TRECHO:
“A comunicação entre os diferentes mundos pode ser estabelecida e mantida
normalmente, sem provocar as dificuldades e as desvantagens que
problematizam os métodos conhecidos como espíritas. Estes últimos,
contudo, continuam a ser os únicos métodos ao alcance imediato da pessoa
destreinada, e, por isto, são do maior valor para a destruição dos
preconceitos dos cientistas e dos materialistas, e para darem provas físicas e
tangíveis, disponíveis para qualquer um, da continuidade da consciência
além da morte.”
Dra. Annie Besant
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domingo, 23 de agosto de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O Cristo Reinterpretado: Espíritas, Teósofos E Ocultistas Do Século XIX, de Profa. Dra. Eliane Moura Silva
TRECHO:
Durante o século XIX, no Ocidente, o conhecimento científico tornou-se o crivo obrigatório da sociedade. A este conhecimento aliou-se a razão, o progresso e o materialismo. Juntos refletiam o lado luminoso da sociedade. As certezas racionais afirmaram a instrução, o darwinismo social, a modernização e foram as bandeiras sob as quais abrigaram-se diferentes segmentos sociais. Este avanço do evangelho racional e científico teve, como contrapartida, um recuo das religiões tradicionais, pelo menos nos centros mais urbanizados e intelectualizados.
Para cientistas e intelectuais da segunda metade do século XIX, o materialismo apresentava para a Humanidade um futuro sem sobressaltos, num progresso contínuo e sem dramas. A razão humana tornava-se todo-poderosa, progressivamente “perfeita” e o conhecimento material ampliado conduzia a uma confiança absoluta na educação científica, numa espécie de otimismo messiânico, com o império da Liberdade, da Felicidade e da Riqueza.(1). O otimismo combinava com o positivismo e a crença numa evolução ilimitada. Aliava-se ao desenvolvimento do conhecimento científico, a redescoberta das culturas antigas, mitológicas e extra-ocidentais. A expansão colonial trouxe contatos com povos, épocas e culturas diferentes.
Da segunda metade do século XIX em diante, duas vozes dissonantes alimentaram uma polêmica recíproca: a causa da ciência e da natureza em nome de uma religiosidade exclusivamente secular. Contra esta extrema secularização levantaram-se os direitos irrevogáveis da consciência, da deficiência insanável da Razão e do poder sobre-humano do Sagrado e do Mistério.
A crise religiosa revelada desta época manifestou-se, freqüentemente, contra a oficialidade de todas as formas de tradição, de todas as figuras históricas e espiritualmente gastas, vazias, sem criatividade ou inventividade. Esta crise apontou a necessidade de uma religiosidade espiritualmente mais adequada, de novas utopias de salvação.
As novas criações religiosas desde o século XVIII e, sobretudo no XIX, são marcadas por uma concepção espiritualista de inspiração e interpretação das Escrituras, da recuperação de uma vida interior diretamente em contato com a divindade. Temos, inclusive, um campo propício para o estabelecimento de vínculos entre a mística espiritualista, o esoterismo e o racionalismo, num desejo de articular um tipo de exegese religiosa em bases contemporâneas com as aparências do método científico, apresentando novas mensagens cristãs. (2).
O pensamento naturalista seguiu o caminho das novas conquistas da Ciência e da Epistemologia, com o alargamento da doutrina do conhecimento sobre qualquer aspecto ou problema do Universo. Mas a forte recuperação da consciência religiosa, cristã ou não, instituiu uma polêmica sem paralelos.
Um novo e abundante discurso espiritual procurou integrar Ciência e Fé, Ocidente e Oriente, o Novo e o Antigo. De um lado, um neo-evangelismo que pregava um Cristianismo Universal nas bases da tolerância, fraternidade e paz. De outro lado, o retomar de um ideal humanista buscando reforço nas antigas doutrinas de uma Verdade Universal, na sabedoria de religiões extra-cristãs. Profetas modernos, esoteristas, espiritualistas científicos espalharam o gérmen de uma nova e ampla espiritualidade.(3).
O esoterismo tornou-se uma definição obrigatória para alguns movimentos religiosos do período. O termo “esoterismo” define uma doutrina segundo a qual uma ciência, um sistema de crenças filosófico-religiosas, reflexões epistemológicas e ontológicas da realidade última não devem ser vulgarizadas e nem divulgadas senão entre adeptos, conhecidos e eleitos. No século XIX a palavra “esoterismo” converteu-se frequentemente, em sinônimo de oculto, de ocultismo, sendo aplicado a campos de estudo e conhecimento como a magia, a mântica e a cabala. Estas definições abrangentes abarcam uma realidade histórica complexa e difusa. Crenças, teorias, técnicas místicas e iniciáticas que poderíamos classificar como esotéricas já eram populares na Antiguidade Tardia, não desaparecendo na Idade Média, tornando-se importantes na Renascença, atravessando os séculos XVII e XVIII para ganharem fôrça e expressão no século XIX. Uma definição ampla, sugere a existência de um campo específico e abrangente, com fronteiras comuns, debates e metodologias particulares. Porém, o termo aplica-se, de várias formas, a diferentes concepções religiosas. O “esoterista” é o pensador -cristão ou não- que desenvolve suas crenças, estudos e religiosidade sobre três pontos: analogia, teosofia e igreja interior. A analogia é a crença (ou como será percebido à partir do século do XVIII, uma lei) segundo a qual existem, entre seres e coisas, relações necessárias, intencionais que não são necessariamente, temporais ou espaciais: o análogo atua sôbre o análogo e desta forma explica-se a magia e o conhecimento que conduz ao “espírito das coisas”. Desta forma, no pensamento analógico, conhecer o Mundo é conhecer Deus, porque a Natureza representa uma revelação gradual. A Ciência adquire uma significação religiosa. A teosofia, que não tem o mesmo significado da Sociedade Teosófica fundada no século XIX, dá sentido a analogia e compreende tanto uma interpretação profunda de textos sagrados como a experiência mística pura. O pensamento teosófico insiste em determinados pontos dos dogmas sôbre os quais a religião constituida e institucionalizada tende a ignorar para, através desta exploração e indagação metódica chegar a iluminação interior. A mística especulativa confere a teosofia o poder de proporcionar o conhecimento e inspiração. A igreja interior, espiritual e individual, independente de religiões organizadas, coloca-se como a experiência mística por excelência. A Alma Humana tem origem divina e, portanto, pode acercar-se de Deus, onde reside esta mesma Alma. A União divina é imanente a natureza humana e graças a iniciações, conhecimentos sagrados e secretos, pode-se chegar a este reencontro divino. A iniciação implica em regeneração que depende de gnose. Esta igreja interior é a única verdadeira e eterna, ao contrário das Igrejas materiais, que serão sempre destruídas, sobrevivendo, exclusivamente, a igreja invisível e interior. Este sentido permanece entre as correntes esotéricas do século XIX surgindo formas de esoterismo cristão s sofrendo as influências pagãs e místicas do esoteristas dos séculos anteriores e que incluiam magia, alquimia, meditação, êxtases místicos, necromancia, cabala, numerologia, ordens secretas, etc. No começo deste século o orientalismo invadiu a Europa que descobriu os livros do Egito, da India e do remoto Oriente fornecendo um novo campo de construções e representações para os movimentos espirituais desta época. Foi o Oreinte romantizado que alimentou o orientalismo espiritualizado do período.(4).
Durante o século XIX, no Ocidente, o conhecimento científico tornou-se o crivo obrigatório da sociedade. A este conhecimento aliou-se a razão, o progresso e o materialismo. Juntos refletiam o lado luminoso da sociedade. As certezas racionais afirmaram a instrução, o darwinismo social, a modernização e foram as bandeiras sob as quais abrigaram-se diferentes segmentos sociais. Este avanço do evangelho racional e científico teve, como contrapartida, um recuo das religiões tradicionais, pelo menos nos centros mais urbanizados e intelectualizados.
Para cientistas e intelectuais da segunda metade do século XIX, o materialismo apresentava para a Humanidade um futuro sem sobressaltos, num progresso contínuo e sem dramas. A razão humana tornava-se todo-poderosa, progressivamente “perfeita” e o conhecimento material ampliado conduzia a uma confiança absoluta na educação científica, numa espécie de otimismo messiânico, com o império da Liberdade, da Felicidade e da Riqueza.(1). O otimismo combinava com o positivismo e a crença numa evolução ilimitada. Aliava-se ao desenvolvimento do conhecimento científico, a redescoberta das culturas antigas, mitológicas e extra-ocidentais. A expansão colonial trouxe contatos com povos, épocas e culturas diferentes.
Da segunda metade do século XIX em diante, duas vozes dissonantes alimentaram uma polêmica recíproca: a causa da ciência e da natureza em nome de uma religiosidade exclusivamente secular. Contra esta extrema secularização levantaram-se os direitos irrevogáveis da consciência, da deficiência insanável da Razão e do poder sobre-humano do Sagrado e do Mistério.
