A primeira vez que ouvi uma canção do Arnaldo Antunes para o público infantil foi em 1997, quando estava grávido do Pedro. Naqueles dias sua música DORME (do CD Canções de Ninar, da Palavra Cantada) embalava o sonho da gente por um mundo melhor para as novas gerações. Aquele disco surgiu para mim como um oásis no deserto musical da música para crianças no Brasil. 12 anos depois, pouca coisa mudou. A Palavra Cantada continua lançando seus discos maravilhosos, a Adriana Calcanhotto fez o espetacular Partimpim (e gravou SAIBA, de Arnaldo), o Hélio Ziskind continua arrebentando e...
Bem, a boa nova acabei de pescar no twitter da Revista Crescer. A jornalista Cristiane Rogério, que tem feito uma cobertura excelente sobre o universo cultural da criança, postou uma video reportagem sobre o novo disco do ex-titã, ao lado dos parceiros igualmente geniais Edgar Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto. Acima, reproduzo o vídeo gravado por Cristiane e postado originalmente no SITE DA REVISTA CRESCER. Ela também escreveu um texto sobre o novo disco, que se chamará PEQUENO CIDADÃO. Você o encontra AQUI.
Por enquanto, ficamos na vontade. Quando o CD chegar por aqui, a gente conta mais. That's all, folks.
P.S. Não posso deixar de falar do excelente CD SONHO DE CRIANÇA, de Hélio Contreiras - uma produção independente, esgotada, rica em letra e música, que reuniu um time de excelentes músicos de Brasília. Sorte de quem tem.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Literatura de Cordel em Bologna
Chapbook, Littèrature Du Colportage, Lubok, são termos usados em diversos países para o fenômeno conhecido no Brasil como Literatura de Cordel. Com raízes na Península Ibérica medieval, o Cordel desembarcou no Brasil no início da colonização, trazendo para os trópicos um tipo de literatura repleta de reis, cavaleiros, amores impossíveis e animais fantásticos.
Durante séculos, foi na tradição oral, em versos, que estas histórias foram disseminadas, principalmente até o final do século 19, época em que passaram a ser impressos em encadernações baratas e vendidas aos milhares em feiras populares.
Na segunda metade do Século 20 o Cordel ganhou o respeito das Academias de Letras. Vários livros de importância cultural e histórica foram publicados em Cordel. Atualmente, esta literatura popular em versos está conquistando as escolas e os jovens leitores. A prova disso está nos livros infantis em Cordel publicados recentemente, cujo estilo novo não se distancia das suas origens.
Este é o texto central da página do Catálogo da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) distribuído nos estandes da Feira do Livro para Crianças de Bolonha (Itália), acontecida na semana passada. Apresentada por Jô Oliveira, ilustrador talentoso, meu Mestre nas aulas no Instituto de Artes na UnB (Universidade de Brasília), nossa Literatura de Cordel foi representada por 11 livros (dois deles resenhados aqui). Esta feira é reconhecida como o principal evento de negócios em torno do livro infantil. Não é uma feira como costumamos ver por aqui, com pais passeando com seus filhos pelos corredores, comprando livros. É, sim, um grande negócio entre editoras, agentes literários, autores e ilustradores. É lá, principalmente, que o Brasil vende seus livros para o exterior e vice-versa. Esperamos que a Literatura de Cordel faça o caminho de volta e conquiste o mercado internacional. A FNLIJ faz um trabalho importante de divulgação dos livros brasileiros lá fora. Todo ano se faz presente com seu catálogo na Feira de Bolonha. A página do catálogo, reproduzida acima (clique sobre a imagem para vê-la em tamanho maior), põe a Literatura de Cordel em DESTAQUE (Highlights) e encerra suas informações com uma breve biografia de Jô Oliveira (artista ímpar quando o assunto é ilustração dos folhetos de origem medieval.
