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domingo, 18 de outubro de 2009

Não Sei Nada Sobre o Amor - Júlia Pinheiro


Editora: Esfera dos Livros
Edição: Abril 2009

Júlia Pinheiro estreou-se na televisão aos 19 anos (1981) tendo, a partir daí, feito uma carreira de sucesso sendo, hoje em dia, uma das figuras televisivas mais conhecidas da praça portuguesa.

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, publica em Abril de 2009 o seu primeiro e único livro “Não Sei Nada Sobre o Amor”, que depressa se instala nos top´s das principais cadeias distribuidoras. Esse facto é surpreendente para alguém que escreve o seu primeiro título, contudo, podemos encontrar uma explicação se atentarmos à figura pública. Porém constatei que o livro tem imensa qualidade assim como prevejo, se mantiver o estilo, sucessos futuros.

São Pedro da Ribeira, 1930, Maria da Glória, jovem inocente de 16 anos, trabalha com o pai na taverna deste. Passa o dia a servir copos e a sentir os olhares gulosos daqueles homens acabados que por ali passam.

Uma aldeia perdida de um Portugal em sobressalto, onde intensas tradições seculares exigiam a submissão das mulheres e onde o destino era, obrigatoriamente, feito de casamento e de filhos. “Na geração de Maria da Glória, o amor era um infortúnio. Não servia para nada e só trazia aborrecimentos. Com o amor não se comprava terra nem se aumentava o rebanho.”

Maria da Glória é a rapariga mais bonita da aldeia, facto que desperta o interesse de António Mendonça, primogénito da família Mendonça, a mais rica e influente da aldeia. Este, ciente da sua importância como “bom partido”, consegue com que Maria da Glória se encontre com ele junto ao ribeiro. Inocente e um pouco ingénua, Maria da Glória, obviamente ás escondidas do pai, vai ter com ele e, no meio das silvas, é violada.

Dessa violação nasce um argumento que nos leva ao ano 2000, visitando 70 anos da sociedade portuguesa e do papel das mulheres nessa sociedade.

A escrita de Júlia Pinheiro é simples, objectiva e excepcionalmente visual e sentimental. Sentimental no aspecto em que consegue transmitir os vários estados de alma das várias personagens que pululam na história, sobretudo das quatro mulheres que formas as principais personagens.

Nestas quatro mulheres, Júlia Pinheiro, de uma forma magistral, tocante e simultaneamente objectiva, traça-nos um quadro Histórico do país, conseguindo, e isso na minha opinião é uma das grandes mais valias do livro, contrapor e demonstrar as várias mentalidades que cada geração possui, traçando também, com isso, uma linha evolutiva das mesmas. Coexistente e servindo também para explicar essa evolução, flui diante dos nossos olhos a mentalidade de Portugal dos anos 30, o surgimento do Estado Novo, o pós 25 Abril a um Portugal vivendo os excessos de uma democracia mal implantada até um Portugal totalmente democratizado.

Todos esses cenários, embora sejam relevantes, são colocados em pano de fundo, porque aqui o principal tema é o papel das mulheres numa sociedade altamente patriarcal que vai evoluindo para os dias de hoje.

Na minha perspectiva esse é o principal tema do livro. Sob a vida de quatro mulheres que abrangem quatro gerações, é aqui abordada a sociedade portuguesa e a forma como ela foi evoluindo.

Longe de ser um romance “cor-de-rosa” ou de “cordel” como muitos quiseram fazer crer, considero que Júlia Pinheiro teria construído um livro portentoso se tivesse sabido ou querido aprofundar os Acontecimentos Históricos que se dão nesses 70 anos interligando-os com a história dessas quatro mulheres. Esses acontecimentos são apenas aflorados no sentido de percebermos o impacto que os mesmos tiveram na vida dessas mulheres. A meu ver e embora entenda o objectivo da obra, penso que teria tudo a ganhar se tivesse investido mais na vertente Histórica.

Talvez pela formação académica, não só a estrutura do livro, como também a própria linguagem, achei o estilo de Júlia Pinheiro algo semelhante ao de José Rodrigues dos Santos. Pelo menos revivi nesta obra sentimentos que apenas consigo viver nas obras de Rodrigues dos Santos, a alegria de reencontrar todos os dias aqueles amigos íntimos, a ânsia de ler sobre o destino dos mesmos e a tristeza de os ver partir quando a obra acaba.

Uma grata surpresa e um especial agradecimento a quem mo levou a ler.

Classificação: 5

domingo, 4 de outubro de 2009

Da História da Destruição de Tróia - Dares Frígio



Editora: Publicações Europa-América

Edição: 1ª edição, Setembro 2009

Tradução, Estudo Introdutório e Notas: Drª Reina Marisol Troca Pereira

Inédita em Portugal, traduzida directamente do latim pela Drª Reina Marisol Troca Pereira, docente da Universidade da Beira Interior, “Da História da Destruição de Tróia” é um clássico na verdadeira acepção da palavra.

Importante ter em atenção o belíssimo Estudo Introdutório onde, assente em documentos originais e notas de autores da antiguidade, é-nos possível situar o contexto da obra quer no ao nível Histórico, quer a nível literário, pois trata-se de um texto antigo que, tudo indica, ser precedente à Ilíada de Homero.

E é incontornável não procurar semelhanças entre esta obra e a Ilíada. As personagens são praticamente as mesmas, a guerra é a mesma, no entanto aqui sobressai a total ausência de Deuses (algo que a Ilíada é tão rica).

Cerca de 1300 anos a.C, uma guerra, que irá durar pouco mais de 10 anos, eclode entre a Grécia e Tróia. Motivo? Uma mulher chamada Helena de Esparta.

Seria talvez abusivo da minha parte repetir uma história tantas vezes ouvida e cuja obra de Colleen Mccullough “A Canção de Tróia” trata magistralmente, porém em “Da História da Destruição de Tróia” existem nuances, diferenças importantes que demonstram outro ponto de vista que vão complementar a obra de Homero, é que Dares Frígio, julga-se, era troiano e é o ponto de vista troiano que esta obra nos dá a conhecer.

