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sexta-feira, 10 de abril de 2009

As Sagradas Escrituras Confirmam a Gnosis (Livro II), de grupo gnóstico de Quebec, no Canadá.

TRECHO:
Prólogo
A Teologia Gnóstica é uma ciência exata (Flp. 1.9) . Ao confrontar−la com as Sagradas Escrituras
de todas religiões, não se encontra discrepância.
Filipenses 1:9 − "E isto é o que continuo orando: que o conhecimento de vocês abunde, todavia,
mais e mais com conhecimento exato e pleno discernimento" ( Conhecimento Exato em Grego quer dizer:
Gnó−sei, Gnosis; em latim In Sci−Entia, ciência e discernimento: literal, "Percepção Sensorial"; em Grego,
Ai−sthé−sei ; em latim Séns−su". Nota ao pé da Bíblia versão Testemunhas da Jehová Edi. 1987 ).
A Teologia Gnóstica diz: Que o pecado original foi a emissão seminal.
A Teologia Católica diz: Jó 14:4 − "Quem poderá voltar puro ao que de impura semente foi
concebido?".
A Teologia versão Testemunhas de Jehová: Gênesis 3:6 − "Por conseguinte, a mulher viu que a
árvore era boa para alimento, e que aos olhos era algo que desejar, sim, a árvore era desejável para
contemplar−la. De modo que começou a tomar de seu fruto. Depois deu deste, também, a seu esposo quando
ele esteve com ela, e ele começou a comer−lo".
Quando ele esteve com ela, faz alusão à relação sexual matrimonial.
A Teologia Católica diz: "Mas, quem poderá extrair o puro do impuro? Ninguém!".
Ao pé do Capítulo 14:4 de Jó, tem uma nota que diz: "Jó reconhece a impureza radical do homem. O
acento recai sobre a impureza física que o homem contrai desde sua concepção e nascimento, e a exegese
cristã tem visto nesta passagem pelo menos uma alusão ao pecado original, transmitido por geração".
A Teologia versão Testemunhas de Jehová, em Jó 14:4 diz: − "Quem pode produzir a alguém limpo
de alguém imundo? Não há ninguém!".
Em Levítico 15: 1,2,16,18,31,32,33 : − "O homem e a mulher que tenham derrame de semem serão
imundos ou impuros até o entardecer". Esse entardecer é até que a parelha volte a ser casta, do contrário
seremos impuros indefinidamente.
A Gnosis em sua Teologia diz que somente através do matrimônio se chega a Deus; os solteiros que
não tenham encarnado ao Cristo, lhes tocará conseguir o traje de boda.
A Teologia versão Testemunhas de Jehová, Ap. 14:4 diz : "Estes são os que não se contaminaram
com mulheres; de fato, são virgens. Estes são os que vão seguindo ao Cordeiro não importa aonde vá. Estes
foram comprados dentre a humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro e não achou em sua
boca falsidade; estão sem mácula".
Teologia Católica, Sagrada Bíblia versão Francesa, Apocalipse 14:4 : "Estes são os que não se
mancharam com mulheres, pois são virgens". Na nota ao pé do texto : "Em sentido metafórico: a Luxúria
designa tradicionalmente a idolatria. Oseas 1:2, aqui o culto da Besta, Ap. 7:1 etc. Os 144.000 tem sido
comprados. Ap. 5:9, são íntegros e fiéis, tem rechaçado a idolatria e podem ser desposados com o Cordeiro".
O culto da besta se faz ao tomar esposa para procriar filhos de fornicação; também podemos
prostituir−nos com nossas próprias esposas sem nos desonrar com elas.
Para não contaminar−nos com nossa própria mulher, devemos copular sem desonrar−nos. A
castidade científica, nos introduz ao número 144.000 podendo acompanhar e desposar−nos com o Cordeiro
que é o mesmo Cristo.
A serpente, ou seja, Satanás, trabalhou a mente de Eva para despertar−lhe a Luxúria e o mesmo fez
conosco para levar−nos à impureza.
1Co. 11:3 : "Mas tenho medo que de algum modo, assim como a serpente seduziu a Eva por sua
astúcia, as mentes de vocês sejam corrompidas e deixadas da sinceridade e castidade que se devem ao
Cristo".
Hebreus 13:4 : "Que o matrimônio seja honorável entre todos, e o leito conjugal seja sem
contaminação, porque Deus julgará aos fornicadores e aos adúlteros".
O matrimônio honorável faz referência a fidelidade conjugal. E o leito ou cama conjugal sem
contaminação, faz referência à castidade dentro da relação sexual matrimonial.
Aqui a Teologia julga por separado aos fornicadores, emitidores de semem e os adúlteros, pois estes
cometem duas faltas, violam o sexto e o nono mandamento da Lei de Deus.
O Senhor Samael Aun Weor, em todas suas obras teológicas por excelência, recomenda despertar o
Fogo Serpentino, ou seja, o Fogo de Deus, o qual está depositado no coxis. (desperta−lo com a esposa).
O anterior o confirma a Teologia de todas as religiões: Ezequiel 8:2 − "E comecei a ver, e, olhei!
Uma semelhança similar a aparência do fogo; desde a aparência de seus lombos até abaixo havia fogo, e
desde seus lombos até acima havia algo como a aparência de um resplandecer, como o fulgor do elétrico".
Fogo: Calor e luz produzida pela combustão.
Resplandecer: Despedir raios de luz ou luzir muito.
Âmbar: Algo muito eletrizante por fricção.
Electro: Âmbar.
O fogo de Deus está depositado no cóccix. Deus é um fogo consumidor.
A Teologia de Deus tem seu fundamento na Energia Vital: 1Pedro 1:20 em nota ao pé: "fundação,
lançar semente, semem".
E ao grande Teólogo por excelência, Samael Aun Weor, lhe correspondeu revelar o "Segredo
Sagrado que tem sido guardado no silêncio por tempos de longa duração", Romanos 16:25, porém, que
agora tem sido posto de manifesto e dado a conhecer mediante as escrituras proféticas entre todas as nações
de acordo com o mandato do Deus Eterno para promover obediência pela fé; a Deus, só sábio, seja a Glória
mediante Jesus Cristo para sempre. Amém.
Este segredo guardado o tem buscado os cientistas de todos os tempos em qualquer parte, e agora que se está
entregando gratuitamente, ninguém lhe presta atenção.
A Pedra Filosofal é o semem transmutado.
Também nos disse o Senhor Samael Aun Weor que tem que se refazer a mente, transmutando todo
pensamento negativo em algo sublime para não morrer. Isto o confirma São Paulo em Romanos 8:1−16 :
"Porque os que estão em conformidade com a carne fixam a mente nas coisas da carne, porém, os que estão
em conformidade com o espírito nas coisas do espírito. Porque o ter a mente na carne significa morte,
porém, o ter a mente posta no espírito significa vida e paz; porque o ter a mente posta na carne significa
inimizade com Deus, porque esta não está sujeita a Lei de Deus, nem, de fato, o pode estar. Por isso os que
estão em harmonia com a carne não podem agradar a Deus..."
As pessoas que buscam a Luz Crística, consultar todas as obras do Mestre Samael Aun Weor e as Sagradas
Escrituras de qualquer religião.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Versículos do Homem, de Jibrail ben-Jamin

TRECHO:
ESUMO TEMÁTICO
(segundo o entendimento de ABDUL CADRE)



• SURA PRIMEIRA
* Apresentação da génese do livro, do seu âmbito e do que se espera daquele que foi instado a dar-lhe corpo.
• SURA DA ESTRELA NEGRA
* Se todos os medos do ser humano consubstanciam visões apocalípticas, é necessário que se ame a vida e o próximo e se deseje sempre o novo dia, sem fugas, porque inúteis.
• SURA DO CAMINHANTE
* Sonhar a realidade, encontrar o nosso centro, despirmo-nos de todas as ilusões.
• SURA DA CONSTRUÇÃO
* Usar o sonho de construir catedrais para erguer o nosso Templo, que será assim o átrio entre o caos e a ordem.
• SURA DA VIRTUDE
* Não há que descobrir a virtude, mas sê-la. A via da Rosa, onde impera o critério da verdade, é o caminho da virtude por excelência . Os maiores obstáculos são a arrogância, a vaidade e a ilusão.
• SURA DO LIVRO DO MUNDO
* Onde se diz que toda a ilusão deriva de se julgar que a realidade do todo exclui a parte, ou que a forma nega o conteúdo. O atento sabe que tudo está em tudo.
• SURA DO LIVRO DA «CREAÇÃO»
* Onde se fala dos nove mundos, de humanos, de génios e de anjos; de veladores e de desencaminhadores, dos sete grandes arquétipos da religiosidade dos povos do Livro; de Iblis, de Satã, de deuses e de demónios...
• SURA DOS BENEVOLENTES
* Benevolentes e caritativos são, antes de mais, os Fiéis do Amor que moram nas cidades dos homens e das mulheres.
• SURA DO MERECIMENTO
* Onde se diz que a alma do sábio é maior que a do santo e que homens e mulheres são as duas raças do Homem. Onde se diz ainda que a alma é uma conquista de quem ama
• SURA PARA O QUE ESTÁ ATENTO
* Estar atento é ser o julgador dos cinco sentidos de saber do mundo e dos sete de saber da carne.
• SURA DOS SINAIS DO AFECTO
* Onde se alerta os que buscam para as ciladas da ilusão, para o amor mal dirigido.
• SURA DOS PACTOS DE MORTE
* Onde se condena o suicídio e o masoquismo,
• SURA DA FUNDAÇÃO
* Aqui se dá todo o fundamento exotérico e esotérico do livro, se diz o que está para trás e se anuncia o que está para a frente.
• SURA DA CONSEQUÊNCIA
* Chave de leitura.
• SURA DOS QUATRO MUROS
* Há, para o Homem que busca, uma Realidade de dois caminhos que se não podem excluir: o caminho da realidade simbólica e o caminho da realidade pragmática
• SURA DO ARTISTA
* Onde se enaltecem claramente os santos, os artistas e os sábios.
• SURA DA DOUTRINA
* «O caminho crístico, que os povos do Livro sabem, sempre que lavam a palavra dos atributos do desejo que a distorce, é a realização do ser pela invocação do Espírito Santo».
• SURA DA CONCILIAÇÃO
* A raça dos homens e a raça das mulheres são colunas de entre Céu e Terra. Macho e fêmea é a constituição andrógina do Homem Cósmico. Divisão aparente, que gera todas as divisões, tende à conciliação, "pela realização duma coisa só".
• SURA DA ÁRVORE
* A árvore como metáfora do amor e da dádiva na natureza e no Homem.
• SURA DO MÉTODO DIVINO
* Onde se fala de mestres vivos, de mestres ocultos, de mestres de assembleia e do mestre interno que cada homem e cada mulher deve realizar.
• SURA DA SUBMISSÃO
* A Razão, alimentada pela Fé e pelo Instinto, permite o fogo do Espírito Santo sobre a cabeça de quem busca.
• SURA DAS CONTRADIÇÕES
* Onde se repudiam os erros dos que crêem e se enaltecem as virtudes dos que sabem.
• SURA DO AMOR HUMANO
* Louvor da realização do amor na cidade dos humanos.



LINHAS DE FORÇA:

Se quiséssemos apontar as linhas de força desta obra, ou seja, os grandes temas que a diferenciam da generalidade dos livros de esoterismo e a aproximam da tradição bíblica e corânica, ao mesmo tempo que implícita e explicitamente avulta em heresias, diríamos que repudia todas as teses da «carne pecaminosa», declara que o sofrimento e a solidão não são bons para a pessoa humana e que o sábio — por sê-lo — é mais santo que os santos.
Defende a Ciência, a Razão, a Fé, o Instinto e o Intelecto
Faz a apologia da Mente e diz que as almas se tornam imortais, ou se tornam mortais, na medida do amor que cultivam. Que também o corpo pode ser imortal. Condena a falsa religiosidade, o culto dos santos, das imagens e toda a idolatria.
Defende a alegria e o DEUS UNO E ÚNICO «sem companhia». Diz que Buda ou Cristo são estados do ser e que entre os povos do Livro não tem de haver disputa, porque no seu seio, hão de uns seguir a religião dos progenitores, outros qualquer dos três cultos, indiferentemente, conforme se proporcione... e outros, ainda, usarão a síntese...

