Entre as atribuições das ordens de cavalaria, e mais em particular dos Templários, umas das mais
conhecidas, mas nem por isso em geral bem compreendidas, é a de "guardiões da Terra Santa". Seguramente,
se nos prendermos ao sentido mais exterior, encontraremos uma explicação imediata desse fato na conexão
existente entre a origem dessas ordens e as Cruzadas, pois, tanto para os cristãos, quanto para os judeus,
parece que a "Terra Santa" nada mais designa que a Palestina. No entanto, á questão torna-se mais complexa
quando se sabe que diversas organizações orientais, cujo caráter iniciático não pode ser colocado em dúvida,
como os Assacis e os Drusos, receberam também o título de "guardiões da Terra Santa". Aqui, de fato, náo
mais se trata da Palestina, mas é no entanto notável que essas organizações apresentem um grande número de
traços comuns com as ordens de cavalaria ocidentais, com as quais algumas delas chegaram historicamente a
estabelecer relações.
Cabe, assim, nos perguntarmos o que se deve entender, na realidade, por "Terra Santa", e ao que
corresponde exatamente o papel de "guardiões", que parece ligado a um determinado gênero de iniciação, que
se poderia denominar "cavaleiresco", desde que déssemos a esse termo uma extensão mais ampla do que se
entende comumente, mas que as analogias existentes entre as diferentes formas bastam para legitimá-lo.
Já demonstramos em outras partes, em particular no estudo sobre O Rei do Mundo, que a expressão
"Terra Santa" tem um certo número de sinônimos: "Terra Pura", "Terra dos Santos", "Terra dos Bemaventurados",
"Terra dos Viventes", "Terra da Imortalidade", e que essas designações equivalentes são
encontradas nas tradições de todos os povos. Essencialmente, elas sempre se aplicam a um centro espiritual,
cuja localização numa determinada região pode, segundo o caso, ser entendida literal ou simbolicamente, ou
nos dois sentidos ao mesmo tempo. Toda "Terra Santa" é também designada por expressões como "Centro do
Mundo" ou "Coração do Mundo", o que exige algumas explicações, pois essas designações uniformes, ainda
que diversamente aplicadas, poderiam com facilidade provocar certas confusões.
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sábado, 22 de setembro de 2007
terça-feira, 4 de setembro de 2007
A Tríplice Muralha Druídica (em “Símbolos da Ciência Sagrada”), de René Guénon
O Sr. Paul Le Cour assinalou na revista Atlantis, de julho-agosto de 1928, um curioso símbolo
traçado sobre uma pedra druídica descoberta por volta de 1800, em Suèvres (Loir-et-Cher), e que havia sido
anteriormente estudada pelo Sr. E.-C. Florance, presidente da Sociedade de História Natural. e Antropologia
de Loir-et-Cher. Este último pensa que a localidade em que foi encontrada essa pedra poderia ter sido o lugar
da reunião anual dos druidas, situado, segundo César, nos confins do país dos Carnutos2. Sua atenção foi
atraída pelo fato de que o mesmo signo encontra-se num sinete de oculista galo-romano, encontrado por volta
de 1870, em Villefranche-sur-Cher (Loir-et-Cher), e lança a idéia de que poderia representar uma tríplice
muralha sagrada. Esse símbolo, de fato, é formado por três quadrados concêntricos, ligados entre si por quatro
linhas em ângulo reto
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traçado sobre uma pedra druídica descoberta por volta de 1800, em Suèvres (Loir-et-Cher), e que havia sido
anteriormente estudada pelo Sr. E.-C. Florance, presidente da Sociedade de História Natural. e Antropologia
de Loir-et-Cher. Este último pensa que a localidade em que foi encontrada essa pedra poderia ter sido o lugar
da reunião anual dos druidas, situado, segundo César, nos confins do país dos Carnutos2. Sua atenção foi
atraída pelo fato de que o mesmo signo encontra-se num sinete de oculista galo-romano, encontrado por volta
de 1870, em Villefranche-sur-Cher (Loir-et-Cher), e lança a idéia de que poderia representar uma tríplice
muralha sagrada. Esse símbolo, de fato, é formado por três quadrados concêntricos, ligados entre si por quatro
linhas em ângulo reto
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A Shekinah e Metraton (em “O Rei do Mundo”), de René Guénon
Alguns espíritos tímidos e cuja compreensão se encontra estranhamente limitada por idéias
preconcebidas, assustaram-se com a designação de “Rei do Mundo”, que aproximaram da de
“Princeps Hujus Mundi”, de que se trata no Evangelho. É sabido que tal assimilação é
completamente errônea e desprovida de fundamento. Para afastá-la, poderíamos limitar-nos a notar
simplesmente que este título de “Rei do Mundo”, em hebreu e em árabe, é aplicado vulgarmente ao
próprio Deus1. No entanto, como pode haver aqui algumas observações interessantes, consideremos
a este propósito as teorias da Qabalah hebraica relativas aos “intermediários celestes”, teorias que,
por outro lado, tem uma relação direta com o tema principal do presente estudo.
