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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

333 - Pedro Sena-Lino

Título: 333

Autor: Pedro Sena-Lino

N.º de Págs.: 186

PVP: 15,9€



Sinopse:

Esta é a história de um livro e de todos os seus 333 exemplares impressos.

É a história secreta do impacto de um livro na vida de cada um dos seus leitores, e de como um rectângulo de papel pode transformar uma vida.



A minha opinião

“São os livros que te escolhem – não és tu que escolhes os livros. O livro é um mundo à procura do seu leitor.” Confesso que até à data ainda não tinha lido qualquer livro de Pedro Sena-Lino, autor que me surpreendeu pela sua escrita criativa. Baseado nas cartas de soror Mariana Alcoforado e nas suas Cartas Portuguesas, Pedro Sena-Lino conta-nos a história dos 333 exemplares de um livro de soror Flâmula da Encarnaçam que quase na sua totalidade trouxeram desgraça para quem os leu ou adquiriu. Contrariamente a Mariana Alcoforado, que não tinha qualquer vocação religiosa, Flâmula ingressou na vida religiosa por sua própria vontade, após ter sofrido um desgosto de amor. Por isso mesmo, em recolhimento, decide escrever um livro onde conta todos os seus anseios e desejos sobre o amor não vivenciou. O livro relata ainda a história de Frei Josué de Sarça Ardente, primeiro grande censor livresco português que, além de ter prendido muitos judeus que se recusaram a baptizar ou a praticar, em tudo o que fez, esteve sempre o livro de Flâmula, cujo desejo de destruição era urgente. Um livro que se lê de uma assentada. Recomendo.



Excertos

“Os livros cumprem o seu destino, e morrem dele”



“Quando um livro se abre, solicita-nos, pede-nos. Convoca-nos: não estamos apenas no voltar das páginas, ou ao segurá-lo. Abre-se porque precisa do que o leitor é e lhe dá. O livro é vivo pela vida do leitor. E, por isso, não se abre logo; revela-se, tanto quanto dois mundos se tocam ao final das suas geografias – e aí, apenas nesse lugar onde dois extremos se ligam, se cria o imaginário, a eternidade dos vivos”.



“Um livro não nos pertence: mas quem lhe deu vida une-se ao destino da história, as suas veias abrem-se para os mares da cabeça do leitor, e vive até o último leitor morrer”.








terça-feira, 9 de junho de 2009

333

Autor: Pedro Sena-Lino
Editor: Porto Editora
Páginas: 184
ISBN: 9789720042743

Sinopse
Esta é a história de um livro e de todos os seus 333 exemplares impressos.
É a história secreta do impacto de um livro na vida de cada um dos seus leitores, e de como um rectângulo de papel pode transformar uma vida.

Opinião
Pedro Sena-Lino é um poeta com vários livros publicados, e 333 é o seu primeiro romance, fazendo aquilo que eu chamaria poesia em prosa.

Acho que a maioria dos leitores gosta de ler livros sobre livros, e eu não sou excepção. Portanto, a mini-sinopse acima é, no mínimo, cativante. Esta é a história de um livro muito especial e do destino que tiveram os seus 333 exemplares. Escrito por uma freira portuguesa e impresso em Milão, o livro é uma compilação de cartas plenas de sentimento. Entre todos os exemplares, alguns perderam-se, outros nunca foram lidos e muitos tiveram um triste fim; porém, vários deles mudaram para sempre a vida de quem os leu, tornando-se difícil distinguir onde acaba a história do livro e começa a vida do leitor, tal é a ligação criada entre ambos.

E assim decorre o livro, descrevendo o destino dos livros, em histórias mais curtas ou mais longas, como pequenas peças que se vão juntando para formar o belo puzzle final, sendo a cola a bela escrita de Pedro Sena-Lino, que é uma autêntica lufada de ar fresco. Este livro é ainda, tal como o autor refere, uma homenagem às mulheres escritoras que, ao longo dos séculos, lutaram contra a discriminação a que foram votadas.

Termino com uma pequena passagem que retirei do livro e que muito me agradou:
Quando um livro se abre, solicita-nos, pede-nos. Convoca-nos: não estamos apenas no voltar das páginas, ou a segurá-lo. Implica esse gesto que o agarremos no nosso interior, que lhe demos um mundo onde exista, onde alicerce o seu. Abre-se porque precisa do que o leitor é e lhe dá. O livro é vivo pela vida do leitor. E, por isso, não se abre logo; revela-se, tanto quanto dois mundos se tocam ao final das suas geografias - e aí, apenas nesse lugar onde dois extremos se ligam, se cria o imaginário, a eternidade dos vivos.
8/10 - Muito Bom

[Livro n.º 49 do meu Desafio de Leitura]