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terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Ladrão da Tempestade

Título: O Ladrão da Tempestade
Autor: Chris Wooding
Tradução: Miguel Romeira
Edição: Presença
Colecção: Via Láctea
Nº de páginas: 266

"No meio de um vasto oceano, existe uma cidade-ilha chamada Orokos, onde nunca ninguém conseguiu entrar e donde nunca ninguém conseguiu sair. Em Orokos existe um estranho fenómeno, as tempestades de probabilidades, que têm o poder de alterar tudo à sua passagem. Rail e Moa são dois jovens ladrões que há muito vivem com as consequências das tempestades – até que um dia ficam na posse de um artefacto antigo, que os conduzirá até ao segredo mais tenebroso de Orokos."
Não precisava de ler a sinopse para que o livro prometesse ser bom, bastava-me o nome do autor que é, na minha opinião, um dos grandes do género fantástico mas as coisas não correram bem como eu esperava.
Se a premissa de uma cidade que é simultâneamente uma ilha onde acontecem estranhas tempestades que têm o poder de alterar tudo em volta sem que ninguém consiga explicar o fenómeno prometia uma narrativa interessante, e o contacto que anteriormente tinha com o trabalho do autor me fazia imaginar uma obra algo negra com elementos terroríficos q.b a desilusão não podia ser maior. A narrativa não é enfadonha em si, a história é que assim a torna, a história e os personagens algo esteriotipados (o rapazinho que é um herói e uma rapariga que prefere acatar as ordens e decisões do primeiro em vez de se impor, para já não falar do gollem rejeitado e com complexos estranhos) e que são muito pouco exploradas. A ideia da ilha não era má, como já disse, mas depois a atracção por este elemento cai por terra quando percebemos que os habitantes da mesma são proibidos de a abandonar mas nunca percebemos porquê. Aliás. nem o leitor nem os personagens percebem como foi criada a ilha, porque estão ali aquelas pessoas e porque não saem dali nem exploram o mundo em seu redor.
Os elementos mais positivos e que mais nos dão um "cheirinho" daquilo que é normal em Chris Wooding são, sem dúvida nenhuma, o fabrico da papa nutritiva (não posso dizer mais sem spoillar...) e a estratificação e funcionamento da sociedade em Orokos que nos leva a recordar os regimes fascistas e os abusos por estes cometidos. Nestes aspectos o autor esteve sem dúvida à altura daquilo a que habituou os seus fãs.
Enfim, talvez as minhas expectativas fossem demasiado elevadas mas o certo é que não considerei O Ladrão da Tempestade como uma sendo uma boa narrativa, achei-a bastante monótona, pejada de clichés, sem o normal toque dark do autor e sobretudo com inúmeras falhas no explicar de algumas situações e no aprofundar dos personagens.
4/10

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Sociedade do Sangue

Titulo: A Sociedade do Sangue
Autor: Susan Hubbard
Tradução: Marta Mendonça
Edição: Ed.Presença
Nº de páginas: 288