A crise religiosa revelada desta época manifestou-se, freqüentemente, contra a oficialidade de todas as formas de tradição, de todas as figuras históricas e espiritualmente gastas, vazias, sem criatividade ou inventividade. Esta crise apontou a necessidade de uma religiosidade espiritualmente mais adequada, de novas utopias de salvação.
As novas criações religiosas desde o século XVIII e, sobretudo no XIX, são marcadas por uma concepção espiritualista de inspiração e interpretação das Escrituras, da recuperação de uma vida interior diretamente em contato com a divindade. Temos, inclusive, um campo propício para o estabelecimento de vínculos entre a mística espiritualista, o esoterismo e o racionalismo, num desejo de articular um tipo de exegese religiosa em bases contemporâneas com as aparências do método científico, apresentando novas mensagens cristãs. (2).
O pensamento naturalista seguiu o caminho das novas conquistas da Ciência e da Epistemologia, com o alargamento da doutrina do conhecimento sobre qualquer aspecto ou problema do Universo. Mas a forte recuperação da consciência religiosa, cristã ou não, instituiu uma polêmica sem paralelos.
Um novo e abundante discurso espiritual procurou integrar Ciência e Fé, Ocidente e Oriente, o Novo e o Antigo. De um lado, um neo-evangelismo que pregava um Cristianismo Universal nas bases da tolerância, fraternidade e paz. De outro lado, o retomar de um ideal humanista buscando reforço nas antigas doutrinas de uma Verdade Universal, na sabedoria de religiões extra-cristãs. Profetas modernos, esoteristas, espiritualistas científicos espalharam o gérmen de uma nova e ampla espiritualidade.(3).
O esoterismo tornou-se uma definição obrigatória para alguns movimentos religiosos do período. O termo “esoterismo” define uma doutrina segundo a qual uma ciência, um sistema de crenças filosófico-religiosas, reflexões epistemológicas e ontológicas da realidade última não devem ser vulgarizadas e nem divulgadas senão entre adeptos, conhecidos e eleitos. No século XIX a palavra “esoterismo” converteu-se frequentemente, em sinônimo de oculto, de ocultismo, sendo aplicado a campos de estudo e conhecimento como a magia, a mântica e a cabala. Estas definições abrangentes abarcam uma realidade histórica complexa e difusa. Crenças, teorias, técnicas místicas e iniciáticas que poderíamos classificar como esotéricas já eram populares na Antiguidade Tardia, não desaparecendo na Idade Média, tornando-se importantes na Renascença, atravessando os séculos XVII e XVIII para ganharem fôrça e expressão no século XIX. Uma definição ampla, sugere a existência de um campo específico e abrangente, com fronteiras comuns, debates e metodologias particulares. Porém, o termo aplica-se, de várias formas, a diferentes concepções religiosas. O “esoterista” é o pensador -cristão ou não- que desenvolve suas crenças, estudos e religiosidade sobre três pontos: analogia, teosofia e igreja interior. A analogia é a crença (ou como será percebido à partir do século do XVIII, uma lei) segundo a qual existem, entre seres e coisas, relações necessárias, intencionais que não são necessariamente, temporais ou espaciais: o análogo atua sôbre o análogo e desta forma explica-se a magia e o conhecimento que conduz ao “espírito das coisas”. Desta forma, no pensamento analógico, conhecer o Mundo é conhecer Deus, porque a Natureza representa uma revelação gradual. A Ciência adquire uma significação religiosa. A teosofia, que não tem o mesmo significado da Sociedade Teosófica fundada no século XIX, dá sentido a analogia e compreende tanto uma interpretação profunda de textos sagrados como a experiência mística pura. O pensamento teosófico insiste em determinados pontos dos dogmas sôbre os quais a religião constituida e institucionalizada tende a ignorar para, através desta exploração e indagação metódica chegar a iluminação interior. A mística especulativa confere a teosofia o poder de proporcionar o conhecimento e inspiração. A igreja interior, espiritual e individual, independente de religiões organizadas, coloca-se como a experiência mística por excelência. A Alma Humana tem origem divina e, portanto, pode acercar-se de Deus, onde reside esta mesma Alma. A União divina é imanente a natureza humana e graças a iniciações, conhecimentos sagrados e secretos, pode-se chegar a este reencontro divino. A iniciação implica em regeneração que depende de gnose. Esta igreja interior é a única verdadeira e eterna, ao contrário das Igrejas materiais, que serão sempre destruídas, sobrevivendo, exclusivamente, a igreja invisível e interior. Este sentido permanece entre as correntes esotéricas do século XIX surgindo formas de esoterismo cristão s sofrendo as influências pagãs e místicas do esoteristas dos séculos anteriores e que incluiam magia, alquimia, meditação, êxtases místicos, necromancia, cabala, numerologia, ordens secretas, etc. No começo deste século o orientalismo invadiu a Europa que descobriu os livros do Egito, da India e do remoto Oriente fornecendo um novo campo de construções e representações para os movimentos espirituais desta época. Foi o Oreinte romantizado que alimentou o orientalismo espiritualizado do período.(4).
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
HENRY STEEL OLCOTT - A Verdadeira História de Madame H. R Blavatsky

Título: A Verdadeira História de Madame H. R Blavatsky
Autor: HENRY STEEL OLCOTT
Gênero: Teosofia
Editora: IBRASA
Madame Blavatsky foi uma das personagens mais marcantes de nosso tempo, e deve ser considerada figura dominante no desenvolvimento do ocultismo. e dos estudos teosóficos em todo o mundo. Sobre Helena Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, citam-se fatos extraordinários. Sua vida é cercada de episódios fantásticos. Ninguém melhor do que Henry Steel Olcott, seu intimo colaborador durante muitos anos e até sua morte, para falar a respeito dessa estranha figura feminina. RAÍZES DO OCULTO, além do relato de episódios da vida de Helena Blavatsky, contém toda a história da fundação da Sociedade Teosófica, em Nova York, e da rápida propagação de seus ideais pelo mundo todo.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
A Eubiose e o momento actual - 3ª edição - Revista Graal - Comunidade Portuguesa de Eubiose
3 palestras com os temas:
"EUBIOSE, UMA ESCOLA AQUARIANA"
por Manuel Garrido
"A SINARQUIA EUBIÓTICA E O AVATARA DE AQUARIUS"
por António Tavares
"MUNDOS SUBTERRÂNEOS E A MISSÃO DA EUBIOSE"
por Olímpio Gonçalves
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"EUBIOSE, UMA ESCOLA AQUARIANA"
por Manuel Garrido
"A SINARQUIA EUBIÓTICA E O AVATARA DE AQUARIUS"
por António Tavares
"MUNDOS SUBTERRÂNEOS E A MISSÃO DA EUBIOSE"
por Olímpio Gonçalves
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segunda-feira, 24 de março de 2008
In Nomine Demiurgi Nosferati, de Peter-R. Koenig
Alegadamente, em 11 de março de 1888 Eugen Grosche herdou a luz do mundo. Por sua família ser pobre, Eugen teve que deixar o Realschule em Stollberg prematuramente e teve a suas últimas aulas no Volksschule em Leipzig. Seus interesses literários conduziram-no à Escola para Livreiros na editora Mueller-Mann.
Em 1911 mudou-se para Berlim, onde participou da edição de "Der Militaer-Anwaerter," "Der Innenarchitekt" e "Deutsche Kohlen-Zeitung". Em Setembro 29 1914, Grosche estava casado e teve mais tarde uma filha cujo o nome, Alraune, é similar a obra de H.H. Ewers (1871-1943) "Geschichte eines lebenden Wesens" de 1911.
Na Grande Guerra de 1914-1918 Grosche tornou-se um oficial empregado no corpo médico, e após a guerra "Volkskommissar" do "Unabhaengige Sozialdemokratische Arbeiter-Partei" (USPD). Em 1919 ele se encontrou com uma senhora que colocou a sua disposição 40,000 Reichsmark a fim salvar Grosche e sua família da inflação galopante, mas com a condição que Grosche se abstivesse da atividade política. Eventualmente comprou uma papelaria que transformou em uma livraria. No "Kapp-Putsch" de 1920 ele foi preso e enviado à prisão em Lehrter Strasse. Após três meses tomou parte em uma negociação para o Reichsmilitaergericht sob a direção do sobrinho do Conde Zeppelin. Grosche foi libertado, e nomeado "Bezirksabgeordneter" para Berlin-Schoeneberg por seu partido .
A mãe de Grosche era a governanta (?) na Sociedade Teosófica em Berlim, cujo secretário Rudolf Steiner foi substituído em 1921 pelo livreiro Heinrich Traenker. O último definia a si mesmo como "delegado" secreto, o que o permitiu estar com Grosche e sua livraria. A tarefa dada por Traenker a Grosche era: Grosche como o Secretário "Gregor A[?]. Gregorius" deveria fundar uma Loja Pansófica em Berlim. As trocas pessoais esotéricas que seguiram introduziram Grosche a indivíduos como o astrólogo Peschke, e ao hipnotista, magnetizador e curandeiro Paul Linke, no interesse de Traenker. O último apresentou Grosche aos editores Otto Wilhelm Barth, Oswald Mutze e Hugo Vollrath (1877-1943) que o estimulou a fundar a livraria "Okkultisten-Laden Inveha" em 1924, onde os fundos eram usados para reuniões "esotéricas" (isto é experimentos de magia sexual com drogas).