A síntese perseguida pelos Templários?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Assim Falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

TRECHO:
Preâmbulo de Zaratustra
Aos trinta anos Zaratustra afastou−se
da sua pátria e do lago da sua pátria, e
dirigiu−se à montanha. Durante dez
anos gozou por lá do seu espírito e da
sua solidão sem se cansar. Variaram,
no entanto, os seus sentimentos, e uma
manhã, erguendo−se com a aurora,
pôs−se em frente do sol e falou−lhe da
seguinte maneira:
"Grande astro! Que seria da tua
felicidade se te faltassem aqueles a
quem iluminas? Faz dez anos que te
apresentas à minha caverna, e, sem
mim, sem a minha águia e a minha
serpente, haver−te−ias cansado da tua
luz e deste caminho.
Nós, porém, te aguardávamos todas as
manhãs, tomávamos−te o supérfluo e
bendizíamos−te.
Pois bem: já estou tão enfastiado da
minha sabedoria, como a abelha
quando acumula demasiado mel.
Necessito mãos que se estendam para
mim. Quisera dar e repartir até que os
sábios tornassem a gozar da sua
loucura e os pobres, da sua riqueza.
Por essa razão devo descer às
profundidades, como tu pela noite, astro
exuberante de riqueza quando
transpôes o mar para levar a tua luz ao
mundo inferior.
Eu devo descer, como tu, segundo
dizem os homens a quem me quero
dirigir.
Abençoa−me, pois, olho afável, que
podes ver sem inveja até uma felicidade
demasiado grande!
Abençoa a taça que quer transbordar,
para que dela jorrem as douradas
águas, levando a todos os lábios o
reflexo da tua alegria!
Olha! Esta taça quer novamente
esvaziar−se, e Zaratustra quer tornar a
ser homem".
Assim principiou o ocaso de Zaratustra.

sábado, 20 de setembro de 2008

Do Sexo à Divindade - As Religiões e seus Mistérios, de Dr. Jorge Adoum / Mago Jefa

TRECHO:
INTRODUÇÃO
1 – A palavra “homem” não significa o ser organizado que se encontra na terra.
Homem é todo ser formado de uma parte do Espírito e de uma parte da Matéria de que
está composta a esfera que ele habita e que é capaz de manifestar por atos morais a
parte do Espírito que está nele.
2 – A finalidade do Universo é o progresso. Logo, a finalidade de cada homem,
que é parte do Universo, não pode ser outra senão uma parte do progresso.
3 – Os planetas e as esferas não são, em si mesmos, suscetíveis ao progresso.
Somente é suscetível ao progresso o ser moral formado de uma parte do Espírito e de
outra parte da Matéria de que está formada aquela esfera.
4 – O ser moral metade Espírito e metade Matéria é o Homem.
5 – O Espírito e a Matéria contêm em si mesmos, desde o começo, o germe dos
feitos materiais e morais que foram, são e serão no futuro.
6 – A manifestação ou transformação tira a conseqüência necessária de um
princípio existente em estado latente no fato anterior. Desde a ação do Espírito sobre a
Matéria, nada foi produzido que não fosse em estado latente no princípio.
7 – O homem é a miniatura do Universo, por isso lhe chamam Microcosmos,
porque contêm todas as qualidades que foram dadas a todos os seres nascidos antes
dele.
8 – Tudo quanto foi feito antes do aparecimento do homem foi feito para o homem.
Logo, possuindo a quinta-essência de todas as qualidades dadas a todos os seres
anteriores a ele, o homem será o rei da criação – ou um Universo em miniatura. No
entanto, se o homem não é a última palavra da perfeição no caminho do progresso, é sem
dúvida o mais perfeito no estado atual.
9 – Todos os seres anteriores ao homem lhe serviram de duas maneiras: uns
foram organizados cada vez melhor para lhe darem caída e outros para lhe serem úteis e
servi-lo em suas necessidades.
10 – O homem recorreu aos animais, aos vegetais, aos minerais, aos gases etc.
para ter vida por meio dos alimentos, da roupa, da respiração, do abrigo etc. A terra o
carrega, a água lhe mata a sede, o ar move a sua respiração, o calor o abriga e o Sol lhe
conserva a vida, porque o Sol é a alma da Terra e de todos os planetas. Portanto, o
homem não poderia viver se não tivesse em si tudo isso. Logo, o homem é um resumo de
tudo quanto está no Universo até a sua aparição nele.
11 – Por conseguinte, o homem é o mais poderoso agente do progresso e o único
ser capaz da perfeição moral; porque o progresso moral coroa o progresso material, como
o homem coroa a escala genealógica dos seres organizados.
12 – O Espírito, ao agir sobre a Matéria, é incorporado nela. Antes da organização
do homem, o Espírito existia na Matéria em estado latente. Isso quer dizer que não tinha
poder para a manifestação moral ou livre.
13 – Durante a época cosmogênica, a Matéria impedia a manifestação livre do
Espírito. Isso está representado pela estrela microcósmica invertida, com a ponta para
baixo. Quando chegou a estabelecer-se o equilíbrio entre o Espírito e a Matéria – devido à
transformação contínua – então se manifestou a conseqüência de um progresso material
e vice-versa, isto é, todo progresso material exige progresso moral.
14 – A organização universal é completa: onde existe necessidade encontra-se o
que a ela possa satisfazer. Perto da dor está o remédio; próximo da fome, o alimento;
perto da ferida, o bálsamo. Esta ordem que combina e supre se chama com razão
Providência.
15 – A Providência é a harmonia entre o Espírito e a Matéria.
16 – A Providência interna não nos deixa caminhar às cegas na senda do
progresso, nem tem o poder de nos deter a marcha rumo à perfeição.
17 – A perfeição é indefinida porque o resultado do progresso é infinito e, como tal,
nunca pode ser alcançada. Certamente existe uma perfeição parcial, à qual se pode
aspirar: é a perfeição relativa que consiste em satisfazer a todas as necessidades de uma
época com todos os elementos postos à sua disposição e alcançar o ideal de bem-estar
mais possivelmente desejado.
18 – Para a alma humana, tudo quanto seja razoável é realizável; porque a razão
não pode desejar mais do que seja possível. Nada é impossível se os meios de execução
se encontram preparados para a obra.
19 – A alma concebe o progresso, e o corpo, que é o auxiliar da alma, tem de
caminhar rumo a ele. Logo, para manifestar o progresso desejado pelo espírito, o corpo
tem de empregar todos os meios de que dispõe e fazer trabalhar cada órgão ou a matéria
no sentido do seu destino e da sua orientação. É por esse motivo que chamam
corporações às sociedades, porque cada elemento tem de trabalhar numa coisa segundo
a sua aplicação e o seu lugar.
20 – O homem é o único ser, metade Espírito, metade Matéria, que pode e deve
descobrir e fazer conquistas no terreno da ciência, da arte; porém, descobrir não é criar.
21 – A diferença entre o homem e o animal é como a diferença entre o progresso e
a conservação, ou entre a consciência e o instinto.
22 – O meio de conservação que foi dado ao animal e ao vegetal é o instinto, sem
o qual seria inútil o dom da existência, porque nem o animal nem o vegetal teriam tido
qualquer meio de conservação.
23 – O instinto é o meio de conservação de todo ser animado – forçosamente tem
de ser fatal, irreflexivo e instintivo. Assim, a abelha constrói o seu reino sem consciência:
ela age sob a pressão da necessidade da sua natureza, à qual deve obedecer; seus
hábitos são, desde os tempos mais remotos, uniformes, segundo a necessidade que lhe
foi imposta.
24 – Do instinto irreflexivo não poderá haver progresso. Se o instinto pudesse
refletir, então poderia comparar; se pudesse comparar, poderia melhorar, se pudesse
melhorar, poderia progredir; e, se pudesse progredir, deixaria de conservar, porque não
seria instinto e se converteria em Espírito.
25 – Se o instinto (hoje chamado subconsciente) chegar a desaparecer da
Natureza, esta deixará de existir, porque, logo depois de cumprido um progresso, não
haveria outra força de resistência capaz de conservar o primeiro progresso para fazer
dele a base de um segundo. Tudo cairá novamente no Caos. O instinto é uma força de
inércia que modera o salto muito impetuoso do progresso. Por isso se diz: ‘A Natureza
não dá saltos’.
26 – Se o instinto não existisse como condição de conservação, não existiria a
consciência como condição de progresso; da mesma forma, não teria razão de existir o
corpo humano que vive materialmente pelo instinto e não poderia conservar a sua vida
animal, que é indispensável à vida moral da alma. E assim a matéria se desagrega; todas
as esferas voltam a ser átomos; as almas voltam ao estado de puro Espírito e a lei do
progresso se detém. O Espírito teria de recomeçar o trabalho da organização universal,
agindo novamente sobre a Matéria.
27 – Esta é a lei da transformação, a lei da Evolução ou desintegração: Quando
um corpo ou uma esfera deixa de ser útil à lei do progresso, desintegra-se, porque se
deteve no caminho do progresso. Pois bem, se a natureza não dá saltos, tampouco volta
atrás, nem se detém no seu adiantamento.
28 – O instinto é o correlativo da consciência. O instinto é o passivo da consciência
como a Matéria é o passivo do Espírito. Sem instinto não há consciência, como não
haverá Espírito, nem Vida, sem Matéria.
29 – O instinto, então, é para a vida material aquilo que a consciência é para a
vida moral. O instinto é feito para a consciência como a vida material é feita para a vida
moral.
30 – O Espírito é o princípio do progresso, a Matéria é o princípio da conservação.
31 – A consciência é a condição do progresso, supõe liberdade. O instinto é a
condição da conservação, supõe conservação; e supõe a fatalidade ou naturalidade.
32 – A liberdade atrai responsabilidade, enquanto a fatalidade não tem nenhuma
responsabilidade. Logo, todo ser que segue fatalmente o seu instinto cumpre a lei natural
e não pode ser responsável, ao passo que aquele que abusa da sua liberdade é
responsável por seus atos.
33 – O instinto do animal e o corpo do animal perecem com o animal; ambos se
transformam e entram em outros corpos.
34 – Somente o homem é perfectível, porque é livre e não necessita de nenhum
agente exterior para a sua perfeição.
35 – A matéria inerte sem iniciativa é imperfectível. O animal é imperfectível,
porque carece de liberdade e de vontade. Somente o homem pode aperfeiçoar-se.
36 – Se o homem é perfectível, é também suscetível ao progresso, porque o
progresso é o caminho que conduz à perfectibilidade indefinida.
37 – A inteligência, que alguns homens atribuem a certos animais superiores, nada
mais é do que o instinto que cada um deles possui em grau diferente. É o instinto
desenvolvido segundo a ordem de superioridade do ser organizado no qual reside. Não é
surpreendente que os animais que mais se acercam do homem para servi-lo tenham certo
entendimento que os capacite a ser mais inteligentes para executarem a sua missão
providencial.
38 – O homem, com seus corpos ou veículos, tem por objeto ajudar no progresso
indefinido do Universo. A ‘alma’ deve levar e guiar o homem no caminho da perfeição,
sem deixá-lo desviar-se.
39 – Todo desvio no caminho do progresso é abuso de liberdade. Logo, cada
alma, a parte do Espírito, tem por objeto aperfeiçoar cada corpo, a parte da Matéria.
Então a alma, no Universo, tem determinada porção de Matéria para aperfeiçoar,
transformando-a do estado grosseiro e denso ao estado mais sutil, isto é, até o estado
mais perfeito, que é o da Matéria calórica que se encontra imediatamente debaixo e perto
do Espírito infinito.
40 – Os corpos se modificam conforme a manifestação da alma. A manifestação
da alma é o resultado da sua ação sobre o corpo, que afinal de contas é o fato do
progresso para o melhoramento material.
41 – Se os órgãos do corpo destinado a manifestar as faculdades da alma não
funcionam, terão de desintegrar-se por serem inúteis à alma.
42 – O bem é o resultado da harmonia que existe entre os elementos humanos ou
entre a alma e o corpo. O mal se evidencia quando os atos conduzem à desarmonia.
43 – O corpo não torna má a alma; somente ele pode impedir a sua manifestação
num ou noutro ponto. Onde a alma não se manifesta, o corpo adquire a ação egoísta e
todos os desejos desenfreados da sua natureza.
44 – Quando o corpo impede a manifestação da alma em todos os seus pontos, o
homem se torna semelhante ao bruto, à besta, e não terá senão instintos animais, aos
quais obedece.
45 – As religiões e a educação têm por objeto remediar, tanto quanto possível, as
inclinações perversas. A instrução pode diminuir os desejos desenfreados, substituindo-os
por anelos elevados, segundo se verificou, historicamente, com cérebros de grandes
homens, que foram mudando de conformação à medida que idéias novas lhes ocupavam
a mente.
46 – A vida material é anterior à vida moral, e até se pode dizer que a vida moral
nada mais é do que o resultado do desenvolvimento da vida material do homem.
47 – Quando o homem era semelhante ao animal, não era moral, porque não
podia comparar os fatos entre si nem distinguir o bem do mal.
48 – As faculdades de apropriar-se, de comparar, julgar e escolher, isto é, a
inteligência, a memória, o juízo e a consciência não se foram despertando senão
lentamente. Uma faculdade foi a base de outra; mas uma faculdade não nasce de outra
senão depois de haver mediado longo intervalo. Este é o fruto proibido que o homem
consumiu voluntariamente quando desenvolveu em si as quatro faculdades e comeu
abusando de seus frutos.
49 – Defender-se para sobreviver não é um ato de razão; é um ato fatal, isto é,
natural e instintivo, como o de comer e o de dormir.
50 – A vida em sociedade, o amor conjugal, a educação dos filhos, o trabalho para
preencher as necessidades, aproveitar os frutos do trabalho, tudo isso é instinto. Pertence
à vida material. Tudo isso é fatal, instintivo e se efetua debaixo da pressão das
necessidades, porque é comum entre todos os homens e animais. Tudo isso é feito tendo
em vista a conservação da vida. Logo, tudo quanto é do instinto é da vida material, é fatal,
é instintivo, natural, que concerne ao corpo físico. E tudo quanto concerne ao corpo físico
tem por objetivo a conservação.
51 – Logo, o homem, no princípio, desenvolveu o instinto; depois começou a
desenvolver a consciência, porque, sendo o instinto o agente da conservação e a
consciência do progresso, a conservação deve preceder ao progresso.
52 – A conservação é a condição do progresso, o instinto é a condição da
consciência, como o corpo é a condição da alma; logo, a condição material deve ser
cumprida primeiramente para que se manifeste o resultado moral.
53 – Logo, as faculdades da alma se desenvolvem em razão proporcional aos
desenvolvimentos do instinto, isto é, dos órgãos e dos sentidos que nos servem para nos
apoderarmos dos objetos materiais que nos rodeiam.
54 – O homem primitivo era solitário e débil ante os perigos e por esse motivo teve
de associar-se aos seus semelhantes e viver em sociedade.
55 – Em sociedade, precisou então de meios para se comunicar, e foram
necessários a voz e os sinais que engendraram o linguajar. Logo, a linguagem é a
primeira manifestação da vida moral, isto é, da vida social.
56 – A vida moral ou social se compõe de deveres. Antes de viver em sociedade o
homem não tinha deveres, isto é, a necessidade foi o seu único móvel e o instinto o seu
único guia para satisfazê-lo.
57 – O fato de viver em sociedade, no princípio, era um ato de conservação
revelado pelo instinto, como fazem certos animais que se reúnem em manadas no
interesse da sua comum conservação. Desse modo, o homem foi lançado à vida moral,
contra a sua vontade, em vista do simples efeito da satisfação da necessidade material
mais imperiosa: a necessidade de viver.
58 – Se o homem tem faculdades morais paralelas às suas funções materiais,
deve-se concluir que as faculdades morais foram dadas para serem exercidas. O homem
não pode possuir nada que não tenha o seu objetivo. Logo, faculdades morais e
faculdades materiais são para obter resultados determinados.
59 – Mas, para que as faculdades morais tenham livre funcionamento junto às
faculdades materiais, foi necessário ditar leis sociais e implantar religiões para defender
os direitos do homem e ajudá-lo a cumprir os seus deveres para consigo mesmo e para
com os seus semelhantes.
60 – Esse foi a princípio da religião e o começo da legislação.
61 – A religião trata de melhorar a moral ou o social: Espírito, alma. A legislação é
para melhorar o material: Matéria, corpo.
62 – No quadro seguinte podem resumir-se os principais caracteres enumerados
anteriormente.
Princípios
Vida moral Espírito – Alma
Vida material Matéria – Corpo
63 – Meios
Vida moral Consciência – Liberdade – Eleição
Vida material Instinto – Fatalidade – Obediência
64 – Objetivos.
Vida moral Progresso – Melhoramento
Vida material Conservação – Estabilidade
65 - Caracteres
Vida moral Praticada pelo homem sozinho.
Vida material Praticada por todos os que têm vida.
Vida moral Não pode existir sem a vida material.
Vida material Pode existir sem a vida moral.
Vida moral Nascida no homem depois da vida material.
Vida material Nascida no homem antes da vida moral.
Vida moral Compõe-se de todas as faculdades que não funcionam
ao lado dos órgãos especiais, materiais e sensíveis que
trabalham na economia do corpo humano.
Vida material Compõe-se de todas as funções que exercem a ação de
algum
órgão, material e sensível na economia do corpo humano
Vida moral Tem o dever por agente.
Vida material Tem o direito por agente.
Vida moral Vida em sociedade que regula as relações.
Vida material Vida de indivíduos separados, sem relações sociais.
Vida moral Útil, confortável e abundante.
Vida material Indispensável, reduzida e necessitada.
Vida moral Com diversas sociedades, segundo os indivíduos.
Vida material Uniforme em todas as sociedades e todos os indivíduos.
Vida moral Responsável se abusa da sua liberdade contra o direito
alheio. Sanção.
Vida material Sem liberdade, sem responsabilidade. Se desobedece ao
direito tem sanção natural.
Vida moral Idéia moral; o verdadeiro Progresso, ideal, material, o belo,
perfeição.
Vida material Trabalho mecânico. Copiar, nada de aperfeiçoamento.
66 – Logo, a religião e as leis sociais são frutos da vida moral ou da vida social.
67 – Quando o homem cumpriu os atos de sobrevivência, quando assegurou sua
existência, começou a sonhar em desenvolver-se, em melhorar e progredir. Depois de ter
o indispensável, começou a procurar o útil.
68 – Logo, há duas classes de necessidade: a indispensável e a útil. Todos os
homens estão de acordo no que toca ao instinto, ao indispensável; mas estão demasiado
divididos no que toca à vida moral ou útil e por isso vemos que o Espírito de todas as
religiões é indispensável e uno, ao passo que as religiões, ao se converterem em úteis,
dividem-se.
69 – A necessidade é fatal ou instintiva; é por isso que todos os homens
obedecem fatalmente à necessidade que se faz sentir, e por isso também são idênticos
em fazerem direito para as suas prescrições.
70 – Na liberdade existe a diversidade. O indispensável é absoluto como a
necessidade material. O útil é relativo como a necessidade moral. A fatalidade impõe o
indispensável; a liberdade permite escolher o útil. O útil é como a religião ou a lei, não é
igual para todos; ao passo que a necessidade é comum. O útil é escolhido livremente e
por isso varia de indivíduo para indivíduo, segundo o caráter daqueles que o escolheram.
Logo, a religião deriva da vida moral do Espírito e por meio do Espírito exerce a
sua liberdade. O princípio da vida material é a necessidade ou fatalidade. Por
conseguinte, vida moral e vida material são correlativas e paralelas entre si, como são o
Espírito e o corpo, a liberdade e a fatalidade.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A Nuvem sobre o Santuário, de Karl Von Eckartshausen / Conselheiro D'Eckartshausen