"Aos doze anos Ariella nunca tinha frequentado a escola, vivia numa grande casa vitoriana, em Saratoga Springs. O pai ensinava-lhe pessoalmente as matérias que considerava importantes. Ariella tinha consciência da sua diferença em relação às outras crianças da sua idade... E quando fazia perguntas sobre a mãe, os esclarecimentos não iam muito além do facto de esta ter «desaparecido» no dia em que Ariella nascera. A ordem estática e rigorosa que regia a sua vida começou a alterar-se quando Dennis, o cientista assistente do laboratório que o pai tinha na cave, começou a insistir para que a deixasse pacear e fazer exercicio para fortalecer o seu sistema imunitário, e quando a Mrs. Garrit, a cozinheira, se propôs levar Ariella de visita á sua própria casa onde reinava uma alegre desordem, alegando que ela estava a ser superprotegida. Ariella acaba por compreender que o seu pai é um vampiro e, após um trágico incidente, parte sozinha numa longa viagem em busca da mãe e da sua própria identidade. Uma história surpreendente e cheia de divertidas surpresas, escrita com arte e estilo, que vem dar vida às novas gerações de vampiros do imaginário colectivo do século XXI e á sua difícil convivência com a sociedade humana."
Está disponível a partir de hoje, dia 3 de Novembro, mais um livro que vem integrar a Colecção Via Láctea da Editorial Presença. A Sociedade do Sangue fala-nos sobretudo de uma vida familiar misteriosa e complicada. A narrativa na primeira pessoa aproxima-nos da personagem principal, Ariella, das suas duvidas, dos seus medos e sentimentos e dos mistérios que a rodeiam. É na sua vida que toda a história se foca e é também por causa desta que reflectimos sobre o isolamento, o ser-se isolado do mundo, forçado a crescer sem amigos e sem grandes contactos pessoais, o que invariavelmente vai transformar a personagem em alguém muito fora do comum.
A escrita é simples e sem floreados, a narrativa está bem estruturada e a história conseguiu prender-me bastante o que contribuiu para uma leitura muito agradável que se prolongou pela noite dentro.
Convém referir que os vampiros nesta obra não são propriamente os tradicionais mas também não são como os personagens de Crepúsculo. Pode dizer-se que são bastante humanos... Talvez, não vá muito de encontro aos leitores que gostam mais dos contos de vampiros mais tradicionais mas enquanto fã de "uma boa dentada" posso dizer que gostei bastante e que, na minha opinião, a obra agradará à grande maioria de fãs do estilo.
Não posso deixar de apontar o ponto negativo deste livro. Os erros são praticamente inexistentes e a tradução não está mal mas já no final do livro os nomes das cidades onde a narrativa tem lugar são trocados algumas vezes o que confunde um bocado o leitor mais desatento e corta o ritmo de leitura a um mais dedicado. Enfim, não há nada mais a apontar apenas este pormenor que poderá ser corrigido numa futura edição.
7/10

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Deuses Americanos

Título: Deuses Americanos
Autor: Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
Tradução: Fátima Andrade
Nº de páginas: 493

"Sombra, acabado de sair da prisão, aceita trabalhar para um estranho, o Sr. Quarta-Feira, que não é nada mais nada menos que a encarnação de um deus antigo. Por estarem a ser ultrapassados por ídolos modernos, os deuses antigos encontram-se em vias de extinção, e Sombra e Quarta-Feira têm de reunir o maior número de divindades para se prepararem para o conflito iminente que paira no horizonte. Mas esperam-nos inúmeras surpresas… Bestseller distinguido com diversos prémios, Deuses Americanos é uma aventura onde o mágico e o mundano, o mito e o real, caminham lado a lado, levando-nos numa viagem repleta de humor ao extraordinário potencial da imaginação humana."
Mais um fantástico livro da Colecção Via Láctea da Presença ao qual não pude resistir (esta colecção tem destas coisas...) principalmente porque o autor é um dos meus preferidos. Contudo, e para começarmos, devo dizer que não é um bom livro para uma primeira abordagem à literatura de Gaiman. Se querem conhecer este autor e nunca leram nada dele sugiro que comecem por Neverwhere, Bons Augúrios ou os Filhos de Anansi (para não falar em Coraline). Esta é mais uma incursão à mente de Gaiman e, atrevo-me a dizer, uma das mais estranhas e surreais.
Com a chegada dos colonos e escravos ao mundo novo deu-se também a chegada dos deuses por eles trazidos, deuses fortes e presentes mas que não faziam parte daquela terra, apenas dos corações daqueles que agora a habitavam. Através desta premissa o autor leva-nos a conhecer a miscelânea cultural e racial que povoa a América do Norte, os deuses importados que coexistem e se sobrepõem aos deuses nativo-americanos e que têm dificuldades em criar raízes numa terra que não foi feita para a sua espécie, numa terra em que são esquecidos com o passar das gerações até atingirem o ponto de extinção eminente.
Actualmente, a sociedade capitalista vive para o consumo, o mundo não sabe em que acreditar optando por virar-se para a informação e as tecnologias de ponta que são veneradas como se de deuses se tratassem. Contudo, neste mundo qualquer avanço ao nível tecnológico se torna obsoleto em curtíssimos lapsos de tempo e até estes novos deuses são esquecidos com facilidade. Os humanos apenas se interessam pelo dinheiro e poder que podem alcançar através dos bens materiais e a crise ideológica é evidente. São estes os pontos chave focados por Gaiman nesta viagem ao coração profundo não só da América mas da Humanidade e que nos deixam a pensar naquilo que vemos acontecer à nossa volta e no que realmente acreditamos.
Embora possa à primeira vista parecer uma leitura pesada não o é, o tom da narrativa é leve e alegre, fortemente marcado pelo humor (às vezes um pouco negro) que é caracteristico deste autor e a tradução está muito boa - aspectos que nos fazem rapidamente chegar à última página sem que de tal nos demos conta.
8/10