Não se sabe bem quem foi Dares Frígio. Julga-se, repito, tratar-se de um troiano que assistiu e participou no conflito. Pelo menos nisso acreditavam alguns escritores medievais como Chaucer, inclusivamente este acreditava que esta obra era mais autêntica do que as de Homero ou Virgílio.

A obra em si é muito simples, objectiva e cheia de informações e pormenores que de facto a tornam credível.

Aqui os deuses notam-se pela ausência e temos apenas homens que se degladiam de uma forma feroz fazendo intervalos, alguns bem longos, para tratar dos feridos e sepultar os mortos.

Os motivos são essencialmente amorosos e é curioso verificar da pouca importância da mulher na sociedade antiga mas ser precisamente assunto de saias que estão por detrás da chacina de centenas de milhares de homens. Com a sua extrema simplicidade, a obra acaba por ter momentos repetitivos, alguns parágrafos parecem cópia de outros, contudo essa repetitividade dá-nos a percepção da extrema violência com que aquela guerra foi travada.

Estamos perante um tesouro da humanidade que nos dá uma visão mais humana daquele célebre conflito. Sem poemas ou actos heróicos, percebemos que por detrás dos heróis míticos como Aquiles, Heitor, Príamo, Ájax, Agamémnon, Ulisses, Helena, Páris, Briseida ou Eneias, estão simples homens e mulheres que também têm fraquezas.

Julgo tratar-se de uma obra obrigatória para quem assume a literatura como veículo de cultura e prazer.


Classificação: 6


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Noite do Tamarindo (A) – António Gómez Rufo


Editora: Saída de Emergência (Setembro 2009)
Ano Edição: 2008
Tradução: Maria Teresa Martins

Imagine que tem muito dinheiro, uma fortuna incomensurável, aliás, é a pessoa mais rica do mundo.

Agora, imagine que tem nas suas mãos a possibilidade de se tornar imortal. Não de uma forma fantasiosa tipo vampiro, mas de uma forma conseguida à luz da ciência, ou seja, perfeitamente possível.

E se, salvo seja, o(a) seu/sua filho(a) estivesse à beira da morte e que com toda essa imensa fortuna pudesse comprar a sua salvação mas que iria custar, não só imenso dinheiro, como a morte de pessoas inocentes.

Que faria?

“A Noite do Tamarindo” é um romance excepcional que nos coloca diante destas e doutras pertinentes questões, alias, incomodativas questões.

Vinicio Salazar é um homem que aparentemente tem tudo.

Multimilionário, empresário de sucesso muito poderoso e influente, possui tudo o que o dinheiro pode comprar. No entanto, por detrás do luxo e da opulência em que vive, esconde-se um imenso desgosto e amargura que lhe queima a alma e que servirá de mote a todo um trama que irá colocar em questão aspectos essenciais da vida, da liberdade, da ética e do futuro que se constrói actualmente.

Tudo começa com um estranho roubo.

Roma, numa galeria de arte algures na cidade, três ladrões empreendem o roubo de um documento que o mundo desconhece: A 10ª Sinfonia de Beethoven. Supostamente uma sinfonia nunca escrita pelo compositor, pois conhecem-se apenas 9.

Será que é mesmo assim, ou, por detrás desse emaranhado de colcheias, semi-colcheias e claves, se esconde um segredo ainda maior?

É-nos aqui lançado, de uma forma meramente policial, as bases de um trama bem imaginado e magistralmente construído por António Gómez Rufo.

De Roma a São Paulo, passando por Bogotá, Jamaica, Londres, Almería, Barcelona e Paris, este romance possui um ritmo alucinante, recheado de situações de suspense, onde o género policial se mistura com o contemporâneo e o de aventuras, entrando violentamente no thriller psicológico aflorado de citações de autores famosos. Aliás, esta é uma das grandes mais valias da obra. O autor consegue casar várias citações de autores famosos com as situações que vai criando, para além disso vai “brincando” com os géneros literários, conseguindo usar aqueles que referi, por vezes até na mesma página.

Numa escrita muito bem estruturada, porém com alguns pecados que referirei, Gómez Rufo esconde por detrás da história de Vinicio Salazar, uma série de questões que nos são colocadas cirurgicamente e que se tornam incomodativas à medida que damos connosco na pele do protagonista. O que será a vida? O que é ser feliz? Será assim tão difícil o ser humano entender que a sociedade se encaminha inexoravelmente para a sua auto-destruição, para o abismo?

Olhamos à nossa volta e o que vemos? Pandemias que ameaçam arrasar a vida humana, a perspectiva de, num futuro muito próximo, não possuirmos água potável para necessidades vitais. Um mundo sem futuro…

Entendem o género de perguntas que o autor nos arremete? O curioso é que ele consegue dar-nos as respostas…

Pessoalmente foi uma obra que me deu imenso prazer ler mas que, em simultâneo, me angustiou tal a objectividade e clareza dos pontos de vista explanados.

No entanto, como romance em si, aponto algumas falhas no argumento que está por detrás, que mascara o verdadeiro sentido do romance. Há questões que o autor podia ter trabalhado (tinha material para isso) mais minuciosamente. Factos que sucedem com alguma precipitação e, sobretudo, um certo facto que, face ao exposto no pensamento de certa personagem, me pareceu ser algo descuidado, apressado. Em todo o caso isto não belisca minimamente a qualidade e contributo deste livro para que possamos pensar em questões que, enquanto seres humanos, não nos podemos demitir de considerar.

Do princípio ao fim estive na pele de Vinicio Salazar. Percebi, senti a sua angústia e entendi que tudo tem uma lógica, um significado e, sobretudo, apreendi que a vida é verdadeiramente a única realidade objectiva que possuímos, tudo o resto é acessório.



Classificação: 5

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Paixão em Florença - Somerset Maugham


Mary Panton é uma jovem viuva que se encontra em Florença numa bela casa emprestada por uns amigos de modo a restabelecer-se da morte do marido e pensar no que havia de fazer com a sua vida.

