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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Do Mestre Eleito Dos Nove - 9.° Grau - Esta É A Maçonaria, de Jorge Adoum (Mago Jefa)

TRECHO:
HISTÓRIA DO GRAU


1 – Podemos afirmar, sem medo de equívoco, que as personagens que figuram neste Grau são simplesmente apócrifas; que Salomão, ‘o bíblico’, nada tem que ver com o Nono Grau, cuja instituição é moderna.
Este Grau, sem dúvida, pertence à série gradual da INICIAÇÃO e ocupa o terceiro lugar nos Mistérios Menores.
As FINALIDADES DA INICIAÇÃO NOS MISTÉRIOS MENORES eram demasiadamente elevadas e por isso foi preciso dividir sua escala em várias partes ou graus, para que assim pudesse a mente humana ascender paulatinamente, sem sofrer as dores do auto-sacrifício de suas paixões e de seus arraigados desejos desenfreados.
Estas elevadas finalidades são: a unidade de Deus; a imortalidade da alma; um culto voluntário, sem fanatismo nem superstição; uma moral pura que conduza o homem no caminho da verdade, da justiça e do bem-estar. Seu primeiro objetivo é propagar as luzes que podem esclarecer a razão do homem para apreciar sua dignidade, que faz dele o REI DA CRIAÇÃO e para que, por meio de sua inteligência, encontre sua relação direta com o DEUS ÍNTIMO.
Portanto, a Grande Iniciação tem por finalidade propagar a liberdade dos homens com o dever de não atacar uns aos outros, em virtude desta mesma liberdade. Depois estabelece uma verdadeira caridade universal que irmana todos os povos entre si para que formem uma só família, e, finalmente, eleger um governador sábio, desinteressado, estabelecido sobre leis comuns, apropriadas às necessidades de cada povo, a fim de que estas leis sejam o apoio do débil e do forte e, ao mesmo tempo, a corretora dos perversos.
Estas são as regras e os deveres que a Iniciação Maior impõe.
Agora devemos verificar e perguntar: Cumpriu Salomão, ‘o bíblico’, todas as finalidades da INICIAÇÃO? Nossa resposta foi dada na história dos graus precedentes. Agora neste trabalho do Nono Grau nos cabe seguir a GRANDE LENDA para depois decifrar seus segredos internos.

2 – A LENDA DO NONO GRAU “MESTRE ELEITO DOS NOVE”, que é para muitos uma história, diz o seguinte:
Uma vez terminados os funerais de Hiram, quis Salomão vingar a morte de seu Grande Mestre Arquiteto. O desaparecimento dos três Companheiros do local dos trabalhos descobria a identidade dos assassinos.
Enquanto Salomão nisto meditava, chegou um desconhecido – GUARDIÃO DE REBANHOS, ou seja a Constelação da CABRA – que pede audiência e logo revela que conhece o lugar onde se ocultam os três malfeitores.
O Rei reúne os mestres mais velhos, que eram quinze, e deles, foram escolhidos nove para a perigosa expedição, havendo, para isto, colocado os nomes numa urna. O primeiro a sair foi o nome de Johaben, que, desta forma, ficou designado o chefe da expedição; em seguida, da mesma maneira, foram escolhidos os outros oito Mestres para acompanhá-lo. Depois Salomão recolheu-se a um lugar mais isolado, só com os nove Mestres eleitos, revelando-lhes o lugar desconhecido e acertando com eles sobre a maneira de se capturarem os criminosos para vingar o assassinato de Hiram.
Os nove Mestres, para não ser notados, saíram nessa mesma noite, guiados pelo pastor desconhecido que se havia oferecido para servir de guia. Ao aproximar-se o pôr-do-sol, todos chegaram ao lugar da caverna, chamada BEN-ACHAR (que segundo alguns significa “filho do estrangeiro”), onde os três tinham o costume de se recolher.
Dois dos assassinos, quando regressavam à caverna, notaram a presença dos Mestres e fugiram precipitadamente entre as rochas. Oito Mestres, menos Johaben, os perseguiram, e apesar dos obstáculos do terreno e de estarem cansados da viagem, ganharam vantagens sobre os perseguidos, até que, finalmente, os assassinos, vendo-se perdidos, sem salvação, por se acharem diante de um abismo, sem outro caminho aberto, preferiram lançar-se no espaço do que ser presos. Desta maneira seus perseguidores apenas conseguiram encontrar seus cadáveres.
Johaben, afastado dos demais, esperando o êxito de sua busca, notou que o cão do pastor (Cão Maior das Constelações) seguia a pista de alguém que entrara na gruta; Johaben, descendo os nove degraus talhados na rocha, descobre no fundo o mais culpado, isto é, aquele que havia dado o golpe mortal e que naquela hora se dispunha a descansar.
O assassino, vendo-se descoberto pelo Mestre – não pôde resistir seu olhar – tomou o punhal com o qual pensava defender-se e o cravou no próprio peito, traspassando o coração, antes que Johaben pudesse impedi-lo.
Outra lenda diz que Johaben matou o culpado e cortou-lhe a cabeça, mas, os mistérios da verdadeira Iniciação não permitem ao Iniciado que se vingue, matando o delinquente com suas próprias mãos, porque este direito pertence à Lei.
Descansaram, então, os nove Mestres até o alvorecer do dia seguinte, e logo apressaram-se em cortar a cabeça dos três criminosos; em seguida empreenderam viagem à Jerusalém onde chegaram ao anoitecer (talvez do dia subseqüente) porque a distância do porto de Jafa até a capital e de 60 quilômetros em linha reta.
Satisfeito Salomão com o resultado da expedição, e em recompensa pelo zelo dos nove expedicionários permitiu que seguissem gozando o título de ELEITO DOS NOVE, título que tão bem haviam merecido. Depois se lhes acrescentaram outros Mestres que se distinguiam por seus serviços, e assim chegaram a ser QUINZE ELEITOS, entre os quais aquele pastor desconhecido que guiou os nove Mestres na busca aos assassinos.
As três cabeças e os instrumentos de construção, cuja finalidade havia tão criminosamente PERVERTIDO, foram expostos por três dias ante a vista exclusivamente dos obreiros. Depois foram queimados e suas cinzas jogadas ao vento. Desta maneira, tanto o crime como o castigo permaneceram em segredo do qual só os Iniciados podem se inteirar E QUE TÃO-SÓ OS MESTRES PODEM COMPREENDER.
Para se distinguir, adotaram os Eleitos uma faixa negra que levavam do ombro esquerdo às costas do direito, e em cuja extremidade pendia um punhal com o qual ABIBALAC, o assassino se matou, como fez Judas séculos depois ao vender seu Mestre. Para se reconhecerem entre si, usaram palavras e sinais relacionados com a ação levada a cabo pelos primeiros nove, e, assim, os elevados a este grau foram os vigilantes dos obreiros e mestres da Obra para que não se repetisse aquele doloroso acontecimento do Grande Arquiteto do templo.


O Mito Solar E O Homem

3 – A lenda do Grau de Eleito dos Nove desenvolve a explicação do Mito Solar. A própria Lenda de Hiram e perseguição aos assassinos é uma espécie de disfarce de mitos e mistérios simbólicos mais antigos, que nos mostram a luta constante entre a Luz e as trevas, o bem e o mal, a verdade e o erro, os ideais e as paixões do homem.
No Mito Solar, donde foram tomadas todas as lendas das religiões, os nove mestres são os nove signos zodiacais ou nove meses de luz que estão contra os três meses mais escuros, terrenos e animais, Escorpião, Sagitário e Capricórnio. É ainda a luta entre a Luz e as trevas, o nascimento e a morte, a parte ativa e positiva, e a parte escura e negativa; é a luta dos deuses olímpicos contra os titãs e dos gigantes que querem dominar na ordem celestial pelas paixões brutais. É a luta dos Devas contra os Asuras, de Indra. Agni e Mitra contra Varuna, que como Lúcifer é precipitado ao INFERIOR (Inferno), cessando de ser o deus da noite estrelada. É a luta de Osíris, reencarnado em Hórus, e de Ísis, contra Tífon, de Hércules, protótipo do herói consciente de sua própria origem divina contra os monstros ou paixões animais, que se encontram em seu ciclo zodiacal de progresso, como resíduo de seu próprio passado com o qual deve enfrentar-se para superá-lo. É a luta de MITRA (Sol) a divindade da Luz da última época da região irânica contra o Touro emblemático da natureza animal; (ler o OITAVO GRAU), a quem mata e transmuta, para absorver suas qualidades positivas. É a luta na natureza como na vida; a Luz, o Supremo Poder, afugenta toda treva e obscuridade. Ante sua claridade, foge o mistério da noite, levando consigo os temores e o cansaço que se apoderam de nosso organismo em todo o anoitecer. E, conforme se faça a luz em nossa mente, esclarecem-se nossas preocupações e nossos problemas, para que nossa vida seja um crescimento NA LUZ.
A IGNORANCIA E O FANATISMO substituem a VERDADE E A COMPREENSÃO em cada um de nós; mas, ao nos dedicarmos ao estudo para cultivar nossa mente, elas se precipitam, como o fizeram os dois assassinos, no abismo da aniquilação. A AMBIÇÃO (companheira da ignorância e do fanatismo) que se oculta na cova do coração do homem, destrói-se a si mesma como o fizeram Abibalac, o assassino de Hiram, e Judas Iscariotes, até que chegue a essa gruta um raio do mais puro amor.
Esta versão da Lenda de Hiram nos ensina com toda a clareza a lei da causa e efeito, como a explicaremos mais adiante e que consiste em: “COM A VARA QUE MEDIRDES SEREIS MEDIDO.”
O iniciado deve matar em seu coração A IGNORANCIA, O FANATISMO E A AMBIÇÃO, substituindo-os pela SABEDORIA, TOLERÂNCIA E ALTRUÍSMO, ou pela VERDADE, COMPREENSÃO E DESPRENDIMENTO.