TRECHO:
A PRIMEIRA CARTA
O nosso século é de preferência a qualquer outro o mais notável para o observador
imparcial e sereno. Por toda parte existe fermentação tanto na alma como no coração do
homem; encontra-se a cada passo o combate da luz e das trevas, de idéias mortas e idéias
vivas, da vontade morta e inerte com a força viva e ativa; se vê por todo lado enfim, a
guerra entre o homem animal e o homem espiritual que desperta.
Homem natural renuncia às tuas últimas forças; até teu próprio combate revela a tua
natureza superior que repousa em teu seio. Presentes a tua dignidade, tu a sentes mesmo;
porém tudo é ainda obscuro ao teu redor e a lâmpada da tua débil razão não é suficiente
para iluminar os objetos aos quais deverias aspirar.
Diz-se que vivemos no século das luzes e seria mais justo dizer que vivemos no
século do crepúsculo: aqui e ali, o raio luminoso penetra através da nuvem das trevas, mas
ele não ilumina ainda com toda a sua pureza nossa razão e nosso coração. Os homens não
estão de acordo sobre as suas concepções: sábios disputam; e onde há disputa, não existe
a luz nem se conhece a verdade.
Os objetos mais importantes para a humanidade são ainda indeterminados. Não se
está de acordo nem sobre o princípio da razão, nem sobre o princípio da moralidade ou do
móbil da vontade. Isto prova que mau grado estejamos na grande época das luzes, ainda
não sabemos bem o que ela representa em nosso cérebro e em nosso coração.
Seria possível que nós soubéssemos tudo isto mais cedo, se não imaginássemos que
temos já a flama do conhecimento em nossas mãos, ou se pudéssemos lançar um olhar
sobre a nossa fraqueza e reconhecer que ainda nos falta uma luz mais elevada.
Nós vivemos nos tempos da idolatria da razão, depositamos uma tocha sobre o altar,
proclamamos em altas vozes que a aurora está despontando e que por toda parte o dia
aparece realmente, e deste modo o mundo se eleva cada vez mais da obscuridade à luz e
a perfeição, pelas artes, as ciências, gosto refinado ou mesmo por uma perfeita
compreensão da religião.
Pobres homens! até onde haveis exaltado a felicidade dos homens?
Existiu jamais um século que tivesse custado tantas vítimas como o presente? Existiu
jamais um século no qual a imoralidade e o egoísmo tenham predominado mais do que
neste? Conhece-se a árvore pelos seus frutos.
Insensatos!... Com o vosso falso raciocínio... onde obtivesses a luz com a qual
quereis esclarecer os outros? Será que todas as vossas idéias não são tiradas dos
sentidos, que não vos dão qualquer verdade mas somente os fenômenos externos?
Tudo aquilo que dá o conhecimento no tempo e no espaço não é relativo? Tudo
aquilo que nós podemos chamar verdadeiro, não é apenas uma verdade relativa?... Não se
pode achar a verdade absoluta na esfera dos fenômenos externos.
Assim sendo, vosso raciocínio não possui a "Essencialidade" mas somente a
aparência da verdade e da Luz; assim é que, quanto mais esta aparência aumenta e se
expande, mais a "Essência da luz" decresce no interior, e o homem se perde na aparência
e tateia para atingir as fantásticas imagens despidas de realidade.
A filosofia do nosso século eleva a fraca razão natural a objetividade independente;
atribuindo-lhe mesmo um poder legislativo, isentando-a de uma autoridade superior. Tornaa
autônoma e a diviniza, suprimindo entre Deus e ela toda relação, toda comunicação, e
esta razão deificada, que não tem outra lei que a sua própria, deve governar os homens e
torná-los felizes!... As trevas devem expandir a luz!... A pobreza deve dar a riqueza!... E a
morte deve dar a vida!...
A verdade conduz os homens à felicidade... Podeis vós dá-la?
O que, vós chamais verdade é uma forma de concepção vazia de substância cujo
conhecimento foi adquirido externamente, pelos sentidos; o entendimento coordena-os por
uma síntese das relações observadas em ciência ou em opiniões. Vós não tendes
absolutamente verdade material, o princípio espiritual e material é para vós um Número.
Retirais das Escrituras e da tradição a verdade moral, teórica e prática; mas como a
individualidade é o princípio de vossa razão, e o egoísmo é o móbil da vossa vontade, não
vedes a vossa luz interior, a lei moral que governa todas as coisas, ou a rechaçais com a
vossa vontade. É até lá que as luzes atuais foram conduzidas. A individualidade sob o
manto da hipocrisia filosófica, é a filha da corrupção.
Quem pode afirmar que o sol está em pleno meio dia, se nenhum raio luminoso
alegra a terra e nenhum calor vivifica as plantas? Se a sabedoria não melhora os homens e
o amor não os torna mais felizes, bem pouca coisa se fez ainda para o todo.
Oh! se somente o homem natural ou o homem dos sentidos pudesse perceber que o
principio de sua razão e o móbil de sua vontade, são somente a individualidade, e que por
isto mesmo, ele devia ser extremamente miserável, procuraria um princípio mais elevado no
seu interior, e aproximar-se-ia da única fonte que pode saciar a todos, porque ela é a
"Sabedoria na sua própria essência".
J.C. é a Sabedoria, a Verdade e o Amor. Como Sabedoria Ele é o princípio da razão,
a fonte do conhecimento, a mais pura. Como Amor Ele é o princípio da moralidade, o móbil
essencial e puro da vontade.
O Amor e a Sabedoria engendram o Espírito da Verdade, a luz interior, esta luz
ilumina em nós os objetos sobrenaturais e os torna objetivos.
É inconcebível observar até que ponto o homem cai no erro quando ele abandona as
verdades simples da fé, e a elas opõe a sua própria opinião.
Nosso século procura definir cerebralmente o princípio da razão e da moralidade, ou
do móbil da vontade; se os senhores sábios estivessem atentos, veriam que estas coisas
encontrariam melhor resposta no coração do homem, mais simples, que em todos os seus
brilhantes raciocínios.
O cristão prático encontra este móbil da vontade, princípio de toda imoralidade,
objetiva e realmente no seu coração e este móbil se exprime na seguinte fórmula:
"Ama a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo".
O amor de Deus e do próximo é, o móbil da vontade do cristão; e a essência do
próprio amor é Jesus Cristo em nós.
Assim é que o princípio da razão é a sabedoria em nós; e, a essência da sabedoria, a
sabedoria em sua substância é ainda J.C. - a Luz do Mundo. Assim encontramos nele o
principio da razão e da moralidade.
Tudo o que eu digo aqui não é, uma extravagância hiperfísica, é a realidade, a
verdade absoluta que cada um pode comprovar experimentalmente desde que recebe em
si o princípio da razão e da moralidade, J.C. como sendo a Sabedoria e o Amor essenciais.
Mas a visão do homem dos sentidos é profundamente inapta para captar a base
absoluta de tudo aquilo que é verdadeiro o transcendental. Mesmo a razão que nós
queremos elevar hoje sobre o trono como legisladora, é tão somente a razão dos sentidos,
cuja luz difere da luz transcendental, como a fosforescência do fogo-fátuo difere do
esplendor do sol.
A verdade absoluta não existe para o homem dos sentidos mas somente para o
homem interior e espiritual que possui um sensorium próprio; ou, para dizer mais
precisamente, que possui sentido interior para perceber a verdade absoluta do mundo
transcendental; um sentido espiritual que percebe os objetos espirituais tão naturalmente
em objetividade, como o sentido exterior percebe os objetos exteriores.
Este sentido interior do homem espiritual, este sensorium de um mundo metafísico
não é, infelizmente ainda conhecido de todos, é um mistério do reino de Deus.
A incredulidade atual para todas as coisas onde a razão dos nossos sentidos não
encontra ponto de objetividade sensível, é a causa que nos faz desconhecer as verdades,
as mais importantes para o homem.
Mas, como poderia ser de outra forma? Para ver é necessário ter olhos; para ouvir,
ouvidos. Todo objeto sensível requer seu sentido. Assim é que o objeto transcendental
requer também seu sensorium, - e este mesmo sensorium está fechado para a maioria dos
homens. Desta forma o homem dos sentidos julga o mundo metafísico como o cego julga
as cores, e como o surdo julga o som.
Existe um princípio objetivo e substancial da razão e um móbil objetivo e substancial
da vontade. Estes dois conjuntos formam o novo princípio da vida cuja imoralidade, é
essencialmente inerente. Esta substância pura da razão e da vontade reunidas é o divino e
o humano em nós; J.-C. a Luz do mundo que deve entrar em relação direta conosco para
ser realmente conhecida.
Este conhecimento real é a fé viva onde tudo se passa em espírito e em verdade.
Assim, deve existir necessariamente para essa comunicação um sensorium
organizado e espiritual, um órgão espiritual e interior, susceptível de receber essa luz, mas
que está fechado na maioria dos homens pela espessura dos sentidos.
Esse órgão interior é o sentido intuitivo do mundo transcendental, e antes que esse
sentido de intuição seja aberto em nós, não podemos ter nenhuma certeza objetiva da
verdade mais elevada. Este órgão foi fechado por conseqüência da queda, que atirou o
homem no mundo dos sentidos.
A matéria grosseira que envolve esse sensorium interior é uma catarata, ou véu que
cobre a visão interior, tornando a visão exterior inapta à visão do mundo espiritual. Esta
mesma natureza ensurdece nosso ouvido interior, de maneira que não ouvimos mais os
sons do mundo metafísico; ela paralisa nossa língua interior, de maneira que nós não
podemos mais nem mesmo balbuciar as palavras de força do espírito que pronunciávamos
outrora pelas quais nós governávamos a natureza exterior e os elementos.
A abertura desse sensorium espiritual é o mistério do Novo Homem, o mistério da
Regeneração e da união a mais íntimo do homem com Deus; é a meta mais elevada da
religião aqui em baixo, desta religião cuja finalidade mais sublime é de unir os homens a
Deus em Espírito e Verdade.
Podemos facilmente perceber por meio disto, porque a religião tende sempre à
sujeição do homem material. Ela age assim porque quer tornar o homem espiritual
dominante, afim de que o homem espiritual ou verdadeiramente racional governe o homem
dos sentidos.
O filósofo sente também esta verdade; seu erro somente consiste em não conhecer o
Verdadeiro princípio da razão e querer colocar em seu lugar a sua individualidade, sua
razão dos sentidos.
Como o homem possui em seu interior um órgão espiritual e um sensorium para
receber o principio real da razão ou a Sabedoria divina, e o móbil real da vontade, ou o
Amor divino, ele possui também no seu exterior, um sensorium físico e material para
receber “a aparência” da, luz e da verdade. Como a natureza exterior não possui a verdade
absoluta, mas somente a verdade relativa do mundo fenomenal, assim também a razão
humana não pode mais adquirir verdades inteligíveis, mas somente a aparência do
fenômeno que apenas excita nela, para móbil de sua vontade, a concupiscência, no que
consiste a corrupção do homem sensorial e a degradação da natureza.
O sensorium externo do homem é composto de matéria corruptível, enquanto que o
sensorium interior tem por substrato fundamental, substância incorruptível, transcendental e
metafísica.
O primeiro é causa de nossa depravação e nossa mortalidade; o segundo é o
princípio de nossa incorruptibilidade e imortalidade.
Nos domínios da natureza material e corruptível, a mortalidade esconde a
imortalidade e a causa de nosso estado miserável é a matéria corruptível e perecível. Para
que o homem seja libertado desta angústia, é necessário que o princípio imortal e
incorruptível que está em seu íntimo se exteriorize e absorva o princípio corruptível, a fim
de que o invólucro dos sentidos seja destruído e que o homem possa aparecer na sua
pureza original.
Este invólucro da natureza sensível é uma substância essencialmente corruptível, que
se encontra em nosso sangue, forma as ligações da carne e escraviza nosso espírito
imortal a essa carne mortal.
É possível romper mais ou menos esse envoltório em cada homem e em
conseqüência conceder a seu espírito, uma liberdade mais ampla, para que ele chegue a
um conhecimento mais preciso do mundo transcendental.
Há três graus sucessivos de abertura em nosso sensorium espiritual.
O primeiro apenas nos eleva ao plano moral e o mundo transcendental, aí age em
nós por impulsos interiores, chamados inspirações.
O segundo grau, mais elevado, abre nosso sensorium para a recepção do espiritual e
do intelectual, e o mundo metafísico age em nós por iluminações interiores.
O terceiro é mais alto grau - o mais raramente alcançado - desperta o homem interior
por completo. Ele nos revela o Reino do Espírito e nos torna susceptíveis de experimentar
objetivamente as realidades metafísicas e transcendentais; daí todas as visões são
explicadas fundamentalmente. Assim sendo, nós temos no interior, o sentido e a
objetividade, como no exterior. Somente os objetos e os sentidos são diferentes. No
exterior, existe o móbil animal e sensual que age sobre nós, e a matéria corruptível dos
sentidos sofre a ação. No interior, é a substância indivisível e metafísica que se introduz em
nós, e o ser incorruptível e imortal do nosso espírito recebe suas influências. Mas, em geral,
no interior, as coisas se passam tão naturalmente como no exterior; a lei é por toda parte a
mesma.
Portanto, como o espírito, ou nosso homem interior tem um senso completamente
diferente e uma outra objetividade do homem natural, não devemos de maneira alguma
surpreender-nos que ele fique um enigma para os sábios do nosso século, que não
conhecem estes sentidos, e não tiveram jamais a percepção objetiva do
mundo transcendental e espiritual. Eis aí porque eles medem o sobrenatural com a medida
dos sentidos, confundem a matéria corruptível com a substância incorruptível, e seus
julgamentos são necessariamente falsos sobre um assunto para a percepção do qual eles
não possuem nem sentidos nem objetividade, e, por conseguinte, nem verdade relativa
nem verdade absoluta. No que concerne as verdades que anunciamos aqui, temos que
agradecer infinitamente à filosofia de Kant.
Kant incontestavelmente provou que a razão em seu estado natural, não sabe
absolutamente nada do sobrenatural, do espiritual e do transcendental, e que ela nada
pode conhecer, nem analiticamente, nem sinteticamente, e que assim sendo, ela não pode
provar nem a possibilidade nem a realidade dos espíritas, das almas e de Deus.
Isto é uma grande verdade, elevada e benéfica para os nossos tempos; é verdade
que São Paulo já a havia estabelecido (primeira epístola aos Coríntios Cap. I, V. 2-24); mas
a filosofia pagã dos sábios cristãos soube ignorá-la até Kant.
O benefício desta, verdade é duplo. Primeiramente ela põe limites intransponíveis ao
sentimento, ao fanatismo e à extravagância da razão carnal.
Em seguida põe na mais resplandecente luz a necessidade e a divindade da
Revelação. O que prova que a nossa razão humana, em seu estado obtuso não tem
nenhuma fonte objetiva para o sobrenatural sem a revelação; nenhuma fonte para instruirse
de Deus, do mundo espiritual, da alma e da sua imortalidade; de onde se segue que
seria absolutamente impossível sem revelação, saber ou conjeturar nada sobre essas
coisas.
Por isto nós somos devedores a Kant por ter provado nos nossos dias aos filósofos,
corno já o havia sido desde muito tempo em escola mais elevada da comunidade da Luz,
que "SEM REVELAÇÃO, NENHUM CONHECIMENTO DE DEUS E NENHUMA DOUTRINA
SOBRE A ALMA SERIAM POSSÍVEIS".
Por onde, é claro que uma revelação universal deve servir de base fundamental a
todas as religiões de mundo.
Assim, segundo Kant está provado que o mundo inteligível é inteiramente inacessível
à razão natural, e que Deus habita uma luz na qual nenhuma especulação da razão
limitada pode penetrar.
Desta forma o homem dos sentidos ou homem natural não tem nenhuma objetividade
do transcendental; daí, à revelação de verdades mais elevadas lhe é necessária e por isto
também a fé na revelação, porque a fé lhe dá os meios de abrir seu sensorium interior, pelo
qual as verdades inacessíveis ao homem natural lhe podem ser perceptíveis.
É perfeitamente plausível que com os novos sentidos possamos adquirir novas
realidades. Estas realidades existem já, mas nós não as distinguimos porque nos falta o
órgão da receptividade.
É assim que, embora as cores existam, o cego não as vê; o som também existe, mas
o surdo não o escuta. Não devemos procurar a falta no objeto perceptível mas no órgão
receptor.
Com o desenvolvimento de um novo órgão nós temos uma nova percepção, novas
objetividades.
O mundo espiritual não existe para nós porque o órgão que o torna objetivo em nós
não está desenvolvido. Com o desenvolvimento deste novo órgão, a cortina levanta-se
imediatamente, o véu impenetrável até o momento, é rasgado, a nuvem à frente do
santuário é dissipada, um novo mundo surge num relance para nós; as vendas tombam dos
olhos e nós somos, no mesmo instante, transportados da legião dos fenômenos para a da
verdade.
Só Deus é Substância, Verdade absoluta, Ele só é aquele que É, e nós somos aquilo
que Ele nos fez.
Para Ele, tudo existe na unidade; para nós, tudo existe na multiplicidade.
Muitos homens não têm a menor idéia deste despertar do sensorium interior como
também não a têm para o "objeto" verdadeiro e interior da "Vida do Espírito", que não
conhecem; nem sequer pressentem de nenhuma maneira.
Daí, ser-lhes impossível saber que se pode perceber o espiritual e o transcendental e
que se pode ser levado ao sobrenatural até à visão.
A verdadeira edificação do templo consiste unicamente em destruir a miserável
cabana adâmica e construir a templo da divindade; isto é, em outros termos, desenvolver
em nós o sensorium interior ou órgão que recebe Deus; depois deste desenvolvimento, o
principio metafísico e incorruptível reina sobre o princípio terrestre e o homem começa a
viver, não mais no princípio do amor próprio, mas no Espírito e na Verdade de que ele é o
templo.
A lei moral passa então a ser amor ao próximo e, o mais puro, enquanto que, ela não
é para o homem natural exterior dos sentidos, senão uma simples forma de pensamento; e
o homem espiritual regenerado no espírito, vê tudo no ser, do qual o homem natural tem
somente formas vazias do pensamento, o som vazio, os símbolos e a letra, que são todos
imagens mortas, sem o espírito interior.
O fim mais elevado da religião é a união a mais íntima do homem com Deus, e esta
união já é possível mesmo aqui em baixo, mas ela não o é senão pela abertura de nosso
sensorium interior e espiritual que torna nosso coração susceptível de receber Deus.
Aí estão os grandes mistérios dos quais a nossa filosofia não duvida, e cuja chave
não pode ser encontrada entre os sábios de escola.
Contudo sempre existiu uma escola mais elevada, à qual este depósito de toda
ciência foi confiado, e esta escola era a comunidade interior e luminosa do Senhor, a
sociedade dos Eleitos que se propagou, sem interrupção, desde o primeiro dia da criação
até aos tempos presentes; seus membros, é verdade, estão dispersas pelo mundo, mas
eles estiveram sempre unidos por um espírito e por urna verdade, e não tiveram jamais
senão um só conhecimento, uma única fonte de verdade, um senhor, um doutor e um
mestre, em que reside substancialmente a plenitude Universal de Deus, e que os iniciou,
Ele só, nos mistérios elevados da natureza e do Mundo Espiritual.
Esta comunidade da luz foi denominada em todos os tempos a Igreja invisível e
interior, ou a comunidade, a mais antiga, da qual nós vos falaremos mais detalhadamente
na próxima carta

