domingo, 14 de dezembro de 2008

A felicidade existe, de Luiz de Souza

TRECHO:
Apresentação
A felicidade existe, de autoria de Luiz de Souza, hoje espírito da Plêiade do Astral Superior,
é o segundo livro de uma trilogia que desdobra a doutrina filosófico-espiritualista Racionalismo
Cristão de forma simples, precisa, fácil de entender e, por isso, ao alcance de qualquer estudioso do
espiritualismo ensinado e praticado nas casas racionalistas cristãs.
O conjunto das três obras ligadas entre si pelo tema comum Racionalismo Cristão
compreende o livro Espiritualismo, de 1960, no qual o Autor adotava o pseudônimo Valério Sintra,
o que era usual na época. O Editor, ao publicar a 4ª edição desse livro, em 1977, após a
desencarnação de Luiz de Souza, ocorrida em 1974, escolheu o título atual, Ao encontro de uma
nova era, e optou pelo nome verdadeiro do Autor, Luiz de Souza.
Em 1962, esse engenheiro civil de profissão e escritor notável e incomum nos presenteia
com este livro, agora em sua 13ª edição.
A morte não interrompe a vida, de 1963, encerra a sua participação na literatura racionalista
cristã, na qual deixou marca indelével como espírito de categoria, de qualidade, de sabedoria.
Residente em vida física na cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro — Brasil,
presidiu inúmeras sessões públicas de limpeza psíquica realizadas na Filial do Racionalismo Cristão
daquela cidade, marcando sua passagem de incomparável doutrinador, ainda relembrado por
assistentes que freqüentam essa Casa e por militantes que nela trabalham.
A 13ª edição de A felicidade existe, revisada e com nova capa*, restabelece o preâmbulo
escrito pelo Autor, agora chamado Introdução, vocábulo usado nas recentes publicações dos livros
editados pelo Racionalismo Cristão.
Por fim, acresce lembrar que, escrito na década de sessenta do século vinte, o livro faz
referência a costumes da época, em considerações que hoje têm outra abordagem.
______________
* Flagrante do Universo (Nota do Editor).
A felicidade existe ajuda a abrir as portas do Racionalismo Cristão aos que se propõem
adotar seus princípios como normas de conduta, contribuindo de forma indelével na busca da
felicidade relativa a que todos têm direito, mas que poucos sabem alcançar.
O Editor