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Em 1911 mudou-se para Berlim, onde participou da edição de "Der Militaer-Anwaerter," "Der Innenarchitekt" e "Deutsche Kohlen-Zeitung". Em Setembro 29 1914, Grosche estava casado e teve mais tarde uma filha cujo o nome, Alraune, é similar a obra de H.H. Ewers (1871-1943) "Geschichte eines lebenden Wesens" de 1911.
Na Grande Guerra de 1914-1918 Grosche tornou-se um oficial empregado no corpo médico, e após a guerra "Volkskommissar" do "Unabhaengige Sozialdemokratische Arbeiter-Partei" (USPD). Em 1919 ele se encontrou com uma senhora que colocou a sua disposição 40,000 Reichsmark a fim salvar Grosche e sua família da inflação galopante, mas com a condição que Grosche se abstivesse da atividade política. Eventualmente comprou uma papelaria que transformou em uma livraria. No "Kapp-Putsch" de 1920 ele foi preso e enviado à prisão em Lehrter Strasse. Após três meses tomou parte em uma negociação para o Reichsmilitaergericht sob a direção do sobrinho do Conde Zeppelin. Grosche foi libertado, e nomeado "Bezirksabgeordneter" para Berlin-Schoeneberg por seu partido .
A mãe de Grosche era a governanta (?) na Sociedade Teosófica em Berlim, cujo secretário Rudolf Steiner foi substituído em 1921 pelo livreiro Heinrich Traenker. O último definia a si mesmo como "delegado" secreto, o que o permitiu estar com Grosche e sua livraria. A tarefa dada por Traenker a Grosche era: Grosche como o Secretário "Gregor A[?]. Gregorius" deveria fundar uma Loja Pansófica em Berlim. As trocas pessoais esotéricas que seguiram introduziram Grosche a indivíduos como o astrólogo Peschke, e ao hipnotista, magnetizador e curandeiro Paul Linke, no interesse de Traenker. O último apresentou Grosche aos editores Otto Wilhelm Barth, Oswald Mutze e Hugo Vollrath (1877-1943) que o estimulou a fundar a livraria "Okkultisten-Laden Inveha" em 1924, onde os fundos eram usados para reuniões "esotéricas" (isto é experimentos de magia sexual com drogas).
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sábado, 6 de outubro de 2007
A Espada (em A Doutrina Secreta) , de Madame Blavatsky / Helena Petrovna Blavatsky / H. P. Blavatsky / Helena P. Blavatsky
No mundo profano, tem-se o costume de considerar a espada como uma tradição essencialmente guerreira e portanto, motivo de temor Não se pode contestar que existe um aspecto guerreiro neste símbolo; porém, seu sentido esotérico transcende seu caráter de violência e é encontrado em várias Ordens e crenças religiosas, tais como no Islamismo, Cristianismo, bem como na maior parte das demais tradições.
A própria tradição Hindu, que não poderíamos chamar de essencialmente guerreira, possui também esse símbolo, como cita-nos o Bhagavad-Gita. Segundo a Doutrina Islâmica, no domínio social, o uso da espada na guerra, é válida enquanto dirigida contra aqueles que perturbam a ordem e unicamente, com o objetivo de reconduzi-los a essa ordem.
É claro que por conta dessa premissa, muito sangue inocente já tingiu a terra; pois a decisão do que está fora ou dentro da “Ordem”, geralmente é decidida por extremistas, sejam muçulmanos, católicos, protestantes, etc. No entanto, este aspecto do uso da espada é o chamado pelos próprios Islamitas como “O menos essencial”.
Existe um outro aspecto em que ela simboliza a luta que o homem deve conduzir contra os “Inimigos da Luz” e contrários à ordem e à Unidade de Deus. A “guerra” sempre estabeleceu o equilíbrio e a harmonia (ou justiça) e assim, proporcionou a unificação de certo modo, dos elementos em oposição entre si.
Isso quer dizer que o seu fim normal e sem dúvida sua única razão de ser, é a paz que só pode ser verdadeiramente obtida pela submissão à vontade divina colocando cada elemento em seu lugar com a finalidade de fazê-los todos concorrerem para a realização consciente de um mesmo Plano.
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A própria tradição Hindu, que não poderíamos chamar de essencialmente guerreira, possui também esse símbolo, como cita-nos o Bhagavad-Gita. Segundo a Doutrina Islâmica, no domínio social, o uso da espada na guerra, é válida enquanto dirigida contra aqueles que perturbam a ordem e unicamente, com o objetivo de reconduzi-los a essa ordem.
É claro que por conta dessa premissa, muito sangue inocente já tingiu a terra; pois a decisão do que está fora ou dentro da “Ordem”, geralmente é decidida por extremistas, sejam muçulmanos, católicos, protestantes, etc. No entanto, este aspecto do uso da espada é o chamado pelos próprios Islamitas como “O menos essencial”.
Existe um outro aspecto em que ela simboliza a luta que o homem deve conduzir contra os “Inimigos da Luz” e contrários à ordem e à Unidade de Deus. A “guerra” sempre estabeleceu o equilíbrio e a harmonia (ou justiça) e assim, proporcionou a unificação de certo modo, dos elementos em oposição entre si.
Isso quer dizer que o seu fim normal e sem dúvida sua única razão de ser, é a paz que só pode ser verdadeiramente obtida pela submissão à vontade divina colocando cada elemento em seu lugar com a finalidade de fazê-los todos concorrerem para a realização consciente de um mesmo Plano.
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A Consciência Do Átomo, de Alice Bailey
A GRANDE INVOCAÇÃO
Do ponto de Luz na Mente de Deus Flua luz às mentes dos homens; Que a Luz desça à Terra.
Do ponto de Amor no Coração de Deus, Flua amor aos corações dos homens; Que o Cristo volte à Terra.
Do centro onde a vontade de Deus é conhecida, Guie o propósito as pequenas vontades dos homens; O propósito que os Mestres conhecem e servem.
Do centro a que chamamos raça dos homens, Cumpra-se o Plano de Amor e Luz E mure-se a porta onde mora o mal.
Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.
"A Invocação ou Oração acima não pertence a nenhuma pessoa ou grupo mas a toda a Humanidade. A beleza e a força desta Invocação repousam em sua simplicidade e em sua expressão de certas verdades centrais que todos os homens, inata e normalmente , aceitam a verdade da existência de uma Inteligência básica a Quem nós vagamente damos o nome de Deus; a verdade que por trás de toda aparência exterior, o poder motivador do universo é o Amor; a verdade que uma grande Individualidade veio à terra, chamada pelos cristãos, o Cristo, e encarnou aquele amor de modo que o pudéssemos compreender; a verdade que tanto o amor como a inteligência são efeitos do que é chamada a Vontade de Deus; e, finalmente, a verdade auto-evidente que somente através da própria humanidade pode o Plano Divino realizar-se."
Alice A. Bailey
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Do ponto de Luz na Mente de Deus Flua luz às mentes dos homens; Que a Luz desça à Terra.
Do ponto de Amor no Coração de Deus, Flua amor aos corações dos homens; Que o Cristo volte à Terra.
Do centro onde a vontade de Deus é conhecida, Guie o propósito as pequenas vontades dos homens; O propósito que os Mestres conhecem e servem.
Do centro a que chamamos raça dos homens, Cumpra-se o Plano de Amor e Luz E mure-se a porta onde mora o mal.
Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.
"A Invocação ou Oração acima não pertence a nenhuma pessoa ou grupo mas a toda a Humanidade. A beleza e a força desta Invocação repousam em sua simplicidade e em sua expressão de certas verdades centrais que todos os homens, inata e normalmente , aceitam a verdade da existência de uma Inteligência básica a Quem nós vagamente damos o nome de Deus; a verdade que por trás de toda aparência exterior, o poder motivador do universo é o Amor; a verdade que uma grande Individualidade veio à terra, chamada pelos cristãos, o Cristo, e encarnou aquele amor de modo que o pudéssemos compreender; a verdade que tanto o amor como a inteligência são efeitos do que é chamada a Vontade de Deus; e, finalmente, a verdade auto-evidente que somente através da própria humanidade pode o Plano Divino realizar-se."
Alice A. Bailey
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Os sonhos: O Que São e Quais as Suas Causas / O Que São e as Suas Causas / O Que São E Como São Causados, C.W. Leadbeater / Charles Webster Leadbeater
Introdução
Muitos dos assuntos com que entramos em contato em nossos estudos Teosóficos são tão distantes das experiências e interesses da vida cotidiana, que ao mesmo tempo em que nos sentimos inclinados para eles por uma atração que cresce em progressão geométrica à medida que os conhecemos e entendemos melhor, ainda somos conscientes, no fundo de nossas mentes, por assim dizer, de um vago senso de irrealidade, ou pelo menos de impraticidade, quando tratamos deles. Quando lemos sobre a formação do sistema solar, ou mesmo sobre os anéis e rondas de nossa cadeia planetária, não podemos senão sentir que, por interessantes que sejam como estudos abstratos, úteis por nos mostrarem como o homem tornou-se o que vemos que é, não obstante se relacionam só indiretamente com a vida que estamos vivendo aqui e agora.