Jô Oliveira – Estudou Artes Gráficas no Rio de Janeiro e em Budapeste. Alguns de seus trabalhos foram publicados na Itália e em outros países. Ilustrou vários livros para diversas editoras brasileiras e seus desenhos estampam vários selos da ECT, empresa postal brasileira. Dois deles foram premiados como O MELHOR DO MUNDO, Prêmio Asiago, Itália.
Por falar em selos, dia desses, recebi uma carta cujo envelope veio com um selo novo do Jô Oliveira representando o BOI, personagem principal do Calendário Lunar Chinês em 2009. Lindo, lindo, lindo. Mas, acima, reproduzo o conjunto de selos que encontrei por acaso numa banca de revista em Copacabana, em 2007. Apreciem sem moderação. A arte de Jô é popular. E é também requintada. O Brasil está bem representado. Hatuna matata.
P.S. O texto em laranja sofreu - literalmente - uma livre tradução através do meu inglês macarrônico, mas acho que dá para o gasto.
Durante séculos, foi na tradição oral, em versos, que estas histórias foram disseminadas, principalmente até o final do século 19, época em que passaram a ser impressos em encadernações baratas e vendidas aos milhares em feiras populares.
Na segunda metade do Século 20 o Cordel ganhou o respeito das Academias de Letras. Vários livros de importância cultural e histórica foram publicados em Cordel. Atualmente, esta literatura popular em versos está conquistando as escolas e os jovens leitores. A prova disso está nos livros infantis em Cordel publicados recentemente, cujo estilo novo não se distancia das suas origens.
Este é o texto central da página do Catálogo da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) distribuído nos estandes da Feira do Livro para Crianças de Bolonha (Itália), acontecida na semana passada. Apresentada por Jô Oliveira, ilustrador talentoso, meu Mestre nas aulas no Instituto de Artes na UnB (Universidade de Brasília), nossa Literatura de Cordel foi representada por 11 livros (dois deles resenhados aqui). Esta feira é reconhecida como o principal evento de negócios em torno do livro infantil. Não é uma feira como costumamos ver por aqui, com pais passeando com seus filhos pelos corredores, comprando livros. É, sim, um grande negócio entre editoras, agentes literários, autores e ilustradores. É lá, principalmente, que o Brasil vende seus livros para o exterior e vice-versa. Esperamos que a Literatura de Cordel faça o caminho de volta e conquiste o mercado internacional. A FNLIJ faz um trabalho importante de divulgação dos livros brasileiros lá fora. Todo ano se faz presente com seu catálogo na Feira de Bolonha. A página do catálogo, reproduzida acima (clique sobre a imagem para vê-la em tamanho maior), põe a Literatura de Cordel em DESTAQUE (Highlights) e encerra suas informações com uma breve biografia de Jô Oliveira (artista ímpar quando o assunto é ilustração dos folhetos de origem medieval.
Jô Oliveira – Estudou Artes Gráficas no Rio de Janeiro e em Budapeste. Alguns de seus trabalhos foram publicados na Itália e em outros países. Ilustrou vários livros para diversas editoras brasileiras e seus desenhos estampam vários selos da ECT, empresa postal brasileira. Dois deles foram premiados como O MELHOR DO MUNDO, Prêmio Asiago, Itália.Por falar em selos, dia desses, recebi uma carta cujo envelope veio com um selo novo do Jô Oliveira representando o BOI, personagem principal do Calendário Lunar Chinês em 2009. Lindo, lindo, lindo. Mas, acima, reproduzo o conjunto de selos que encontrei por acaso numa banca de revista em Copacabana, em 2007. Apreciem sem moderação. A arte de Jô é popular. E é também requintada. O Brasil está bem representado. Hatuna matata.
P.S. O texto em laranja sofreu - literalmente - uma livre tradução através do meu inglês macarrônico, mas acho que dá para o gasto.