Introdução
A evolução normal da humanidade está na dependência de poder-se ela firmar em princípios
espiritualistas para, por meio deles, resolver os seus problemas fundamentais. A crise maior que se
observa é de falta de caráter, de moral, de honorabilidade, e onde predominarem essas
características o coeficiente espiritual é nulo em grande número de indivíduos. Pessoas de
responsabilidade estão mancomunadas com aproveitadores e desonestos, que põem em prática as
manobras mais condenáveis para fins ilícitos, corruptos, com os quais visam um único objetivo: o
aumento da riqueza material, o mais depressa possível.
Religiões dominantes acolhem toda classe de locupletadores, que contribuem
monetariamente para elas, através do pagamento de atos litúrgicos encomendados. O essencial é
que o dinheiro corra para os seus cofres, pouco importando de onde venha, como foi ganho, se
procede das mãos de ladrões ou das de gente limpa. Essa complacência criminosa equivale, quase, a
uma conivência. Sem a repulsa da Igreja, que casa, batiza e encomenda os traficantes e flibusteiros,
porque pagam bem o serviço, nada se pode esperar da religião, no sentido de conter a imoralidade.
Vê-se assim o Racionalismo Cristão na contingência de apresentar o cenário real da vida
terrena para, ao focalizar a gravidade dos erros que conscientemente se cometem, chamar a atenção
para os resultados desses erros e alertar a humanidade para os riscos que corre, os débitos que
adquire, o triste futuro que arquiteta, enquanto não mudar de rumo.
É indispensável que o indivíduo ajuste a sua linha de conduta às normas espiritualistas, para
não perder encarnações preciosas, invalidando esforços mal orientados e traindo propósitos
firmados no plano astral antes de encarnar.
Em grande erro incide a criatura que ao integrar-se no mundo físico pensa ser esta a
verdadeira vida, e que precisa apoderar-se de todas as vantagens materiais que a Terra lhe possa
oferecer, sem considerar os prejuízos que venha a causar ao seu semelhante, ficando imbuída da
falsa idéia de que o mundo pertence aos ladinos, aos espertos, aos aventureiros, aos que melhor
souberem ludibriar, enganar e iludir.
Contra essa concepção irreal e ilógica se contrapõe a doutrina racionalista cristã, ao
demonstrar, com argumentos, com base, com segurança, a verdade dos fatos, abrindo novos
horizontes aos olhos daqueles que sinceramente desejarem alcançar uma vida de maior felicidade e
paz, no curso desta e de outras existências.
Todo esclarecimento prestado nas obras racionalistas cristãs visa, expressamente, oferecer
meios capazes de promover a evolução de cada criatura, para com isso melhorar as condições de
vida na Terra e preparar um futuro mais rico em bens materiais, morais e, sobretudo, espirituais.
O indivíduo que se atira cegamente à conquista dos bens terrenos dá a impressão de um
náufrago em desespero de causa, ao agarrar-se, angustiado, a qualquer objeto que encontre, na
esperança de salvar-se.
Toda ânsia de enriquecimento que se observa, sem lastro espiritual, transforma-se numa
força negativa, que cada vez mais atrai o sequioso para o pântano da desonestidade. Na busca da
riqueza, que se torna por vezes um fanatismo, uma obsessão, uma vez conquistada, perde-se o
próprio ser no luxo, na ociosidade, na extravagância, na ostentação, no sensualismo.
Para não enveredar por essas sinuosidades enganosas, só há um meio, uma medida
salvadora: é procurar o indivíduo esclarecer-se, conhecer a verdade sobre as leis eternas, pôr em
prática, diariamente, os conhecimentos espiritualistas recebidos. O objetivo desta obra, com os
recursos dos princípios racionalistas cristãos, é conduzir a humanidade pelo caminho da
espiritualidade.
Urge tomar em consideração que a vida, por ser eterna, não se pode limitar, de maneira
alguma, ao restrito tempo de uma encarnação. O essencial é quebrar essa visão curta de querer
enquadrar, nesse minúsculo panorama de uma só existência, toda a razão da vida, e pugnar por
resolver as dificuldades que a ela dizem respeito.
Todos os problemas da vida terrena devem ser solucionados espiritualmente, levando em
conta não só o presente, como o futuro, e de tal modo que, em lugar de uma existência amena,
suave, prazenteira, como pode ser preparada, não se tenha de passar por uma vida penosa e cheia de
amarguras, enredada de sofrimento e desgraças.
O dinheiro ganho desonestamente, com o prejuízo de terceiros, não pode trazer felicidade.
Pelo contrário, traz aquilo de que o ser procura livrar-se: a angústia, a inquietação, o
descontentamento, a irritabilidade, além de muitos outros tormentos entrelaçados. A cegueira moral,
no entanto, que se apodera dos indivíduos assim perturbados, não os deixa ver o seu verdadeiro
estado, razão por que dificilmente se podem desembaraçar das malhas envolventes.
Os esclarecimentos que este livro procura apresentar não podem servir para as pessoas
obsedadas que têm sempre idéias fixas, mas para aquelas que dão o devido valor às coisas do
espírito, que sabem raciocinar com imparcialidade e são compreensivas e atentas à verdade sobre a
vida espiritual.
Esta é uma tentativa de focalizar diretrizes fundamentais da vida terrena, para que sejam
meditadas, desdobradas e aplicadas no correr dos dias, e espera-se que se tornem úteis a todos, que
inspirem ótimas atitudes, que produzam excelentes resultados na consumação de atos relevantes e
altruístas, ajudando os leitores a preparar um futuro sempre melhor, em clima de saúde e simpatia,
de amizade e confraternização, de entendimento, fartura, paz e prosperidade. Estes objetivos podem
ser alcançados no caminho da espiritualidade, e não faltará apoio astral das correntes do bem para
fortalecimento de todas as boas intenções.
É preciso remodelar os hábitos comuns da grande maioria dos seres encarnados, e, nos
temas que se seguem, encontrarão eles suficiente cabedal para reforçar a firmeza de propósitos
nesse bom sentido.
Não há dúvida de que são muitos os que almejam encontrar, na trajetória terrena, um sistema
de elevada expressão moral, que induza os seres a compartilhar da Grande Obra renovadora que
envolverá o mundo.
O Racionalismo Cristão está colocado na vanguarda desse movimento, e as obras que
difunde atestam essa veracidade. Se a disciplina espiritualista que esta Doutrina ministra aos
estudiosos dos seus ensinos for adotada por quantos se achem amadurecidos para recebê-la, grandes
transformações moralizadoras irão surpreender os sectários, tão ilusoriamente confinados nos
limites da conceituação terrena.
As sombras vão sendo dissipadas à custa de muito se escrever e falar acerca da vida
espiritual, num esforço sincero e leal de melhorar as condições do mundo. É recomendável que
todos colaborem nesse sentido, aprendendo as lições esclarecedoras, para poderem pô-las em
prática e transmitir a outros os seus conhecimentos. Não há tempo a perder. Muitos espíritos, que do
alto assistem aos encarnados, aguardam que estes se resolvam a acordar e a colocar os seus méritos
em favor da Causa comum, para a felicidade própria e dos demais.
A felicidade existe quando as criaturas a sabem construir.

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