domingo, 8 de junho de 2008

O Mundo dos Espíritos – Segundo o que lá foi ouvido e visto, de Emanuel Swedenborg

O ESTADO DO HOMEM APÓS A MORTE (O QUE É O MUNDO DOS ESPIRITOS)

O mundo dos espíritos não é nem o Céu nem o Inferno, mas um lugar e um estado intermediário entre um e outro; para lá o homem é enviado após a morte. Em seguida, depois de lá passar algum tempo, ele é elevado ao Céu ou conduzido ao Inferno, conforme a vida que levou na Terra.
Portanto, o mundo dos espíritos não é apenas um lugar, mas também o estado intermediário do homem após a morte. Porque o homem que aí se encontra não esta nem no Céu nem no Inferno. O estado celeste de um homem é a união do bem c da verdade, c o estado infernal, a união da maldade e da falsidade. Quando o bem está unido à verdade, o espírito é conduzida ao Céu, pois essa união é o Céu. Quando a maldade está unida à falsidade, o espírito é rebaixado ao Inferno, porque essa união é o Inferno.
A união ocorre no mundo dos espíritos porque o homem, ao ser para aí conduzido, está num estado intermediário.
A união do entendimento e da vontade é a mesma coisa que a união da verdade e do bem. É preciso explicar o que é a união do entendimento e da vontade, e por que ela é idêntica à união do bem e da verdade.
O homem possui entendimento e vontade. O entendimento recebe a verdade e se constitui a partir dela; a vontade recebe o bem e se constitui através deste. Tudo o que o homem compreende e pensa segundo ü entendimento chama-se verdade; tudo o que ele quer e pensa segundo a vontade chama-se berra. Pelo entendimento, um homem pode pensar e perceber se alguma coisa é verdadeira e boa, enquanto pela vontade ele decide se crê na verdade e se fará o bem.
Quando o homem quer, segundo sua vontade, ele faz o bem. O bem e a verdade estão tanto no entendimento como na vontade, pois o homem não é apertas entendimento ou vontade, mas as duas coisas reunidas. Logo, o que está no entendimento e na vontade é a essência do homem, e lhe é apropriado.
O que está apenas no entendimento não lhe pertence inteiramente. É uma aquisição da memória, um conhecimento que o homem pode expor e discutir quando se encontra rodeado por outras pessoas, um conhecimento, enfim, que ele pode traduzir em afetos e gestos, mas que não é ele mesmo.
Essa capacidade de pensar segundo o entendimento, independentemente da vontade, foi dada ao homem para este pudesse aprimorar-se. E por meio da verdade que corrigimos nossos defeitos, e a verdade, como disse, pertence ao entendimento. De fato, não é a vontade que modifica o homem, pois es te nasce no mal e só deseja o bem à- si mesmo, alegrando-se com as desgraças que sucedem aos outros.
O homem deseja apropriar-se dos bens alheios, das honras, das riquezas; quanto mais possui, maior é sua alegria.
Para que essa vontade possa ser corrigida e aprimorada, foi dada ao homem a compreensão da verdade e, a partir dela, a possibilidade de dominar as más inclinações. Pelo entendimento, o homem pode conceber, discutir e praticar a verdade, mas não chegará a ela, pela vontade, se não souber amá-la
Quando pelo entendimento o homem aprende as coisas que pertencem a sua fé e, pela vontade, aquelas que pertencem ao seu amor, então a sua fé e o seu amor se unem como o entendimento e a vontade.
Quando a verdade e o bem se unem, quando o homem deseja a verdade e a seguir a realiza, então ele está no Céu, porque o Céu é a união do bem e da verdade. Ao contrário, quando a falsidade se une à maldade, o homem está no Inferno, porque o Inferno é a união da falsidade e da maldade.
No entanto, enquanto a verdade e o bem não se unirem, o homem permanecerá num estado intermediário, que é o mundo dos espíritos.
Descontadas as poucas exceções, todo homem possui algum conhecimento da verdade e, de acordo com esse conhecimento, pode agir ou imobilizar-se ou, ainda, ir contra a verdade em razão de seu amor pela maldade e de sua fé nas coisas falsas. Para que receba o Céu ou o Inferno, o homem é conduzido logo após a morte ao mundo dos espíritos, onde o bem se unirá com a verdade se o Céu lhe estiver reservado, ou o mal se unirá à falsidade se merecer o Inferno.
Ninguém entra no Céu ou é sentenciado ao Inferno, se tiver à mente dividida, isto é, se compreender de uma maneira c desejar de outra, pois não se pode querer senão aquilo que se compreende e não sé pode compreender senão aquilo que se deseja.
No Céu, aquele que desejar o bem compreenderá a verdade; no Inferno, aquele que desejar o mal compreenderá a falsidade. No mundo dos espíritos, entre os bons, a falsidade desaparece e lhes é dada à verdade, que se harmoniza com seu bem; entre os maus, é a verdade que desaparece e lhes é dada, em troca, a falsidade, que se harmoniza com sua maldade. O que acabo de dizer é um retrato fiel do mundo dos espíritos. No mundo dos espíritos podem-se ver multidões de homens; porque todos primeiro vão para lá, onde são examinados e preparados. O tempo que aí permanecerem não é fixo; alguns, logo após chegarem, são elevados ao Céu ou rebaixados ao Inferno; outros esperam algumas semanas, ou mesmo vários anos, porém não mais de trinta anos. A duração de sua estada depende da correspondência, ou não-correspondência, cio interior do homem com seu exterior.
Quando os homens entram no mundo dos espíritos, são separados em grupos pelo Senhor: os maus são imediatamente introduzidos na sociedade infernal, da qual aliás já eram membros em razão das más inclinações que desenvolveram na Terra; os bons, por outro lado, são imediatamente introduzidos na sociedade celeste, da qual também já eram membros em razão do amor, da caridade e da fé que possuíam na Terra.
Apesar disso, todos aqueles que eram amigos ou se conheciam na Terra, novamente se encontram e conversam entre si, o quanto queiram, principalmente esposas e maridos, e também irmãos e irmãs. Vi um pai conversando com seus seis filhos após havê-los reconhecido, e muitos outros tratavam com parentes e amigos; porém, como possuíssem mentalidades diferentes em razão da experiência que traziam da Terra, eles se separaram algum tempo depois.
Aqueles que, após sua estada no mundo dos espíritos, são elevados ao Céu ou rebaixados ao Inferno, não mais se vêem ou se reconhecem, exceto quando possuem a mesma mentalidade, que provém cio idêntico amor que os domina. Se os homens falam no mundo dos espíritos, porém não no Céu ou no Inferno, é porque durante sua estada nesse lugar, seu estado é muito semelhante ao terreno, portanto instável, enquanto que, logo depois, seu estado torna-se constante e semelhante ao amor que os domina, a partir do qual, aliás, eles se reconhecem. A semelhança aproxima, a diferença separa.
O mundo dos espíritos, enquanto estado intermediário entre o Céu e o Inferno, é também, como se pode inferir, um lugar intermediário, tendo abaixo o Inferno e acima o Céu. O Inferno está fechado ao mundo dos espíritos; contudo, buracos e fendas lhe servem ele abertura e também enormes abismos, que são guardados para que ninguém saia sem permissão, o que apenas acontece em caso de extrema necessidade.
O Céu também está fechado ao mundo dos espíritos, mas um caminho estreito permite que se ascenda até uma pequena entrada constantemente guardada. Essas são as saídas e as entradas que a Palavra Sagrada denomina portas do Inferno e do Céu.
O mundo dos espíritos tem o aspecto de um vale entre montanhas e rochas, onde se percebem alguns declives e elevações. As portas que conduzem às sociedades celestes são visíveis apenas aos que estão preparados para o Céu, ficando invisíveis para os demais. Existe uma só entrada c um só caminho que conduz ao Céu, mas à medida que o espírito ascende, multiplicam as veredas e as portas. As portas que conduzem ao Inferno, por outro lado, são apenas visíveis àqueles que devem passar por elas; quando elas se abrem, aparecem antros sombrios, como que cobertos de fuligem, que mergulham obliquamente num abismo provido de numerosas portas. Desses antros exalam vapores nauseabundos e fétidos, dos quais os bons espíritos fogem com aversão, enquanto os maus espíritos buscam-nos e aspiram-nos com prazer.
Todo aquele que, na Terra, sentiu prazer na maldade, depois da morte sentirá prazer aspirando o fedor que corresponde a esse mal. Pode-se comparar os maus espíritos aos pássaros e aos animais carnívoros, tais como corvo, o lobo e os porcos, que, ao perceberem algum fedor, correm em busca da matéria putrefata ou do excremento que o produziu. Eu ouvi um desses espíritos emitir gritos lancinantes, como se torturado interiormente, quando foi atingido por um sopro que emanava cio Céu, mas que depende permaneceu tranqüilo e feliz ao aspirar uma exalação que provinha do Inferno.
Também em cada homem existem duas portas: uma se abre para o Inferno e deixa entrar a maldade e a falsidade; a outra se abre para o Céu e deixa entrar o bem e a verdade. A porta do Inferno permanece aberta nos espíritos que são malignos e falsos. Estes recebem a luz do Céu através de minúsculas fendas, pois sem esse influxo não poderiam pensar, raciocinar e falar. A porta do Céu, por outro lado, permanece sempre aberta naqueles que só desejam o bem e a verdade.
Conseqüentemente, são dois os caminhos que conduzem à compreensão racional: o caminho superior ou interno, através do qual passam o bem e a verdade que emanam do Senhor; e o caminho inferior ou externo, através do qual passam o mal e a falsidade gerados no Inferno. A compreensão racional é o centro aonde ambos os caminhos vão dar.
Quanto mais luz celeste penetra no homem, maior é a sua compreensão. Na ausência dessa luz, o homem apenas aparenta ser racional, sem o ser verdadeiramente. Estas coisas estão sendo ditas para demonstrar qual é a correspondência do homem com o Céu e com o Inferno.
A compreensão racional, em seu período de formação, corresponde ao mundo dos espíritos. O que está acima desse nível de compreensão corresponde ao Céu, o que está abaixo corresponde ao Inferno. Aqueles que estão sendo preparados para o Céu olham nessa direção, continuamente, enquanto os demais olham para baixo, na direção do Inferno que lhes está destinado.
Quem olha para cima vê o Senhor, porque Ele é o centro para onde se voltam todas as coisas do Céu. Quem olha para baixo, vira as costas ao Senhor e olha o centro oposto, que atrai todas as coisas do Inferno.
Gostaria de esclarecer que, neste Capítulo e nos seguintes, sempre que eu empregar a palavra espírito, estarei me referindo aos habitantes do mundo dos espíritos, e não aos anjos, que são os habitantes do Céu.