À semelhança de tantas outras ocasiões, aceita o convite para jantar de uns amigos e é assim que se vê num restaurante rodeada de um grupo de pessoas, algumas delas algo curiosas.

Nesse período dá-se um acontecimento que se prolongará não apenas no regresso a casa de Mary, como durante toda a noite, acontecimento esse que servirá de argumento ao livro, originando um caso grave de violência que ameaçará destruir a amena vida de Mary.

Neste pequeno livro (li-o em duas horas), Maugham, uma vez mais, coloca a sua marca.

É uma obra onde, de uma forma intensa, sobressai as emoções humanas, aliás, Maugham é mestre em as explorar, confrontando-nos com opções a tomar, colocando-nos em várias encruzilhadas.

Maugham é brilhante, genial na forma simples como brinca com as palavras. As situações por ele criadas são intensas, agarram-nos à história e aos personagens, todos eles únicos, memoráveis. Isso é algo que sobressai da escrita de Maugham e que o faz ser um dos meus escritores favoritos. Maugham aparentemente trabalha pouco os personagens, não perde muito tempo a construir uma história, uma identidade do personagem X ou Y, no entanto é tal a intensidade, o carisma que concede aos seus personagens que, todos eles, irrompem das suas obras com uma força tal que se tornam memoráveis.

Mais uma pérola que o mestre Somerset Maugham nos deixou.


Classificação: 5

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Rebecca - Daphne du Maurier


Após tantas entusiasmantes opiniões sobre este clássico, confesso que para mim desconhecido, e após perceber tratar-se de uma obra que foi motivo de grande entusiasmo na altura em que foi publicada sendo, inclusive e alguns anos depois, transposto para o cinema pelo mestre Hitchcock, empreendi a leitura desta obra, podendo dizer que não me arrependi.

Contudo e embora tenha de facto apreciado o livro, não posso afirmar ser esta obra uma das que vai passar à galeria pessoal dos melhores. Gostei bastante, mas não a considero nenhuma obra-prima, muito menos a sua autora, pois considero ser esta obra muito semelhante, em diversos aspectos, a algumas obras escritas décadas antes.

Mas vamos por partes.

O viúvo aristocrático Maximillian de Winter está de passagem por Monte Carlo onde conhece uma jovem dama de companhia de uma abastada e irascível senhora que por ali passa uns dias de descanso. Entre Maximillian e a jovem nasce uma amizade cúmplice que acaba por um pedido de casamento logo aceite pela jovem.

Após uma lua-de-mel na França, vão morar na antiga e imensa propriedade familiar dos De Winter, Manderley, uma mansão vitoriana cheia de divisões, lugares obscuros e envolta num clima misterioso, algo sobrenatural.

A partir daí, a jovem, agora Mrs. De Winter, começa-se a sentir uma intrusa na mansão, outrora dominada pela primeira Mrs. De Winter, Rebecca. Todos os pormenores fazem sentir a presença de Rebecca. Essa sensação torna-se, gradualmente, uma obsessão doentia que vai colocando em causa não só o seu casamento, como o amor de Maxim e o propósito do casamento de ambos.

A observá-la, Mrs. Danvers, governante de Manderley e ex-criada pessoal de Rebecca…

A história em si não me fascinou por aí além. Fascinou-me sim a capacidade de Maurier em criar um clima de tensão, uma áurea de sobrenatural, de mistério de inicio ao fim. Achei surpreendente como é que estamos sempre com a convicção da presença de Rebecca, ela vai-se tornando a personagem principal do livro e isso é fenomenal, pois é alguém que já faleceu mas que continua a exercer uma imensa influência em tudo e todos.

Adorei o trabalho de criação das personagens.

A ingénua e assustada dama de companhia transformada em Mrs. De Winter. Maximillian, o rico e poderoso Mr. De Winter sempre tão misterioso, como se escondesse um mistério. Mrs. Danvers, soberba. Das melhores personagens que já alguma vez tive o prazer de ler, ficou sendo a minha preferida. E Rebecca. Tão distante e tão presente, sobrenatural, um espectro invisível e silencioso, mas que grita a sua presença nos mais pequenos pormenores.

Adorei a escrita de Maurier. Clara, concisa, sem grandes descrições, diria mesmo cinematográfica. As descrições, sempre curtas, são belíssimas, deliciosamente poéticas. A forma como a autora vai criando os dilemas, as desconfianças, os receios, os pensamentos obsessivos paranóicos de Mrs. De Winter, é excepcional.

Porém há factos, particularidades que não posso fingir não existir e que me levam a considerar este romance um bom livro mas não uma obra-prima.

Já não vou referir a polémica que surgiu na altura da sua publicação, onde Daphne du Maurier foi acusada de plágio pela escritora Carolina Nabuco que a acusou de ter plagiado o seu romance “A Sucessora” e que, pelo que constatei numa breve pesquisa, há de facto indícios que apontam para uma forte inspiração de Maurier no romance de Nabuco, porém é inegável a semelhança de vários outros aspectos da obra com outras obras.

Manderley, no seu ambiente misterioso, tétrico é deveras semelhante, ou se quiserem, faz lembrar a propriedade dos “Monte dos Vendavais” (Herdade da Cruz dos Tordos). Maximillian de Winter é demasiado semelhante ao sr. Rochester de “Jane Eyre” e até a heroína de “Rebecca” tem fortes laivos da própria Jane Eyre. Jack Favell, o desconfiado e sarcástico primo de Rebecca faz lembrar Heathcliff do “Monte dos Vendavais” e, finalmente, a personagem de Rebecca, a misteriosa e enigmática Rebecca é quase uma cópia da também enigmática louca que vive no sótão da mansão em “Jane Eyre” e, note-se, até o parentesco é igual. Não no aspecto físico, mas sobretudo no impacto das personagens.