A Justiça

4 – A Justiça, representada pela balança, jamais significa vingança. A Justiça é o perfeito equilíbrio divino ou a expressão da LEI DIVINA DO PERFEITO EQUILÍBRIO. Esta lei está representada pelo número dois ou a dualidade na TRINDADE do HOMEM.
O homem, movido pela ignorância, fanatismo e ambição, faz injustamente prevalecer um dos pratos da balança, fazendo o que sofre injustiça levantar o peso de sua espada. Então, aquele que sofre ignomínia levanta-se e exalta-se por esse mesmo fato, até no céu, enquanto que o tirano se precipita, em igual peso, em sentido contrário.
De maneira que a Justiça Divina (Lei do equilíbrio e CAUSA E EFEITO) ao ser tergiversada, atua pelo efeito que segue a toda causa, em sentido contrário e, de reação, que acompanha toda ação.
Por conseguinte temos de ver e buscar na própria perseguição dos assassinos de Hiram um sentido profundo do que aparentemente significa. A respeito dos mistérios do Egito disse Plutarco: “... deves pensar que nenhuma dessas coisas se referem ao que, ao parecer, contam...” Desta maneira deduzimos que o NONO GRAU encerra muitos mistérios iniciáticos ocultos, que exigem do Mestre o seu aperfeiçoamento, a fim de que elimine (mate a seus primos e parentes como ensina alegoricamente o BHAGAVAD GITA ou o CANTO DO SENHOR) seus vícios e paixões, que lhe são mais queridos e apegados. Porém NÃO COMO OS DETRATORES DA MAÇONARIA TÊM PROCURADO DIFUNDIR: QUE NESTE GRAU SE EXIGIA AO INICIADO O COMPROMISSO OU JURAMENTO DE EXECUTAR AS SENTENÇAS DOS TRIBUNAIS SECRETOS, SENDO ELE PRÓPRIO SACRIFICADO PELOS IRMÃOS SE NÃO CUMPRISSE SUA PROMESSA. Sem dúvida, o Grau tem, como emblemas, cabeças cortadas, punhais ensangüentados, lágrimas e atributos fúnebres, e usa-se com freqüência em seu Ritual a palavra VINGANÇA e a divisa “VINCERE AUT MORI”. Porém, esses caluniadores nunca viram a Luz da Verdade para poder interpretar o simbolismo iniciatório.

5 – Depois destas explicações, tudo nos leva a crê que o Grau de Mestre Eleito foi instituído pelos Templários, ou pelo menos, era por eles conhecido. A ambição – simbolizada no Nono Grau pelo traidor Abiram ou Jubelón ou Abibalac de acordo com o Rito Francês – é, por sua vez, assassinada com a adaga do altruísmo e do desprendimento; e, com a morte da ambição, desaparecem todos os males da sociedade. O Nono Grau é conferido por iniciação, e para tal efeito o candidato deve ter inteligência, moralidade e conhecimentos maçônicos, além de ter mais de 25 anos de idade, ser possuidor do 4.° Grau há mais de um ano e contar, no mínimo, três anos de maçom.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Secretário Íntimo - Preboste ou Juiz ou Mestre Irlandês Intendente dos Edifícios ou Mestre em Israel: 6o. Grau, 7o. Grau, 8o. Grau, de Jorge Adoum

TRECHO:
Capítulo I
SEXTO GRAU – SECRETÁRIO ÍNTIMO
MESTRE POR CURIOSIDADE
MESTRE INGLÊS E SEUS MISTÉRIOS


1 – A história deste grau é absurda sob o ponto de vista real, porém, é muito interessante quanto ao seu conceito moral.
Vamos examinar o que diz a história do grau que, como todos os graus anteriores, atribui todos os ensinamentos maçônicos a Salomão, o Bíblico, o qual nada teve que ver com a Maçonaria.
Recordemos que, tratando-se da construção do Templo de Jerusalém, Hiram II, rei de Tiro, envia a Salomão um embaixador para fazer um Tratado de Aliança, contendo estipulações secretas que sejam somente conhecidas dos monarcas. Em virtude desse Tratado, Hiram enviou a Salomão os melhores arquitetos de seu país, grande número de obreiros e vários superintendentes inspetores para zelarem pelos trabalhos da construção, assim como alguns materiais necessários, tais como madeiras de cedro e abeto do Líbano, ouro das minas de suas possessões e pedras de Tiro. Em recompensa destes serviços, Salomão prometeu entregar-lhe, enquanto durasse a construção do Templo, vinte mil medidas de trigo, vinte de vinho, azeite puro, cevada e mel, e ceder-lhe, após a conclusão da obra, várias cidades do território da Galiléia!!! Salomão cumpria o pacto e a construção do Templo avançava prodigiosamente; tendo, porém, ocorrido a morte de Hiram Abif, as obras foram suspensas pelo tempo necessário, destinado à busca de seu cadáver, e, depois, à celebração de seus funerais.
A esses compareceu o rei de Tiro, mas em vez de retirar-se imediatamente com sua corte, visitou, excitado pela curiosidade, várias cidades da Galiléia, encontrando muitas arruinadas, os terrenos estéreis para o cultivo, e seus habitantes grosseiros e ignorantes.
Em virtude do que viu, votou a Jerusalém para exigir de seu aliado contas detalhadas daquilo que ele considerava um logro.
Dirigiu-se ao palácio de Salomão, e passando precipitadamente entre os guardas que o custodiavam, penetrou, irado, na sala de audiências. Salomão recebeu seu aliado com carinho, e os guardas se retiraram, deixando os dois soberanos a sós.
Um fiel servidor de Salomão de nome Johaben (Filho de Deus), ao notar a cólera no semblante do rei de Tiro, seguiu-o até a porta da câmara régia, e deteve-se para escutar.
Hiram notou a presença do indiscreto, e crendo estar sendo espreitado, tirou a espada para matar Johaben, mas, Salomão interviu e declarou a Hiram que este servidor era seu confidente, seu maior favorito e depositário de todos os negócios do reino, como seus PRÓPRIOS PENSAMENTOS.
Então, Johaben obteve o perdão, e ambos os soberanos concordaram que fosse reconhecido como SECRETÁRIO ÍNTIMO E QUE PRESENCIASSE O PACTO DE ALIANÇA QUE DE NOVO IAM CELEBRAR.
Esta é a origem do GRAU DE MESTRE POR CURIOSIDADE introduzido na Série Iniciática do Rito Escocês.

2 – Voltamos a insistir que SALOMÃO da Maçonaria é o ‘SOL-AMON-RA’, ou melhor: ‘AMEN-RA’, o que significa a TRINDADE NA DIVINDADE, como foi explicado na MAGIA DO VERBO, mas, não é o Salomão da Bíblia.
O primeiro SALOMÃO é o Homem Solar, o Iniciado, o Super-Homem ou Verdadeiro Maçom, a quem Deus apareceu em seu mundo interior e lhe deu sabedoria e riquezas incalculáveis. É a este Salomão que a Maçonaria Iniciática se refere em todos os seus graus.
Em todas as escolas iniciáticas e religiões antigas vemos sempre o símbolo espiritual materializado com uma figura pessoal: Osíris que significa LUZ INFALÍVEL foi materializado com uma figura humana. Assim, também, vemos Mitra, Krishna, Moisés e até o Cristo que é o SEGUNDO ATRIBUTO DA DIVINDADE representado por JESUS, o NAZARENO. Igualmente, ‘SOL-AMEN-RA’ foi feito ‘SALOMÃO’ da bíblia, e ao seu redor foram tecidas muitas lendas espirituais e foi considerado o Pai da Maçonaria.
O Salomão Bíblico ou Salomão da Bíblia NUNCA JAMAIS foi Iniciado, nem sábio. Os anais dos judeus e as fábulas dos árabes identificaram ou materializaram o Salomão Espiritual em Salomão filho de Davi.
Salomão nunca foi Iniciado, porque o verdadeiro Iniciado não pode ser tirano e conspirador. Ele roubou a seu irmão primogênito Adonias pela conspiração de sua mãe Betsabé, que foi cúmplice de morte de seu marido; até o suposto profeta Natan que reprovou a David o adultério, o assassínio de Urias e o casamento que seguiu ao assassínio, foi o mesmo que, depois ajudou a Betsabé a colocar Salomão no trono roubado a Adonias.
O Iniciado não assassina; Salomão começou seu reinado à maneira turca, isto é, degolando seu irmão Adonias porque este lhe pediu a graça de casar-se com Abisag, aquela jovem que foi entregue a David para rejuvenescer sua velhice.
O Iniciado não se entrega a mil mulheres, setecentas esposas e trezentas concubinas, nem tampouco oferece incenso e adoração aos ídolos de todas elas.
O Iniciado não ordena que: ‘mate a Joab (embora estivesse refugiado num cornijal do altar), para depois dizer: ‘e assim não seremos responsáveis nem eu e nem minha casa pelo sangue de Joab’. Creio que estas citações da Bíblia são suficientes para demonstrar a crueldade, a tirania e a libertinagem de Salomão, o Bíblico. Nem Calígula, nem Nero inauguraram seus reinados com crimes tão atrozes.

