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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho

TRECHO:
Nota do autor

Quando o grande místico sufi Hasan estava morrendo, um dos seus
discípulos perguntou:
- Mestre, quem foi o teu mestre?
- Eu tive centenas de mestres – foi a resposta.- Se tivesse que dizer o nome
de todos eles, levaria meses, talvez anos, e mesmo assim ainda terminaria esquecendo
alguns.
- Entretanto, não houve algum deles que marcou mais que outros?
Hassan pensou por um minuto, e disse:
- Na verdade, existiram três pessoas que me ensinaram coisas muito
importantes.
“O primeiro foi um ladrão. Certa vez eu estava perdido no deserto, e só
consegui chegar em casa muito tarde da noite. Havia deixado minha chave com o vizinho,
mas não tinha coragem de acorda-lo aquela hora. Finalmente encontrei um homem, pedi
ajuda, e ele abriu a fechadura num piscar de olhos.
“Fiquei muito impressionado, e implorei que me ensinasse a fazer aquilo.
Ele me disse que vivia de roubar as outras pessoas, mas eu estava tão agradecido que
convidei-o para dormir em minha casa.
“Ele ficou comigo por um mês. Toda noite saía e comentava: “Estou indo
trabalhar; continue sua meditação e reze bastante.” Quando voltava, eu perguntava sempre
se tinha conseguido alguma coisa. Ele invariavelmente me respondia: “Não consegui nada
esta noite. Mas, se Deus quiser, amanhã tentarei de novo.”
“Era um homem contente, e nunca o vi ficar desesperado com a falta de
resultados. Durante grande parte da minha vida, quando eu meditava e meditava sem que
nada acontecesse, sem conseguir meu contacto com Deus, eu me lembrava das palavras do
ladrão – “não consegui nada esta noite, mas, se Deus quiser, amanhã tentarei de novo”. Isso
me deu forças para seguir adiante.
- Quem foi a segunda pessoa?
- Foi um cachorro. Eu estava indo em direção ao rio, para beber um pouco de
água, quando o cachorro apareceu. Ele também estava com sede. Mas, quando chegou perto
da água, viu outro cachorro ali – que não era mais que sua própria imagem refletida.
“Ficou com medo, afastou-se, latiu, fez tudo para que afastar o outro
cachorro. Nada aconteceu, é claro. Finalmente, porque sua sede era imensa, resolveu
enfrentar a situação e atirou-se dentro do rio; neste momento a imagem sumiu.
Hassan deu uma pausa, e continuou:
- Finalmente, meu terceiro mestre foi uma criança. Ela caminhava em
direção à mesquita, com uma vela acesa na mão. Eu perguntei: “Você mesmo acendeu esta
vela?” O garoto disse que sim. Como fico preocupado com crianças brincando com
chamas, insisti: “Menino, houve um momento em que esta vela esteve apagada. Voce
poderia me dizer de onde veio o fogo que a ilumina?” 4
“O garoto riu, apagou a vela, e me perguntou de volta: “E o senhor, pode me
dizer para onde foi o fogo que estava aqui?”
“Neste momento eu entendi o quão estúpido sempre tinha sido. Quem
acende a chama da sabedoria? Para onde ela vai? Compreendi que, igual aquela vela, o
homem carrega por certos momentos no seu coração o fogo sagrado, mas nunca sabe onde
ele foi aceso. A partir daí, comecei a comungar com tudo que me cercava – nuvens,
arvores, rios e florestas, homens e mulheres. Tive milhares de mestres a minha vida inteira.
Passei a confiar que a chama sempre estaria brilhando quando dela precisasse; fui um
discípulo da vida, e ainda continuo sendo. Consegui aprender a aprender com as coisas
mais simples e mais inesperadas, como as histórias que os pais contam para os seus filhos.

Este belo conto, pertencente à tradição mística do Islã, mostra que uma das
formas mais tradicionais que o homem encontrou de passar o conhecimento de sua geração,
foi através de histórias e relatos.
A história é o que existe de mais puro na literatura, porque permite
interpretações que vão além do tempo em que foram concebidas. Elas são alegres,
divertidas, dramáticas, mas sobretudo transmitem o conhecimento deuma maneira
agradável. Enquanto escrevia a grande maioria dos textos deste livro, imaginava quem os
concebeu, quem os contou para seus filhos e netos, como foram capazes de sobreviver ao
tempo, viajar pelo espaço, e percorrer muitos continentes e oceanos.
Sempre que é possível identificar uma fonte – como a do conto acima – eu
o faço. Mas a quase totalidade dos textos pertence aos arquivos secretos do coração do
homem; o nome do autor se perdeu, embora sua mensagem continue presente . Existe
também alguns contos que tem versoes diferentes em diferentes culturas, e neste caso eu
optei pela mais conhecida.
“Histórias de pais, filhos e netos” deve muito aos leitores da coluna que
escrevo em diversos jornais do Brasil e exterior; foram eles que me incentivaram a reunir o
material sob a forma de livro, ao qual acrescentei algum material ainda inédito. Também
resolvi incluir trechos que escrevi sobre certas experiencias pessoais, que gostaria de dividir
com os outros.
Vamos, então, passear pelas tradições e lendas de diversos continentes,
embalados pelas três palavras mágicas que escutamos na infância, e nunca mais
esquecemos:
Era uma vez...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Guerreiro da Luz, de Paulo Coelho

TRECHO:
No Caminho de Kumano
Desci do trem numa tarde de fevereiro de
2001, e encontrei Katsura, uma japonesa de 29
anos.
- Seja bem-vindo ao caminho de Kumano.
Olhei para o lado de fora da estação, para
o sol poente que batia diretamente no meu rosto.
O que era o caminho de Kumano? Durante a via-
gem, tinha procurado saber como é que aquele
lugar remoto estava incluído no programa de mi-
nha visita ofcial, organizada pela Japan Founda-
tion. A intérprete me disse que uma amiga minha,
a poeta Madoka Mayuzumi, fzera questão que eu
visitasse o lugar, mesmo que tivesse apenas cinco
dias, e precisasse viajar de carro a maior parte do
tempo. Madoka tinha feito a pé o Caminho de 4 5
Santiago em 1999, e achava que esta era a manei-
ra de agradecer-me.
Ainda no trem, minha interprete comen-
tou: “o pessoal em Kumano é muito estranho”.
Perguntei o que queria dizer com isso, e ela limi-
tou sua resposta a uma palavra. “Religiosidade.”
De minha parte, resolvi não insistir: muitas vezes
conseguimos estragar uma boa peregrinação por-
que lemos todos os folhetos, os livros, as indica-
ções na Internet, os comentários de amigos, e já
chegamos no lugar sabendo tudo que precisamos
conhecer, sem deixar espaço para o mais impor-
tante da viagem - o inesperado.
- Vamos até a pedra - disse Katsura.
Caminhamos alguns metros até um peque-
no obelisco, com inscrições em duas faces, encra-
vadas no meio de uma esquina - e disputando o
espaço com pedestres, uma loja de conveniências,
carros, e motocicletas que passavam. A partir dali, 4 5
o caminho de Kumano se dividia em dois.
- Se você seguir para a esquerda, irá fazer a
peregrinação pelo caminho que o imperador usa-
va antigamente. Se seguir pela direita, fará o ca-
minho das pessoas comuns comentou Katsura.
- Talvez o caminho do imperador seja mais
bonito, mas com certeza o caminho das pessoas
comuns e mais animado.
Ela pareceu fcar contente com a resposta.
Entramos no carro, nos dirigimos para as mon-
tanhas cobertas de névoa. Enquanto conduzia,
Katsura explicava um pouco sobre o lugar: Ku-
mano é uma espécie de península cheia de colinas,
forestas e vales, onde várias religiões conviviam
pacifcamente. As predominantes eram o budis-
mo e o xintoísmo (religião nacional do Japão,
anterior à infuência de Buda, e que consiste na
adoração das forças da natureza), mas ali podia
ser encontrado todo tipo de fé e de manifestação 6 7
espiritual.
- Quantos quilômetros de peregrinação? -
eu quis saber.
Ela pareceu não entender. Pedi que a inter-
prete traduzisse em japonês, mas mesmo assim
Katsura parecia perplexa com a minha pergunta.
- Depende de onde você saiu - disse fnal-
mente.
- Claro. Mas no caso do Caminho de San-
tiago, por exemplo, se você sair de Navarra são
aproximadamente 700 kms. E aqui?
- Aqui, as peregrinações começam quando
você deixa a sua casa, e terminam quando você
volta para ela. Neste caso, como você mora no
Brasil, deve saber a distância.
Eu não sabia, mas a resposta fazia sentido.
A peregrinação é uma etapa de uma viagem; lem-6 7
brei-me que depois de percorrer o caminho de
Santiago, na Espanha, só fui realmente entender
o que me acontecera quando passei quatro meses
em Madrid, antes de voltar para casa.
- A gente vê as coisas, e não compreende
de imediato - continuou Katsura. - É preciso dei-
xar em casa o homem que você está acostumado
a ser; ele fca lá, e apenas a parte boa continua a
ser alimentada pela energia da Deusa, que é mãe
generosa. A parte que lhe prejudica termina mor-
rendo por falta de alimento, já que o demônio
está muito ocupado com outras pessoas, e não
tem tempo de fcar cuidando de alguém cuja alma
não está ali.
Subimos por quase duas horas um pequeno
caminho sinuoso na montanha, até que a furgo-
neta parou numa espécie de albergue. Antes que
eu entrasse, Katsura comentou:
- Aqui vive uma mulher que não sabemos
quantos anos tem, por isso a chamamos de De-8 9
mônio Feminino. Vou descer até a aldeia próxi-
ma para chamar um lenhador que irá lhe explicar
como deve ser feito o caminho.
A noite já tinha começado a descer, Katsu-
ra desapareceu na bruma, e eu fquei ali, esperan-
do que o Demônio Feminino abrisse a porta.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Considerações Místicas, de Francisco Marengo

TRECHO:
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por quaisquer
meios eletrônicos, mecânicos, inclusive por meio de processos xerográficos, incluindo
ainda o uso da Internet sem a permissão expressa da Nova Ordem do Templo, na
pessoa de seu editor. (Lei nº 9.610, de 19.2.98).