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quinta-feira, 8 de maio de 2008

As Religiões no Rio, de João do Rio / Paulo Barreto

A
MANUEL JORGE DE OLIVEIRA ROCHA
meu amigo.
A religião? Um misterioso sentimento, misto de terror e de esperança, a simbolização
lúgubre ou alegre de um poder que não temos e almejamos ter, o desconhecido avassalador, o
equívoco, o medo, a perversidade.
O Rio, como todas as cidades nestes tempos de irreverência, tem em cada rua um templo e
em cada homem uma crença diversa.
Ao ler os grandes diários, imagina a gente que está num pais essencialmente católico, onde
alguns matemáticos são positivistas. Entretanto, a cidade pulula de religiões. Basta parar em
qualquer esquina, interrogar. A diversidade dos cultos espantar-vos-á. São swendeborgeanos,
pagãos literários, fisiólatras, defensores de dogmas exóticos, autores de reformas da Vida,
reveladores do Futuro, amantes do Diabo, bebedores de sangue, descendentes da rainha de
Sabá, judeus, cismáticos, espíritas, babalaôs de Lagos, mulheres que respeitam o oceano,
todos os cultos, todas as crenças, todas as forças do Susto. Quem através da calma do
semblante lhes adivinhará as tragédias da alma? Quem no seu andar tranqüilo de homens sem
paixões irá descobrir os reveladores de ritos novos, os mágicos, os nevrópatas, os delirantes, os
possuídos de Satanás, os mistagogos da Morte, do Mar e do Arco-Íris? Quem poderá perceber,
ao conversar com estas criaturas, a luta fratricida por causa da interpretação da Bíblia, a luta
que faz mil religiões à espera de Jesus, cuja reaparição está marcada para qualquer destes
dias, e à espera do Anti-Cristo, que talvez ande por aí? Quem imaginará cavalheiros distintos
em intimidade com as almas desencarnadas, quem desvendará a conversa com os anjos nas
chombergas fétidas?
Eles vão por aí, papas, profetas, crentes e reveladores, orgulhosos cada um do seu culto, o
único que é a Verdade. Falai-lhes boamente, sem a tenção de agredi-los, e eles se confessarão
- por que só uma coisa é impossível ao homem: enganar o seu semelhante, na fé.
Foi o que fiz na reportagem a que a Gazeta de Notícias emprestou uma tão larga
hospitalidade e um tão grande ruído; foi este o meu esforço: levantar um pouco o mistério das
crenças nesta cidade
Não é um trabalho completo. Longe disso. Cada uma dessas religiões daria farta messe
para um volume de revelações. Eu apenas entrevi a bondade, o mal e o bizarro dos cultos, mas
tão convencido e com tal desejo de ser exato que bem pode servir de epígrafe a este livro a
frase de Montaigne:
Cecy est un livre de bonne foy.
João do Rio

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domingo, 13 de abril de 2008

Doutrina de Vida Para a Nova Jerusalém, de Emanuel Swedenborg

1. Todo homem que tem religião sabe e reconhece que aquele que vive bem é salvo, e que aquele que vive mal é condenado. Com efeito, ele sabe e reconhece que aquele que vive bem pensa bem, não somente a respeito de Deus, mas também a respeito do próximo, porém não aquele que vive mal. A vida do homem é seu amor, e o que o homem ama, não somente ele o faz com prazer, como também nisso pensa com prazer. Se, portanto se diz que a vida da religião é fazer o bem, é porque fazer o bem faz um com pensar no bem; se essas duas coisas não fazem um no homem, não pertencem à sua vida. Mas essas proposições serão demonstradas no que se segue.
2. Que a religião pertença à vida, e que a vida da religião seja fazer o bem, todo homem que lê a Palavra o vê e, quando a lê, o reconhece. Na Palavra estão estas passagens: "Qualquer que violar um destes mais pequenos preceitos, e assim ensinar os homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumpre e ensina será chamado grande no reino dos céus".
"Eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus." (Mat. 5: 19, 20). "Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo; por isso, pelos seus frutos os conhecereis." (Mat. 7:19, 20).
"Nem todo o que Me diz: Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus." (Mat. 7:21).
"Muitos Me dirão naquele dia: Senhor! Senhor! não profetizamos por Teu Nome e em Teu Nome não fizemos muitas virtudes? Mas então lhes confessarei: Nunca vos conheci! apartai-vos de Mim, vós que obrais iniqüidade." (Mat. 7:22, 23).
"Todo aquele... que ouve as Minhas palavras, e as pratica, compará-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. Mas aquele que ouve as Minhas palavras, e não as pratica, será comparado ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia." (Mat. 7:24, 26).
"Jesus disse: O semeador saiu a semear... uma semente caiu sobre o caminho duro... outra, em pedregais; ... outra, entre espinhos; e outra, em boa terra. O que foi semeado em boa terra, esse é o que ouve e atende a Palavra, e esse, daí, dá fruto, e produz, um, cem, outro sessenta, e outro trinta. Quando Jesus disse estas palavras, clamou, dizendo: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!." (Mat. 13:3,9, 23).
"Virá... o Filho do homem na glória de Seu Pai... e então dará a cada um segundo seus feitos." (Mat. 16: 27).
"O reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que produz seus frutos." (Mat. 21:43).
"Quando... vier o Filho do homem em Sua glória... então Se assentará no trono de glória. E dirá às ovelhas à direita: Vinde, benditos... e possuí por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-Me de comer; tive sede, e destes-Me de beber; fui estrangeiro, e hospedastes-Me; estive nu, e vestistes-Me; estive doente, e visitastes-Me; na prisão estive, e viestes a Mim. Então os justos... responderão: Quando Te vimos assim?... Mas, respondendo, o Rei,... dirá: Amém vos digo que, quando o fizestes a um dos mais pequenos de Meus irmãos, a Mim o fizestes. E o Rei dirá coisas semelhantes aos bodes, que estiverem à esquerda; e como estes não fizeram tais coisas, dirá: Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." (Mat. 25: 31 a 46).
"Dai... frutos dignos de penitência. Já, já... está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo." (Luc. 3:8,9).
"Jesus disse: Porque... Me chamais Senhor! Senhor ! e não fazeis o que digo? Todo aquele que vem a Mim. e ouve as minhas palavras, e as pratica... é semelhante a um homem que edifica uma casa, e pôs os alicerces sobre a rocha;... mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre o humo, sem alicerces." (Luc. 6:46 a 49).
"Jesus disse: Minha mãe e Meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam." (Luc. 8:21).
"Então começareis a estar [de fora] e bater à porta, dizendo: Senhor, ... abre-nos; mas, respondendo, vos dirá: Não sei donde vós sois;... Apartai-vos de Mim, vós todos, obreiros de iniqüidade." (Luc. 13: 25 a 27.
"Este... é o juízo: Que a Luz veio ao mundo, mas os homens estimaram mais as trevas do que a luz, porque as obras deles eram más. Todo aquele que pratica o mal odeia a luz, para que suas obras não sejam argüidas; mas o que pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus." (João 3:19-21).
"E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição (da vida; porém os que fizeram o mal, para a ressurreição) do juízo." (João 5:29).
"...Sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém honra a Deus, e faz a Sua vontade, a esse ouve." (João 9:31).
"Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes." (João 13:17).
"Aquele que tem os... preceitos e os pratica, esse é o que Me ama;... e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele; e irei para ele, e nele farei morada. Quem não Me ama, não guarda as Minhas palavras." (João 14:15 a 24).
"Jesus disse: Eu sou a videira... e Meu Pai é o lavrador; todo ramo em Mim que não dá fruto, a tira; porém toda ramo que dá fruto, a limpará, para que dê mais fruto." (João 15:1,2).
"Nisto é glorificado Meu Pai, que deis muito fruto, e vos torneis Meus discípulos." (João 15:8).
"Vós sereis Meus amigos se fizerdes o que vos mando. ... Eu vos escolhi... para que deis fruto e o vosso fruto permaneça." (João 15: 14, 16).
O Senhor disse a João: "Escreve ao anjo da Igreja de Éfeso: Conheço as tuas obras;... tenho contra ti que deixaste a tua primeira caridade; ... faze penitência, e pratica as primeiras obras; senão... retirarei o teu candelabro do seu lugar." (Apoc. 2: 1, 2, 4, 5).
"Ao anjo da Igreja de Smirna escreve: ... Conheço as tuas obras." (Apoc. 2:8(,9)).
"Ao anjo da Igreja em Pérgamo escreve: Conheço as tuas obras; faze penitência." (Apoc. 2:12, 16).
"Ao anjo da Igreja em Tiatira escreve: Conheço as tuas obras; e caridade; ... e as tuas obras, as últimas mais numerosas do que as primeiras." (Apoc. 2:18, 19).
"Ao anjo da Igreja em Sardes escreve: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, mas estás morto;... não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus; faze penitência." (Apoc. 3:1, 2, 3).
"Ao anjo da Igreja que está em Filadélfia escreve:... Conheço as tuas obras." (Apoc. 3:7, 8).
"Ao anjo da Igreja de Laodicéia escreve: ... Conheço as tuas obras, faze penitência." (Apoc. 3:14, 15, 19).
"Ouvi uma voz do céu dizendo: Escreve: bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor! ...Diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos; as suas obras seguem com eles." (Apoc. 14:13).
"Um livro foi aberto, que é o da vida; e os mortos foram julgados conforme as coisas que estavam escritas no livro, todos segundo as suas obras." (Apoc. 20:12).
"Eis que presto venho, e a Minha recompensa comigo, para dar a cada um segundo a sua obra." (Apoc. 22:12,13).
Semelhantemente, no Antigo Testamento: "Retribui-lhes conforme as obras deles, e conforme os feitos das mãos deles." (Jer. 25:14).
JEHOVAH, "cujos olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos homens, para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo os frutos de suas obras." (Jer. 32:19).
"Visitarei segundo os seus caminhos, e as suas obras lhes recompensarei." (Oséias, 4:9).
"JEHOVAH... conforme os nossos caminhos, conforme as nossas obras nos tratou." (Zac. 1:6).
Em muitas passagens se prescreve executar os estatutos, os mandamentos e as leis, assim: "Observareis os Meus estatutos e os Meus juízos, os quais, se o homem fizer, por eles viverá." (Levít. 18:5).
"Observareis todos os Meus estatutos e todos os Meus juízos, para os fazer." (Levít. 19:37; 20:8; 22:31).
"Bênçãos, se praticarem os preceitos, e maldições, se os não praticarem." (Levít. 26:4-46).
Foi mandado aos filhos de Israel que fizessem para si uma franja nas bordas dos seus vestidos, para que se recordassem de todos os preceitos de JEHOVAH, para que os praticassem (Núm. 15:38,39).
E em mil outras passagens. Que sejam as obras que fazem o homem da Igreja, e que segundo elas ele é salvo, o Senhor o ensina também nas parábolas, algumas das quais envolvem que aqueles que fazem os bens são aceitos, e que os que fazem os males são rejeitados. Como na parábola dos lavradores da vinha (Mat. 21:33-44); da figueira que não deu fruto (Luc. 13:6-9); dos talentos e das minas com que se devia negociar (Mat. 25:19-31); do samaritano que ligou as chagas do homem ferido pelos ladrões (Luc. 10:30-37); do rico e Lázaro (Luc. 16:19-31); das dez virgens (Mat. 25:1-12).