3 – Salomão, da Bíblia, não foi sábio; seus provérbios são, em vários pontos, triviais, incoerentes, de mau gosto e sem objetivo. Capítulos inteiros estão dedicados a mulheres perdidas que convidam aos que passam pela rua a dormirem com elas. Que o leitor julgue esta sentença do sábio: ‘Há três coisas insaciáveis, e uma quarta que não diz: chega: o sepulcro, a matriz, a terra que nunca se vê saciada de água, e o fogo que é a quarta que não diz jamais: chega’. (Provérbios, Cap. XXX, vers. 15 e 16). Vemos este outro: ‘Há três coisas difíceis e ignoro a quarta: o caminho que a águia faz no ar, o caminho que a serpente faz sobre a pedra, o caminho do navio no mar e o caminho do homem para a mulher’. (Provérbios, Cap. XXX,vers. 18 e 19). Se o sábio que teve mil mulheres não sabe o caminho do homem para a mulher, mal podemos sabê-lo nós outros que temos uma ou não temos nenhuma. Estas poucas explicações são suficientes para compreender que quando nos referimos a SALOMÃO, em nossos graus, designamos a ‘SOL-AMEN-RA’, o SUPER-HOMEM, QUE FAZ RESSUSCITAR O CRISTO, QUE MORA EM CADA UM DE NÓS, ASSASSINADO POR NOSSA IGNORÂNCIA, AMBIÇÃO E ÓDIO, COMO FOI MORTO HIRAM ABIF, MITRA, KHRISNA, JESUS, ETC.

4 – ESTE É O SALOMÃO DO MAÇON E NENHUM OUTRO.

5- Os símbolos do sexto grau são os seguintes:

Câmara negra: é o mundo interno do homem.
Nove luzes: por três de três e o Triângulo de Ouro. As nove luzes designam o número da humanidade (consultar o 3.° grau de Mestre Maçom, o Novenário e a Unidade). O Triângulo de Ouro representa a Trindade de Deus e do homem (Ver o Grau de Aprendiz: A Trindade e a Unidade). A cor amarela ouro é a intelectualidade.
Sala Circular Vermelha: É o corpo do homem visto por dentro, isto é, o homem interno, e também simboliza o Círculo com todos os seus significados.
Dois Tronos: de Salomão e do Rei Hiram II de Tiro; simbolizam a subconsciência e a consciência no homem.
Cetro e Espada Flamígera: representam o Intelecto e a autoridade.
Duas Poltronas no Ocidente: os dois pólos do corpo – o ATIVO e o PASSIVO.
Guarda Capitão e Guarda Tenente: o mesmo significado anterior dos pólos positivo e negativo.
Uma Picareta, uma Alavanca e um Malhete: a Picareta é o TAU (T); a Alavanca é a Vontade que tendo um ponto de apoio pode levantar o mundo, como disse Arquimedes; o TAU (T) dos antigos se fez CRUZ, e, a CRUZ se converteu em Espada – PODER em mãos do SUPER-HOMEM, como veremos depois.
Berith, Neder, Schilemoth: Três palavras que significam: ‘Prometo aliança íntegra’; é o pacto entre o espírito e a matéria, e por último: SABER CALAR E ESTUDAR O OUTRO EU.

6 – A INICIAÇÃO: A iniciação deste Grau está baseada na lenda que lhe deu origem. Vamos penetrar em nosso mundo interno para decifrar os mistérios do sexto Grau.
A Liturgia dispõe que, ao começar, o Mestre Ilustre que representa Salomão (face da Trindade: SUBCONSCIÊNCIA), permaneça só no TEMPLO (CORPO). Em seguida, entra no Templo o Primeiro Vigilante (MENTE SUPERIOR) que representa Hiram II, Rei de Tiro, atravessa rapidamente a antecâmara para pedir a Salomão o comprimento do pacto estabelecido. Estes dois reis que representam também os dois pólos do homem, os quais, se não se unem em alguma parte, sua energia permanecerá inútil.
JOHABEN, que significa FILHO DE DEUS, manifesta-se no homem pelos dois pólos, aproveitando a dualidade da Unidade para formar a TRINDADE. A mente consciente, ou Rei de Tiro, indigna-se, como intelecto, pela presença daquele intruso, mas, a subconsciência, ou Salomão, lhe convence que o intruso esteve sempre oculto neles e com eles. Porém, eles não o sentiam porque ambos estavam dedicados à satisfação de suas paixões e inclinações, e por isto não puderam sentir, antes, sua presença. Hoje o Templo está terminado e está em perfeitas condições, e o FILHO DE DEUS tem que se manifestar em sua CASA-TEMPLO, ou corpo.

7 – O próprio título do 6.° Grau encerra um significado esotérico e outro exotérico. Representa os dois SALOMÃOS: Como Secretário Íntimo, pertence a SOL-AMEN-RA, o Iniciado em seu MUNDO INTERNO, e como Mestre por Curiosidade, leva o selo do exoterismo de Salomão, o Rei Bíblico.

8 – A Bíblia também confirma o precedente quando diz: ‘O templo de Salomão foi construído e nenhum obreiro ouvia o golpe de martelo de outro obreiro’. Isto não pode ser verídico num Templo cujas dimensões internas não atingem a quase vinte metros de comprimento. Disto se deduz que, quando se fala do TEMPLO QUE NÃO FOI CONSTRUÍDO COM GOLPES DE MARTELO, designa-se o CORPO-TEMPLO DE DEUS VIVO e não o Templo Material construído pelo Rei Salomão.

9 – CONHECE-TE A TI MESMO: O maior conhecimento é o conhecimento de si mesmo. A Maçonaria foi a depositária de todos os conhecimentos antigos, e para que esse tesouros não fossem perdidos, colocou-os no coração do HOMEM e fechou-os com chaves misteriosas, que são os símbolos. Nós outros, ao percorrer o caminho assinalado pela Maçonaria, podemos alcançar aquela única fonte do conhecimento donde procedem todos os ensinamentos que lutam para abrir roteiros para uma melhor compreensão da vida. A fonte de toda sabedoria é o HOMEM, O HOMEM FONTE E AUTOR DE TODA DOUTRINA RELIGIOSA, FILOSÓFICA, CIENTÍFICA E SOCIAL.
Aqueles que se conformam apenas com a parte externa da religião ou da Maçonaria, aqueles que se conformam em, tão-somente, ostentar UM ALTO GRAU DENTRO DA ORDEM HIERÁRQUICA, PASSAM PELA VIDA SEM COMPREENDER SUA MISSÃO E A VERDADEIRA MENSAGEM DA MAÇONARIA.

terça-feira, 17 de março de 2009

Maçonaria, Anticlericalismo E Livre Pensamento No Brasil (1901-1909), de Profª. Dr.ª Eliane Moura Silva

TRECHO:
Introdução:

Componente inseparável da História das Idéias desde o início do século XIX aos dias atuais, a história da Maçonaria, do anticlericalismo e do livre pensamento é também a da cultura, da religião, da educação e do poder na sociedade contemporânea. Sistemas característicos de idéias e teorias, o anticlericalismo e o livre pensamento organizaram-se, em diferentes períodos, como movimentos específicos de feições particulares, sobretudo no final do século XIX e inícios do XX, articulando-se em primeiro lugar com tendências políticas liberais e radicais tais como o anarquismo e o socialismo e em seguida, com a Maçonaria e com correntes espiritualistas. (1).
Desde meados do século XIX, os movimentos de livre pensamento e anticlericalismo marcaram profundamente a sociedade contemporânea. A crise das religiões cristãs tradicionais, os avanços do pensamento materialista, racionalista e científico, o surgimento de novas formas políticas de pensar o poder, fizeram parte da difusão das idéias anticlericais e de livre pensamento.
Mas, apesar da importância desta corrente de pensamento, poucos estudos históricos vêm sendo realizados sobre este tema. Pierre Lévêque ao estudar as relações entre livre pensamento e socialismo entre 1889 e 1939, a difusão de tais idéias entre a classe operária, afirma:
“ Un désert bibliographique: telle aparait l’Histoire de Libre Pensée française, vieille pourtant de plus de trois quarts de siécle.” (“ Libre Pensée et Socialisme (1889/1939): Quelques points de repère” in Cristianisme et Monde Ouvrier, Cahiers du Mouvement Social, n. 1, Paris, Les Editions Ouvrières, pp. 117-153, 1989.).
Como exceção que confirma a regra, está o trabalho já clássico de René Rémond, L’Anticlericalisme en France de 1815 à nos jours. (Paris, Fayard, 1976). Para este autor, o anticlericalismo raramente é estudado por ele mesmo, assim como acontece com o livre pensamento, apontando alguns poucos trabalhos sobre o assunto especificamente, entre eles o de Alec Mellor, Histoire de l’Anticlericalisme français (Tours, 1966, 496 pp.) e o de George Weil, Histoire de l’Idée laique en France au XIX siécle (Paris, 1929).
Segundo Remond, o anticlericalismo como movimento só teria surgido no século XIX. No campo das idéias, o anticlericalismo não foi uma mera ideologia negativa porém um campo fértil de proposições, uma matriz de movimentos, de idéias políticas que manifestavam-se na organização de grupos e ligas, na literatura e na imprensa. Seria, portanto, um campo de ação política, dotado de uma positividade atuante ao denunciar a hipocrisia clerical, construindo um sentido moral/ético laico ao atacar os focos de corrupção da Igreja e depois da política. Surgindo como reação organizada ao ultramontanismo do século XIX, era ao mesmo tempo, movimento e ideologia. Sem um corpo teórico fechado, o anticlericalismo e livre pensamento podem ser vistos como um vasto campo de sínteses de idéias e escritos circunstanciais, numa dinâmica viva enraizada nas mentalidades e sensibilidades.
Assim sendo, para Rémond, o historiador tem que partir da análise acurada das fontes, frequentemente diversas e ambivalentes, para reconstruir o universo cultural do anticlericalismo e do livre pensamento. O que une tanta diversidade teórica e conceitual são temas clássicos: a Igreja vista como um corpo singular separado da sociedade; a Igreja como uma ameaça ao Estado, a Nação, ao indivíduo e a família. Poderia-se, portanto, falar em uma grande gama de formas de anticlericalismos. Temos vertentes que não contestam a moral cristã mas a posição incoerente da Igreja face a esta moral. Em outros casos, afirmam-se os ensinamentos evangélicos mas vai contra os princípios anti-naturais propostos pela Igreja (ex. o celibato). Há também uma postura libertária que recusa a imposição de qualquer forma de coerção moral exterior, valorizando as relações e a busca individual do conhecimento e do comportamento perfeito, correto e adequado. Fica marcada a antinomia entre a sociedade moderna e o clericalismo. A modernidade deveria combater as pretensões clericais de ascendência através da irreligião, do poder político laico forte, de uma legislação concisa, através da liberdade de cultos, do ensino científico não religioso. O papel do poder político e constitucional seria o de garantir a liberdade de consciência. É desta forma que o autor fala das diferentes filiações dos tipos de anticlericalismo (jansenismo, radical democrático, direita liberal, anticlericalismo cristão e protestante, etc.).
A historiografia portuguesa tem trabalhos clássicos sobre o tema. O de Fernando José de Almeida Catroga, A Militância e a Descristianização da Morte em Portugal: 1865-1911 ( 2 vols., Coimbra, Univ. de Coimbra, 1988) estuda a penetração do positivismo e do cientificismo em Portugal destacando a importância de movimentos que definiram as estratégias culturais para que tal processo fosse possível: secularismo, laicismo, anticlericalismo, livre pensamento e Maçonaria. Destaca como as elites intelectuais portuguesas influenciadas pelo positivismo e cientificismo oriundos destas tendências diferentes, porém convergentes, fomentaram uma nova moral social e mesmo cívica.
No 6° volume da História de Portugal: A Segunda Fundação (1890-1926) (Lisboa, Ed. Estampa, 1994), Rui Ramos destaca o papel dos intelectuais, sobretudo escritores anticlericais como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, entre outros, na formação de uma nova mentalidade cultural e política que procurava construir um republicanismo ideal apoiado no positivismo científico, liberalismo, civismo. Aponta o papel de fundamental importância que as organizações maçônicas portuguesas tiveram no acolhimento, discussão, e difusão destes novos ideais bem como a sua estreita associação com movimentos e idéias secularisantes.
No caso do Brasil, destacam-se alguns trabalhos. O de Carlos Alberto de Freitas Balhana, Idéias em Confronto (Grafipar, Curitiba, 1981) tornou-se referência obrigatória. Para este autor, a organização e difusão de novas idéias políticas, religiosas e filosóficas esteve profundamente ligada ao surgimento do movimento de anticlericais e livre pensadores que se incorporaram aos discursos modernizadores dos projetos de reorganização da sociedade brasileira, associados com a expansão da Maçonaria por ser esta o abrigo natural para as diferentes correntes de idéias e movimentos sociais, filosóficos e espiritualistas, tentando contudo ela própria, por preceito básico, enquanto instituição, respeitar a liberdade e o direito às crenças individuais, evitando tomar partido político ou religioso de forma sectária e radical, o que lhe é, ademais, expressamente vedado através das suas leis, códigos, regulamentos, regimentos e estatutos. Porém, dentro do conjunto das grandes linhas do pensamento nacional do final do século XIX e inícios do XX, a mentalidade “conservadora” x “liberal” fizeram parte da história cultural da Maçonaria brasileira e traduziram-se dentro das facções deste movimento nas vertentes anticlericais e livre pensadoras.
Segundo Balhana, o livre pensamento não resumiu-se em uma simples proposta de retomada da consciência individual mas abrangia propostas libertárias em todas as campos e níveis, sendo o anticlericalismo uma derivada. O anticlericalismo combatia principalmente o poder papal e da Igreja, tanto no plano religioso como temporal, sobretudo no seu caráter ideológico e religioso observando neles um forte caráter e instrumento de dominação, consolidação de poder e enriquecimento. Pode-se observar, desta forma, ser o livre pensamento uma posição mais abrangente que o anticlericalismo.
Em A Guerra aos Párocos: Episódios Anticlericais na Bahia (Salvador, EGBA, 1991), o antropólogo Thales de Azevedo define o anticlericalismo como uma manifestação pública e hostil de oposição a uma instituição eclesial, que se articula com o laicismo social, liberalismo, positivismo, cientificismo e maçonaria. No caso preciso do anticlericalismo do século XIX, o autor destaca como marco inicial no qual questões políticas entre monarquistas e republicanos são destacadas, o brado do deputado francês Leon Gambetta em 4 de maio de 1877: “Le Clericalisme, voilé l´ennemi! “. Tal questão desdobra-se, em surtos, na Itália, Espanha, Portugal, Bélgica, Áustria, por inspiração liberal, maçônica ou socialista, e atingindo protestantes e judeus. Expandiu-se, inclusive no Brasil, através de uma pluralidade de formas e motivações básicas: a Igreja como uma ameaça ao Estado, à Nação, aos Indivíduos, à Família; o contraste entre a moral ensinada preconizada e a conduta corrompida do clero; os resultados desastrosos do ensino religioso, etc. Para Thales de Azevedo o anticlericalismo é uma ideologia negativa e um fenômeno coletivo que contamina grupos de perceptível extensão e continuidade, traduzido por líderes, intérpretes e manifestações públicas. Destaca a importância para a difusão destas tendências, da atuação da Maçonaria Brasileira, sobretudo após o episódio da Questão Religiosa e a consequente expulsão dos maçons das irmandades e cargos pelos Bispos do Pará, D. Antônio Macedo Costa, e de Olinda, D. Vital Maria da Conceição, que evidenciaram e agravaram as tensões e a situação favorecendo o acirramento de posições. Aponta para importância de maçons como Saldanha Marinho, o Visconde do Rio Branco, entre outros, na difusão do anticlericalismo no Brasil, com especial destaque para a obra de Saldanha Marinho A Igreja e o Estado (1874-1875).
É, desta forma, evidente em diversos autores, a profunda articulação entre a Maçonaria e o anticlericalismo, bem como todas as outras formas laicistas do século XIX. As lojas maçônicas eram centros de difusão de tendências laicistas européias, de positivismo, de formas alternativas de expressão religiosa tais como o espiritualismo em geral e do espiritismo em particular, bem como do protestantismo. Era o direito à voz e onde se abrigavam minorias e grupos intelectuais.
No livro Protestantes, Liberales y Francomasones; Sociedades de Ideas y Modernidad en America Latina (Ed. Siglo XXI, México/CEHILA, 1990) organizado por Jean Pierre Bastian, há uma contextualização da importância das “sociedades de idéias” que teriam servido como espaços para a elaboração de alternativas sociais e políticas, de novas visões de sociedade onde a igualdade e a autonomia do indivíduo como autor democrático eram o centro das proposições. Tratava-se de uma ampla frente anticatólica romana integrada por maçons, espíritas, protestantes, liberais radicais, socialistas e anarquistas, organizados em grupos, associações, centros, lojas maçônicas, grupos literários que manifestavam-se em palestras, conferências, literatura e, principalmente, na imprensa. Eram redes de oposição que se consideravam portadoras da modernidade combatendo os conservadores, a Igreja Católica e os próprio liberalismo quando este tornou-se autoritário e começou a aliar-se com os conservadores, inclusive a Igreja. Para Bastian, as minorias liberais agrupadas em trono de lojas maçônicas e sociedades de idéias, tais como grupos anticlericais e de livre pensadores, radicalizaram-se à partir da segunda metade do século XIX e tornaram-se decadentes com a consolidação dos ideais republicanos. Da mesma forma, é possível pensar que dentro do ecletismo que caracterizava o universo cultural das sociedades de idéias do período ( que ia da leitura de Lamartine, Comte a Allan Kardec), as diferentes tendências eram um reflexo das lutas e confrontos de idéias internas aos grupos e tendências liberais que iam de um liberalismo conservador, autoritário e antidemocrático em franca conciliação com a Igreja Católica a grupos minoritários sempre mobilizados que denunciavam e propunham transformações mais radicais através da educação, de um crítico civismo liberal que, com freqüência, levou ao socialismo e ao anarquismo, bem como a projetos de transformação espiritual da sociedade.
Também neste livro destacam-se os artigos de David Gueiros Vieira, “Liberalismo, Masoneria y Protestantismo en Brasil - siglo XIX”, e outro de Antônio Gouveia de Mendonça, “ La Cuestion religiosa y la incursion del Protestantismo en Brasil durante el siglo XIX”, onde as referências ao relacionamento da Maçonaria com outras tendências e movimentos de época passam por liberalismo, ideais de progresso, liberdade de crenças e cultos, separação Igreja-estado, a modernidade, o ensino leigo e científico, etc.
Um outro autor, Alexandre Barata, em seu artigo “A Maçonaria e a Ilustração Brasileira” (in Manguinhos, vol. I (1), jul-out., 1994) redimensiona a atuação da instituição maçônica brasileira no século XIX, mostrando-a engajada (ou pelo menos setores importantes e atuantes dela) com a construção de uma nova identidade nacional, batendo-se contra a Igreja católica, ampliando os investimentos em beneficência e instrução como forma de influenciar a reorganização da sociedade e contrapor-se a Igreja, destacando a atuação dos maçons na imprensa, na administração pública, no ensino.

sábado, 14 de junho de 2008

O olho de Hórus, de Fr. Goya

Segue abaixo uma explicação do ponto de vista da egiptologia sobre o
olho de Hórus:

O olho esquerdo (voltado para a direita) representa o Sol e o futuro;
O olho direito (voltado para a esquerda) representa a Lua e o passado.

Quando aparecem numa tumba juntos, com a palavra Shenna entre eles,
compondo:
Udjat-Shenna-Udjat - tem o sentido de reunir na tumba todas as coisas
boas que o falecido vez durante a vida.