domingo, 21 de junho de 2009

Wicca: Guia Básico Para Iniciantes

TRECHO:
INTRODUÇÃO
Wicca
O que é
A Bruxaria é uma religião de origem Xamânica e forte tradição mágica, mas é bom lembrar que
Xamanismo e Magia são técnicas espirituais, isto é, para ser Bruxa não é preciso fazer magia, ou ter
poderes paranormais. Muito menos ser vidente ou médium. O que diferencia a Bruxa do Mago ou
Xamã é a sua devoção pelos Deuses. Xamanismo e Magia são técnicas utilizadas pelas Bruxas, mas
não têm nada a ver com a parte devocional da Wicca.
É possível ser bruxa fazendo-se somente os rituais de devoção, sem nunca praticar um único feitiço
na vida, mas o contrário não é verdadeiro, pois, se não houver da sua parte um Amor sincero pela
energia dos Deuses e harmonia com a Natureza, você pode fazer feitiços dia e noite, mas nunca será
uma Bruxa. Tradicionalmente, as Bruxas podem (e devem) fazer feitiços recorrendo às energias da
Natureza para resolver os problemas práticos da sua vida, bem como para ajudar ao próximo, mas
nunca devemos nos esquecer de que o mais importante é a comunhão com as energias da Natureza,
e o respeito por todos os seres vivos, e, em especial, pelos nossos semelhantes.
Origens
Falar em origem da bruxaria é o mesmo que retornar aos primórdios da Humanidade, quando os
seres humanos começaram a despertar sua percepção para os mistérios da vida e da natureza.
Segundo os estudiosos da Pré-História, as primeiras demonstrações de arte devocional foram as
Madonas Negras, encontradas em cavernas do período Neolítico.
Portanto, as Deusas da Fertilidade foram os primeiros objetos de adoração dos povos primitivos. Da
mesma forma que nossos antepassados se maravilharam ao ver a mulher dando a Luz a uma
criança, todo o Universo deveria ter sido criado por uma Grande Mãe. Entre os povos que
dependiam da caça, surgiu o culto ao Deus dos Animais e da Fertilidade, também conhecido como
Deus de Chifres ou Cornífero. Os chifres sempre representaram a fertilidade, coragem e todos os
atributos positivos da energia masculina, representando também a ligação com as energias
cósmicas.
Hoje a figura do Deus Cornífero é bastante problemática, pois, com o advento do Cristianismo, ele
foi usado para personificar a figura do Diabo, entidade criada pelas religiões judaico-cristãs. Ele não
é reconhecido e muito menos cultuado pelas Bruxas.
A wicca surgiu no período Neolítico, em várias regiões da Europa, onde hoje se localiza a Irlanda,
Inglaterra, País de Gales, Escócia, indo até o Sudoeste da Itália e a região da Britânia na França.
Quando os Celtas invadiram a Europa, quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias
crenças, que, ao se misturarem às crenças da população local, originaram o sistema que deu
nascimento à Wicca. Com a rápida expansão desse povo, ela foi levada para regiões onde se
encontram Portugal, Espanha e Turquia. Embora a Wicca tenha se firmado entre os Celtas, é
importante lembrar que a bruxaria é anterior a eles. Mas como esse povo foi o mantenedor da
tradição, é importante que conheçamos, pelo menos, o rudimento de seu pensamento e cultura.
O Panteão Celta, ou seja, o conjunto de Deuses e Deusas dessa cultura é hoje o mais utilizado nos
rituais da Wicca, embora possamos trabalhar com qualquer Panteão, desde que conheçamos o
simbolismo correto, e não misturemos os Panteões num mesmo ritual. A sociedade Celta era
Matrifocal, isto é, o nome e os bens da família eram passados de mãe para filha. Homens e
mulheres tinham os mesmo direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e
guerreira, participando das lutas ao lado dos homens. O culto da Grande Mãe e do Deus Cornífero
predominaram nas regiões da Europa dominadas pelos Celtas, até a chegada dos romanos, que
praticamente dizimaram as tribos Celtas, que nessa época já estavam sendo dominadas pelos
Druidas, que representavam uma introdução ao patriarcalismo.
Porém, em muitos lugares, a religião da Grande Mãe continuou a ser praticada, pois havia certa
tolerância por parte dos romanos, chegando certos ramos da Wicca a incorporar elementos do
Panteão Greco-Romano, especialmente na Bruxaria Italiana. Foi somente na Idade Média que a
Bruxaria foi relegada às sombras com o domínio da Igreja Católica e a criação da Inquisição, cujo
objetivo era eliminar de vez as antigas crenças, que eram uma ameaça a um clero muito mais
preocupado em acumular bens e riquezas do que a propagar a verdadeira mensagem de Jesus.
Muitas das vítimas da Inquisição não eram Bruxas, e sim, pessoas com problemas de Saúde,
doenças mentais, deficiências físicas ou somente o alvo da suspeita e inveja do povo. Também era
comum se acusar pessoas para tomar seus bens, pois esses eram divididos entre os inquisidores.
Durante o tempo das fogueiras, o medo fez com que muitos permanecessem no anonimato para
resguardar as vidas de suas famílias. Muitos dos conhecimentos passaram a ser transmitidos
oralmente, por medida de segurança, e, assim, muito se perdeu.
As Treze Metas da Wicca
o Conhecer a si mesmo
o Saber sua arte
o Aprender
o Usar o que você aprendeu
o Manter o balanço de todas as coisas
o Manter suas palavras verdadeiras
o Manter seus pensamentos verdadeiros
o Celebrar a vida
o Alinhar você mesmo com os ciclos da Terra
o Manter seu corpo correto
o Exercitar seu corpo e sua mente
o Meditar
o Honrar a Deusa e o Deus
Essas metas devem ser seguidas pelos praticantes da Wicca, já que realmente acreditamos nelas. Há
também algumas leis da Wicca, que assim como as metas devem ser seguidas e respeitadas.
Antes de mais nada, é importante citar as quatro palavras do Mago. Antes de começar o estudo da
magia, é básico você saber e seguir essas quatro palavras. Primeiro tente entendê-las, pois sem que
você as entenda, não há como ser um bom praticante de magia.
o Saber;
o Ousar;
o Querer;
o Calar.
São as quatro palavras do Mago. Para ousar, precisamos saber. Para querer, precisamos ousar.
Precisamos querer para possuir império. Para reinar, precisamos manter silêncio.
A Bruxa Solitária
Primeiro, uma dica: reflita bastante antes de virar uma bruxa solitária. A bruxa solitária é aquela que
trabalha sozinha, ou então com seu parceiro(a). Por ser solitária, ela opta por qualquer coisa, e tem o
poder de decisão quanto ao tipo de ritual, vestimenta, etc. É ela que invoca e faz tudo sozinha num
ritual, em spells, etc. Muitas bruxas solitárias são muito ecléticas, dependendo de sua tradição.
Algumas são extremamente radicais, mas isso varia de bruxa pra bruxa.
Praticar bruxaria solitária é um pouco triste, exatamente pelo nome, que dá uma idéia: sozinha. Não
há com quem compartilhar seus conhecimentos, ou mesmo uma ajuda para se fazer um ritual. Você
trabalha sozinha, por si própria e desempenha todos os papéis de um coven completo. Mas nada a
impede de mais tarde, fazer parte de um Coven ou mesmo, criar um coven, o que é muito
interessante.
O que é uma bruxa?
São pessoas que vivem com princípios pagãos e adotam o extraordinário como parte integrante de
suas vidas. São pessoas que optaram por ter uma vida diferente, que reverenciam a natureza e os
elementos e não tem medo de se assumirem como são e nem vergonha de serem como são.
Hoje as pessoas falam muito sobre Bruxaria, mas o real sentido, o verdadeiro significado elas
desconhecem. Infelizmente perdeu-se o verdadeiro significado, e é confundida com satanismo e
Magia Negra.
A natureza é o templo da Bruxa, e neste templo se pratica o grande culto à Deusa, que é
representada pela Lua.
As Bruxas não adoram o diabo e nem praticam o mal, pelo menos as verdadeiras Bruxas!
Ser Bruxa também é ser feminina, afinal quem não gosta de um pouco de sedução? Ser Bruxa é
reconciliar o masculino e o feminino. É encontrar a verdadeira essência que está dentro de nós! É
aceitar o Deus e a Deusa em seu coração, é acreditar, respeitar, amar a Natureza, perdoar e, acima
de tudo, amar...
Deusa-Mãe
O período neolítico não conhecia deuses - vigorava o matriarcado, com a Deusa-Mãe. O conceito de
paterno inexistia e a moral, a ciência e a religião ocupavam a mesma esfera. Com a instituição do
patriarcado, o cálice foi derramado através da espada, relegando o elemento feminino. Com o fim
da era de Peixes, tipicamente masculina, o reinado feminino retorna em Aquário para resgatar Sofia,
o arquétipo da Sabedoria. Assim como o Taoísmo primitivo, todas as religiões ancestrais
visualizavam o Universo como uma generosa Mãe. Nada mais natural: não é do ventre delas que
saímos? De acordo com o mito universal da Criação, tudo teria saído dela.
Entre os egípcios, era chamada de Nuit, a Noite. "Eu sou o que é, o que será e o que foi. Para os
gregos era Gaia - Mãe de tudo, inclusive de Urano, o Céu. Entretanto, ela não era apenas fonte de
vida, como também senhora da morte. O culto a Grande- Mãe era a religião mais difundida nas
sociedades primitivas. Descobertas arqueológicas realizadas em sítios neolíticos testificam a
existência de uma sociedade agrícola pré-histórica bastante avançada, na região da Europa e Oriente
Médio, onde homens e mulheres viviam em harmonia e o culto à Deusa era a religião. Não há
evidências de armas ou estruturas defensivas, onde se conclui que esta era uma sociedade pacífica.
Também não há representações, em sua arte, de guerreiros matando-se uns aos outros, mas pinturas
representando a natureza e uma grande quantidade de esculturas representando o corpo feminino.
Essas esculturas também foram encontradas em Creta, datadas de 2.000 a.C. Na sociedade cretense
as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio.
Platão conta que nesta sociedade, a última matrifocal de que se tem notícia, toda a vida era
permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia. Segundo
historiadores, a passagem para o patriarcado deu-se em várias esferas. Na velha Europa, a sociedade
que cultuava a Deusa foi vítima do ataque de poderosos guerreiros orientais - os kurgans. O Cálice
foi derrubado pelo poder da Espada. Outro fator decisivo para tal transformação foi o crescimento
da população, que levou as sociedades arcaicas à "domesticação da terra". Os homens tinham que
dominar a natureza, para obrigá-la a produzir o que queriam. Com a descoberta de que o sêmen do
homem é que fecunda a mulher(acreditava-se que esta gerasse filhos sozinha), estabeleceu-se o
culto ao falo, sendo este difundido pela Europa, Egito, Grécia e Ásia, atingindo o seu ápice na Índia.
Com o advento do monoteísmo, e patriarcado - e a conseqüente dominação da mulher - o culto ao
falo estabeleceu-se em definitivo. "O monoteísmo não é apenas uma religião, é uma relação de
poder. A crença numa única divindade cria uma hierarquia - de um Deus acima dos outros, do mais
forte sobre o mais fraco, do crente sobre o não-crente."
Jeová, Deus dos Hebreus, em cujos mandamentos assentam-se as raízes da nossa civilização
judaico-cristã - é o melhor exemplo do Deus patriarcal. Ele é um Deus guerreiro, que esmaga os
inimigos do seu povo eleito com toda a sua força poderosa, esperando em troca fidelidade e
obediência aos seus mandamentos. Ele trabalha com o medo. O mito de Lilith mostra bem essa
passagem do matriarcado para o patriarcado. Recusando-se a submeter-se à Adão, tentava igualdade
com ele. "Por que devo deitar-me sob ti?" - ela questiona, e é punida por Jeová, que envia um anjo
para expulsá-la do Paraíso. Blasfemando e criando asas, numa demonstração de liberdade, Lilith
abandona o Paraíso e voa para o Mar Vermelho, onde dá início a uma dinastia de demônios. Mas
Adão fica, e sente-se só. Jeová então cria Eva, a mulher, condenada eternamente à inferioridade.
Como enunciava Santo Agostinho, a mulher não era a imagem de Deus - apenas o homem era. Ela
era, no máximo, a imagem de uma costela. Embora a personagem do Deus cristão seja bem mais
suave do que seu antecessor - o Deus de Jesus é piedoso e compreensivo, enquanto Jeová distribui
medo e castigos, na opinião de muitos a totalidade feminina encontra-se cindida na mitologia cristã:
maternidade e sexualidade. A Virgem e Maria Madalena. Nos Evangelhos Apócrifos, Madalena é
tida como líder ativa no discipulado de Cristo. O Evangelho de Felipe relata a união do homem e da
mulher como símbolo de cura e paz, e estende-se ao relacionamento de Cristo e Madalena, a
companheira do Salvador.
Contrapondo-se à figura de Madalena, a Virgem está associada apenas ao lado maternal do
feminino, estático e protetor. Sempre retratada através da Virgem, de Madalena, Hera, Ísis, Deméter,
Atena, Diana, a Lua, a Natureza, Hécate, Afrodite, Lilith e tantas outras, a figura da Deusa vem
ressurgindo, cada vez mais e com mais força.
Princípios da crença
O Conselho de Bruxos Americanos crê necessário que se defina a Bruxaria Moderna de acordo com
as experiências e necessidades Americanas. Não somos limitados por tradições de outros tempos e
outras culturas, e não devemos lealdade a qualquer pessoa ou poder maior que a Divindade
manifesta através de nós mesmos. Como Bruxos Americanos, aceitamos e respeitamos todos os
ensinamentos e tradições que afirmem a vida, e buscamos aprender de todos eles para dividirmos
nosso aprendizado dentro do Conselho.
1. É em tal espírito de acolhimento e cooperação que nós adotamos estes poucos princípios de
crença Wiccaniana. Buscando ser inclusivos, não desejamos abrir-nos à destruição de nosso
grupo por aqueles que buscam para si o poder, ou a filosofias e práticas contraditórias a tais
princípios. Buscando excluir aqueles cujos caminhos sejam contraditórios ao nosso, não
desejamos negar participação a qualquer pessoa que esteja sinceramente interessada em
nossos conhecimento e crenças, a despeito de raça, cor, sexo, idade, origem cultural ou
nacional, ou preferência sexual.
2. Nós, portanto, pedimos a aqueles que buscam identificar-se conosco que aceitem esses
poucos princípios básicos:
3. Nós praticamos ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais, marcadas pelas
fases da Lua e aos feriados sazonais.
4. Nós reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação a
nosso meio ambiente. Buscamos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio
ecológico, oferecendo completa satisfação à vida e à consciência, dentro de um conceito
evolucionário.
5. Nós damos crédito a uma profundidade de poder muito maior que é aparente a uma pessoa
normal. Por ser tão maior que ordinário, é às vezes chamado de "sobrenatural", mas nós o
vemos como algo naturalmente potencial a todos.
6. Nós vemos o Poder Criativo do Universo como algo que se manifesta através da Polaridade
- como masculino e feminino – e que ao mesmo tempo vive dentro de todos nós,
funcionando através da interação das mesmas polaridades masculina e feminina. Não
valorizamos um acima do outro, sabendo serem complementares. Valorizamos a sexualidade
como prazer, como o símbolo e incorporação da Vida, e como uma das fontes de energias
usadas em práticas mágicas e ritos religiosos.
7. Nós reconhecemos ambos os mundos exterior e interior, ou mundos psicológicos - às vezes
conhecidos como Mundo dos Espíritos, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc. - e
vemos na interação de tais dimensões a base de fenômenos paranormais e exercício mágico.
Não negligenciamos qualquer das dimensões, vendo ambas como necessárias para nossa
realização.
8. Nós não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam,
respeitamos os que dividem de maior conhecimento e sabedoria, e admiramos os que
corajosamente deram de si em liderança.
9. Nós vemos religião, mágica, e sabedoria como sendo unidas na maneira em que se vê o
mundo e vive nele - uma visão de mundo e filosofia de vida, que identificamos como
Bruxaria ou o Caminho Wiccaniano.
10. Chamar-se "Bruxo" não faz um Bruxo - assim como a hereditariedade, ou a coleção de
títulos, graus e iniciações. Um Bruxo busca controlar as forças interiores, que tornam a vida
possível, de modo a viver sabiamente e bem, sem danos a outros e em harmonia com a
Natureza.
11. Nós reconhecemos que é a afirmação e satisfação da vida, em uma continuação de evolução
e desenvolvimento da consciência, que dá significado ao Universo que conhecemos, e a
nosso papel pessoal dentro do mesmo.
12. Nossa única animosidade acerca da Cristandade, ou de qualquer outra religião ou filosofia,
dá-se pelo fato de suas instituições terem clamado ser "o único verdadeiro e correto
caminho", e lutado para negar liberdade a outros, e reprimido diferentes modos de prática
religiosa e crenças.
13. Como Bruxos Americanos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História
da Arte, das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes
tradições. Somos preocupados com nosso presente e com nosso futuro.
14. Nós não aceitamos o conceito de "mal absoluto", nem adoramos qualquer entidade
conhecida como "Satã" ou "o Demônio" como defendido pela Tradição Cristã. Não
buscamos poder através do sofrimento de outros, nem aceitamos o conceito de que
benefícios pessoais só possam ser alcançados através da negação de outros.
15. Trabalhamos dentro da Natureza para aquilo que é positivo para nossa saúde e bem estar.
O Que é Neopaganismo
Um movimento religioso/espiritualista/ecológico que vem crescendo consideravelmente nos últimos
anos por todo o mundo, e principalmente nos Estados Unidos. Com certeza você já tem uma idéia
fundamentada sobre a palavra. Se vieram à sua cabeça expressões como "não batizado", "satanista",
e "anti-Cristo", isto é sinal de que você chegou aqui na hora certa. Esqueça todos esses conceitos da
aula de Crisma...a palavra Pagão vem do latim Paganus, que quer dizer "aquele que vive no
campo", ou "aquele que vive do campo". Chamamos de povos Pagãos, aqueles que na Antigüidade
tinham nos campos e plantações seu sustento, a base de sua vida. A Terra era, portanto, sagrada para
eles. Toda a sua cultura e religião girava em torno da Natureza: a época das colheitas, as estações,
os Solstícios, etc.
Muitos dos povos Pagãos eram politeístas, atribuindo aos deuses, faces da Natureza com que