Nenhuma objeção deste tipo, contudo, pode ser lançada contra nosso assunto atual: todos os leitores destas linhas já sonharam — provavelmente muitos deles têm o hábito de sonhar com freqüência; e podem portanto estar interessados numa tentativa de elucidação do fenômeno onírico com da ajuda da luz que lhes lançam as investigações ao longo de linhas Teosóficas.
O método mais conveniente pelo qual podemos ordenar as várias ramificações de nosso assunto talvez seja o seguinte: primeiro, considerarmos muito cuidadosamente o mecanismo — físico, etérico e astral — por meio do qual impressões são transmitidas à nossa consciência; segundo, vermos como a consciência por sua vez afeta e utiliza este mecanismo; terceiro, verificarmos a condição tanto da consciência como de seu mecanismo durante o sono; e quarto, pesquisar como os vários tipos de sonho que o homem experimenta são portanto produzidos.
Como escrevo principalmente para estudantes de Teosofia, posso sentir-me livre para usar, sem explicação detalhada, os termos Teosóficos usuais, com os quais seguramente posso presumir que estejam familiarizados, uma vez que de outra forma meu livreto excederia em muito seus limites planejados. Se este, porventura, cair nas mãos de alguém para quem o uso ocasional destes termos constitui uma dificuldade, só posso desculpar-me, e indicar-lhe para estas explicações preliminares qualquer trabalho Teosófico básico, como The Ancient Wisdom (A Sabedoria Antiga), ou Man and his Bodies (O Homem e seus Corpos), de A. Besant.
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Muitos dos assuntos com que entramos em contato em nossos estudos Teosóficos são tão distantes das experiências e interesses da vida cotidiana, que ao mesmo tempo em que nos sentimos inclinados para eles por uma atração que cresce em progressão geométrica à medida que os conhecemos e entendemos melhor, ainda somos conscientes, no fundo de nossas mentes, por assim dizer, de um vago senso de irrealidade, ou pelo menos de impraticidade, quando tratamos deles. Quando lemos sobre a formação do sistema solar, ou mesmo sobre os anéis e rondas de nossa cadeia planetária, não podemos senão sentir que, por interessantes que sejam como estudos abstratos, úteis por nos mostrarem como o homem tornou-se o que vemos que é, não obstante se relacionam só indiretamente com a vida que estamos vivendo aqui e agora.
Nenhuma objeção deste tipo, contudo, pode ser lançada contra nosso assunto atual: todos os leitores destas linhas já sonharam — provavelmente muitos deles têm o hábito de sonhar com freqüência; e podem portanto estar interessados numa tentativa de elucidação do fenômeno onírico com da ajuda da luz que lhes lançam as investigações ao longo de linhas Teosóficas.
O método mais conveniente pelo qual podemos ordenar as várias ramificações de nosso assunto talvez seja o seguinte: primeiro, considerarmos muito cuidadosamente o mecanismo — físico, etérico e astral — por meio do qual impressões são transmitidas à nossa consciência; segundo, vermos como a consciência por sua vez afeta e utiliza este mecanismo; terceiro, verificarmos a condição tanto da consciência como de seu mecanismo durante o sono; e quarto, pesquisar como os vários tipos de sonho que o homem experimenta são portanto produzidos.
Como escrevo principalmente para estudantes de Teosofia, posso sentir-me livre para usar, sem explicação detalhada, os termos Teosóficos usuais, com os quais seguramente posso presumir que estejam familiarizados, uma vez que de outra forma meu livreto excederia em muito seus limites planejados. Se este, porventura, cair nas mãos de alguém para quem o uso ocasional destes termos constitui uma dificuldade, só posso desculpar-me, e indicar-lhe para estas explicações preliminares qualquer trabalho Teosófico básico, como The Ancient Wisdom (A Sabedoria Antiga), ou Man and his Bodies (O Homem e seus Corpos), de A. Besant.
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domingo, 16 de setembro de 2007
Auxiliares Invisíveis, de C. W. Leadbeater / Charles Webster Leadbeater
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Os auxiliares invisíveis, como o autor chama aos Espíritos fora do corpo somático, se fazem sempre presentes, acudindo a uns e a outros de maneira diversa. Os casos relatados por Leadbeater são verídicos e a alguns deles outros autores, de não menor nomeada, fizeram menção.
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Os auxiliares invisíveis, como o autor chama aos Espíritos fora do corpo somático, se fazem sempre presentes, acudindo a uns e a outros de maneira diversa. Os casos relatados por Leadbeater são verídicos e a alguns deles outros autores, de não menor nomeada, fizeram menção.
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terça-feira, 17 de julho de 2007
As Origens Do Ritual Na Igreja E Na Maçonaria, de Helena Petrovna Blavatsky / Helena P. Blavatsky / Madame Blavatsky / H. P. Blavatsky
Os teosofistas são muitas vezes injustamente acusados de infiéis e mesmo de ateus. É um grave erro, especialmente em se tratando de última acusação.
Numa Sociedade importante , formada de membros pertencentes a tantas raças e nacionalidades diferentes; numa associação onde cada homem e cada mulher é livre de crer o que prefere, e de seguir ou não, segundo seu desejo, a religião sob a qual nasceu e foi educado, há pouco lugar para o ateísmo. Quanto à acusação de "infiel", é contra-senso e fantasia. Para demonstrar o ABSURDO, basta-nos pedir a nossos difamadores que nos mostrem, no mundo civilizado, a pessoa que não seja considerada "infiel" por alguém pertencente a uma fé diferente. Quer se trate dos círculos altamente respeitáveis e ortodoxos, ou da "sociedade" que se diz heterodoxa, será sempre o mesmo. É uma acusação mútua, tácita e não abertamente expressa; uma espécie de raquetes mentais, onde cada um devolve a bola num silêncio educado.
Em realidade, nenhum teosofista ou não-teosofista pode ser "infiel", e por outro lado, não há ser humano que não o seja na opinião de um sectário qualquer. Quanto à acusação de ateísmo, é outro caso.
Que é ateísmo?, perguntamos em primeiro lugar. Será o fato de não se crer na existência de um Deus ou deuses, e de negá-la, ou será simplesmente a recusa em aceitar uma deidade pessoal, segundo a definição um tanto violenta de R. Hall, que define o ateísmo como um "sistema feroz que nada deixa ACIMA de nós, para inspirar o terror, e nada ao nosso redor para despertar a ternura"! Isso é duvidoso para a maior parte dos nossos membros, caso se aceite a primeira condição, pois que os da Índia e Birmânia, etc., acreditam em deuses, em seres divinos e temem alguns deles.
Assim, também, um grande número de teosofistas ocidentais não deixaria de confessar sua crença completa em espíritos planetários ou do espaço, fantasmas ou anjos. Muitos dentre nós aceitam a existência de inteligências superiores ou inferiores, de Seres tão grandes quanto qualquer Deus "pessoal". Isto não é segredo. A maior parte dentre nós crê na sobrevivência do Ego espiritual, nos Espíritos Planetários e nos NIRMANAKAYAS, esses grandes Adeptos de eras passadas, que, renunciando seus direitos ao Nirvana, permanecem nas esferas em que vivemos, não como "espíritos", mas como Seres espirituais humanos completos.
Eles permanecem tais como foram, excetuando o que se refere a seus invólucros corporais visíveis, que abandonaram a fim de ajudar a pobre humanidade, na medida em que essa ajuda possa ser dada, sem ir de encontro à Lei Kármica. Essa é realmente a "Grande Renúncia", um incessante sacrifício consciente através dos EONS e eras, até o dia em que os olhos da humanidade se abrirem e, em lugar de um pequeno número, TODOS reconhecerem a Verdade Universal. Se permitissem que o fogo que anima os nossos corações, como idéia do mais puro de todos os sacrifícios, fosse inflamado pela adoração e oferecido sobre um altar elevado em sua honra, esses seres poderiam ser considerados como Deus ou Deuses. Mas, não o querem. Em verdade, é somente no imo do coração que se deve elevar, neste caso, o mais belo Templo de Devoção; qualquer outra coisa não seria mais que ostentação profana.
Consideremos agora outros Seres invisíveis, dos quais alguns estão muito acima e outros muito abaixo na escala da evolução divina. Dos últimos, nada podemos dizer; quanto aos primeiros, nada nos podem dizer, porquanto nós não existimos perante eles. O homogêneo não pode ter conhecimento do heterogêneo, e (a não ser que aprendamos a fugir do nosso invólucro material para "comungar" de espírito a espírito) não podemos esperar conhecer sua natureza real.