O Livro de Urântia
TRECHO:
O PAI UNIVERSAL
O Pai Universal é o Deus de toda a criação, a Primeira Fonte e Centro de todas as coisas e todos
os seres. Pensai em Deus primeiro como um criador, depois como um controlador e finalmente
como um sustentador infinito. A verdade sobre o Pai Universal teve o seu alvorecer, para a
humanidade, quando o profeta disse: “Apenas Vós sois Deus, não há ninguém além de Vós.
Criastes os céus e os céus dos céus com todas as suas hostes; e Vós os preservais e os controlais.
Pelos Filhos de Deus, os universos foram feitos. O Criador cobre-Se da luz como se fosse uma
veste e estende os céus como uma cortina”. Somente o conceito do Pai Universal – um Deus
único, no lugar de muitos deuses – capacitou o homem mortal a compreender o Pai como um
criador divino e um controlador infinito.
As miríades de sistemas planetários foram todas feitas para serem afinal habitadas por muitos
tipos diferentes de criaturas inteligentes, seres que poderiam conhecer a Deus, receber a afeição
divina e amá-Lo em retribuição. O universo dos universos é obra de Deus e morada das Suas
diversas criaturas. “Deus criou os céus e formou a Terra; e não foi em vão que Ele estabeleceu o
universo e criou este mundo; Ele o formou, para que fosse habitado”.
Todos os mundos esclarecidos reconhecem e adoram o Pai Universal, o elaborador eterno e o
sustentador infinito de toda a criação. As criaturas de vontade, de universo em universo,
embarcaram nessa jornada imensamente longa até o Paraíso, a luta fascinante da aventura eterna
de alcançar Deus, o Pai. A meta transcendente dos filhos do tempo é ir ao encontro do Deus
eterno, é compreender a Sua natureza divina e reconhecer o Pai Universal. As criaturas sabedoras
de Deus têm apenas uma ambição suprema, um só desejo ardente, que é o de tornar-se, nas suas
próprias esferas, perfeitos como Ele é, na Sua perfeição de personalidade no Paraíso e na Sua
esfera universal de supremacia na retidão. Do Pai Universal que habita a eternidade, emanou o
supremo mandato: “Sede perfeitos, assim como Eu sou perfeito”. Em amor e misericórdia, os
mensageiros do Paraíso levaram essa exortação divina, através dos tempos e através dos
universos, até mesmo às criaturas inferiores de origem animal, tais como as raças humanas de
Urântia.
Esse mandato, magnífico e universal, de esforçar-se para atingir a perfeição da divindade, é o
primeiro dever e deveria ser a mais alta ambição de todas as criaturas que lutam nessa criação do
Deus da perfeição. A possibilidade de atingir a perfeição divina é o destino certo e final de todos
os homens, no eterno progresso espiritual.
Os mortais de Urântia dificilmente podem esperar ser perfeitos, no sentido infinito, mas, para os
seres humanos, partindo como o fazem, deste planeta, é inteiramente possível alcançar a meta
superna e divina, que o Deus infinito estabeleceu para o homem mortal; e, quando atingirem esse
destino, em tudo o que diz respeito à auto-realização e ao alcance da mente, eles estarão tão
repletos, na sua esfera de perfeição divina, quanto o próprio Deus o é, no seu âmbito de infinitude
e eternidade. Tal perfeição pode não ser universal, no sentido material, nem ilimitada, em alcance
intelectual, nem final, como experiência espiritual, mas ela é final e completa, sob todos os
aspectos finitos, em divindade, vontade, perfeição de motivação da personalidade e consciência
de Deus.
O verdadeiro significado do mandamento divino é este: “Sede perfeitos, assim como Eu sou
perfeito”; o que impulsiona constantemente o homem mortal a ir adiante e o atrai para o interior
de si próprio, na sua labuta longa e fascinante para alcançar níveis cada vez mais elevados de
valores espirituais e de significados verdadeiros do universo. Essa busca sublime, pelo Deus dos
universos, é a aventura suprema dos habitantes de todos os mundos do tempo e do espaço.