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terça-feira, 10 de junho de 2008

De Ars Magica - Sobre a Arte Mágica, de Sir James Thomas Windram

Secundum Ritum Gradus Nonum O.T.O.
Epistola Anno Belli Universalis (1914) Ne Perdat Arcanum Scripta
Baphomet X Rex Summus Sanctissimus O.T.O. Grão Mestre Nacional e
vitalício da Irlanda, Ion e toda a Bretanha, pelo nome do mestre secreto
AUMN.
Saudações e paz para nossos mais sagrados, mais iluminados, mais ilustres
e mais queridos irmãos, sua excelência Sir James Thomas Windram X grau
OTO nosso vice-rei na união da África do Sul e envias estas para seu
prazer e instrução e para comunicação da Gnosis IX que já :
A. Mostrou pelo poder sua aptidão para o grau ou
B. Mostrou por sua sabedoria sua adequabilidade ao Arcano.
Também para outros confiáveis irmãos do VIII, VII e VI escolhidos para
este momento de perigo. Pois nesta hora as nuvens se encontram novamente
sobre a face do sol, nosso pai, todos aqueles que sabem podem perecer na
guerra mundial, como está escrito no ritual do quinto grau.
"É a hora quando o véu do templo foi rasgado em tiras. Quando a escuridão
começou a se espalhar por sobre a terra, quando o altar foi jogado ao
chão, a estrela chamada absinto caiu sobre a terra, quando a estrela
resplandecente foi eclipsada, o tau sagrado foi definhado com sangue e
água, desepero e tribulação visitaram-nos e o mundo estava perdido."
Agora que as inundações ameaçam a terra, o inverno da civilização é
geral, é adequado que um arco do Santuário seja construído onde o falo
sagrado possa ser escondido, um campo semeado onde o gérmen da vida possa
ser preservado pois embora a tradição seja destruída com a destruição dos
cérebros que a contém, será possível para aqueles vindos depois de nós e
que possam ser merecedores de recobrarem a palavra perdida.
Esta introdução descreve a natureza de De Art Magica, preservando
os aspectos esotéricos dos ensinamentos da Magia Sexual para que, mesmo
se as tradições forem perdidas em períodos de guerra e tribulação, a
palavra perdida, isto é, a tradição esotérica, possa ser redescoberta por
aqueles que a perseguirem.
No grau da OTO estas instruções eram para aqueles adeptos que
atingiram o nono grau, que está absorvido pelo arcano Gamma da Tradição
Tântrica do Santuário. Também algumas vezes era dado àqueles de graus
mais baixos, dependendo de seu merecimento inerente, em nosso sistema é
dado como um aspecto do Arcano Gamma, alinhado com a necessidade de
treinamento tântrico do Homem Superior, preparando-se para o perigo
vindouro (como sugere o verso do ritual do quinto grau da OTO). O
documento foi originalmente uma sequencia do Liber Agape (veja seção Um
abaixo), contudo, sendo que o Liber Agape era simplesmente um documento
maçônico, com indicações sobre o segredo íntimo da Feitiçaria Sexual e o
uso das secreções corporais, há pouca necessidade de copiá-lo como parte
de nosso estudo. Portanto, continuaremos diretamente com De Art Magica.
O texto original está em itálico enquanto o comentário que segue
cada seção está claramente em letra normal.

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segunda-feira, 24 de março de 2008

In Nomine Demiurgi Nosferati, de Peter-R. Koenig

Alegadamente, em 11 de março de 1888 Eugen Grosche herdou a luz do mundo. Por sua família ser pobre, Eugen teve que deixar o Realschule em Stollberg prematuramente e teve a suas últimas aulas no Volksschule em Leipzig. Seus interesses literários conduziram-no à Escola para Livreiros na editora Mueller-Mann.
Em 1911 mudou-se para Berlim, onde participou da edição de "Der Militaer-Anwaerter," "Der Innenarchitekt" e "Deutsche Kohlen-Zeitung". Em Setembro 29 1914, Grosche estava casado e teve mais tarde uma filha cujo o nome, Alraune, é similar a obra de H.H. Ewers (1871-1943) "Geschichte eines lebenden Wesens" de 1911.
Na Grande Guerra de 1914-1918 Grosche tornou-se um oficial empregado no corpo médico, e após a guerra "Volkskommissar" do "Unabhaengige Sozialdemokratische Arbeiter-Partei" (USPD). Em 1919 ele se encontrou com uma senhora que colocou a sua disposição 40,000 Reichsmark a fim salvar Grosche e sua família da inflação galopante, mas com a condição que Grosche se abstivesse da atividade política. Eventualmente comprou uma papelaria que transformou em uma livraria. No "Kapp-Putsch" de 1920 ele foi preso e enviado à prisão em Lehrter Strasse. Após três meses tomou parte em uma negociação para o Reichsmilitaergericht sob a direção do sobrinho do Conde Zeppelin. Grosche foi libertado, e nomeado "Bezirksabgeordneter" para Berlin-Schoeneberg por seu partido .
A mãe de Grosche era a governanta (?) na Sociedade Teosófica em Berlim, cujo secretário Rudolf Steiner foi substituído em 1921 pelo livreiro Heinrich Traenker. O último definia a si mesmo como "delegado" secreto, o que o permitiu estar com Grosche e sua livraria. A tarefa dada por Traenker a Grosche era: Grosche como o Secretário "Gregor A[?]. Gregorius" deveria fundar uma Loja Pansófica em Berlim. As trocas pessoais esotéricas que seguiram introduziram Grosche a indivíduos como o astrólogo Peschke, e ao hipnotista, magnetizador e curandeiro Paul Linke, no interesse de Traenker. O último apresentou Grosche aos editores Otto Wilhelm Barth, Oswald Mutze e Hugo Vollrath (1877-1943) que o estimulou a fundar a livraria "Okkultisten-Laden Inveha" em 1924, onde os fundos eram usados para reuniões "esotéricas" (isto é experimentos de magia sexual com drogas).


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domingo, 23 de março de 2008

Carta A Um Maçon, de Marcelo Ramos Motta

Caro Dr. G.:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Li, com maior prazer, a entrevista concedida ao Diário de Notícias, através da qual o Grande Oriente do Brasil manifesta à nação a sua intenção de, finalmente, fazer com que a Maçonaria venha a ocupar na vida brasileira o papel que lhe cabe e sempre lhe coube desde a Independência -- que, como todos sabemos, foi feita por mações.
Relembrei nessa ocasião minha conversa com o senhor, e as nossas palavras de despedida, nas quais buscou o senhor gentilmente trazer à minha atenção o fato de que (na sua opinião) a Igreja Católica Romana é uma boa introdução à vida adulta para crianças. Eu lhe disse então: "Mas a Maçonaria é infinitamente melhor", e aproveito esta oportunidade para repetir e ampliar estas palavras.
Eu não quis discutir a validade ou falta de validade da Igreja Romana como campo de treino para crianças, porque não é assunto que se possa, propriamente, discutir. É assunto que deve -- repito, deve -- ser pesquisado por todo homem consciencioso e responsável, principalmente por maçon de alto grau e no Brasil, onde essa Igreja teve tanta influência na formação psíquica do povo -- com os resultados que estamos vend o no presente.
Para esta pesquisa, vitalmente necessária a todos os maçons neste momento de transição, é necessário uma análise cuidadosa da evidência espalhada pelas obras de muitos pesquisadores imparciais e fidedignos; e isto não pode ser resumido numa breve discussão. Eu estou a par dos fatos; o senhor não estava, na ocasião; e afirmativas de minha parte teriam forçosamente de parecer ao senhor opiniões a rbitrárias e caprichosas, principalmente por o senhor, com certeza, suspeitar de mim e de minhas intenções. Telemitas não são mais benquistos no momento do que o foram os gnósticos e os essênios em seu tempo!
A finalidade desta carta é expor, de maneira mais ordeira e clara, minhas conclusões, e citar as obras nas quais me baseio; de forma que o senhor possa, se quiser, consulta-las e tirar suas próprias conclusões, que podem ou não virem a coincidir com as minhas. Peço-lhe apenas que, tendo lido a minha carta; examinado, se lhe aprouver, as fontes nela citadas; e chegado, porventura, à conclusão de que são ambas de valor a seus irm ãos maçons, transmita-lhes a carta assim como as fontes, para que, por sua vez, tenham a oportunidade de examinar, ponderar, e julgar.
Devo começar por repetir-lhe o que lhe disse por ocasião de nossa conversa, e que tanto chocou seus bons sentimentos e sua honesta devoção: que o homem chamado "Jesus Cristo" nos Evangelhos nunca existiu. Suas peripécias são fictícias; não padeceu sob nenhum Pôncio Pilatos; não foi nem poderia jamais ser a única Encarnação do Verbo; e qualquer Igreja, seita ou pessoa que diga o contrá rio ou está enganada ou enganando.
Não quero dizer com isto que um homem assim não pudesse ter nascido, pregado, e padecido. Pelo contrário: tais homens nascem continuamente, e continuarão a nascer por todos os tempos: Encarnações do Logos, Templos do Espírito Santo, Cruzes de Matéria coroadas pela chama do Espírito.
Direi mais: houve, em certa ocasião, um homem que alcançou no mais alto grau a consciência de sua própria Divindade; e este homem morreu em circunstâncias análogas (porém não idênticas!) àquelas narradas nos Evangelhos. Seu nascimento perdeu- se na noite dos tempos: ele foi o original do "Enforcado" ou "sacrificado" no Taro, e os egípcios o conheciam pelo nome de Osiris. Foi esse Iniciado quem for mulou na carne a fórmula do Deus Sacrificado. Esta é a fórmula da Cerimônia da Morte de Asar na Pirâmide, que foi reproduzida nos mistérios de fraternidades maçônicas da tradição de Hiram, das quais o exemplo mais perfeito foi o Antigo e Aceito Rito Escocês. O Graus 33º desse rito indicava uma Encarnação do Logos; a descida do espírito Santo; a manifestação, na carne, de um Cristo; a presen&ccedi l;a do Deus Vivo.
Para os fatos que servem de base às asserções acima, indico ao senhor as seguintes obras, de maçons ilustres e merecedores:
LA MISA Y SUS MISTERIOS, de J.M. Ragón.
THE ARCANE SCHOOLS, de John Yarker.
DO SEXO À DIVINDADE, do Dr. Jorge Adoum.
CURSO FILOSÓFICO DE LAS INICIACIONES
ANTIGUAS Y MODERNAS, de J.M.Ragón.
ISIS DESVELADA, de Helena Blavatsky, seção sobre o Cristianismo. Mme Blavatsky não era dos vossos, mas era dos Nossos...