Mas, todo verdadeiro teosofista afirma que o Eu Superior divino de cada homem mortal é da mesma essência que a desses Deuses. O Ego encarnado, dotado de livre arbítrio, possuindo, por isso, maior responsabilidade, é, a nosso ver, superior, e até, talvez, mais divino que qualquer INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL que ainda espera a encarnação. Do ponto de vista filosófico, a razão é clara, e todo metafísico da escola oriental a compreenderá. O Ego encarnado está na dependência das dificuldades que não existem para a pura Essência divina não associada à matéria; neste caso, não há nenhum mérito pessoal, ao passo que o Ego em encarnação está no caminho de seu aperfeiçoamento final através das provações da existência, da tristeza e do sofrimento.
A sombra do Karma não pode se estender sobre o que é divino, isento de qualquer ligação e tão diferente do que somos que não pode haver entre nós relação alguma. Quanto a essas deidades, que no Panteão esotérico hindu são consideradas finitas e, por conseguinte, submetidas ao Karma, jamais um verdadeiro filósofo consentirá em adorá-las; são figuras e símbolos.
Seremos nós, então, considerados ateus porque, crendo nas Falanges Espirituais - nesses seres que vieram a ser adorados na sua coletividade como um Deus PESSOAL - recusamo-nos terminantemente a considerá-las como representantes do Uno Incognoscível? Porque afirmamos que o Princípio Eterno - o TODO NO TODO DO PODER ABSOLUTO, DA TOTALIDADE - não pode ser expresso por palavras limitadas, nem por ter por símbolo qualquer atributo condicionado e qualificativo? Ainda mais, deixaremos passar sem protesto a acusação de idolatria que atiram sobre nós os católicos romanos, os quais seguem uma religião tão pagã quanto a dos adoradores dos elementos do sistema solar? Católicos, que tiraram o seu credo, aliás, diminuído e dissecado, do paganismo existente há muitas eras antes do ano I da Era Cristã; católicos cujos dogmas e ritos são os mesmos que os de qualquer nação idólatra - se é que alguma ainda existe.
Sobre toda a superfície da Terra - do Pólo Norte ao Pólo Sul, dos golfos gelados dos países nórdicos, às planícies tórridas do sul da Índia, na América Central, na Grécia e na Caldéia - era adorado o Fogo Solar, como símbolo do Poder Divino, criador da vida e do amor. A união do Sol (o espírito - elemento masculino) com a Terra (a matéria - elemento feminino) era celebrada nos Templos do Universo inteiro. Se os pagãos tinham uma festa comemorativa dessa união - a festa que celebravam nove meses antes do Solstício de Inverno, quando se dizia que Ísis tinha concebido - também a têm os católicos romanos.
O grande e SANTO DIA da ANUNCIAÇÃO, o dia no qual a "Virgem Maria" recebeu o favor de (seu) Deus e concebeu o "Filho do Altíssimo", é celebrado pelos cristãos NOVE MESES ANTES DO NATAL. Donde vêm a adoração do fogo, das luzes e lâmpadas nas igrejas? Por que isso? Porque Vulcano, o Deus do Fogo, desposou Vênus, a deusa do mar; e é por essa mesma razão que os Magos velavam o Fogo Sagrado como as Virgens vestais do Ocidente. O Sol era o "Pai" da eterna Natureza Virgem-Mãe; Osíris e Ísis; Espírito-Matéria, este último adorado sob seus três aspectos pelos pagãos e cristãos. Daí vêm as Virgens - dá-se o mesmo no Japão - vestidas de azul estrelado, apoiadas sobre o crescente lunar, símbolo da Natureza feminina (em seus três elementos: ar, água e fogo); o Fogo ou o Sol, macho, fecundando-a anualmente pelos seus raios luminosos (as "línguas de fogo" do Espírito Santo).
No KALEVALA, o mais antigo poema épico dos finlandeses de Antigüidade pré-cristã, o que nenhum erudito poderá duvidar, fala-se dos deuses da Finlândia, dos deuses do ar e da água, do fogo e das florestas, do céu e da terra. Na magnífica tradução de J. M. Grawford, Rume L. (vol. 11), o leitor achará a lenda inteira da Virgem Maria em:
MARIATTA, filha da beleza
Virgem-Mãe das Terras Nórdicas... (p. 720)
Ukko, o Grande Espírito, cuja moradia é em Yûmala (o Céu ou Paraíso), escolhe como veículo a Virgem Mariatta para se encarnar por meio dela em Homem-Deus. Ela concebe colhendo e comendo uma baga vermelha (marja). Repudiada pelos pais, dá nascimento a um "FILHO IMORTAL" numa MANJEDOURA DE ESTÁBULO. Mais tarde, o "Santo Menino" desaparece e Mariatta se põe a procurá-lo. Ela pergunta a uma estrela, a "Estrela diretriz dos Países Nórdicos", onde se esconde o "Santo Menino", mas a estrela irritada responde-lhe:
Se eu soubesse, não t'o diria
Foi teu filho quem me criou
No frio, para brilhar sempre...
e nada mais diz à Virgem. A lua dourada tampouco consente em ajudá-la, pois o filho de Mariatta a criou e deixou no grande céu:
Aqui para vagar nas trevas,
Para vagar sozinha à noite,
Brilhando para o bem dos outros...
Somente o "Sol Prateado", tendo pena da Virgem-Mãe, lhe diz:
Acolá está a criança dourada
Lá repousa dormindo teu Santo-Menino
Encoberto pela água até a cintura
Escondido pelos caniços e juncos...
Ela traz de volta o Santo-Menino e, enquanto o chama de "Flor", outros o nomeiam o FILHO DA DOR.
Estaremos em presença de uma lenda pós-cristã? Absolutamente não, pois, como já foi dito, trata-se de uma lenda DE ORIGEM ESSENCIALMENTE PAGÃ e reconhecidamente pré-cristã.
Resulta que, com tais dados literários em mão, devem cessar as acusações sempre repetidas de idolatria e ateísmo. Aliás, o termo idolatria é de origem cristã. Foi empregado pelos primeiros nazarenos durante os dois primeiros séculos e metade do terceiro da nossa era, contra as nações que usavam templos e igrejas, estátuas e imagens, porquanto os primitivos cristãos não possuíam, NEM TEMPLOS, NEM ESTÁTUAS, NEM IMAGENS, e sentiam horror por essas coisas.
Por conseguinte, o termo "idólatras" convém mais aos nossos acusadores que a nós mesmos, como o provará este artigo. Com suas Madonas em todas as esquinas, seus milhares de estátuas de Cristo e Anjos de todas as formas, até a de Santos e Papas, é bastante perigoso para um católico acusar um hindu ou budista de idolatria.
Essa asserção deve agora ser provada.
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Numa Sociedade importante , formada de membros pertencentes a tantas raças e nacionalidades diferentes; numa associação onde cada homem e cada mulher é livre de crer o que prefere, e de seguir ou não, segundo seu desejo, a religião sob a qual nasceu e foi educado, há pouco lugar para o ateísmo. Quanto à acusação de "infiel", é contra-senso e fantasia. Para demonstrar o ABSURDO, basta-nos pedir a nossos difamadores que nos mostrem, no mundo civilizado, a pessoa que não seja considerada "infiel" por alguém pertencente a uma fé diferente. Quer se trate dos círculos altamente respeitáveis e ortodoxos, ou da "sociedade" que se diz heterodoxa, será sempre o mesmo. É uma acusação mútua, tácita e não abertamente expressa; uma espécie de raquetes mentais, onde cada um devolve a bola num silêncio educado.
Em realidade, nenhum teosofista ou não-teosofista pode ser "infiel", e por outro lado, não há ser humano que não o seja na opinião de um sectário qualquer. Quanto à acusação de ateísmo, é outro caso.
Que é ateísmo?, perguntamos em primeiro lugar. Será o fato de não se crer na existência de um Deus ou deuses, e de negá-la, ou será simplesmente a recusa em aceitar uma deidade pessoal, segundo a definição um tanto violenta de R. Hall, que define o ateísmo como um "sistema feroz que nada deixa ACIMA de nós, para inspirar o terror, e nada ao nosso redor para despertar a ternura"! Isso é duvidoso para a maior parte dos nossos membros, caso se aceite a primeira condição, pois que os da Índia e Birmânia, etc., acreditam em deuses, em seres divinos e temem alguns deles.
Assim, também, um grande número de teosofistas ocidentais não deixaria de confessar sua crença completa em espíritos planetários ou do espaço, fantasmas ou anjos. Muitos dentre nós aceitam a existência de inteligências superiores ou inferiores, de Seres tão grandes quanto qualquer Deus "pessoal". Isto não é segredo. A maior parte dentre nós crê na sobrevivência do Ego espiritual, nos Espíritos Planetários e nos NIRMANAKAYAS, esses grandes Adeptos de eras passadas, que, renunciando seus direitos ao Nirvana, permanecem nas esferas em que vivemos, não como "espíritos", mas como Seres espirituais humanos completos.