conviviam. Assim, havia o deus do Sol, a deusa da Lua. o deus da caça, a deusa da fertilidade, etc.
Foram Pagãos os povos Gregos, Romanos e Celtas, por exemplo. Uma característica muito
marcante da religião Pagã é a existência de deuses e deusas, às vezes com igual poder, e muitas
vezes tendo-se a figura feminina como dominante.
Tomemos os povos Celtas por exemplo. Antes de serem influenciados pelo Cristianismo, sua
cultura era totalmente matriarcal. As cerimônias religiosas eram conduzidas por sacerdotisas, a
medicina era praticada pelas curandeiras, as decisões tomadas pelas Sonhadoras, e o deus não
passava do Consorte da Deusa, a Grande Mãe. Como religião, o Paganismo busca, portanto, o
equilíbrio, o casamento perfeito entre masculino e feminino, tanto no mundo exterior como dentro
de cada indivíduo.
O Neopaganismo busca reviver o modo de vida desses povos. Paganismo porque retoma suas
crenças a práticas, e Neo, porque tem que se adaptar ao novo modo de produção Capitalista, e
muitas vezes à vida urbana. Milhares de pessoas em todo o mundo passam a olhar para a Lua de
uma maneira diferente, e a celebrar as estações mais uma vez. As árvores voltam a ser sagradas, e as
fogueiras da Primavera são reacesas. Ser Neopagão é estar na Terra, e tê-la dentro de si mesmo.
"Let the Truth be Heard"
We are not evil.
We don't harm or seduce people.
We are not dangerous.
We are ordinary people like you.
We have families, jobs, hopes, and dreams.
We are not a cult.
This religion is not a joke.
We are not what you think we are from looking at T.V.
We are real.
We laugh, we cry.
We are serious.
We have a sense of humor.
You don't have to be afraid of us.
We don't want to convert you.
And please don't try to convert us.
Just give us the same right we give you - to live in peace.
We are much more similar to you than you think.
-Margot Adler-
Religiões Neopagãs
Há hoje no mundo um número razoavelmente grande de religiões Neopagãs, sendo uma das
maiores a denominada Wicca. Wicca corresponde a Bruxaria, a Arte dos Sábios, ou simplesmente A
Arte (The Craft). A palavra Wicca vem do Inglês arcaico, e quer dizer Pessoa Sábia (Wise One).
Bruxos e Bruxas no mundo todo tornam-se cada vez mais evidentes, e saem do ‘armário das
vassouras' cada vez com mais freqüência e facilidade.
O principal lema da Bruxaria é 'An it Harms None, Do as You Will, ou seja, desde que não
prejudiques ninguém, faças como quiseres. Nós da bruxaria, praticamos magia, através de feitiços e
rituais, que variam de acordo com a tradição. Algumas tradições da Bruxaria são:
Gardnerian Wicca- Tradição que data de 1954 aproximadamente, fundada por Geral Gardner, um
dos primeiros Wiccanianos a se revelarem no mundo. É uma tradição ortodoxa e secretiva. Seus
rituais são sempre realizados com as pessoas nuas.
Faery Wicca - Tradição relativamente nova, que busca contato com o povo das fadas, e utiliza-se de
familiares nos rituais. É uma tradição muito bela, com alguma influência céltica e vários traços de
Xamanismo.
Stregha - Bruxaria italiana. Não conheço muito sobre esta tradição, contribuições serão bem vindas.
Há uma infinidade de outras tradições (Celtic, Cabot, Alexandrian, Dianic, etc.) e seria impossível
listar todas aqui.
Outras religiões pagãs são: Asatru, Xamanismo, etc.
A Caça às Bruxas - 1450 - 1750
... milhares mortos em nome de Deus. Nunca será esquecido... não pode ser esquecido ... nunca
mais
O tempo das fogueiras
Após a Igreja Católica ter sido formada e haver adquirido poder, os costumes dos Pagãos foram
vistos como uma ameaça ao sistema religioso recentemente estabelecido e a adoração dos Deuses
da religião Antiga, foi banida. Os antigos festivais foram superados pelos novos feriados religiosos
da Igreja, e os antigos Deuses da Natureza e da Fertilidade, transformados em terríveis e maléficos
demônios e diabos. A igreja patriarcal chegou até a transformar várias Deusas pagãs em diabos
masculinos e maus, não somente para corromper deidades da Religião Antiga, como, também para
apagar o fato de o aspecto feminino ter sido objeto de adoração. No ano de 1233, o Papa Gregório
IX, instituiu o Tribunal Católico Romano, conhecido como Inquisição, numa tentativa de terminar
com a heresia. Em 1320, a Igreja (a pedido do Papa João XXIII) declarou oficialmente que a
Bruxaria, e a Antiga Religião dos Pagãos constituíam um movimento e uma "ameaça hostil" ao
Cristianismo.
Os bruxos tornaram-se heréticos e a perseguição contra todos os Pagãos, espalhou-se como fogo
selvagem por toda a Europa. É interessante notar que, antes de uma pessoa ser considerada herética,
ela tem, primeiro, que ser cristã, e os Pagãos nunca foram cristãos. Eles sempre foram Pagãos.Os
Bruxos (junto com um número incalculável de homens, mulheres e crianças inocentes, que não
eram Bruxos), foram perseguidos, brutalmente torturados, por vezes violados sexualmente ou
molestados, e, então, executados pelas autoridades sádicas, sedentas de sangue da Igreja, que
ensinavam que seu Deus era um Deus de amor e compaixão. A Bruxaria na Inglaterra tornou-se
uma ofensa ilegal no ano de 1541, e, em 1604, foi adotada uma Lei que decretou a pena capital para
os Bruxos e Pagãos. Quarenta anos mais tarde, as 13 colônias na América do Norte, decretaram
também a pena de morte para o "crime de bruxaria".
No final do século XVII, os seguidores que permaneciam leais à Religião Antiga, viviam
escondidos, e a Bruxaria tornou-se uma Religião subterrânea secreta após uma estimativa de um
milhão de pessoas ter sido levados à morte na Europa e mais de trinta condenados em Salem,
Massachusetts, em nome do cristianismo.Embora os infames julgamentos das Bruxas de Salem, em
1692, sejam os mais conhecidos e bem documentados na história dos Estados Unidos da América, o
primeiro enforcamento de um Bruxo na Nova Inglaterra realmente aconteceu em Connecticut, em
1647, 45 anos antes que a história contra a Bruxaria se abatesse na Vila de Salem. Ocorreram outras
execuções pré-Salem, em Providence, Rhode Island, em 1622.O método mais popular de extermínio
dos Bruxos na Nova Inglaterra era a forca. Na Europa,, a fogueira. Outros métodos incluíam a
prensagem até a morte, o afogamento, a decapitação e o esquartejamento.Durante 260 anos, após a
última execução de um Bruxo, os seguidores da Religião Antiga mantiveram suas práticas pagãs
ocultas nas sombras do segredo e, somente após as Leis contra a Bruxaria terem sido finalmente
revogadas na Inglaterra, foi que os Bruxos e Pagãos, em 1951, oficialmente saíram do quarto das
vassouras.
A Bruxaria Moderna ou Neo-Paganismo
Muita coisa anda sendo dita sobre o paganismo. Porém, muitas dúvidas começaram a surgir e muita
confusão vem sendo feita. Mas, afinal, o que é Bruxaria?
Bruxaria é uma Religião positiva, que busca o equilíbrio dos opostos e a harmonia entre o Homem e
a Natureza. Para grande surpresa da maioria, não adoramos o diabo - alias, nem se quer acreditamos
nele. O bruxo crê em duas Deidades principais: A Grande Mãe, criadora de todas as coisas,
princípio feminino de poder, representada pela Lua; e o Deus Cornífero, o grande Pai, semeador da
Vida e senhor da Morte, representado pelo Sol, o princípio masculino. Este Deus, foi difamado pela
Igreja Católica, que deu a sua aparência um significado maligno - Os Chifres do Deus não
representam o Mal. Por outro lado, representam o Natural e o animal. Na Natureza, os chifres são
como "coroas": Os animais fortes e viris são dotado com grandes e belos chifres.
Nossos Deuses são carnais, sexuais, puros e sábios. Eles não negam a sexualidade; ao contrário, a
glorificam como Sagrada - pois é graças a ela que tudo de concebe, que tudo se cria. O Sexo na
Bruxaria é sinal é força e magia, não de pecado e sujeira.
Estes Deuses não vivem num Céu distante, ditando regras inflexíveis a serem cumpridas por nós,
"seres inferiores". Eles estão aqui entre nós, junto a nós e (principalmente) dentro de nós. Precisam
de nós para manter o Equilíbrio Natural; não somos subordinados a eles, somos realmente seus
filhos.
Os Rituais
O bruxo tem algumas obrigações, entre elas, comemorar as estações do ano, e os ciclos da Lua. As
comemorações dos ciclos lunares, são chamadas Esbats, e as celebrações do movimento da terra em
volta do Sol - as estações - são chamados sabbaths. Os esbats são festejados a cada primeira noite
de Lua cheia e os Sabbaths são comemorados seguindo a Roda do Ano, que é marcada por oito
datas:
Yule ou Solstício de Inverno - Representa o nascimento do Deus. É a noite mais escura do ano, e
marca o apogeu da escuridão na Terra. Por outro lado, é o primeiro dia de sua decadência, pois a
Criança Sagrada, o Menino Sol nasce trazendo a Luz ao Planeta. Assim, também marca o retorno da
força solar. Em Yule é tempo de celebrar o início de todas as coisas e devemos meditar sobre novos
projetos, novos amores, nova vida. É celebrado a 21 de junho no Sul e 21 de Dezembro no Norte.
É desta data antiga que se originou o Natal Cristão. Nesta época, a Deusa dá à Luz o deus, que é
reverenciado como Criança Prometida. Em Yule é tempo de reencontrarmos nossas esperanças,
pedindo para que os Deuses rejuvenesçam nossos corações e nos dêem forças para nos libertarmos
das coisas antigas e desgastadas. É hora de descobrirmos a criança dentro de nós e renascermos com
sua pureza e alegria. Coloque flores e frutos da época do altar. Se quiser, pode fazer uma árvore
enfeitada, pois está é a antiga tradição "pagã", onde a árvore era sagrada e os meses do ano tinham
nomes de árvores. Esta é a noite mais longa do ano, onde a Deusa é reverenciada como a Mãe da
Criança Prometida ou do Deus Sol, que nasceu para trazer Luz ao mundo. Da mesma forma, apesar
de todas as dificuldades, devemos sempre confiar em nossa própria luz interior.
Imbolc ou Candlemas - Imbolc vem para confirmar Yule. A Deusa retorna ao seu povo em Imbolc,
novamente virgem, trazendo com ela novas esperanças, nova promessa de vida. O Deus agora já
não é mais uma criança, e agora se apresenta como um belo jovem, que com o passar dos dias se
fortifica. Em Imbolc devemos nos livrar de tudo o que é velho e desgastado para darmos lugar ao
novo. É comemorado a 1 de agosto no Sul e 02 de Fevereiro no Norte.
Este Sabá é dedicado à Deusa Brigit, Senhora da Poesia, da Inspiração, da Cura, da Escrita, da
Metalurgia, das Artes marciais e do Fogo. Nesta noite, as Bruxas colocam velas cor de laranja ao
redor do círculo, e uma vela acesa dentro do Caldeirão. Se o ritual é feito ao ar livre, pode-se fazer
tochas e girar ao redor do círculo com elas. A Bruxa mais jovem da Assembléia pode representar
Brigit, entrando por último no círculo para acender, com sua tocha, a vela do caldeirão, ou a
fogueira, se o ritual for ao ar livre, o que representaria a Inspiração sendo trazida para o círculo pela
Deusa.
Os membros do Coven devem fazer poesias, ou cantar em homenagem a Brigit. Pedidos,
agradecimentos ou poesias devem ser queimados na fogueira ou no caldeirão em oferenda, no fim
do ritual. O Deus está crescendo e se tornando mais forte, para trazer a Luz de volta ao mundo. É
hora de pedirmos proteção para todos os jovens, em especial da nossa família do Coven. Devemos
mentalizar que o Deus está conservando sempre viva dentro de nós a chama da Saúde, da coragem,
da ousadia e da juventude. O altar deve ser enfeitado com flores amarelas, alaranjadas ou
vermelhas. A consagração deve ser feita pelos membros mais jovens do Coven.
Ostara ou Equinócio de Primavera - Em Ostara, comemoramos o primeiro dia de Primavera. Na
natureza tudo desabrocha: a Deusa cobre a terra com um manto de fertilidade e, juntamente ao
Deus, estimula todos os seres vivos a reprodução. O Deus, agora mais maduro está cada vez mais
forte. É tempo de enfeitar o altar com flores e frutos da época. É comemorada a 21 de setembro no
Sul ou 21 de Março no Norte.
Ostara é o Festival em homenagem à Deusa Oster, senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o coelho.
Foi desse antigo festival que teve origem a Páscoa. Os membros do Coven usam grinaldas, e o Altar
deve ser enfeitado com flores da época. É um costume muito antigo colocar ovos pintados no Altar.
Eles simbolizam a fecundidade e a renovação. Os ovos podem ser pintados crus e depois enterrados,
ou cozidos e comidos enquanto mentalizamos nossos desejos. Nesse caso, não utilize tintas tóxicas,
pois podem provocar problemas se ingeridas. Use anilinas para bolo, ou cozinhe os ovos com
cascas de cebola na água, o que dará uma bela cor dourada. Antes de comê-los, os membros do
Coven devem girar de mãos dadas em volta do Altar para energizar os pedidos. Os ovos devem ser
decorados com símbolos mágicos, ou de acordo com a sua criatividade. Os pedidos devem ser
voltados à "fertilidade" em todas as áreas.
Beltane - É o período de em que o Deus torna-se sexualmente maduro. Agora, ele é um Homem
que apaixona-se pela Deusa, que juntos fazem Amor pelos campos - A Sagrada União, que tudo
fecunda. O Caldeirão deverá estar cheio d'água em Beltane, com flores boiando dentro. Também
deve-se erguer um pau, tronco ou bambu e amarrar em sua extremidade mais alta fitas de várias
cores. Cada um deve pegar uma ponta da fita, e todos devem girar enrolando-a. O bambu representa
o fallus do Deus - seu órgão genital. Beltane é comemorado a 31 de Outubro no Sul ou 01 de Maio
no Norte.
Beltane é o mais alegre e festivo de todos os Sabás. O Deus, que agora é um jovem no auge da sua
fertilidade, se apaixona pela Deusa, que em Beltane se apresenta como a Virgem e é chamada
"Rainha de Maio". Em Beltane se comemora esse Amor que deu origem a todas as coisas do
Universo. Beleno é a face radiante do Sol, que voltou ao mundo na Primavera. Em Beltane se
acendem duas fogueiras, pois é costume passar entre elas para se livrar de todas as doenças e
energias negativas. Nos tempos antigos, costumava-se passar o gado e os animais domésticos entre
as fogueiras com a mesma finalidade. Daí veio o costume de "pular a fogueira" nas festas juninas.
Se não houver espaço, duas tochas ou mesmo duas velas podem ter a mesma função. Deve-se ter o
maior cuidado para evitar acidentes.
Uma das mais belas tradições de Beltane é o Maypole, ou Mastro de Fitas. Trata-se de um mastro
enfeitado com fitas coloridas. Durante um ritual, cada membro escolhe uma fita de sua cor preferida
ou ligada a um desejo. Todos devem girar trançando as fitas, como se estivessem tecendo seu
próprio destino, colocando-nos sob a proteção dos Deuses. É costume em Wicca jamais se casar em
Maio, pois esse mês é dedicado ao casamento do Deus e da Deusa.
Litha ou Solstício de Verão - É comemorado a 21 de dezembro no Sul ou 21 de Junho no Norte.
Agora, toda a Terra encontra-se banhada pela Fertilidade da Deusa e do Deus. Este, está no auge de
sua força, fazendo com que os dias sejam maiores do que as noites. Devemos nos lembrar porém,
que se aproxima o momento dele começar a definhar. Em seu altar, coloque ervas solares e
Girassóis, para representar a potência do Deus. Em Beltane, louvamos a Deusa em seu aspecto de
Gaia, a Mãe Terra, e o Deus em seu aspecto de Deus Sol.
Nesse dia o Sol atingiu a sua plenitude. É o dia mais longo do ano. O deus chega ao ponto máximo
de seu poder. Este é o único Sabá em que às vezes se fazem feitiços, pois o seu poder mágico é
muito grande. É hora de pedirmos coragem, energia e Saúde. Mas não devemos nos esquecer que,
embora o Deus esteja em sua plenitude, é nessa hora que ele começa a declinar. Logo Ele dará o
último beijo em sua amada, a Deusa, e partirá no Barco da Morte, em busca da Terra do Verão.
Da mesma forma, devemos ser humildes para não ficarmos cegos com o brilho do sucesso e do
Poder. Tudo no Universo é cíclico, devemos não só nos ligarmos à plenitude, mas também aceitar o
declínio e a Morte. Nesse dia, costuma-se fazer um círculo de pedras ou de velas vermelhas.
Queimam-se flores vermelhas ou ervas solares (como a Camomila) juntamente com os pedidos no
Caldeirão.
Lammas ou Lughnasadh - Celebrado a 2 de fevereiro no Sul ou 01 de Agosto no Norte. É o
período da colheita, quando a Natureza mostra seus frutos. O Deus gradativamente enfraquece, e a
Deusa observa a queda de seu amante, sabendo que, dentro dela, ele vive como semente. Aos
poucos as noites começam a ficar mais longas, devido ao enfraquecimento do Sol. No altar,
devemos depositar ramos de trigo e espigas de milho. Na noite de Lammas, deve ser servido pães e
bolos. É tempo de colher o resultado de nossas ações e de agradecer por dádivas alcançadas.
Lughnasad era tipicamente uma festa agrícola, onde se agradecia pela primeira colheita do ano.
Lugh é o Deus Sol. Na Mitologia Celta, ele é o maior dos guerreiros, que derrotou os Gigantes, que
exigiam sacrifícios humanos do povo. A tradição pede que sejam feitos bonecos com espigas de
milho ou ramos de trigo representando os Deuses, que nesse festival são chamados Senhor e
Senhora do Milho. Nessa data deve-se agradecer a tudo o que colhemos durante o ano, sejam coisas
boas ou más, pois até mesmo os problemas são veículos para a nossa evolução.
O outro nome do Sabá é Lammas, que significa "A Massa de Lugh". Isso se deve ao costume de se
colher os primeiros grãos e fazer um pão que era dividido entre todos. Os membros do Coven
devem fazer um pão comunitário, que deverá ser consagrado junto com o vinho e repartido dentro
do círculo. O primeiro gole de vinho e o primeiro pedaço de pão devem ser jogados dentro do
Caldeirão, para serem queimados juntamente com papéis, onde serão escritos os agradecimentos, e
grãos de cereais. O boneco representando o Deus do milho também é queimado, para nos lembrar
de que devemos nos livrar de tudo o que é antigo e desgastado para que possamos colher uma nova
vida. O Altar é enfeitado com sementes, ramos de trigo, espigas de milho e frutas da época.
Mabon ou Equinócio de Outono - Acontece a 21 de março no Sul ou 21 de Setembro no Norte. A
colheita iniciada em Lammas agora atinge seu ponto máximo. Os dias e as noites são de igual