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Fado da Sombra

Título: O Fado da Sombra
Autor: Filipe Faria
Editora: Ed. Presença
Nº de páginas: 530
"Os deuses estão mortos, e a sua queda deixa Allaryia à beira de uma espiral de desordem e destruição. As sementes dos planos d´O Flagelo germinam em segredo, e Aewyre Thoryn e os seus companheiros são os únicos que estão cientes da insidiosa ameaça, bem como os únicos em condições de a combater. Dá-se então início a uma desesperada corrida contra o tempo, enquanto servos renegados de Seltor conspiram para levarem a cabo a queda de Ul-Thoryn. Uma ameaça de tempos imemoriais acerca-se entretanto da Pérola do Sul, ameaçando cortar pela raiz a resistência contra O Flagelo. Este é ponto de viragem da Oitava Era, após o qual nada será como dantes em Allaryia."
Quando visitei a Feira do Livro de Lisboa e vi à venda o mais recente título das Crónicas de Allaryia não consegui resistir, tinha que aproveitar a oportunidade... Para os que não conhecem as Crónicas de Allaryia são constituídas, até ao momento, por seis volumes da autoria do jovem Filipe Faria. Relatam-nos as aventuras de Aewyre Thoryn que percorre Allaryia numa tentativa de conhecer o destino final do seu pai e que, embora não o querendo, se vê envolvido numa luta sem idade contra as forças obscuras d'O Flagelo e numa não menos antiga luta pela Essência da Lâmina. Quando comecei a ler estas Crónicas, já lá vão uns aninhos (poucos) fiquei agradavelmente surpreendida pela escrita simples do autor, pelo humor que incute em alguns personagens e sobretudo pelo universo criado por este jovem - Allaryia é um território formado por vários países e zonas às quais não podemos dar uma designação certa no qual encontramos seres de inúmeras raças criadas pelo autor, todas elas com características físicas e comportamentais distintas e com línguas próprias. Enfim, um jovem português criou, um pouco à semelhança de Tolkien, todo um universo, línguas e raças, fronteiras, disputas e uma demanda. Fiquei presa a Allaryia...
Contudo, após a leitura das primeiras páginas logo percebi que a leitura deste volume não ia ser tão prazerosa como a dos volumes anteriores, ainda assim insisti e posso dizer que não tenho memória da última vez que um livro me custou tanto a ler. Ao longo da saga torna-se visível a evolução do autor e da sua escrita que se vai tornando cada vez mais complexa mas neste volume essa evolução não é um ponto positivo uma vez que se traduz numa escrita pouco simples (rebuscada demais para um livro do género, arrisco-me a afirmar) e num vocabulário excessivamente complexo que por vezes me fez considerar a consulta de um dicionário (embora tenha conseguido passar sem ela). Denota-se a escolha propositada de palavras pouco usuais, muitas vezes até desconhecidas da maior parte do público e uma preocupação cada vez maior com a descrição de algumas situações em que tal me parece desnecessário (gastar 16 páginas na descrição de um duelo entre dois personagens não me caiu muito bem...). Por outro lado, e em relação à trama tive a sensação de que o autor andou um pouco a "encher chouriços" uma vez que só mesmo no final vemos alguma acção mais inesperada e alguma evolução, embora ténue, no verdadeiro desenrolar da história. Ou seja, grande parte do livro é preenchido com descrições que de tão longas e pormenorizadas se tornam aborrecidas, por um vocabulário que chega a irritar o leitor (de tão rebuscado) e a história em si fica praticamente parada.
Embora no final me tivesse conseguido captar a atenção, recomendo este livro apenas a quem já conhece a saga e não quer deixar de conhecer todos os passos dos diferentes personagens e o desfecho da história (que espero venha a acontecer no próximo volume).
4/10