O PAI UNIVERSAL
O Pai Universal é o Deus de toda a criação, a Primeira Fonte e Centro de todas as coisas e todos
os seres. Pensai em Deus primeiro como um criador, depois como um controlador e finalmente
como um sustentador infinito. A verdade sobre o Pai Universal teve o seu alvorecer, para a
humanidade, quando o profeta disse: “Apenas Vós sois Deus, não há ninguém além de Vós.
Criastes os céus e os céus dos céus com todas as suas hostes; e Vós os preservais e os controlais.
Pelos Filhos de Deus, os universos foram feitos. O Criador cobre-Se da luz como se fosse uma
veste e estende os céus como uma cortina”. Somente o conceito do Pai Universal – um Deus
único, no lugar de muitos deuses – capacitou o homem mortal a compreender o Pai como um
criador divino e um controlador infinito.
As miríades de sistemas planetários foram todas feitas para serem afinal habitadas por muitos
tipos diferentes de criaturas inteligentes, seres que poderiam conhecer a Deus, receber a afeição
divina e amá-Lo em retribuição. O universo dos universos é obra de Deus e morada das Suas
diversas criaturas. “Deus criou os céus e formou a Terra; e não foi em vão que Ele estabeleceu o
universo e criou este mundo; Ele o formou, para que fosse habitado”.
Todos os mundos esclarecidos reconhecem e adoram o Pai Universal, o elaborador eterno e o
sustentador infinito de toda a criação. As criaturas de vontade, de universo em universo,
embarcaram nessa jornada imensamente longa até o Paraíso, a luta fascinante da aventura eterna
de alcançar Deus, o Pai. A meta transcendente dos filhos do tempo é ir ao encontro do Deus
eterno, é compreender a Sua natureza divina e reconhecer o Pai Universal. As criaturas sabedoras
de Deus têm apenas uma ambição suprema, um só desejo ardente, que é o de tornar-se, nas suas
próprias esferas, perfeitos como Ele é, na Sua perfeição de personalidade no Paraíso e na Sua
esfera universal de supremacia na retidão. Do Pai Universal que habita a eternidade, emanou o
supremo mandato: “Sede perfeitos, assim como Eu sou perfeito”. Em amor e misericórdia, os
mensageiros do Paraíso levaram essa exortação divina, através dos tempos e através dos
universos, até mesmo às criaturas inferiores de origem animal, tais como as raças humanas de
Urântia.
Esse mandato, magnífico e universal, de esforçar-se para atingir a perfeição da divindade, é o
primeiro dever e deveria ser a mais alta ambição de todas as criaturas que lutam nessa criação do
Deus da perfeição. A possibilidade de atingir a perfeição divina é o destino certo e final de todos
os homens, no eterno progresso espiritual.
Os mortais de Urântia dificilmente podem esperar ser perfeitos, no sentido infinito, mas, para os
seres humanos, partindo como o fazem, deste planeta, é inteiramente possível alcançar a meta
superna e divina, que o Deus infinito estabeleceu para o homem mortal; e, quando atingirem esse
destino, em tudo o que diz respeito à auto-realização e ao alcance da mente, eles estarão tão
repletos, na sua esfera de perfeição divina, quanto o próprio Deus o é, no seu âmbito de infinitude
e eternidade. Tal perfeição pode não ser universal, no sentido material, nem ilimitada, em alcance
intelectual, nem final, como experiência espiritual, mas ela é final e completa, sob todos os
aspectos finitos, em divindade, vontade, perfeição de motivação da personalidade e consciência
de Deus.
O verdadeiro significado do mandamento divino é este: “Sede perfeitos, assim como Eu sou
perfeito”; o que impulsiona constantemente o homem mortal a ir adiante e o atrai para o interior
de si próprio, na sua labuta longa e fascinante para alcançar níveis cada vez mais elevados de
valores espirituais e de significados verdadeiros do universo. Essa busca sublime, pelo Deus dos
universos, é a aventura suprema dos habitantes de todos os mundos do tempo e do espaço.