Eles permanecem tais como foram, excetuando o que se refere a seus invólucros corporais visíveis, que abandonaram a fim de ajudar a pobre humanidade, na medida em que essa ajuda possa ser dada, sem ir de encontro à Lei Kármica. Essa é realmente a "Grande Renúncia", um incessante sacrifício consciente através dos EONS e eras, até o dia em que os olhos da humanidade se abrirem e, em lugar de um pequeno número, TODOS reconhecerem a Verdade Universal. Se permitissem que o fogo que anima os nossos corações, como idéia do mais puro de todos os sacrifícios, fosse inflamado pela adoração e oferecido sobre um altar elevado em sua honra, esses seres poderiam ser considerados como Deus ou Deuses. Mas, não o querem. Em verdade, é somente no imo do coração que se deve elevar, neste caso, o mais belo Templo de Devoção; qualquer outra coisa não seria mais que ostentação profana.
Consideremos agora outros Seres invisíveis, dos quais alguns estão muito acima e outros muito abaixo na escala da evolução divina. Dos últimos, nada podemos dizer; quanto aos primeiros, nada nos podem dizer, porquanto nós não existimos perante eles. O homogêneo não pode ter conhecimento do heterogêneo, e (a não ser que aprendamos a fugir do nosso invólucro material para "comungar" de espírito a espírito) não podemos esperar conhecer sua natureza real.
Mas, todo verdadeiro teosofista afirma que o Eu Superior divino de cada homem mortal é da mesma essência que a desses Deuses. O Ego encarnado, dotado de livre arbítrio, possuindo, por isso, maior responsabilidade, é, a nosso ver, superior, e até, talvez, mais divino que qualquer INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL que ainda espera a encarnação. Do ponto de vista filosófico, a razão é clara, e todo metafísico da escola oriental a compreenderá. O Ego encarnado está na dependência das dificuldades que não existem para a pura Essência divina não associada à matéria; neste caso, não há nenhum mérito pessoal, ao passo que o Ego em encarnação está no caminho de seu aperfeiçoamento final através das provações da existência, da tristeza e do sofrimento.
A sombra do Karma não pode se estender sobre o que é divino, isento de qualquer ligação e tão diferente do que somos que não pode haver entre nós relação alguma. Quanto a essas deidades, que no Panteão esotérico hindu são consideradas finitas e, por conseguinte, submetidas ao Karma, jamais um verdadeiro filósofo consentirá em adorá-las; são figuras e símbolos.
Seremos nós, então, considerados ateus porque, crendo nas Falanges Espirituais - nesses seres que vieram a ser adorados na sua coletividade como um Deus PESSOAL - recusamo-nos terminantemente a considerá-las como representantes do Uno Incognoscível? Porque afirmamos que o Princípio Eterno - o TODO NO TODO DO PODER ABSOLUTO, DA TOTALIDADE - não pode ser expresso por palavras limitadas, nem por ter por símbolo qualquer atributo condicionado e qualificativo? Ainda mais, deixaremos passar sem protesto a acusação de idolatria que atiram sobre nós os católicos romanos, os quais seguem uma religião tão pagã quanto a dos adoradores dos elementos do sistema solar? Católicos, que tiraram o seu credo, aliás, diminuído e dissecado, do paganismo existente há muitas eras antes do ano I da Era Cristã; católicos cujos dogmas e ritos são os mesmos que os de qualquer nação idólatra - se é que alguma ainda existe.
Sobre toda a superfície da Terra - do Pólo Norte ao Pólo Sul, dos golfos gelados dos países nórdicos, às planícies tórridas do sul da Índia, na América Central, na Grécia e na Caldéia - era adorado o Fogo Solar, como símbolo do Poder Divino, criador da vida e do amor. A união do Sol (o espírito - elemento masculino) com a Terra (a matéria - elemento feminino) era celebrada nos Templos do Universo inteiro. Se os pagãos tinham uma festa comemorativa dessa união - a festa que celebravam nove meses antes do Solstício de Inverno, quando se dizia que Ísis tinha concebido - também a têm os católicos romanos.
O grande e SANTO DIA da ANUNCIAÇÃO, o dia no qual a "Virgem Maria" recebeu o favor de (seu) Deus e concebeu o "Filho do Altíssimo", é celebrado pelos cristãos NOVE MESES ANTES DO NATAL. Donde vêm a adoração do fogo, das luzes e lâmpadas nas igrejas? Por que isso? Porque Vulcano, o Deus do Fogo, desposou Vênus, a deusa do mar; e é por essa mesma razão que os Magos velavam o Fogo Sagrado como as Virgens vestais do Ocidente. O Sol era o "Pai" da eterna Natureza Virgem-Mãe; Osíris e Ísis; Espírito-Matéria, este último adorado sob seus três aspectos pelos pagãos e cristãos. Daí vêm as Virgens - dá-se o mesmo no Japão - vestidas de azul estrelado, apoiadas sobre o crescente lunar, símbolo da Natureza feminina (em seus três elementos: ar, água e fogo); o Fogo ou o Sol, macho, fecundando-a anualmente pelos seus raios luminosos (as "línguas de fogo" do Espírito Santo).
No KALEVALA, o mais antigo poema épico dos finlandeses de Antigüidade pré-cristã, o que nenhum erudito poderá duvidar, fala-se dos deuses da Finlândia, dos deuses do ar e da água, do fogo e das florestas, do céu e da terra. Na magnífica tradução de J. M. Grawford, Rume L. (vol. 11), o leitor achará a lenda inteira da Virgem Maria em:
MARIATTA, filha da beleza
Virgem-Mãe das Terras Nórdicas... (p. 720)
Ukko, o Grande Espírito, cuja moradia é em Yûmala (o Céu ou Paraíso), escolhe como veículo a Virgem Mariatta para se encarnar por meio dela em Homem-Deus. Ela concebe colhendo e comendo uma baga vermelha (marja). Repudiada pelos pais, dá nascimento a um "FILHO IMORTAL" numa MANJEDOURA DE ESTÁBULO. Mais tarde, o "Santo Menino" desaparece e Mariatta se põe a procurá-lo. Ela pergunta a uma estrela, a "Estrela diretriz dos Países Nórdicos", onde se esconde o "Santo Menino", mas a estrela irritada responde-lhe:
Se eu soubesse, não t'o diria
Foi teu filho quem me criou
No frio, para brilhar sempre...
e nada mais diz à Virgem. A lua dourada tampouco consente em ajudá-la, pois o filho de Mariatta a criou e deixou no grande céu:
Aqui para vagar nas trevas,
Para vagar sozinha à noite,
Brilhando para o bem dos outros...
Somente o "Sol Prateado", tendo pena da Virgem-Mãe, lhe diz:
Acolá está a criança dourada
Lá repousa dormindo teu Santo-Menino
Encoberto pela água até a cintura
Escondido pelos caniços e juncos...
Ela traz de volta o Santo-Menino e, enquanto o chama de "Flor", outros o nomeiam o FILHO DA DOR.
Estaremos em presença de uma lenda pós-cristã? Absolutamente não, pois, como já foi dito, trata-se de uma lenda DE ORIGEM ESSENCIALMENTE PAGÃ e reconhecidamente pré-cristã.
Resulta que, com tais dados literários em mão, devem cessar as acusações sempre repetidas de idolatria e ateísmo. Aliás, o termo idolatria é de origem cristã. Foi empregado pelos primeiros nazarenos durante os dois primeiros séculos e metade do terceiro da nossa era, contra as nações que usavam templos e igrejas, estátuas e imagens, porquanto os primitivos cristãos não possuíam, NEM TEMPLOS, NEM ESTÁTUAS, NEM IMAGENS, e sentiam horror por essas coisas.
Por conseguinte, o termo "idólatras" convém mais aos nossos acusadores que a nós mesmos, como o provará este artigo. Com suas Madonas em todas as esquinas, seus milhares de estátuas de Cristo e Anjos de todas as formas, até a de Santos e Papas, é bastante perigoso para um católico acusar um hindu ou budista de idolatria.
Essa asserção deve agora ser provada.
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domingo, 8 de julho de 2007
Aos Pés Do Mestre, de Alcione / Alcyone (J. Krishnamurti / Jiddu Krishnamurti)
COMO FOI ESCRITO O LIVRINHO “AOS PÉS DO MESTRE”
Contado pelo Sr. C.W. Leadbeater a alguns íntimos em Nova Zelândia.
Talvez todos vós tenhais lido o livrinho “Aos Pés do Mestre” e, se algum dos presentes há que ainda não o leu, deve tratar de fazê-lo. Se lestes o prefácio deste livro, deveis Ter notado que consiste nas instruções dadas a Alcione, por seu Mestre K.H., o Ser que, séculos passados, esteve entre nós como Pitágoras. Eu mesmo me achava presente, quando as lições foram dadas, porque era essa uma das partes do meu trabalho, juntamente com o auxílio que devia prestar ao meu jovem amigo Alcione. Tais lições eram dadas durante o sono. Cabia-me o dever de levá-lo todas as noites ao Mestre. Devemos lembrar-nos que o corpo de Alcione contava, nessa ocasião, treze anos, apenas, de idade e qualquer coisa que se lhe tinha de transmitir devia ser tão clara e simples quanto fosse possível, a fim de que um cérebro de 13 anos a pudesse compreender. Tinha-se também de enfrentar a dificuldade de uma língua estrangeira, a inglesa, tanto mais que devia haver no texto a maior clareza possível.
Apesar dessas dificuldades, o texto contém tudo quanto é necessário à primeira Iniciação.
