam que aquele galhardo e ingênuo jovem está destinado a ser o melhor cavaleiro do mundo. A vitória do moço sobre o cavaleiro Vermelho, deve-se à primária habilidade daquele no lançamento de flechas, adquirida em suas caçadas: é um tipo de luta que se acha muito distante do sábio tecnicismo da nobre arte das armas. Por esta razão, depois desta primeira vitória, Chrétien leva seu protagonista ao castelo de Gornemant de Goort, cavaleiro amadurecido e experiente, que gosta muito das virtudes e da simpatia do jovem selvagem. Ensina-lhe lições de cavalaria, que o moço aprende com grande precisão e rapidamente, por fim, consagra-o cavaleiro. Nosso protagonista já é um cavaleiro; os episódios da defesa do castelo de Belrepeire demonstram seu acerto e sua maestria no manejo das armas; mas ali também, como corresponde a todo cavaleiro, nasce no jovem herói, seu amor pela formosa Blancheflor.
Entretanto, há nele um remorso que o tortura: a sorte de sua mãe, que viu cair desvanecida ao abandonar sua morada solitária. Não sabe ainda que morreu, embora o suspeita, isso tortura seu ânimo com a consciência do pecado. Esta situação, quer dizer, com a alma manchada por ele ter pecado, oferece-lhe a mais alta de suas aventuras: a prova do castelo do Graal, episódio culminante da novela. Convidado pelo Rico Rei Pescador, ou Rei Aleijado, o jovem cavaleiro janta na ampla e suntuosa sala quadrada do castelo. Vê desfilar ante si um singular cortejo em que figuram um pajem, que empunha uma lança de cuja ponta emana uma gota de sangue; uma formosa donzela que leva em suas mãos um Graal; e outra com um prato de prata. O herói, temendo revelar sua rusticidade, não se atreve a perguntar por que sangra a lança, nem a quem se serve com aquele Graal. A razão de seu mutismo —o esclarece depois Chrétien— é mais profunda: o fato de achar-se em pecado travou-lhe a língua. Isso constitui o fatal engano do moço, pois, se tivesse formulado aquelas duas perguntas, teria reparado uma série de males que afligiam precisamente a sua linhagem; já que, averiguaremos logo, que o Rico Rei Pescador, prostrado pela paralisia e sem a posse de suas terras, teria recuperado saúde e domínios se aquelas duas perguntas tivessem saído dos lábios do moço. Chrétien de Troyes não nos esclarece isso pontualmente — veremos que a novela ficou inacabada—, mas, não cabe dúvida de que a lança que sangra é a de Longinos, ou seja, aquela com a qual foi ferido o flanco de Jesus Cristo. O Graal, nome que se dava a certos recipientes, é um riquíssimo cálice sagrado no qual se leva diariamente uma hóstia ao Rei do Graal —pai do Rico Rei Pescador e irmão da mãe do protagonista—, o qual há anos vive exclusivamente graças ao alimento que lhe proporciona a Eucaristia. Este tipo de milagre deu-se, com freqüência, na Idade Média e, ainda hoje em dia, entusiasma aos cristãos. O prato de prata é, sem dúvida alguma, a bandeja que fica debaixo do queixo, no qual comunga para evitar que, por um acidente, a sagrada forma caia ao chão. O tema das perguntas não formuladas, conduzindo à maus danos, não é estranho no folclore; mas, em nosso caso, oferece uma surpreendente similitude com a cerimônia da Páscoa dos judeus, cujo rito não pode iniciar-se, até que o mais jovem da família, tenha feito umas ingênuas perguntas. Não é estranho que Chrétien tenha adaptado a seu episódio este rito judaico, sobretudo se tivermos em conta a importância da comunidade israelita de Troyes no século XII. A formosa donzela portadora do Graal é, com toda segurança, uma figura simbólica: a Igreja personificada, que em representações artísticas da época está acostumada achar-se à direita da cruz, recolhendo em um rico cálice o sangue do Salvador que emana da ferida produzida pela lança de Longinos. A lança empunhada pelo pajem, que desfila em nosso episódio, emana sem cessar, para significar, sem dúvida, a persistência do sacrifício do Gólgota, que redime constantemente.
Nosso herói, se dá conta de seu grande fracasso no castelo do Graal, no dia seguinte, ao encontrar na solidão do bosque sua prima, quem lhe faz ver seu engano. Então, quando por seu engano se faz responsável, o jovem herói da novela adivinha seu nome e o averigua pela primeira vez o leitor: chama-se Perceval. O nome vai unido à personalidade, enquanto nosso herói não significou nada para o mundo, viveu anonimamente; agora que, por sua culpa e por seu pecado, impediu que se realizasse um bem e não evitou o mal, sua responsabilidade lhe fez adivinhar seu nome. O episódio das gotas de sangue sobre a neve, uma das mais belas páginas da literatura francesa medieval, demonstra, por um lado, a idealização do amor de Perceval pela formosa Blancheflor, a cor rosada, de cuja face lhe rememora, ao ver a branca neve colorida pelo vermelho sangue; grandiosa metáfora investida, que tentou mais de uma vez, grandes poetas, desde Ovídio até Góngora. Por outro lado, este episódio, na economia da novela, supõe o cumprimento dos augúrios da donzela que jamais tinha sorrido e do bufão, graças ao qual, fica manifesto que Perceval, quinze dias antes era um ingênuo moço selvagem, sendo agora o melhor cavaleiro do mundo.