Os “intermediários celestes”, de que se trata aqui, são a “Shekinah” e “Metraton”. E
diremos em primeiro lugar que, no sentido mais geral, a “Shekinah” é a “presença real” da
Divindade. Deve notar-se que as passagens da Escritura onde se faz muito especialmente menção
disso, são sobretudo aquelas em que se trata da instituição de um centro espiritual: a construção do
Tabernáculo, a edificação dos Templos de Salomão e de Zorobabel2. Tal centro, constituído em
condições regularmente definidas, devia ser efetivamente o lugar da manifestação divina, sempre
representada como “Luz”; e é curioso observar que a expressão “lugar mais iluminado e mais
regular” que a Maçonaria tem conservado, parece ser uma recordação da antiga ciência sacerdotal,
que presidia à construção dos templos e que, de resto, não era particular dos Judeus. Não temos de
entrar no desenvolvimento da teoria das “influências espirituais” (preferimos esta expressão à
palavra “bençãos” para traduzir o hebreu berakoth, tanto mais que é este o sentido que tem
conservado, bem claramente, em árabe a palavra barakah). Mas mesmo cingindo-se a encarar as
coisas, debaixo desse único ponto de vista, seria possível explicar a frase de Elias Levita, a que se
refere Mr. Vulliaud, na sua obra “A Qabalah Judaica”: - “Os mestres da Qabalah tem grandes
segredos acerca desse assunto”.
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preconcebidas, assustaram-se com a designação de “Rei do Mundo”, que aproximaram da de
“Princeps Hujus Mundi”, de que se trata no Evangelho. É sabido que tal assimilação é
completamente errônea e desprovida de fundamento. Para afastá-la, poderíamos limitar-nos a notar
simplesmente que este título de “Rei do Mundo”, em hebreu e em árabe, é aplicado vulgarmente ao
próprio Deus1. No entanto, como pode haver aqui algumas observações interessantes, consideremos
a este propósito as teorias da Qabalah hebraica relativas aos “intermediários celestes”, teorias que,
por outro lado, tem uma relação direta com o tema principal do presente estudo.
