domingo, 13 de abril de 2008

Pêndulo de Foucault (O) - Umberto Eco



Há livros que a gente lê e logo os arrumamos na prateleira para só voltar a pegar neles apenas para lhes limpar o pó. Outros há que os recomendamos e mostramo-los a toda a gente que lá vai a casa, dizendo: "grande livro, aconselho". Outros há ainda que depois de lidos, são feitos vários projectos de releitura e são constantemente afagados, folheados, sempre recordados como um amigo muito especial. Finalmente existem aqueles que nem sabemos que rótulo lhes dar nem como classificá-los.

Este "Pêndulo de Foucault" é um desses livros que nem sei o que dizer.

Para quem conhece ou já leu algum livro de Umberto Eco, decerto saberá que ler o que ele escreve, torna-se, grosso modo, um exercício difícil. Para além de ter o costume de colocar inúmeras citações em latim e outros idiomas, geralmente consegue criar todo um cenário onde o leitor tem que possuir alguns conhecimentos, alguma cultura, para além de alguma paciência.

Extremamente eruditos, o que por si só já tornam os livros algo complicados de acompanhar, Eco gosta também de brincar com as situações que vai criando e sobretudo expor opiniões e conceitos cientifico e filosóficos, sem falar também na forma exaustiva como descreve algumas situações que, várias vezes, não levam a lado nenhum. Ou seja, tal como dizia uma amiga, é por vezes um chato.

Neste "Pêndulo de Foucault" ele não foge a isso, bem pelo contrário.

Três homens, que não são propriamente amigos, acabam por se unir a uma pequena e estranha editora no sentido de escreverem um livro místico com a intenção de o tornarem um best-seller.

Devido a um igualmente estranho acontecimento, esses três homens começam a colectar dados e factos sobre várias sociedades secretas, sobretudo sobre as suas Histórias, os Homens que estiveram por detrás delas, seus rituais, etc. Assim, acabam por descobrir vários elementos comuns, que os levam a considerar a hipótese da existência de um "Plano" secreto cuja mensagem teria sido criada pelos Templários antes da sua oficial extinção, mas que ainda poderia ser posto em prática nos dias de hoje por eventuais sociedades secretas que se consideravam procedentes dos Templários.

A partir daí há todo um desenrolar de acontecimentos que vão tomando um rumo cada vez mais sério e perigoso, até ao ponto desses três homens sentirem as suas vidas em perigo por alguém que julga ser capaz de avançar com esse "Plano".

Numa prosa altamente erudita, é claríssima a intenção de Eco em parodiar com as teses de conspirações atribuídas a essas sociedade secretas, sobretudo no que diz respeito à numerologia - e nisso existem partes deliciosas -, rituais e outras tradições ocultas.

O nome "Pêndulo de Foucault" é apenas uma metáfora utilizada por Eco no sentido de contrapor a experiência de Michel Foucault a esse hipotético Plano dos Templários. Ou seja, ambos oscilam de uma forma regular ao longo da eternidade, esquerdo - direito, verdade - mentira. Depende sempre do julgamento e das crenças de cada um.

É um livro cheio de curiosidades Históricas, científicas e ocultistas, onde Umberto Eco efectua realmente um bom trabalho de escrita, mas que acaba por sair algo extremamente pesado para um leitor comum, até porque é um livro em constante luta com o leitor, não apenas na sua extensa erudição, como também pondo-nos à prova crenças e teorias.

Não desgostei, mas também não gostei.

Até porque várias vezes tive que voltar atrás para reler certos parágrafos, e simplesmente porque chegou a ser entendiante a narração da história e no final, depois de me aperceber do significado de tudo aquilo, acabei por concluir que foi pouco o prazer que o livro me deu.

Já tenho lido que este é um livro similar ao "Código Da Vinci". Não se iludam, está muito longe de ser um livro do mesmo género, pois abordar os Templários e outras sociedades, não os assemelha. Este livro é muito denso e cansativo, possui uma linha e um objectivo completamente diferente, assim como a própria escrita e coerência entre os escritores são diferentes, mas e neste casos Umberto Eco ganha por k.o. ao nível da informação prestada, pese embora perca ao nível do entretenimento.

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