Ou seja, quanto a mim, Du Marurier não se baseou, não se limitou a inspirar nestas personagens destas obras. Criou de facto um excelente romance, mas facilitado pelo trabalho de autores precedentes a ela e isso, a meu ver, tira-lhe a genialidade que este romance poderia de facto ter.

Classificação: 5

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Fio da Navalha (O) - Somerset Maugham


A acção do livro passa-se entre Chicago e Paris nos anos vinte e trinta do século XX.

Somerset Maugham, ele próprio narrador participante, oferece-nos a história de vários personagens que se interligam em torno do personagem central: Larry Darrel, jovem americano que vê o seu melhor amigo morrer para lhe salvar a vida.

Este acontecimento dá o mote para este brilhante romance.

Larry questiona-se acerca do sentido da vida.

Esta questão Maugham coloca-a em contraponto com a futilidade diárias de outros fascinantes personagens que, com as suas histórias, vão-nos dar um fresco da superficialidade e mesquinhez do jet-set europeu e norte-americano, cujas vidas banais são elas próprias representativas da decadência que já se percebia.

Maugham é brilhante na exploração desses dois universos antagónicos. O primeiro um universo místico, onde a busca do sentido da vida, do imaterialismo, do desapego, da tentativa de encontrar um sentido para a existência é explorado através das andanças e descobrimentos de Larry. O outro, um universo materialista, elitista, onde o status é condição sine qua non para ser alguém é também ele brilhantemente explorado pela personagem de Elliot, ela também soberba.

A mediar estes mundos temos o próprio Maugham que, com a sua sensibilidade e experiência de vida, vai colectando informações, conversas e confissões que, ligadas entre si, fazem desta obra algo de verdadeiramente soberbo.

Quem terá sido, na vida real, Larry Darrel?

Sim, questiono quem terá sido, porque, no meu íntimo, não duvido nem um minuto na realidade desta história. Até porque Maugham narra os factos que conhece, deixando-nos adivinhar o resto, deixando sempre no ar possibilidades, conjecturas.

Somerset Maugham é um escritor genial e este livro, não sendo aquele que mais gostei do escritor, é ele, por si só, uma pérola da literatura universal.

Classificação: 6

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Jane Eyre - Charlotte Brontë




Publicado em 1847, com o pseudónimo de Currer Bell, Jane Eyre teve um sucesso fulminante junto do público britânico que ficou, ele próprio, na expectativa de conhecer esse autor desconhecido.

A surpresa foi maior quando se soube que por detrás de Currer Bell estava uma jovem de 29 anos, supostamente sem experiência de vida e incapaz de ter escrito tal obra. A pergunta pairou até aos dias de hoje: como é que uma jovem inexperiente tinha a capacidade de escrever uma obra que exprime a natureza humana?

Charlotte Brontë era a mais velha das famosas irmãs Brontë, todas elas autoras de obras consideradas, hoje em dia, clássicas.

Jane Eyre é uma obra que, na minha opinião, se destaca pela beleza da escrita, pela prosa quase poética com que a história é narrada.

Mais de 100 anos após a sua escrita, não posso afirmar que achei a história sublime. Essa, e eu sei que pode ter sido precursora do género, é uma simples história da criança órfã que, maltratada pelos familiares que lhe restam, é mandada para um orfanato onde cresce sem carinho e sem amor.

Após a saída do orfanato, entra ao serviço de uma casa rica e aí apaixona-se pelo patrão…

Há depois encontros e desencontros, coincidências, algumas forçadíssimas, numa áurea romântica tão típica das novelas da época.

Uma das características que mais apreciei foi a descrição rural da Inglaterra, sobretudo o quadro que Charlotte pinta do modo de vida, da mentalidade e da forma como as pessoas agiam naquele “mundo” tão fechado de regras sociais, com conceitos tradicionais tão imbuídos ainda dos ares medievais. Esse é, sem dúvida, uma das mais valias do livro.

Uma boa obra, sem dúvida, mas longe de ser, hoje em dia, uma obra que catalogue como “obrigatória”.

Classificação: 3

terça-feira, 7 de julho de 2009

A Conspiração Franciscana - John Sack



Terá São Francisco de Assis tido lepra?

Em a "Conspiração Franciscana", John Sack escreve um romance histórico que nos leva ás inquietações desta ordem.

Frei Conrad é um membro da Ordem Franciscana que, através de documentos históricos e religiosos parte à descoberta de uma misterioso segredo que pode abalar a Ordem e a própria Igreja Católica.

Os desafios que vai ter de enfrentar são vários. Desde o Papa até aos seus membros superiores

Mas o seu maior desafio é Amata. Uma jovem que Conrad conhece. Conrad está apaixonada por ela, mas o facto de ter feito votos de castidade não o permite "apaixonar-se". Apesar de sentir uma vontade enorme de o fazer.

É um bom romance. Tem muita história religiosa. Nomeadamente no que toca a São Francisco de Assis e à sua Ordem. Com uma linguagem ainda muito antiga....

NOTA : 5 Valores

domingo, 31 de maio de 2009

Tigre Branco (O) – Aravind Adiga




Ao longo de sete noites, Balram Halwai (ele próprio o Tigre Branco), através de cartas por ele escritas ao Primeiro Ministro chinês Wen Jiabao que se prepara para visitar a Índia, empreende uma narrativa da sociedade indiana, de uma Índia desconhecida, atolada em desigualdades que, como ele refere, se divide em duas: a da Luz e uma outra, denominada de Escuridão.

Assim, num monólogo ou diálogo imaginário, Balram começa por narrar a sua infância marcada pela extrema pobreza e condições verdadeiramente sobre-humanas que lhe começam a moldar o carácter. Nascido numa das castas mais baixas (isso das castas é chocante), expõe de uma forma nua e crua uma Índia violenta, cheia de preconceitos, onde os pobres são sempre pobres, tratados como animais, criados e onde tudo é corrompido, literalmente tudo, sobretudo no campo político.