Os “intermediários celestes”, de que se trata aqui, são a “Shekinah” e “Metraton”. E
diremos em primeiro lugar que, no sentido mais geral, a “Shekinah” é a “presença real” da
Divindade. Deve notar-se que as passagens da Escritura onde se faz muito especialmente menção
disso, são sobretudo aquelas em que se trata da instituição de um centro espiritual: a construção do
Tabernáculo, a edificação dos Templos de Salomão e de Zorobabel2. Tal centro, constituído em
condições regularmente definidas, devia ser efetivamente o lugar da manifestação divina, sempre
representada como “Luz”; e é curioso observar que a expressão “lugar mais iluminado e mais
regular” que a Maçonaria tem conservado, parece ser uma recordação da antiga ciência sacerdotal,
que presidia à construção dos templos e que, de resto, não era particular dos Judeus. Não temos de
entrar no desenvolvimento da teoria das “influências espirituais” (preferimos esta expressão à
palavra “bençãos” para traduzir o hebreu berakoth, tanto mais que é este o sentido que tem
conservado, bem claramente, em árabe a palavra barakah). Mas mesmo cingindo-se a encarar as
coisas, debaixo desse único ponto de vista, seria possível explicar a frase de Elias Levita, a que se
refere Mr. Vulliaud, na sua obra “A Qabalah Judaica”: - “Os mestres da Qabalah tem grandes
segredos acerca desse assunto”.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007
A Idéia de Centro nas Tradições Antigas (em “Símbolos da Ciência Sagrada”), de René Guénon
Já tivemos ocasião de nos referir ao “Centro do Mundo” e aos diversos símbolos que o
representam. Devemos voltar agora a essa idéia de Centro, que tem a maior importância em todas as
tradições antigas, e indicar algumas de suas principais significações. Para os modernos, de fato, essa
idéia não mais evoca de imediato tudo aquilo que evocava para os antigos. Aí, como em tudo o mais
que se refere ao simbolismo, muitas coisas foram esquecidas e certos modos de pensar parecem terse
tornado totalmente estranhos à grande maioria de nossos contemporâneos. Cabe portanto insistir
sobre isso, em particular porque a incompreensão é geral e completa a esse respeito.
O Centro é, antes de tudo, a origem, o ponto de partida de todas as coisas; é o ponto
principal, sem forma e sem dimensões, portanto invisível, e, por conseguinte, a única imagem que
se pode atribuir à Unidade primordial. Dele, por sua irradiação, todas as coisas são produzidas, do
mesmo modo que a Unidade gera todos os números, sem que sua essência seja por isso modificada
ou alterada de alguma forma. Há, aí, um perfeito paralelismo entre dois modos de expressão: o
simbolismo geométrico e o simbolismo numérico, de tal modo que se pode empregá-los
indiferentemente e passar-se de um a outro da maneira mais natural. É preciso não esquecer,
contudo, que em ambos os casos estamos lidando sempre com símbolos: a unidade aritmética não é
a Unidade metafísica; trata-se apenas de uma representação, embora nada tenha de arbitrária, pois
existe entre elas uma relação analógica real. E é essa relação que permite transpor a idéia da
Unidade além do domínio da quantidade, à ordem transcendental.
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representam. Devemos voltar agora a essa idéia de Centro, que tem a maior importância em todas as
tradições antigas, e indicar algumas de suas principais significações. Para os modernos, de fato, essa
idéia não mais evoca de imediato tudo aquilo que evocava para os antigos. Aí, como em tudo o mais
que se refere ao simbolismo, muitas coisas foram esquecidas e certos modos de pensar parecem terse
tornado totalmente estranhos à grande maioria de nossos contemporâneos. Cabe portanto insistir
sobre isso, em particular porque a incompreensão é geral e completa a esse respeito.
O Centro é, antes de tudo, a origem, o ponto de partida de todas as coisas; é o ponto
principal, sem forma e sem dimensões, portanto invisível, e, por conseguinte, a única imagem que
se pode atribuir à Unidade primordial. Dele, por sua irradiação, todas as coisas são produzidas, do
mesmo modo que a Unidade gera todos os números, sem que sua essência seja por isso modificada
ou alterada de alguma forma. Há, aí, um perfeito paralelismo entre dois modos de expressão: o
simbolismo geométrico e o simbolismo numérico, de tal modo que se pode empregá-los
indiferentemente e passar-se de um a outro da maneira mais natural. É preciso não esquecer,
contudo, que em ambos os casos estamos lidando sempre com símbolos: a unidade aritmética não é
a Unidade metafísica; trata-se apenas de uma representação, embora nada tenha de arbitrária, pois
existe entre elas uma relação analógica real. E é essa relação que permite transpor a idéia da
Unidade além do domínio da quantidade, à ordem transcendental.
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