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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Origens Mágicas da Maçonaria, de Eliphas Levi

A grande associação cabalística, conhecida na Europa sob o nome de Maçonaria, surge de repente no mundo, no momento em que o protesto contra a Igreja acaba de desmembrar a unidade cristã. Os historiadores desta ordem não sabem explicar-lhe a origem: uns dão-lhe por mãe uma associação de pedreiros formada no tempo da construção da catedral de Estrasburgo; outros dão-lhe Cromwell por fundador, sem entrarem em indagações se os ritos da maçonaria inglesa do tempo de Cromwell não são organizados contra este chefe da anarquia puritana; há ignorantes que atribuem aos jesuítas, senão a fundação ao menos a continuação e a direção desta sociedade muito tempo secular e sempre misteriosa. À parte esta última opinião, que se refuta por si mesma, podem se conciliar todas as outras, dizendo que os irmãos maçons pediram aos construtores da catedral de Estrasburgo seu nome e os emblemas de sua arte, que eles se organizaram pela primeira vez publicamente na Inglaterra, a favor das instituições radicais e a despeito do despotismo de Cromwell. Pode-se ajuntar que eles tiveram os templários por modelos, os rosa-cruzes por pais e os joanitas por antepassados. Seu dogma é o de Zoroastro e de Hermes, sua regra é a iniciação progressiva, seu princípio a igualdade regulada pela hierarquia e a fraternidade universal; são os continuadores da escola de Alexandria, herdeiros de todas as iniciações antigas; são os depositários dos segredos do Apocalipse e do Zohar; o objeto de seu culto é a verdade representada pela luz; eles toleram todas as crenças e não professam senão uma só e mesma filosofia; eles não procuram senão a verdade, não ensinam senão a realidade e querem chamar progressivamente todas os inteligências à razão. O fim alegórico da maçonaria é a reconstrução do templo de Salomão; o fim real é a reconstituição da unidade social pela aliança da razão e da fé, e o restabelecimento da hierarquia, conforme a ciência e a virtude, com a iniciação e as provas por graus. Nada é mais belo, está se vendo, nada é maior do que estas idéias e estas tendências; infelizmente as doutrinas da unidade e a submissão à hierarquia não se conservaram na maçonaria universal; houve logo aí uma maçonaria dissidente, oposta à maçonaria ortodoxa, e as maiores calamidades da revolução francesa foram o resultado desta cisão.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

As Bases Metafísicas Da Magia Sexual (em "Renascer da Magia"), de Kenneth Grant

Existe um talismã de aplicação universal. No reino elemental ele é representado por pyramis, o fogo; em termos geométricos, pela pirâmide ou triângulo; e em termos biológicos, pelo falo. Como o sol irradia vida e luz através do sistema solar, assim também o falo irradia vida e luz sobre a terra
e , similarmente, subordina; se a um poder maior do que ele mesmo. Pois assim como o sol é um reflexo de sírius, assim também o falo é o veículo da vontade do mago.
No não iniciado, o poder fálico opera independente mente de seu possuidor e , freqüentemente, em desarmonia com o mesmo. Ele funciona caprichosamente, sem relação como indivíduo. O poder fálico possui o indivíduo e não vice-versa.
No caso do iniciado, entretanto, a posição é inversa. A O.T.O. possui o conhecimento secreto da retificação e os meios de liberação do cativeiro do instinto degenerado. Ela instrui o operador no uso apropriado do fogo elemental, a correta construção da pirâmide, o empunhar bem-sucedido da baqueta mágica.
O controle do fogo elemental envolve a inibição dos resultados físicos habituais quando da união sexual. A libido não é "aterrada", mas direcionada pela vontade para encarnar numa forma especialmente preparada para sua recepção.
Liber Agapé, o enquirídio do Soberano Santuário da Gnose da O.T.O., demonstra como a magia sexual está baseada na assunção de que nenhuma causa pode ser impedida de um efeito. Se o efeito natural for anulado , a descarga de energia não é perdida, e ela forma uma imagem sutil ou astral da idéia dominante na mente quando do clímax do coito. Habitualmente esta idéia é um pensamento de luxúria, e por causa disso uma tendência ou hábito se fixa na mente, que consequentemente se torna cada vez mais difícil de controlar. Esta tendência deve ser, portanto, destruída.
A exaltação mental gerada por um orgasmo magicamente controlado forma um portal de passagem reluzente semelhante a uma lente por onde flui o vívido imaginário astral da mente subconsciente. Imagens específicas são evocadas e "fixadas";
elas se tornam instantânea e vivamente vivas. Como a presença luminosa delas é obsessiva, salvaguardas mágicas são essenciais para compensar uma real obsessão. Esta imagens são elos dinâmicos com os centros mais profundos da consciência e atuam como chaves para experiência ou revelações que formam
o objetivo da Operação. Encarnar tais experiências é o objetivo da magia sexual. É necessário, portanto , formular a vontade com grande cuidado e com estrita economia de meios. Não deve haver nada na mente no momento do orgasmo exceto a imagem da "criança" que se pretende dar a luz.
Condenações contra a masturbação, o onanismo, o coito interrompido, a karezza e outros métodos aparentemente estéreis de utilização da energia sexual baseiam-se logicamente no reconhecimento (ainda que este reconhecimento possa ser conscientemente irreconhecido) da natureza sacramental do ato procriativo.


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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Árvore da Vida - Um Estudo sobre Magia, de Israel Regardie

INTRODUÇÃO
Em virtude da bastante difundida ignorância a respeito da soberana natureza da Teurgia
Divina e a despeito de freqüentes referências quase em toda parte ao assunto magia, permitiuse
que ao longo dos séculos se desenvolvesse uma total incompreensão. São poucos hoje os
que parecem ter sequer a mais vaga idéia do que constituiu o elevado objetivo de um sistema
considerado pelos sábios da Antigüidade a Arte Real e a Alta Magia. E por ter existido
quantitativamente ainda menos pessoas preparadas para defender até o fim a filosofia da magia
e disseminar seus verdadeiros princípios entre aqueles julgados dignos de recebê-los, o campo
de batalha tomado pelas reputações destroçadas de seus Magos foi cedido aos charlatães.
Esses, ai de nós, fizeram bom uso de sua oportunidade de esbulho indiscriminadamente, a tal
ponto que a própria palavra magia se tornou agora sinônimo de tudo que é desprezível, sendo
concebida como algo repulsivo.
Durante muitos séculos na Europa autorizou-se esse incorreto estado de coisas, que se
manteve até em torno de meados do século passado, quando Éliphas Lévi, um escritor dotado
de certa facilidade de expressão e talento para a síntese e a exposição, se empenhou em
devolver à magia sua antiga reputação grandiosa. Até que ponto teriam seus esforços obtido
êxito ou não caso não tivessem sido sucedidos e estimulados pelo advento do movimento
teosófico em 1875 em associação com a discussão aberta do oculto e de temas místicos que a
partir de então se seguiram, é extremamente difícil dizer. E mesmo assim, não foram coroados
de muito êxito, pois apesar de quase oitenta longos anos de atenção e discussão aberta da
filosofia e prática esotéricas em vários de seus ramos, não é possível descobrir no Catálogo da
Sala de Leitura do Museu britânico uma única obra de magia que tente apresentar uma
exegese lúcida, clara e precisa, desembaraçada do emprego exagerado de símbolos e figuras
de linguagem. Oitenta anos de estudo do oculto e nem sequer uma obra séria sobre magia!
Por algum tempo tornou-se conhecido em vários lugares que este escritor era um
estudioso de magia. Conseqüentemente indagações acerca da natureza da magia seriam amiúde
endereçadas a ele. Com o passar do tempo tais indagações tornaram-se tão numerosas e tão
abismal a ignorância involuntária sobre o assunto contida em todas elas que parece ser a hora
exata para tornar disponível a esse público uma exposição sintética e definitiva. Visto que
nenhuma outra pessoa tentou executar essa tarefa de tremenda importância, recai sobre este
escritor essa difícil tarefa. Ele não se propõe limitar-se mediante observações plausíveis acerca
da incomunicabilidade de segredos ocultos. Tampouco mencionará a impossibilidade de
transmitir a vera natureza dos mistérios da Antigüidade, como alguns autores recentes fizeram.
Embora tudo isso seja verdadeiro, não obstante há de comunicável na magia o suficiente. A
despeito de centenas de páginas com o fito de elucidar, é preciso também dirigir a esses
escritores a severa acusação de terem realizado muito para confirmar a opinião pública na já
firme crença de que a magia era ambígua, obscura e uma tolice. Dificilmente poder-se-ia
sustentar uma concepção mais errônea do que essa, pois a magia, que me permitam insistir, é
lúcida. É definida e precisa. Não há fórmulas vagas ou dubiedades compreendidas dentro da
esfera de sua exatidão; tudo é claro e concebido para o experimento prático. O sistema da
magia é absolutamente científico, e cada uma de suas partes é passível de verificação e prova
sob demonstração. A árvore da vida é publicado, admito, com uma certa hesitação, com o
único objetivo de preencher essa lacuna existente. Este escritor deseja tornar inteligível e
compreensível para o indivíduo leigo, inteligente e comum, para o aprendiz dos Mistérios e
aqueles versados no saber de outros sistemas místicos e filosofias os princípios radicais a partir
dos quais a formidável estrutura imponente da magia é construída. Com uma exceção, não
conhecida ou adequada ao público em geral, infelizmente, essa tarefa necessária jamais foi
realizada anteriormente.
A freqüência de longas citações provenientes de escritos de autoridades em magia que
o autor aqui inseriu se explica de modo bastante simples, devendo-se apenas ao desejo de
demonstrar que os mais amplos pontos essenciais desta exposição não são o resultado de
qualquer invencionice do autor, estando, pelo contrário, firmemente enraizados na sabedoria da
Antigüidade. É desnecessário que se apontem para o autor expressões rudes, possíveis
interpretações equivocadas de fatos ou teorias e pecados de omissão e cometimento. Em razão
disso ele se desculpa humildemente, devendo ser perdoado em função de sua juventude e
inexperiência. Que seus esforços incitem outra pessoa mais sábia, dotada de melhores recursos
para escrever e detentora de um conhecimento mais profundo da matéria e seus correlatos de
modo a produzir uma melhor formulação da magia. Este escritor estará dentre os primeiros que
aclamarão essa realização com boas-vindas e louvores.
É também necessário registrar a atitude cortês dos senhores Methuen & Co. que
deram a permissão para reproduzir as ilustrações dos quatro deuses egípcios de Os deuses dos
egípcios, de Sir E. A. Wallis Budge.
Israel Regardie
Londres, agosto de 1932.