Escândalo

Este é, sem dúvida, um grande romance a vários níveis. Além das suas quase 700 páginas, ricas em acontecimentos muito diversificados, o romance cruza a história de vários personagens em tempo e espaço. Em comum têm a riqueza e, de seguida, uma enorme desgraça que lhes bate à porta. Tudo se passa na Grã-Bretanha, onde ocorre um mega escândalo financeiro. A obra, recomendada pela grande parte dos críticos literários, é um autêntico acerto de contas com a vida.
Fortemente realista e actual, tendo em linha de conta a crise económica mundial, Penny Vincenzi, através das Edições ASA, conta-nos a história de Lucinda e Nigel, Elizabeth e Simon, Debbie e Richard, cujas vidas lhes sorriam. Eram carreiras de luxos e altos momentos de glamour, casamentos felizes, casais mergulhados em piscinas de dinheiro e a viver em mansões cheias de luz e harmonia. Depois, surge o escândalo financeiro que destrói tudo. E é a partir daqui que a narrativa de aprendizagem social se desenvolve e ganha alma. Tudo começa a girar em redor do peso e da força que tem o dinheiro. As frases, que até aqui eram longas e ricas, cheias de ânimo e alento, passam a ser cruas, secas, duras, limadas e cortadas até ao limite. As descrições das tragédias (muito semelhantes às do nosso Eça nas suas variadas publicações) que se arrastam num ápice transformam a narrativa num autêntico best-seller e levam até o leitor a pensar como reagiria perante tal drama.
Para alguns, este livro poderá ser uma crítica de costumes de gente enfatuada, mas na verdade ele retrata uma história penosa de conduta amoral e oportunista que pode bater à porta de todos aqueles que lidam com milhões que fazem biliões e depois se transformam em tostões. Veja-se a recente notícia lusa do ex-casal de namorados de Barcelos que, depois de uma zanga, continuam a ver congelados pelo tribunal os 15 milhões de euros que ganharam no Euromilhões. Também nesta obra, o dinheiro (ou melhor, a falta dele) desmorona casamentos e carreiras, as amizades transformam-se em zangas, as paixões em abandonos e a fidelidade em traições. Quem sobreviverá perante tamanha calamidade? Como sobreviveria você? Já tinha pensado nisto?
__________
Penny Vincenzi
Escândalo
ASA, 16,50 €
Fortemente realista e actual, tendo em linha de conta a crise económica mundial, Penny Vincenzi, através das Edições ASA, conta-nos a história de Lucinda e Nigel, Elizabeth e Simon, Debbie e Richard, cujas vidas lhes sorriam. Eram carreiras de luxos e altos momentos de glamour, casamentos felizes, casais mergulhados em piscinas de dinheiro e a viver em mansões cheias de luz e harmonia. Depois, surge o escândalo financeiro que destrói tudo. E é a partir daqui que a narrativa de aprendizagem social se desenvolve e ganha alma. Tudo começa a girar em redor do peso e da força que tem o dinheiro. As frases, que até aqui eram longas e ricas, cheias de ânimo e alento, passam a ser cruas, secas, duras, limadas e cortadas até ao limite. As descrições das tragédias (muito semelhantes às do nosso Eça nas suas variadas publicações) que se arrastam num ápice transformam a narrativa num autêntico best-seller e levam até o leitor a pensar como reagiria perante tal drama.
Para alguns, este livro poderá ser uma crítica de costumes de gente enfatuada, mas na verdade ele retrata uma história penosa de conduta amoral e oportunista que pode bater à porta de todos aqueles que lidam com milhões que fazem biliões e depois se transformam em tostões. Veja-se a recente notícia lusa do ex-casal de namorados de Barcelos que, depois de uma zanga, continuam a ver congelados pelo tribunal os 15 milhões de euros que ganharam no Euromilhões. Também nesta obra, o dinheiro (ou melhor, a falta dele) desmorona casamentos e carreiras, as amizades transformam-se em zangas, as paixões em abandonos e a fidelidade em traições. Quem sobreviverá perante tamanha calamidade? Como sobreviveria você? Já tinha pensado nisto?
