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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Paixão em Florença - Somerset Maugham


Mary Panton é uma jovem viuva que se encontra em Florença numa bela casa emprestada por uns amigos de modo a restabelecer-se da morte do marido e pensar no que havia de fazer com a sua vida.

À semelhança de tantas outras ocasiões, aceita o convite para jantar de uns amigos e é assim que se vê num restaurante rodeada de um grupo de pessoas, algumas delas algo curiosas.

Nesse período dá-se um acontecimento que se prolongará não apenas no regresso a casa de Mary, como durante toda a noite, acontecimento esse que servirá de argumento ao livro, originando um caso grave de violência que ameaçará destruir a amena vida de Mary.

Neste pequeno livro (li-o em duas horas), Maugham, uma vez mais, coloca a sua marca.

É uma obra onde, de uma forma intensa, sobressai as emoções humanas, aliás, Maugham é mestre em as explorar, confrontando-nos com opções a tomar, colocando-nos em várias encruzilhadas.

Maugham é brilhante, genial na forma simples como brinca com as palavras. As situações por ele criadas são intensas, agarram-nos à história e aos personagens, todos eles únicos, memoráveis. Isso é algo que sobressai da escrita de Maugham e que o faz ser um dos meus escritores favoritos. Maugham aparentemente trabalha pouco os personagens, não perde muito tempo a construir uma história, uma identidade do personagem X ou Y, no entanto é tal a intensidade, o carisma que concede aos seus personagens que, todos eles, irrompem das suas obras com uma força tal que se tornam memoráveis.

Mais uma pérola que o mestre Somerset Maugham nos deixou.


Classificação: 5

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Fio da Navalha (O) - Somerset Maugham


A acção do livro passa-se entre Chicago e Paris nos anos vinte e trinta do século XX.

Somerset Maugham, ele próprio narrador participante, oferece-nos a história de vários personagens que se interligam em torno do personagem central: Larry Darrel, jovem americano que vê o seu melhor amigo morrer para lhe salvar a vida.

Este acontecimento dá o mote para este brilhante romance.

Larry questiona-se acerca do sentido da vida.

Esta questão Maugham coloca-a em contraponto com a futilidade diárias de outros fascinantes personagens que, com as suas histórias, vão-nos dar um fresco da superficialidade e mesquinhez do jet-set europeu e norte-americano, cujas vidas banais são elas próprias representativas da decadência que já se percebia.

Maugham é brilhante na exploração desses dois universos antagónicos. O primeiro um universo místico, onde a busca do sentido da vida, do imaterialismo, do desapego, da tentativa de encontrar um sentido para a existência é explorado através das andanças e descobrimentos de Larry. O outro, um universo materialista, elitista, onde o status é condição sine qua non para ser alguém é também ele brilhantemente explorado pela personagem de Elliot, ela também soberba.

A mediar estes mundos temos o próprio Maugham que, com a sua sensibilidade e experiência de vida, vai colectando informações, conversas e confissões que, ligadas entre si, fazem desta obra algo de verdadeiramente soberbo.

Quem terá sido, na vida real, Larry Darrel?

Sim, questiono quem terá sido, porque, no meu íntimo, não duvido nem um minuto na realidade desta história. Até porque Maugham narra os factos que conhece, deixando-nos adivinhar o resto, deixando sempre no ar possibilidades, conjecturas.

Somerset Maugham é um escritor genial e este livro, não sendo aquele que mais gostei do escritor, é ele, por si só, uma pérola da literatura universal.

Classificação: 6

domingo, 15 de julho de 2007

Servidão Humana - Somerset Maugham

Servidão Humana foi dos romances que mais me surpreendeu pela positiva durante o ano de 2003 e, sem dúvida, um dos melhores livros que já li.
Foi um livro que adquiri na colecção "Mil Folhas" do Jornal "O Público" e embora nada me dissesse, adquiri-o porque uma das minhas colegas, verdadeira fanática por literatura, disse-me maravilhas de Somerset Maugham e especialmente sobre este livro. Após o ter terminado, agradeci-lhe por me ter dado a oportunidade de ter lido e apreciado uma verdadeira obra prima.
Somerset Maugham foi um escritor muito apreciado e lido até à década de 70. Era visto como um escritor pertencente ao clássicos, no mesmo patamar de um Dostóievski, Tolstoi ou Hemingway. No entanto e desconheço porquê, deixou de ser o lido e inclusivamente deixou de ser reeditado, absolutamente incompreensível.
O livro narra a história de Philip, uma criança tímida que e após a morte dos pais, é adoptada pelos tios e com eles vai viver. No entanto há um terrível senão: Philip tem pé boto e embora isso em nada influencie o amor que os seus tios lhe dedicam, é fundamental para lhe moldar o carácter, fechando-o aos poucos para o mundo. Num mundo seu cheio de medos e angústias e devido à sua proximidade com o divino (o tio de Philip é pároco) ele resolve pedir um desejo a Deus: "Cura-me o meu pé boto!"
Na manhã seguinte e noutras manhãs, ele acordo esperançado e a mesma morre ao visualizar o seu horrível defeito que lá continua. Então dá-se uma transformação vital na sua personalidade e no próprio livro: "Porquê ama-Lo?", "Porquê servi-Lo e sujeitar-me à dor e à humilhação se Ele nada faz por mim?" É nestas perguntas que Philip toma a sua decisão mais importante...
Acompanhamos então o percurso de Philip até á sua maioridade. Estudaremos com ele pintura em Paris e medicina em Londres. Apaixonaremo-nos pelas mulheres que Philip ama e, desses amores, sofreremos desilusões atrozes e choraremos sós e humilhados, completamente esquecidos e isolados do mundo.
Da solidão e da miséria, nasce um amor sério e honesto assente no respeito.
Uma grande obra que aconselho a quem aprecia a boa literatura. Um escritor que tem aquele dom de saber contar histórias.
Um livro que aborda a questão da fé e das crenças. Colocando-se do "lado de fora", o escritor faz uma crítica a essa crenças e quanto ridícula e exagerada elas podem ser.
De leitura obrigatória!