Nesta brutal obra, Aravind foca os grandes e eternos problemas da Índia. Sob o manto fictício da modernidade, do milagre económico, pinta-nos um retracto assombroso e medonho de um país profundamente desigual, dividido por tradições xenófobas que ninguém sabe a sua origem e por um sistema político corrupto que pisa tudo e todos, que não age em defesa do povo mas sim dos seus interesses pessoais.

É um livro corrosivo. A realidade é-nos disposta à frente sem dó nem piedade. Acham que a Índia é aquele país dos filmes de Bollywood? Essa Índia existe de facto, mas a Índia profunda, a Índia onde vive e sobrevive a maioria do seu povo, é uma Índia monstruosa, assustadoramente monstruosa.

Até o Rio Ganges é aqui desmistificado “sr. Jiabao, eu aconselho-o a não mergulhar no Ganges, a menos que queira ficar com a boca cheia de fezes, de palha, de bocados encharcados de cadáveres humanos, de carne putrefacta de búfalo, para além de sete tipos diferentes de ácidos industriais”.

O tom irónico, mordaz e corrosivo como toda a narrativa é conduzida, demonstra um profundo desencanto e desilusão de Aravind. Diria que este livro é quase um grito de desespero ao mundo e note-se que não é por acaso que é referido inúmeras vezes, de uma forma lírica, Mahatma Gandhi, homem que procurou lutar contra um sistema que, ao contrário que muitos defendem, não mudou em nada.

Um livro que me chocou dada a brutalidade daquela sociedade desigual. Desconhecia essa realidade, porém, confesso que me senti incomodado quando me deparei com o sistema corrupto, pois e pelo que sabemos da sociedade portuguesa, sobretudo ao nível dos meandros do futebol, se calhar “somos” mais parecidos com os indianos do que propriamente com os europeus.

Um livro soberbo, poderoso, a par de "A Estrada", é o melhor que li nesta década e que, afirmo eu, está destinado a ser um clássico da literatura.

Um livro que a par do filme “Slumdog Millionaire” deve ser um incómodo para o governo e outras estruturas políticas e sociais da Índia.


Classificação: 6

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Saga de um Pensador (A) – Augusto Cury




Um livro belíssimo, fascinante.

Na sala de anatomia, um grupo de caloiros fica chocado quando, na sua primeira aula, se depara com um conjunto de corpos sem identificação prontos para serem estudados por esses futuros médicos. Estes corpos são de ninguém, sem abrigos, indigentes da sociedade, corpos sem história, corpos sem interesse.

Mas será mesmo assim?

Um dos estudantes, Marco Pólo, questiona, sob gozo geral, inclusive dos professores, a identidade daquelas pessoas que ali jazem no mármore. Quem são essas pessoas, que histórias têm para contar, quem amaram, tiveram família?

Esta é a premissa para uma saga fascinante que nos faz reflectir sobre a simplicidade da vida e das relações humanas sempre tão pouco valorizadas, mas que nos permitem uma riqueza interior muito mais valiosa do qualquer riqueza material.

Um jovem sonhador que se torna um pensador, um “vendedor de sonhos”. Marco Pólo vai dissertando sobre saúde mental, acerca dos normais e anormais da sociedade, solidariedade, compreensão, amor, fé e tolerância. O livro é atravessado, do início ao fim, por uma corrente positiva que nos faz acreditar, aliás, que nos faz ter a certeza da capacidade do ser humano e no porquê de grande parte das pessoas não viverem felizes.

Uma obra que questiona o sentido da vida e a sua qualidade, que questiona e demonstra a hipocrisia da sociedade e a insistência desta em criar máscaras sociais que aprisionam as pessoas, impedindo-as de serem elas.

Um hino à sabedoria que está inserida em todos os seres humanos, mas que, infelizmente, poucos se apercebem.

Todos somos caminhantes da vida, todos temos um caminho a percorrer.

Curioso o Princípio da Co-Responsabilidade Inevitável que faz todo o sentido. Cada ser humano influencia e é influenciado… descubra este principio, é genial, maravilhoso.

Um livro que considero de leitura obrigatória.

Se não brincares com a vida, a vida zangar-se-à contigo”.

Um dia a maioria das pessoas têm de juntar os seus pedaços e reescrever a sua história. Pois muitos passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser

A maioria das pessoas vive porque respira. Já não perguntam quem são e o que são. Estão entorpecidas pelo sistema”.



Classificação: 5

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Shalimar o Palhaço - Salman Rushdie



1993, no dia do 24º aniversário da sua filha, Max Ophuls é assassinado de uma forma monstruosa pelo seu motorista, Shalimar, parecendo tratar-se de um assassinato por razões políticas, pois Ophuls havia sido embaixador americano na India e dono também de um passado ligado à resistência francesa e responsável pela morte de vários oficiais alemães.

Em estado de choque, pois o crime é cometido praticamente à sua frente, India Ophuls, a filha, não entende como é que um homem tão bom como era o seu pai pode ter sido assassinado daquela forma bárbara. O que India desconhece é que o passado do pai está ensombrado por acontecimentos escandalosos que estão interligados com o seu próprio passado, nomeadamente o caso que o seu pai teve como a sua mãe, que ela nunca conheceu, aquando do mandato do pai na Índia.

Essa é a premissa para uma narrativa algo complexa sobre o passado de Max Ophuls, passado esse que, por ser longo, abrange seis décadas do século XX, logo acontecimentos muito importantes como a 2ª Grande Guerra, a guerra da Caxemira entre a India e o Paquistão, centralizando uma ideia base que acaba por se sentir em todos esses adventos, o radicalismo.

Sendo o primeiro livro que leio de Salman Rushdie, não posso afirmar que a escrita dele me encantou, até porque, e isso é uma ressalva que faço, achei essa escrita algo parecida com a de Garcia Marquez, e mesmo o estilo, esse realismo fantástico está presente em toda a narrativa, dando-lhe efectivamente um tom mágico e até algo épico, pois Rushdie, para além de abordar uma série de eventos históricos, é useiro em dados e curiosidades históricas e culturais, mencionado outras obras literárias.