duração, e o Deus prepara-se para partir à Terra da Juventude Eterna, onde irá descansar e recobrar
suas forças. Esse fenecimento pode ser visto também na Natureza, que prepara-se para a chegada do
Inverno. Nesse período, o altar deve conter folhas de plantas da estação, e alguns frutos. O Deus
agora é louvado em seu aspecto de semente e a Grande Mãe em seu aspecto de Provedora.
No Panteão Celta, Mabon, também conhecido como Angus, era o Deus do Amor. Nessa noite
devemos pedir harmonia no Amor e proteção para as pessoas que amamos. Está é a segunda
colheita do ano. O Altar deve ser enfeitado com as sementes que renascerão na primavera. O chão
deve ser forrado com folhas secas. O deus está agonizando e logo morrerá. Este é o Festival em que
devemos pedir pelos que estão doentes e pelas pessoas mais velhas, que precisam de nossa ajuda e
conforto. Também é nesse festival que homenageamos as nossas Antepassadas Femininas,
queimando papéis com seus nomes no Caldeirão e lhes dirigindo palavras de gratidão e bênçãos.
Samhain, Dia das Bruxas ou Halloween - Comemorado a 1 de maio no Sul ou 31 de Outubro no
Norte, marca a ida do Deus ao Reino dos Mortos. É o ponto auge da Roda do Ano e é considerado
o Ano Novo pagão. Nessa data a barreira entre os mundos está mais fraca, facilitando assim, o
contato com entes queridos que já se foram. Métodos Divinatórios devem ser praticados nessa noite
e o altar deve conter folhas de cipreste, abóboras, velas negras e laranjas. Em Samhain é tempo de
reflexão: de olharmos para nossos atos e compreendermos o significado de nossas experiências.
Apesar de ser a noite da partida do Deus, não deve ser encarado com tristeza - Ele ainda vive dentro
da Deusa como seu filho: É a esperança, a promessa de luz, que se concretizará em Yule.
Este é o mais importante de todos os Festivais, pois, dentro do círculo, marca tanto o fim quanto o
início de um novo ano. Nessa noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais
tênue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os que já partiram. As bruxas não fazem
rituais para receber mensagens dos mortos e muito menos para incorporar espíritos. O sentido do
Halloween é nos sintonizarmos com os que já partiram para lhes enviar mensagens de Amor e
harmonia. A noite do Samhain é uma noite de alegria e festa, pois marca o início de um novo
período em nossas vidas, sendo comemorado com muito ponche, bolos e doces. A cor do sabá é o
negro, sendo o Altar adornado com maçã, o símbolo da Vida Eterna. O vinho é substituído pela
sidra ou pelo suco de maçã. Deve-se fazer muita brincadeira com dança e música. Os nomes das
pessoas que já se foram são queimados no Caldeirão, mas nunca com uma conotação de tristeza.
No Altar e nos Quadrantes não devem faltar as tradicionais Máscaras de Abóbora com velas dentro.
Antigamente, as pessoas colocavam essas abóboras na janela para espantar os maus espíritos e os
duendes que vagavam pelas noites do Samhain. Essa palavra significa "Sem Luz", pois, nessa noite,
o Deus morreu e mundo mergulha na escuridão. A Deusa vai ao Mundo das Sombras em busca do
seu amado, que está esperando para nascer. Eles se amam, e, desse Amor, a semente da luz espera
no Útero da Mãe, para renascer no próximo Solstício de Inverno como a Criança da Promessa.
A Roda continua a girar para sempre. Assim, não há motivo para tristezas, pois aqueles que
perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada infinita
de evolução.
Há muita divergência quanto à pronúncia da palavra, mas acredito que seja Sal-Uin (Sow-ween).
Essa é a noite em que a barreira entre nosso mundo e o mundo dos espíritos fica mais fina. É
quando o Deus Cornudo se sacrifica para se tornar a semente de seu próprio renascimento em Yule.
É quando os pastores recolhem o gado e o povo esconde-se em casa, fugindo da época mais escura
do inverno. A data marca o fim (e o início) do calendário Celta. É celebrada pelos Cristãos como o
Dia das Bruxas, o famoso Halloween (All hails eve). A noite de Samhain ou Halloween se encontra
no meio exato entre o Ano que se vai e o que vem pela frente, e é, portanto, uma data atemporal.
Um antigo costume de Samhain na Bélgica era o preparo de “Bolos para os Mortos” especiais
(bolos ou bolinhos brancos e pequenos). Comia-se um bolo para cada espírito de acordo com a
crença de que quanto mais bolos alguém comesse, mais os mortos o abençoariam.
Outro costume de Samhain era acender um fogo no forno de casa, que deveria queimar
continuamente, até o primeiro dia da Primavera seguinte. Eram também acesas, ao pôr-do-sol,
grandes fogueiras no cume dos morros em honra aos antigos deuses e deusas, e para guiar as almas
dos mortos aos seus parentes.
As Artes Divinatórias, como observação da bola de cristal e o jogo de runas, na noite mágica de
Samhain, são tradições Wiccans, assim como ficar diante de um espelho e fazer um pedido secreto
Comemorando o Samhain
Deposite sobre o altar maçãs, romãs, abóboras e outros frutos do fim do outono. Flores outonais
como Madressilva e crisântemos também são indicados. Escreva num pedaço de papel um aspecto
de sua vida do qual deseja livrar-se, um sentimento negativo ou um hábito ruim, doenças. O
caldeirão deve estar presente no altar. Um pequeno prato com o símbolo da roda de oito aros
também deve estar presente. Antes do ritual sente-se em silêncio e pense nos amigos e nas pessoas
amadas que não mais estão entre nós. Não se desespere. Saiba que partiram para coisas melhores.
Tenha firme em mente que o plano físico não é a realidade absoluta, e que a alma jamais morre.
Prepare o altar, acenda as velas e o incenso, crie o círculo. invoque a Deusa e o Deus. Erga uma das
romãs e com sua recém lavada faca de cabo branco, perfure a casca da fruta. Remova diversas
sementes e coloque-as no prato com o desenho da roda. erga seu bastão, volte-se para o altar e diga;
o Nesta noite de Samhain assinalo sua passagem,
o Ó rei Sol através do poente ruma à Terra da Juventude.
o Assinalo também a passagem de todos os que já partiram,
o E dos que irão posteriormente. Ó Graciosa Deusa,
o Eterna Mãe, que dá à Luz os caído,
o Ensina-me a saber que nos momentos de maior escuridão
o Surge a mais intensa luz.
Prove as sementes de romã; parta-as com seus dentes e saboreie seu gosto agridoce. Olhe para o
símbolo de oito aros no prato; a roda do ano o ciclo das estações o fim e o início de toda a criação.
A venda um fogo dentro do caldeirão, uma vela serve. Sente-se diante dele, segurando o papel,
observando suas chamas. Diga:
o Ó Sabia Lua,
o Deusa da noite estrelada,
o Criei este fogo dentro de seu caldeirão
o Para transformar o que me vem atormentando.
o Que as energias se revertam:
o Das trevas ,luz!
o Do mal, o bem!
o Da morte, o nascimento!
Ateie fogo ao papel com as chamas do caldeirão e jogue-o em seu interior. Enquanto queima, saiba
que o mal diminui, reduzindo-se e finalmente o abandonando ao ser consumido pelos fogos
universais. Se quiser pode utilizar métodos para adivinhar o futuro e ver o passado. Tente regressar
a vidas passada se quiser. Mas deixe os mortos em paz. Honre-os com suas memórias mas não os
chame até você. Libere quaisquer dores e sentimentos de perda que possa sentir nas chamas do
caldeirão. Trabalhos de magia, se necessários podem-se seguir. Celebre o banquete Simples. O
círculo está desfeito.
Alimentos tradicionais
Maças, romãs,torta de abóbora, avelãs, Bolos para os Mortos, beterrabas, nabos, milho, castanhas,
gengibre, sonhos e bolos de amoras silvestres, cerveja, sidra e chás de ervas.
Incensos
Maça, menta, noz-moscada e sálvia.
Cores das velas
preta e laranja
Pedras preciosas
Todas as pedras negras, especialmente azeviche, obsidiana e ônix.
Anéis dos Desejos de Halloween
Vários dias antes do Halloween, faça três anéis de palha ou feno trançado. Pendure-os nos arbustos
fora de sua janela e faça um desejo a cada anel enquanto o pendura. Após isso, não torne a olhar
para os anéis até a noite de Halloween, ou seus desejos não serão realizados.
História do Dia das Bruxas
O Dia das Bruxas é anualmente celebrado. Mas como e quando este costume peculiar se originou ?
É, como alguma reivindicação, um tipo de adoração de demônio? Ou é isto só um vestígio inocente
de alguma cerimônia pagã antiga? A palavra propriamente, "Dia das Bruxas," tem realmente suas
origens na Igreja católica. Vem de uma corrupção contraída do dia 1 de novembro, "Todo o Dia de
Buracos" (ou "Todo o Dia de Santos"), é um dia católico de observância em honra de santos. Mas,
no século 5 DC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro. O feriado
era Samhain chamado (semeie-en), o Ano novo Céltico.
Uma história diz isto: Naquele dia, todos aquele que houvesse morrido ao longo do ano anterior
voltaria à procura de corpos vivos para possuí-los para o próximo ano. Acreditava-se ser seu para a
vida após a morte, (Panati). Os celtas acreditaram em todas as leis de espaço e tempo, o que
permitia que o mundo dos espíritos se misturassem com o dos vivos, (Gahagan).
Naturalmente, o ainda vivos não queriam ser possuídos. Então na noite de 31 de outubro, os aldeões
extinguiriam os fogos em suas casa. Eles iriam se vestir com fantasias e ruidosamente desfilavam
em torno do bairro, sendo tão destrutivos quanto possível, a fim de assustar os que procuravam
corpos para possuir, (Panati). Provavelmente, uma explicação melhor de por que os celtas
extinguiram o fogo, era para não desencorajar possessão de espírito, mas de forma que todas as
tribos Célticas pudessem reacender seus fogos de uma fonte comum, o Druidic era mantido em
chamas no Meio da Irlanda, em Usinach, (Gahagan).
Os Romanos adotaram as práticas Célticas como suas próprias. Mas no primeiro século DC, eles
abandonaram qualquer prática de sacrifício de humanos a favor de efígies em chamas.
Como convicção em possuir o espírito, a prática de vestir-se bem como fantasmas, e bruxas
empreendia um papel mais cerimonial. O costume de Dia das Bruxas foi trazido para a América na
1840, por imigrantes irlandeses fugindo da escassez de comida do seu país. O costume de doce ou
travessura não foi originado pelos celtas irlandeses, mas com um novo costume do século europeu
chamado Souling. Em 2 de novembro, Dia de Todas as Almas, primeiros cristãos caminhavam de
aldeia em aldeia pedindo "bolos de alma," pedaços quadrados compreendidos de pão com
groselhas. Quanto mais bolos de alma os mendigos recebessem, quanto mais orações, eles
prometiam dizer rezas em nome dos parentes mortos dos doadores. No momento, acreditava-se que
o morto permanecia no limbo por um tempo depois de morte, e aquela oração, até por estranhos,
dava passagem de uma alma para céu.
Os da vela na abóbora provavelmente vem de folclore irlandês. Como o conto é informado, um
homem chamado Jack, que era notório como um bêbedo e malandro, enganara Satã ao subir uma
árvore. Jack então esculpiu uma imagem de uma cruz no tronco da árvore, prendendo o diabo para
cima a árvore. Jack fez um acordo com o diabo, se ele nunca mais o tentasse novamente, ele o
deixaria árvore abaixo. De acordo com o conto de povo, depois de Jack morrer, ele a entrada dele
foi negada no Céu, por causa de seus modos de malvado, mas ele teve acesso também negado ao
Inferno, porque ele enganou o diabo. Ao invés, o diabo deu a ele uma brasa única para iluminar sua
passagem para a escuridão frígida. A brasa era colocada dentro de um nabo para manter por mais
tempo.
Os nabos na Irlanda eram usados como seu "lanternas do Jack" originalmente. Mas quando os
imigrantes vieram para a América, eles acharam que as abóboras eram muito mais abundantes que
nabos. Então os jack-e-Lanterna na América era em uma abóbora, iluminada com uma brasa.
Então, o Dia das Bruxas foi adotado como favorito "feriado" . Cresceu fora das cerimônias de celtas
celebrando um ano novo, e fora de cerimônias de oração Medievais de Européias.
Um Conto de Samhain
Lyla sentou-se no chão e olhou para o céu claro, limpo e estrelado. O reflexo da Lua cheia na água
fez Lyla pensar numa pérola. Redonda e branca... mas logo as crianças chegaram, e sentaram ao seu
redor, interrompendo seus pensamentos. Sorrindo, Lyla olhou para cada uma deles.
- 'Comecemos? Vou contar para vocês a estória de como o Cornudo se sacrifica todos os anos para
garantir força à Grande Mãe, para que esta possa vencer o frio do Inverno. Estão prontos?' As
crianças acalmaram-se para ouvir Lyla.
- 'Não foi a muito tempo que aconteceu. O Sol sumia no Oeste, e as aves noturnas já deixavam seus
ninhos, umas ameaçando cantar. Debaixo das árvores, correndo para suas tocas, os pequenos
animais apressavam-se, fugindo do frio cortante que se faria presente em pouco tempo. Aquela era a
época do Cornudo, e só as criaturas mais fortes sobreviveriam a inverno tão rigoroso. O Sol baixou,
baixou, até que só se via uma fina linha de separação entre céu e Terra no horizonte, e tudo ficou
avermelhado, com um ar mais mágico. E então, a luz se foi. A Lua estava crescente no céu, e um
vento gelado começou a correr por entre os troncos seculares das árvores. Ouve-se, agora, o som de
uma flauta...som tão límpido e cristalino, que a superfície do lago, antes parada, tremulou ao som da
melodia alegre.
Todos os animais da floresta pararam para ouvir o som da flauta, e mesmo as aves noturnas
cessaram seu canto orgulhoso. E por entre as árvores, a flauta se fez ouvida em toda a floresta. E
mais nada, além do som doce da flauta.
Atravessando o lago, um pouco depois do Grande Carvalho, estava a fonte de tal encantamento.
Sentado numa pedra coberta de limo, balançando ao som da flauta de bambu, um ser robusto, com
tronco e cabeça de homem, pernas cobertas de pêlo, cascos de cavalo e grandes chifres pontiagudos.
Observava a donzela que dançava ao som de sua música, logo à sua frente. Tinha longos cabelos
claros, lisos, que escorriam até a altura da cintura. Os fios sedosos acompanhavam os movimentos
da dança, pés habilidosos moviam-se descalços sobre a grama. A Deusa nunca havia estado tão bela
quanto naquela noite.
Os dois brincavam nus, na noite fria da floresta, e alguns animais se juntavam ao redor da clareira.
Cansada, a Donzela sentou-se, e olhando para o Cornudo, esperou que a música acabasse. Quando o
Deus afastou a flauta de seus lábios, as figuras dos animais e da Donzela desapareceram ... meras
lembranças. A Deusa agora recolhia-se grávida no Mundo Subterrâneo, guardada por seus
familiares, pronta para dar à luz dentro de tão pouco tempo.
Era necessário que o Sol Novo nascesse. O Cornudo levantou-se com tristeza e caminhou até o
lago, para observar seu reflexo. Já estava velho e fraco, mas ainda continha grande energia ...
energia necessária para que a Deusa agüentasse o parto que se seguiria em menos de dois meses. Já
não podia continuar a viver ... a Terra precisava de seu sangue, e o Sol Novo de sua energia.
Um grito ecoou em sua mente: a Deusa sofria. Aquele era o momento certo. O Cornudo olhou para
os céus, e olhando para a mata, despediu-se de sua casa. Tambores rufaram quando Ele ergueu suas
mãos e pronunciou as palavras secretas. Houve uma explosão, e Ele desapareceu.
Aqui, numa clareira nas montanhas, já distante da floresta, ouviam-se os tambores de guerra. Uma
música rápida e repetitiva tornava o ar agressivo. Também com uma explosão, o cornudo surge no
centro do círculo, um olhar decidido em seu rosto.
O Velho Cornudo tinha agora em suas mãos uma adaga ritual, e quando Ele a levantou apontada
para seu peito os tambores cessaram. Cernunnos fechou os olhos, e o momento se fez silencioso ...
aqueles segundos duraram milênios ... O Cornudo levou a adaga a seu peito, e os tambores voltaram
a tocar.
Quando a lâmina fria rasgou a carne do Deus, não houve um grito, sequer um sussurro de dor ...
apenas o som do sangue derramando-se sobre a terra. O Cornudo ajoelhou-se, com calma em seu
olhar. Com as próprias mãos, abriu a ferida para que os espíritos recolhessem o sangue.
Quando o círculo tornou-se silencioso novamente, e todos os espíritos partiram, o Deus deitou e
virou-se para as estrelas, e esperou que a paz voltasse a reinar sobre a floresta. Ainda sentia o
sangue escorrendo para fora de seu corpo, e regando o círculo sagrado em que repousaria para
sempre.
E do solo, ou talvez de lugares além das estrelas mais distantes, elevou-se um cântico, murmurado e
pausado ... talvez fossem as pequenas criaturas do subsolo, ou ainda as estrelas, despedindo-se de
seu Deus.
"Hoof and Horn, Hoof and Horn
All that Dies Shall be Reborn.
Corn and Grain, Corn and Grain
All that Falls Shall Rise Again."
O Cornudo morreu sorrindo, sabendo ser a semente de seu próprio renascimento. E Ele pode sentir
sua energia retornando ao útero da Grande Mãe, que agora deixava de sofrer... Os espíritos, então,
romperam a barreira entre os dois mundos, e caminharam por sobre a Terra, espalhando o sangue e
a força do Deus, para que pudéssemos sobreviver através dos tempos difíceis que se aproximavam.'
Lyla limpou uma lágrima que escorria de seu rosto. As crianças ainda ouviam atentas.
'É por isso que os espíritos vêm ao nosso mundo nessa noite tão escura ... Eles trazem consigo um
pouco do sangue do Deus Cornudo, que só renascerá no Solstício de Inverno. Trazem conselhos,
proteção e promessas de que nos irão guiar durante todo o período escuro do ano. Devemos,
portanto, saudar os espíritos, porque, sem eles, a semente do renascimento não seria espalhada.
Agora vão para a Casa Grande, vamos começar o ritual.'
Lyla deixou que as crianças corressem na frente em direção à Casa Grande. Parou no meio do
caminho, e deixou que seus ouvidos escutassem os sons do além. E de algum lugar chegou aos
ouvidos de Lyla um cântico... 'Hoof and Horn, Hoof and Horn...'
E Lyla caminhou para a Casa Grande.
Alguns bruxos ainda insistem em comemorar a Roda do Ano pelo hemisfério Norte. Isso porém
torna-se totalmente sem sentido, já que a Roda marca os ciclos da Natureza. Porém a escolha
depende somente de você.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A Moderna feitiçaria