__________
Penny Vincenzi
Escândalo
ASA, 16,50 €
Não Há Sexo na Cidade

O livro que aqui apresentamos vai muito para além do sexo. Aliás, essa não é a questão fulcral da obra da autoria de Suad Amiry. Para além do título ser muito sugestivo em termos de marketing de vendas, aqui, a palavra sexo serve para lembrar que os protagonistas destas histórias são apenas mulheres. Neste livro, o leitor é uma testemunha, um confidente, um juiz e até, às vezes, um cúmplice de conversas de mulheres que, numa «tertúlia feminina» chamada Darna Restaurant, em Ramallah, abordam várias temáticas que marcam o quotidiano no médio oriente. Aliás, este espaço de conversas não foi escolhido por acaso. O Darna Restaurant existe na realidade, e uma das suas características é que, graças à sua arquitectura, proporciona um ambiente confortável e íntimo para conversas muito peculiares.
Além do amor e do sexo, as mulheres falam da guerra e retratam a família. Apesar de serem muito diferentes fisicamente, a nível de vivência têm em comum o facto de nunca terem visto concretizados os seus sonhos, assim como as suas aspirações, na Palestina. A revolta destas mulheres começa pela vitória do Hamas, que terá, alegadamente, apagado a última vela para a libertação da Palestina. Os muros construídos por Israel são agora uma prisão mais forte do que no antigamente. Aliás, podemos dizer que a obra é muito actual, e recorda-nos o mais recente conflito israelo-palestiniano.
Além do amor e do sexo, as mulheres falam da guerra e retratam a família. Apesar de serem muito diferentes fisicamente, a nível de vivência têm em comum o facto de nunca terem visto concretizados os seus sonhos, assim como as suas aspirações, na Palestina. A revolta destas mulheres começa pela vitória do Hamas, que terá, alegadamente, apagado a última vela para a libertação da Palestina. Os muros construídos por Israel são agora uma prisão mais forte do que no antigamente. Aliás, podemos dizer que a obra é muito actual, e recorda-nos o mais recente conflito israelo-palestiniano.
O livro é fruto de um grande profissionalismo e de um grande conhecimento geopolítico por parte desta autora, arquitecta de profissão, que tem dedicado muito da sua vida à arquitectura palestiniana. Segundo a própria, as histórias que aqui são relatadas saíram do seu interior sem grandes dificuldades. Aquilo que viu e sentiu, facilmente passou para o papel.
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Suad Amiry
Não Há Sexo na Cidade
Âmbar, 18,01 €
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Suad Amiry
Não Há Sexo na Cidade
Âmbar, 18,01 €
Mais livros com a Revista Sábado
Mais uma vez a Revista Sábado vai dar aos seus leitores a oportunidade de adquirir boas obras a preços reduzidos. Desta feita o primeiro livro vai ser vendido com a Sábado de 16 de Abril e à semelhança do que tem vindo a acontecer com as colecções anteriores todos os volumes custarão 1€ . A lista é a que se segue:
- Isabel Allende, Plano Infinito - dia 16 de Abril;
- Naguib Mahfouz, As Mil e Uma Noites - dia 23 de Abril;
- Alessandro Baricco, Sem Sangue - dia 30 de Abril;
- Saul Bellow, Herzog - dia 7 de Maio;
- Yasunari Kawabata, Terra de Neve - dia 14 de Maio;
- Patricia Highsmith, O Talentoso Mr. Ripley - dia 21 de Maio;
- Stephen King, A Luz - dia 28 de Maio.
Boas leituras para todos
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