No entanto o livro também não me desagradou e houve capítulos, diga-se de passagem que todos os capítulos são muito extensos, que me agradaram imenso. Por outro lado e não sendo eu um curioso sobre a História da India, a abordagem de Rushdie à cultura e religião Indu, aborreceram-me. A forma como Rushdie traça o trama também é bastante interessante. O primeiro capítulo é bastante motivador, ficando nós com a ideia que esse crime é por motivos políticos. Rushdie deixa-nos ir pensando nisso até certo ponto para, de repente, traçar uma outra linha condutora, misturando então tudo e, digamos, voltar a dar.
Pode parecer algo confuso, mas a história segue-se bem e com interesse, no entanto e na minha opinião, há períodos aborrecidos mas que não chegam para deslustrar um bom livro.

Classificação: 3

quarta-feira, 18 de março de 2009

Vendedor de Sonhos (O) - Augusto Cury


No topo do imponente edifício da maior companhia empresarial, um homem, desde logo chamado suicida, 40 anos, está prestes a pôr termo à sua vida.

Mas quem é este homem, porque se quer suicidar?

Será que a suas erudições, exímios conhecimentos linguísticos e de idiomas, boa aparência, saúde financeira, não lhe permitem ter uma vida completa e realizada?

Enquanto se desenrola este acontecimento, um homem no meio da multidão, que entretanto se juntou para ver triste espectáculo, pede passagem. Mas vestido, parecendo mais um vagabundo, um desprivilegiado da sociedade, consegue através da persuasão e de um estranho magnetismo, chegar ao topo do edifício e à companhia do suicida.

Ali apresenta-se como “Vendedor de Sonhos”.

É esta a premissa para entrarmos numa aventura onde a vida é-nos mostrada na sua simplicidade e plenitude como a mais importante dádiva ao ser humano. Esse homem, mais parecido como um vagabundo, vai revelando o significado de “vendedor de sonhos”, dissertando acerca de várias questões das sociedades e do intimo da alma humana, demonstrando que a consciência do individuo é fundamental para perceber o mundo e se libertar das grilhetas que, por culpa própria, o sufocam e lhe retiram essa mesma consciência e a liberdade de observar, sentir, sonhar, considerar, pensar, de viver.

É um livro que fala de emoções humanas, das perdas e ganhos, da nossa mente que teima em arranjar subterfúgios politica e socialmente correctos para mentir a ela própria, do que é tão óbvio e simples mas que porfiamos em menosprezar, dos ditos “sérios” da sociedade e dessa mesma sociedade que segue, impávida, serena e sem reagir, normas estereotipadas que transformam as pessoas em fantoches num imenso manicómio social.

Em suma, um livro que descomplica o complicado, que demonstra que o importante da vida são coisas simples que estão ao alcance de qualquer ser humano, entre pequeninas coisas, a mais importante e tantas vezes depreciada: O Amor.


Frases chaves:

“Eu tento vender coragem aos inseguros, ousadia aos medrosos, alegria aos que perderam o encanto pela vida, sensatez aos incautos, criticas aos pensadores”.

“Deus, quem és tu? Porque te calas diante das loucuras de alguns religiosos e não abrandas o mar de dúvidas dos cépticos? Porque disfarças os teus movimentos atrás das leis da física e escondes a tua assinatura nos eventos que ocorrem ao acaso?”

“É possível encontrar um grande amor. Só não se esqueça que poderá ter o melhor parceiro (a) ao seu lado, mas continuará infeliz se não tiver um romance com a própria vida. Contudo para a alcançar terá de deixar se ser escrava (o).”

“Que espectáculo vamos ver nós? Espectáculo? Cada dia é uma festa e cada dia um espectáculo. Só não o descobre quem está mortalmente ferido pelo tédio. O drama e a comédia estão no nosso cérebro. Basta despertá-los”.

“O intervalo de tempo entre a juventude e a velhice é mais breve do que se imagina. Quem não tem prazer ao penetrar no mundo dos idosos não é digno da sua juventude. Não se enganem, o ser humano morre não quando o seu coração deixa de bater, mas quando de alguma forma, deixa de se sentir importante.
Encontramos muitos “mortos” que estavam vivos pelos caminhos. Praticamos uma eutanásia psicológica. Sepultamos admiráveis seres humanos até quando lhe damos suportes para que sobrevivam.”

“Dêem e recebam. Não dominem as pessoas, não defendam a vossa crença, não imponham as vossas ideias, exaltem a vossa humanidade. Perguntem a quem encontrarem pelo caminho no que é que vocês lhes podem ser úteis. Dialoguem com as pessoas, conheçam páginas secretas, desvendem seres humanos deslumbrantes entre os anónimos. Não os enxerguem com os vossos olhos mas com os olhos deles. Não invadam a sua privacidade, não a controlem, vão até onde lhes permitirem. Ouçam-nos humildemente, mesmo os que pensam desistir da vida e estimulem-nos a ouvirem-se a si mesmos. Lembrem-se de que o reino da sabedoria pertence aos humildes.

Classificação: 5

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sputnik, Meu Amor - Haruki Murakami



A história é narrada por K., um jovem professor primário.

K. vive apaixonado por Sumire, uma jovem mulher que vive na perspectiva de vir a ser escritora de renome, porém Sumire não escreve nada de palpável criando uma ilusão ou um sonho.

K. ama Sumire, mas Sumire vê em K. apenas um amigo, porém, entre os dois nasce uma intimidade cheia de inconfidências, segredos próprios de amantes.

Entre os dois intromete-se Miu, uma mulher madura, frígida assumida, que contrata Sumire como secretária pessoal.

Sumire apaixona-se perdidamente por Miu, uma paixão entre o platónico e o puramente sexual, tornando K. confidente desse amor.

É neste estranho triângulo que, numa viagem à Grécia de Miu e Sumire, esta última desaparece. Miu, assustada, chama K. para ajudar nas investigações e é a partir daí que se começa a desvendar o mundo destas três personagens.

