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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Eu e as mulheres da minha vida - Tiago Rebelo

Título: Eu e as Mulheres da Minha Vida
Autor: Tiago Rebelo
Colecção: Grandes Narrativas
Nº na Colecção: 227
P.V.P.: 14,96 €
Relançamento
Data 1ª Edição: 13/11/2003
Nº de Edição:
Nº de Páginas: 212
Dimensões: 150x230mm
Peso: 318g

Sinopse:

Trinta e cinco anos. A relação com o espelho começava a deteriorar-se. Zé, um jovem que em tempos tinha sido atlético, charmoso e divertido transformava-se agora num homem com contornos abaulados e uma calvície que o desesperava. Um bancário mediano, casado há uma década, com um belo carro e férias no Algarve todos os anos. Mas a vida era só isto? Zé questionava-se. Até que um dia a sua existência pacata foi invadida por Belluci, a mulher mais bonita, sexy e simpática do banco. Era um mundo fascinante que se abria diante dos seus olhos. O planeta estava repleto de mulheres lindas e sensuais e só agora Zé tinha começado a reparar nisso. De repente, descobria-se um outro homem, mais atraente, interessante, um sedutor nato. Mas por outro lado havia o casamento e o seu filho que não podiam ser abalados, sofrendo as consequências da sua nova forma de encarar a vida. O que ele nunca imaginou é que um dia tudo pudesse escapar ao seu controlo e se visse no papel, não de encenador, mas de protagonista de uma peça tragicocómica. Uma obra que nos faz pensar que, de um momento para o outro, a vida pode dar muitas voltas.

A minha opinião

Zé é o típico homem bonacheirão, o português do deixa andar. Com um emprego estável no banco, faz de tudo para nada fazer. Em casa sucede o mesmo. Casado com um filho não partilha tarefas domésticas, limitando-se a fazer zapping em frente ao sofá, até a mulher lhe dizer para mudar de canal para a sua novela preferida. Aí deixa-se dormir, ressonando até tarde, no sofá.

Até que um dia Zé é chamado à atenção que na escola o seu filho Quico deu um murro no colega por este dizer que o pai dele era melhor do que o seu. Isto não serviu para Zé mudar de atitude, mas fê-lo pensar no seu modo de ver a vida.

O aparecimento de Cátia “Bellucci” na sua vida, a boazona da contabilidade, no banco, que toda a gente cobiçava, mudou completamente Zé. Cátia começou a dar-lhe atenção e daí até terem um caso foi um passo. Nessa altura coincidiu ser promovido para director do banco em que trabalhava, sem que para isso nada tivesse feito. Ao mesmo tempo que saía com Cátia, Zé conheceu Sara que também se tornou sua amante.

Será que o casamento se manteve depois de tantas vezes fora de casa? Para isso terá de ler este hilariante livro de Tiago Rebelo, que em 2003 foi escrito sob pseudónimo, João João Tomás Belo. Segundo disse em várias entrevistas, Eu e as Mulheres da minha vida era um livro escrito fora do estilo habitual e «como estava no início da carreira não queria estar a diversificar e distrair tanto o leitor». Este livro divertido sobre a guerra dos sexos mostra uma nova escrita de Tiago Rebelo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eu e as Mulheres da Minha Vida

Autor: Tiago Rebelo
Editor: Editorial Presença
Páginas: 212
ISBN: 978-972-23-3106-7

Sinopse:
Quem é que, tendo uma vida banal, não sonha com outra mais extraordinária? Que circunstâncias na vida de uma pessoa fazem com que esta se altere de um momento para o outro, quando já nada o faria prever? É destas e doutras perplexidades metafísicas que trata esta obra, através da história de Zé, um homem sem ambição que entra na inevitável crise dos 40, cinco anos antes de os completar. Zé é um bancário desinteressado que trabalha pela necessidade de pagar as contas e adormece a praticar zapping no sofá. Porém, um dia, tudo se altera. Uma promoção inesperada no banco e o súbito interesse por ele de Cátia, uma autêntica Mónica Bellucci, vêm revolucionar a rotina entediante em que se transformara a sua vida. Depois disto nada será como antes. Mas conseguirá Zé ultrapassar esta fase vertiginosa e recuperar o equilíbrio sem consequências dramáticas para o seu casamento? Editado inicialmente em 2003 sob pseudónimo, Eu e as Mulheres da Minha Vida é uma obra à parte na prodigiosa carreira de Tiago Rebelo, autor aplaudido por milhares de leitores e publicado em diversos países.

Depois da decepção que foi Cold Mountain, voltei a ler um autor português de que gosto muito e que não me desiludiu. Tiago Rebelo escreve “Eu e as mulheres da minha vida”, cujo registo leve, realista e divertido surpreende. A obra foca muitos dos problemas conjugais e pessoais com que as pessoas se debatem e leva-nos a pensar.

O protagonista Zé é o típico chefe de família: sedentário, pouco preocupado em ajudar nas tarefas domésticas, cumpridor do seu horário de trabalho das 9h às 18h, sem ambição e fã das jantaradas com os amigos. No seu entender, o seu mundo é quase perfeito. Até que um dia, face a uma atitude violenta do seu filho Quico e por rebeldia própria, decide repensar a sua vida. E, de repente, tudo o que antes Zé encarava apenas como miragem, como realidade num futuro noutro planeta, começa a realizar-se sem que, para tal, ele se esforce. Os seus alicerces são abalados e o pacato bancário vê-se confrontado com a famosa crise dos 40.

São os problemas amorosos, familiares e sociais de Zé que acompanhamos durante todo o livro. De forma divertida, mas sempre crítica, o autor mostra-nos como o protagonista descobre novos horizontes. De certa forma, o objectivo essencial do livro passa por mostrar que nem sempre aquilo que se sonha/quer traz felicidade, mas permite-nos redescobrirmo-nos, começando uma vida diferente. As mudanças em si podem trazer um fundo que beneficia todos e dão uma nova oportunidade às pessoas, sem que se guardem ressentimentos e com consequências favoráveis para a vida futura de cada um.

Este livro, quase numa toada de confissão, é uma leitura extremamente cativante. Abre-nos portas para o universo masculino, permitindo aos leitores conhecer a perspectiva destes face a este tipo de crises emocionais – algo a que, muitas vezes, é dada pouca relevância. Tiago Rebelo criou uma personagem extremamente verídica que, embora seja merecedora de críticas, mostra um lado sensível e quase infantil a que não se fica indiferente. Para além do mais, em contraposição ao tom sério da temática, estão garantidas belas gargalhadas que tornam a leitura fluida e muito aprazível.

8/10 - Muito Bom