TRECHO:
Os paroquianos da respeitável igreja da rua Arlington, em Boston, viram e
ouviram muita coisa ao longo dos anos. Afinal, é em seu altar que o
evangelho unitário de um deus único, e não tríplice, tem sido
transmitido de geração em geração. Foi ali também, numa crise agora
remota, que o abolicionista William Ellery Channing protestou
contra os malefícios da escravatura. E, um século depois , seria nessa
mesma igreja que vários manifestantes externariam seu protesto contra a
intervenção americana no Vietnã.
Contudo, é possível pensar que nem mesmo paroquianos com tanta tradição e audácia
teriam sido capazes de prever a incrível cena que ocorreu nessa igreja numa sexta-feira de
abril, no ano de 1976. Naquela noite, quando as luzes da igreja diminuíram e o som cristalino
de uma flauta se espalhou por entre mais de mil mulheres ali reunidas, quatro feiticeiras,
cada uma delas empunhando uma vela, colocaram-se ao redor do altar. Com elas encontravase
uma alta sacerdotisa da magia, Morgan McFarland, filha de um ministro protestante.
Numa voz clara e firme, McFarland proferiu um longo encantamento cujos místicos ecos
pareciam realmente muito distintos da doutrina que os paroquianos unitaristas estavam
habituados a ouvir: "No momento infinito antes do início do Tempo, a Deusa se levantou em
meio ao caos e deu a luz a Si Mesma (...) antes de qualquer nascimento (...) antes de seu
próprio nascer. E quando separou os Céus das Águas e neles dançou, a Deusa, em Seu êxtase,
criou tudo que há. Seus movimentos geraram o vento, o elemento Ar nasceu e respirou."
Enquanto a alta sacerdotisa prosseguia em seu cântico, descrevendo sua própria versão
da criação do mundo, suas companheiras de altar começaram a acender as velas, uma após a
outra — a primeira para o leste, depois para o sul, o oeste e, por fim, para o norte. As
palavras de MacFarland repercutiam, ressoando diante de todos como se fossem ditas pela
voz de uma antiga pitonisa, uma voz que invocava a grande divindade feminina que, segundo
afirmavam as sacerdotisas, havia criado os céus e a terra. No ápice de seu canto, MacFarland
rememorava o dia em que a deusa criara a primeira mulher e lhe ensinara os nomes que
deveriam ser eternamente pronunciados em forma de oração: "Sou Ártemis, a Donzela dos
Animais, a Virgem dos Caçadores. Sou ísis, a Grande Mãe. Sou Ngame, a Deusa ancestral
que sopra a mortalha. E se
rei chamada por milhares de nomes. Invoquem a mim, minhas filhas, e saibam que
sou Nêmesis."
Tudo isso ocorreu durante uma convenção de três dias, cujo tema era a espiritualidade
feminina. Apesar de recorrer a elementos familiares tais como velas, túnicas e música, essa foi
a prece menos ortodoxa que já ecoara pelas paredes de arenito da igreja da rua Arlington. A
cerimônia deve ter sido contagian-te, pois no final a nave da igreja estava repleta de pessoas
dançando e quase mil vozes preenchiam aquele local majestoso e antigo unidas em uma só
cantilena que dizia: "A Deusa vive, há magia no ar. A Deusa vive, há magia no ar."