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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A Maçonaria Brasileira na Década da Abolição e da República, de José Castellani

Introdução
José Castellani

Esta é uma História de apenas 30 (trinta) anos da Maçonaria brasileira, em relação à atuação político-social de
muitos de seus componentes, numa época agitada e de grandes transformações sociais. Foram trinta anos --- de
1860 a 1890 --- em que diversos acontecimentos importantes e inclusive modificadores de toda a estrutura social
brasileira, ocorreram, concomitantemente, ou em rápida seqüência.
Era a época em que os maçons brasileiros, nas Lojas, na imprensa, ou na tribuna, já vinham se preocupando com
a grave questão da escravatura no Brasil e, em seqüência, com a hipótese de um terceiro reinado, o qual poderia
dar sobrevida a um sistema, que já se esgotara e que vinha sendo rejeitado em muitas partes do mundo. E, ao
mesmo tempo em que se desenrolavam os dois movimentos --- abolicionista e republicano --- ocorria a questão
religiosa brasileira, que teria uma certa influência no incremento do movimento republicano, por ter indisposto o
alto clero com o imperador.
Na época do início desta História, o Grande Oriente do Brasil, matriz da Maçonaria brasileira --- fundado a
17 de junho de 1822 --- era a única Obediência maçônica do país, mas viria, logo, a sofrer uma dissidência, que
duraria vinte anos, promovida, exatamente, por um dos maiores líderes republicanos. Isso não significava,
todavia, um enfraquecimento dos movimentos, que, então, começavam a empolgar os maçons de ponta, porque
sua atividade independia das tricas políticas internas. Por isso, ao mesmo tempo em que são mostrados os passos
e as atividades dos maçons, na campanha republicana, é também abordada a situação interna da Maçonaria
brasileira --- com base em documentos e em depoimentos fidedignos --- numa época em que, sem embargo de
suas lutas intestinas, ela agrupava muitos dos melhores homens do país, sob sua bandeira social.
O que é importante destacar é que, conforme mostra uma farta documentação, só agora resgatada, o Grande
Oriente do Brasil, como instituição, não participou das campanhas da abolição da escravatura e da implantação
da República. Essa participação foi de Lojas e de maçons, que se empenharam em ambas as campanhas, sob a
égide e os princípios da instituição, mas sem que esta tomasse, oficialmente, partido, como acontecera em 1822,
por ocasião da independência do Brasil.
Trata-se assim, esta sintética obra, de uma pequena contribuição para a História real e documentada da
Maçonaria brasileira, numa época de importantes transformações sociais no país. A História da Maçonaria
brasileira tem sido mistificada e romanceada há algumas décadas, por autores simplesmente ufanos, sem base
documental e sem a imparcialidade do honesto pesquisador, fazendo com que ela fosse tratada com desdém e até
de maneira jocosa nos meios acadêmicos brasileiros, com grandes prejuízos para a sua divulgação e para o
conhecimento de suas reais e sempre perseguidas finalidades. Só de alguns anos para cá é que a realidade
histórica da maçonaria brasileira tem vindo à tona, sem maquiagem, sem arroubos tendenciosos, sem invenções
ufanistas, que destacam fatos positivos e varrem os negativos para baixo do tapete. E isso graças a poucos, mas
diligentes pesquisadores, que, paulatinamente, vão mudando o modo de pensar dos maçons brasileiros e
despertando, junto à comunidade pensante, a atenção e o respeito à atividade maçônica.
Para que se perpetue dal disposição é que as obras que divulgam as fontes primárias devem ser sempre
disseminadas entre os maçons, para que estes deixem de pensar que a Maçonaria é uma instituição
contemplativa, entregue a elucubrações de ordem ocultista e afastada dos grandes problemas político-sociais do
país. Construtora social, ela tem é que pugnar pelo aperfeiçoamento moral, material e intelectual do Homem e
não pelo atrelamento de sua mente a conceitos fantásticos de pretensos gurus, cujos pés se encontram na
estratosfera e cuja cabeça alcança o espaço sideral, talvez para equiparar o vácuo interno ao externo.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

No Umbral do Mistério, de Stanislas de Guaita

Esta obra resume, de forma brilhante, a evolução do Hermetismo, desde o ciclo
de Ram e o Reino do Carneiro até os Franco Juízes da Idade Média e as
Sociedades que nasceram das cinzas dos Templários, passando pela India,
Pérsia e pela Grécia legendária. A obra distingue claramente o Hermetismo do
Espiritismo e das práticas de feitiçaria.
Stanislas de Guaita descreve os grandes Iniciados do Ocidente, mostrando a
retransmissão do sacerdócio mágico e religando-os desde Alberto, o Grande,
até Saint-Yves d’Alveidre e Papus, passando por Louis Claude de Saint-Martin,
na Revolução Francesa, e por Fabre d’Olivet. Constata, por fim, a renovação
do Hermetismo da sua época (1886), da qual ele próprio é um dos principais
expoentes.
A primeira edição desta obra veio à luz em 1886. Logo esgotou-se, dando lugar
a uma segunda edição, revista e ampliada em 1890. A revisão definitiva foi
efetuada com a edição de 1895, na qual se baseia a presente tradução.
INTRODUÇÃO
Está em voga indignar-se à simples menção das palavras Hermetismo ou Cabala.
Diante delas trocam-se olhares marcados por uma ironia benevolente, e
sorrisos mordazes acentuam a expressão de desdém dos perfis. Na verdade,
esses escárnios costumeiros só se propagam em todos os tempos e entre os
melhores espíritos por força de um mal-entendido. A Alta Magia não constitui
um compêndio de divagações mais ou menos espíritas, arbitrariamente erigidas
em dogma absoluto. Trata-se de uma síntese geral - hipotética, porém racional
- duplamente respaldada na observação positiva e na indução por analogia.
Através da infinita diversidade dos modos transitórios e das formas efêmeras,
a Cabala distingue e proclama a Unidade do Ser, remonta à sua causa essencial
e encontra a lei de suas harmonias no antagonismo relativamente equilibrado
das forças contrárias. Chamados ao equilíbrio, os poderes naturais jamais o
realizam integralmente. O equilíbrio absoluto seria o repouso estéril e a
verdadeira morte. Ora, de fato, não se pode negar a Vida, não se pode negar o
movimento. Preponderância alternada de duas forças aparentemente hostis e
que, tendendo ao equilíbrio, oscilam incessantemente de um lado para outro:
esta é a causa eficiente do Movimento e da Vida. Ação e reação! A luta dos
contrários tem a fecundidade de um estreitamento sexual - o amor também é um
combate.
A Magia admite três mundos ou esferas de atividade: o Mundo Divino, das
causas; o Mundo Intelectual, dos pensamentos; o Mundo Sensível, dos
fenômenos(23). Uno em sua essência, tríplice em suas manifestações, o Ser é
lógico e as coisas do alto são análogas e proporcionais às coisas que estão
embaixo tanto que uma mesma causa gera, em cada um dos três mundos, uma
pluralidade de efeitos correspondentes e rigorosamente determináveis por
cálculos analógicos. Eis, assim, o ponto de partida da Alta Magia, essa
álgebra das idéias. Todo axioma, marcado por seu número genérico, é
representado, cabalisticamente, por uma letra do alfabeto hebraico, de acordo
com esse número. Assim, os conceitos classificam-se na medida em que geram;
desenvolvem-se em cadeias intermináveis, na ordem de sua filiação. Causas
primeiras com os mais remotos efeitos, princípios os mais simples e claros
com inúmeros resultados deles derivados; que maravilhoso processo desenrolado
em todos os domínios do contingente, remontando até aquele Inefável que
Herbert Spencer denomina Incognoscível!
"De omni re scibili et quibusdam aliis..." Ciências conhecidas e ciências
ocultas, a síntese hierática abarca, de uma só vez, todos os ramos do saber
universal, cuja raiz é comum. É em virtude de um princípio idêntico que o
molusco segrega nácar e o coração humano, amor. E a mesma lei rege a comunhão
dos sexos e a gravitação dos sóis. Porém, ressuscitar a Ciência integral é
uma tarefa que ultrapassa nossas forças: não esmiuçando os resultados por
demais indiscutíveis e as teorias já bastante universalizadas, cumpre-nos
limitar estes Ensaios ao exame de fenômenos ainda misteriosos e ao estudo de
problemas especiais que a ciência oficial ignora, despreza ou desfigura.
Tentaremos, sobretudo, nesta série de opúsculos esotéricos, reatar questões
perturbadoras, diante das quais o ceticismo moderno se sobressalta, aos
grandes princípios invariavelmente professados pelos adeptos de todos os
tempos. Um dia talvez nos seja dado sublimar, em um corpo de doutrina coeso,
esta alta filosofia dos mestres.
Aquilo que, aos olhos do leitor, não é mais do que uma hipótese -
extravagante, sem dúvida - é, para nós outros, um dogma incontestável. Assim,
pedimos desculpas por falarmos com a firme segurança de quem crê. Baseamo-nos
notadamente na Iniciação hermética e cabalística. Contudo, sabemos que nos
santuários da Índia, nos tempos da Pérsia, da Hélade e da Etrúria, bem como
entre os Egípcios e os Hebreus, a mesma síntese revestiu múltiplas formas e
os simbolismos aparentemente discrepantes, contraditórios, traduzem, para o
Eleito, a Verdade sempre Una, na língua fundamentalmente invariável dos Mitos
e dos Emblemas.
Desde o cisma dos gnósticos até o século XVIII, a vida dos adeptos apresentase
como um constante martírio: veneráveis excomungados, patriarcas do exílio,
noivos da potência e da fogueira, conservaram na provação a serenidade
heróica que o Ideal confere aos seus seguidores fervorosos; viveram sua
agonia, pois assumiram o Dever de transmitir aos herdeiros de sua fé
proscrita o tesouro da ciência sagrada; escreveram seus símbolos que hoje
deciframos... É finda a era do fanatismo oficial e das superstições
populares, mas não a era do juízo temerário e da parvoíce: se os Iniciados
não são queimados, são, de qualquer forma, objeto de escárnio e de calúnias.
Mas eles já se resignaram à injúria, como seus pais, os mártires.
Talvez se chegue a suspeitar, algum dia, de que os antigos hierofantes não
eram nem charlatões, nem sandeus... - Então, ó Cristo, teus servidores
lembrar-se-ão de que os Magos se prosternaram diante de teu berço real. E
assim, espargida por toda parte, a Caridade testemunhará excelsamente que
adveio o teu reino: Adveniat regnum tuum!... Aguardando que soe esta hora de
Justiça e de Gnose, entregamos ao escárnio ruidoso da maioria, submetemos ao
imperfeito juízo de alguns, estes ENSAIOS DE CIÊNCIAS MALDITAS.
Stanislas de Guaita