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quinta-feira, 6 de março de 2008

O Céu E As Suas Maravilhas - E O Inferno Segundo O Que Foi Ouvido E Visto Por Emanuel Swedenborg

Prefácio
1. O Senhor, falando, na presença de Seus discípulos, sobre a consumação do século, que é o último tempo da Igreja, diz, no fim das predições que se referem aos estados sucessivos dela quanto ao amor e à fé: "Logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências do céu serão abaladas. Então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu, e todas as tribos da terra chorarão e verão o Filho do homem, que virá sobre as nuvens do céu com poder e grande glória. E enviará os Seus anjos com trombetas e grande voz, e ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus" (Mateus 24:29 a 31). Aqueles que entendem essas palavras segundo o sentido da letra crêem simplesmente que todas essas coisas devem ocorrer como estão descritas naquele sentido, no último tempo que é chamado Juízo Final, isto é, que não apenas o sol e a lua escurecerão e as estrelas cairão do céu, mas que o sinal do Senhor aparecerá no céu e Ele Próprio será visto nas nuvens, acompanhado de anjos com trombetas. Ainda, de acordo com aquelas previsões, todo o universo visível haverá de perecer e, depois disso, haverá de surgir um novo céu e uma nova terra. Desta opinião é a maioria das pessoas da atual Igreja (Primeira Igreja Cristã). Mas os que têm essa crença não conhecem os arcanos que se escondem em cada uma das particularidades da Palavra. Com efeito, nas particularidades da Palavra está o sentido interno, no qual são compreendidas não as coisas naturais e do mundo, que são tratadas no sentido da letra, mas as coisas espirituais e celestes. Isto se dá não só com a significação geral de muitas expressões, mas também com cada uma dessas expressões. Pois a Palavra é escrita inteiramente por correspondências, para que em cada uma de suas particularidades esteja o sentido interno. Qual vem a ser esse sentido é o que se pode depreender de tudo o que, sobre o assunto, é dito e mostrado no livro ARCANOS CELESTES e, ainda, nas citações que, ali, aparecem reunidas na explicação contida no opúsculo SOBRE O CAVALO BRANCO, de que se fala no Apocalipse. É segundo esse sentido que terão de ser entendidas as coisas de que fala o Senhor, nas palavras acima citadas, sobre Sua vinda nas nuvens do céu. Assim, pelo "sol" que deve ficar escurecido é significado o Senhor quanto ao amor. Pela "lua" é significado o Senhor quanto à fé. "As estrelas" significam os conhecimentos do bem e da verdade ou do amor e da fé. "O sinal do Filho do homem no céu" significa a manifestação da verdade Divina. Pelas "tribos da terra que chorarão" é significado tudo o que pertence à verdade e ao bem, ou à fé e ao amor. "A vinda do Senhor nas nuvens do céu com poder e grande glória" significa Sua presença na Palavra e a revelação. Por "glória" é significado o sentido interno da Palavra. "Os anjos com trombeta e grande voz" significam o céu, que é a fonte da Divina verdade. Por causa da significação dessas palavras do Senhor, deve-se entender que, no fim daquela Igreja, quando não mais houver o amor e a fé, o Senhor abrirá o sentido interno da Palavra e revelará os arcanos do céu. Os arcanos revelados no que se segue referem-se ao céu e ao inferno e também à vida do homem depois da morte. O homem da Igreja atual dificilmente conhece alguma coisa sobre o céu e o inferno ou sobre a sua vida depois da morte e, entretanto, essas coisas são mencionadas na Palavra. E há ainda mais: muitos dos que nasceram nas comunidades da Igreja as negam, dizendo em seus corações "Quem veio de lá e nos contou"? Assim, para que tal espírito negativo, que, especialmente, impera entre os que sabem muitas coisas mundanas, não infecte e corrompa os simples de coração e de fé, foi-me dado estar com os anjos e conversar com eles como um homem conversa com outro homem, e também ver o que está nos céus e o que está nos infernos, e isso durante treze anos. E foi-me dado descrever, agora, o que vi e ouvi, esperando desse modo esclarecer a ignorância e dissipar a incredulidade. Se hoje é concedida uma tal revelação imediata é porque ela é o que é entendido pelo Advento do Senhor.

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sábado, 17 de novembro de 2007

LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - Ravi Ravindra - Sussurros da Outra Margem


Título: SUSSURROS DA OUTRA MARGEM
Autor: Ravi Ravindra
Gênero: Teologia
Editora: Ed. Teosófica

O presente livro é uma longa meditação sobre e em torno de um tema - o mistério de nossa própria existência. É a tentativa do autor de confrontar as duas maiores tradições religiosas com a pergunta desafiadora: "Quem sou eu?" e - "A salvação me virá do alto ou do interior?" "Está claro", escreve Ravi Ravindra, "que necessitamos de ajuda para escutar e perseguir nossas próprias perguntas". Depois de assinalar as múltiplas diferenças que podem ser notadas entre as tradições Judaico-cristã e Indiana, além de uns poucos elementos comuns, o autor decide que algo mais do que o dogma religioso formal é necessário se desejamos responder ao chamado - ou seja, identificar "este que sussurra da outra margem". Algo mais é necessário à medida que continuamos nossa peregrinação do solitário ao solitário de forma que possamos chegar a conhecer"esta pessoa divina que está além do além". Ilustrado com parábolas, pequenas histórias e ricas metáforas, este livro estimulante oferece muitas percepções novas para a busca do sentido da vida.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Manual de Teologia, de Alexandre Z. Bacich