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A verdade sobre a bruxaria, de Hans Holzer

TRECHO:
INTRODUÇÃO
Ao escrever sobre bruxaria, magia e outros cultos secretos, não tenho a mínima intenção de copiar, repetir ou apresentar sob novas feições material já disponível nas bibliotecas. Mesmo porque os poucos livros que se dedicam ao assunto ou são antiquados ou não passam de pura literatura de ficção. Muito poucas pessoas, hoje em dia, acreditam na existência de magia e feitiçaria. Uma das razões que explicam este fato é a dificuldade, ou melhor, a quase total impossibilidade de se obter material realmente esclarecedor. Como se isso não bastasse, a maioria das tradicionais famílias de feiticeiros e quase todos aqueles que escolheram a bruxaria já na idade adulta mantêm suas portas cerradas aos estranhos, receosos do conceito que deles se possa fazer. Apenas um ou outro adepto da feitiçaria, tem a coragem de se apresentar abertamente como tal. Qualquer pessoa de cultura média tem uma idéia completamente falsa do que seja a crença da antiga bruxaria. Não se pode culpar o público por isso, desde que nenhuma fonte reputável de informação lhe chega às mãos. Sinto que é chegado o momento de falar clara e abertamente sobre este assunto, a fim de que, por ignorância, esta prática não seja, no aspecto secreto que ainda contém, falsamente confundida com a prática do mal. A prática da Antiga Religião, também conhecida como Arte dos Sábios, é um culto honesto e socialmente positivo, o que lhe concede o direito de merecer o interesse público. É interessante notar que, se uma pessoa, curiosa ou atraída pela bruxaria, procurar uma comunidade de feiticeiros, não será, necessariamente, recebida de braços abertos. Ainda continua sendo uma prerrogativa da bruxaria escolher seu pessoal cuidadosamente, da mesma maneira que qualquer
outro grupo social tem o direito de admitir ou recusar seus membros na base do valor e do mérito individuais. Talvez uma nova maneira de encarar o problema, a chamada política "de portas abertas", seja apresentada por minha boa amiga Sybil Leek, ex-sacerdotisa-chefe na região de New Forest, no Sul da Inglaterra. Sybil Leek, que tanto tem feito para apresentar a imagem real do feiticeiro, através de seus livros e da televisão americana, não tem nem nunca teve a intenção de conseguir adeptos. Nunca respondeu às cartas de curiosos, mesmo os bem-intencionados, nem nunca entrou em discussões sobre aspectos particulares de qualquer uma das várias comunidades de feiticeiros. Sua opinião sobre a admissão de novos membros é ainda mais rígida do que a da maioria dos membros da Antiga Religião. São suas estas palavras: "A filtragem e a seleção são ainda um fator essencial. Pelo menos, até que o antigo sistema europeu de ensino e preparação seja trazido para a América. Por enquanto, os possíveis novos membros ainda terão que esperar. É impraticável uma admissão apressada, mesmo nos graus mais baixos. As pessoas precisam estar realmente preparadas para poderem estudar e trabalhar com os outros, pois só assim poderão participar de uma reunião de maneira positiva e proveitosa. Muitos americanos parecem pensar que se trata de um novo tipo de clube, o que, absolutamente, não é. Eu nunca seria contra a necessidade de uma verdadeira preparação, pois foi uma boa e eficiente preparação que possibilitou às comunidades européias sobreviverem à situação caótica, à necessidade de se esconder, à grande devastação geral. No que insisto é que é preciso que haja um senso de dignidade. Se assim não for, tudo estará perdido." O desenvolvimento espiritual do homem é mais importante que seu sucesso material. Tudo que abrir caminho para o estudo e compreensão desse desenvolvimento será útil neste nosso mundo repleto de falsos valores. Se a bruxaria ou a magia, ou ambas, conduzirem à realização espiritual do
homem, estou a seu favor. Pois Deus está em toda parte, e em toda parte está Deus. Bendito seja!
Hans Holzer

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Orações Mágicas dos Essênios

TRECHO:
A descoberta dos chamados Manuscritos do Mar Morto, no século 20, aumentou o interesse dos pesquisadores do Antigo e do Novo testamento sobre as comunidades da seita judaica dos Essênios, consideradas responsáveis pela elaboração desses manuscritos. Admite-se hoje que as doutrinas dos Essênios, seu afastamento das coisas mundanas e seu estilo de vida comunitário influenciaram a aurora do cristianismo, e muitos acreditam que João Batista e o próprio Jesus estiveram em estreito contato com as comunidades essênias que pontilhavam os desertos da Palestina.
Nesses focos de devoção e busca foram elaborados esse exercícios espirituais, que chegaram até nós por meio da tradição oral e da Biblioteca de Qumran, na qual se encontraram alguns dos manuscritos do Mar Morto. Tais doutrinas também são divulgadas pela Ordem do santuário (um ramo independente da Igreja Católica que trabalha com cura espiritual). O centro desse ensinamento era a árvore da Vida, associada à cabala judaica. Essa árvore, um pouco distinta da Cabala tradicional dos ocultistas judeus, possuía sete galhos que chegavam até o céu e sete raízes que se fundiam com a terra. Isto se relaciona com as sete noites da semana, correspondendo aos sete arcanjos da Hierarquia Angélica. Nessa concepção, o homem está situado no meio da Árvore – suspenso entre o Céu e a Terra, e portanto dividido entre o Pai Celestial e a Mãe terrenal. A intenção dessas orações é fazer com que o homem se afine com estas forças, para poder sentir seu poderoso efeito transformador.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Adonai: Novela Iniciática do Colégio dos Magos, de Jorge Adoum