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Os Protocolos dos Sábios de Sião / O Protocolo dos Sábios de Sião / Os Protocolos de Sião

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Os Protocolos dos Sábios de Sião ou Os Protocolos de Sião (russo:"Протоколы Сионских мудрецов" ou "Сионские Протоколы"), é um texto redigido na época da Rússia czarista, que descrevia um projeto de conspiração para que os judeus atingissem a dominação mundial, esse texto foi traduzido do original em vários idiomas.

O texto é no formato de uma ata que teria sido redigida por uma pessoa num Congresso realizado as portas fechadas numa assembleia em Basiléia, no ano de 1807, onde sábios maçons, judeus, bolcheviques, rosacruzes, membros de sociedades secretas e outros, teriam se reunidos para estruturar um esquema de destruição do cristianismo. Nesse evento, teriam sido formulados planos como os de explodir cidades européias, utilizar a Cabala para dominar a força mágica da Igreja Católica, inocular o tifo em chefes de Estado e, quando o mundo estivesse finalmente dominado - estuprar as mulheres cristãs e escravizar os seus maridos.

Númerosas investigações independentes repetidamente provaram tratar-se de uma embuste, especialmente uma série de artigos do The Times of London, de 16 a 18 de agosto de 1921, que revelava que muito do material utilizado no texto era plágio de Serge Nilus de sátiras políticas existentes (principalmente do livro "O diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu", do escritor Maurice Joly, publicado em 1865) que não tematizavam a questão anti-semita. O jornal The New York Times republicaria os textos, a 4 de Setembro de 1921.

No Brasil, Gustavo Barroso, membro do movimento de extrema-direita Ação Integralista Brasileira, publicou pela Editora Civilização Brasileira a primeira tradução em português.

Paulo Coelho, por sua vez, recorda que o Protocolos foi publicado simultâneamente na Inglaterra (Eyre & Spottiswoode Publishers) e na Alemanha (Verlag Charlottenburg), transcrevendo, de forma grosseira, determinadas idéias anti-semitas difundidas por Serge Nilus ("O grande no pequeno e o Anti-Cristo como possiblidade imediata". São Petesburgo, 1902). Em 1931, Anton Idovsky, um velho e desencantado monarquista, reconheceu ter forjado os Protocolos, simplesmente porque o gerente de um banco judeu lhe havia recusado um empréstimo. Idovsky afirmou ter copiado as idéias centrais do livro de Joly.

A história teria se encerrado aí caso dois anos mais tarde, em 1933, Adolf Hitler não tivesse subido ao poder, na Alemanha, uma vez que foi esta obra que os nazistas utilizaram perante o meio intelectual alemão para justificar o genocídio de seis milhões de judeus nos campos de concentração.

León Poliakov aponta que tal texto é uma falsificação da polícia secreta do Czar Nicolau II da Rússia, sendo seu mais "duradouro legado intelectual".


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sábado, 11 de agosto de 2007

Os Iluminados: Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco-Maçonaria, de Papus

Muitos erros foram cometidos em relação ao Movimento Martinista; muitas calúnias
foram proferidas contra seus fundadores e suas doutrinas, o que torna necessário
elucidar alguns pontos de sua história, esclarecendo os objetivos deste movimento,
estabelecendo a diferença entre ele e os propósitos das diversas sociedades que se ligam
a um simbolismo qualquer.
Para que todo membro da Ordem e todo pesquisador consciencioso possa destruir
definitivamente tais calúnias, iremos expor de modo imparcial os diferentes aspectos
que o Movimento Martinista conheceu, e que podem enquadrar-se em quatro grandes
períodos:
a-) O Martinesismo de Martinez de Pasqually;
b-) O Willermosismo de Jean-Baptiste Willermoz;
c-) O Martinismo de Louis Claude de Saint-Martin;
d-) O Martinismo contemporâneo (fim do século XIX).

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sábado, 21 de julho de 2007

A Chave De Hiram - Faraós, Franco-Maçons E A Descoberta Dos Manuscritos Secretos De Jesus, de Christopher Knight e Robert Lomas

TRECHO:
Henry Ford declarou certa vez que 'toda a História é uma grande mentira', Pode ter soado um tanto abrupto, mas uma vez encarados os 'fatos' do passado que nós ocidentais aprendemos nas escolas, conclui-se que o sr. Ford tinha toda razão.
Nosso ponto de partida foi um trabalho de pesquisa particular para tentar encontrar as origens da Maçonaria - a maior sociedade do mundo, hoje com mais de cinco milhões de membros em Lojas regulares, e que no passado incluiu entre eles muitos grandes homens, de Mozart ao próprio Henry Ford. Sendo Franco-Maçons, nosso objetivo era tentar entender um pouco mais sobre o significado da ritualística maçônica: essas cerimônias estranhas e secretas efetuadas exclusivamente por homens, quase todos de meia idade e de classe média, de um pólo a outro.
No centro das lendas maçônicas está um personagem denominado Hiram Abiff que, de acordo com o que se conta a todos os Maçons, foi assassinado há quase dois mil anos atrás durante a construção do Templo do Rei Salomão. Este homem é um enigma absoluto. Seu papel como construtor do Templo do Rei Salomão e as circunstâncias de sua horrível morte são claramente descritas nas histórias maçônicas, mas ele não é mencionado no Antigo Testamento (1). Durante quatro dos seis anos que gastamos nessa pesquisa acreditamos que fosse uma criação simbólica, mas então ele se materializou das brumas do tempo para provar-se extremamente real.
Assim que Hiram Abiff se ergueu do passado distante, nos brindou com nada menos que uma nova chave para a História ocidental. As contorções intelectuais e as elaboradas conclusões que previamente formaram a visão coletiva que a sociedade ocidental tem de seu passado deram lugar a uma ordem simples e lógica. Nossas pesquisas nos levaram inicialmente à reconstrução do ritual de mais de quatro mil anos de idade que o Egito usava para a feitura de seus reis: isso nos levou a desvendar um assassinato que ocorreu por volta de 1570 a.c., e o que deu partida à cerimônia de ressurreição que é a antecedente direta da moderna Maçonaria. Ao seguirmos o desenvolvimento desse ritual secreto, de Tebas a Jerusalém, descobrimos seu papel na construção da nação judaica e na evolução de sua teologia.
Em flagrante contraste com o que hoje se acredita ser fato, o mundo ocidental na verdade se desenvolveu de acordo com uma filosofia muito antiga, codificada em um sistema secreto que só veio à superfície em três momentos cruciais nos últimos três mil anos.
A prova final de nossas descobertas pode certamente tornar-se a maior descoberta arqueológica do século: nós localizamos os manuscritos de Jesus e de seus seguidores.


(1) Hiram Abiff é mencionado no Antigo Testamento como um mestre em metalurgia e trabalhos com metais, enviado pelo Rei de Tiro a Salomão quando da construção do Templo, mencionado em Reis I, 7:13-14 e em Crônicas II, 2:13-14. Em algumas versões do Antigo Testamento, ele é apresentado como sendo Adonhiram, um coletor de impostos, mencionado em Samuel n, 20: 24, ou como superintendente dos trabalhos no Monte Líbano, mencionado em Reis I, 5:14. (N. T.)