HISTÓRIA DA RELIGIÃO
INTRODUÇÃO
Todas as grandes religiões do mundo se originaram na Ásia e três
delas , Judaísmo, Cristianismo e Islamismo , em uma área relativamente
pequena da Ásia Ocidental. Igualmente notável é a
concentração de grandes líderes espirituais em diferentes partes
do mundo no século 6 a.C, ou em um período próximo.
Foi a época de Confúcio e talvez de Lao-Tsé, na China; de
Zoroastro , na Pérsia ; de Gautama, o Buda , na Índia ; do maior
dos profetas hebreus, chamado o segundo Isaías ( Isaías 40 -
55) ; e de Pitágoras , na Grécia.
É possível que o aparecimento de civilizações que se diziam universais
desse origem a religiões universais ; ou então as novas
religiões eram uma reação às tensões nas sociedades existentes
e à necessidade de uma saída espiritual e uma fé que
transcedesse um politeísmo supersticioso. De qualquer forma, o
movimento em direção a única realidade espiritual coincidiu com
a procura dos pensadores gregos de um princípio único que explicasse
o mundo material.
Entre as principais religiões monoteistas ( que acreditam em só
Deus) do mundo estão o Judaismo , o Cristianismo ( que se divide
em três ramos - Catolicismo , protestantismo e Igreja Ortodoxa
) e o islamismo . Das religiões politeístas orientais (que
cultuam vários deuses), destacam-se o hinduismo , o budismo ,
o confucionismo , o xintoísmo e o Taoísmo . O xamanismo está
presente na Ásia , na Oceania e na América do Norte. No Brasil
são importantes ainda a Umbanda e o Candomblé , cultos de origem
africana e o espiritismo, em especial a corrente Kardecista.
DEFINIÇÃO DE RELIGIÃO - Crença na existência de um ou vários
seres superiores que criam e controlam o cosmo e a vida humana
e que, por isso, devem ser comum o reconhecimento do sagrado
e da dependência do homem para com poderes sobrenaturais. A
prática religiosa tem por objetivo prestar tributos e estabelecer
forma s de submissão a esses poderes. A adesão a uma religião
implica a freqüência a seus ritos e a observância de suas prescri
ções.
JUDAÍSMO
Primeira Religião monoteísta da humanidade . Cronologicamente é
a primeira das três religiões originárias de Abrãao ( As outras são
cristianismo e o Islamismo ). Tem origem no pacto que teria sido
firmado entre Deus e os hebreus , fazendo destes o povo escolhido.
Possui forte característica étnica , na qual nação e religião
se mesclam. Existem atualmente cerca de 135 milhões em Israel
. No Brasil segundo o IBGE, havia cerca de 86 mil em 1991. Os
Judeus eram um povo pouco numeroso que , segundo a tradição
; mudou da Mesopotâmia para a Palestina. Sua História documentada
começou com a fuga à opressão no Egito, seguindo o
líder Moisés . Eles atribuíram tal fuga a um ser divino chamado
Jeová ou o Senhor , com quem fizeram aliança de que seriam o
seu povo e ele seria o seu Deus, aliança associada às exigências
simples mas profundamente morais do Dez Mandamentos , os
fundamentos da Tora ou Lei. A princípio , tratava-se de um povo
único , marcado por leis sobre alimentação , circuncisão e outros
costumes religiosos. O fato de ser Jeová um deus que os adotara
do exterior carregava as sementes do universalismo e uma série
de profetas mantiveram o desafio da probidade ética e religiosa.
Os Judeus sofreram continuamente a dominação política e militar
de outros povos e a conseqüente diáspora. Levou-os a grande
parte do Mediterrâneo e também para leste. Mais tarde, como
resultado da perseguição aos cristãos, os judeus migraram para
locais ainda mais distantes.
Livros Sagrados - O texto da Bíblia Judaica é fixado no final do
século I. Divide-se em três livros: Torá , a escritura sagrada , os
Profetas ( Neviim) e os Escritos ( Ketuvim). A Torá , ou
Pentateuco , reúne o Gênese , o Êxodo , o Levítico , os Números
e o Deuteronômio . Ela e Os Profetas são escritos antes do exílio
na Babilônia , os textos de Os Escritos, depois. No início da Era
Cristã, as tradições orais são registradas no Talmude, dividindo
em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.
Manuscritos do Mar morto - Entre 1947 e 1956 são descobertos
nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, os mais antigos fragmentos
da Bíblia Hebraica , escondido pela tribo judaica dos
essênios no século I. Nos 800 pergaminhos escritos entre 250
a.C e 100 d.C , aparecem comentários teológicos e descrições
da vida religiosa dos essênios , revelando aspectos até então
considerados exclusivos do cristianismo. Alguns textos são muito
semelhantes aos Evangelhos do Novo Testamento e se referem a
práticas que lembram a Santa Ceia, o Sermão da Montanha e a
Cerimônia do batismo. São considerados um dos principais achados
arqueológico da história.
Práticas e Festas Religiosas - Os rabinos são pessoas habilitadas
a comentar textos sagrados e a presidir cerimônias religiosas que
acontecem nas sinagogas. O símbolo do judaísmo é o Menorá,
candelabro sagrado com sete braços. As Festas religiosas são
definidas pelo calendário lunar e, por isso, têm datas móveis. As
Principais são: Purim - Comemora-se a salvação de um massacre
planejado pelo rei Persa Assucro. A Páscoa (Pessach) celebra a
libertação da escravidão egípcia, em 1300 a. C. Shavuót -
Homengageia a revelação da Torá ao povo de Israel, em aproximadamente
1300 a. C. Rosh Hashaná - é o Ano-Novo dos Judeus.
O ano judaico é contado de Setembro de 1998 - é o 5758
(graus) da criação do Mundo. A partir de Rosh Hashaná come-
çam os dias temerosos, em que se faz um balanço do ano terminado.
Eles culminam no Vom Kipur , dia do perdão , quando os
judeus fazem um Jejum de 25 horas para purificar o espírito.
Sucót - Rememora a peregrinação pelo deserto, após a saída do
Egito. Chanucá de Jerusalém , no século V. ªc. O Simchat Torá -
comemora a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.
CRISTIANISMO
Última grande religião mundial antes, do islamismo, originou-se na
Palestina. Pouco se sabe sobre seu fundador , Jesus de Nazaré ,
antes de , aos 30 anos , começar a pregar que “o reino de Deus
está próximo”, mensagem aguardada então por muitos judeus .
Seu país, anexado formalmente por Roma em 6 d. C., estava em
conflito e possuía muitas seitas , algumas basicamente espirituais
( como os essênios) , outras políticas (como os depois chamados
zelotes), a prometida chegada do Messias , ou salvador,
para libertá-los. A princípio , as multidões seguiram Jesus, vendo
nele esse Messias . Mas as autoridades judaicas perceberam que
sua autoridade estava ameaçada pela mensagem de Jesus que,
após pregar por três anos, foi entregue ao procurador romano e
crucificado como revolucionário . A nova fé mostrou-se tenaz ,
apesar da morte prematura de sue fundador. Os disçipulos de Jesus,
e mesmo o líder , Simão Pedro (a Pedra) , haviam abandonado
Jesus, mas sua fé foi restituída pela Ressurreição : Jesus
teria aparecido perante eles após a morte para que anunciassem
as boas novas sobre o poder supremo de Deus. Esta revelação
foi , a princípio , apresentada em um contexto puramente judaico.
Não se sabe se Jesus acreditava que Deus o havia enviado
para converter os gentios. Coube a Paulo, um judeu convertido
de Tarso , mostrar o poder da extensão do apelo do cristianismo
ao pregar nas Ilhas do Egeu , na Ásia Menor, Grécia , Itália e talvez
Espanha. As comunidades judaicas existiam todas as áreas e
eram alvo dos pregadores cristãos. Os ensinamentos de Jesus
despertavam o interesse dos pobres e humildes , que encontravam
no reino de Deus uma mensagem de esperança. O número
de convertidos cresceu, introduzindo-se rapidamente nas classes
instruídas e de forma mais significativa nas massas urbanas do
que no campo, que há tempos mantinha crenças pagãs. A
Antioquia - “o berço do cristianismo gentio” - influenciou o norte
e o leste do Império. Em algum momento antes de 200, Edessa
tornou-se um baluarte cristão e igrejas do século 1 eram fundadas
no Ocidente em Pozzuoli, Roma e talvez Espanha; no século
2 , as províncias orientais do Império tinham muitas igrejas que
se espalharam no vale do Reno e norte da África. Apesar da repress
ão e perseguição conversões prosseguiram. A recusa dos
Cristãos em cultuar os imperadores , servir de magistrados ou
carregar armas tornavam os suspeitos. Mas suas crenças não
atraíam apenas os oprimidos : por volta de230 , a Igreja tinha
adeptos no palácio e altos postos do Exército. A reação pagã
causou mais perseguições em 151 e em 303. Aos poucos , os
que acreditavam na Segunda vinda de Cristo perceberam que
não se tratava de algo iminente e , no fim do século 3 e início do
século 4 , a dispersão das igrejas exigia estruturas que mantivessem
a disciplina e protegessem a pureza doutrinária . A autoridade
residia na Bíblia e na tradição da adoração e dos sacramentos
salvaguardados pelos bispos (supervisores) ,responsáveis
pelo clero.
A doutrina baseia-se no anúncio da ressurreição de Cristo, na
promessa de salvação e vida eterna para todos os homens e na
mensagem de fraternidade.
Bíblia Cristã - Ë composta do Antigo e do Novo Testamento num
total de 73 livros, para os Católicos, e 66 , para os protestantes.
O Antigo Testamento trata da lei judaica , também chamada de
Torá. O Novo Testamento contém textos posteriores à morte de
Cristo , entre eles , os quatro Evangelhos , a principal fonte sobre
a vida de Jesus. Os outros textos são os Atos dos Apóstolos,
as Epístolas e o Apocalipse.
Festas Religiosas - As principais festas Cristãs são o Natal , em
