sábado, 7 de abril de 2007

Em jeito de balanço II

Lúdico ou Formativo?

O atelier Palavra Poema mostrou-se muito exigente para os alunos que, em geral, não reagiram bem no primeiro contacto com as actividades. Esta situação colocou-nos uma questão muito importante: será este um atelier de promoção da leitura ou um atelier de treino das competências de leitura? Um dos seus principais objectivos é levar os professores a reutilizarem a estratégia e os materiais em contexto de sala de aula, com outros grupos. Relativamente aos alunos, os objectivos didácticos cumprem-se: leitura intensiva de seis poemas, reconhecimento de características formais (como a rima, a noção de estrofe ou verso), identificação da ideia principal, identificação do sentido figurado. Nesse sentido, estou certa de que o atelier funciona, já que os alunos se dedicam a encontrar os elementos estranhos, recorrendo a estas pistas.
A audição dos poemas, um a introduzir o tema, outro na despedida, teve sempre um efeito positivo. Os alunos surpreendem-se, e as alterações de ritmo que o Sérgio imprime à leitura leva-os ao sorriso, mesmo ao riso, quando se desvenda o mistério. A escolha de poemas divertidos e próximos da sua realidade (as coisas que gostam de fazer, as brincadeiras, as travessuras...) permite desmistificar ideias pré-concebidas: a poesia pode não ser solene, qualquer assunto se presta a ser trabalhado poeticamente, podemos gostar de poesia sem gostarmos de todo o tipo de poemas. É também certo que os grupos acabaram por se envolver nas actividades, tentando o melhor resultado e vibrando com a confirmação do exercício.
Neste caso, não seremos os aliciadores para a poesia, mas sim aqueles que ajudam a desbloquear o seu processo de leitura. Isso promoverá, em alguma medida, o acto de ler, se melhorar as competências. Contudo, por si só, não fará leitores de poesia.

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