TRECHO:
Capítulo I


Líbano



O que é o Líbano?
Seguramente, querido leitor, me responderás que é um país montanhoso da Ásia Menor, famoso por seus cedros, e limitado a Oeste pelo Mediterrâneo, ao Sul pela Palestina, ao Norte pelo território dos Alanitos, a Leste pela Síria. Tem uma superfície de 10.860 quilômetros quadrados, ocupada por 1.000.000 de habitantes, cuja capital é Beirute. Porém, o magnífico e eterno Líbano não se define com um critério geográfico; não são suficientes dados sobre situação e território, quando se trata de definir o lugar mais formoso do mundo, tão celebrado pela Sagrada Escritura.
O Líbano não desapareceu, como crêem alguns, com os profetas Davi e Salomão, nem é somente o nome de uma montanha e um país. É uma palavra poética que encerra, em suas letras, um suave murmúrio. Líbano é um sentimento na alma, um desejo no coração e um pensamento na mente. Seu céu é límpido e o borbulhar das suas águas cristalinas são uma alusão à eternidade e uma fonte de amor, beleza e inspiração. Seus vetustos e nodosos picos nos inclinam ao respeito; suas Campinas verdes nos falam de mocidade, alegria e prazer.
O cedro – emblema da eternidade – é uma decoração, um adorno colocado pela Natureza no seio do Líbano, cuja majestade o poder dissolvente dos séculos não ousou atacar. No inverno chora e suas lágrimas são transformadas em perfumadas pérolas, com que se ataviam e ornam os campos do Líbano.
A Primavera, essa deusa invisível, como a pintou o maravilhoso árabe Gibran Kalil Gibran, percorre o mundo com a velocidade de um caminheiro, mas ao chegar ao Líbano se detém, para descansar e se entreter com os deuses que perambulam por aquela magnífica região. Esquece, então, sua viagem e permanece ali quase até o fim do verão; porém quando sente a carícia do vento úmido do outono, desperta do doce e pacífico devaneio que lhe inspirou o Líbano e recomeça sua interrompida viagem. Ao afastar-se, cada vez mais, olha de quando em vez para trás, como uma namorada que deixou o seu amado.
O verão no Líbano sacia os corpos famintos com seus frutos – únicos restos da terra prometida – e o outono embriaga as almas com o vinho do amor. Em suas noites, as brisas reproduzem os cânticos de Salomão e os acordes da cítara de Davi, aos ouvidos dos namorados e poetas, pois o Líbano é a pátria do amor e da poesia.
Raia o dia, que dissipa do coração a melancólica poesia da noite, restituindo à vida sua vivacidade e alegria, como o sorriso da mulher amada.
O Líbano e o mar são dois namorados que vêem passar os séculos, brincando e se acariciando, despreocupados e felizes. O mar impele do horizonte as ondas para mesclar a prata da sua espuma com o ouro das areias do Líbano, cobrindo assim, com seu manto prateado, a cabeleira áurea de seu namorado, num amoroso amplexo. Suas ondas, em seu fluxo, o abraçam e no refluxo – dolorosa ausência para os que se amam – estreita seus pés como última carícia e final protesto.
O Líbano é a inspiração de poetas, músicos e pintores, é o paraíso perdido, no mundo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Rezando Com Os Anjos, Orando Com Os Magos: Livro De Orações E Mensagens De Clara Luz

TRECHO:
PREFÁCIO

Penso que o melhor prefácio para este livro é esta singela
homenagem ao Mago dos Magos.

***

LENDA DAS SETE TÚNICAS DE JESUS


Reza uma lenda antiga, que li na minha imaginação de MAGA, ou na
minha inspiração de mulher, que em um dia qualquer, em um momento
qualquer, num tempo qualquer (porque para os Espíritos Puros o tempo não
existe), Maria deu a Jesus a Túnica da Pureza e lhe disse com meiguice:
"Veste, filho celeste!"

Depois, por ordem divina, três Anjos também o presentearam com as
Túnicas da Fé, da Esperança e da Caridade.

Em seguida, São José, ou simplesmente José, com muita suavidade
entregou-lhe sua própria Túnica, a Túnica da Humildade.

Então, sorrindo, Jesus falou, cheio de encanto: "Para que tanto?!
Graças Te dou, Ó Pai, para que tanto?! Rendo-Te graças, Ó Deus
Verdadeiro, mas permite que eu reparta minhas Túnicas com o mundo
inteiro!"

De repente, antes que Deus lhe respondesse sim ou não, ouviu-se por
toda parte um terrível trovão... e a Humanidade que ele ajudou a formar,
a HUMANIDADE tão sua, cheia de sarcasmo e cinismo, atirou-lhe a Túnica
da Ingratidão e lhe disse: "Veste! Ela é TUA, irmão! É isso que mereces
por tua intercessão e tuas preces em nosso favor. É esse nosso pagamento
por teu sofrimento e por tanto Amor."

Jesus, Perdão Infinito e Infinito Amor, continua e continuará,
apesar de tudo, a repartir suas Túnicas conosco, até que nos amemos uns
aos outros, como irmãos, como cristãos, para que esta Terra viva em Paz,
o Mundo seja só Amor, ninguém sofra mais e este planeta (o seu planeta)
seja apenas Som, Alegria, Luz, Beleza, Harmonia...

Quanto à sétima Túnica, quando Jesus subiu definitivamente ao Céu,
ele a recebeu do Pai que mais uma vez o abençoou e o glorificou para
sempre em Sua Glória, em Sua Luz, em Seu Amor.

domingo, 26 de abril de 2009

Origens Da Bruxaria Wicca

TRECHO:
Falar em origem da bruxaria é o mesmo que retornar aos primórdios da Humanidade, quando os seres humanos começaram a despertar sua percepção para os mistérios da vida e da natureza. segundo os estudiosos da Pré-História, a primeira demonstração de arte devocional foram as MADONAS NEGRAS, encontradas em cavernas do período Neolítico. Portanto, as Deusas da Fertilidade foram os primeiros objetos de adoração dos povos primitivos. Da mesma forma que nossos antepassados se maravilharam ao ver a mulher dando a Luz a uma criança, todo o Universo deveria ter sido criado por uma GRANDE MÃE. Entre os povos que dependiam da caça, surgiu o culto ao Deus dos Animais e da Fertilidade, também conhecido como Deus de Chifres ou Cornífero. Os chifres sempre representaram a fertilidade, coragem e todos os atributos positivos da energia masculina, representando também a ligação com as energias cósmicas. Hoje a figura do Deus Cornífero é bastante problemática, pois, com o advento do Cristianismo, ele foi usado para personificar a figura do Diabo, entidade criada pelas religiões judaico-cristãs. Ele não é reconhecido e muito menos cultuado pelas Bruxas. O Diabo é venerado apenas pelo Satanismo, que é um culto Anti-Cristão. Como a nossa religião já existia muitos milhares de anos antes do Cristianismo, não temos nada a ver com o Diabo e os Satanistas.
Existem vários ramos da Bruxaria, em diversas partes do mundo, mas aqui, estamos nos ocupando da Wicca. Ela surgiu no período Neolítico, em várias regiões da Europa, onde hoje se localiza a Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, indo até o Sudoeste da Itália e a região da Britânia na França. Quando os Celtas invadiram a Europa, quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias crenças, que, ao se misturarem às crenças da população local, originaram o sistema que deu nascimento à Wicca. Com a rápida expansão desse povo, ela foi levada para regiões onde se encontram Portugal, Espanha e Turquia. Embora a Wicca tenha se firmado entre os Celtas, é importante lembrar que a bruxaria é anterior a eles! Mas como esse povo foi o mantenedor da tradição, é importante que conheçamos, pelo menos, o rudimento de seu pensamento e cultura. O Panteão Celta, ou seja, o conjunto de Deuses e Deusas dessa cultura é hoje o mais utilizado nos rituais da Wicca, embora possamos trabalhar com qualquer Panteão, desde que conheçamos o simbolismo correto, e não misturemos os Panteões num mesmo ritual.
A sociedade Celta era Matrifocal, isto é, o nome e os bens da família eram passados de mãe para filha. Homens e mulheres tenham os mesmo direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e guerreira, participando das lutas ao lado dos homens. O culto da Grande Mãe e do Deus Cornífero predominaram nas regiões da Europa dominadas pelos Celtas, até a chegada dos romanos, que praticamente dizimaram as tribos Celtas, que nessa época já estavam sendo dominadas pelos Druidas, que representavam uma introdução ao patriarcalismo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Bruxas Angelicais ou bruxas e anjos, de Clara Luz

TRECHO:
PREFÁCIO

Bruxas Angelicais ou Bruxas e Anjos?... Por que este título alternativo?
Por que esta interrogação? Porqque as bruxas, minhas amigas, e eu
fazemos apenas o bem, pensamos no bem, queremos o bem e vivemos sonhando
com o dia em que só o bem viverá, reinará, brilhará. Assim, nossa magia
é sempre para consolar, animar, alegrar, encorajar, esclarecer... Assim
como fazem os anjos conosco. Somos muito amigas deles e sempre
conversamos com eles da mesma forma que falamos às flores... Não! Com
eles falamos mais longamente, eu em especial.

Magia Negra! Não! Nunca! Nunca! Ela é a perdição de um espírito. Quem a
pratica adquire muitos débitos, sabe-se lá por quantas existências!?

Não vou dizer a razão ou as razões que me levaram a escrever este livro
porque você vai sentir, assim como vai escolher o título mais adequado.
Sei, sinto!

Até um próximo livro!

Até o próximo sol!

Clara Luz
Maga...
BRUXA ANGELICAL!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Wicca - A Religião da Deusa

TRECHO:
O que é Wicca?
Para entendermos o que é Wicca, é necessário falarmos um pouco da Deusa, e de suas várias faces. Nessa página, você encontrará uma breve história dela, alguns fundamentos e feitiços da Wicca. Divirta-se!