25 de Dezembro, que comemora o nascimento de Cristo ; a Páscoa,
no Domingo da primeira lua cheia de outono ( Hemisfério
sul) , que celebra a ressurreição de Cristo ; e Pentecostes, 50
dias após a Páscoa, quando é recordada a descida do Espírito
Santo. No Domingo seguinte ao de Pentecostes, os Cristãos homenageiam
a Santíssima trindade ( Pai, Filho e Espírito Santo).O
dia dos Reis, 6 de Janeiro lembra a visita dos três reis Magos (
Gaspar , Melchior e Baltasar) ao menino Jesus, em Belém.
Catolicismo- Um dos ramos da religião Cristã. Reconhece o papa
como autoridade máxima e venera a Virgem Maria e os Santos. O
termo Católico vem do grego Katholikos , universal. A adoção
desse nome vem da idéia de uma igreja que pode ser aceita e
levar a salvação a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo.
A missa é o principal ato litúrgico e por meio da aceitação ods
sacramentos o católico reafirma sua fé. A história do Catolicismo
está associada à expansão do Império Romano e ao surgimento
de novos reinos em que este se divide. Sua difusão se vincula ao
desenvolvimento da civilização ocidental e ao processo de coloniza
ção e aculturação de outros povos. Hoje o Catolicismo possui
1 bilhão de Adeptos .
Igreja Católica - A sede da Igreja Católica fica no Vaticano, um
pequeno Estado independente no centro de Roma , Itália.
Liturgia Católica - As missas são rezadas em latim até a década
de 60 quando o Concílio Vaticano II autoriza o uso da língua . Os
sacramentos rituais são batismo, eucaristia, crisma ( ou confirma
ção da fé) , penitência ( ou confissão) ,matrimônio , ordena-
ção e unção dos enfermos. O casamento de sacerdotes é proibido
desde a Idade Média, salvo em algumas igrejas orientais unidas
a Roma ( por exemplo , a Maronita). As mulheres não são
admitidas no sacerdócio ordenado.
Igreja Ortodoxa - Igreja que resulta do cisma ocorrido no catolicismo
em 1054 , quando o Império Bizantino rejeita a supremacia
de Roma, patriarcado do Ocidente. Até então , duas grandes
tradições convivem no interior do cristianismo ; a latina , no Imp
ério Romano do Ocidente, com sede em Roma , e a bizantina ,
no Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla (antiga
Bizâncio e atual Istambul , Turquia). Divergências Teológicas
e políticas causam a ruptura entre as duas Igrejas, que se excomungam
mutuamente, condenação só revogada em 1965 pelo
papa Paulo VI e pelo patriarca Athenágoras I. A Igreja Ortodoxa
ou Igreja Cismática Grega é menos rígidas nas formulações
dogmáticas e na hierarquia e também valoriza a liturgia. O Cristianismo
Ortodoxo ( reta, opinião em grego) tem originalmente
quatro sedes ( patriarcados). Jerusalém , Alexandria, Antióquia e
Constantinopla. Mais tarde são incorporados os patriarcados de
Moscou, de Bucareste e da Bulgária, além das igrejas autônomas
nacionais da Grécia, da Sérvia, da Geórgia, de Chipre e da América
do Norte. Todas as Igrejas Ortodoxas têm diferenças políticas
e religiosas. Possuem , no total , cerca de 174 milhões de fiéis
em todo o mundo.
Liturgia do Cristianismo Ortodoxo- Os rituais são cantados sem
instrumentos musicais .São proibidas imagens esculpidas de santos
,exceto o crucifixo e os ícones sagrados . Os sacramentos
são os mesmos da Igreja Católica e reconhecidos
reciprocamente.Os ortodoxos não admitem o purgatório nem a
superioridade e a infabilidade do papa. Também rejeitam a doutrina
católica da Imaculada Conceição, porque, segundo eles, esse
dogma não faz parte da narrativa Bíblica e é contrário à doutrina
tradicional do pecado original. A assunção daVirgem Maria , por
ém é aceita , com base na afirmação formal dos livros litúrgicos.
Os graus de ordem na Igreja Ortodoxa são três : Diácono, padre
e Bispo. Os padres e diáconos recebem Títulos honoríficos
(arquimandrita, ecônomo, arquidiácono), que não conferem primazia
espiritual ou administrativa. Os padres podem casar-se
(antes da ordenação) , mas não os monges.
ISLAMINISMO
Religião Monoteísta baseada nos ensinamentos de Maomé ( chamado
O Profeta), contidos no livro sagrado islâmico , o Alcorão .
A palavra Islã significa submeter-se e exprime a submissão à lei e
à vontade de Alá ( Allah, Deus em Árabe). Seus seguidores são
chamados muçulmanos . Muslim , em Arábe , aquele que se submete
a Deus. Fundada onde hoje é a Arábia Saudita , estima-se
que reuna mais de 1 bilhão de fiéis ( 18 % da população mundial,
em especial no norte da África, no Oriente Médio e na Ásia). É a
Segunda maior religião do mundo , atrás apenas do cristianismo.
No Brasil, segundo estimativa da Mesquita Islâmica de São Paulo
há cerca de 1 milhão de muçulmanos Maomé - O nome Maomé (
570 -632) é uma alteração hispânica de Muhammad, que significa
digno de louvor. O Profeta nasce em Meca , numa família de
mercadores , começa sua pregação aos 40 anos, quando, segundo
a tradição, tem uma visão do arcanjo Gabriel , que lhe revela
a existência de um Deus único. Na época, as religiões da
península Arábica são o cristianismo bizantino , o judaismo e uma
forma de politeísmo que venera vários deuses tribais. Maomé
passa a pregar sua mensagem monoteísta e encontra grande
oposição. Perseguido em Meca , é obrigado a emigrar para
Medina, em 622. Esse fato, chamado Hégira, é o marco inicial do
calendário muçulmano. Em Medina , ele é reconhecido como profeta
e legislador , assume a autoridade espiritual e temporal ,
vence a oposição judaica e estabelece a paz entre as tribos árabes.
Quase dez anos depois, Maomé e seu exército ocupam
Meca, sede da Caaba , centro da peregrinação dos muçulmanos.
Maomé morre em 632 como líder de uma religião em expansão e
de um Estado Árabe em via de se organizar politicamente.
Livros Sagrados- O alcorão ( do árabe Al-qur’ãn, leitura) é a
coletânea das diversas revelações divinas recebidas por Maomé
de 610 a 632. É dividido em 114 suras (capítulos) , ordenadas
por tamanho. Seus principais ensinamentos são a Onipotência de
Deus e a necessidade de bondade, generosidade e justiça nas
relações entre as pessoas. Neles estão incorporados elementos
fundamentais do judaismo e do cristianismo ,além de antigas tradi
ções religiosas árabes. A Segunda fonte de doutrina do Islã a
Suna , é um conjunto de preceitos baseados nos Ahadith ( ditos
e feitos do profeta) .
Preceitos Religiosos - A vida Religiosa do Muçulmano tem práticas
bastante rigorosas. Ele deve cumprir os chamados pilares da
religião. O primeiro é a Shadada ou Profissão de fé: Não há deus
e sim Deus. Maomé é o profeta de Deus. Ela deve ser recitada
pelo menos uma vez na vida , em voz alta, com pleno entendimento
de seu significado. O segundo pilar são as cinco orações
diárias comunitárias ( Slãts), durante as quais o fiel deve ficar
ajoelhado e curvado em direção a Meca. Às sextas-feiras realiza-
se um sermão a partir de um verso do Alcorão, de conteúdo
moral, social ou político. O terceiro pilar é uma taxa chamada
Zakat. Único tributo permanente ditado pelo Alcorão, é pago
anualmente em grãos, gado ou dinheiro. Deve ser empregado
para auxiliar os pobres, mas também para o pagamento de resgate
de muçulmanos presos em guerras. O quarto pilar consiste
no jejum completo feito durante todo o mês do Ramadã do amanhecer
ao por do sol. Nesse período, em que se celebra a revela-
ção do Alcorão a Maomé , o fiel não pode , comer, beber, fumar
ou manter relações sexuais. O quinto pilar é o hajj ou a peregrina
ção a Meca, que precisa ser feita pelo menos uma vez na vida
por todo muçulmano com condições físicas e econ6omicas para
tal.
Festas Religiosas - As principais são Eid el Fitr, Eid el Adha , ano
de Hégira e a comemoração do nascimento de Maomé. Elas
acontecem nessa ordem ao longo do ano e são definidas segundo
o calendário lunar, por isso têm datas móveis . Na Eid el Fitr é
comemorado o fim do Ramadã , com orações coletivas. Eid el
Adha rememora o dia em que Abraão aceita a ordem divina de
sacrificar um carneiro em lugar de seu filho, Ismael. Na época de
Eid el Adha também acontece a peregrinação do mês Muharram.
O ano atual ( 1997/1998) é o 1418 (graus) da Hégira. O marco
inicial é o ano de 622 , quando Maomé deixa Meca.
Divisões do Islamismo- Os muçulmanos se dividem em dois grandes
grupos, os sunitas e os xiitas. A rivalidade com os sunitas é
exacerbada com a revolução iraniana por Ruhollah Khomeini.
Ruhollah Khomeini- Líder espiritual e político iraniano ( 1902-
1989) . Nasce em Bandar , Khomeini e começa a estudar teologia
aos 16 anos. Leciona na faculdade de Qom , onde recebe o título
de Aiatolá (sacerdote; do árabe sinal de Deus). Em 1941 publica
A Revelação dos segredos, acusando o governo do Xá Rez
Pahlevi de desvirtuar o caráter islâmico do país. É preso em 1963
por incentivar manifestações contra a Revolução Branca. Em
1964 exila-se na Turquia e mais tarde no Iraque e na França, de
onde comanda o movimento xiita que derruba a Monarquia Iraniana
em 1979 . No mesmo ano retorna ao Irã e proclama a Repú-
blica Islâmica , rigorosa na manutenção e na obediência dos
princípios muçulmanos. Torna-se a autoridade suprema do país .
Persegue intelectuais, comunidades religiosas rivais, partidos pol
íticos e todos os que se opõem à união entre Estado e religião.
De 1980 a 1988 chefia a guerra contra o Iraque, cujo saldo é de
aproximadamente 700 mil mortos. Morre em Teerã, um ano depois
de terminado o conflito.

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