Cada noite, o Mestre dava, mais ou menos, 15 minutos de lição; porém, sempre no fim da lição, o Mestre resumia, numa singela frase, tudo quanto havia ensinado. De manhã, Alcione escrevia o texto.
Devo dizer-vos que a obra não contém todos os textos escritos, porém somente o resumo deles. Foi desse modo que obtivestes um conjunto de lições, segundo a linha do Boddhisattva.
Depois Alcione foi a Benares e ali instruiu algumas pessoas; escreveu-me de lá para Adyar, pedindo lhe mandasse todas as notas que havia tomado. Algumas estavam em cadernos, outras em pedaços de papel; juntei-as e fiz uma cópia a máquina. Lembrei-me, porém, que, segundo palavras do Mestre, devia levá-las a Ele antes de as enviar a Alcione. Assim o fiz. O Mestre acrescentou duas sentenças que nós havíamos omitido.
“Antes que façamos qualquer coisa para o Mundo, mostremo-la ao Instrutor do Mundo” (1), disse-me o Mestre.
(1) Entre os cristãos, Instrutor do Mundo é o Cristo Nosso Senhor e, entre os budistas, é o Sr. Maitreya (o Senhor da Bondade). São nomes diferentes para o mesmo grande Ser.
Ele mesmo o levou (o texto escrito); eu o acompanhei. O Senhor (o Instrutor do Mundo) o leu e aprovou. Foi Ele mesmo quem nos disse: “Deveis imprimir isto num pequeno e precioso livrinho – para introduzir Alcione no mundo”.
Verdade é, não havíamos pensado em tal coisa, nem desejávamos apresentar ao mundo uma criatura ainda tão jovem. Mas, no mundo do Ocultismo, devemos fazer o que se nos ordena, sem vacilação nem receio, porque os nossos superiores sabem mais do que nós o que podemos alcançar.
O Instrutor do Mundo tinha razão. Nós é que nos tínhamos enganado. Todos os inconvenientes que receávamos realmente se deram, porém a imensidade dos benefícios espalhados foi de tal ordem e magnitude que, com presteza, desapareceram os superficiais e ligeiros inconvenientes.
Milhares e milhares de pessoas nos têm dito que tão benfazejas lhes foram essas lições, que chegaram a mudar completamente a corrente inteira de suas vidas.
Este pequenino livro mostra e nos ensina com que espírito serão formuladas as lições do Mestre: O Amor será a sua chave (isto é, a sua nota fundamental).
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Contado pelo Sr. C.W. Leadbeater a alguns íntimos em Nova Zelândia.
Talvez todos vós tenhais lido o livrinho “Aos Pés do Mestre” e, se algum dos presentes há que ainda não o leu, deve tratar de fazê-lo. Se lestes o prefácio deste livro, deveis Ter notado que consiste nas instruções dadas a Alcione, por seu Mestre K.H., o Ser que, séculos passados, esteve entre nós como Pitágoras. Eu mesmo me achava presente, quando as lições foram dadas, porque era essa uma das partes do meu trabalho, juntamente com o auxílio que devia prestar ao meu jovem amigo Alcione. Tais lições eram dadas durante o sono. Cabia-me o dever de levá-lo todas as noites ao Mestre. Devemos lembrar-nos que o corpo de Alcione contava, nessa ocasião, treze anos, apenas, de idade e qualquer coisa que se lhe tinha de transmitir devia ser tão clara e simples quanto fosse possível, a fim de que um cérebro de 13 anos a pudesse compreender. Tinha-se também de enfrentar a dificuldade de uma língua estrangeira, a inglesa, tanto mais que devia haver no texto a maior clareza possível.
Apesar dessas dificuldades, o texto contém tudo quanto é necessário à primeira Iniciação.
Cada noite, o Mestre dava, mais ou menos, 15 minutos de lição; porém, sempre no fim da lição, o Mestre resumia, numa singela frase, tudo quanto havia ensinado. De manhã, Alcione escrevia o texto.
Devo dizer-vos que a obra não contém todos os textos escritos, porém somente o resumo deles. Foi desse modo que obtivestes um conjunto de lições, segundo a linha do Boddhisattva.
Depois Alcione foi a Benares e ali instruiu algumas pessoas; escreveu-me de lá para Adyar, pedindo lhe mandasse todas as notas que havia tomado. Algumas estavam em cadernos, outras em pedaços de papel; juntei-as e fiz uma cópia a máquina. Lembrei-me, porém, que, segundo palavras do Mestre, devia levá-las a Ele antes de as enviar a Alcione. Assim o fiz. O Mestre acrescentou duas sentenças que nós havíamos omitido.
“Antes que façamos qualquer coisa para o Mundo, mostremo-la ao Instrutor do Mundo” (1), disse-me o Mestre.
(1) Entre os cristãos, Instrutor do Mundo é o Cristo Nosso Senhor e, entre os budistas, é o Sr. Maitreya (o Senhor da Bondade). São nomes diferentes para o mesmo grande Ser.
Ele mesmo o levou (o texto escrito); eu o acompanhei. O Senhor (o Instrutor do Mundo) o leu e aprovou. Foi Ele mesmo quem nos disse: “Deveis imprimir isto num pequeno e precioso livrinho – para introduzir Alcione no mundo”.
Verdade é, não havíamos pensado em tal coisa, nem desejávamos apresentar ao mundo uma criatura ainda tão jovem. Mas, no mundo do Ocultismo, devemos fazer o que se nos ordena, sem vacilação nem receio, porque os nossos superiores sabem mais do que nós o que podemos alcançar.
O Instrutor do Mundo tinha razão. Nós é que nos tínhamos enganado. Todos os inconvenientes que receávamos realmente se deram, porém a imensidade dos benefícios espalhados foi de tal ordem e magnitude que, com presteza, desapareceram os superficiais e ligeiros inconvenientes.
Milhares e milhares de pessoas nos têm dito que tão benfazejas lhes foram essas lições, que chegaram a mudar completamente a corrente inteira de suas vidas.
Este pequenino livro mostra e nos ensina com que espírito serão formuladas as lições do Mestre: O Amor será a sua chave (isto é, a sua nota fundamental).
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domingo, 1 de julho de 2007
A Voz do Silêncio, de Helena Petrovna Blavatsky / Helena P. Blavatsky / Madame Blavatsky / H. P. Blavatsky
As páginas seguintes são extraídas do Livro dos Preceitos de Ouro, uma das obras lidas pelos estudiosos do misticismo no Oriente. O seu conhecimento é obrigatório naquela escola cujos ensinamentos são aceitos por muitos teosofistas. Por isso, como sei de cor muitos destes preceitos, o trabalho de traduzi-los foi para mim fácil tarefa.
É bem sabido que na Índia os métodos de desenvolvimento psíquico divergem segundo os Gurus (professores ou mestres), não só porque eles pertencem a diferentes escolas filosóficas, das quais há seis, mas também porque cada Guru tem o seu sistema, que em geral mantém cuidadosamente secreto. Mas, para além dos Himalaias, não há diferença de métodos nas escolas esotéricas, a não ser que o Guru seja simplesmente um Lama, pouco mais sabendo do que aqueles a quem ensina.
A obra, de onde são os trechos que traduzo, forma parte da mesma série de onde são tiradas as estrofes do Livro de Dzyan sobre que A Doutrina Secreta se baseia. Juntamente com a obra mística chamada Paramartha, a qual segundo nos diz a lenda de Nagarjuna, foi ditada ao grande Arhat pelos Nagas ou serpentes - nome dado aos antigos iniciados - o Livro dos Preceitos Áureos invoca a mesma origem. As suas máximas e conceitos, porém, por nobres e originais que sejam, encontram-se muitas vezes, sob formas diversas, em obras sânscritas, tais como o Jnaneshevari, esse soberbo tratado místico em que Krishna descreve a Arjuna, em cores brilhantes, a condição dum iogue plenamente iluminado; e ainda em certos Upanishads. Isto, afinal, é naturalíssimo, visto que quase todos, senão todos, os maiores Arhats, os primeiros seguidores do Gautama Buda, foram hindus e árias, e não mongóis, sobretudo aqueles que emigraram para o Tibete. As obras deixadas apenas por Aryasanghas são, por si só, numerosíssimas.