Adorei este romance, diria mesmo que foi dos poucos que me comoveu e que me tocou bem fundo.

Neste livro Murakami traça de uma forma magistral e ao mesmo tempo nua e crua, um retacto da solidão, uma reflexão apurada sobre o ser humano e essa solidão que insiste em o envolver.

São brilhantes as dissertações acerca dos sonhos e das necessidades que temos em pertencer, em ser, viver, sentir, amar e ser amado.

Murakami constrói três personagens que se interligam em todas essas vertentes. Constrói um mundo onírico, uma espécie de 2ª Dimensão, um outro lado do espelho em que estas três personagens se complementam.

Revi-me em muitos momentos desta narração.

Em vários momentos comoveu-me o pensar de K., os sonhos e desejos de Sumire e o sofrimento de Miu.

As reflexões de K., quando na Grécia, mostram-nos um mundo das fragilidades humanas.

O Melhor livro de Murakami e um dos melhores livros que li nos últimos tempos.

“Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta gente, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?”

Um livro espantoso que me apaixonou.

Classificação: 5

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Romance do Expresso do Oriente - Vladimir Fedorovski


É uma viagem ao passado.
Uma viagem aos tempos da Primeira, Segunda e Guerra Fria....
O Expresso do Oriente transportava reis, ditadores, espiões, princesas, duques.....
Ultrapassava a Europa de uma ponta à Outra
Neste romance, um casal decide recriar as viagens do Expresso do Oriente escolhendo as personagens que viagem no ilustre comboio.....
É nos dada uma "biografia" de personagens como Lawrence da Arábia, Mata-Hari, Daghliev e a famosa Marléne Dietrich.... Esta ultima tem a história mais interessante
Um livro curto, fácil de ler, apelativo mas pouco emotivo e sem grande suspense.....
Porque o verdadeiro Expresso do Oriente parece não andar mais
NOTA 4 Valores

sábado, 18 de outubro de 2008

Alexandre Dumas - Memórias de um médico: O Colar da Rainha Vol. I

Alexandre Dumas - Memórias de um médico: O Colar da Rainha Vol. ITítulo: Memórias de um médico: O Colar da Rainha Vol. I
Autor: Alexandre Dumas
Gênero: Romance

O Colar da Rainha é um romance histórico de Alexandre Dumas. Maria AntonietaÉ a segunda parte de uma série de livros intitulada "Memórias de um Médico" que é precedida por Joseph Balsamo e seguida por Ange Pitou e A Condessa de Charny. Foi escrito em colaboração com Auguste Maquet e apareceu sob forma de folhetim no jornal La Presse entre 1849 e 1850. A coleção enfoca a série de acontecimentos que dão origem e deflagram a Revolução Francesa, desde a chegada de Maria Antonieta à França para seu casamento com o delfim Luís, mais tarde rei Luís XVI. Este livro é livremente inspirado no Caso do colar da Rainha, golpe que movimentou a crônica política e judiciária da corte do rei Luís XVI de França e que comprometia sua esposa, a rainha Maria Antonieta, nos anos de 1780. Este caso foi um dos fatos agravantes que solaparam a reputação da monarquia e aceleraram a deflagração da Revolução Francesa.

Livro preparado pela Érica.

Carmen Reid - Uma Cama para Três

Carmen Reid - Uma Cama para TrêsTítulo: Uma Cama para Três
Autor: Carmen Reid
Gênero: Romance
Editora: Bertrand Brasil

Bella Browning é atraente, bem-sucedida e ambiciosa. Trabalha como uma louca, é dura na queda e é apaixonada por Don, o marido jornalista (embora ela nem sempre ande tão na linha quanto deveria). Entretanto, lá no fundinho de seu coração, ela sente que algo está faltando ao casal... e esse algo é um bebê. Don anda aterrorizado com essa possibilidade, mas, afinal de contas, se Bella é uma grande consultora, capaz de transformar megaempresas... então, ela vai dar conta do recado! Vai? Vai mesmo?!? Entre crises matinais de enjôo, hormônios fora de controle e alguns, digamos, "passos em falso" com o delicioso e atraente Chris, seu colega de trabalho, ela descobrirá rapidamente como será difícil interpretar o papel da perfeita mãe moderna e workaholic, e ainda conservar o sex appeal de uma deusa grega. Mas Bella é uma mulher de muitos talentos e não está nada a fim de ser derrotada.

Livro preparado pela Gaby & Dayse Duarte.

Caio Fernando Abreu - Limite Branco

Caio Fernando Abreu - Limite BrancoTítulo: Limite Branco
Autor: Caio Fernando Abreu
Gênero: Romance
Editora: Agir

Escrito em 1967 e publicado pela primeira vez em 1970, o primeiro romance de Caio Fernando passa-se no final de 60; anos de AI-5 e de revoluções culturais. Ao mesmo tempo em que o mundo pegava fogo, e vivendo imensas transformações, Caio F. vai na contramão e escreve um romance íntimo e psicológico, voltado para os dramas de Maurício, um adolescente do interior gaúcho. Intercalando trechos do diário do protagonista com flash-backs, Caio F. constrói um personagem complexo e angustiado, cenário familiar ao autor, já que contêm referências autobiográficas. Ao mesmo tempo em que nos deparamos com uma escrita carregada de inocência e frescor juvenil, Caio F. já demonstrava maturidade. Percebe-se isso quando ele narra, por exemplo, com extrema maestria poética o atormentado destino da suicida Luciana, ou quando delicadamente expõe a ambiguidade sexual de Maurício. Um paradoxo delicioso, os primeiros passos de futuras obras-prima, como 'Onde andará Dulce Veiga?' e 'Morangos Mofados'.