A DEUSA
O período neolítico não conhecia deuses - vigorava o matriarcado, com a Deusa-Mãe. O conceito de paterno inexistia e a moral, a ciência e a religião ocupavam a mesma esfera. Com a instituição do patriarcado, o cálice foi derramado através da espada, relegando o elemento feminino. Com o fim da era de Peixes, tipicamente masculina, o reinado feminino retorna em Aquário para resgatar Sofia, o arquétipo da Sabedoria. Assim como o Taoísmo primitivo, todas as religiões ancestrais visualizavam o Universo como uma generosa Mãe. Nada mais natural: não é do ventre delas que saímos? De acordo com o mito universal da Criação, tudo teria saído dela. Entre os egípcios, era chamada de Nuit, a Noite. "Eu sou o que é, o que será e o que foi." Para os gregos era Gaia - Mãe de tudo, inclusive de Urano, o Céu. Entretanto, ela não era apenas fonte de vida, como também senhora da morte. O culto a Grande- Mãe era a religião mais difundida nas sociedades primitivas. Descobertas arqueológicas realizadas em sítios neolíticos testificam a existência de uma sociedade agrícola pré-histórica bastante avançada, na região da Europa e Oriente Médio, onde homens e mulheres viviam em harmonia e o culto à Deusa era a religião. Não há evidências de armas ou estruturas defensivas, onde se conclui que esta era uma sociedade pacífica. Também não há representações, em sua arte, de guerreiros matando-se uns aos outros, mas pinturas representando a natureza e uma grande quantidade de esculturas representando o corpo feminino. Essas esculturas também foram encontradas em Creta, datadas de 2.000 a.C. Na sociedade cretense as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio. Platão conta que nesta sociedade, a última matrifocal de que se tem notícia, toda a vida era permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia. Segundo historiadores, a passagem para o patriarcado deu-se em várias esferas. Na velha Europa, a sociedade que cultuava a Deusa foi vítima do ataque de poderosos guerreiros orientais - os kurgans. O Cálice foi derrubado pelo poder da Espada. Outro fator decisivo para tal transformação foi o crescimento da população, que levou as sociedades arcaicas à "domesticação da terra". Os homens tinham que dominar a natureza, para obrigá-la a produzir o que queriam. Com a descoberta de que o sêmen do homem é que fecunda a mulher (acreditava-se que esta gerasse filhos sozinha), estabeleceu-se o culto ao falo, sendo este difundido pela Europa, Egito, Grécia e Ásia, atingindo o seu ápice na Índia. Com o advento do monoteísmo, e patriarcado - e a conseqüente dominação da mulher -o culto ao falo estabeleceu-se em definitivo. "O monoteísmo não é apenas uma religião, é uma relação de poder. A crença numa única divindade cria uma hierarquia - de um Deus acima dos outros, do mais forte sobre o mais fraco, do crente sobre o não-crente."
Jeová, Deus dos Hebreus, em cujos mandamentos assentam-se as raízes da nossa civilização judaico-cristã - é o melhor exemplo do Deus patriarcal. Ele é um Deus patriarcal. Ele é um Deus guerreiro, que esmaga os inimigos do seu povo eleito com toda a sua força poderosa, esperando em troca fidelidade e obediência aos seus mandamentos. Ele trabalha com o medo. O mito de Lilith mostra bem essa passagem do matriarcado para o patriarcado. Recusando-se a submeter-se à Adão, tentava igualdade com ele. "Por que devo deitar-me sob ti?" -ela questiona, e é punida por Jeová, que envia um anjo para expulsá-la do Paraíso. Blasfemando e criando asas, numa demonstração de liberdade, Lilith abandona o Paraíso e voa para o Mar Vermelho, onde dá início a uma dinastia de demônios. Mas Adão fica, e sente-se só. Jeová então cria Eva, a mulher, condenada eternamente à inferioridade. Como enunciava Santo Agostinho, a mulher não era a imagem de Deus - apenas o homem era. Ela era, no máximo, a imagem de uma costela. Embora a personagem do Deus cristão seja bem mais suave do que seu antecessor - o Deus de Jesus é piedoso e compreensivo, enquanto Jeová distribui medo e castigos, na opinião de muitos a totalidade feminina encontra-se cindida na mitologia cristã: maternidade e sexualidade. A Virgem e Maria Madalena. Nos Evangelhos Apócrifos, Madalena é tida como líder ativa no discipulado de Cristo. O Evangelho de Felipe realça a união do homem e da mulher como símbolo de cura e paz, e estende-se ao relacionamento de Cristo e Madalena, a companheira do Salvador. Contrapondo-se à figura de Madalena, a Virgem está associada apenas ao lado maternal do feminino, estático e protetor.
Sempre retratada através da Virgem, de Madalena, Hera, Ísis, Deméter, Atena, Diana, a Lua,a Natureza, Hécate, Afrodite, Lilith e tantas outras, a figura da Deusa vem ressurgindo, cada vez mais e com mais força. Falemos sobre Wicca.

terça-feira, 24 de março de 2009

Magia das Runas, de V. M. Samael Aun Weor

TRECHO:
BREVE APRESENTAÇÃO
Caro Buscador gnóstico esoterista, esta obra que você lerá a partir de agora não é mais um manual de
esoterismo ou um livro cheio de termos e idéias vagas e subjetivas. A cada página lida, relida e
meditada profundamente e, acima de tudo, vivenciada, encontramos um hálito de Eternidade. Ali
encontramos as experiências de um Mestre verdadeiro, de um Alto Iniciado autêntico. De um ser que
viveu na face desta terra desde há muitos milhões de anos e que, por amor a nós, seres humanos que
sobrevivemos às vezes unicamente por sorte ou por piedade da Divindade. Aqui encontram−se
mesclados harmoniosamente ensinamentos sobre as tradições míticas greco−romanas, experiências
internas de Samael Aun Weor nos Mundos Internos, e também, profundas explicações acerca do
alfabeto mágico mais antigo do mundo, o Alfabeto Rúnico.
Este alfabeto, ou Dança Mágica, é um compêndio de letras, de Magia, Teurgia, Ciência Cósmica e
Psicologia Profunda. Esta arma gnóstica será o alfabeto do futuro, será praticado na futura Idade de
Ouro da Era de Aquário, onde as Forças Superiores, as luminosas Energias das estrelas, descerão
copiosamente sobre toda a humanidade desta época. Cada habitante da futura Terra aquariana sentirá
em seu corpo e em sua alma as poderosas irradiações cósmicas passarem por seu corpo, assim como
uma gigantesca corrente elétrica passa por um cabo,
Essa divina energia cósmica das estrelas é um presente dos Deuses Misteriosos que guardam a vida
em todas as esferas de vida. Se é um presente para toda a humanidade, então, por que não a sentimos
em nosso diário viver? Por que nossos hábitos, nossos sentidos, nossos sistema nervoso, não
manifestam essa força da Consciência Cósmica???
A resposta é simples. Não estamos preparados para ser feliz, não estamos preparados para deixar de
ser infelizes, não sabemos como encarnar a energia divina que está à nossa espera para transformar e
transmutar radicalmente nossa vida. Todos os nossos hábitos, atitudes, pensamentos, sentimentos
etc., são inconscientes, são mecânicos, negativos até... É com muita razão que o Venerável Mestre
Samael Aun Weor afirma que nós estamos hipnotizados, adormecidos e egoistizados (negativos).
Os fundamentos e a finalidade dos ensinamentos gnósticos é fazer o indivíduo “desaprender”, no
sentido de limpar−nos e reequilibrar−nos psicológica e energeticamente.
Com esta Mensagem de Natal, com estes ensinamentos crísticos entregues por Samael, aprendemos
mais uma poderosa arma que nos auxiliará a atrair as poderosas forças de nosso Ser Interior, que
despertarão nossa Consciência Interior que, como uma Bela Adormecida, espera ansiosamente o
divino beijo que virá de nosso Amado Eterno (Deus). Esse beijo, o que é, senão o auxílio direto das
forças superiores que nos auxiliarão nesse despertar rumo à Divindade Interna???
Estamos entregando ao público de língua portuguesa mais um título desta série de Mensagens que o
Mestre Samael dava em divulgação no final de cada ano durante a celebração do Natal junto aos seus
discípulos.
As primeiras Mensagens de Natal eram muito pequenas em tamanho; elas possuíam somente
algumas páginas. E, com o tempo e com o crescimento do Ser Interno de Samael, inúmeras obras de
maior porte iam surgindo paralelamente a esse crescimento interior de Samael.Tanto impacto
causavam que a cada ano as páginas dessas obras iam aumentando, até se tornarem livros de grandes
quantidades de páginas. Até que em fins de 1972 que se editaria um livro sem precedentes, intitulado
As Três Montanhas, também ele uma Mensagem de Natal, mas já longe do formato dos antigos
livretos. Porém, todos os temas colocados nesta série de Mensagens de Natal, como sublimes e belas
pérolas de sabedoria, vieram a constituir um extraordinário colar do Conhecimento Divino.
O assunto em foco nesta Mensagem, escrita em fins de 1969 – a magia das runas – é mais uma
pérola desse magnífico colar. Só o fato de penetrarmos na profunda compreensão de semelhante
conhecimento já nos torna conhecedores do Segredo dos Sábios.
Cabe a nós, agora, apreciar e aproveitar, a cada dia de nossas curtas vidas, estes ensinamentos
entregues pelo poderoso Avatar Aquariano e Patriarca Único das Instituições Gnósticas, e agradecer
a Deus por Sua misericórdia em no−la ofertar!!!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A Tradição hermética e mágica de Giordano Bruno, de Profa. Dra. Eliane Moura Silva

TRECHO:
Em 1460, Cósimo de Médicis mands Marsílio Ficino interromper a
tradução dos manuscritos de Platão e Plotino para iniciar com urgência, a
tradução do Corpus Hermeticum, coletânea de textos formado pelo Asclépios
( onde descreve-se a antiga religião egípcia e e os ritos e processos através
dos quais estes atraiam as forças do Cosmo para as estátuas de seus deuses)
e outros quinze diálogos herméticos tratando de temas como a ascensão da
alma elas esfaras espirituais até o reino divino e a regeneração durante a qual a
alma rompe os grilhões da matéria e torna-se plena de poderes e virtudes
divinas, incluindo o Pimandro que é um relato da Criação do mundo.
Esta tradução, juntamente com as obras de Platão e Plotino, tiveram um
papel fundamental na História Cultural e religiosa do Renascimento, sendo
responsáveis pelo triunfo do neoplatonismo e de um interesse apaixonado pelo
hermetismo em quase toda a Europa. A apoteose do homem, característica do
Humanismo, passou a ter, em diferentes pensadores do período, uma profunda
inspiração na tradição hermética redescoberta assim como no neoplatonismo
para cristão.
Todos os movimentos de vanguarda da Renascença tiraram seu vigor e
impulso de um determinado olhar que lançaram sobre o passado. Ainda
vigorava uma noção de tempo cíclica onde o passado era sempre melhor que o
presente pois lá estava a Idade do Ouro, da Pureza e Bondade. Esta tendência
aponta uma profunda insatisfação com a escolástica e uma aspiração em
encontrar as bases para uma religião universalista, trans-histórica e
primordial/original. O Humanismo Clássico recuperava a Antiguidade Clássica
procurando o ouro puro de uma civilização melhor e mais elevada. Os
reformadores religiosos procuravam a pureza evangélica nos estudos das
Escrituras e os escritos dos pais primitivos da Igreja.
A crença numa prisca theologia e nos velhos velhos teólogos - Moisés,
Zoroastro, Orfeu, Pitágoras, Platão e Hermes Trismegisto - conheceu uma voga
excepcional, assim como a leitura do Antigo Testamento, dos Evangelhos e a
pp. Tradição Clássica. Pensava-se numa aliança possível entre estas antigas e
puras teologias, entre as quais destacava-se o hermetismo (afinal sendo
Hermes o mais antigo dos sábios e diretamente inspirado por Deus pois suas
profecias cumpriram-se com o nascimento de Jesus), para chegar-se a um
universalismo espiritual capaz de restaurar a paz e o entendimento pale
compreensão da “divindade” nos Homens.
Sob esta ótica assistimos a uma intensa recuperação de diversas formas
de gnose, da alquimia e do esoterismo cristão em seus temas fundamentais:
enobrecimento e transmutação dos metais, regeneração do homem e da
natureza a quem serão devolvidas a diginidade e a pureza perdidas com a
Queda, a vitória sobre as doenças, a imoratlidade e felicidade no seio de Deus,
as relações simpáticas entre os seres e as coisas, o acesso a textos ocultos e
revelados a poucos iniciados, astrologia, magia naturallis, etc.
Estamos falando das bases sobre as quais certos pensadores que
marcaram a época construiram suas obras. Estamos falando de Johanes
Augustinus Pantheus, sacerdote veneziano autor de Ars transmutationes
metallicaee, ou ainda do provençal Michel de Nostredame (ou Nostradamus),
médico e alquimista, prottegido de Catarina de Médicis e autor das proféticas
Centurias; de Jerónimo Cardano, médico e matemático perseguido pela
Inquisição e protegido pelo Papa; Juan Tritemio, sacerdote do convento de
Spanheim mas profeta, necromante e mago da corte do Imperador Maximiliano;
até chegarmos ao pansofo Paracelso (Teofrasto Bombast von Hohenheim)
discípulo de Tritemio e buscador da realização sobrenatural. Temos também
Enrique Cornelius Agrippa de Netesheim que publicou em 1510, De Occulta
Philosophia, estudioso da Cabala, magia naturallis, alquimia, angelologia, os
segredos ocultos da natureza e da vida, bem como os esoteristas cristãos
Marsílio Ficino e Pico de la Mirandola ( e a renovação do cabalismo no
Renascimento.
Era possível, para estes pensadores, elaborar uma harmonia entre
gnose, hermetismo, cabala, magia natural e cristianismo. Magia naturallis era
compreendida como a aproximação da Natureza com a religião: estudar a
natureza ( inclusive oculta) das coisas era um caminho para compreender e
chegar a Deus.
E assim chegamos a Giordano Bruno (1548-1600). Natural de Nola, foi
sacerdote dominicano até 1576, quando fugiu do convento, abandonando o
hábito, após ser acusado de heresia. Percorreu a Europa continental (Suiça,
Alemanha, França) e também a Inglaterra ( sob ele pesaram suspeitas de
espionagem). Retornou a Itália, onde foi preso pela Inquisição em 1592, julgado
e executado no Campi dei Fiori em fevereiro de 1600.