Os preceitos originais estão gravados sobre lâminas oblongas delgadas; as cópias, muitas vezes, sobre discos. Estes discos ou chapas são geralmente conservados nos altares dos templos ligados aos centros onde estão estabelecidas as chamadas escolas "contemplativas" ou Mahayana (Yogacharya). Estão escritos de diversas maneiras, às vezes no idioma tibetano, mas principalmente em idéografos. A língua sacerdotal (senzar), além de por um alfabeto seu, pode ser traduzida em várias maneiras de escrita em caracteres cifrados, que têm mais de ideogramas do que de sílabas. Um outro método (lug, em tibetano) é o de empregar os números e as cores, cada um dos quais corresponde a uma letra do alfabeto tibetano (trinta letras simples e setenta e quatro compostas), formando assim um alfabeto criptográfico completo. Quando se empregam os idéografos há uma maneira certa de ler o texto, pois, neste caso, os símbolos e os sinais usados na astrologia, isto é, os doze animais zodíacos e as sete cores primárias, cada uma tripla em seu matiz (claro, primário e escruro), representam as trinta e três letras do alfabeto simples, formando palavras e orações. Porque, neste método, os doze animais, cinco vezes repetidos e juntos aos cinco elementos e às sete cores, compõem um alfabeto completo de de setenta letras sagradas e doze signos. Um signo posto no princípio de um parágrafo indica se o leitor tem de soletrar segundo o modo índio (em que cada palavra é apenas uma adaptação, sânscrita), ou segundo o princípio chinês de ler os ideógrafos. O método mais fácil é, porém, aquele que não deixa o leitor empregar qualquer língua especial, ou o que quiser, visto que os sinais e os símbolos eram, como os números ou algarismos arábicos, propriedade comum e internacional entre os místicos iniciados e os seus seguidores. A mesma peculiaridade é característica de uma das maneiras chinesas de escrever, que pode ser lida com igual facilidade por qualquer pessoa conhecedora dos caracteres: por exemplo, um japonês pode lê-la na sua língua tão prontamente como um chinês na sua.
O Livro dos Preceitos Áureos - alguns dos quais são pré-budísticos, ao passo que outros pertencem a um época posterior - contém uns noventa pequenos tratados distintos. Destes aprendi de cor, há muitos anos, trinta e nove. Para traduzir os outros, teria de me referir a apontamentos dispersos entre um número de papéis e notas, representando um estudo de 20 anos e nunca postos em ordem, demasiado grande para que a tarefa fosse fácil. Nem poderiam ser, todos, traduzidos e dados a um mundo por demais egoísta e atado aos objetos dos sentidos, para que pudesse estar preparado a receber, com a devida atitude do espírito, uma moral tão elevada. Porque, a não ser que um homem se entregue perseverantemente ao culto do conhecimento de si próprio, nunca poderá de bom grado dar ouvidos a conselhos desta natureza.
E, contudo, esta moral enche tomos e tomos da literatura oriental, sobretudo nos Upanishads. "Mata todo o desejo de viver" - diz Krishna a Arjuna. Esse desejo mora apenas no corpo, veículo do ser encarnado, e não na própria Individualidade, que é "eterna, indestrutível, que não mata nem é mortal".) "Mata a sensação", ensina o Sutta Nipata; "olha do mesmo modo para o prazer e para a dor, para o ganho e para a perda, para a vitória e para a derrota". E ainda "busca abrigo só no eterno" (ibid.) "Destrói o sentido da existência separada" - repete Krishna de variadas maneiras. "O Espírito (Manas), que segue os sentidos vagabundos torna a alma (Budhi) tão inerte como o barco que o vento arrasa sobre as águas" (Bhagavad Gita, II 67).
Por isso se julgou melhor fazer uma escolha judiciosa só entre aqueles tratados que mais sirvam aos poucos verdadeiro místicos que há na Sociedade Teosófica, e que com certeza se ajustem às suas necessidades. Só esses compreenderão estas palavras de Krishna-Christos, a Personalidade Superior.
"Sábios, não choreis nem pelos vivos nem pelos mortos. Nunca deixei de existir, nem vós, nem estes reis dos homens; nem no futuro deixará qualquer um de nós de existir" (Bhagavad Gita, II 11-12).
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É bem sabido que na Índia os métodos de desenvolvimento psíquico divergem segundo os Gurus (professores ou mestres), não só porque eles pertencem a diferentes escolas filosóficas, das quais há seis, mas também porque cada Guru tem o seu sistema, que em geral mantém cuidadosamente secreto. Mas, para além dos Himalaias, não há diferença de métodos nas escolas esotéricas, a não ser que o Guru seja simplesmente um Lama, pouco mais sabendo do que aqueles a quem ensina.
A obra, de onde são os trechos que traduzo, forma parte da mesma série de onde são tiradas as estrofes do Livro de Dzyan sobre que A Doutrina Secreta se baseia. Juntamente com a obra mística chamada Paramartha, a qual segundo nos diz a lenda de Nagarjuna, foi ditada ao grande Arhat pelos Nagas ou serpentes - nome dado aos antigos iniciados - o Livro dos Preceitos Áureos invoca a mesma origem. As suas máximas e conceitos, porém, por nobres e originais que sejam, encontram-se muitas vezes, sob formas diversas, em obras sânscritas, tais como o Jnaneshevari, esse soberbo tratado místico em que Krishna descreve a Arjuna, em cores brilhantes, a condição dum iogue plenamente iluminado; e ainda em certos Upanishads. Isto, afinal, é naturalíssimo, visto que quase todos, senão todos, os maiores Arhats, os primeiros seguidores do Gautama Buda, foram hindus e árias, e não mongóis, sobretudo aqueles que emigraram para o Tibete. As obras deixadas apenas por Aryasanghas são, por si só, numerosíssimas.
Os preceitos originais estão gravados sobre lâminas oblongas delgadas; as cópias, muitas vezes, sobre discos. Estes discos ou chapas são geralmente conservados nos altares dos templos ligados aos centros onde estão estabelecidas as chamadas escolas "contemplativas" ou Mahayana (Yogacharya). Estão escritos de diversas maneiras, às vezes no idioma tibetano, mas principalmente em idéografos. A língua sacerdotal (senzar), além de por um alfabeto seu, pode ser traduzida em várias maneiras de escrita em caracteres cifrados, que têm mais de ideogramas do que de sílabas. Um outro método (lug, em tibetano) é o de empregar os números e as cores, cada um dos quais corresponde a uma letra do alfabeto tibetano (trinta letras simples e setenta e quatro compostas), formando assim um alfabeto criptográfico completo. Quando se empregam os idéografos há uma maneira certa de ler o texto, pois, neste caso, os símbolos e os sinais usados na astrologia, isto é, os doze animais zodíacos e as sete cores primárias, cada uma tripla em seu matiz (claro, primário e escruro), representam as trinta e três letras do alfabeto simples, formando palavras e orações. Porque, neste método, os doze animais, cinco vezes repetidos e juntos aos cinco elementos e às sete cores, compõem um alfabeto completo de de setenta letras sagradas e doze signos. Um signo posto no princípio de um parágrafo indica se o leitor tem de soletrar segundo o modo índio (em que cada palavra é apenas uma adaptação, sânscrita), ou segundo o princípio chinês de ler os ideógrafos. O método mais fácil é, porém, aquele que não deixa o leitor empregar qualquer língua especial, ou o que quiser, visto que os sinais e os símbolos eram, como os números ou algarismos arábicos, propriedade comum e internacional entre os místicos iniciados e os seus seguidores. A mesma peculiaridade é característica de uma das maneiras chinesas de escrever, que pode ser lida com igual facilidade por qualquer pessoa conhecedora dos caracteres: por exemplo, um japonês pode lê-la na sua língua tão prontamente como um chinês na sua.
O Livro dos Preceitos Áureos - alguns dos quais são pré-budísticos, ao passo que outros pertencem a um época posterior - contém uns noventa pequenos tratados distintos. Destes aprendi de cor, há muitos anos, trinta e nove. Para traduzir os outros, teria de me referir a apontamentos dispersos entre um número de papéis e notas, representando um estudo de 20 anos e nunca postos em ordem, demasiado grande para que a tarefa fosse fácil. Nem poderiam ser, todos, traduzidos e dados a um mundo por demais egoísta e atado aos objetos dos sentidos, para que pudesse estar preparado a receber, com a devida atitude do espírito, uma moral tão elevada. Porque, a não ser que um homem se entregue perseverantemente ao culto do conhecimento de si próprio, nunca poderá de bom grado dar ouvidos a conselhos desta natureza.
E, contudo, esta moral enche tomos e tomos da literatura oriental, sobretudo nos Upanishads. "Mata todo o desejo de viver" - diz Krishna a Arjuna. Esse desejo mora apenas no corpo, veículo do ser encarnado, e não na própria Individualidade, que é "eterna, indestrutível, que não mata nem é mortal".) "Mata a sensação", ensina o Sutta Nipata; "olha do mesmo modo para o prazer e para a dor, para o ganho e para a perda, para a vitória e para a derrota". E ainda "busca abrigo só no eterno" (ibid.) "Destrói o sentido da existência separada" - repete Krishna de variadas maneiras. "O Espírito (Manas), que segue os sentidos vagabundos torna a alma (Budhi) tão inerte como o barco que o vento arrasa sobre as águas" (Bhagavad Gita, II 67).
Por isso se julgou melhor fazer uma escolha judiciosa só entre aqueles tratados que mais sirvam aos poucos verdadeiro místicos que há na Sociedade Teosófica, e que com certeza se ajustem às suas necessidades. Só esses compreenderão estas palavras de Krishna-Christos, a Personalidade Superior.
"Sábios, não choreis nem pelos vivos nem pelos mortos. Nunca deixei de existir, nem vós, nem estes reis dos homens; nem no futuro deixará qualquer um de nós de existir" (Bhagavad Gita, II 11-12).
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