Livro preparado pela Lara & Pandora.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Johannes Mário Simmel - Eu Confesso Tudo

Johannes Mário Simmel - Eu Confesso TudoTítulo: Eu Confesso Tudo
Autor: Johannes Mário Simmel
Gênero: Romance / Ficção
Editora: Nova Fronteira

Através da aventura, do esplendor e das tentações do mundo do cinema desenvolve-se o dramático destino de um escritor que, depois de uma vida amorosa desenfreada e sem escrúpulos, fraudes e crimes, encontra o caminho da volta a si mesmo. James Elroy Chandler, bem-sucedido roteirista de Hollywood, está trabalhando em seu mais novo filme na Alemanha. Uma série de intrigas ameaça seu entendimento com o chefe da produção; seu casamento começa a degenerar; comete adultério, e sua relação com esta outra excêntrica e apaixonada mulher é atormentadora. Chandler vem então, da noite para o dia, a saber que está sofrendo de uma doença incurável: dispõe de apenas mais um ano de vida. O modo como ele vai utilizar esse prazo final constitui talvez o tema mais empolgante em torno do qual Johannes Mario Simmel já escreveu, conforme assinala o Stuttgarter Zeitung: "Aqui se precipitam acontecimentos tão sensacionais, que dificilmente o leitor conseguirá deixar de lado o livro por um instante sequer... Deslumbrado, o leitor verá correr diante de si uma sucessão de cenas de singela beleza poética e humana, nas quais Simmel faz a criação e formação dos personagens exceder de longe o soberano domínio de técnica".

Livro preparado pela Sofie.

domingo, 12 de outubro de 2008

Trilogia Suja de Havana - Pedro Juan Gutiérrez

Pedro Juan Gutiérrez, ex-jornalista desiludido e ex-uma-série-de-profissões ainda mais desiludido, resolve enveredar pelo campo das letras e contar ao mundo a verdadeira face da Cuba socialista de Fidel Castro, e o resultado é uma profusão de pequenos textos verdadeiramente geniais e consideravelmente chocantes.

E mais chocantes se podem considerar quando sabemos, e é o próprio que afirma, que esses textos não são puramente ficcionais. Todos eles têm uma base, uma sustentação bem real que ou foi directamente vivida por Pedro Juan, ou então por alguém da seu circulo de amigos. E é com base nesta afirmação que esta "Trilogia Suja de Havana" se torna numa verdadeira catarse do autor, uma série de contos nitidamente autobiográficos.

Como o nome indica, esta trilogia é composta por três títulos: "Ancorado em Terra de Ninguém", "Nada que Fazer" e "Sabor a mí", que servem de apoio para algumas dezenas de outros pequenos contos que se interligam entre si, contos esses passados na década de 90, década em que uma grave crise assolou Cuba. Das várias personagens que vão surgindo e desaparecendo, há uma que assume o papel principal na esmagadora maioria dos contos: Pedro Juan, ele próprio.

Assim o universo de Pedro Juan é a velha e bela ilha de Cuba. Uma Cuba mágica para os turistas, mas uma outra Cuba para os seus habitantes.

Sobrevivendo num país praticamente destruído, o escritor vai-nos narrando, de uma forma extremamente cruel e violenta, o dia-a-dia daqueles que vivem em condições paupérrimas e que lutam por um simples naco de pão e por meia dúzia de pesos (moeda cubana) ou então que sonham com dólares norte-americanos. No entanto essa forma violenta de narrar tem a capacidade de nos mostrar a verdadeira Cuba, sobretudo a face de uma sociedade sem escrúpulos, totalmente dominada por um pretenso e oprimido desejo capitalista e por uma febre debochada de sexo, rum e charutos.

É nesta Cuba escondida dos turistas, numa Cuba fétida alheada do resto do mundo, que ele nos descreve a enorme promiscuidade sexual. Mas não são meras descrições de encontros sexuais. Não! Pouco tem de erótico, as mesmas assumem uma dimensão grotesca numa linguagem vernácula e sem quaisquer cuidados estéticos. Segundo Pedro Juan, o sexo é uma troca de fluídos, e nessa troca vale tudo, o limite conta-se pelo número de orgasmos, palavrões e violência física e psicológica. Mas ao mesmo tempo essa troca de fluídos, que por vezes nos parecem transportar para um mero conto pornográfico de baixa qualidade, têm o condão de expressar ainda mais a decrépita qualidade de vida daquelas pessoas que, por nada fazerem (desemprego e prisão) e pelo clima dos trópicos, acabam por se entreterem neste tipo de acções.

Numa escrita despretensiosa - o que não é alheia o facto de ele ter sido jornalista durante tantos anos (ganhava 3 dólares por mês) -, Pedro Juan Gutiérrez demonstra o seu enorme desencanto e descrença pelo falso sistema socialista cubano que advém da Revolução de Fidel Castro. Embora contenha toda uma descrição violenta, ele tem a capacidade de salpicar com grandes doses de humor toda uma narrativa que é uma autêntica flecha apontada ao seio do governo de Fidel.

Sempre duro e implacável, Pedro Juan Gutiérrez é uma voz incómoda que se levanta e um pertinaz cronista da sua amada Cuba, e é também um escritor genial que consegue criar, num mesmo texto, sentimentos tão dispares como: paixão, repulsa, compaixão, nojo, amor, ódio, excitação e boa-disposição.

Um escritor que já me tinham aconselhado e uma muito agradável surpresa.

Altamente aconselhável!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Thomas Mann - A Montanha Mágica

Thomas Mann - A Montanha MágicaTítulo: A MONTANHA MÁGICA
Autor: Thomas Mann
Gênero: Romance
Editora: Nova Fronteira

A Montanha Mágica (no original em alemão Der Zauberberg) é um livro escrito por Thomas Mann em 1924. Um dos romances mais influentes da literatura alemã do século XX, foi importante para a conquista do Prêmio Nobel de Literatura em 1929 por Mann. É um exemplo clássico da literatura que os alemães classificam como Bildungsroman. Thomas Mann iniciou a escrita de "A montanha mágica" em 1912, o mesmo ano em que sua mulher Katharina Mann (Katia) foi internada num sanatório de Davos na Suíça, para se curar de uma tuberculose. O livro teria sido inspirado nesse episódio.

Livro preparado pela Érica.