O “Conto do Graal” interrompe-se bruscamente, depois do verso 9234, deixando em suspense um episódio. Deve-se a interrupção, que a morte surpreendeu Chrétien de Troyes em plena redação da novela; quando a ação principal desta, distava o bastante, sem dúvida, de ter chegado a seu desenlace. Isso motivou que tema do Graal se fizesse logo, algo misterioso e vago. Os continuadores anônimos da novela, que iniciaram seu trabalho ainda no século XII, não acertaram a lhe dar um final congruente, nem digno do grande tema criado pelo escritor de Champagne. Inclusive a crítica moderna, até a mais recente, debateu-se em engenhosas e, às vezes, fantásticas lucubrações sobre o Graal e as intenções de Chrétien de Troyes, o qual morreu levando à tumba o profundo e secreto de sua novela, do mesmo modo que o marinheiro do romance castelhano do conde Arnaldos se joga ao mar sem nos dizer sua canção.
O leitor observará que a ação principal da novela, ou seja, as aventuras de Perceval, vê-se concorrida, a partir de certo momento, por outra trama muito distinta, que tem por herói Gauvain, o sobrinho do rei Artur. Esta dualidade de assunto quis explicar o caso do autor pretender contrapor o cavaleiro inexperiente, Perceval, ao cavaleiro veterano, Gauvain. Não obstante, há nas duas tramas contradições tão acusadas que não é inverossímil acreditar que Chrétien de Troyes, no momento em que lhe surpreendeu a morte, estava escrevendo duas novelas muito distintas: uma dedicada a narrar as aventuras de Perceval e outra, contar as façanhas de Gauvain; sendo que seus rascunhos foram mesclados e absurdamente fundidos por quem os arrumou, a fim de lhes dar uma forma, que hoje diríamos publicável, acreditando que pertenciam à mesma novela. Seja como for, a parte dedicada à Gauvain é de grande beleza e revela a maestria de Chrétien como narrador. Constitui um magnífico livro de cavalarias, no qual se destacam episódios tão notáveis como o da “Donzela das Mangas Pequenas”, de uma delicadeza pouco comum; o do “Castelo das Rainhas”, com seu ambiente de magia e de mistérios; e os da “Orgulhosa de Logres”, que põe à prova o cavalheirismo de Gauvain.
A presente tradução foi feita sobre o texto da edição de William Roach, Chrétien de Troyes, “Le román de Perceval”, ou “Conté du Graal”, em "Texte littéraires français", Genève-Lille, 1959 (segunda impressão). Em algumas passagens me separei de sua leitura, que é a do manuscrito “T”, para ater-me na edição crítica de Alfons Hilka, “Der Perceval Roman” (Le conte do Graal) em "Christian von Troyes sämtliche erhaltene Werke", V, Halle, 1932. Foi de grande utilidade a consulta da prosa de 1530 (editada pela Hilka em apêndice) e da tradução em prosa francesa moderna de Lucien Foulet, Chrétien de Troyes, “Perceval de Gallois”, ou o “Conté du Graal”, em "Cent romans français", Paris, 1947. Procurei ser o mais literal que permite a correção idiomática; conservei certas repetições do texto original e as freqüentes mudanças de tempos verbais. O leitor não deve esquecer que o que está lendo é tradução de um relato escrito em versos curtos de rima consoante; implicando ao autor ver-se, às vezes, obrigado à rodeios um pouco forçados que, embora no original do século XII amoldem-se a uma determinada técnica narrativa, ao converter-se em prosa moderna pode surpreender. A fim de que em todo momento se possa comparar minha versão, com o texto de Chrétien de Troyes, na parte superior das páginas indico os versos franceses que correspondem a seu conteúdo.
Martín de Riquer


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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Os Cavaleiros da Távola Redonda, de Thomas Malory

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Sir Thomas Malory (1405 — 1471) foi um novelista inglês, criador das histórias do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. As obras foram escritas em 1469 quando cumpria pena na prisão de Londres.

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